Curso de Silvicultura

Chapter 12

Chapter 123,492 wordsPublic domain (Wikisource)

Maceira (Pyrus Malus, L.) . . . - - 24 de agosto

Vidoeiro (Betula alba, L.) . . . - - 15 de maio

Carvalho roble (Quercus pedunculata, Ehrh.) . . . - - 12 setembro

Pirliteiro (Crataegus Oxyacantha, L.) . . . - - 24 de julho

Marmeleiro (Cydonia vulgaris, Pers.) . . . - - 2 setembro

Videira (Vitis vinifera, L.) . . . - - 12 setembro

Composição do pericarpo. - O pericarpo reproduz a organisação do ovario d'onde deriva; no emtanto esta correspondencia nem sempre é rigorosa. Poucas vezes, nas especies lenhosas indigenas, o pericarpo é de constituição mais complexa que o ovario; acontece isso, por exemplo, no genero Coronilla, cujo ovario tem um só carpello, e cujo pericarpo é uma vagem com o tecido apertado nos espaços vasios entre as sementes, e quebradiça n'esses pontos, apparentando ser plurilocular. Mais vulgarmente algumas das partes do ovario não acompanham o progressivo desenvolvimento d'este orgão, e o pericarpo apresenta-se mais simples que o ovario d'onde proveio: assim o ovario do amieiro e o do vidoeiro são biloculares, o dos carvalhos trilocular, o do castanheiro sexlocular, e os pericarpos de todas estas essencias são, por aborto, quasi sempre uniloculares.

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O desenvolvimento dos fructos modifica muito as dimensões e a contextura do ovario. Umas vezes as cellulas multiplicam-se muito e crescem, conservando as paredes delgadas, ao mesmo tempo que os feixes fibro-vasculares se tornam simples filamentos, sem consistencia, perdidos n'aquella massa carnosa; a côr verde primordial é substituida por outras; o amido, o tannino e os acidos organicos diminuem progressivamente; apparece a glucose, uma parte da qual se desdobra em alcool e anhydrido carbonico, e esse alcool unido aos acidos organicos constitue os etheres compostos a que é devido o perfume, a fragrancia de certos fructos maduros. A esse periodo segue-se outro de mais profunda modificação; o fructo primeiro diz-se sorvado e depois apodrecido, e o pericarpo seivoso destroe-se, pondo em liberdade as sementes. Estes fructos dizem-se carnudos, taes são os do medronheiro, do sabugueiro, da pereira, da ameixoeira, etc.

N'outras especies os pericarpos, de ordinario menos desenvolvidos, são lenhosos ou coriaceos; o succo cellular desapparece quasi. As cellulas componentes d'estes pericarpos morrem cedo, esvaziam-se, enchem-se de ar, e conservam-se por muito mais tempo. Estes fructos dizem-se seccos, taes são os do ulmeiro, freixo, carvalhos, castanheiro, salgueiros, choupos, etc.

Quer seja carnudo ou secco, encontram-se no fructo os mesmos tecidos que existiam no ovario, isto é, os tecidos proprios ás folhas: a epiderme das duas paginas transforma-se externamente no epicarpo, internamente no endocarpo, e o parenchyma intermedio no mesocarpo, tambem intermedio.

O epicarpo, o involucro externo, que nos fructos carnudos constitue a casca, é delgado sempre, e ás vezes reduz-se a uma unica assentada de cellulas, mas outras vezes comprehende tambem, além da verdadeira epiderme, um pequeno numero de camadas suberosas, que a reforçam. N'umas especies é lizo, nú ou coberto com efflorescencias cirosas (videira, ameixoeira, etc.); n'outras, cheio de pellos mais ou menos lanosos (pecegueiro, marmeleiro); ou apresenta-se vestido de saliencias espinhosas (castanheiro da India); ou de tuberculos (medronheiro); ou prolonga-se em azas membranosas (ulmeiro, freixo, platano bastardo, vidoeiro).

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O mesocarpo é a região subjacente ao epicarpo, onde correm os feixes fibro-vasculares; constitue, no todo ou em parte, a porção comestivel dos fructos carnudos. N'uns fructos o mesocarpo persiste homogeneo, mas n'outros differencia-se em duas assentadas, tornando-se, muitas vezes, as cellulas da mais interna, conjunctamente com as do endocarpo (a epiderme interna do ovario) esclarenchymatosas e formando o caroço onde a semente fica incluida. No fructo do pecegueiro a polpa comestivel é fornecida por parte do mesocarpo; a parte restante, com o endocarpo, fórma o caroço (fig. 91). No fructo da amendoeira o involucro externo esverdinhado é composto pelo epicarpo e parte do mesocarpo, e a casca dura interior é formada pela porção restante do mesocarpo e pelo endocarpo (fig. 92).

Fig. 91. Corte longitudinal atravez o fructo do pecegueiro (Persica vulgaris, Mill.): a, epicarpo: b, parte comestivel do mesocarpo: c, caroço (parte do mesocarpo e o endocarpo). d, semente (1:2).

Fig. 92. Fructo da amendoeira (Anygdalus communis, L.) cortado longitudinalmente: a, epicarpo e parte do mesocarpo: b, parte do mesocarpo e o endocarpo: c, semente (1:2).

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O endocarpo nem sempre experimenta aquella especialisação, e ás vezes fica delgado e com pouca consistencia, como na pereira, na laranjeira, e em geral, em todos os fructos denominados de pevides.

Fórmas de fructos. - Os fructos que na maturação se abrem naturalmente para a saida das sementes, como os dos salgueiros, choupos, urzes, estevas, etc. (fig. 93), dizem-se dehiscentes; os fructos que, pelo contrario, permanecem fechados constantemente, como os dos carvalhos, ulmeiro, videira, pecegueiro, etc. (fig. 91), chamam-se indehiscentes. Um e outro typo tem numerosos representantes em a nossa flora lenhosa.

Fig. 93. Fructo dehiscente de uma esteva (Cistus crispus, L.) (2:1).

O fructo dos carvalhos e castanheiro é um achenio; o seu pericarpo indehiscente, secco, delgado, coriaceo, monospermo, está muito chegado á semente, mas separa-se d'ella com facilidade; tanto na bolota, como na castanha este pericarpo fórma a parte externa, que, em linguagem vulgar, se chama a casca; nos carvalhos o achenio apresenta-se envolvido na base por uma cupula caracteristica, lenhosa, constituida pela soldadura das bracteas estereis (fig. 94); no castanheiro, um a tres fructos reunem-se dentro d'um involucro de bracteas, espinhoso, espherico, fechado, dehiscente na maturação em quatro valvulas (ouriço). Na avelleira o fructo é ainda um achenio; rodeia-o uma cupula de bracteas foliaceas. Os achenios do platano são muito pequenos, e reunem-se em grandes agglomerados globosos, pendentes, onde entremeam com pellos rigidos, amarellados. Nas roseiras os achenios ficam fechados n'um involucro carnudo, devido ao tubo formado pelos tres verticillos floraes externos concrescentes (fig. 95); vulgarmente este involucro é tomado pelo fructo e os achenios interiores pelas sementes, como tambem chamam sementes aos achenios do platano e fructo aos conjunctos globosos.

Fig. 94. Fructo e cupula do carvalho roble (Quercus pedunculata, Ehrh.) (1:1).

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Fig. 95. Falsos fructos da roseira brava (Rosa sempervirens, L.). A. Um d'estes falsos fructos cortado longitudinalmente e mostrando os achenios interiores (quasi 1:1).

No ulmeiro e no freixo o achenio torna-se alado, pela expansão membranosa do pericarpo, e transforma-se n'uma samara (fig. 96). As pequenas samaras do vidoeiro estão dispostas na axilla de escamas membranosas devidas á adherencia da bractea-mãe com as bracteolas, apparentando o todo uma pequena pinha, que o vulgo considera como o verdadeiro fructo. Nos bordos (genero Acer) o fructo é uma di-samara.

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Nos salgueiros, nos choupos, nas urzes, estevas, etc., os fructos seccos, pluricarpellares, e dehiscentes em valvulas denominam-se capsulas. A forma d'esta dehiscencia varia: assim no Cistus salviaefolius, L., por exemplo (fig. 97), a capsula divide-se em cinco valvulas, mas a divisão faz-se pela linha dorsal do carpello, no espaço medio entre dois dessepimentos, de modo que cada valvula arrasta adherente no meio um dessepimento, e a dehiscencia diz-se então loculicida; a capsula do Cistus Monspeliensis, L. apresenta no cimo a dehiscencia septifraga: as valvulas separam-se dos dessepimentos, que ficam reunidos n'uma columna central (fig. 98); na urze vulgar (Calluna vulgaris, Salisb.) a capsula é septicida: os dessepimentos dividem-se transversalmente ao meio e os quatro carpellos separam-se completos (fig. 99).

Fig. 96. Samara do freixo (Fraxinus angustifolia, Vahl.) (1:1).

Fig. 97. Capsula loculicida do Cistus salviaefolius, L., a: capsula fechada. b: capsula aberta. c: uma valvula vista de perfil tendo no meio adherente um dessepimento (1:1).

Fig. 98. Capsula do Cistus Monspeliensis, L. com dehiscencia septifraga no cimo. b: a mesma cortada transversalmente (2:1).

Nas Papilionaceas o fructo secco, dehiscente pela sutura ventral e linha dorsal, em duas valvulas, é uma vagem (fig. 100); na alfarrobeira esta vagem é coriaceo-polposa e indehiscente.

Fig. 99. Capsula septicida da urze vulgar (Calluna vulgaris, Salisb.) (2:1.)

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Os fructos seccos unicarpellares do loendro, do saião, etc. denominam-se folliculos: abrem-se longitudinalmente só por um lado - pela sutura ventral.

No arando, na madresilva, no sabugueiro, na videira, no medronheiro, na hera, etc., o fructo indehiscente com todo o pericarpo carnudo ou polposo, com o endocarpo pouco consistente, geralmente polyspermo, é uma baga (fig. 101 e 102). O fructo das especies do genero Citrus pertence a este mesmo grupo, e tem, ás vezes, o nome de hesperidea; é ainda uma baga cuja polpa comestivel é formada pelos pellos carnudos internos, volumosos, derivados da face dorsal dos carpellos.

Na cerejeira, na ameixoeira, no pecegueiro, na oliveira etc., o fructo indehiscente é uma drupa; a semente, de ordinario uma só, está envolvida por um caroço espesso e duro, formado pelo endocarpo e parte do mesocarpo; a região mais externa do mesocarpo torna-se carnuda (fig. 91). A amora das silvas é um conjuncto de pequenas drupas, mais ou menos aproximadas.

Fig. 100. Vagem da giesteira dos jardins (Spartium junceum, L.) (1:1).

Fig. 101. Corte transversal atravez o fructo do medronheiro (Arbutus Unedo, L.) (1:1).

Fig. 102. a: Baga de hera (Hedera Helix, L.). b: a mesma cortada transversalmente (1:1).

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Entre estes typos principaes apparecem ás vezes verdadeiros termos de passagem: assim o fructo da nogueira, com o mesocarpo pouco carnudo, dehiscente, constitue uma capsula drupacea; o fructo do castanheiro da India, dehiscente, com as valvulas quasi carnosos, fórma uma capsula carnuda, etc.

Já dissemos que a palavra fructo, em linguagem vulgar, tem maior extensão: abrange as pequenas pinhas do amieiro e do vidoeiro; nas roseiras o tubo constituido pela concrescencia dos tres verticillos floraes externos; na figueira applica-se ao receptaculo accrescente, escavado, onde, na parte interna, estão inseridos os achenios (sycone); nas Pomaceas (pereira, maceira, marmeleiro, etc.), dá-se este nome ao corpo de origem mixta, cuja parte carnuda externa deriva do tubo formado pelos tres verticillos floraes externos concrescentes, e só a parte interna é produzida pelo desenvolvimento ulterior dos carpellos (fig. 103); no samóco o fructo secco, indehiscente, monospermo, fica incluido nas bracteolas carnudas, glandulosas, accrescentes, e o conjuncto semelha uma drupa; na amora das amoreiras os pequenos achenios de uma mesma espiga, envolvidos cada um pelo perigoneo accrescente e succulento, constituem um falso fructo tuberculoso (sorose), etc.

Fig. 103. Corte transversal do fructo da maceira (Pyrus Malus, L.) (1:2).

É assim que, semelhantemente, as pinhas e galbulas das Coniferas se denominam fructos, quando na verdade estas essencias só teem sementes e não teem pericarpos, por isso mesmo que as suas flores não teem ovarios fechados.

A pinha dos pinheiros é formada d'escamas muito duras e lenhosas, imbricadas sustentando cada uma duas sementes (fig. 104); estas escamas afastam-se umas das outras para a disseminação, e não protegem com menos efficacia as sementes do que o faria um verdadeiro pericarpo. Nos cyprestes a pinha globosa ou ovoide, com poucas escamas, e estas muito largas na extremidade, quasi com a fórma da cabeça de um prego, tem o nome de galbula; cada escama da galbula dos cyprestes supporta muitas sementes. O falso fructo dos zimbros é ainda uma galbula, mas as escamas são carnudas e adherentes, dando ao conjuncto o aspecto de uma baga, globosa, ovoide ou pyriforme (fig. 105). No teixo a cupula carnuda, vermelha, que envolve a semente, é produzida por uma expansão lateral do funiculo, é um arillo (fig. 106).

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Fig. 104. Escama da pinha do pinheiro manso (Pinus Pinea, L.) (1:1).

Sobre alguns fructos, ou em redor d'elles, encontram-se, muitas vezes, algumas peças da flor, que se denominam persistentes: assim o limbo do calice persiste sobre os fructos das Pomaceas; o estylete sobre os fructos da hera onde se notam ainda, superiormente, as cicatrizes deixadas pela queda dos dentes do calice (fig. 102); sobre o fructo da groselheira persiste o calice secco; o calice e a corolla marcescente encontram-se em redor da vagem da carqueja, etc.

Fig. 105. Galbula carnuda do Juniperus Oxycedrus, L. var. macrocarpa, Sibth. (1:1).

Fig. 106. Falso fructo do teixo (Taxus baccata, L.); semente envolvida por um arillo carnudo (1:1).

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Semente. - O ovo, depois da fecundação, desenvolve-se á custa da planta-mãe, no sacco embryonario onde foi produzido e onde fica suspenso. As successivas partições d'aquella cellula primordial originam um corpo, mais ou menos differenciado, que se chama embryão.

Chegado ao seu desenvolvimento o embryão adquire, nas sementes das diversas especies, dimensões muito variaveis; nas especies em que é maior, os seus tecidos soffrem uma especialisação, que já lhe distingue a epiderme, a casca, e o cylindro central, onde os feixes libero-lenhosos primarios apparecem esboçados (carvalhos, nogueira, etc.); em muitas especies estes tecidos só mais tarde se differenciam, quando a semente germina.

Externamente o embryão especialisa-se n'um cauliculo, n'uma radicula, e n'um certo numero de folhas cotyledonares, entre as quaes existe um cone vegetativo nú. Em algumas especies este cone vegetativo cresce, produz novas folhas estreitamente applicadas umas contra as outras, e o embryão possue, n'este caso, um verdadeiro botão terminal, que se denomina gemmula (carvalhos, amendoeira, etc.).

Formado o ovo, o nucleo e o protoplasma do sacco embryonario dão origem a phenomenos, que realisam a formação de um tecido especial chamado albumen. O albumen é um tecido onde se accumula a reserva nutritiva; no seu progressivo desenvolvimento o embryão vae ali buscar os elementos de que precisa, solubilisando, digirindo as membranas d'aquellas cellulas e os seus conteudos. O endosperma, que rodeia o embryão das Gymnospermas, representa physiologicamente o mesmo papel; é ainda um tecido cheio de reserva nutritiva para uso do embryão.

Dois casos se podem dar n'este desenvolvimento do embryão: nas Gymnospermas e em muitas Angiospermas (freixo, oliveira, alfenheiro, folhado, madresilva, azevinho, lodão bastardo, etc.) o embryão não consome toda a reserva alimentar, uma parte d'ella subsiste sob a fórma de cellulas apertadas, sem meátos, ricas em principios immediatos amylaceos, oleosos, etc., que envolvem o embryão, relativamente pequeno (fig. 107); em muitas outras Angiospermas (carvalhos, castanheiro, salgueiros, choupos, ulmeiro, amendoeira, nogueira, vidoeiro, amieiro, etc.) o embryão desenvolve-se muito, sobretudo as cotyledones, consome todo o albumen, enche toda a capacidade do sacco embryonario, e nas cotyledones volumosas se junta a reserva de principios immediatos necessarios, durante a germinação, ao desenvolvimento da nova planta (fig. 108).

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Fig. 107. Corte longitudinal de uma semente de pinheiro manso (Pinus Pinea, L.). a: tegumento. b: reserva nutritiva. c: embryão (1:1).

O funiculo do ovulo cresce proporcionalmente durante todos estes phenomenos, e transforma-se no funiculo da semente (fig. 109). Ás vezes o seu parenchyma adquire uma actividade particular e fórma, em redor da semente, primeiro uma pequena cupula, depois um envolucro completo, mas sem contrair adherencia com ella; este tegumento accessorio chama-se arillo; no teixo, como dissemos, constitue a região carnosa, vermelha, externa (fig. 106).

A pequena excrescencia em redor do mycropylo, conhecida com o nome de carunculo (ricino, etc.), é devida á actividade geradora local do parenchyma do tegumento da semente.

O ovulo, depois de transformado em semente, amadurece: perde agua e portanto diminue em volume e em peso, fica sem a transparencia e o brilho primitivo, torna-se opaco, e com o tegumento diversamente corado, segundo as essencias.

As dimensões da semente em relação aos pericarpos variam muito. Na bolota e na castanha, por exemplo, os pericarpos são muito delgados e a semente unica muito volumosa; na laranja as sementes são pequenas e o pericarpo desenvolvido, etc.

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Fig. 108. Corte longitudinal do fructo do sobreiro (Quercus suber, L.). a: o pericarpo, e subjacente o tegumento da semente: b, b: as duas cotyledones muito desenvolvidas. c: o embryão (1:1).

Fig. 109. Corte longitudinal atravez a samara do freixo (Fraxinus angustifolia, Vahl.). a: semente. b: funiculo (1:1).

A disseminação das sementes realisa-se por diversos modos: os fructos carnudos indehiscentes soffrem a decomposição do pericarpo; nos fructos seccos indehiscentes o pericarpo acompanha de ordinario a semente até ao fim, como nos carvalhos, castanheiro, ulmeiro, freixo, etc.; quando os fructos são dehiscentes as sementes separam-se pelo hilo, e os pericarpos vasios persistem, quasi sempre, um tempo maior ou menor sobre a arvore. As sementes dos pinheiros e dos cyprestes libertam-se de uma fórma analoga: as pinhas dos primeiros e as galbulas dos segundos afastam as escamas deixando cair as sementes; estas pinhas e estas galbulas ficam presas muito tempo nos ramos que as produziram.

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Em muitas essencias as sementes estão armadas de apparelhos que lhes facilitam o espalhar-se em grandes areas, sob a acção do vento. Assim, no pinheiro bravo e no pinheiro d'Alepo teem uma aza membranosa, anatomicamente derivada da face dorsal do carpello, mas que se une estreitameute á semente (fig. 110); nos salgueiros e nos choupos são providas de muitos pellos. Em muitas especies estes apparelhos de disseminação existem nos pericarpos, sobretudo quando elles são monospermos e destinados a acompanhar a semente mesmo durante a germinação, como no freixo, vidoeiro, ulmeiro, platano, etc.

Fig. 110. Semente alada do pinheiro bravo (Pinus Pinaster, Ait.) (1:1).

É muito importante em cultura florestal considerar a grandeza da area de disseminação de cada essencia. Esta area depende do peso das sementes (ou dos fructos se não se dá a separação dos pericarpos), bem como da ausencia ou presença dos apparelhos que a facilitam. Os fructos do castanheiro e dos carvalhos, grandes, pesados, sem apparelho de disseminação, pouco se affastam, na queda, da arvore-mãe; o mesmo não acontece á semente do pinheiro bravo prolongada em expansão membranosa.

Na semente completa notam-se duas partes distinctas: a parte externa (de composição mais ou menos complexa), semelhante a uma casca, facil de separar - o tegumento; e a parte interna - a amendoa.

O tegumento apresenta-se liso, ou esculpido; lenhoso, membranoso, papyraceo, com muito diversas consistencias. De ordinario esta sua estructura é inversa com a do pericarpo. Em algumas essencias (alfarrobeira, oliveira, etc.) o tegumento é tão resistente, que pode atravessar o apparelho digestivo dos animaes sem ser atacado, o que facilita a disseminação d'estas sementes.

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A amendoa pode ser formada só pelo embryão, como dissemos (fig. 108), ou pelo embryão e pela reserva nutritiva - albumen ou endosperma (fig. 107).

As cotyledones são em numero variavel, nas nossas especies lenhosas: a palmeira das vassouras tem uma só (monocotyledonea); a maior parte das nossas essencias florestaes teem duas (freixo, carvalhos, castanheiro, ulmeiro, salgueiros, etc.) (dicotyledoneas); nas Gymnospermas este numero é mais elevado e mais variavel: os zimbros teem duas, os cyprestes duas a tres, o teixo seis a sete, o pinheiro bravo oito, o pinheiro manso dez a doze, etc. De ordinario as cotyledones são eguaes, mas podem ser deseguaes; habitualmente encontram-se livres, mas no castanheiro da India adherem pelos bordos em contacto.

O embryão, n'umas especies, apresenta-se recto (alfarrobeira, urzes, medronheiro, salgueiros, choupos, ulmeiro etc.), n'outras curvado (lodão bastardo, phytolacca, muitas Papilionaceas, etc.), ou contorcido por diversos modos.

Germinação. - Na semente madura o embryão permanece latente, inerte, emquanto não concorrem as condições necessarias para a germinação; não cresce; é insignificante a troca de gazes entre a semente e a atmosphera.

Nem todas as sementes caidas das arvores podem germinar; algumas são chôchas, mal conformadas. As melhores, as que originam individuos mais robustos, são as das arvores adultas (nem muito novas, nem muito velhas), e que teem vegetado em boas condições. No interior dos massiços apertados as sementes são de mediocre qualidade.

Embora as sementes sejam bem conformadas a germinação não pode realisar-se emquanto não estiverem maduras. Este amadurecimento é muito variavel para as diversas essencias: assim emquanto as sementes do freixo e do codeço germinam mesmo incompletas, quando apenas teem chegado a metade do desenvolvimento normal, e originam assim individuos tão robustos como os que são produzidos pelas sementes completas, pelo contrario as roseiras, pirliteiro, pecegueiro, etc., não germinam as suas sementes senão passados dois annos, ainda que encontrem condições favoraveis. Habitualmente, na época da disseminação natural as sementes estão aptas para germinar.

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O poder germinativo do embryão enfraquece com a edade da semente e por fim extingue-se. Esta edade limite varia de essencia para essencia, mas é muito curta em quasi todas as nossas especies florestaes.

Collocadas as sementes em condições apropriadas, o tempo que dura a germinação depende do meio local, e muito da sua organisação especifica. As sementes dos salgueiros teem germinação tão prompta, que n'um unico dia se pode realisar; as dos choupos germinam em 8 a 10 dias; as do pinheiro bravo em 15; em contraposição as do zimbro gastam, ás vezes, 2 annos, e as do teixo 3 a 4 annos. A natureza da reserva nutritiva, e a maior ou menor consistencia do tegumento, que difficulta mais ou menos a acção da humidade, teem n'isto grande influencia.

Para germinar a semente fixa agua, entumece, absorve oxygenio, desprende anhydrido carbonico, aquece, e digere, solubilisa as suas reservas nutritivas, por meio de diastases derivadas da modificação de alguns dos seus albuminoides, no mesmo acto da germinação. D'esta fórma os amylaceos, por hydratação, transformam-se em assucares; os principios gordos saponificam-se; os albuminoides mudam-se em peptonas; e estas substancias, todas ellas soluveis, são utilisadas pelo embryão para o desenvolvimento dos seus primeiros orgãos, emquanto a nova planta não pode contrair mais directa communicação com o meio exterior e viver á custa d'elle.

A presença da agua e do ar, que ha de ceder o oxygenio, são pois indispensaveis a este phenomeno; é por falta de ar que as sementes enterradas muito fundas não germinam. A temperatura tambem influe muito n'este acto; cada especie vegetal tem exigencias particulares a este respeito, como veremos, e limites, maximo e minimo, além dos quaes a germinação se torna impossivel, bem como um grau optimum, intermedio, de todos o mais favoravel. A luz parece não influir na germinação.

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