Chapter 27
Os amentilhos masculinos são cylindricos, pendentes, delgados; os femininos são ovoides e teem a apparencia de pequenas pinhas, com as escamas lenhosas e persistentes, que supportam na base dois pequenos achenios.
A disseminação dá-se no principio do inverno ou, ás vezes, na primavera. Estes fructos não se disseminam a tamanha distancia como os do vidoeiro.
Germinação. - As sementes conservam mais tempo o poder germinativo que as do vidoeiro, e teem habitualmente menor percentagem de sementes estereis. A germinação realisa-se em pouco tempo, e as plantas novas não precisam abrigo, salvo se o terreno for secco.
Productos e usos. - O amieiro aos 12 annos já começa a dar lenhas e madeiras miudas; em adulto fornece madeiras que não resistem expostas ás alternativas de seccura e humidade, mas resistem muito bem debaixo de agua, comtanto que fiquem sempre mergulhadas. É muito explorada esta essencia para varedos, paus de vinha, bombas, canos, bicas, obras de torno, de marceneria e de tamancaria.
A lenha é de rasoavel qualidade, boa para fornos de pão e até para os de vidro; o carvão é soffrivel.
A casca é muito tanninosa e pode servir com vantagem para curtumes.
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As especies lenhosas, que nos falta estudar, são arvores menos frequentes que as anteriores, ou de menor porte, ou são arbustos que apparecem nas matas, nas charnecas e nos areiaes do littoral; o seu estudo será feito muito mais resumidamente.
Os zimbros (genero Juniperus) não passam muitas vezes de moitas arbustivas, mas, em alguns casos, adquirem maiores proporções, chegando a serem pequenas arvores. São frequentes no paiz, mas não teem grande importancia florestal.
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Os zimbros teem aspecto muito diverso, conforme as especies consideradas. A sabina das praias (J. phoenicea, L.) tem as folhas escamiformes, verdes, pequenas, imbricadas, cobrindo os ramos todos como as dos cyprestes; as suas galbulas são vermelhas. Encontra-se principalmente nas areias do littoral, na Estremadura, no Algarve, etc. É um grande arbusto; mas no cabo de S. Vicente, e decerto em outros pontos, tem muito menor porte e fica prostrado no solo (J. oophora, Kze.). As outras especies indigenas teem as folhas acerosas, espinescentes, articuladas na base, ternadas. O oxycedro, ou cedro de Hespanha (J. Oxycedrus, L.) é vulgar em quasi todo o paiz; tem a galbula vermelha, ou arruivada, e com dimensões e fórmas diversas, que caracterisam outras tantas variedades (J. umbilicata, Godr., J. macrocarpa, Sibth.); em alguns pontos esta especie é quasi arborea; dá madeiras de pequenas dimensões, mas de optima qualidade. O zimbro vulgar (Juniperus communis, L.) é um arbusto, ou pequena arvore, que se differença da especie anterior pela galbula, que é negro-azulada, coberta de efflorescencia glauca, e pela côr esbranquiçada das folhas na pagina inferior; encontra-se nas provincias do norte; nas grandes altitudes esta especie apresenta uma variedade muito caracteristica: transforma-se n'um arbusto com o tronco e os ramos deitados no chão, muito tufudo, com as folhas pouco espinescentes, mais conchegadas ao eixo (J. nana, W.)
Os zimbros são pouco exigentes na qualidade da terra que pedem, mas, parecem fugir dos solos muito argillosos, preferindo os solos siliciosos ou levemente calcareos. A sabina das praias vae perfeitamente nas areias maritimas, e as outras especies nas encostas pedregosas.
A madeira aromatica dos zimbros é de boa qualidade, mas de ordinario tem pequenas dimensões. É resistente, aturadiça, recebe bom polido e não é atacada pelos insectos; um exemplar (secco ao ar) da collecção do Instituto, da madeira do zimbro vulgar, tem a densidade 0,764. No estrangeiro empregam a madeira dos Juniperus para o revestimento dos lapis. É bom combustivel e dá bom carvão.
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A maior parte d'estas essencias teem grande duração, mas crescem muito devagar. A germinação das suas sementes é tambem muito demorada, chegando ás vezes a demorar dois annos; as plantas novas são bastante delicadas.
As galbulas dos zimbros teem as escamas carnudas e adherentes, semelhando bagas no seu conjuncto com as sementes. Das raizes e ramos do oxycedro extrahe-se por distillação o oleo de cade, empregado em pharmacia; as falsas bagas do zimbro vulgar são utilisadas para aromatisar a genebra.
O teixo (Taxus baccata, L.) encontra-se, em Portugal, cultivado e espontaneo, mas de um e outro modo não é muito frequente. É essencia particularmente de montanha, e nas nossas principaes montanhas do norte, a altitudes elevadas, é onde se encontra; no Gerez sobe a 1:300 metros e na Estrella a 1:500 metros.
As suas folhas perennes são lineares, e apparentam quasi ser disticadas. A semente núa (é uma Gymnosperma, como os zimbros) está envolvida por um arillo carnudo, vermelho, mucilaginoso, comestivel; as folhas e os rebentos d'esta essencia são venenosos.
A madeira do teixo é muito compacta e homogenea; tem côr amarellada primeiro, e depois escura, puxando a cor de canella; conserva muito bom polido. Teria muitos empregos, se não fosse tão rara.
Esta essencia tem crescimento muito demorado, e germinação tão difficil que ás vezes gasta tres e quatro annos. Em nova, é delicada e não se resente de viver sob o coberto das outras arvores. Apezar de ser uma Gymnosperma tem a copa diffusa, botões axillares, e fórma muitos botões adventicios, de modo que rebenta bem de touça.
O zambujo ou zambujeiro (Olea Europaea, L. α. Oleaster, DC.) é uma arvore ou um arbusto, com os ramos quasi sempre espinescentes (sobretudo nas fórmas arbustivas) acinzentados, com as folhas inteiras, perennes e coriaceas, e com as drupas muito mais pequenas que as da oliveira, negras ou, menos vezes, brancas (zambujo branco).
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Encontra-se em grande abundancia nos terrenos calcareos das nossas provincias do centro e do sul, com portes e aspectos muito diversos, ás vezes em moitas densas e emmaranhadas. Esta essencia representa papel muito importante no revestimento arboreo do paiz, mas a sua importancia é mais agricola do que florestal; é a oliveira, a variedade cultural explorada pelo fructo, que reveste as maiores extensões de terreno e fórma os grandes arvoredos.
A madeira do zambujo, como a da oliveira, é muito compacta e homogenea; é amarellada, com veios escuros, sem distincção entre borne e cerne, e quasi sempre com as camadas annuaes confundidas; é de bom trabalho, optima para torno, e recebe muito bom polido; dá lenha magnifica, e carvão de primeira qualidade.
O zambujo tem crescimento demorado; rebenta muito bem de touça e pega d'estaca facilmente. O fructo dá tambem azeite, e bom, mas muito menos abundante que o da oliveira.
O lodão bastardo ou agreira (Celtis australis, L.) é um arbusto, ou uma arvore de segunda grandeza, raras vezes uma grande arvore. Encontra-se espontaneo em muitos pontos do paiz, e cultiva-se, principalmente, como arvore de alinhamento e de ornato. Contenta-se com todos os solos, mas prefere os que são profundos, leves e frescos.
Cresce depressa, e em boas condições é uma arvore de enraizamento vigoroso; a sua altura pode chegar de 15 a 17 metros, e mais. Tem as flores esverdinhadas, apetalas, e a floração simultanea com a folheação, em março; as suas folhas são simples, ovado-lanceoladas, verde-escuras na pagina superior, asperas, caducas; podem servir como forragem. O fructo é uma drupa globosa, muito pouco carnuda, comestivel.
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Esta essencia rebenta bem de touça. A sua madeira é branca, amarellada ou esverdinhada, baça, optima para todas as obras que exigirem madeira forte e elastica: carroçaria, marceneria, cabos de ferramentas, etc. Dá muito boa lenha.
Os bordos (genero Acer) teem tres especies espontaneas entre nós; a mais importante é o platano bastardo (Acer Pseudoplatanus, L.), que chega a ser uma arvore de grandes dimensões. Encontra-se esta essencia no Gerez, segundo o sr. dr. Julio Henriques, até 900 metros, misturada com o roble, com o azereiro, o azevinho e o medronheiro; é cultivada em varios pontos do paiz. Tem flores regulares, esverdinhadas, hermaphroditas ou polygamicas, dispostas em cachos pendentes; a floração é simultanea com a folheação; o fructo é uma dupla samara, com as azas levantadas; as folhas são oppostas, palmatilobadas, com 5 lobulos ovados separados por angulos muito agudos. Esta arvore prefere os solos ferteis; rebenta bem de touça; cresce depressa nos primeiros annos. A sua casca esfolia-se em placas, como a do platano verdadeiro, mas com maior irregularidade; a madeira é branca, e tem densidade média; um exemplar da collecção do Instituto accusou-nos a densidade 0,620; pode ter muitos empregos. Dá boa lenha e bom carvão.
O bordo commum (Acer campestre, L.) é menos frequente que o anterior; encontra-se espontaneo na Arrabida, etc. Distingue-se do platano bastardo pela disposição das azas da dupla samara, oppostas em linha recta, e pelas folhas que teem 3 a 5 lobulos obtusos; esta especie é, de ordinario, um arbusto ou pequena arvore; tem crescimento demorado. O tegumento do tronco é ás vezes um pouco suberoso; a madeira, branca, levemente amarellada ou avermelhada, parece que é mais densa que a anterior.
A zelha (Acer Monspessulanum, L.) differença-se bem das duas outras essencias pelas folhas, que teem 3 lobulos inteiros, separados por angulos quasi rectos; encontra-se espontanea em Traz-os-Montes. Cresce de vagar, mas tem a boa qualidade de viver nos solos mais seccos. A madeira é um pouco mais corada que a anterior, e é reputada mais densa.
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As folhas de todas estas essencias podem aproveitar-se como forragem para o gado.
O azevinho ou pica-folha (Ilex Aquifolium, L.) é frequente na região montanhosa, onde sobe a grandes altitudes; segundo o sr. dr. Julio Henriques, sobe no Gerez a 1:400 metros e na Estrella a 1:800 metros; é um grande arbusto, em alguns pontos com proporções verdadeiramente arboreas. Tem as flores regulares, hermaphroditas, e as folhas persistentes, muito coriaceas, lustrosas na pagina superior, dentado-espinhosas, ou inermes e inteiras nas arvores velhas; na Floresta Negra bebem a infusão d'estas folhas em logar de chá. A madeira é dura, muito densa, pesada, muito propria para dentes de engrenagens, para torno, cabos de ferramentas, etc.; toma bem a côr negra, e serve para imitar o ebano. Os fructos são carnudos e muito drasticos.
Esta essencia rebenta bem de touça; tem crescimento lento e grande duração.
O medronheiro ou ervodo (Arbutus Unedo, L.) é bastante vulgar, sobretudo nas provincias do centro e do norte; em alguns sitios cobre largos tractos de terreno, e n'outros pontos encontra-se no interior das matas, inferiormente ás essencias principaes, ás vezes em grande quantidade; de ordinario, é um arbusto de 5 a 6 metros, mas com frequencia tem muito maior porte e chega a ser uma arvore de 12 a 14 metros; no pinhal de Leiria é abundante, e adquire boas dimensões.
O medronheiro tem as folhas persistentes, lanceoladas, coriaceas, verde-lustrosas na pagina superior; tem as flores regulares, hermaphroditas, com a corolla gomilosa, branca, dispostas em cachos terminaes; os seus fructos são bagas redondas, tuberculosas, vermelhas, comestiveis e alcoolisaveis.
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A madeira é muito densa; um exemplar (secco ao ar) da collecção do Instituto deu-nos a densidade 0,841; é avermelhada, corta-se bem, e pode ter muitos usos. Dá boa lenha e optimo carvão.
O medronheiro tem coberto espesso; cresce de vagar, e, como todas as Ericaceas, contém principios adstringentes.
O carrasqueiro ou carrasco (Quercus coccifera, L., e Quercus pseudo-coccifera, Desf.) é um carvalho de folhas persistentes, facil de reconhecer pelas suas folhas muito coriaceas, rigidas, verdes dos dois lados, onduladas nas margens, dentado-espinhosas, e pelas cupulas dos seus fructos, cujas escamas são mais ou menos espinescentes e recurvadas. É um arbusto de porte muito variavel, mais frequente nas provincias do sul, mas que até se encontra em Traz-os-Montes.
A madeira do carrasqueiro é muito compacta e homogenea, tem os crescimentos annuaes confundidos, e assemelha-se bastante á da azinheira; um exemplar da collecção do Instituto deu-nos a densidade 0,856. É muito empregada para cabos de ferramentas e pequenas obras, porque de ordinario não tem dimensões para mais; dá optima lenha. A casca é muito estimada para curtumes. Antigamente colhia-se n'esta essencia, com cuidado, uma substancia tintorial, denominada graã de carrasco, que hoje perdeu a importancia, com as ultimas descobertas da chimica; a graã é uma pequena verruga negro-violacea (a femea immovel de um insecto do grupo das cochenilhas), que secca e pulverisada dá uma côr vermelha muito viva.
A carvalhiça ou carvalho anão (Quercus humilis, Lam.) é um carvalho de folhas caducas, muito proximo do carvalho portuguez, como elle tambem muito abundante em galhas, que se distingue perfeitamente pelo seu pequeno porte. Cobre grandes tractos de terreno, nas provincias do centro, quasi sociavel. É utilisado, em alguns pontos, como combustivel, e para camas de gados e preparo de estrumes.
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Tanto a carvalhiça como o carrasco são frequentes nas charnecas e nas matas; nas ultimas tornam-se ás vezes nocivos aos povoamentos novos, que abafam e amesquinham pela densidade da sua folhagem e abundancia do raizame.
O samoco ou faya das ilhas (Myrica Faya, Ait.) é um arbusto ou pequena arvore (raras vezes excede 7 metros de altura), que parece ter sido importada dos Açores, mas que se encontra sub-espontanea na Estremadura e no Algarve, em pontos não muito afastados do mar, porém abrigados da maior força do vento. Tem as folhas persistentes, e as flores unisexuaes, dispostas em amentilhos compostos. Rebenta bem de touça. A sua madeira dá boa fenda e serve para o fabrico de aduellas para vasilhame; um exemplar (secco ao ar) da collecção do Instituto tem a densidade 0,740.
N'este mesmo genero Myrica encontra-se espontaneo, n'alguns terrenos paludosos da Estremadura, um pequeno arbusto de folhas caducas e amentilhos simples, muito ramificado, e com as raizes muito desenvolvidas horisontalmente e cheias de rebentões; é a Myrica Gale, L. Não tem importancia.
O folhado (Viburnum Tinus, L.) é um arbusto, ás vezes de grandes dimensões, com as folhas persistentes, inteiras, e as flores brancas, inodoras, dispostas em cymeiras umbelliformes. Encontra-se em Portugal nas provincias do centro e do norte, nos solos leves, que prefere, e ás vezes no interior das matas; é cultivado nos jardins, como arbusto de ornamento. A sua madeira é dura, homogenea, avermelhado-clara, e dá fenda rasoavel.
A murta (Myrtus communis, L.) é um arbusto aromatico, com as folhas persistentes, coriaceas, lanceoladas, inteiras, e as flores grandes, brancas, solitarias. É muito vulgar nas nossas matas e pinhaes do centro e do sul, e tambem se cultiva como planta de ornato. A sua madeira é avermelhada, sem distincção de borne e cerne, dura, pesada, muito homogenea; é muito procurada para torno, marceneria, e para o fabrico de pequenos objectos; tem, de ordinario, pequenas dimensões. Dá muito boa lenha e optimo carvão.
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A murta cresce muito devagar e tem vida bastante longa. A casca e as folhas podem servir para curtumes. Os fructos teem sabor resinoso e adstringente; entre nós a gente do campo come-os ás vezes, e conhece-os com o nome de murtinhos.
O azereiro (Prunus Lusitanica, L.) encontra-se particularmente nas provincias do norte. É um grande arbusto ou uma arvore de segunda grandeza. Tem as folhas inteiras, persistentes, ovado-lanceoladas, verde-negras na pagina superior, pecioladas; tem as flores dispostas em cachos axillares, compridos, levantados, e as drupas pequenas, primeiro vermelhas e depois negras na maturação. A casca nova d'esta essencia é esbranquiçada; no tronco e nos ramos velhos é um rhytidoma escuro, levemente fendido. Nos primeiros annos, a arvore tem os ramos mais ou menos abertos e a fórma pyramidal; mais tarde, a copa torna-se irregular e emmaranhada; nas arvores velhas é frequente os ramos apparecerem pendentes, ás vezes mesmo até ao solo, e enraizados então na extremidade. A madeira d'esta essencia é amarellada, lustrosa, muito pesada, resistente e tenaz. É bastante estimada.
A cerejeira ou cerdeira (Prunus avium, L.) é sub-espontanea, e cultivada sobretudo pelas suas variedades fructiferas. Encontra-se com muita frequencia na Beira e no paiz transmontano, onde adquire grandes dimensões, e onde sobe nas montanhas a altitudes consideraveis; em alguns pontos d'estas provincias representa papel um pouco importante na arborisação. A madeira da cerejeira é estimada, e emprega-se em marceneria e outros usos; tem o alburno branco e o cerne avermelhado-claro; é dura, tenaz, densa, susceptivel de bom polido.
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Esta essencia tem as folhas caducas, molles, ovado-acuminadas, as flores dispostas 2-6 em umbellas lateraes, não folhadas na base, e as drupas globosas ou cordiforme-globosas, de varios tamanhos e de varias cores. Dá fructos desde muito nova; tem crescimento muito rapido e temperamento muito robusto; é pouco exigente nas condições do solo, preferindo os que são frescos. A gomma que exsuda das arvores velhas pode utilisar-se para substituir a gomma arabica em alguns usos.
O abrunheiro ou ameixoeira brava (Prunus spinosa, L., Prunus insititia, L., e Prunus fruticans, Weihe) é um arbusto, com os ramos mais ou menos espinescentes, e portes muito diversos. Quasi não tem aproveitamento no paiz; a sua madeira é muito dura, mas fica sempre com dimensões muito resumidas. Os fructos são adstringentes, e em alguns pontos, n'outros paizes, empregam-os no fabrico de liquidos alcoolicos e de licores; os maiores são os do Prunus insititia, L.
O Prunus spinosa, L., é commum nas sebes e nas matas; conhecemos o Prunus insititia, L., dos arredores de Lisboa, e o Prunus fruticans, Weihe, de Traz-os-Montes.
O azereiro dos damnados (Prunus Padus, L.) é um arbusto ou pequena arvore, que se encontra nas provincias do norte. A sua madeira é semelhante á da cerejeira, mas tem cheiro desagradavel, sobretudo em verde.
Ainda n'este genero existe espontanea em Traz-os-Montes uma especie que, apenas como curiosidade botanica, pode ser citada: é o Prunus Mahaleb, L. Distingue-se da especie anterior, afóra outros caracteres, em ter as flores dispostas em corymbos levantados, emquanto a inflorescencia do Prunus Padus é em cachos pendentes.
O mostageiro (Sorbus Aria, Crtz.), a tramazeira ou cornogodinho (Sorbus Aucuparia, L.) e uma outra especie d'este genero a que não conhecemos nome vulgar, o Sorbus torminalis, Crtz., são pequenas arvores ou arbustos, que se encontram só nas provincias do norte, e quasi sempre a altitudes elevadas.
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Todas estas essencias, a que podemos juntar ainda uma especie cultivada congenere, a sorveira (Sorbus domestica, L.), produzem boa madeira, mas muito pouco importante, pela sua raridade e pequenas dimensões.
Os fructos d'estas essencias são polposos, globosos ou pyriformes, vermelhos ou acastanhados, e, excepto os do mostageiro que são muito acerbos, são comestiveis depois de sorvados, e podem alcoolisar-se.
A não ser a tramazeira, todas estas essencias teem crescimento lento; nenhuma é exigente nas condições do solo; todas rebentam bem de touça, excepto o Sorbus torminalis. As flores são brancas e dispostas em cymeiras corymbiformes; a tramazeira e a sorveira teem as folhas imparipinnuladas, as duas outras especies teem as folhas simples.
A aroeira (Pistacia Lentiscus, L.) é um arbusto, muito raras vezes uma pequena arvore, com cheiro resinoso; tem as folhas paripinnuladas, persistentes, e as flores esverdinhadas, pequenas, dispostas em cachos. É abundante nas nossas provincias do centro e do sul, nas sebes, nos matos e florestas, onde ordinariamente apparece disseminada.
A madeira da aroeira tem o alburno branco e o cerne rosado, brilhante, assetinado, susceptivel de bom polido; pode ser empregada em marceneria e varios usos, mas de ordinario não attinge proporções que tornem vantajoso o seu emprego. Dá muito boa lenha, bem como é optima para queimar a cepa d'este arbusto; o carvão é excellente. Em alguns outros paizes extrahem das sementes da aroeira um oleo para luzes; a resina que esta essencia segrega serve no oriente para mascar, e pode ser utilisada em perfumaria e no fabrico de vernizes.
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A cornalheira ou terebintho (Pistacia Terebinthus, L.) pertence ao mesmo genero que a aroeira; é um arbusto de folhas caducas imparipinnuladas, notavel pelas galhas compridas, ponteagudas, que apresenta, e d'onde lhe vem o nome vulgar. Encontra-se em Traz-os-Montes, á beira dos rios, nos matos, etc.; a madeira é de boa qualidade e dá boa lenha, mas é muito menos frequente que a da especie anterior. Este arbusto exsuda uma terebinthina branca, muito cheirosa, que entre nós não se aproveita, mas que n'outros paizes utilisam. As galhas são tanninosas; o fructo é comestivel, e a amendoa da semente oleosa.
O sumagre (Rhus Coriaria, L.) é um arbusto com as folhas caducas, imparipinnuladas, e as flores pequenas, dispostas em thyrsos terminaes e lateraes. Encontra-se espontaneo em varios pontos do paiz: no Algarve, na Beira montanhosa e em Traz-os-Montes.
Os productos mais uteis do sumagre são os rebentos novos e as folhas, que se empregam, pela sua riqueza em tannino, para curtumes de pelles. Rebenta muito bem de touça, e os rebentos novos é que sobretudo se empregam, por terem maior percentagem de tannino; em algumas localidades de Traz-os-Montes este producto dos sumagraes é tido como muito importante. Fóra do paiz empregam este arbusto sobretudo para o preparo dos marroquins; na casca existe uma substancia corante, amarella ou vermelha, utilisada para dar côr aos pannos e aos coiros.
O sabugueiro (Sambucus nigra, L.) encontra-se com muita frequencia; é um arbusto, com proporções arborescentes em alguns pontos, sobretudo no norte. Tem as folhas caducas, imparipinnuladas, e as flores cheirosas, brancas, dispostas em cymeiras umbelliformes. O principal aproveitamento do sabugueiro, entre nós, é pelos fructos: bagas negras, muito ricas em côr, empregadas para tornar os vinhos mais carregados; uma porção grande da baga do sabugueiro é exportada. Esta essencia é notavel pela medulla muito desenvolvida e muito leve dos ramos novos. Reproduz-se, com grande facilidade, de estaca. Prefere os solos frescos e leves.
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A pereira brava ou (no Alemtejo) pereiro (Pyrus communis, L.) encontra-se espontanea em quasi todas as regiões do paiz. Em alguns pontos, e especialisaremos o Gerez, adquire grande elevação e grossura. As fórmas arbustivas d'esta essencia teem os ramos espinescentes. A cultura tem propagado um grande numero de variações, notaveis pelo tamanho e sabor dos fructos; esta especie tem maior importancia em pomicultura do que em silvicultura. A madeira da pereira é muito homogenea, facil de trabalhar e susceptivel de bom polido; é muito estimada pelos gravadores, esculptores, torneiros, etc.; o seu principal defeito é contorcer-se e rachar com facilidade. Dá bom combustivel.
A maceira brava (Pyrus Malus, L.) é menos frequente que a especie anterior, só apparece espontanea no norte; tem de ordinario menores dimensões. As variações culturaes são tambem muito exploradas como fructeiras. A madeira da maceira é semelhante á anterior, mas ainda mais sujeita a empenar e a abrir.