Entre o caffé e o cognac

Part 11

Chapter 113,162 wordsPublic domain

Este é o ponto em que a tradição religiosa prende com a tradição nobiliaria.

Do cavalleiro de Mathosinhos, predestinado para tamanhos prodigios, qual foi o de galopar por sobre as ondas muito melhor do que nós pelas nossas estradas, procede a familia dos Pimenteis, de Traz-os-Montes, aos quaes Pimenteis appellida de nobres um chronista. Não sei se todos os ramos de Pimenteis teem iguaes fóros de nobreza e motivos de prosapia. Os Pimenteis de que eu descendo foram homens honrados e obscuros, que nem com titulos litterarios se podem abonar, o que prova que os meus antepassados tiveram mais juizo que eu.

Do fidalgo _matisado de maritimas conchas_ procedeu João Affonso Pimentel, senhor de Bragança e primeiro conde de Benavente, o qual as tomou por brasão assim como pudera adoptar o corcel miraculosamente subjeito ás rebeldias do oceano.

Consta tambem que as mesmas armas estão gravadas na torre do castello de Bragança, mas se o leitor não as vir lá, nem na torre da parochia de Benavente, fique sabendo que eu fui muito menos feliz n'estes vagalhões de grossa erudicção do que o cavalleiro da chronica nos mares aparcellados da praia de Lessa.

* * * * *

THIERS

Mac-Mahon veio substituir Thiers na presidencia da republica franceza. Alguem disse: Acabou a dictadura da palavra; começa a dictadura da espada.

E porque?

Porque Mac-Mahon é um general francez, e Thiers é um estadista e um historiador.

Porque um deu os primeiros passos da vida na Escola militar de Saint-Cyr, e o outro na Academia d'Aix.

Porque um saiu da escola para o campo de batalha, e o outro saiu da Academia para a lucta politica.

Porque um começou a militar no cerco d'Anvers ás ordens do general Achard, e o outro estudou o plano das primeiras campanhas no gabinete do velho Talleyrand.

Dictadura da palavra e dictadura da espada!

Vejamos.

O estadista e o historiador foi chamado a governar a nova republica franceza depois da sangrenta guerra franco-allemã.

É sempre difficil dirigir uma creança, mórmente uma creança, cujo berço fluctua sobre sangue nas ruinas d'um paiz inteiro.

O sangue era francez: as ruinas eram as da França.

O vencedor era a Allemanha.

Pela eterna rivalidade que reina entre as duas nações, a França julgava-se duas vezes vencida por succumbir ás mãos da Allemanha.

Thiers foi o medico chamado á cabeceira da França no momento em que as feridas do corpo nacional sangravam dolorosamente sobre as ultimas purpuras encontradas nas Tulherias.

Comprehende-se o que seria governar assim.

Vêde bem que exforço titanico não requer subir ao Vesuvio, quando elle muge em convulsões precursoras d'erupção, debruçar-se á cratera, despreoccupado da escuridão sinistra que fecha a montanha, escutar o surdo ruido das entranhas de pedra agitadas pelo fogo, sentir affluir ao enorme local d'aquella pyra enorme o turbilhão vertiginoso das lavas, e suster com um dedo a massa candente que irrompe de dentro, e reprimir com uma palavra a torrente impetuosa d'um niagára de chammas.

Assim estava a França: isto fez Thiers.

Foi elle, o dictador da palavra, que provou ao mundo que para os cadaveres das nações como para os cadaveres dos homens tinha a physica descoberto o galvanismo.

Foi elle que estendeu o seu braço obstando a que a plebe desenfreada sepultasse no grande tumulo das nações que foram o cadaver da França, amortalhado nos fragamentos das suas esphaceladas bandeiras.

Apagados os fogos sinistros da batalha, ergueram-se vorazes os fogos da Communa.

Depois da derrota,--o incendio; depois da guerra extrangeira, a guerra civil.

Era preciso combater a França para salvar a França, porque o peior inimigo da França era a França.

A derrota tinha alastrado de cadaveres o chão.

Eram as cinzas dos heroes, que se bateram com o eterno denodo francez.

Cumpria veneral-as no mais sagrado culto devido aos que perecem pela patria.

Mas o facho da Communa tentava queimar em Paris os corpos dos heroes nas fogueiras que no Industão espalham no ar as cinzas das viuvas brahmines.

Era uma profanação immensa.

Cumpria respeitar a desgraça da patria, salvar ao menos a quilha da nau desarvorada, que desde tempos immemoriaes estava costumada a despejar as suas hostes conquistadoras nas praias da Europa inteira.

Pois bem, Thiers estava ao leme, e queria morrer abraçado á ossada do seu navio, quando desesperasse de salval-o.

N'estes momentos de suprema agonia todos os olhos e todas as esperanças estão concentrados no capitão.

Se elle desanima, desanima a equipagem.

E cada vez mais referviam em derredor as ondas populares d'aquelle immenso mar de fogo que dava ás aguas do Sena uma ardentia sinistra.

Thiers salvou a França, suffocando a Communa, e fazendo cahir o braço fratricida armado para a guerra civil.

Isto ainda o não conseguiu a Hespanha, que manda as legiões de Madrid combater as guerrilhas da Navarra.

A Communa era o incendio, o saque, o fusilamento, e, para vencer todas estas calamidades, claro está que era preciso oppor-lhes pelo menos outra: a morte.

Era preciso fazer justiça: correu sangue.[5]

Dado porém que na presidencia da republica franceza estivesse a essa hora não o dictador da palavra, mas o dictador da espada, um intrepido militar costumado a oppôr a força á força, lembrado de haver pelejado em Africa no assalto de Constantina, de haver tomado em Sebastopol as fortificações de Malakoff, e de ganhar na Italia a victoria de Magenta, esse militar, dizemos, impellido pela sua destemida coragem, haveria atulhado de francezes os carceres e os cemiterios para salvar a patria que a sua espada tão gloriosamente por mais d'uma vez nobilitara.

Dictadura da palavra!

Dictadura da palavra foi o governo de Thiers.

Luctas, se as houve, foram parlamentares unicamente, e a assemblêa de Versalhes o campo de batalha.

Assim requeria ser tratado um enfermo illustre, que tinha ainda nos labios um timido sorriso de esperança.

E esse enfermo era a França, o paiz das tradições gloriosas, e a medicina foi a palavra, a discussão, o parlamento.

É impossivel rehabilitar-se um paiz com maior dignidade.

Á ruina da guerra com o extrangeiro succede um governo republicano d'ordem, que, logo aos primeiros passos, tem de supplantar a Communa armada em ambas as mãos com o ferro de Caim e o facho d'Omar.

O inimigo da familia depois do inimigo da França!

Ameaçado o lar depois de retalhada a patria!

Era preciso salvar o berço em que fluctuavam os Moysés do futuro, e o cemiterio onde dormia toda a immensa familia de Clovis.

Isto conseguiu Thiers, e mais ainda.

Reorganisou o exercito.

Satisfez a imperiosa avidez do erario allemão deixando-o cogulado do muito oiro da contribuição de guerra que pesa ainda menos do que o sangue das victimas de Metz, Borny, Mars-la-Tour, Gravelotte e Sedan.

Levantou dois emprestimos que provam que o credito da França bastaria a encher todos os thesoiros da Allemanha.

E reergueu os edificios derrubados pelo inimigo ou pela Communa e, o que é mais, reergueu a patria, sustentando um difficilimo equilibrio politico nas frequentes e perigosas oscillações d'um governo provisorio.

Isto fez Thiers: isto fez a dictadura da palavra.

Vejamos agora como se pagou ao velho Noé que depôz, sã e salva, nas faldas do Ararat, a nau desconjunctada pelo imperio francez.

A eleição de Buffet para presidente da assemblêa franceza, por uma maioria de 70 votos, contra Martel, candidato do governo, recomposto nas fileiras do centro esquerdo, era um mau prenuncio de imminente tempestade parlamentar.

E, de feito, a tempestade rebentou.

Na sessão do dia 19 de maio deu-se o signal de rebate, que não póde ter outro nome a apresentação da interpellação firmada por quasi todos os membros do centro direito e da direita.

Venha o documento. Precisamos de vêr claramente como Thiers, o dictador da palavra, succumbiu dignamente ás unicas armas cujo combate aceitava,--a palavra.

«Os abaixo assignados, convencidos de que a gravidade da situação exige á frente dos negocios um gabinete cuja firmeza tranquilise os espiritos em todo o paiz, pedem para interpellar o ministerio a respeito das ultimas modificações que acabam de fazer-se n'elle, ácerca da necessidade de que prevaleça no governo uma politica resolutamente conservadora, e propõem que se destine a proxima sexta feira para se realisar a interpellação.»

O governo, pela bocca do ministro Dufaure, pediu um praso de vinte e quatro horas para se entender com o presidente da republica.

Era esse o dia em que deviam ser apresentados os projectos da lei constitutiva dos poderes publicos.

A esquerda da assemblêa pediu que fossem lidos.

A direita oppôz-se violentamente.

Era a primeira refrega, depois do signal de combate.

Estava patente a impossibilidade d'acordo entre o presidente da republica e a direita, unida ao centro direito da assemblêa.

A politica de partido levantava-se para combater a politica nacional; começava a referver a escumalha da paixão nas aguas que deveram anilar-se na doçura d'uma discussão serena.

A direita foi intransigente, violenta, aggressiva.

Thiers, o dictador da palavra, cujos actos e discursos procuraram sempre alliar todas as vontades por meio d'um espirito liberal e conservador, prudentemente sustentado em todas as luctas, quiz ainda responder á direita com o seu verbo fluente, sereno e limpido:

«Não solicitei o poder, offereceram-m'o e exerci-o no meio de muitos desgostos e difficuldades: as vossas censuras não as dirijaes aos leaes ministros aqui presentes: dirigi-as a mim, que para mim as tomarei.

O momento é solemne; imperiosas as circumstancias: vós ides decidir os destinos do paiz.»

Mas era preciso dizer a verdade toda:

«Entre os republicanos ha alguns que querem ir mais longe e que instigam os outros a seguil-os: são os que querem a republica para os republicanos.

N'esta situação, precisa-se de um governo inexoravel para com a desordem, e que, depois de assegurar a tranquilidade, inicie uma politica de pacificação; tal é a nossa politica.»

Todavia a direita, como dizia a interpellação, queria uma politica _resolutamente conservadora_, e Thiers desceu da cadeira da presidencia, certamente deslembrado das ostentações do poder, se bem que naturalmente desalentado como todos os grandes obreiros que são chamados a receber a féria da ingratidão...

Finalmente, Mac-Mahon substituiu Thiers.

A historia registrou o passado, e a espectativa europea nada alcança pelas trevas do futuro a dentro.

Irá inaugurar-se uma dictadura verdadeiramente militar?

São tudo perguntas.

Governará a direita?

Restaurar-se-ha a monarchia?

Continuará a situação provisoria?

Não se sabe.

Todavia, já vol-o disse, alguem profundamente sabido em coisas dos homens e da politica, sentenciou: Acabou a dictadura da palavra; começa a dictadura da espada.

Tambem sabeis que Thiers é o author da _Historia do consulado e do imperio_, e da _Historia da revolução franceza_, e Mac-Mahon o vencedor de Constantina, de Malakoff e de Magenta.

Em todo o caso a França é governada por uma espada.

Ora uma espada, depois d'uma guerra fatal, e quando se sonha em outra guerra diversamente fatal, a _revanche_, lembra o sangue que correu e o sangue que póde correr...

A espada vence, e a palavra convence.

E a França precisava convencer-se de que deve, primeiro que tudo, coroar a trabalhosa obra da sua rehabilitação.

* * * * *

Á HESPANHA

(AGOSTO DE 1873)

Tu eras o menestrel da peninsula, o trovador de capa traçada, que dedilhavas o bandolim dos teus cantares sob a janella illuminada pelo formoso luar das serenatas.

Tu eras a madrilena, de mantilha de rendas, olhos de fogo, que passeava á tarde no Prado, agitando a ventarola, os olhos e o mundo...

Tu eras o _torero_, de jaqueta azul constellada d'estrellas d'ouro e prata, que te erguias no meio da arena, de pé como os triumphadores, victoriado pela multidão.

Tu eras o amor ardente que descanta ao luar, o _salero_ que justifica a _serenata_, a força que vence os obstaculos.

Eras um paiz que mantinhas o esplendor da tua individualidade sem fechares a porta á invasão dos progressos moraes e materiaes do seculo.

Tinhas o teu idioma, as tuas danças, os teus cantares, os teus espectaculos.

Tinhas reis como S. Fernando, poetas como Campoamor, pintores como Murillo, campeadores como o Cid, oradores como Castelar...

Um dia, porém, uma d'estas grandes fatalidades, que pesam sobre todas as nações, avergou a tua nobre cerviz, e um rei estrangeiro, não podendo conter a impaciencia das ambições, desceu do throno a que fôra chamado, depondo nas tuas mãos a corôa que de ti havia recebido.

E como são sempre os clarões nascentes da aurora que succedem aos clarões moribundos do occaso, como é sempre a flôr que succede ao cahir das folhas mortas, tu quizeste levantar sobre as ruinas da monarchia a bandeira vermelha da ideia nova.

Havia n'essa tua aspiração, ó Hespanha, um tributo nobilissimo á memoria do teu ultimo rei.

Elle descera do throno com a magnanimidade com que Codro se expozera á morte, e a Hespanha, como Athenas, queria deixar para sempre devoluto o solio por não haver rei mais nobre que viesse occupal-o um dia.

Não rolaste pelas ruas da capital, cuspindo-lhe as injurias da canalha, a corôa da monarchia.

Não, archivaste-a na _sancta-sanctorum_ das tuas gloriosas tradições, porque essa corôa a cingira D. Amadeu, e D. Amadeu fôra o _omega_ da realeza hespanhola.

Não a consideravas escarneo; veneraval-a como reliquia.

Então, ó Hespanha, os teus poetas, os teus pintores, os teus dramaturgos, os teus campeadores, os teus heroes ficaram supplantados por um homerico vulto cuja eloquencia jorrava em catadupas scintillantes pela _bocca d'oiro_ do teu João Chrisostomo.

A voz do teu grande orador apostolisava o evangelho d'uma nova religião politica. Não era o inimigo dos reis que se levantava a insultar-lhes as cinzas depositadas nos tumulos soberbos do Escurial. Elle queria vencer sem sangue, combater sem ferir, semear sem revolver a terra!

Impossivel!

Santa aspiração que não póde traduzir-se em facto, sonho de fraternidade angelica sem realidade entre os homens, onda crystalina que não chega a banhar todos os corações porque encontra no caminho obstaculos e barreiras.

As auroras da terra não esplendem apenas como as do céo. São chamma. Cospem centelhas, e muitas vezes a centelha é o pollen luminoso que gera o incendio.

A luz tornou-se labareda.

Acordaram, sacudindo as tranças enleiadas de viboras, as Meduzas da ambição, as Furias do socialismo, os Omares dos fachos incendiarios.

Mobilisaram-se tropas, rodaram carretas, soaram clarins.

Caim armou-se para derrubar Abel.

Jacob vestiu no braço a pelle do anho para enganar a cegueira de Izaac.

A insurreição vendeu o Messias da nova ideia pelos trinta dinheiros de Judas.

O luar da Hespanha, o doce confidente das serenatas, volveu-se sanguineo, como o reflexo d'uma forja.

O templo, onde porventura existia uma Virgem de Murillo, ficou devoluto, abertas as portas, e as aves de rapina entraram para os saquear depois que o pastor espiritual saiu para combater.

O bandolim do menestrel emmudeceu sob a _ventana_; os echos do Prado não repetiram mais o chalrar das morenas da mantilha.

A bandeira hespanhola nunca mais foi reverenciada na solidão das aguas com o culto que se deve ás côres nacionaes d'um paiz livre.

Que importa que fosse aquella bandeira a mesma que acompanhou Christovão Colombo ás regiões ignoradas do mundo novo?

Os descobridores morreram; ficaram apenas os piratas.

O descobridor era saudado pela artilheria; o pirata é aprisionado por ella.

Ruinas d'uma nacionalidade, petalas d'uma grinalda desfolhada, recordações horriveis d'um sonho vago...

E ainda de pé o vulto gigantesco, que sobrevive á sua propria ideia, o sonhador que subsiste á sua aspiração, o jardineiro que não estremece ao perpassar do tufão que lhe arrebata o jardim do seu ideal!...

A sua voz sobranceia os rumores da tempestade; é ainda o verbo da paz no meio da lucta, ouve-se na Europa inteira a palavra do Lazaro immortal que desperta nas profundezas do tumulo:

«Nós, os republicanos, temos muito de prophetas, pouco de politicos. Sabemos muito do ideal, pouco da experiencia; abrangemos todo o céo do pensamento, e caimos no primeiro fosso que ha no nosso caminho. Assim succede e tem succedido sempre na historia, que os inimigos dos partidos progressivos fundam as ideias progressivas, como o judeu S. Paulo fundou o christianismo: como o monarchico Washington fundou a republica do Norte da America; como Rivadavia, outro monarchico, fundou a confederação das republicas do sul da America; que nem o Baptista na egreja, nem Rosseau na revolução, nem nenhum dos prophetas consolidou a propria reforma por elles annunciada e trazida; do mesmo modo que Moysés guiou para a terra promettida, e não chegou a entrar na terra promettida; do mesmo modo que Colombo descobriu a America sem saber que a tivesse descoberto para que uns guerreiros andaluzes e extremenhos a conquistassem e uns obscuros pilotos italianos a baptizassem; porque os que concebem e presentem as grandes ideias, não as realisam nem consolidam em nenhuma época da historia.»[6]

E não obstante referver ainda o cahos á hora em que o Moysés da Hespanha se preparava para escrever o genesis da nova creação, e atiçarem-se as labaredas do incendio geral, e despirem-se os altares; não obstante fugir a Hespanha da Hespanha espavorida de sua propria crueza, e demandar o tecto hospitaleiro dos Euryalos estrangeiros, e a bandeira da patria despertar contra si a aggressão dos paizes extranhos,--elle, o gigante ferido no coração pela funda de David, quer morrer ou renascer abraçado aos escombros do seu berço:

«Eu quero ser hespanhol e só hespanhol; quero fallar o idioma de Cervantes, quero recitar os versos de Calderon; quero colorir a minha phantasia com os matizes que tiravam das suas palhetas Murillo e Velasquez; considerar como pergaminhos meus de nobreza nacional a historia de Viriato e de Cid; quero ter no escudo de minha patria as naves dos catalães que conquistaram o oriente e as naves dos andaluzes que descobriram o occidente; quero ser de toda esta terra, que ainda me parece estreita, sim, de toda esta terra que se estende dos Pyreneos ás ondas do gaditano mar; de toda esta terra ungida e santificada pelas lagrimas que custara a minha mãe a minha existencia; de toda esta terra redimida, resgatada do estrangeiro pelo heroismo e pelo martyrio de nossos immortaes avós.»

É que só elle é maior que a Hespanha toda.

FIM.

[1] _Do portal á claraboia._

[2] No prologo da _Civilizacion en los cinco primeros siglos del Cristianismo_, por Emilio Castelar.

[3] _Bafordar_ era, no jogo d'armas, brincar com ellas, fingir combate militar.

[4] Annotado pelo mesmo Antonio Cerqueira Pinto.

[5] Em outro livro (_Nervosos, lymphathicos e sanguineos_) lamentamos que corresse o sangue de Rossel, por exemplo, o que não quer dizer que censurassemos a repressão da Communa. Convinha ás vezes que a justiça não fosse cega para estremar os homens e os delictos.

[6] Fragmentos do discurso de Emilio Castelar recitado na assembléa constituinte hespanhola em 30 de julho.

INDICE

Pag. Advertencia VII O Gabinete de Camillo 9 O Primeiro de Janeiro 17 A Aguia d'Ouro 25 Physiologia do Theatro de S. João 33 Physiologia do Theatro Baquet 41 Telhudos historicos 53 Os Domingos 63 As Italianas 71 Emilio Castelar 79 Animaes e vegetaes 89 Á Academia de Coimbra 97 Os annuncios 107 A industria das ruas 117 A Giganta (carta a Julio Cesar Machado) 127 O Album do Gymnasio 137 Esboço de comedia 145 As colheitas 153 S. Bartholomeu 159 O Natal 167 Os Bohemios 173 O Relogio... 181 Ás sete horas da manhã 191 Á mesa do chá 199 S. João 207 Judas no plural 213 Historia velha 221 Thiers 229 A Hespanha 239

End of Project Gutenberg's Entre o caffé e o cognac, by Alberto Pimentel