Chapter 13
Nos massiços florestaes reunem-se muito propiciamente as condições todas necessarias para a germinação, e para o primeiro desenvolvimento das arvores novas. As folhas mortas, os ramos seccos, as cascas velhas, os pericarpos em decomposição, etc., formam sobre o terreno uma camada hygroscopica, fôfa, porosa, muito propria para reter a humidade e facilitar o accesso do ar, tornando a germinação muito menos contingente. Por outro lado, a folhagem viva das arvores, o seu coberto, protege o terreno inferior dos raios do sol, e do vento, não o deixa seccar, e torna muito menos precario o primeiro periodo da vida das arvores, cujos tecidos muito tenros, muito cheios de liquidos, podem facilmente murchar sob a acção directa do sol e do vento. Nota-se mesmo uma estreita harmonia entre as exigencias das arvores novas e a espessura da folhagem protectora; as essencias mais delicadas nos primeiros annos, de temperamento mais fraco, apresentam em adultas maior coberto. Todavia esta acção benefica torna-se, passados certos limites, malfazeja; o coberto das arvores superiores, se facilita a germinação e a vida das arvores novas, nos primeiros tempos, amesquinha-as ao depois, roubando-lhes a luz e a electricidade, como diremos. Amesquinha-as com tanta maior força quanto mais robusto for o temperamento d'essa especie vegetal, chegando até a matal-as.
Externamente os phenomenos da germinação patenteam-se pela seguinte forma: a amendoa, entumecida pela agua que absorveu, distende e rasga o tegumento da semente, ou o tegumento e o pericarpo se este ultimo ainda persiste; a abertura dá-se no ponto correspondente á extremidade da radicula, e é este orgão que primeiro se alonga para o exterior (fig. 114). Os phenomenos subsequentes variam nas diversas especies, mas podem reduzir-se a dois typos principaes: umas vezes o cauliculo, pelo seu crescimento intercalar, obriga as cotyledones a sairem da semente, depois de se apropriarem da reserva nutritiva do albumen ou endosperma, se estas formações existem, levanta as cotyledones acima da terra, e transforma-as nas primeiras folhas verdes e vegetativas da nova planta; estas especies diz-se que teem as cotyledones epigeas; taes são a amendoeira, vidoeiro, amieiro, platano bastardo (fig. 112), teixo, pinheiros (fig. 113), etc. N'outros casos as cotyledones não saem da semente, ficam sempre na terra, e dizem-se por isso hypogeas; depois do desenvolvimento da radicula são os peciolos cotyledonares que se alongam, empurrando para o exterior a gemmula situada entre elles; esta gemmula é que se levanta na vertical, e as cotyledones vão-se esgotando pouco a pouco, no interior da semente, até morrerem (carvalhos, castanheiro, nogueira, castanheiro da India, etc.) (fig. 114). Pertencem ao primeiro typo as especies cujas cotyledones são delgadas e pequenas; ao segundo as que as teem carnudas e volumosas.
C. S. 12
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Fig. 111. Primeiro periodo da germinação do sobreiro (Quercus suber, L.): alonga-se a radicula (1:1).
Fig. 112. Primeiras phases do desenvolvimento do platano bastardo (Acer Pseudoplatanus, L.). A, B, C, estados successivos da planta nova. a: folhas cotyledonares. b: folhas ordinarias (1:1).
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Fig. 113. Germinação do pinheiro (Quercus suber, L.): as folhas cotyledonares saem da terra (1:1).
Fig. 114. Germinação do sobreiro manso (Pinus Pinea, L.): as cotyledones ficam dentro do tegumento, só a gemmula (a) se alonga na vertical (1:1).
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8.º - GALHAS
Em muitas das especies lenhosas indigenas encontram-se, adherentes a orgãos muito variados (raminhos, folhas, cupulas, etc.), certas excrescencias de differentes tamanhos, de differentes côres, e de differentes consistencias, que se denominam galhas.
As galhas são produzidas pelo desenvolvimento anomalo dos tecidos vegetaes em certos pontos, excitado esse desenvolvimento pela picada de um insecto.
A fórma e a composição das galhas variam, não só de especie a especie, mas na mesma especie segundo o insecto que as provoca. São muito frequentes nos carvalhos, sobretudo nos de folhas caducas, e entre estes principalmente no carvalho portuguez e na carvalhiça. As figs. 115 e 116 representam duas fórmas das galhas, ou bugalhos, da carvalhiça: a fórma globosa, e a fórma dita coroada, ou de coroa.
Estas galhas dos carvalhos são produzidas por insectos hemipteros do genero Diplolepis Geoff. (Cynips L.); a femea fere as cellulas verdes corticaes e deposita, na ferida, um ovo; dá-se a excitação local no orgão da planta, a galha organisa-se em camadas concentricas, e fica protegendo o ovo, collocado no seu centro; d'este ovo nasce uma pequena larva, que no interior da galha encontra abrigo e alimento; transforma-se ahi em nympha, e depois em insecto perfeito, saindo então para o exterior pelo furo que pratica, como se vê na fig. 116. O insecto perfeito, depois da copula, depõe os ovos, que se desenvolverão no anno seguinte, nos rebentos da arvore, ou do arbusto. A galha vae seccando, emseguida, e por ultimo, passado tempo, cae.
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Fig. 115. Gálha da carvalhiça (Quercus humilis, Lam.) (fórma coroada) (2:3).
Fig. 116. Galha da carvalhiça. (Quercus humilis, Lam.) (fórma globosa) (1:1).
Muitas d'estas galhas são extraordinariamente ricas em tannino, e teem exploração industrial; ás vezes não é tanto o tannino propriamente, que domina, como o acido galhico, resultante, decerto, da sua transformação.
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Nem todas as galhas apresentam fórmas tão regulares como as dos carvalhos; as que se desenvolvem no limbo das folhas do ulmeiro são entumecidas, enrugadas, vesiculosas (fig. 117); é um insecto do genero Schizoneura que as produz. Sobre alguns ulmeiros encontram-se tantas d'estas galhas, e no interior de cada uma vivem tantos insectos, que isto originou o nome vulgar de mosqueiro, com que, em alguns sitios, conhecem esta arvore.
Fig. 117. Galha do ulmeiro (Ulmus campestris, L.) (2:3).
O terebintho, expontaneo em Traz-os-Montes, tambem apresenta muitas galhas; são tanninosas e podem aproveitar-se na industria, emquanto as do ulmeiro não teem nenhum prestimo. As do terebintho são muito compridas e delgadas, ponteagudas e contorcidas, o que valeu a esse arbusto o nome de cornalheira com que é conhecido n'aquella provincia.
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Folhosas e resinosas. - Em lingoagem florestal as arvores silvestres dividem-se em dois agrupamentos - folhosas e resinosas. A conservação d'estas denominações é util na pratica, embora ellas não sejam muito rigorosas. Botanicamente as resinosas comprehendem as Gymnospermas mais importantes - as Coniferas - e as folhosas são as Angiospermas. Dissemos que estas denominações não teem grande rigor, porque nem todas as Coniferas (nem mesmo as indigenas) teem succos resinosos, e em contraposição algumas Angiospermas existem muito resinosas, como são as especies da familia das Terebinthaceas.
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As distincções botanicas principaes entre aquelles dois agrupamentos são as seguintes:
As folhosas teem os ovulos fechados n'um ovario, e teem, por isso mesmo, as sementes incluidas em verdadeiros pericarpos. As suas flores podem ser unisexuaes ou hermaphroditas, nuas, ou revestidas com um, ou dois involucros floraes. Teem embryão dicotyledoneo. As suas folhas, geralmente, apresentam o limbo desenvolvido e as nervuras ramificadas; são caducas ou persistentes. A ramificação d'estas arvores é, quasi sempre, irregular. Teem como elementos anatomicos necessarios do lenho as fibras, os vasos e os raios medullares.
As resinosas teem os ovulos nus, não fechados n'um ovario, e, por isso mesmo, não teem verdadeiros pericarpos. As suas flores são unisexuaes, sem perigoneo, e dispostas, de ordinario, em amentilhos. Teem embryão di-polycotyledoneo. As suas folhas são acerosas, uni-trinervadas, ou escamiformes; são persistentes nas especies indigenas. A ramificação é verticillada (pinheiros) ou diffusa (teixo, zimbros). Teem como elementos anatomicos necessarios do lenho os raios medullares e as fibras aureoladas. Apresentam, quasi sempre, secreções resinosas.
A estas differenças accresce ainda o modo por que a fecundação se realisa, como dissemos.
Florestalmente os dois agrupamentos não apresentam entre si menores differenças. A difficuldade, ou impossibilidade, que as resinosas manifestam em formar botões adventicios, ou olhos dormentes, impede-as, quasi todas, de rebentar de touça, e por isso apropria-as só ás explorações em alto fuste, emquanto as folhosas podem ser aproveitadas em alto fuste e em talhadio. A fraca evaporação das folhas das resinosas, comparativamente ás folhosas, torna as primeiras muito uteis no revestimento dos terrenos seccos, assim como a sua pouca exigencia, relativa, em principios mineraes, as torna muito vantajosas na arborisação dos solos pobres.
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Productos florestaes. - O seguinte quadro resume os principaes productos das nossas florestas:
Productos lenhosos . . .
Madeiras de construcção . . .
De construcção civil.
De construcção naval.
Para travessas de caminhos de ferro.
Para postes telegraphicos.
Para escoras de minas.
Madeiras propriamente de trabalho (industriaes) . . .
Para serra.
Para torno.
Para fenda.
Madeiras para queimar . . .
Lenhas grossas.
Lenhas miudas.
Madeiras para carvoejar.
Productos corticaes . . .
Cortiça.
Caseas tanninosas.
Fructos.
Productos resinosos e outros.
As madeiras do primeiro grupo caracterisam-se pelas suas mesmas denominações. As do segundo grupo são as madeiras empregadas na marcenaria, carroçaria, entalharia, tamancaria, etc.; merecem particular menção as madeiras para torno e para fenda, notaveis, as primeiras pela sua rijeza e homogeneidade, e as segundas pelo parallelismo e regular disposição das fibras (madeiras para aduellas, remos, etc.).
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As lenhas grossas comprehendem os tóros e achas; as lenhas miudas comprehendem as faxinas (ramadas presas em molho), e os cavacos (pequenos ramos, astilhas do falquejamento, etc.).
Os fructos mais importantes das nossas essencias florestaes são a castanha, a bolota, a lande, a alfarroba, e o pinhão (semente do pinheiro manso).
No ultimo grupo só tem verdadeira importancia os productos resinosos - resina, essencia de terebinthina, alcatrão e breu.
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AUCTORES PRINCIPALMENTE CONSULTADOS N'ESTE LIVRO I.
PH. VAN TIEGHEM. - Traité de Botanique. Paris, 1884.
PH. VAN TIEGHEM. - Annales des Sciences Naturelles - Botanique, Paris. (7e serie, 1885).
Dr. H. SCHACHT. - Les arbres, études sur leur structure et leur végétation (traduit d'après la 2e édition allemande par E. Morren). Bruxelles, 1862.
J. SACHS. - Traité de Botanique (traduit de l'allemand sur la 3e édition et annoté par Ph. Van Tieghem). Paris, 1874.
A. MATHIEU. - Flore Forestière (3e édition). Paris, 1877.
P. DUCHARTRE. - Éléments de Botanique (3e édition). Paris, 1885.
L. GRANDEAU. - Annales de la Science Agronomique Française et Étrangère. Paris, 1884-1885.
L. GRANDEAU. - Annales de la Station Agronomique de l'Est. Paris, 1878.
A. E. DUPONT et BOUQUET DE LA GRYE. - Les bois indigènes et étrangers. Paris, 1875.
VITTORIO PERONA. - Trattato di selvicoltura. Roma, 1880.
D. EUGENIO PLÁ Y RAVE. - Tratado de maderas de constrution civil y naval. Madrid, 1880.
CASIMIR DE CANDOLLE. - Anatomie comparée des feuilles chez quelques familles de Dicotylédones. Genève, 1879.
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CARLOS. A. DE SOUSA PIMENTEL. - Algumas observações sobre a formação do cerne na floresta nacional de Leiria. Alcobaça, 1884.
FREMY. - Encyclopédie chimique. Paris, 1885.
WURTZ. - Dictionnaire de chimie pure et appliquée. Paris.
M. WILLKOMM & J. LANGE. - Prodromus florae hispanicae. Stuttgartiae, 1870-1880.
F. A. BROTERO. - Flora Lusitanica. Olisipone, 1804.
F. A. BROTERO. - Compendio de Botanica. Paris, 1788.
DR. JULIO A. HENRIQUES. - Terminologia botanica. Coimbra, 1885.
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LIVRO II
Climatologia Florestal
1.º - INFLUENCIA DO CLIMA NA DISTRIBUIÇÃO DAS ESSENCIAS FLORESTAES
Os phenomenos meteorologicos, considerados em pontos diversos do globo, apresentam grandes variantes, e a cada uma d'ellas correspondem manifestações deseguaes da vida animal e vegetal.
Todas as plantas verdes necessitam calor, luz e humidade, para poderem viver, mas cada especie tem, a este respeito, exigencias particulares, em harmonia com o seu organismo. O Larix Europaea supporta, na Siberia, temperaturas de - 35° e - 40° cent., emquanto a Tremella reticulata vive, em França, na agua da fonte thermal de Dax, a + 49° cent. Os pinheiros, avidos de luz, soffrem e amesquinham-se quando a não encontram com abundancia, emquanto á sombra da floresta tropical, cuja folhagem espessa a luz só pode atravessar depois de reflectida muitas vezes, se desenvolvem innumeros vegetaes, apropriados a essa dubia claridade. Nos sitios mais aridos e mais seccos prosperam varias plantas gordas, emquanto as margens dos cursos d'agua, e os terrenos pantanosos, teem a sua flora especial, caracteristica.
Cada especie vegetal precisa para o seu desenvolvimento mais completo uma determinada somma de calor, luz e humidade; onde encontra as condições exigidas adquire esse maior desenvolvimento; onde acha condições proximas, oscillando para mais ou para menos em redor d'aquelles graus mais favoraveis, vive ainda, mas patenteando já menos vigor; finalmente, quando a variabilidade do meio excede certos limites, a vida torna-se-lhe impossivel. - As differentes especies apresentam resistencias muito diversas a estas oscillações climatericas: umas toleram-as muito consideraveis, emquanto as outras só as consentem muito reduzidas; as primeiras occupam no globo, é claro, zonas de habitação muito mais extensas do que as segundas.
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Esta harmonia entre as condições do meio e as fórmas especificas, que n'elle se desenvolvem, é tão grande, que um dado clima pode ser definido pela simples enumeração das especies, que o habitam.
E não só a vida de cada especie depende do clima, como d'elle depende cada um dos periodos da vegetação: a germinação, o crescimento axil e foliaceo, a florescencia e a fructificação, precisam quantidades differentes de calor, luz e humidade. D'aqui a razão por que, em alguns pontos, podem germinar as sementes de determinadas especies, e as plantas desenvolver-se, mas sem nunca florirem, como n'outros pontos conseguem já florir, mas sem poderem ainda fructificar.
A repartição dos phenomenos meteorologicos durante o anno constituindo as estações - isto é, a distribuição annual do calor e das chuvas, a duração dos dias e das noites, etc. - é que tem a principal influencia na distribuição dos vegetaes; muitissimo maior do que a intensidade média d'aquelles phenomenos durante o anno. Citaremos apenas alguns exemplos com respeito á acção do comprimento dos dias: a rosa dos Alpes, na occasião em que lhe apparecem os botões, precisa encontrar dias, pelo menos, de 14 horas; se a transplantarem, ainda que lhe dêem o calor sufficiente, não se desenvolve, nos pontos onde não encontre aquella insolação. Segundo Kerner, o pinheiro, para vegetar bem, necessita, quando fórma os rebentos, uma somma de 373 graus calorificos e dias, pelos menos, de 14 horas, etc.
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Uma das influencias climatericas a que muito importa attender no estudo da distribuição das especies é a duração, em cada logar, do periodo da actividade vegetativa: isto é, do periodo durante o qual a planta se desenvolve, cresce, elabora principios nutritivos, fórma os seus orgãos, em opposição a esse outro periodo em que a escassez do calor ou da humidade, obriga as cellulas ao repouso temporario, provocando uma paragem na vegetação.
Condições climatericas necessarias para a vida das arvores. - As especies lenhosas - arvores e arbustos - occupam no globo áreas mais restrictas do que as especies herbaceas; esta diminuição no habitat provém das suas maiores exigencias climatericas, em virtude da maior complicação dos seus organismos.
Comparemos, a este proposito, uma arvore e uma planta herbacea. A arvore tem de constituir massas muito mais avultadas de tecidos, para engrossar e crescer o tronco e os ramos, que lhe hão de servir de supporte ás folhas e flores; tem de lenhifazer um grande numero de membranas cellulares, para lhes dar a necessaria rigidez e permeabilidade; tem de regenerar constantemente as camadas corticaes, que vão sendo destruidas á superficie, e onde as camadas vivas internas precisam encontrar abrigo; tem de dar uma grande mobilidade aos principios immediatos fabricados nas folhas, transportando-os até ás ultimas raizes, atravez o tronco, ás vezes de grandes proporções, como tem de levar aos mais altos raminhos a agua e os principios mineraes do terreno; como as plantas herbaceas vivazes, a arvore tem de preencher as suas reservas nutritivas, que lhe hão de dar o primeiro desenvolvimento aos botões; tem de formar os rebentos e, como a planta herbacea, tem de constituir as flores e os fructos.
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Assim as arvores necessitam, para viver, periodos vegetativos que não podem baixar de certos limites, e dentro dos quaes ainda se desenvolvem algumas especies de porte, reduzido. Segundo estudos feitos na Laponia Scandinavia aquelle limite minimo parece ser de 3 mezes. Onde o clima não imprimir uma actividade mais duradoura á vegetação, não existem arvores; quer essa diminuição seja motivada pelo rebaixamento da temperatura, como acontece na zona polar, quer seja devida á falta de humidade, como na zona dos steppes, que se estende do sudoeste da Europa ao interior da Asia.
Independentemente d'esta duração do periodo vegetativo, as arvores precisam encontrar temperaturas d'estio mais elevadas do que as das zonas polar e alpina; na subida de uma montanha bastante alta, á medida que a temperatura decresce, diminuem tambem as dimensões dos vegetaes: as arvores não passam de certa altura, os arbustos chegam mais acima, cada vez mais acanhados, mais rasteiros, e a ultima vegetação, que se encontra, é herbacea. A resistencia das arvores ao frio do inverno varia extraordinariamente com as especies; emquanto algumas supportam temperaturas, que solidificam o mercurio, outras gelam aos menores frios e são por elles destruidas.
Com um periodo vegetativo adequado e com a temperatura conveniente, as arvores precisam ainda encontrar grandes massas de agua. Segundo as experiencias de Halles a quantidade de agua necessaria a um vegetal durante 24 horas é egual a metade do peso da planta inteira. Já dissemos que na zona dos steppes as arvores não podem viver pelo excesso de seccura, que restringe muito o periodo vegetativo; se a tamareira (Phoenix dactylifera, L.) vive no clima tão secco do deserto, é porque encontra a certa profundidade do solo arenoso agua, onde as suas raizes vão abastecer-se.
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Variações climatericas produzidas pela latitude. - Como sabemos, a irradiação solar actua tanto menos intensa, tanto mais obliqua, quanto maior a latitude; como sabemos, a inclinação do eixo de rotação terrestre tornando a ecliptica obliqua em relação ao plano do equador, e a fórma da orbita descripta pela terra, fazem variar, tambem com a latitude, o comprimento dos dias e das noites e originam as differenças annuaes de irradiação, que constituem, para cada logar, as estações. Estas differenças, entre o comprimento dos dias e entre as estações, são tanto mais pronunciadas quanto mais proximo do polo estiver o ponto considerado. Com a desegual distribuição da temperatura sobre o globo prende-se a desegual distribuição da humidade, prende-se o traçado das grandes correntes aereas, que tamanha influencia exercem nas chuvas, como se prendem ainda as correntes oceanicas principaes, que muitas d'ellas vão corrigir as indicações da latitude, nos paizes onde passam proximas.
A diminuição da temperatura média annual correspondente ao augmento da latitude, no hemispherio boreal, vê-se representada na tabella seguinte:
Graus de latitude norte Temperatura média annual
75° . . . -8°,77 cent.
70° . . . 5°,29
60° . . . 1°,01
50° . . . + 5°,37
40° . . . + 13°,55
30° . . . + 20°,93
20° . . . + 25°,32
0° . . . + 26°,47
As differenças entre as temperaturas médias das quatro estações, para as mesmas latitudes, são:
C. S. 13
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GRAUS DE LAT. NORTE
MÉDIA DE INVERNO
MÉDIA DE PRIMAVERA
MÉDIA DE ESTIO
MÉDIA DE OUTONO
(Dez., janeiro, fevereiro)
(Março, abril, maio)
(Junho, julho, agosto)
(Set., outubro, novembro)
75° -22°,06 -10°,14 +5°,66 -8°,70
70° -19°,41 -6°,28 +9°,12 -4°,57
60° -14°,25 -1°,62 +11°,87 -0°,43
50° -5°,62 +4°,83 +16°,08 +6°,20
40° +5°,46 +12°,30 +22°,95 +14°,61
30° +15°,20 +20°,28 +25°,95 +22°,39
20° +22°,16 +25°,70 +27°,49 +25°,91
0° +26°,37 +27°,04 +26°,16 +26°,25
Estas differenças, como se vê, são tanto mais accentuadas, quanto maior o afastamento do equador.
O numero dos dias do periodo vegetativo multiplicado pela temperatura média observada durante esse periodo dá, segundo Haberlandt, os seguintes valores, nas latitudes referidas:
Gráos de latitude norte Somma de calor
75° . . . 544°,50
70° . . . 971°,40
60° . . . 1507°,95
50° . . . 2522°,46
40° . . . 4966°,25
30° . . . 7650°,00
20° . . . 9253°,75
0° . . . 9663°,37
Durante o periodo vegetativo, no parallelo 75 as plantas recebem pois uma quantidade de calor dezoito vezes menor, do que recebem na zona equatorial.
Os dias e as noites, eguaes no equador, vão desegualando sempre á medida que se consideram pontos mais afastados. Eis as dimensões dos maiores dias e das menores noites a differentes latitudes:
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Graus de latitude norte Duração do dia maior Duração da noite menor
Polo norte . . . 180 vezes 24 horas . . . 0
80° . . . 134 vezes 24 horas . . . 0
70° . . . 6 vezes 24 horas . . . 0
60° . . . 18h,30' . . . 5h,30'
50° . . . 16h,9' . . . 7h,51'
40° . . . 14h,51' . . . 9h,9'
30° . . . 13h,56' . . . 10h,4'
20° . . . 12h,35' . . . 11h,25'
0° . . . 12h . . . 12h
Mas não é só a duração do periodo luminoso que varía com a latitude, varía egualmente a intensidade do calor e da luz. Ao primeiro já nos referimos; quanto á segunda, suppondo o poder luminoso do sol egual a 1:000, a superficie do solo no equador, segundo, Haberlandt, recebe 378 unidades luminosas, sob 45 graus de latitude norte 228, e na região polar apenas 110.
A humidade absoluta e as chuvas diminuem do equador para os polos. Com proposito á quantidade da chuva annual pode o nosso hemispherio dividir-se nas quatro grandes zonas seguintes:
Quantidade média annual de chuva
0° a 25° latitude norte . . . 2m3
25° a 40° . . . 1m3
40° a 50° . . . 0m3,75
50° a 60° . . . 0m3,60
Considerando a chuva não sob o ponto de vista da intensidade, mas da frequencia, notam-se tres zonas principaes, que ainda podem soffrer novas sub-divisões:
- Uma zona de chuvas periodicas, abrangendo proximamente o espaço comprehendido entre 30 graus de latitude norte e 30 graus de latitude sul; esta zona ainda se subdivide em tres: na mais interna, que vae de 3 graus de latitude norte a 3 graus de latitude sul, chove todos os mezes, e quasi todos os dias depois do meio dia; na intermedia, comprehendida, n'um e outro hemispherio, de 3 graus até 10, ou 15, chove duas vezes por dia, interrompendo-se a chuva quando o sol está no zenith; na terceira, mais externa, chove uma só vez por dia.
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- Uma zona sem chuvas, muito irregular no seu contorno, que abrange o grande deserto do Sahara, as proximidades do Nilo, extensas regiões na Arabia, o delta do Indo, o plan'alto do Thibet, etc.
- Uma zona de chuvas variaveis onde, com mais ou menos rigor, se podem fazer ainda tres sub-divisões, considerando: uma zona sub-tropical, de 25 graus a 40, ou 50, de latitude norte e sul, onde não ha chuvas no estio, mas sim nas outras tres estações; uma zona, de 40 graus a 60, de latitude norte e sul, onde chove em todas as estações; e finalmente uma zona circumpolar, de 60 graus a 90, norte e sul, com invernos quasi sem chuva.
Haberlandt caracterisa os principaes climas do hemispherio boreal pela sua vegetação peculiar do seguinte modo:
Zona polar (de 90° a 72°) - Caracterisada pelas plantas alpestres, lichens e musgos.