Chapter 26
Todos os choupos rebentam bem de touça e das raizes. Quando as arvores são cortadas, as raizes que permanecem no solo formam rebentos ainda com maior actividade, e vão propagar, ás vezes a grandes distancias, a arvore abatida. Estas essencias podem prejudicar os campos visinhos com a invasão das suas raizes e rebentos; o prejuizo é maior nas essencias que teem as raizes mais horisontaes, mais compridas e mais cheias de rebentões.
Porte, crescimento e duração. - Todos os choupos teem crescimento muito rapido; aos 40 ou 50 annos podem chegar a 20 metros de altura, e mais. Geralmente o choupo branco adquire maior altura que o choupo negro, e este mais que o choupo tremedor; esta ultima especie tem pequenas dimensões, e, de ordinario, a vida mais curta. Os choupos do Canadá e d'Italia crescem muito alto, mais ainda que o choupo branco, e crescem muito depressa, sobretudo o primeiro, que a este proposito é notavel entre todos os mais.
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O choupo negro apresenta, de ordinario, uma grande copa, aberta para os lados, irregular, muito ramificada, ovoide-conica, mais espessa que a dos seus outros congeneres. O choupo branco tem, quasi sempre, maior tronco, direito, cylindrico, mais limpo de ramos ladrões que a especie anterior, e copa grande, ovoide, muito ramificada. O choupo tremedor tem o tronco cylindrico tambem e elevado, mas é pequeno de copa, tem os ramos delgados e pouco numerosos. O choupo do Canadá apresenta um tronco elevado, cylindrico, regular e a copa larga, aberta, ramificada, ovoide-conica. O choupo d'Italia distingue-se de todos os outros, pelo porte muito caracteristico: o tronco prolonga-se até ao cimo, vestido, quasi desde a base, de ramos delgados, direitos, levantados, constituindo no seu conjunto uma copa estreita, fusiforme, aguçada.
Madeira e casca. - A madeira dos choupos é branda, porosa, tem os elementos anatomicos volumosos e pouco lenhifeitos. Os seus raios medullares são muito delgados, eguaes e numerosos; os vasos são eguaes e grupados em pequenas linhas radiantes.
De todas estas madeiras a mais estimada é a do choupo branco; distingue-se bem porque tem o cerne levemente avermelhado e o borne branco; um exemplar da collecção do Instituto accusou-nos a densidade 0,640. As madeiras do choupo negro e tremedor são brancas, sem distincção de cerne e borne; um exemplar, da collecção do Instituto, da madeira do choupo negro tem a densidade 0,486, e outro do choupo tremedor 0,434. A madeira do choupo tremedor é pouco frequente entre nós. A madeira do choupo d'Italia é a mais leve, mais macia e mais porosa de todas as referidas; é a que tem os vasos maiores. A madeira do choupo do Canadá é inferior á do choupo branco, mas superior á do choupo d'Italia.
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A casca de todas estas arvores, depois de adultas, é um rhytidoma. No choupo negro, no choupo d'Italia e no choupo do Canadá este rhytidoma fórma-se nas arvores bastante novas, e apresenta-se fendido longitudinalmente, com o aspecto do rhytidoma dos carvalhos. Nos choupos branco e tremedor a casca, cinzento-esverdinhada, conserva-se lisa mais tempo, depois fende-se em losangos mais ou menos regulares, e só tarde apparece o rhytidoma rugoso.
Os rebentos e os botões do choupo branco são cotanilhosos, não viscosos; os botões de todos os outros choupos citados são glabros e viscosos; os rebentos dos choupos negro e d'Italia são cylindricos, os do choupo do Canadá angulosos, sulcados.
Folhagem. - As folhas dos choupos são caducas, grandes, alternas, e teem o peciolo comprido, sub-cylindrico (choupo branco) ou comprimido lateralmente (choupos negro, tremedor, d'Italia, e do Canadá), o que as obriga a agitarem-se muito á mais leve aragem, sobretudo as do choupo tremedor, d'onde vem o nome a esta essencia.
As folhas do choupo branco são palmatilobadas, em adultas glabras e verde-escuras na pagina superior, e vestidas de pellos cotanilhosos densos, persistentes, muito brancos, na pagina inferior. As do choupo tremedor são ovado-orbiculares, irregularmente crenado-dentadas, pubescentes em novas, e verdes, não lustrosas em ambas as paginas, depois de adultas. As das outras tres essencias são triangular-ovadas, ou triangular-ellipticas, glabras nas duas paginas, e regularmente dentadas; as do choupo de Italia são tão largas, ou mais largas, do que compridas; as do choupo negro são mais compridas que largas, e longamente acuminadas; as do choupo do Canadá são grandes, curtamente acuminadas, e celheadas em novas.
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A folhagem d'estas arvores é pouco espessa e muito mobil; assombrea pouco o terreno inferior. Contribue bastante para o pequeno coberto dos choupos o facto de se desarticular e cair um grande numero de raminhos de dois e tres annos, pela época da queda das folhas, ou pouco tempo antes; facto este que parece ser devido a phenomenos de organisação especiaes a estas arvores.
Floração e fructificação. - A floração dos choupos é dioica; as flores dos dois sexos dispõem-se em amentilhos, uns e outros cylindricos, pendentes, não folhados na base, lateraes, implantados no raminho do anno anterior. A floração realisa-se em fevereiro e março, antes da folheação.
O fructo é uma capsula polysperma; as sementes são muito pequenas e teem na base pellos sedosos, compridos, que lhes permitte voarem a grande distancia, levadas pelo vento. A disseminação tem logar cedo: de março a maio, conforme as localidades.
Os choupos dão grande quantidade de semente, mas muita é esteril. Florescem muito novos, aos 15 e 20 annos, e ás vezes antes; fructificam todos os annos em abundancia.
Germinação. - A semente dos choupos perde muito depressa o poder germinativo; apenas em alguns dias. A germinação tem logar oito a dez dias depois da sementeira natural. A sementeira artificial d'estas arvores rarissimas vezes se pratica; o processo mais seguido é a estaca. Pegam de estaca muito facilmente.
As plantas novas teem crescimento rapido e são muito robustas. Não toleram a sombra das arvores superiores. Pedem estas arvores a acção tão directa da luz que precisam viver isoladas, ou em alinhamento, e são por isso improprias para massiço.
Productos e usos. - Já dissemos que a madeira do choupo branco é preferivel á dos outros choupos; dá bom taboame, mas que deve ser empregado bem secco, e ficar ao abrigo da humidade. A madeira do choupo negro é mais ordinaria, e peiores ainda as do choupo tremedor e do choupo de Italia.
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As taboas de choupo são muito empregadas em Portugal, sobretudo nos pontos onde escasseiam os pinheiros; usam-as bastante para caixilhos de janellas, para caixas, para o interior dos moveis, para pequenas obras, etc.
A lenha d'estas arvores não é muito estimada: arde depressa e dá pouco calor; o carvão é muito leve, e pode servir para o fabrico da polvora.
As cascas são um pouco tanninosas. As folhas, em verde ou em secco, podem utilisar-se como forragens para os gados. A substancia resinosa, que fórma inducto sobre os botões e rebentos de muitas especies, é aproveitada para o fabrico do unguento conhecido em pharmacia com o nome de populeão.
Os salgueiros e vimeiros
(Especies do genero Salix)
Os salgueiros propriamente ditos e os vimeiros distinguem-se pelo comprimento e largura das folhas, bem como pela fórma dos rebentos. Os vimeiros teem as folhas estreitas e compridas (tres a dez vezes mais compridas do que largas), e os rebentos delgados, muito compridos e flexiveis. Os salgueiros propriamente ditos teem as folhas largas e curtas (o maximo tres a quatro vezes mais compridas do que largas), e os ramos nodosos, curtos, nem flexiveis nem muito delgados.
As especies de uma e outra d'estas secções encontram-se abundantemente em todo o paiz, e quasi sempre nas terras humidas, á beira dos rios e outros cursos de agua.
Entre os vimeiros são especialmente cultivados o vimeiro ordinario (Salix vitellina, L.) e o vimeiro do norte, ou salgueiro francez (Salix viminalis, L.). O salgueiro chorão (Salix babylonica, L.) é sobretudo arvore de ornamento. Outras especies d'esta secção se encontram espontaneas, sendo as conhecidas hoje o Salix amygdalina, L.; o Salix purpurea, L.; o Salix alba, L., ou salgueiro branco, e o Salix fragilis, L., ou salgueiro fragil.
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No grupo dos salgueiros propriamente ditos são duas as especies mais frequentes e mais importantes: o salgueiro preto (Salix atro-cinerea, Brot.) e o salgueiro com folhas de salva (Salix salvifolia, Brot.); citam-se ainda como existentes no paiz o Salix cinerea, L., e o Salix Caprea, L.
Clima. - O genero Salix existe representado em toda a Europa; nos pontos de temperatura mais elevada, os salgueiros são arbustos ou arvores, ás vezes de grandes dimensões; nas latitudes mais septentrionaes, e nas regiões alpinas das montanhas, são muito pequenos sub-arbustos, com o systema radicular desenvolvido e os ramos muito curtos, quasi herbaceos, pouco levantados acima do terreno.
Entre nós os salgueiros e os vimeiros encontram-se em quasi todos os climas locaes, em todas as situações e exposições. São sempre arbustos levantados, de porte rasoavel, ou, ás vezes, arvores bastante elevadas.
Solo. - As especies indigenas do genero Salix pedem terrenos leves, frescos ou humidos. O salgueiro branco pode todavia viver nos solos seccos, e o salgueiro fragil vae mais longe, chega a desenvolver-se nos terrenos compactos; dizem os auctores estrangeiros que o Salix Caprea, L., menos exigente ainda, se contenta com toda a qualidade de terras, quer sejam seccas ou humidas, leves ou compactas; não conhecemos esta arvore, que, se existe no paiz, não parece ser abundante. É certo que os salgueiros e vimeiros indigenas prosperam sobretudo nos terrenos mais humidos, que preferem, e onde são muito mais frequentes.
Radicação. - A radicação dos salgueiros alarga-se mais na horisontal que na vertical; compõe-se de muitas raizes, muito ramificadas, e terminadas em cabellame abundante. Esta fórma de radicação apropria-os muito a susterem as terras das margens dos cursos de agua, segurando-as e envolvendo-as com a rede apertada das ramificações subterraneas. São muito empregados, em sebes vivas, nas margens dos rios.
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Todos os salgueiros teem um grande numero de olhos dormentes e rebentam de touça com muito vigor; os rebentos são fortes e numerosos.
Porte, crescimento e duração. - Os salgueiros teem crescimento muito rapido logo desde novos, mas, de ordinario, teem pequena duração.
O seu porte é variavel conforme as essencias consideradas; umas são arbustivas sempre, vestidas de ramos desde a base, e teem pequena altura, como o Salix amygdalina, Salix purpurea, etc.; outras apresentam-se ora arbustivas, ora arboreas, com o tronco despido, como o salgueiro preto, o salgueiro fragil, o salgueiro branco, etc. O salgueiro preto é uma das essencias mais communs, e de maiores dimensões; aos 40 annos, ás vezes, é uma arvore real. A copa dos salgueiros arboreos é, quasi sempre, pouco folhosa, porque muitos dos botões lateraes são floriferos, e cada eixo ramifica-se pouco. O salgueiro chorão tem um porte muito conhecido e muito caracteristico, com os ramos pendentes. O vimeiro ordinario e o vimeiro do norte encontram-se quasi sempre deformados pela cultura, podados de modo a produzirem muitos rebentos vigorosos e compridos.
Como dissemos, as dimensões e a flexibilidade dos rebentos variam muito nas diversas especies d'este genero; em algumas são muito frageis na base de inserção, sobretudo na primavera, e desprendem-se com grande facilidade; acontece isto em alto grau no salgueiro fragil, d'onde lhe vem o nome.
Madeira e casca. - A madeira dos salgueiros é branca (salgueiro fragil, vimeiro do norte, etc.), ou avermelhada (salgueiro preto, salgueiro branco, etc.); tem as camadas annuaes distinctas, as fibras grossas, pouco lenhifeitas, os raios medullares eguaes, numerosos, delgados, pouco visiveis, e os vasos abundantes, eguaes, isolados ou dispostos em pequenos grupos. A madeira dos salgueiros é quasi sempre macia, leve, porosa. Devemos todavia advertir que a madeira do salgueiro preto, uma das que adquire entre nós maiores dimensões, tem densidade elevada; um exemplar (secco ao ar) da collecção do Instituto tem a densidade 0,513. Esta madeira passa por ser pouco inferior á do choupo branco e superior á dos choupos negro e tremedor; effectivamente a densidade, que lhe encontramos, está em harmonia com essa asserção.
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A casca dos salgueiros adultos é um rhytidoma, muito variavel na espessura, na côr e na fragmentação, segundo as especies; em umas, a lamina suberosa isoladora fórma-se muito profunda e o rhytidoma é muito rugoso e semelhante ao dos carvalhos (salgueiro preto, salgueiro branco, salgueiro fragil, etc.); n'outras, é mais exterior (Salix amygdalina), ou permanece sempre superficial, e a casca fica delgada e lisa até edade muito avançada (Salix Caprea, Salix cinerea).
A casca dos rebentos novos tinge-se, ás vezes, de côres vivas, amarella, vermelha, etc., como é tão saliente no vimeiro ordinario.
Folhagem. - As folhas dos salgueiros são simples, caducas, alternas, inteiras ou dentadas, e teem peciolos curtos. São ordinariamente lanceoladas ou ellipticas, com dimensões absolutas e relativas muito diversas, como já dissemos. A sua côr e o tomento que as reveste variam tambem muito: são verdes ou acinzentadas, glabras ou pubescentes, umas avelludadas, outras assetinadas com pellos brilhantes, etc. As dimensões, a côr e o tomento são caracteristicos especificos, mas os salgueiros são especies muito polymorphas.
A folhagem d'estas arvores é pouco espessa, produz coberto fraco.
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Floração e fructificação. - A floração dos salgueiros é dioica; as flores masculinas, bem como as femininas, dispõem-se em amentilhos levantados, cylindricos ou ovoides, lateraes, implantados nos raminhos do anno anterior. A floração realisa-se antes da folheação, ou simultaneamente com ella; no primeiro caso os amentilhos são sesseis e nús na base, no segundo caso pedunculados e folhosos.
O fructo é uma capsula polysperma; as sementes são muito pequenas, e, como as dos choupos, teem appendices pelludos que lhes permittem larga disseminação.
A floração tem logar no fim do inverno, em fevereiro e março, e a disseminação em abril e maio.
Os salgueiros entram muito novos em floração; algumas especies logo aos dois ou tres annos. Produzem muitas sementes todos os annos, mas uma grande percentagem é de má qualidade, incapaz de germinação.
Germinação. - A semente dos salgueiros, caida em solo humido, germina com muita rapidez; ás vezes em menos de 24 horas. As plantas novas teem crescimento rapido, e são muito robustas desde logo.
Estas essencias propagam-se muito facilmente por estaca, que é o processo mais commum de as reproduzir artificialmente.
Productos e usos. - A madeira dos salgueiros é utilisada para tutores de vinha, esteios, arcos e diversas pequenas obras. Já dissemos que a madeira do salgueiro preto adquire ás vezes boas proporções, e a sua qualidade não é inferior á de muitos choupos. Na Beira tem grande desenvolvimento o fabrico dos palitos, cuja materia prima é a madeira dos salgueiros, sobretudo do salgueiro branco, que se corta nitidamente em todos os sentidos; esta industria é bastante importante para algumas localidades. Utilisam-se muito estas essencias para canastraria e para arcos de pipa, em virtude da sua flexibilidade; o salgueiro preto é muito usado para isso. Os rebentos flexiveis dos vimeiros são muito empregados em todo o paiz no fabrico de cestos; o vimeiro ordinario e o vimeiro francez cultivam-se bastante com esse fim.
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A lenha dos salgueiros arde muito depressa, com chamma alta; é boa para aquecer fornos. O carvão é muito leve e pode servir para o fabrico de polvora. As cascas são tanninosas, e no norte da Europa utilisam-as no curtimento das pelles. As folhas podem servir como forragem.
A exploração dos salgueiros, afóra os productos directos referidos, é de grande vantagem nas proximidades dos cursos de agua, pela consolidação que dão ás margens, difficultando o esboroamento e concorrendo muito efficazmente para a boa conservação das terras.
O vidoeiro
(Betula pubescens, Ehrh., e Betula verrucosa, Ehrh.: Betula alba, L. e Brot.)
O vidoeiro só se encontra espontaneo, entre nós, na região do norte, nas grandes altitudes: no Alto Minho, no Gerez, no Marão, na Estrella, etc.; o seu limite sul é a serra da Estrella, onde sobe a 1:600 metros. Tem importancia florestal muito reduzida. O facto de resistir tanto nos climas frios e subir tão alto sobre o mar pode todavia reservar-lhe um certo papel na arborisação das nossas montanhas.
Clima. - O vidoeiro é a arvore das regiões septentrionaes; a Betula verrucosa, Ehrh., não sobe a tamanhas latitudes e não passa de 65 graus, mas a Betula pubescens, Ehrh., chega a 71 graus; em contraposição a primeira abunda na Europa média e tem limite sul mais avançado que a segunda. Estas arvores constituem massiços muito importantes nas regiões europeas norte e média, mas á medida que avançam para o sul só apparecem disseminadas em pequenos grupos e procuram corrigir com as differenças da altitude as condições menos propicias da latitude.
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É muito notavel a existencia da Betula pubescens em Portugal. As irregularidades do habitat d'estes dois vidoeiros, junto ás fórmas de transição, mais ou menos accentuadas, dos caracteres botanicos de uma e outra, provam a favor da conservação da antiga especie linneana, a Betula alba, reunindo as duas fórmas ¹.
Solo. - O vidoeiro contenta-se com todos os terrenos, comtanto que não sejam muito compactos nem muito seccos. Vae bem, mesmo nos solos humidos e pantanosos, sobretudo a Betula pubescens.
Radicação. - O enraizamento d'estas arvores é pouco fundo. Rebentam bem de touça, e especialmente rebentam, quando são cortadas, muito bem das raizes.
Porte, crescimento e duração. - O vidoeiro é uma arvore mediocre, com o tronco relativamente delgado e prolongado quasi sempre até ao cimo, despido até grande altura, e com a copa estreita, ovoide-aguçada. Tem crescimento rapido, e, de ordinario, duração não muito longa.
Madeira e casca. - A madeira do vidoeiro é branca, uniforme, sem distincção de cerne e alburno, com as camadas annuaes pouco visiveis; tem os raios medullares delgados, eguaes, numerosos, mal apparentes, e os vasos eguaes, solitarios ou em pequenos grupos, reunidos em desenhos reticulados. Esta madeira tem dureza e densidade média.
A casca d'esta essencia é muito caracteristica; é um tegumento delgado, branco, muito pouco rugoso, que se esfolia circularmente em pequenas laminas papyraceas; o liber e o parenchyma cortical permanecem vivos sob este tegumento, que é devido a formações suberosas superficiaes.
¹ Veja-se o que a este proposito dizemos no Esboço de uma flora lenhosa.
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Folhagem. - As folhas do vidoeiro são caducas, simples, pecioladas; as da B. verrucosa são ovado-rhomboedaes, triangulares na base, glabras em adultas, levemente pubescentes em novas, duplamente dentadas; as da B. pubescens são mais ou menos arredondadas na base, muito pubescentes em novas, e em adultas pubescentes ou sub-glabras, dentadas.
A B. verrucosa tem os raminhos providos de glandulas verrugosas que, principalmente na primavera, segregam um inducto resinoso abundante; estas glandulas tambem se encontram na pagina inferior das folhas; faltam na B. pubescens.
Os vidoeiros dão pequeno coberto.
Floração e fructificação. - Afloração é monoica; as flores femininas e as masculinas dispõem-se em amentilhos; os amentilhos masculinos são pendentes, cylindricos, os amentilhos femininos levantados, e teem o aspecto de pequenas pinhas, cujas escamas trilobadas, membranosas e caducas, supportam na axilla tres verdadeiros fructos. A floração é simultanea com a folheação.
Os fructos são pequenas samaras com duas azas lateraes, transparentes; na B. verrucosa estas azas levantam-se muito acima da base dos estyletes persistentes; na B. pubescens não se elevam além da base dos estyletes. A disseminação realisa-se em agosto, setembro, e os fructos, alados e muito pequenos, voam com o vento a grandes distancias.
O vidoeiro entra em floração bastante novo, e fructifica regular e abundantemente todos os annos.
Germinação. - As sementes do vidoeiro teem sempre misturadas muitas estereis; conservam pouco tempo a faculdade germinativa. Nascem rapidamente, quando postas em condições convenientes, e as plantas novas são desde logo vigorosas.
Productos e usos. - A madeira d'esta essencia é pouco empregada entre nós pela sua raridade; pode ter um grande numero de empregos. Passa por ser boa lenha e dar carvão estimado.
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Na Russia utilisam muito a casca do vidoeiro, dando-lhe diversos usos; exploram-a periodicamente como nós fazemos á cortiça do sobreiro. É bastante tanninosa, e contém um oleo essencial que dá aos coiros da Russia o cheiro caracteristico. É quasi inalteravel e impermeavel, em virtude da grande percentagem de um principio resinoso de que está impregnada.
Em algumas regiões septentrionaes extraem a seiva do vidoeiro, que tem bastante assucar, para o fabrico de bebidas espirituosas.
O amieiro
(Alnus glutinosa, Gärtn.)
O amieiro existe nas nossas provincias do norte e do centro, no Minho, em Traz-os-Montes e na Beira, nas margens dos cursos de agua e nos terrenos paludosos, onde é frequente.
Clima. - O amieiro não parece ser exigente nas condições do clima, porque habita na Europa desde a Suecia até á Grecia, á Italia e á peninsula Hispanica, passando mesmo ao littoral septentrional d'Africa. Encontra-se em Portugal em altitudes e exposições muito variadas.
Solo. - Vive em todos os solos, excepto nos muito compactos; prefere as terras frescas e soltas, ou mesmo humidas, mas não constantemente alagadas; vae optimamente nas margens dos cursos de agua, onde adquire grandes proporções. Nos terrenos pantanosos esta essencia é preciosa; não porque ahi prospere melhor do que nos outros solos, antes pelo contrario é prejudicada, mas porque aproveita solos que as outras arvores não poderiam aproveitar, e concorre muito para os melhorar, e para lhes neutralisar as condições tão pouco salubres.
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Radicação. - Esta arvore tem systema radicular desenvolvido; as raizes estendem-se horisontalmente, tanto mais numerosas e compridas quanto maior a humidade do solo. Rebenta bem de touça, mas não dá rebentões de raiz.
Porte, crescimento e duração. - O amieiro é uma arvore de rasoaveis dimensões, e de crescimento rapido, principalmente nos primeiros annos; aos 40 ou 50 annos pode chegar, entre nós, a 20 ou 25 metros de altura, por 0m,6 de diametro no pé. Tem a copa grande, irregular.
Esta essencia, de ordinario, não tem grande duração.
Madeira e casca. - A madeira do amieiro não tem destincção entre cerne e borne; é primeiro branca e depois avermelhada. Tem o canal medullar triangular, os vasos eguaes, delgados, isolados ou reunidos em pequenos grupos, e os raios medullares apparentemente deseguaes: uns muito estreitos e outros largos, provenientes, estes ultimos, da reunião de verdadeiros raios estreitos, como os primeiros, tendo intercalado tecido fibroso homogeneo, sem vasos. As camadas annuaes são apparentes. Esta madeira tem dureza e densidade média. Um exemplar (secco ao ar) da collecção do Instituto tem a densidade 0,455.
A casca dos rebentos é lisa e esverdinhada; tem grandes lenticulas e bastantes glandulas resiniferas. Succede-lhe, nos ramos mais velhos, um involucro suberoso, tambem liso e esverdinhado, e nas pernadas e no tronco um rhytidoma escuro, fendido em placas largas.
Folhagem. - As folhas do amieiro são caducas, grandes, arredondadas, obtusas, pecioladas. Esta essencia é das que tem menor coberto.
Floração e fructificação. - A floração é monoica; as flores de ambos os sexos estão dispostas em amentilhos; de ordinario reunem-se uns e outros na mesma inflorescencia em grandes paniculas, ficando no cimo os amentilhos masculinos. A floração realisa-se em fevereiro ou março, antes da folheação.
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