Educação nova: As bases

Part 4

Chapter 42,586 wordsPublic domain

A _estatura_, como síntese que é das _alturas segmentares do corpo_ acima do solo, _valerá o que valêrem estas_; por si só, essa _medida_ apenas significa que tal pessoa é _grande_ ou _pequena_, o que é de importância mínima, em _pedometria_; e, às vezes, até de _valor negativo_, como sucederá, por exemplo, nos casos de _gigantismo com infantilismo_, em que a _estatura cresce, à custa doutras dimensões essenciais_ (largura, grossura, espessura) _do sólido humano_[57].

Pelo seu lado, o _pêso_ nem sempre deve ser considerado, como exprimindo um _valor activo_ nos fenómenos do «crescimento», pois pode suceder que, em vez de uma _densidade muscular_, acuse uma _densidade adiposa_, a qual, como é óbvio, não passa de uma _reserva_ e, às vezes, até dum _obstáculo_ à seqùência normal daqueles fenómenos.

Não há dúvida que a _medida do pêso_, em circunstâncias normais e, sobretudo, _a da sua evolução_, constituem um meio excelente de avaliar da _saúde_ e do _estado de nutrição_ da criança; a verdade, porêm, é que não é êsse o único _problema métrico_ a esclarecer: outros há que o _pêso_, só por si, não resolve.

[Figura: Fig. 4]

Finalmente, o _perímetro torácico_ (medida de valor apreciável, quando relacionada com outras medidas) presta-se tambêm a _interpretações erróneas_, por isso mesmo que pode representar, sob a _máscara da gordura_, um _falso volume_ do organismo.

A conclusão impõe-se, em relação a _cada uma_ das mensurações indicadas, considerada _de per si_; mas há casos, em que nem _tôdas juntas_ inspirarão maior confiança.

Examine-se, por exemplo, êste _retardatário_ (figura n.^o 4), de quinze anos e meio de idade, o qual, a julgar pela _altura_ (quási de adulto), pelo _pêso_ (relativamente enorme), e pelo _perímetro torácico_ (considerável), se deveria reputar em _óptimas condições de crescimento_; ¡e, todavia, não se trata senão de uma _pobre criança_ que, à hora das suas mensurações, não havia ainda feito a _puberdade_, nem talvez jamais a chegasse a fazer!...[58].

É um caso típico de _infantilismo total_, tanto somático, como psíquico.

A investigação scientífica do «crescimento» descobriu que uma das _leis_ mais importantes _dêste_ é a das _proporções_.

O vigor do _organismo humano_ e o seu desenvolvimento normal, através das _idades de evolução_ (infância, puerícia, adolescência, puberdade, nubilidade) não dependem sòmente do aumento, em _altura_, _grossura_, e _densidade_; mas tambêm e principalmente das _dimensões relativas_ de todos os _segmentos_, que constituem êsse organismo.

Não é possível elaborar, acertadamente, um _quadro de médias_, considerando apenas as _medidas_ enumeradas; o que importa é _pesquizar_ a fórmula específica do _nosso crescimento_, construir o _cânon antropométrico_ da criança portuguesa, _em tôdas as idades, e de ambos os sexos_.

Achado êsse _padrão_, por êle será aferido o «crescimento», sendo então fácil _definí-lo_ e _julgá-lo_, com absoluta segurança.

2.--Os _antigos_ falaram, por vezes, das _proporções do corpo humano_, nas diferentes _fases_ da sua evolução; a verdade, porêm, é que só a _sciência contemporânea_ logrou resolver o problema[59].

Sem querermos aprofundar agora êste assunto, basta ponderar que, depois dos _trabalhos definitivos_ de Manouvrier[60], não é possível continuar a crêr nas _curiosas ficções_ de Stratz que, havendo adoptado o _critério_ de Vitrúvio, afirmava incluir-se, oito vezes, a _cabeça_, na estatura do _adulto_; sete, na do _púbere_; seis, na do _adolescente_; cinco, na do _infante_; e quatro, na do _recêm-nascido_[3].

Não há de ser um _segmento do corpo humano_ a _medida comum_ das _dimensões reaes_ dêste; mas uma _unidade métrica exterior_: o _milímetro_, como se acha estabelecido, em _pedometria_.

Seguindo na _esteira desta orientação_, e estabelecendo, desde já, o confronto das _medidas sintéticas_, de que dispomos, não padece dúvida, que o _crescimento relativo da criança portuguesa_ denuncia, na sua _marcha progressiva_, uma clara influência da _lei da alternância_, e não se afasta sensivelmente das _normas_, a que se atende, em _pedologia_.

Comparando, por exemplo, a _curva_ da _altura_ com as _curvas_ do _pêso_ (figura n.^o 5) e do _perímetro torácico_ (figura n.^o 6), reconhece-se, desde logo, que, em relação ao sexo masculino, tanto a _densidade_, como a _grossura_ do organismo, só ultrapassam a _altura_, depois dos quinze anos, que é a época, em que as _dimensões horizontais_ entram de contribuir mais, do que as _verticais_ para o _crescimento_ do _sólido humano_.

Pelo que temos observado, ininterruptamente, a partir de 1903, a _puberdade masculina_ faz-se, em regra, entre nós, desde os catorze até aos dezasseis anos, e a _feminina_, desde os doze até aos catorze[62].

Normalmente, os _primeiros sinais da puberdade_ (P.^1) aparecem, no _sexo masculino_, pelos treze ou treze anos e meio; no _sexo feminino_, pelos onze ou onze e meio; e a sua _instalação definitiva_ (P.^3 A.^1), respectivamente, pelos catorze e doze anos. Alêm disso, importa notar que o _encerramento da fase pubertária_ (P.^5 A.^{3, 4 ou 5}) se realiza sempre, ao cabo de dois anos, volvidos sôbre aquela _instalação_[63].

[Figura: Fig. 5]

Examinando o _gráfico_ da figura 5, vê-se que efectivamente o _aumento progressivo do pêso_ se intensifica, a partir dos catorze anos; e que é precisamente aos dezasseis (P.^5 A.^5) que a respectiva _curva_ adquire sôbre a da _estatura_ uma _ascendência_, que jamais cessará[64].

Mas é natural; porque, como se depreende do _gráfico n.^o 6_, a _criança_, principiando a _engrossar_, em _progressão intensiva_, dos quinze para os dezasseis anos (_instalação definitiva_, ou já _encerramento da puberdade_), claro está que aumentará de _densidade_; donde resulta o _paralelismo_, ou a _semelhança fisionómica_ das duas _curvas_ (_pêso_ e _perímetro torácico_).

Em contraprova, examine-se ainda o _gráfico_ da figura n.^o 7, que inscreve (para confronto) as _curvas_ do _pêso_ e do _perímetro torácico_.

Depois dos nove ou dez anos, essas _curvas_ caminham quási paralelamente (como não podia deixar de ser); e, só depois dos dezassete anos, em que é atingido o _máximo absoluto comum_, é que surgem _inflexões_, cuja _natureza_ importa à _pediatria_ explicar.

Em os nossos _exemplares de observação e estudo_, há um (do sexo feminino), em que se realizam, com notável precisão, as _leis_, a que nos temos referido. O _crescimento_, em _altura_, como se pode verificar, em face do _gráfico_ da figura n.^o 8, acusa, pelos treze anos, um _aumento considerável_, que teve o seu _início_, por ocasião do _aparecimento_ e _instalação da puberdade_; e podemos acrescentar que essa _progressão não afrouxou ainda_, até a êste momento[65].

Mas não constituem os _factos_ aduzidos todo o _material_, de que seja possível dispor, para a organização scientífica dos _cânones antropométricos_ das _idades evolutivas da criança portuguesa_.

[Figura: Fig. 6]

[Figura: Fig. 7]

[Figura: Fig. 8]

Temos _medidas segmentares_, que podem aproveitar a êsse fim; e vamos apreciá-las, no capítulo imediato.

CAPÍTULO IV

Medidas segmentares para avaliação do crescimento relativo, ou das proporções do corpo, nas idades de evolução. Cânones antropométricos da criança portuguesa

1.--O estudo das _proporções métricas do corpo humano, desde o nascimento, até à idade adulta_, exige que se considerem _três ordens de segmentos_:

1) _projecções verticais_;

2) _diâmetros_;

3) _perímetros ou circunferências_.

Dos _elementos_ da primeira categoria, interessam-nos, de modo especial, em relação ao _eixo do corpo_, as _alturas da cabeça e do tronco_; e, em relação aos _apêndices_, as _dimensões_ (no seu conjunto) do _membro torácico_ e do _membro abdominal_.

Como, em o nosso país, não existem (que nós saibamos) _mensurações_ das referidas _alturas_, procuramos, ao presente, obtê-las, em _quantidade_ e _qualidade_ suficiente, sobre alunos do _Colégio Moderno_[66].

Á segunda categoria pertencem os _diâmetros_, tanto _cranianos_, como _torácicos_, e _pélvicos_; mas de tôdas estas _dimensões horizontais_ algumas _medidas_ possuímos, em condições de serem utilizadas; podendo dizer-se o mesmo, em relação aos _elementos_ da última classe: _perímetros_, quer _cranianos_, quer _torácicos_, e ainda _pélvicos_.

As _tabelas_ que, a seguir, publicamos consubstanciam todos êsses _elementos_:

TABELA N.^o 1 (_Maternidade de Lisboa_)[67]

=================================================================== Número de mensurações | Diâmetros cranianos | Perímetros cranianos ----------+-----------+----------+----------+---------------------- S. M. | S. F. | O F[68] | B P[68] | S O F[68] ----------+-----------+----------+----------+---------------------- 1491 | 1386 | 11,58 | 9,35 | 32,78 ===================================================================

Estas _mensurações_ (tabela n.^o 1) foram feitas _imediatamente depois do nascimento_, sobre crianças que satisfaziam às _condições_ seguintes:

1) «d'être nés vivants»;

2) «d'être nés par le sommet»;

3) «d'avoir été dégagés en OP.»;

4) «d'être des enfants à terme».

Quanto ao seu _valor antropológico_, não são essas _medidas cefálicas_ de natureza a inspirar-nos uma _grande confiança_, porquanto, como o próprio autor diz: "la prise des mesures céphaliques est encore plus difficile que celle des longueurs. D'abord, il est impossible qu'elles soient, toutes, prises par la même personne, quand on opère sur un grand nombre d'enfants, comme nous le faisons; puis, il faut compter avec la difficulté inhérente à l'opération, quand il s'agit d'un enfant vivant, comme c'est notre cas, la difficulté d'employer un instrument de précision, et encore la difficulté de bien établir, pour tous les cas, les mêmes points de repère, en les marquant toujours d'une manière identique et irréprochable. _Aussi, nos mesures ne prétendent guère à la rigueur d'une étude anthropométrique. Nous avons tout simplement cherché à établir quelle serait, à peu près, la grandeur de la tête foetale, tout de suite après la naissance_, pour obtenir, autant que possible, une idée de la grandeur des diamètres de l'ovoide céphalique du foetus, à l'occasion de sa descente par la filière génitale»[69].

Nem é para admirar que assim seja, por isso mesmo que a iniciativa das duas mil oitocentas e setenta e sete _mensurações_, cujas _médias_ a mencionada _tabela_ exprime, não tinha um _fim antropológico, mas tam sòmente obstétrico_.

Todavia, não são para rejeitar, _in limine_, tam numerosas _observações_; antes supomos muito conveniente a sua _seriação, como subsídio para a avaliação indirecta da capacidade craniana do recêm-nascido; e, portanto, do volume e pêso do seu cérebro_[70].

TABELA N.^o 2 (_Observações de Costa Sacadura_)[71]

================================================================= Número de | Diàmetros | Perímetros mensurações | cranianos | cranianos --------+-------+---------------+---------------+---------------- S. M. | S. F. | O F | B. P. | S O F --------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+-------- | | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. 256 | 273 +-------+-------+-------+-------+-------+-------- | | 11,22 | 10,96 | 8,92 | 8,87 | 32,51 | 32,33 --------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+-------- Médias sem | | | distinção | 11,09 | 8,89 | 32,42 de sexo | | | =================================================================

As _médias_ da tabela n.^o 2 resultam de cálculos efectuados sobre quinhentas e vinte e nove _mensurações_ de _diâmetros_ e _perímetros cranianos_ de _recêm-nascidos_, vivos, d'ambos os sexos, na _Maternidade de Lisboa_, em 1904, pelo chefe de clínica dêsse estabelecimento, dr. Costa Sacadura.

Essas _mensurações_, de rigor absoluto, quanto ao _processo técnico_, tambêm foram feitas logo à nascença, como as da tabela n.^o 1; e, conquanto se destinassem a servir _intuitos exclusivamente clínicos_, todavia, nada obsta a que as aproveitemos (pelo menos _O F_, _B P_ e _S O F_, para o nosso _fim antropológico_: _determinação do índice cefálico do recêm-nascido português_.

É certo que, pela _ocasião_ em que foram tomadas, essas medidas exprimem _dimensões de uma cabeça, que pode ter sido deformada pelo trabalho do parto_; mas tambêm não padece dúvida, que êsse facto carece de eficácia para invalidar aquela _determinação_, porquanto, em _matéria de cèfalometria do recêm-nascido_, não se pode contar com _certezas_; mas tam sòmente com _aproximações_[72].

Como se depreende da presente tabela (n.^o 3), as _médias_ das respectivas _dimensões cefálicas_, derivam de 49 _observações_, realizadas no _hospital geral de Santo António_, do Pôrto, pelo dr. Manuel Álvares Pereira Carneiro Leal.

TABELA N.^o 3 (_Observações de Manuel Carneiro Leal_)[73]

================================================================= Número de | Diàmetros | Perímetros mensurações | cranianos | cranianos --------+-------+---------------+---------------+---------------- S. M. | S. F. | O F | B. P. | S O F --------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+-------- | | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. 23 | 25 +-------+-------+-------+-------+-------+-------- | | 11,6 | 11,2 | 9,2 | 9,1 | 32,9 | 32,2 --------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+-------- Médias sem | | | distinção | 11,4 | 9,1 | 32,5 de sexo | | | =================================================================

Dessas _mensurações_, excluem-se as que se referem a _nados-mortos_; mas consideram-se as que pertencem a _recêm-nascidos de fraca viabilidade_[74].

Aproximando agora as _médias_ de tôdas as _dimensões_, que os três _mapas_ apresentados consubstanciam, podemos organizar o _quadro geral_ (n.^o 4) das _medidas cefálicas_ do _recêm-nascido português, baseado em três mil quatrocentas e cinqùenta mensurações, absolutamente comparáveis_, porquanto, a-pesar-de realizadas por _várias pessoas_, todavia, nem deixou de ser a mesma a _técnica_ empregada, nem foram diferentes as _circunstâncias_, em que se operou.

QUADRO N.^o 4 (_Diâmetro e Perímetro craniano do recêm-nascido português_)

================================================================= | | Diàmetros | Perímetros Número | Nomes | cranianos | cranianos de | dos +---------+--------+------------ observações | observadores | O F | B P | S O F --------------+------------------+---------+--------+------------ 2877 | Alfredo da Costa | 11,58 | 9,35 | 32,78 529 | Costa Sacadura | 11,09 | 8,89 | 32,42 48 | Carneiro Leal | 11,40 | 9,10 | 32,50 --------------+------------------+---------+--------+------------ Médias gerais (centímetros) | *11,35* | *9,11* | *32,56* =================================================================

O _índice cefálico médio dos portugueses_, segundo as _observações_ de Ferraz de Macedo[75], Costa Ferreira[76], Álvaro Basto[77], Sant'Ana Marques[78] e Fonseca Cardoso[79], é de 76,4, no _vivo_, e de 74,5, no _crânio_.

Mas êste _índice_ (apenas variável entre 78,7 e 75,2, nos 17 _distritos_) é o do _adulto_[80].

Que saibamos, não existem, em o nosso país, quaisquer _trabalhos_ sobre o _índice cefálico da criança portuguesa, nas diferentes idades da sua evolução_, a começar no _recêm-nascido_; crêmos, todavia, que os _elementos_, constantes do _quadro_ n.^o 4, não poderão deixar de reputar-se _suficientes_ para legitimarem a adopção (ao menos, _a título provisório_) da _expressão_ 80,2, como _valor médio_ do referido _índice_, em relação ao _recêm-nascido_[81].

2.--Prosseguindo, apresentamos agora a seguinte _tabela_ (n.^o 4), que condensa os _resultados_ (absolutamente inéditos) das _observações_ feitas no _Liceu de Coímbra_, nas _circunstâncias_ que já indicámos, a propósito da _estatura_.

A _média_ do _índice cefálico_, correspondente a cada uma das _idades_ consideradas, figura numa coluna desta _tabela_.

TABELA N.^o 4 (_Diâmetros cranianos, de alunos do Liceu de Coimbra_)

=============================================+ | | | | Antero-posterior máximo | | | | | Idades +--------------+--------------+ Média | | | | | | | | |12-15|16-19|20-23|24-27|28-31| | | | | | | | | -------+-----+-----+-----+-----+-----+-------+ | | | | | | | 10-11 | --- | 60 | 3 | --- | --- | 17,6 | 11-12 | --- | 120 | 13 | --- | --- | 17,8 | 12-13 | --- | 163 | 10 | --- | --- | 17,7 | 13-14 | --- | 144 | 13 | --- | --- | 17,8 | 14-15 | --- | 128 | 20 | --- | --- | 18 | 15-16 | --- | 101 | 39 | --- | --- | 18,6 | 16-17 | --- | 96 | 60 | --- | --- | 19 | 17-18 | --- | 80 | 62 | 1 | --- | 19,2 | 18-19 | --- | 59 | 61 | --- | --- | 19,5 | 19-20 | --- | 31 | 38 | --- | --- | 19,5 | 20-21 | --- | 20 | 23 | --- | --- | 19,6 | | | | | | | | =============================================+

================================================================ | | | | Transverso máximo | | | | | Idades +--------------+--------------+ Média | Índice cefálico | | | | | | | |12-14|15-17|18-20|21-23|24-26| | | | | | | | | -------+-----+-----+-----+-----+-----+-------+------------------ | | | | | | | 10-11 | 50 | 17 | --- | --- | --- | 13,7 | 77,8 11-12 | 102 | 31 | --- | --- | --- | 13,6 | 76,2 12-13 | 123 | 50 | --- | --- | --- | 13,8 | 77,9 13-14 | 102 | 55 | --- | --- | --- | 14 | 78,7 14-15 | 86 | 58 | 4 | --- | --- | 14,3 | 79,4 15-16 | 52 | 88 | --- | --- | --- | 14,8 | 79 16-17 | 60 | 96 | --- | --- | --- | 14,8 | 77,8 17-18 | 50 | 93 | --- | --- | --- | 14,9 | 77,6 18-19 | 36 | 84 | --- | --- | --- | 15 | 76,9 19-20 | 20 | 49 | --- | --- | --- | 15,1 | 77,5 20-21 | 14 | 29 | --- | --- | --- | 15 | 76,5 | | | | | | | ================================================================

[Figura: POLÍGONO DE VARIAÇÃO DO _INDICE CEFÁLICO_, EM RELAÇÃO À IDADE

Fig. 9]

Consoante se depreende dos _valores_ expressos na _tabela_ n.^o 4, a _forma craniana_ que subsiste nos alunos do liceu de Coímbra, _em tôdas as idades da sua evolução, a partir dos dez anos_, é a _mesaticéfala_, segundo a nomenclatura de Topinard[82].

De facto, basta reparar no _gráfico_ da figura n.^o 9 para, desde logo, reconhecer que os _valores extremos_, registados (76,2--79,4), não deixam de pertencer à mesma _classe de índices_, que ocupa a _posição média_ entre a _dolicocefalia_ e a _braquicefalia_.

Êste _facto_, que é fecundo em conseqùências, para o _estudo ântropo-sociológico_ do nosso _grupo étnico_[83], acha-se plenamente confirmado pelas _observações_ realizadas na _Escola de alunos marinheiros do Norte_.

Essas _observações_ constam do _mapa_ ou _tabela_ n.^o 5 que, a seguir, publicamos:

TABELA N.^o 5 (_Alunos marinheiros_)

=============================================================================== | Diâmetros cranianos | +-------------------------------+-------------------------------+ Índice Idades| Anos 1913-1914 | Anos 1914-1915 |cefálico +-------------------------------+-------------------------------+ | Antero-posterior | Transverso | Antero-posterior | Transverso | ------+------------------+------------+------------------+------------+-------- | | | | | 16-17 | 18,3 | 14,5 | 19,1 | 14,7 | 78 17-18 | 19,2 | 14,7 | 19,2 | 14,6 | 76 18-19 | 19 | 14,5 | 19,3 | 14,5 | 75,5 19-20 | -- | -- | 20 | 15 | 75 | | | | | ===============================================================================

Confrontando os _índices cefálicos_ desta _tabela_ (n.^o 5) com aqueles que lhes correspondem, na _tabela_ n.^o 4 (liceu de Coímbra), notam-se, sem dúvida, _diferenças consideráveis_; mas importa ponderar, que _essas diferenças não são tamanhas, como à primeira vista poderia parecer, visto que elas não importam nos_ *adolescentes*, _a que se referem, uma mudança de classe, quanto à forma craniana, que se mantêm mesaticéfala_.

Com relação a _medidas cefálicas_, devemos registar ainda o _perimetro craniano_, medido, na _Escola de alunos marinheiros_, durante dois anos consecutivos, em mais de cento e cinqùenta rapazes.

A seguinte _tabela_ (n.^o 6) condensa as respectivas _mensurações_.

E, da mesma _procedência_, podemos ainda mencionar (em matéria de _dimensões horizontais_) as _notações_, que se referem ao _perímetro_ e aos _diâmetros da bacia_ dos alunos considerados, as quais se acham sintetizadas nas _médias_ das _tabelas_ (n.^{os} 7 e 8) que, a seguir, publicamos:

TABELA N.^o 6 (_Alunos marinheiros_)

====================================================== | Perímetro craniano | Idades +----------------+----------------+ Médias | Ano 1913-1914 | Ano 1914-1915 | -------+----------------+----------------+------------ | | | 16-17 | 55 | 55,5 | 55,2 17-18 | 54,9 | 55,3 | 55,1 18-19 | 54,6 | 55,7 | 55,1 19-20 | 56 | -- | 56 | | | ======================================================

TABELA N.^o 7 (_Alunos marinheiros_)

=============================== | Perímetro pélvico Idades +----------------------- | Ano 1914-1915 -------+----------------------- | 16-17 | 78,5 17-18 | 79,3 18-19 | 80,2 19-20 | 83 | ===============================

TABELA N.^o 8 (_Alunos marinheiros_)

=============================================================================== | Diâmetros pélvicos | +---------------------------------+-----------------------------+Índice Idades| Anos 1913-1914 | Anos 1914-1915 |pélvico +---------------------+-----------+-----------------+-----------+ | Antero-posterior[84]| Transverso| Antero-posterior| Transverso| ------+---------------------+-----------+-----------------+-----------+-------- | | | | | 16-17 | 17,7 | 25,2 | 18,8 | 26,4 | 70,7 17-18 | 18,5 | 25,9 | 19,3 | 26,5 | 72,1 18-19 | 20,5 | 26,3 | 20 | 26,8 | 76,2 19-20 | 20,6 | 26,6 | 20,3 | 27 | 76,2 | | | | | ===============================================================================