Chapter 5
Geralmente as cellulas mudam de côr ao soffrerem as modificações descriptas, mas essas mudanças de côr são independentes d'aquelles phenomenos e devem-se ao apparecimento de substancias córantes especiaes pouco conhecidas. Nos lenhos de algumas especies as substancias corantes são em tamanha quantidade, que elles podem ser industrialmente explorados como materias tinturiaes.
Na madeira completamente secca a cellulose e a linhina, ou vasculose, entram nas percentagens de 90 a 96%; formam a parte restante muitos outros principios immediatos e as substancias denominadas mineraes - as que ficam como residuo da calcinação.
Os principios immediatos que se encontram com a cellulose e a vasculose na composição da madeira variam muito, quantitativa e qualitativamente, segundo as essencias consideradas - são substancias amylaceas, saccharinas, albuminoides, resinosas, córantes, alcaloides, acidos, etc. Em muitas cascas accumula-se o tannino, ás vezes em grande excesso.
A parte mineral regula, em média, por 1%, na madeira completamente secca, ou 0,8% na madeira secca ao ar (com 20% de agua). Mas esta percentagem das cinzas varia bastante nas differentes essencias, e até no mesmo individuo com a região considerada; em regra quanto mais seivoso é um tecido maior a quantidade das cinzas: assim os ramos deixam-as mais avultadas que o tronco, as cascas mais do que o lenho. As cinzas são constituidas por diversos saes, uns soluveis, outros insoluveis: carbonatos, sulphatos, phosphatos, silicatos, de potassio, calcio, sodio, magnesio, ferro, etc.
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Para terminar este estudo resta-nos só considerar a agua, que existe sempre em grande quantidade nos lenhos das arvores. Nos troncos vivos a percentagem d'agua varia com as estações, e varia tambem consideravelmente d'especie a especie. A percentagem maxima encontra-se na época do maior movimento da seiva, na primavera; diminue no outono, e é minima no inverno. Schubler e Neuffer determinaram as seguintes quantidades, nas mesmas madeiras, em duas épocas do anno differentes:
Agua por 100
Fins de janeiro: Principios de abril:
Freixo . . . 28.8 . . . 38.6
Castanheiro . . . 40.2 . . . 47.1
Abeto . . . 52.7 . . . 61.0
Ainda segundo Schubler, as percentagens de agua de algumas essencias florestaes são as seguintes:
Agua por %:
Carpinus Betulus, L. . . . 18.6
Salgueiro (Salix Caprea, L.) . . . 26.0
Platano bastardo (Acer Pseudo-platanus, L.) . . . 27.0
Freixo (Fraxinus excelsior, L.) . . . 28.7
Vidoeiro (Betula alba, L.) . . . 30.8
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Agua por %:
Carvalho commum (Quercus Robur, L.) . . . 34.7
Abeto (Pinus Abies, L.) . . . 37.1
Tilia (Tilia Europaea, L.) . . . 47.1
Choupo d'Italia (Populus italica, L.) . . . 48.2
Choupo negro (Populus nigra, L.) . . . 51.8
N'um mesmo individuo a quantidade d'agua varia, sendo tanto maior quanto mais nova, e portanto mais tenra e succosa, a região considerada.
Depois de cortada a madeira uma parte da agua evapora-se. Esta evaporação é maxima logo em seguida ao corte, diminue depois, e chegado um certo momento fica estacionaria ou, mais rigorosamente, só varia com o estado hygrometrico do ar. Em média, um anno depois de cortada, a madeira retem 20 a 25% da agua total que continha. Na rapidez da seccagem tem uma grande influencia as dimensões da peça cortada, a rigidez do tecido e estar, ou não, o tronco descascado; a casca difficulta extraordinariamente a perda d'agua.
3.º - RAMIFICAÇÃO DO TRONCO
Fórmas de ramificação. - Nas especies lenhosas indigenas o tronco, o eixo da ramificação aeria, tem a fórma, mais ou menos regular, de um cone muito alongado. O alongamento do eixo d'este cone proporcionalmente á circumferencia da base depende muito da especie considerada, e ainda mais das condições da vegetação.
Em algumas essencias de pequeno porte o tronco conserva-se sempre vestido de ramos desde o solo; nas grandes arvores acontece isto tambem nos primeiros annos, mas com a edade as ramificações inferiores definham, seccam e caem ordinariamente, apresentando-se ao depois o eixo principal nú em grande extensão.
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A ramificação do tronco realisa-se pela sua divisão em eixos secundarios, d'onde partem novos eixos de menor grandeza, e assim successivamente. Em condições normaes estes eixos são iniciados nos botões que se encontram nas axillas das folhas, e por isso a ramificação de cada especie obedeceria á mesma lei segundo a qual as folhas estão dispostas, se não se dessem muitas causas d'irregularidade, sendo as principaes o abortamento d'alguns botões normaes, a formação de botões adventicios, como adiante diremos, e o desegual vigor dos diversos rebentos. No emtanto a ramificação de cada essencia tem logar segundo um plano bastante estavel, dentro de certos limites.
A disposição dos ramos diz-se verticillada, opposta ou alterna, conforme n'um mesmo ponto estão inseridos muitos ramos (pinheiros), ou só dois (platano bastardo), ou apenas um (carvalhos).
No arranjo e orientação dos ramos sobre o eixo intervem, em grande parte, afóra a acção da conformação interna, uma regra mechanica, encontrada pelo sr. Hofmeister, e que se pode formular assim: cada novo ramo nasce por cima do maior intervallo deixado pelos ramos anteriores, mais recentemente formados. Esta regra explica a disposição cruzada, quasi constante, dos ramos oppostos, realisa-se egualmente para os ramos verticillados e alternos, e explica muitos accidentes e disposições da ramificação. Quando os ramos se dispõem sobre um unico plano para um e outro lado do eixo, formando assim as suas inserções duas unicas linhas longitudinaes, dizem-se disticados (raminhos do ulmeiro).
N'algumas essencias o tronco cresce constantemente, ou durante um grande periodo, alongando-se com a edade na vertical (choupo d'Italia, pinheiros, etc.) N'outras especies aquelle crescimento pára em certa edade, e só a copa depois se alarga e desenvolve; mas, n'este alongamento do tronco as condições da vegetação teem uma grande influencia, principalmente o estarem as arvores isoladas ou em massiço. O castanheiro é um bom exemplo d'este ultimo caso: quando vive isolado alarga extraordinariamente a copa, e o crescimento do tronco cessa-lhe em edade bastante curta.
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Denominamos fuste o espaço do tronco contado desde a terra até á inserção dos primeiros ramos; chamamos copa ao conjuncto de todas as ramificações.
De ordinario os ramos são levantados, formando um angulo mais ou menos agudo com o tronco, angulo variavel com as essencias e com a edade da arvore; comtudo em algumas essencias são horisontaes, como no cedro bastardo, e n'outras pendem para a terra, como no chorão, ou fecham-se muito contra o tronco, tomando a copa o aspecto fusiforme, como no choupo d'Italia. A ramificação do pinheiro manso é caracteristica: tem o fuste muito grande em relação á copa, e n'esta os ramos mais ou menos abertos para os lados, levantados nas extremidades, dando ao conjuncto o aspecto de uma umbella. A copa dos carvalhos, e de muitas outras essencias, é mais ou menos arredondada.
A relação entre o fuste e a copa varia muito nas diversas essencias.
Classificação dos ramos. - Os ramos tomam differentes nomes conforme a sua grossura e situação. Chamaremos pernadas, ou arrancas, as primeiras e mais fortes ramificações de um tronco elevado; ramos propriamente as ramificações intermediarias; raminhos os rebentos do anno anterior, que teem já consistencia bem lenhosa; renovos ou rebentos as ultimas ramificações ainda herbaceas, no anno em que sahiram dos botões.
Botões normaes. - Chamam-se botões, ou gomos ¹, os orgãos ovoides ou conicos que apparecem no extremo dos rebentos, bem como na axilla das folhas, e onde se encontram os rudimentos de um futuro renovo. Segundo a sua posição os botões dizem-se terminaes (fig. 23, A) ou lateraes (fig. 23, B).
¹ Brotero, cuja terminologia adoptamos, com rarissimas excepções, referindo-se a estes botões folhosos emprega o termo gomo em logar de botão; esta ultima palavra reserva-a mais particularmente para os botões floraes das arvores. Não adoptamos esta distincção pelas seguintes razões: 1.º Porque se chamarmos gomo áquelle corpo que só produz rebentos folhosos, e botão ao que só origina flores, ficamos em embaraço para denominar o corpo mixto d'onde saem eixos com folhas e flores. 2.º: Porque a terminologia latina tambem só emprega a palavra gemma, seguida do qualificativo floral quando quer significar que produz flores. 3.º: Porque em linguagem vulgar a palavra botão se emprega indistinctamente n'um e outro sentido, e se emprega de preferencia á palavra gomo, apezar d'esta ser tambem usada.
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Fig. 23. Raminho do choupo do Canadá, (Populus monilifera, Ait.). A: Botão terminal: B. Botões lateraes. a: cicatriz deixada pela queda da folha (1:1).
Fig. 24. Raminho do platano bastardo (Acer Pseudo-platanus L.) com os botões lateraes oppostos (1:1).
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O espaço comprehendido entre dois botões lateraes, collocados em planos um superior ao outro, denomina-se entre-nó. As dimensões dos entre-nós variam não só com as essencias como tambem, para cada uma d'ellas, com as condições da vegetação.
A disposição dos botões lateraes é identica á das folhas: são alternos (fig. 23), nos choupos, ulmeiro, carvalhos; oppostos (fig. 24) no platano bastardo, freixo, etc.; verticillados nos pinheiros.
Quando se faz o corte longitudinal de um botão encontram-se, de ordinario, (nas essencias indigenas), escamas sobrepostas, na parte externa, constituindo um involucro fechado (figuras 23, 24, 25). No interior é que existe o rudimento do renovo, sob a forma de um cone, mais ou menos alto, depremido no vertice, que é o ponto vegetativo, e tendo nas superficies lateraes pequenas saliencias, representando cada uma o esboço de uma folha.
As escamas protectoras encontram-se nos botões de quasi todas as arvores e arbustos dos nossos climas; teem por fim abrigar a extremidade viva do novo eixo durante o rigor do inverno, e por isso não existem, em geral, nas especies dos climas onde a vegetação é conti nua. Estes botões assim desprotegidos dizem-se nús, taes são os do sanguinho d'agua, em opposição aos outros, que se chamam escamosos.
Fig. 25. Corte longitudinal do botão terminal do choupo do Canadá (1:1)
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As escamas dos botões teem contextura muito diversa; em algumas especies são quasi herbaceas (alfenheiro, lilaz), n'outras, pelo contrario, são rigidas, seccas. Habitualmente apresentam a fórma de colher, ou de escama de peixe, e teem as cellulas cheias d'ar, tornando-se más conductoras do calor, e dando por isso optimo abrigo.
Em determinadas especies as escamas mais externas encontram-se ainda protegidas por differentes outros modos: nas Coniferas estão cobertas d'um inducto resinoso; em alguns choupos d'um verniz gommo-resinoso; no choupo branco estão vestidas de pellos (fig. 26); no castanheiro da India teem simultaneamente pellos e secreção gommo-resinosa, etc. Aquellas secreções soldam as escamas, cobrem o botão inteiro, e tornam-o impermeavel; umas vezes são realisadas por algumas cellulas epidermicas e são expulsas atravez a cuticula, que levantam (amieiro, choupos, etc.), outras vezes são produzidas por pellos massiços (castanheiro da India), como já dissemos.
Fig. 26. Botões do choupo branco. (Populus alba, L.), cobertos de pellos (1:1).
As escamas dos botões são folhas que soffreram um desenvolvimento especial. O botão representa, como dissemos, o esboço de um rebento, onde os entre-nós estão ainda muito curtos, e os cyclos foliaceos, mais ou menos rudimentares, ficam apertados uns contra os outros; são as folhas mais externas d'este rebento que se especialisam em escamas protectoras.
Comparando com attenção a fórma das escamas mais internas e a fórma das folhas mais externas do botão, torna-se, muitas vezes, possivel dizer qual a parte da folha, que constitue a escama, e quaes as partes que abortaram: assim no alfenheiro, na madresilva, no lilaz, etc., é o limbo da folha que soffre aquella especialisação; no freixo, no castanheiro da India, no sabugueiro, etc., é a bainha da folha que se transforma em escama, abortando o limbo; nos carvalhos são as estipulas que originam aquelles orgãos, abortando todo o resto da folha, etc. Estas escamas nunca são pecioladas porque, como diremos adiante, o peciolo apparece sempre posterior ao limbo, e n'este caso a folha deixou de crescer antes da época em que elle se devia formar.
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O numero de escamas que envolvem o botão é muito variavel: podem ser numerosas (ulmeiro, carvalhos, etc.), ou só duas (castanheiro, platano), ou uma apenas (salgueiros).
As fórmas dos botões, e o seu tamanho, variam muito conforme as essencias: nos pinheiros são compridos e fusiformes; os botões axillares do amieiro são triangulares e inseridos sobre um pedicello (fig. 27); os do platano bastardo são ovoides, grossos, glabros, com as escamas verdes, quasi herbaceas, marginadas de negro (fig. 24); os da amoreira branca são pyramidaes; os do platano estão invaginados na base ôca do peciolo, e só apparecem a descoberto depois da queda das folhas (fig. 28); os da acacia bastarda estão sobrepostos 2-5, muito pequenos e nús, incluidos n'uma cavidade axillar, entre as estipulas, cavidade que depois da queda da folha se abre por uma pequena fenda. Em algumas essencias o botão terminal é maior do que os axillares (freixo, castanheiro da India, platano bastardo, etc.) (fig. 24); em algumas outras o botão terminal aborta quasi sempre, e o eixo prolonga-se, n'esse caso, por um botão axillar.
Fig. 27. Botão do amieiro, (Alnus glutinosa, Gaertn.) inserido sobre um pedicello (1:1).
Fig. 28. A. Rebento e base do peciolo da folha do platano (Platanus occidentalis, L.) onde está incluido o botão. B: o mesmo peciolo cortado transversalmente, e deixando ver o botão (1:1).
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O tamanho e a fórma dos botões, o modo por que estão inseridos, a consistencia e côr dos seus involucros externos, os inductos e tomentos que os revestem, etc., podem utilisar-se para auxiliar a distinguir as especies durante o inverno, quando, muitas d'ellas, estão sem folhas.
O botão terminal está em relação directa com a medulla do tronco (fig. 25); as cellulas d'este novo prolongamento do eixo, quando elle se desenvolver e se transformar em rebento, hão de especialisar-se em tecidos que sejam a continuação dos que já estão formados; assim nos primeiros feixes lenhosos apparecerão os vasos caracteristicos do canal medullar, circumscrevendo uma medulla, etc. Nos renovos saidos dos botões lateraes a formação e adaptação dos tecidos é identica; os seus feixes ligam-se tambem com os feixes do eixo sobre que se desenvolveram, mas esta ligação pode operar-se de dois modos differentes nas especies indigenas: umas vezes (pinheiros, zimbros, etc.) os feixes do rebento reunem-se n'um pequeno numero de grupos, atravessam a casca do eixo sobre que o botão se formou, e juntam-se com os feixes d'esse eixo nos pontos onde elles limitam, á direita e á esquerda, o vasio deixado pela saida do feixe medio da folha-mãe; n'outras especies (hera, etc.) esta inserção dos feixes do rebento opera-se directamente sobre os feixes da folha-mãe, no ponto onde elles se separam do cylindro central do ramo ou do caule.
O esboço do rebento, incluido no botão terminal, inicia-se ao mesmo tempo que se está desenvolvendo o eixo, que elle termina; á medida que esse eixo vae saindo do botão onde se formou; por isso, a não ser em virtude d'um accidente, todo o eixo tem sempre um botão terminal. Os botões lateraes começam a formar-se quando as folhas, a cujas axillas pertencem, estão ainda muito novas; começam a formar-se ainda no seio do botão terminal, onde, em esboço, está contido o eixo sobre o qual, depois, elles se hão de desenvolver.
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A principio os botões tomam o nome de olhos; desenvolvem-se depois um pouco até ao outono, e assim desenvolvidos se denominam mais propriamente botões; passam o inverno n'esse estado e na primavera seguinte entumecem, abrem e originam os rebentos. As escamas protectoras caem então deixando cicatrises apparentes na base do novo eixo; por essas cicatrises se pode com facilidade, ao diante, conhecer o ponto de ligação do raminho e do rebento.
Denominaremos época do desabrolhamento, ou da folheação, a época em que se abrem os botões e apparecem as primeiras folhas.
Quando o botão começa a abrir, nota-se que as folhas tomam diversas posições n'essa pequena cavidade, procurando occupar o menos espaço possivel, e para isso dobram-se, enrugam-se, ou enrolam-se por differentes modos. Este arranjo das folhas no interior do botão chama-se folheatura, e é constante para cada especie.
Na folheatura deve considerar-se o modo por que está disposta cada folha, e o modo por que as folhas se dispõem em relação umas ás outras.
Considerando cada folha isolada, a folheatura diz-se dobrada a meio quando a folha se dobra em duas metades pela nervura central (carvalho, amendoeira, etc.); diz-se reclinada quando a folha se dobra transversalmente; franzida quando se enruga em pregas longitudinaes, tomando a fórma d'um leque (vidoeiro, bordo, videira, etc.). Se a folha se enrola podem os dois bordos ficar voltados para a pagina superior, e a folheatura diz-se então involutosa (choupos, sabugueiro, madresilva, pereira, etc.); ou os dois bordos virarem-se para a pagina inferior, e denomina-se revolutosa (loendro, etc.); ou a folha enrolar-se sobre si mesma em cartucho, e chama-se enrolada (ameixoeira, berberis, etc.). Finalmente quando as folhas se não dobram de nenhum modo a folheatura diz-se plana (freixo, liláz, etc.).
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Em relação umas ás outras, as folhas no interior do botão, ou só se tocam pelos bordos e a folheatura é valvular, ou, sendo planas, sobrepõem-se de modo que as mais externas tapam as mais internas e diz-se imbricada. As folhas dobradas a meio podem abraçar entre as suas metadas todas as folhas mais interiores e a folheatura denomina-se acavalleirada, ou abraçarem apenas a metade de uma outra folha dobrada do mesmo modo e chama-se então enganchada ou obvolvida.
Crescimento das plantas lenhosas em altura. - Nos nossos climas, ao começar a temperatura a subir, em seguida aos frios do inverno, as plantas lenhosas, cujo crescimento e engrossamento tem estado suspenso (quer sejam especies de folhas caducas quer sejam de folhas persistentes), entram em nova actividade vegetativa. Os botões terminaes e lateraes engrossam, abrem-se e originam outros tantos rebentos; os eixos antigos alongam-se, d'este modo, com todo o tamanho dos novos rebentos terminaes, e ramificam-se pelos rebentos lateraes.
Em algumas especies esse alongamento é muito consideravel e muito rapido. O caule de um eucalypto novo chega a crescer alguns centimetros em 24 horas, e o rebento terminal d'um pinheiro bravo pode, ás vezes, n'uma semana, deitar a mais de meio metro. De resto, as dimensões dos rebentos, se dependem bastante da essencia, variam tambem muito com a edade da arvore, e com todas as outras circumstancias da vegetação.
A época em que as diversas especies lenhosas apresentam as primeiras folhas depende muito do clima local, mas prende-se bastante, como veremos quando tratarmos da Climatologia Florestal, com a organisação da especie, com o seu modo de vida; assim em dois climas locaes differentes, as mesmas essencias nem sempre entram em folheação pela mesma ordem. Os dados numericos que seguem, respectivos ao nosso paiz, devemol-os, em grande parte, ao favor do sr. dr. Julio A. Henriques; as observações em Coimbra foram feitas pelo pessoal do Jardim Botanico, as do Porto pelo sr. Joaquim Casimiro Barbosa, as da Marinha Grande foram-nos communicadas pelo sr. Carlos A. de Souza Pimentel, as de Lisboa são quasi todas (as de 1883) feitas pelo sr. J. Daveau, e as restantes por nós:
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ESPECIES
ÉPOCAS DE FOLHEAÇÃO
LISBOA
MARINHA GRANDE (1885)
COIMBRA
(1883) (1884)
PORTO (1883)
Carvalho roble (Quercus pedunculata, Ehrh.) . . . 5 março 83 - 4 abril 25 março 25 março
Castanheiro da India (Aesculus Hippo-castanum, L.) . . .
18 março 83 - 24fev.º 25 fev.º 25 março
Vidoeiro (Betula alba, L.) . . . - - 1 abril 20 março 16 março
Avelleira (Corylus Avellana, L.) . . . - - - - 27 fev.
Cerejeira (Prunus avium, L.) . . . 25 março 83 - - - 1 março
Ameixoeira brava, (Prunus spinosa, L.) . . . 20 fev.º 83 - - - 28março
Ginjeira (Prunus Cerasus, L.) . . . - - - - 8 março
Azereiro dos damnados (Prunus Padus, L.) 12 março 83 - - - 15 março
Pereira (Pyrus communis, L.) . . . 12 abril 83 - - - 12 março
Maceira (Pyrus Malus, L.) . . . 14 abril 83 - - - 18 abril
Lilaz (Syringa vulgaris, L.) . . . 20 março 83 - - - 3 março
Pirliteiro (Crataegus Oxyacantha,L.) . . . - - - - 28 fev.
Codeço bastardo (Laburnum vulgare, Gris.) . . . 7 abril 83 - - - 30 março
Marmeleiro (Cydonia vulgaris, Pers.) . . . 20 fev.º 83 - - - 6 março
Sabugueiro (Sambucus nigra, L.) . . . 24 jan.º 85 - - - 5 fev.º
Framboesa (Rubus idaeus, L.) . . . 8 abril 83 - - - 26 março
Sanguinho legitimo (Cornus sanguinea, L.) . . . 6 abril 83 - - - 5 março
Alfenheiro (Ligustrum vulgare, L.) . . . 29 fev.º 83 - - - 3 abril
Videira (Vitis vinifera, L.) . . . 3 abril 83 - - - 20março
Acacia bastarda (Robinia Pseudo-acacia, L.) . . . 10 março 85 - - - -
Freixo (Fraxinus augustifolia, Vahl.) . . . 4 março 85 - - - -
Amoreira branca (Morus alba, L.) . . . 18 março 85 - - - -
Ulmeiro (Ulmus campestris, L.) . . . 19 março 85 - - - -
Allanto (Ailantus glandulosa, Desf.) . . . 25 março 85 - - - -
Lodão bastardo (Celtis australis, L.) . . . 10 março 85 - - - -
Choupo negro (Populus nigra, L.) . . . - fev.º - - -
Choupo do Canadá (Populus monilifera, Ait.) . . . - fev.º - -
Carvalho portuguez (Quercus lusitanica, Lam.) . . .
- 1-15 março - -
Pinheiro bravo (Pinus Pinaster, Ait.) . . . - 15 fev.º - -
Pinheiro manso (Pinus Pinea, L.) . . . - 15-28 fev.º - -
Samoco (Myrica Faya, Ait.) . . . - 1-15 fev.º - -
Castanheiro (Castanea vulgaris, Lam.) . . . - março - - -
Medronheiro (Arbutus Unedo, L.) . . . - 1-15 fev.º - -
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O renovo, como dissemos, estava já esboçado no botão sob a fórma d'um eixo muito curto, com os rudimentos dos cyclos foliaceos muito aproximados, e os tecidos ainda não especialisados definitivamente; é a custo do alongamento d'estes entre-nós que elle ao depois se desenvolve. Quando o rebento se alonga e sae do botão as cellulas da parte superior regeneram novas cellulas formatrises e, d'este modo, normalmente, todo o eixo termina sempre em um ponto vegetativo, que lhe permitte o alongamento successivo; este ponto vegetativo, que não tem tempo para formar n'essa estação outro renovo, ficará depois incluido, do mesmo modo, n'um botão terminal.
Durante o periodo que a arvore leva a constituir os rebentos annuaes a sua despeza em principios immediatos é maxima, e a zona lenhosa, fabricada na mesma época pelo cambium dos eixos mais antigos, fica porosa, menos tochada, menos lenhifeita, com todos os caracteristicos que lhe descrevemos sob o nome de zona de primavera. Mais para o diante, quando a arvore fecha os seus botões terminaes, quando os rebentos deixam de crescer, a despeza diminue, e a madeira, mais apertada e mais incrustada, começa a formar a zona de outono da camada annual.
O crescimento da raiz pára tambem d'inverno, mas a sua actividade acaba mais tarde e desperta mais cedo, que na parte aerea da planta.