Chapter 29
Germinação. - Germina com facilidade. O pinheiro d'Alepo é robusto logo desde novo; não precisa a protecção das arvores superiores; antes, pelo contrario, a sombra o amesquinha.
Productos e usos. - A multiplicação d'esta arvore é de certo util para o paiz; não porque os seus productos sejam mais valiosos que os do nosso pinheiro bravo, mas pela faculdade que tem de viver nas terras calcareas, onde os nossos pinheiros não vingam, e que pode aproveitar o pinheiro d'Alepo, dando, ainda assim, productos vantajosos.
A madeira d'esta essencia é usada em França nas construcções civis, em travessas de caminho de ferro, para taboame na construcção naval, para o fabrico de caixas, etc. A lenha arde bem e é procurada nas officinas; deve ser melhor que a do pinheiro manso, por ser mais resinosa.
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A casca é utilisada, em alguns pontos da França, pela sua percentagem de tannino, para curtumes, misturada com a casca dos carvalhos. Este pinheiro pode ser resinado e a sua gemma é semelhante á do pinheiro bravo, mas menos abundante.
O cypreste, o cedro bastardo e o cedro do Bussaco
(Cupressus sempervirens a, L.; Cupressus horisontalis, Mill., e Cupressus glauca, Lam.)
Todas estas essencias pertencem ao mesmo genero Cupressus; dá-se em Portugal, indevidamente, o nome de cedros aos cyprestes cuja copa é aberta para os lados, em fórma de umbella. Os verdadeiros cedros são arvores muito differentes d'estas.
As duas primeiras especies são oriundas da Grecia e da Persia; o cedro do Bussaco, segundo as investigações do sr. dr. Julio Henriques, é originario do Himalaya, e não de Goa, como Brotero asseverava. Estas tres essencias são bastante cultivadas no paiz como arvores de ornamento.
Clima. - Parece que em todas as nossas provincias podem viver e indifferentemente em quaesquer exposições.
Solo. - Preferem os solos leves e fundos, mas que não sejam muito humidos.
Radicação. - É muito vigorosa; todas estas essencias resistem perfeitamente ao vento.
Porte, crescimento e duração. - O porte do cypestre é muito caracteristico e destingue-o logo das duas outras especies; sobre o tronco prolongado até ao cimo levanta-se uma copa alongada, estreita, fusiforme, muito vestida, constituida pelos ramos levantados. O cedro bastardo e o cedro do Bussaco teem, pelo contrario, os ramos abertos, copa muito larga e o tronco despido até grande altura.
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Todas estas arvores crescem depressa e attingem grandes proporções; o cedro do Bussaco chega a 40 metros de alto, e mais, tendo frequentes vezes 4 a 5 metros de circumferencia na base; os melhores exemplares d'esta essencia encontram-se no Bussaco. Tem grande duração.
Madeira e casca. - A madeira dos cyprestes é esbranquiçado-acastanhada, aromatica, homogenea, de facil trabalho. A casca é delgada, fendida longitudinalmente, avermelhado-escura.
Folhagem. - As folhas são pequenas, escamiformes, imbricadas em quatro fileiras, vestindo inteiramente os ramos; são verde-escuras no cypreste, de côr mais viva no cedro bastardo, verde-glaucas no cedro do Bussaco. A copa ampla dos falsos cedros assombreia muito o terreno inferior.
Floração e fructificação. - A floração é monoica; as flores masculinas encontram-se dispostas em amentilhos cylindricos, muito pequenos, terminaes; as flores femininas em amentilhos, tambem terminaes, globosos. A floração dá-se de outubro a dezembro.
O fructo é uma galbula constituida d'escamas lenhosas, pouco numerosas, opposto-crusadas, polyspermas. A galbula do cypreste é globosa ou ovoide, com as escamas levemente convexas na face externa, e tem, no maior diametro, 30 a 40 millimetros; a galbula do cedro bastardo é sub-globosa, com as escamas bastante convexas externamente, e tem quasi o tamanho da anterior; a galbula do cedro do Bussaco é muito menor, não passa de 10 15 millimetros, é glauca e tem as escamas fortemente mucronadas. A maturação d'estas galbulas é biennal. As sementes são numerosas, pequenas, irregulares, deprimidas, castanho-escuras, e com azas lateraes muito curtas. Todas estas essencias fructificam em bastante novas.
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Germinação. - Postas as sementes em boas condições a germinação dá-se com facilidade.
Productos e usos. - Estas essencias nem só tem importancia para ornamento; a sua madeira é boa para construcção, para carpinteria e marceneria; é muito duradoura, e resiste quasi illimitadamente debaixo d'agua.
O eucalypto
(Eucalyptus globulus, Labill.)
Quasi todas as numerosissimas especies do genero Eucalyptus são oriundas da Australia. O Eucalyptus globulus foi descoberto em 1792, na ilha de Van Diemen, ou Tasmania, por La Billardiére, que fazia parte da expedição enviada em procura de La Pérouse, e foi uma das primeiras arvores d'este genero introduzidas na Europa. A sua cultura em Portugal dáta de uns 30 annos, e realisa-se hoje em larga escala; o eucalypto não só se emprega como arvore de ornamento, mas começa a utilisar-se para a producção de madeira, como essencia florestal, e parece ter diante de si grande futuro.
Clima. - Nem todas as especies do genero Eucalyptus teem as mesmas exigencias climatericas. Considerado em geral, este genero é proprio aos climas temperado-quentes, onde não haja grandes frios de inverno, onde as chuvas sejam abundantes na primavera, e o estio seja quente e secco. A zona europea mais apropriada á naturalisação d'estas arvores é a que fica ao sul do parallelo 40°, a zona mediterranea, a zona onde a laranjeira fructifica ao ar livre; poucos eucalyptos podem viver na Europa acima de 43° de latitude, por serem os frios hibernaes muito fortes, e a temperatura d'estio pouco elevada; no emtanto, algumas d'estas essencias vivem até na Inglaterra e na Escocia. Como se vê, quasi todo o nosso paiz, sobretudo o sul e o centro, é muito apto para esta exploração.
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Parece que os eucalyptos, naturalisados hoje n'uma área vastissima, tendem a adquirir fóra da sua região natal, pelo menos em algnns pontos, caracteres um pouco diversos, que, naturalmente, passado tempo, individualisarão novas variedades; assim, tem-se notado que, em diversos sitios d'Africa, são mais folhosos e dão maior sombra.
Solo. - As observações realisadas na Australia mostram, serem os eucalyptos bastante exigentes na composição dos solos que pedem; umas especies só prosperam sobre os granitos, outras sobre os calcareos, outras sobre os gréses, ou os basaltos, etc. O Eucalyptus globulus parece ser uma das especies menos exigentes e tambem uma das de mais facil cultura; debaixo d'este ponto de vista merece a preferencia que entre nós se lhe tem dado. Nos terrenos leves e soltos, sobretudo quando são frescos e profundos, é onde melhor se desenvolve, mas pode viver até nos solos bem seccos; as terras superficiaes e as muito compactas são-lhe, de todas, as mais desfavoraveis; em chão humido, ou mesmo encharcadiço vegeta perfeitamente. Temol-o visto desenvolver-se bem, em Portugal, nas terras calcareas e não calcareas, sem parecer mostrar nenhuma tendencia calcicola ou calcifuga, mas dizem que não pode viver nas terras cujas percentagens de cal sejam muito elevadas, nem nos salgadiços.
Radicação. - O systema radicular d'esta arvore é bastante forte; tem raiz mestra profunda e raizes vigorosas lateraes. Rebenta muito bem de touça; os rebentões são numerosos e tem crescimento muito rapido; explorado em talhadio, o eucalypto pode dar aos 2 a 3 annos muito boas varas para construcção civil, e que levam ao castanho a vantagem de se fazerem em muito menos tempo.
Porte, crescimento e duração. - O eucalypto é uma das arvores de mais rapido e admiravel crescimento; está calculado que, sem exaggero, a sua producção lenhosa é quadrupla da do carvalho: aos 25 annos um eucalypto dá tanta madeira como um carvalho de 100 annos, creado nas mesmas condições. Este crescimento é sobretudo rapido nos primeiros annos; em alguns dias chega a exceder 1 centimetro. Citam-se as dimensões de eucalyptos australianos, que são verdadeiros colossos, chegando a exceder 100 metros, mas, a este proposito, referir-nos-hemos expecialmente a exemplos portuguezes, e são muitissimo instructivos os que o sr. Carlos de Sousa Pimentel aponta na sua monographia do Eucalyptus globulus; refere-se aquelle auctor a eucalyptos que aos 4 annos, no nosso paiz, accusavam a altura média de 15 metros por 0,m12 de diametro; refere-se a arvores de 8 annos, com 28 metros de alto por 0,m35 de diametro; refere-se a uma arvore de 20 annos, cuja massa lenhosa total deitaria 5 metros cubicos, e a muitos outros casos analogos, observados em plantações numerosas, de muitos mil individuos.
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O eucalypto nos primeiros annos apresenta-se vestido, até á base, de ramos opposto-crusados, e tem a fórma pyramidal; depois, despe-se das ramificações inferiores, apresenta um fuste nú até maior ou menor altura, conforme tem crescido em massiço ou isolado, e uma copa irregular, de ramificação diffusa, pouco apertada e pouco folhosa; se a arvore cresce isolada, os ramos lateraes, ás vezes, engrossam e desenvolvem-se muito.
Os botões do eucalypto são nús, e ficam latentes durante a época do repouso vegetativo, apparecendo só a descoberto quando as condições meteorologicas são favoraveis á sua evolução; se estes botões são, por qualquer accidente, destruidos, apparecem outros, de ordinario, inferiormente aos primeiros.
Esta arvore tem grande duração.
Madeira e casca. - A madeira do eucalypto é compacta, pesada, muito forte e de grandissima duração - quasi incorruptivel. Estas boas qualidades do lenho são muito para admirar n'uma arvore que tem crescimento tão rapido, quando é sabido que a densidade, a rijeza e a duração das madeiras andam quasi sempre inversas, com a rapidez do seu desenvolvimento. Este facto torna o eucalypto duplamente precioso. Attribue-se a grande resistencia que esta madeira offerece á decomposição e ao ataque dos insectos, aos oleos essenciaes de que está impregnada, bem como a casca, as folhas, e todos os orgãos da arvore.
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Um exemplar da madeira do eucalypto (secco ao ar) da collecção do Instituto deu-nos a densidade 0,763; este numero não é muito alto, na verdade, mas ignoramos as condições em que essa madeira foi produzida, e a edade do lenho, o que é muito importante. A madeira do eucalypto passa por ser muito densa, proximamente tanto como a teca, uma das madeiras mais rijas que existe. O seu principal defeito é apresentar as fibras dispostas em espiral e entrelaçadas, o que, se concorre para a tornar mais resistente, em contraposição lhe difficulta o trabalho e faz com que não dê fenda. Este defeito parece attenuar-se bastante quando a arvore cresce em massiço, e sobretudo quando o lenho é cortado em boa época e sujeito a uma secca methodica, não o expondo em sitios muito seccos, e provocando-lhe a morte immediata com um golpe vertical.
A casca do eucalypto desprende-se todos os annos em fitas longitudinaes côr de canella, bastante largas, que deixam o tronco perfeitamente liso; esta casca tem um oleo balsamico especial, e percentagens elevadas de tannino; o sr. D. Carlos Castel encontrou na casca do eucalypto, em Hespanha, 11,27% de tannino.
Folhagem. - O Eucalyptus globulus é biforme. As folhas da planta nova, ou dos rebentões novos de touça, até aos 2 e 3 annos, são oppostas, sesseis, amplexicaules, ovadas ou ovado-oblongas, e esbranquiçadas em virtude de uma exsudação pulverulenta das substancias oleo-resinosas. Na arvore mais adulta, as folhas são alternas, pecioladas, compridas, falciformes, coriaceas, grossas, verde-acinzentadas; o peciolo d'estas folhas soffre uma semi-torção e dirige-as n'um plano vertical relativamente ao horisonte, o que dá em resultado terem estas arvores um aspecto particular muito caracteristico, e terem coberto muito fraco.
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As folhas do eucalypto são persistentes, e muito cheias de glandulas oleo-resinosas.
Floração e fructificação. - A inflorescencia do Eucalyptus globulus é axillar, e composta de 1 a 3 flores quasi sesseis, hermaphroditas; nasce tambem a descoberto, como os botões foliaceos, e de ordinario o seu desenvolvimento completo, até á fecundação, exige muitos mezes. Estas flores teem de notavel o transformar-se-lhes a corolla n'um operculo caduco na occasião da anthese, e que deixa então a nú os estames e o pistillo.
O fructo é uma capsula achatada, adherente ao tubo do calice, dehiscente no cimo em 4 ou 5 valvulas, quadrangular, verrugosa, esbranquiçado-pulverulenta, tão grande depois de madura como na época da floração (1,5 a 3 cent. de largo). A floração dá-se no principio do inverno (dezembro), e ás vezes tambem na primavera (março, abril); a maturação realisa-se um anno, pelo menos, depois da fecundação.
Todos os eucalyptos, mesmo na sua patria, dão muitas sementes estereis misturadas com as ferteis, mas é facil differençar umas das outras: as sementes ferteis são negras, de fórma irregular, e as estereis acastanhadas e muito mais estreitas. Produz em Portugal sementes ferteis.
Floresce em muito novo, ás vezes aos 4 ou 5 annos; aos 7 ou 10 começa a dar sementes ferteis.
Germinação. - A semente conserva o poder germinativo por alguns annos. A germinação é facil e rapida; dá-se uns quinze dias depois da sementeira.
O eucalypto é arvore muito robusta, ávida de luz, não soffre que o ar e o solo lhe sejam disputados pelas outras arvores, e resiste bem a todos os phenomenos atmosphericos do nosso paiz; mas, em novo, emquanto conserva a folhagem primitiva, e sobretudo no primeiro anno, é bastante melindroso e soffre com os excessos do frio e do calor.
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Productos e usos. - A madeira do eucalypto pode ter immensos empregos na construcção civil e naval, dá boas travessas para caminho de ferro, postes telegraphicos, serve para marceneria, carroçaria, fabrico de trem de lavoura, e para trabalhos maritimos, tendo a grandissima vantagem, com proposito a estes ultimos, de resistir aos ataques do teredo navalis ¹. Dá excellente combustivel e bom carvão. As suas cinzas são muito ricas em potassa.
A casca pode ser usada para curtumes, tendo a incalculavel vantagem de se despir naturalmente, sem ser preciso sacrificar a arvore, como acontece aos carvalhos. As folhas teem acção therapeutica: combatem as febres intermittentes. Os oleos essenciaes do eucalypto são muito antisepticos.
O crescimento rapido d'esta essencia exige quantidades enormes d'agua para se realisar; por isso é optima para arborisação dos terrenos onde haja agua estagnada, porque promove o enxugo e melhora-os muito. Ha quem sustente que as emações balsamicas dos eucalyptos são muito salubres e hygienicas.
¹ O teredo navalis é um mollusco maritimo que ataca as madeiras submergidas; perfura-as em todos os sentidos, especialmente ao correr da fibra, abrindo grandes galerias, e inutilisa-as em muito pouco tempo.
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Os platanos
(Platanus occidentalis, L. e Platanus orientalis, L.)
O platano do occidente (P. occidentalis, L.) é uma arvore de grandes dimensões, natural da America do Norte, e bastante cultivada entre nós, já como arvore de ornamento, já nas proximidades dos rios para a exploração de madeira. O platano do oriente (P. orientalis, L.) encontra-se espontaneo na Turquia, na Grecia e na Italia, e cultiva-se em Portugal nos jardins e como arvore de alinhamento. As duas arvores teem entre si as maiores semelhanças.
Clima. - Os platanos vivem perfeitamente em Portugal. Parecem apropriados sobretudo ás regiões mais baixas, aos valles e ás planicies.
Solo. - Preferem os solos leves, fundos, ricos e frescos. Os maiores platanos do occidente, que temos visto, encontravam-se nas proximidades d'agua. Estas arvores não são proprias para massiços mas podem representar, na bordadura dos rios e ribeiras, um papel analogo ao dos choupos, porém mais lucrativo, porque os seus productos são muito mais valiosos.
Radicação. - As raizes dos platanos são vigorosas; teem ramificações profundas e outras lateraes que bracejam muito, mas sem darem rebentões como as dos choupos branco e tremedor, e são portanto muito menos nocivas aos campos visinhos. Estas essencias rebentam bem de touça.
Porte, crescimento e duração. - O platano do occidente, entre nós, adquire maior porte que o platano do oriente; chega a 30m de altura, e mais, com perto de 4m de circumferencia na base. Uma e outra especie apresentam o tronco liso, cylindrico, nu, e a copa muito larga, ramificada em grossas pernadas, d'onde partem muitos ramos e raminhos, alguns pendentes para o chão; temos visto platanos do occidente com a copa muito ampla, e com as ultimas ramificações quasi chegadas á terra.
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Estas essencias teem crescimento muitissimo rapido, e grande duração. Não são atacadas pelos insectos, nem no tronco nem nas folhas.
Madeira e casca. - A madeira dos platanos é dura, pesada, branco-acastanhada, com as camadas annuaes distinctas; são-lhe muito caracteristicos os raios medullares, bem visiveis, numerosos, grossos, eguaes.
A casca é tambem muito caracteristica: esfolia-se annualmente em placas, ficando sempre lisa, não gretada, e apresentando ao longe o aspecto de manchas irregulares de diversos tons; esta esfoliação é devida á formação de laminas suberosas no parenchyma cortical, que recortam e matam todos os tecidos para o exterior. A casca do platano do oriente é acinzentada, a do platano do occidente é verde-amarellada no sitio onde se destacam as placas; a esfoliação da casca d'esta ultima especie parece mais regular que a da primeira.
Folhagem. - As folhas dos platanos são caducas, muito grandes, palmatilobadas. As folhas do platano do oriente teem 5 ou 3 lobulos, separados por angulos pouco abertos, e cujos recortes attingem ou excedem metade do limbo; as do platano do occidente teem 3 ou 5 lobulos, separados por angulos muito abertos, e sem que os recortes cheguem a metade do limbo. Umas e outras são pecioladas (o peciolo é relativamente maior nas folhas do platano do occidente). A base dos peciolos é dilatada, fistulosa, e envolve os botões, que só apparecem a descoberto depois da queda das folhas.
A folhagem d'estas arvores é muito espessa e assombreia bastante o terreno inferior.
Floração e fructificação. - A floração é monoica; as flores de um e outro sexo dispõem-se em amentilhos globosos, pendentes. As flores apparecem em março, conjuntamente com as folhas. Os platanos florescem desde muito novos, e quasi todos os annos dão grande abundancia de flores e fructos.
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Os fructos são pequenos achenios, rodeados na base de pellos rigidos amarellados, e reunidos em agglomerados globosos, a que o vulgo dá o nome de fructos. Os pellos da base dos achenios no platano do oriente são compridos, maiores que os fructos, e no platano do occidente menores, o que torna os amentilhos globosos muito mais pubescentes externamente na primeira especie do que na segunda. A disseminação realisa-se um pouco depois do outono seguinte á floração, e dá-se a grandes distancias, mas muitas das sementes são estereis.
Germinação. - A germinação passa-se em muito pouco tempo, se a sementeira é feita na primavera. As plantas novas teem crescimento muito rapido desde o principio.
Productos e usos. - A madeira dos platanos pode ter um sem numero de usos, e sobretudo é notavel pela facilidade com que se deixa trabalhar. Dizem os livros francezes que collocada em sitios humidos resiste ao apodrecimento tanto como o carvalho e o ulmeiro. Dá muito boa lenha e optimo carvão.
A acacia bastarda
(Robinia Pseudo-acacia, L.)
A acacia bastarda é originaria da America do Norte. Cultiva-se um pouco entre nós, como planta ornamental, em jardins, alamedas, etc., mas não como arvore florestal. Podia, no emtanto, ter exploração vantajosa debaixo d'este ultimo ponto de vista.
Solo. - Vae bem em todos os solos, mas prefere os que são soltos e frescos.
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Radicação. - Tem raiz mestra pouco desenvolvida e muitas raizes lateraes que produzem muitos rebentões. Rebenta bem de touça.
Porte, crescimento e duração. - Esta arvore, quando isolada, apresenta geralmente uma grande copa, mais ou menos arredondada, e o fuste relativamente pequeno, dividido em pernadas vigorosas. É arvore de boa grandeza, e de crescimento rapido, sobretudo nos primeiros annos; em pouco tempo alcança 10 a 14 metros. Tem grande duração.
Madeira e casca. - O cerne da acacia bastarda é amarellado, lustroso, e o borne delgado, branco; esta madeira tem o parenchyma lenhoso muito apparente, disposto em linhas concentricas mais claras, que rodeiam e unem os vasos. Segundo o sr. Mathieu (l. c.) a madeira d'esta acacia bastarda, desde muito nova, é pesada, elastica, dura, e apresenta duração tamanha como o carvalho, e resistencia vertical 1/3 maior.
A casca da arvore adulta é um rhytidoma, fendido e rugoso.
Folhagem. - As folhas são caducas, imparipinnuladas com 5 a 12 pares de foliolos ovados ou ellipticos, glabros. Na sua base vêem-se duas estipulas, lenhosas, persistentes, muito aguçadas. Na axilla da folha, entre as estipulas espinescentes, existe no eixo uma cavidade, forrada internamente de pellos, e onde se originam 2-5 botões, muito pequenos e nus. Depois da queda da folha esta cavidade abre-se por uma fenda.
A folhagem da acacia bastarda dá pequeno coberto.
Floração e fructificação. - As flores são hermaphroditas, papilionaceas, brancas, cheirosas, dispostas em cachos simples, pendentes. A floração realisa-se depois da folheação, em março e abril.
O fructo é uma vagem comprimida, dehiscente, polysperma. A disseminação tem logar no outono e no inverno.
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A acacia bastarda fructifica em muito nova, e todos os annos em abundancia.
Germinação. - As sementes conservam muito tempo o poder germinativo. Germinam facilmente; as plantas novas teem, desde logo, grande robustez e crescimento rapido.
Productos e usos. - A madeira d'esta arvore toma bom polido e pode ser utilisada em marceneria; é optima para carroçaria, torno, dentes de rodas, cavilhas, peças de machinas, etc. Como madeira de construcção, não dá quasi nunca peças sufficientemente direitas e compridas para isso.
As folhas podem empregar-se como forragem; mas a raiz, e talvez a casca, tem um principio venenoso bastante energico.
Os espinhos difficultam um pouco a sua exploração, mas apropriam-a para guarnecimento de sebes, assim como as suas raizes, estendidas e cheias de rebentões, a tornam propria para revestimento de terrenos pouco solidos.
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AUCTORES PRINCIPALMENTE CONSULTADOS N'ESTE LIVRO IV.
A. MATHIEU. - Flore Forestière. Paris, 1877.
B. LORENTZ et A. PARADE. - Cours élémentaire de culture des bois. Paris, 1883.
E. A. CARRIÈRE. - Traité général des conifères. Paris, 1885.
C. A. DE SOUSA PIMENTEL. - Pinhaes, soutos e montados. 1.ª parte: Pinhaes. Lisboa, 1882.
C. A. DE SOUSA PIMENTEL. - Eucalyptus globulus. Lisboa, 1876.
C. A. DE SOUSA PIMENTEL. - Artigos publicados sob diversos titulos no Jornal Official de Agricultura.
C. A. DE SOUSA PIMENTEL. - Tratamento e exploração dos soutos (publicado no Jornal de Horticultura Pratica, numeros de outubro de 1883 a janeiro de 1884).
DR. JULIO A. HENRIQUES. - Relatorio da expedição scientifica á serra da Estrella (secção de botanica). Lisboa, 1883.
BOLETINS DA SOCIEDADE BROTERIANA - I, II e III (fasciculos 1.º, 2.º, 3.º e 4.º).
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B. BARROS GOMES. - Notice sur les arbres forestières du Portugal. Lisbonne, 1878.
B. BARROS GOMES. - Condições florestaes de Portugal. Lisboa, 1876.
RELATORIO DA ADMINISTRAÇÃO GERAL DAS MATAS, relativo ao anno economico de 1879-1880. Lisboa, 1881.
CH. NAUDIN. - Mémoire sur les eucalyptus (PH. VAN TIEGHEM - Annales des Sciences Naturelles - Botanique - tom. XVI, n.º 6. Paris, 1883).
JOSÉ BONIFACIO DE ANDRADA E SILVA. - Memoria sobre a necessidade e utilidade do plantio de novos bosques em Portugal. Lisboa, 1815.
JOAQUIM PEDRO FRAGOSO DE SEQUEIRA. - Memoria ácerca da cultura e utilidade dos castanheiros na comarca de Portalegre. (Memorias Economicas da Academia Real das Sciencias de Lisboa-tom. II. Lisboa, 1790).