The Epic of Paul

Chapter 11

Chapter 112,763 wordsPublic domain

Páginas 146, 147, Sóror Mariana Alcof orado, Luciano Cordeiro, sobre adornos pagãos nos conventos de Conceição de Beja e no de Odivelas.

nasceu — 22-4-1640 Mariana Alcoforado morreu — 28-7-1723 83 anos Convento Conceição (da Nossa Senhora da Conceição) de Beja (Alentejo).

“Daqui a poucos dias vai fazer um ano que toda me entreguei sem escrúpulos”. Carta II. “Receava muitas vezes que a afeição que parecia ter por mim pudesse de algum modo prejudicá-lo (a Chamilly)”. Carta V. “Em nada mais faço consistir a minha honra e a minha religião do que em amar-te perdidamente toda a vida já que comecei a amar-te”. Carta IV. “Também (Deus?), separando-nos, parece-me que nos fez todo o mal que poderíamos recear dele. Não conseguirá separar os nossos corações: o amor que pode mais do que ele uniu-os para toda a vida”. Carta 1. “O que me fazem por aliviar-me, acirra a minha dor, e nos próprios remédios acho razão particular para me afligir.” Carta II. “Fizeras a sangue frio o propósito deste incêndio em que me abrasaste toda.” Carta III.

Há dez anos eu não compreenderia estas cartas (1918).

“Triste de mim! que sinto vivamente a impostura desta idéia (nunca tê-lo visto), conheço, mal a exprimo, que estimo bem mais ser desventurada, amando-te, do que não te haver visto jamais.” Carta III.

Heloísa diz coisa semelhante.

“Mas agradeço-te, do fundo do coração, as mortificações que me causas, e aborreço a tranqüilidade em que vivia antes de conhecer-te.” Carta III. “Vi que (o senhor) era menos caro do que a minha paixão e tive mágoas desconformes em combatê-la, depois ainda que os maus procedimentos do senhor o tornaram para mim odioso.” Carta V. “Desconfio muito dos sentimentos violentos para que me aventure a esse.” Carta V. “Parece-me contudo que se os homens pudessem ter mão na razão quando escolhem os seus amores, mais se inclinariam a elas (religiosas) do que a outras mulheres. Carta V (1).

Sem rival, Chamilly. Eu sou seu rival.

O indeferimento do meu requerimento de montepio em 1916.

— Não cobra nada pelas minhas receitas, pois só prescreve remédios para os amigos. Seria muito melhor que o fizesse para os seus inimigos.

O filho do Leão Veloso aceitou a Legião de Honra. Vide Correio da Manhã, de 5.5.1918. O Júlio Novais agrediu o Álvaro de Oliveira, em 8-5-96, em frente à igreja de São Francisco, por causa de reprovações.

Fim do governo: Ocupar-se das substâncias Fornecer a abundância Cuidar da segurança Favorecer a igualdade. Bentham — Filon — Literatura inglesa.

Um epitáfio de um marinheiro grego que naufragou: O marítimo que aqui jaz diz-te: “Veleja! O golpe de vento que nos fez naufragar aqui, fazia vogar ao largo toda uma flotilha de barcos felizes e contentes”.

A prorrogação do contrato da São Paulo Railway foi no governo do Prudente. O Adolfo Gordo foi o intermediário.

Frase de Nilsa Faceiro (caso da casa do Faria — retalhos em notas oportunas), tratando do filho que tem no ventre: “Sim, é dele; e só a ele (o amante) é que eu amo”.

Bolchevismo.

Conde de Belfort, Visconde de Gurupari — morou na Rua Formosa, perto do velho Antônio Lourenço, num sobradão junto ao Colégio de Santa Cândida.

Sem data,. O artigo do Amaral tem o mesmo plano que o do Miguel Melo; o do Antônio Torres o mesmo que o daquele último; o do filho de Leão Veloso o mesmo que o do Torres. Parece que o plano foi ditado pelo chefe de polícia, devendo tocar nos seguintes pontos: a) acoimar de estrangeiros os anarquistas, e exploradores dos operários brasileiros; b) debochar os seus propósitos e inventar mesmo alguns bem repugnantes e infames; e) exaltar a doçura e o patriotismo do operário brasileiro; d) julgar que eles têm razão nas suas reivindicações; que a dinamite não deve ser empregada, etc.; que devem esperar, pois a câmara vai votar o código do trabalho, etc., etc. Seria melhor mandar o Celso Vieira redigir uma circular, em papel da chefatura de polícia, e, mediante pagamento razoável, publicá-la em todos os jornais. Viver às claras .

Hélio Lobo, sua defesa, em A Noite, de 1-12-18.

Quando eu passo, à noite, pelo Flamengo, que as gentes elegantes, com as suas horríveis casas, fizeram banal, lembro-me do Helesponto, de Leandro e de Hero, que deve estar lá, em Icaraí. Infelizmente, eu não sei nadar.

A Gazeta, de 1 e 2-12-18, denuncia uma violência do delegado da 17a sob o pretexto de anarquismo.

João Francisco comprou um apito e uma gaita, para atrair os pardais.

27 de dezembro Hoje, aqui, no Hospital Central do Exército, estando na varanda, das seis para as sete, eu vi um grupo de irmãs atravessar o jardim, em demanda a uma outra enfermaria. Uma delas, ao pisar nas terras, recentemente trazidas para um canteiro, passou levantando os pés, como se estivesse a atravessar um terreno encharcado, e levantou a bata com os ademanes bem femininos, com ambas as mãos. Tarda muito a morrer na mulher a coquetterie. A menina burguesa, mais ou menos rica, surgiu debaixo da irmã.

João Francisco Filho continua a chamar os pardais e a ouvi-los cantar óperas, valsas, etc.

No retrato de Josefina, que ilustra as minhas memórias de Barras, compradas em segunda mão, havia a seguinte nota, da mão naturalmente do primeiro possuidor: “Veja o retrato na obra de J. Turquan, pág. 1.”

Escrever alguma coisa sobre o João Francisco e os pardais. Foi meu companheiro no Hospital Central do Exército. João Francisco, alferes reformado, tipo raté da Escola Militar, as suas manias matemáticas, a sua terminologia, megalômano etc. Encontrei no Hospital Central do Exército. Escrevia cartas a todos os reis e potentados, aconselhando isto ou aquilo. Tinha um tratado de mecânica, etc. Caso patológico das manias dos militares saídos da Escola Militar há trinta anos.

Chagas — boêmio. Nezumano — positivista. Nepomuceno — caricato.

Sem data. Fui aposentado por decreto de 26-12-1918. Presidente da República, vice em exercício, Delfim Moreira e ministro da Guerra, Alberto Cardoso de Aguiar.

Sem data. No Peau de Chagrin, de Balzac, há o seguinte pensamento muito semelhante a um de Nietzche: “L’homme est un bouffon qui danse sur des précipices. 1919 Janeiro Estive no Hospital Central do Exército, de 4 de novembro de 1918 a 5 de janeiro de 1919.

25 de fevereiro O meu Gonzaga de Sá, editado em São Paulo, apareceu no Rio de Janeiro em 25 de fevereiro de 1919.

“Mais que diable allait-il faire dans cette galère?” Molière, F. de Scapin.

Março O negócio do Antônio Claro, diretor da fábrica de tecidos, está no artigo de Ramos da Paz, Jornal do Comércio, de 10 ou 11 de março de 1919.

“Le Latin, qui dans les mots brave 1’honnêteté”...

A mulher do H., com quem estive em avançadas intimidades, narrou-me há tempos que o pai gastava razoáveis dinheiros para levar toda a família a Petrópolis. Falando-me em passear com ela, lembrei-lhe a Tijuca, o Jardim, o Pão de Açúcar, as Paineiras, o Corcovado. O pai é fiel da Armada e se tem em grande conta. Eles e ela saíram todos assim.

Eu veria a Vitória de Samotrácia com o mesmo olhar e a mesma emoção com que vejo um manipanso africano. São documentos sociais ambos.

13 de março “A Liga contra o football.” Lima Barreto, entrevistado pelo Rio-Jornal expõe os inconvenientes do football. Um jogo de pés que concorre para a animosidade e a malquerença entre os filhos de uma mesma nação. A notícia de que Lima Barreto e alguns companheiros tratavam de fundar uma ‘Liga contra o Football’, levou-nos esta manhã à sua casa, para obter mais esclarecimentos sobre os destinos e fins da liga. Lima Barreto reside, há dezesseis anos, na pacata estação suburbana de Todos os Santos. A sua casa é modesta, porém clara e ampla, cercada de fruteiras e respirando sossego. A sua sala de trabalho, ao mesmo tempo dormitório, é também clara e ampla, tendo livros, móveis, quadros — tudo em ordem. A desorganização de Lima é para uso externo. Estava lendo os jornais matutinos, quando chegamos. — Você por aqui! exclamou ele logo ao ver-nos. — É verdade. Quero saber bem esse negócio da ‘liga’ que você fundou. Nós já nos havíamos sentado e o Lima, na cadeira de balanço, deixou os jornais e respondeu: — O negócio é simples. Há cerca de um ano eu e o Valverde... Você não conhece o Valverde? — Conheço. — Bem. Eu e ele, conversando sobre os sports, em uma confeitaria do Méier, Valverde me expôs, com a sua competência especial de médico que conhece o seu ofício, os prejuízos de toda a ordem que o abuso imoderado dos sports, sobretudo o football, trazia à nossa economia vital. Ele mós explicou singelamente, sem pedantismo, nem suficiência doutoral. Impressionei- me. Dias depois, ele me lembrou a fundação da liga. Passaram-se dias e meses e não mais falamos nisto; ultimamente, porém... — Com a decisão da congregação do Pedro II, proibindo o football? — Não; antes. Eu explico a você. Nos últimos meses do ano passado, estive no Hospital Central do Exército, tratando-me. Lá, sem ter que fazer, nem distrações, eu, por desfastio, lia todas as seções dos jornais, inclusive as esportivas que são as únicas enfatuadas e enfáticas. Verifiquei que havia uma irritação inconveniente entre os players. — Você já sabe a técnica do football? — Isso é técnica? Player está ali no Valdez. — Vamos adiante. —...entre os players, amadores, torcedores, enfim entre o público do bola-pé de lá e o daqui. Você sabe disso? — Sei. — Saindo do hospital, tive notícias mais completas. Entre a gente do football de lá e a daqui há uma rivalidade feroz que se manifesta em chufas, vaias, apelidos deprimentes, até em rolos. A esse respeito escrevi dois ou três artigos... — Onde? — No A.B.C. ... Mas, a coisa não seria tão importante, se nestes últimos dias, realizando- se no Recife, um match entre um club de lá e um daqui, não se repetisse as chufas, as vaias e os rolos. — Concluiu você, daí... — Concluí que, longe de tal jogo contribuir para o congraçamento, para uma mais forte coesão moral .entre as divisões políticas da União, separava-as: — Não será exagerado, Barreto? — Julgo que não. Entre São Paulo e Rio foi assim; entre Rio e Recife também; e o lógico é provar que as coisas se repetirão entre Rio e Belém, entre Rio e Porto Alegre, etc. etc. — É um argumento. — E não é só este. Os grandes oclubes daqui, aqueles que têm para cerimoniais o caucásico Coelho Neto, são portadores de uma pretensão absurda, de classe, de raça etc., você não pode negar isto! — Não nego; é verdade. — Está aí, uma grande desvantagem social do nosso football. Nos nossos dias em que, para maior felicidade dos homens, todos os pensadores procuram apagar essas diferenças acidentais entre eles, no intuito de obter um mútuo e profundo entendimento entre as várias partes da humanidade, o jogo do pontapé propaga a sua separação e o governo o subvenciona. — Subvenciona? — Sim. Parece que a Liga e a tal Confederação estão inscritas no orçamento da despesa da República. Não estou certo, vou verificar; mas, favores e favorezinhos, elas têm recebido do governo para lançar cizânias entre Estados da União e criar distinções idiotas e anti-sociais entre os brasileiros. — Que favores são esses? — Os poderes governamentais reconheceram de utilidade pública a tal Confederação, o que naturalmente redunda em alguma vantagem de ordem administrativa; e aquela casa de espantos, que é o Itamarati, quando há os tais matches internacionais, subvenciona clandestinamente as équipes que vão para as repúblicas vizinhas ‘defender as nossas cores’, como dizem eles infantilmente. De modo... — Você é capaz de provar que receberam essas subvenções? — Nem eu nem ninguém. O Itamarati, depois de Rio Branco, fez-se a caixa dos segredos e das mistificações da nossa administração. Não há quem arranque de lá a mais simples certidão... — Então, como você? — Como? Digo, sob a responsabilidade de meu nome, denuncio, e chamem-me a juízo. Espero. Contudo... — Mas, Barreto, penso em que vocês não ficarão nesse aspecto político-social- administrativo do footboll — não é? — Não ficaremos aí. Esta é a minha parte, mas a que se refere à higiene pessoal, ao funcionamento da boa saúde, às reações de ordem psicológica, às perturbações ao desenvolvimento mental que ele possa trazer, esta parte difícil, árdua e técnica é com o Valverde. Eu tratarei da minha, no que tenho o apoio de todos, pois nenhum de nós está disposto a admitir que o Brasil pague impostos, para o governo obter dinheiro e ele venha a dar um pouco desse dinheiro à sociedade dos que cavam a separação, não só das divisões políticas da nação, mas entre os próprios indivíduos desta nação. Você pode dizer que nós não estamos dispostos a consentir que se forme, à custa dos contribuintes, uma aristocracia que se baseia nas habilidades dos pés... Representaremos ao Congresso... A conversa ameaçava eternizar-se, despedimo-nos, pois; o serviço do jornal nos esperava. 1920 Sem data. A segunda vez que estive no hospício de 25 de dezembro de 1919 até 2 de fevereiro de 1920. Trataram-me bem, mas os malucos, meus companheiros, eram perigosos. Demais, eu me imiscuía muito com eles, o que não aconteceu daquela vez que fiquei de parte .

Tenho um conto no Malho, segundo semestre de 1919, que não guardei. Não sei o número .

Sem data. O cálculo do valor das terras de São Paulo, segundo o Cincinato Braga. Fazer uma charge a respeito .

Revista da Semana, de 7-8-20. Logo no primeiro artigo aconselha reformas suntuárias na cidade. Em seguida sob o título “Um prado de corridas no Leblon” — pede que a Prefeitura e o Ministério da Agricultura o construam, visto “gastar-se muito dinheiro em coisas inúteis” (textual). Por aí vai nas suas elegâncias .

A ordenação do Reino (manuelina) que equipara as bestas aos escravos é encontrada no livro IV, título xvi.

“A saudade escreve entranhado.” Camões, Elegia. 1921 Sem data. Num domingo de fevereiro de 1921, houve um grande rolo, quando, na Praia de Botafogo, jogavam uma partida de water polo os clubes Natação e São Cristóvão. Foi tremendo e dentro d’água.

Setembro. João Henriques de Lima Barreto. Nasceu em 19 de setembro de 1853. Foi chefe de turma das oficinas de composição da Imprensa Nacional, depois de trabalhar como tipógrafo em várias oficinas particulares e de jornais do tempo; mais tarde, chegou a mestre da referida oficina da mesma Imprensa, donde foi demitido com o estabelecimento da República, em 1889. Pouco depois, foi nomeado para as Colônias de Alienados que o Governo Provisório acabava de fundar, na ilha do Governador, como escriturário; anos após, foi almoxarife, administrador, aposentando-se, em 1902, devido a pertinazes sofrimentos que o impossibilitaram de toda e qualquer atividade até à data do seu falecimento. Era viúvo e deixa três filhos e uma filha, solteiros, todos os quatro, e o mais velho é o escritor Lima Barreto. Traduziu e publicou um volume, o Manuel de l’apprenti compositeur, do célebre impressor francês Jules Claye.

21 de setembro. (Cópia). “John C. Branner Stanford University President Emeritus . July 27, 1921. Califórnia Ilmo. Sr. Capistrano de Abreu. c/o F. Briguiet & Cia. Rua Nova do Ouvidor. Rio de Janeiro, Brazil. My dear Capistrano: — I received your letter of April 26, and the book and papers you kindly sent, but I have been in poor health for more than six months on account of my heart, and my correspondance has necessarily been very much neglected. Only a few days ago was I able to read Lima Barreto’s Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá. I am delighted with it. I thank you very much for sending it. I don’t remember whether I ever thanked you for calling my attention to some of the writings of Monteiro Lobato. Some of them seem to me remarkably well done. Though I am still shut up indoors by the physicians, such strength as I have is spent in the preparation of an autobiography. Naturally there is a good deal about Brazil in it. Remember me kindly to my friends. Faithfully yours, (a) Branner.” Observação: O original o Capistrano deixou para que eu o visse na livraria Schettino, Sachet, 18, com o Francisco Schettino, em começos de setembro de 1921. Mandei-o traduzir oficialmente pelo Guaraná .

13 de dezembro Hoje, 13 de dezembro de 1921, recebi de dona Rafaelina de Barros, que viveu com Emílio de Meneses, um terno de fraque, um de casaca, quatro camisas, gravatas, etc., etc., que foram dele. Obrigado à dona Rafaelina e que Deus fale n’alma do Emílio. Amém.

Sem data As alfaces de Deocleciano — Diocleciano.

“Quando a natureza nos deu lágrimas, foi para mostrar que nos criou para a piedade. Juvenal, Diálogo dos Oradores.

Criptomnésia — conflito do inconsciente com o subconsciente. Vide Delírio em Geral, Franco da Rocha, caderno VIII. Ch. Labitte Divine Comédie avant Dante. Aroux: “Dante hérétique, revolutionnaire et socialiste.”