Da terra à lua, viagem directa em 97 horas e 20 minutos
Chapter 15
Subiram os clamores até aos céus, rebentaram applausos de todos os lados, e a loura Phoebéa brilhava serena no céu admiravel acariciando com os mais affectuosos de seus raios a multidão innebriada.
N'aquelle momento appareceram os tres intrepidos viajantes. Ao vê-los, redobraram em intensidade os clamores. Unanimemente, instantaneamente, soltou-se de todos aquelles peitos anhelantes a canção nacional dos Estados Unidos, e o _Yankee doodle_, repetido em côro por cinco milhões de cantores, ergueu-se como uma tempestade sonora até ao extremo limite da atmosphera.
Depois, passado aquelle primeiro e irresistivel arranco de enthusiasmo, emmudeceu o hymno, extinguiram-se pouco e pouco as derradeiras harmonias, os echos perderam-se no espaço, e vagueou por sobre a multidão tão fundamente impressionada um rumorejar silencioso. No entretanto, o francez e os dois companheiros tinham transposto o recinto reservado em torno do qual se apertava a multidão immensa. Acompanhavam-nos os socios do Gun-Club e as deputações enviadas pelos differentes observatorios europeus.
Barbicane ia frio e sereno e dava tranquillamente as ultimas ordens. Nicholl, de beiços apertados e mãos encruzadas atrás das costas, caminhava com passo firme e pausado.
Miguel Ardan, sempre despreoccupado, em traje de perfeito viajante, polainas de coiro nos pés, bolsa de viagem a tiracolo, mochilla ás costas, a nadar dentro do amplo fato de velludo castanho, de charuto na bôca, distribuia na passagem cordeaes apertos de mão com prodigalidade de principe. Prosa e alegria nunca lhe faltavam; ria, chalaceava e fazia ao digno J.-T. Maston partidas de garoto, n'uma palavra mostrava-se «francez», e, o que peior é, «parisiense» até ao ultimo segundo.
Soaram dez horas. Era chegado o momento de tomar logar dentro do projectil, porque a manobra necessaria para descer, o aparafusar da chapa-tampa, e a safa dos guindastes e andaimes que pendiam dentro das fauces da Columbiada, sempre haviam de levar ainda algum tempo. Barbicane regulára o seu chronometro, com erro inferior a um decimo de segundo, pelo do engenheiro Murchison, encarregado de dar fogo á polvora, por meio da faísca electrica; d'esta maneira os viajantes podiam, encerrados dentro do projectil, seguir com os olhos o ponteiro impassivel que havia de marcar o instante exacto da partida.
Chegára o momento das despedidas. Foi uma scena tocante. Miguel Ardan, apesar de toda a sua febril alegria, sentiu-se commovido. J.-T. Maston lográra encontrar sob as aridas palpebras uma velha lagrima que estava como de reserva para aquella occasião, e que o bom do secretario verteu na fronte do seu caro e estimavel presidente.
«E se eu tambem fosse? disse elle, ainda estâmos a tempo!
--É impossível, meu velho Maston», respondeu Barbicane.
Poucos instantes depois, estavam os três companheiros de viagem installados no projectil, cuja chapa-porta tinham aparafusado pela parte de dentro, e abria-se livremente para o céu, inteiramente desembaraçada a bôca da Columbiada.
Nicholl, Barbicane e Miguel Ardan estavam definitivamente entaipados no wagon de metal.
Quem poderia pintar a anciedade universal, que então attingíra ao seu paroxysmo?
A Lua ía caminhando n'um firmamento de limpida pureza, e apagando na passagem os lumes scintillantes das estrellas; percorriam aquelle momento a constellação dos Gemeos e estava a igual distancia do horisonte e do zenith. Para todos era facil de comprehender que a pontaria era feita adiante do alvo, como a faz o caçador que aponta adiante da lebre que quer ferir.
Pesava por sobre aquella scena toda um silencio atterrador. Nem um sopro de vento na terra! Nem um suspiro de tanto peito. Nem os corações ousavam palpitar. Os olhos fixavam-se todos como que assustados nas fauces abertas da Columbiada. Murchison seguia com os olhos o ponteiro do chronometro. Faltavam apenas quarenta segundos para soar o instante da partida. Cada segundo parecia um seculo.
Ao bater do vigesimo segundo tudo estremeceu; é que accudíra ao pensamento d'aquella multidão que tambem os audaciosos viajantes encerrados no projectil contavam aquelles segundos terriveis! Soltaram-se então gritos isolados que diziam:
«Trinta e cinco! trinta e seis! trinta e sete! trinta e oito! trinta e nove! quarenta! Fogo!!!»
No mesmo instante, Murchison, carregando com o dedo no interruptor do apparelho, restabeleceu a corrente electrica e lançou a faísca para o fundo da Columbiada.
Instantaneamente produziu-se uma detonação horrorosa, inaudita, sobrehumana, de que cousa alguma poderia dar idéa, nem o ribombar do trovão, nem o estampido das erupções. Das entranhas do solo, como de uma cratera, surgiu um jacto immenso de fogo. A terra tremeu e abriu-se, e apenas um ou outro espectador pôde por instantes entrever o projectil que fendia victoriosamente os ares envolto em chammejantes vapores.
CAPITULO XXVII
CÉU ENCOBERTO
No momento em que se ergueu para os céus, até prodigiosa altura, o jacto incandescente, a effusão de labaredas illuminou a Florida inteira; por inapreciaveis instantes, tornou-se a noite em claro dia n'uma extensão consideravel de territorio. Aquelle immenso penacho de fogo viu-se a cem milhas de distancia no mar, tanto no Atlantico como no golpho, e mais de um capitão de navio notou no diario de bordo a apparição d'aquelle gigantesco meteoro.
A detonação da Columbiada foi acompanhada de um verdadeiro tremor de terra. A Florida sentiu-se abalada até ás entranhas. Os gazes da polvora, dilatados pelo calor, repelliram com violencia incomparavel as camadas atmosphericas, e aquelle furacão artificial, cem vezes mais rapido que o furacão das tempestades, passou como um cyclone através dos ares.
Nem um só espectador ficou de pé; homens, mulheres, creanças, todos foram deitados ao chão, como espigas pela borrasca; houve um inexprimivel tumulto, e grande numero de pessoas que ficaram gravemente feridas. J.-T. Maston, que de encontro a todos os dictames da prudencia estava perto de mais, foi arremessado a vinte toezas de distancia, e passou por sobre as cabeças dos seus concidadãos como uma bala.
Trezentas mil pessoas ficaram por alguns momentos surdas, e como que tocadas de estupor.
A corrente atmospherica depois de ter derrubado os abarracamentos, de ter virado de pernas ao ar cabanas, de ter desarreigado arvores, n'um raio de vinte milhas, de ter impellido os comboios do caminho de ferro até Tampa, caiu sobre a cidade como uma _avalanche_, destruindo um cento de casas, entre outras a igreja de Saint-Mary, e o novo edificio da Bolsa, que abriu fendas em toda a sua extensão. Algumas das embarcações surtas no porto, abalroando umas de encontro ás outras, foram a pique, e uns dez navios fundeados no molhe foram até á costa, partidas as amarras como fios de algodão.
Mas o circulo das devastações estendeu-se muito mais ao largo, ainda alem dos limites dos Estados Unidos. O effeito da repercussão, auxiliado pelos ventos de oeste, fez-se sentir no Atlantico a mais de trezentas milhas das praias da America. Arremessou-se por sobre os navios com inaudita violencia uma tempestade artificial, uma tempestade inesperada, que nem o almirante Fitz-Roy podéra prever; muitas embarcações envolvidas n'aquelles horrorosos turbilhões, sem tempo sequer para colher panno, sossobraram a panno largo, entre outros o _Childe-Harold_, de Liverpool, catastrophe esta muito para lamentar, que deu origem a recriminações violentas por parte da Inglaterra.
Finalmente, para tudo relatar, aindaque o facto não offereça maior garantia do que a affirmação de alguns indigenas, asseguram os habitantes da Goréa e de Serra Leôa ter ouvido, meia hora depois da partida do projectil, um abalo surdo, derradeiro fremito das ondas sonoras, que depois de terem atravessado o Atlantico, vinham morrer nas plagas africanas.
Mas volvâmos á Florida. Passados os primeiros instantes do tumulto despertaram os surdos, os feridos, emfim a multidão inteira, e ergueram-se até aos céus clamores freneticos de: hurrah por Ardan! hurrah por Barbicane! hurrah por Nicholl! Milhões de homens de ventas para o ar, armados de telescopios, de lunetas, de oculos de alcance, interrogavam o espaço, esquecidos de contusões e emoções, para se occuparem exclusivamente do projectil. Mas debalde pesquisavam, que o projectil já não podia ver-se, e força era resignar-se a esperar pelos telegrammas de Long's-Peak.
[Figura: Effeito da detonação (pag. 243).]
O director do observatorio de Cambridge[96] estava no seu posto, que a elle, astronomo habil e perseverante, é que tinham sido confiados os trabalhos de observação. Porém um phenomeno imprevisto, aliás facil de prever, e contra o qual nada havia a fazer, veiu dentro em pouco submetter a dura prova a impaciencia publica.
[Figura: O director estava no seu posto (pag. 245).]
O tempo até ali tão bello, mudou do repente, o céu de subito toldado cobriu-se de nuvens. Nem podia deixar de assim succeder, depois da terrivel deslocação das camadas atmosphericas e da dispersão de tão enorme quantidade de vapores, producto da deflagração de quatrocentas mil libras de pyroxylo.
A ordem natural fôra completamente perturbada. Nem é cousa que cause admiração, visto como, nos combates navaes, por vezes se têem observado repentinas modificações do estado atmospherico, exclusivamente causadas pelas descargas de artilheria.
No dia seguinte surgiu o sol de um horisonte carregado de espessas nuvens, pesado e impenetravel véu estendido entre o céu e a terra, e que por desgraça alcançava até ás regiões das montanhas Penhascosas. Foi uma fatalidade. Ergueu-se de todos os cantos do globo um concerto de reclamações. A natureza porém pouco se commovia; decididamente já que os homens tinham perturbado a atmosphera com a detonação, justo era que lhe soffressem as consequencias.
No decurso do primeiro dia todos diligenceavam penetrar o opaco véu de nuvens; baldados esforços! Deve tambem notar-se que todos se enganavam levantando os olhos para o céu, porque em consequencia do movimento diurno do globo, o projectil corria n'aquelle momento pela linha dos antipodas. Fosse como fosse, quando a Lua volveu acima do horisonte, envolvida como estava a Terra em noite impenetravel e profunda, foi impossivel distinguir o astro das noites; era caso para dizer que a Lua de proposito se furtava ás vistas dos temerarios que lhe tinham atirado.
Consequentemente não havia possibilidade de observação, e os despachos de Long's-Peak não fizeram mais do que vir confirmar aquelle desagradavel contratempo.
Entretanto, se é que a experiencia lográra feliz exito, os viajantes que tinham partido no 1.^o de dezembro ás dez horas quarenta e seis minutos e quarenta segundos da tarde, deviam chegar no dia 4 á meia noite, e portanto até áquella epocha, e visto como, por fim de contas, sempre havia de ser muito difficil observar em taes condições corpo tão pequeno como o obuz, todos se mostraram pacientes sem grande alarido.
A 4 de dezembro, das oito horas da tarde até á meia noite devia ser possivel seguir o rasto do projectil, que devia apparecer qual ponto negro no disco brilhante da Lua. Mas o céu conservou-se encoberto sem piedade, facto que levou a exasperação publica ao paroxysmo. Chegaram até a injuriar a Lua, só porque se não mostrava. Triste compensação das cousas d'este mundo!
J.-T. Maston, desesperado, partiu para Long's-Peak. Desejava observar por seus proprios olhos. Não lhe restava duvida de que os amigos deviam ter chegado ao termo da viagem. E tambem a ninguem constava que o projectil tivesse tornado a caír em qualquer ponto das ilhas ou dos continentes terrestres, e J.-T. Maston não queria admittir nem por instantes a possibilidade da quéda nos oceanos que cobrem as tres quartas partes da extensão do globo terraqueo.
No dia 5, tempo, o mesmo. Os grandes telescopios do velho mundo, o de Herschell, o de Rosse, o de Foucault estavam invariavelmente apontados para o astro das noites, porque o tempo na Europa estava exactamente n'aquella occasião magnifico; mas o pouco alcance relativo de taes instrumentos, impedia qualquer observação util.
No dia 6, tempo, o mesmo. Mordiam-se de impaciencia as tres quartas partes do globo. Chegaram a propor-se os meios mais insensatos para dissipar as nuvens accumuladas no ar.
No dia 7, pareceu que o estado do céu se modificava um tanto. Renasceu a esperança, mas não durou por muito tempo; á noite, já as nuvens de novo acastelladas defendiam a abobada estrellada contra todas as inspecções.
O caso então tornou-se serio. Effectivamente no dia 11, ás nove horas e onze minutos da manhã devia a Lua entrar no ultimo quarto. Passado esse momento havia de ir declinando, e aindaque o céu limpasse diminuiriam notavelmente as probabilidades de observação; com effeito a Lua havia de mostrar então uma parte sempre decrescente do disco, até tornar-se em Lua nova, isto é, até que nascesse e se pozesse simultaneamente com o Sol, cujos raios a tornariam absolutamente invisivel. Seria portanto necessario esperar até 3 de janeiro até ao meio dia e quarenta minutos para que voltasse a Lua cheia, e se podessem recomeçar as observações.
Os jornaes publicavam estas reflexões com mil commentarios, e não occultavam ao publico, que era necessario armar-se de angelica paciencia.
No dia 8, nada. No dia 9 o sol appareceu por um instante como para zombar dos americanos. Cobriram-no de vaias, e offendido, certamente com tal acolhimento, mostrou-se avaro de seus raios.
No dia 10, nada de mudança. J.-T. Maston ia enlouquecendo, chegou a haver suas apprehensões em relação ao cerebro daquelle estimavel cavalheiro, tão bem conservado até então, pelo seu craneo de gutta-percha.
No dia 11 porém desencadeou-se na atmosphera uma d'aquellas horrorosas tempestades privativas das regiões inter-tropicaes. Varreram fortes ventaneiras de leste as nuvens ha tanto tempo encastelladas, e á noite o disco meio corroido do astro das noites ostentou-se magestoso por entre as limpidas constellações do céu.
CAPITULO XXVIII
UM ASTRO NOVO
N'aquella mesma noite, a palpitante nova com tanta impaciencia esperada rebentou como um raio nos Estados da União, e d'ali correndo através do oceano, percorreu todos os fios telegraphicos do globo. O projectil fôra visto, graças ao gigantesco reflector de Long's-Peak.
Eis a nota redigida pelo director do observatorio de Cambridge, que contém as conclusões scientificas da grande experiencia do Gun-Club.
«Long's-Peak, 12 de dezembro.--Aos ex.^{mos} srs. membros do pessoal technico do observatorio de Cambridge.
«O projectil arremessado pela Columbiada de Stone's-Hill foi visto pelos srs. Belfast e J.-T. Maston, no dia 12 de dezembro, ás oito horas e quarenta e sete minutos da tarde, já a Lua entrára no ultimo quarto.
«O projectil não deu no alvo, passou-lhe ao lado, mas todavia bastantemente proximo para ficar retido pela attracção lunar.
«Chegado ali, transformou-se-lhe o movimento rectilineo em movimento circular de rapidez vertiginosa, e actualmente percorre uma orbita elliptica em volta da Lua, da qual se tornou verdadeiro satellite.
«Os elementos do novo astro não poderam ainda determinar-se. Nem é conhecida a sua velocidade de translação, nem a de rotação. A distancia a que está da superficie da Lua, póde avaliar-se em duas mil oitocentas e trinta e tres milhas approximadamente.
«N'estes termos, uma de duas hypotheses póde realisar-se, que ha de ter por consequencia modificação no actual estado de cousas.
«Ou vencerá a attracção da Lua, e n'este caso chegarão os viajantes ao termo da sua viagem;
«Ou o projectil mantido n'uma ordem immutavel, gravitará até final dos seculos em volta do disco lunar.
«É o que nos hão de dizer um dia as observações; até agora porém, a tentativa do Gun-Club não colheu outro resultado senão enriquecer com um astro novo o nosso systema solar.--_J. T. Belfast_.»
Quantos problemas surgiram d'esta inesperada solução! Que situação cheia de mysterios reservava o futuro ás investigações da sciencia! Graças á coragem e á dedicação de tres homens, aquella empreza apparentemente assás futil, de arremessar uma bala á Lua, acabava de ter um resultado immenso, e cujas consequencias eram incalculaveis. Os viajantes encerrados no novo satellite, se não tinham realisado o seu fim, faziam pelo menos parte do mundo lunar; gravitavam em torno do astro das noites, cujos mysterios o olho do homem ía pela vez primeira penetrar. Os nomes de Nicholl, Barbicane e Miguel Ardan devem portanto para todo o sempre ser celebrados nos fastos da astronomia, porque estes ousados exploradores, avidos de alargar o circulo dos conhecimentos humanos, lançaram-se audaciosamente através do espaço, e jogaram a vida na mais notavel tentativa dos tempos modernos.
Como quer que fosse, logoque foi do dominio publico a nota de Long's-Peak, apossou-se do universo inteiro um sentimento de surpreza e de espanto. Acaso seria possivel prestar auxilio áquelles ousados habitantes da Terra? Não, por certo, que se tinham collocado fóra da humanidade, logo que transpozeram os limites impostos por Deus ás creaturas terrestres. Ar podiam elles obte-lo pelo espaço de dois mezes. Viveres, levavam-n'os para um anno. Mas depois?... Ao formular-se tal pergunta palpitavam até os corações mais insensiveis.
Só havia um homem, um só, que não podia admittir que a situação fosse para desesperar. Um só tinha confiança, e era esse o amigo dedicado dos tristes, e tanto como elles audaz e resoluto, era o estimavel J.-T. Maston.
E tambem não os largava de olho. Assentára definitivamente os penates no posto de Long's-Peak, onde tinha por unico horisonte o espelho do immenso reflector. Logoque a Lua surgia acima do horisonte, fixava-a no campo do telescopio e não a perdia de vista nem um momento, seguindo-a com assiduidade na sua marcha através dos espaços estellares; observava com eterna paciencia a passagem do projectil pelo disco de prata; na realidade podia dizer-se que o estimavel secretario estava em perpetua communicação com os tres amigos, que ainda, um dia esperava tornar a ver.
«Havemos de nos corresponder com elles, dizia a quem queria ouvi-lo, logoque as circumstancias o permittam. Havemos de ter novidades de lá, e elles tambem as hão de ter de cá! E demais, eu conheço-os, são homens engenhosos. Juntos os tres, levaram comsigo para o espaço todos os recursos da arte, da sciencia e da industria. Com taes elementos faz-se tudo quanto se quer. Hão de saír-se da difficuldade, e senão veremos!»
FIM DE «DA TERRA Á LUA».
INDICE DOS CAPITULOS
Capitulos Pag.
I O Gun-Club 5 II Communicação do presidente Barbicane 16 III Effeitos da communicação Barbicane 27 IV Resposta do observatorio de Cambridge 34 V Romance da Lua 40 VI O que não é possivel ignorar, e o que já não é permittido acreditar nos Estados Unidos 49 VII Hymno da bala 55 VIII Historia do canhão 68 IX A questão da polvora 76 X Um inimigo por vinte e cinco milhões de amigos 86 XI A Florida e o Texas 95 XII _Urbi et Orbi_ 103 XIII Stone's-Hill 112 XIV O alvião e a trolha 122 XV Festa da fundição 132 XVI A Columbiada 137 XVII Um despacho telegraphico 147 XVIII O passageiro do _Atlanta_ 148 XIX Um _meeting_ 161 XX Ataque e replica 174 XXI Como um francez arranja uma pendencia de honra 186 XXII O novo cidadão dos Estados Unidos 198 XXIII O wagon-projectil 207 XXIV O telescopio das montanhas penhascosas 217 XXV Ultimos pormenores 226 XXVI Fogo! 235 XXVII Céu encoberto 242 XXVIII Um astro novo 249 */
Notas:
[1] Escola militar dos Estados Unidos.
[2] Papalvo.
[3] Litteralmente, «club-canhão». Pelo sentido, club dos artilheiros.
[4] Quinhentos kilogrammas.
[5] Cada milha vale 1:609 metros e 31 centimetros. Sete milhas valem approximadamente tres leguas kilometricas.
[6] O jornal abolicionista mais enthusiasta dos Estados Unidos.
[7] Navalha de folha larga.
[8] Governo de si proprio.
[9] Administradores da cidade eleitos pelo povo, vereadores.
[10] Cadeiras de balouço, muito usadas nos Estados Unidos.
[11] De [Grego: selênê] (seléne), palavra grega, que significa Lua.
[12] A jarda vale approximadamente 91 centimetros.
[13] Este folheto foi publicado em França pelo republicano Laviron, morto no assedio de Roma em 1849.
[14] Habitantes da Lua.
[15] Approximadamente 11:000 metros.
[16] Mistura de rhum, sumo de laranja, assucar, canella e noz moscada. É uma bebida de côr amarellada.
[17] Bebida horrorosa do povo mais baixo; em inglez litteralmente: _thoroug knoch me down_.
[18] Cognome da Nova Orleans.
[19] Cem mil leguas. É a velocidade da electricidade.
[20] _Guarda-vida_ (life-preserver). Arma de algibeira, formada de um feixe de barbas de baleia, ligadas n'uma das extremidades por uma bola de metal.
[21] _Muita bulha para nada_, comedia de Shakspeare.
[22] _Como vos aprouver_, outra comedia de Shakspeare.
[23] Está no texto a palavra _expedient_, que é absolutamente intraduzivel em portuguez.
[24] O zenith é o ponto da abobada celeste, situado na vertical que passa pelo observador.
[25] A nebulosa é, como se deprehende do texto, um aggregado de alguns milhões de soes ou estrellas que estão entre si a grandissimas distancias. Estes aggregados, por virtude da enorme distancia de cada uma das suas partes á terra, apparecem-nos á vista simples, como se fossem corpos continuos, nuvens, d'ahi lhes vem a denominação. Exemplo notavel de nebulosa é a _via lactea_ ou estrada de S. Thiago, da qual o nosso sol é estrella componente.
(_Nota do traductor._)
[26] Da palavra grega [Grego:galachtos], que significa leite. É conhecida vulgarmente pelo nome de estrada de S. Thiago.
[27] O diametro de Sirius é, segundo Wolaston, doze vezes maior que o do Sol, isto é, igual a 4.300:000 leguas.
[28] Alguns d'estes astros são tão pequenos, que se poderia fazer n'um dia a passo gymnastico uma volta completa em volta d'elles.
[29] Vinte e nove dias e meio approximadamente é o que dura uma revolução lunar.
[30] Oitocentas e sessenta e nove leguas, um pouco mais da quarta parte do raio da terra.
[31] Trinta e oito milhões de kilometros quadrados.
[32] Esta é a duração da revolução sideral, isto é, intervallo de tempo que ha entre duas passagens consecutivas da Lua pela mesma estrella.
[33] Isto é de calibre vinte e quatro, que pesa vinte e quatro libras.
[34] É por esta rasão que depois de termos ouvido a detonação da peça já não podemos ser feridos pela bala.
[35] Columbiadas chamaram os americanos áquellas enormes machinas de destruição.
[36] Duzentos e setenta mil réis ao cambio medio de cento e oitenta réis por franco.
(_Nota do traductor._)
[37] Trinta centimetros: a pollegada americana vale 25 millimetros.
[38] Isto é, 4 metros e 90 centimetros. Á distancia a que está a Lua o descenso seria sómente de 1 millimetro e 1/3 ou 590 millesimos da linha.
[39] Intersticio que existe ás vezes entre a bala e a alma da peça, e que provém de não serem exactamente iguaes os diametros.
[40] Centesimos do dollar, 36 réis approximadamente.
[41] A libra americana vale 453 grammas.
[42] Pouco menos de oitocentos metros cubicos.
[43] Dois mil metros cubicos.
[44] N'esta discussão reivindica o presidente Barbicane para um compatriota seu a invenção do collodion.
Em que pese ao estimavel Maston, diremos que ha aqui erro, que vem da similhança de nomes. Em 1847, Maynard, estudante de medicina em Boston, teve, é verdade, a idéa de applicar o collodion ao tratamento das chagas; mas o collodion já era conhecido desde 1846. É a um francez, espirito distincto, homem de sciencia, a um tempo pintor, poeta, philosopho, hellenista e chimico, Luiz Ménard, que cabe a honra d'esta grande descoberta.
[45] Navios de guerra americanos.
[46] O peso de polvora empregado era apenas um duodecimo do peso do obuz.