Curso de Silvicultura

Chapter 10

Chapter 103,665 wordsPublic domain (Wikisource)

Os orgãos masculinos da fecundação denominam-se estames, e os orgãos femininos pistillos. Os dois sexos estão reunidos, muitas vezes, na mesma flor que se chama então hermaphrodita (medronheiro, acacia bastarda, freixo, ulmeiro etc.) (figs. 63 C, e 64), mas em muitas outras, e é o mais frequente nas essencias florestaes indigenas, os dois sexos estão separados em flores diversas (fig. 63, A, B. fig. 66); n'este ultimo caso dizem-se monoicas as especies, que teem na mesma arvore flores dos dois sexos (carvalho, castanheiro, platano, vidoeiro, amieiro, pinheiro, cyprestes, figueira, amoreiras, etc.); dioicas as que teem as flores unisexuaes separadas em arvores differentes (choupos, salgueiros, alfarrobeira, teixo, etc.); polygamicas as que teem flores hermaphroditas e unisexuaes, quer na mesma arvore ou em arvores distinctas, como acontece muitas vezes no ulmeiro, lodão bastardo, castanheiro da India, etc.

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Fig. 64. Flor do ulmeiro (Ulmus campestris, L.) com um involucro floral (3:1).

Fig. 65. Flor da murta (Myrtus communis, L.): a. calice: b. corolla (1:1).

Fig. 66. Flores da alfarrobeira feminina. B. Flor masculina (Ceratonia Siliqua, L.): A. Flor (1:1).

Inflorescencia. - A inflorescencia, isto é, o arranjo, a disposição das flores, varia muito nas nossas especies lenhosas.

A inflorescencia solitaria, aquella em que o pedunculo permanece simples, sem se ramificar, existindo uma só flor na axilla das folhas ou no extremo dos ramos, é pouco frequente; o arando dá-nos um exemplo de uma inflorescencia solitaria axillar.

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Nos adernos, na aroeira, no azereiro dos damnados, na urze vulgar, na oliveira, etc., as flores dispõem-se em cacho - sobre eixos secundarios simples, presos a um eixo primario indeterminado; n'este caso as flores inferiores são as que abrem primeiro. Na aroeira os cachos são axillares; na urze vulgar terminaes e levantados (fig. 67); no azereiro dos damnados pendentes.

No medronheiro, etc., o cacho torna-se composto, pela ramificação dos eixos secundarios. Quer o cacho seja simples ou composto quando tem a fórma conica, por serem maiores os eixos da base, denomina-se panicula, tal é a inflorescencia da pimenteira bastarda. Quando tem a fórma ovoide, por serem maiores os eixos intermedios, toma o nome de thyrso, como no lilaz, no castanheiro da India, no sumagre, etc.

Fig. 67. Cacho terminal da urze vulgar (Calluna vulgaris, Salisb.) (1:1).

A inflorescencia em espiga, isto é, estando as flores dispostas sesseis sobre o eixo principal, não é vulgar nas especies lenhosas indigenas, e apenas se encontra em algumas de muito pequeno porte, mas é, pelo inverso, bastante frequente a inflorescencia em amentilho - espiga de flores unisexuaes, nuas ou com um só involucro floral, e cujo pedunculo é articulado na base. Os amentilhos dos choupos são cylindricos e pendentes (fig. 68); os dos salgueiros levantados, cylindricos ou ovoides (fig. 69); os do platano globosos; os amentilhos masculinos dos carvalhos são cylindricos, interrompidos e teem uma só flor em cada escama do eixo, os do vidoeiro teem tres, os do castanheiro sete; os d'esta ultima essencia são levantados, os das anteriores, pendentes. Nos pinheiros os amentilhos masculinos são ovoides e reunem-se, muito numerosos, na base do rebento annual ¹. Os amentilhos femininos do amieiro são multiflores, alongados, levantados, com as flores geminadas em cada escama, e estas lenhosas por fim; os do vidoeiro teem a mesma fórma, com tres flores em cada escama, e as escamas tornam-se ao depois membranosas; as flores femininas do castanheiro estão collocadas, uma a tres, na base dos amentilhos masculinos; a inflorescencia feminina dos carvalhos e do teixo reduz-se a uma só flor fertil, rodeada de bracteas estereis. No samóco os amentilhos são compostos, ramificados.

¹ Alguns auctores consideram cada um dos amentilhos masculinos dos pinheiros como uma só flor com o eixo muito desenvolvido

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Fig. 68. Amentilho masculino do choupo branco (Populus alba, L.) (1:1).

Fig. 69. Amentilho feminino do salgueiro preto (Salix atrocinerea, Brot.) (1:1).

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Fig. 70. Inflorescencia em corymbo, da pereira (Pyrus communis, L.) (1:2).

Na pereira, no loendro, no Prunus Mahaleb, L., etc., a inflorescencia é em corymbo (fig. 70); os eixos lateraes, partidos de diversos pontos do eixo principal, elevam as flores todas, proximamente, á mesma altura. Na cerejeira, no loureiro, na hera, etc., as flores dispõem-se em umbella (fig. 71); os eixos secundarios nascem do mesmo ponto (raios da umbella), e elevam as suas flores a circumscreverem uma superficie plana, ou regularmente convexa. Corymbos e umbellas podem ser compostos, pela ramificação dos eixos secundarios. O sanguinho legitimo tem as flores dispostas em corymbo composto.

Na madorneira, as flores, sesseis e inseridas á mesma altura no eixo desenvolvido lateralmente, formam um capitulo. Este capitulo transforma-se na figueira; o receptaculo commum, onde estão inseridas as flores, escava-se e aproxima os bordos superiores, deixando só uma pequena abertura terminal, e ficando as flores encerradas n'essa cavidade.

Quando a inflorescencia é definida o eixo principal termina logo por uma flor, e inferiormente a ella se desenvolvem os eixos secundarios, de ordinario pouco numerosos e muito ramificados; ao inverso das inflorescencias anteriores são agora as flores centraes as mais desenvolvidas. Esta disposição denomina-se cymeira, e encontra-se typica ou combinada por diversos modos em algumas das nossas especies lenhosas: no jasmineiro bravo as flores estão reunidas em cymeiras biparas (com eixos bifurcados); no pirliteiro em cymeiras corymbiformes; no sabugueiro e no folhado em cymeiras umbelliformes (fig. 72), etc.

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Fig. 71. Inflorescencia em umbella, da hera (Hedera Helix, L.) (2:3).

É vulgar, em muitas especies, estas inflorescencias combinarem-se, por diverso modo, entre si: na hera as umbellas floriferas dispõem-se em cachos, e egualmente em cachos se agrupam as cymeiras do ricino; os cachos da tamargueira reunem-se em grande panicula, etc.

As inflorescencias do folhado, do medronheiro, do ailanto, do sabugueiro, etc., são terminaes; as do freixo, ulmeiro, acacia bastarda, sanguinho d'agua, etc., são lateraes. Ao inverso dos botões folhosos, os botões floriferos lateraes começam a abrir, de ordinario, da base do rebento para o cimo.

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Fig. 72. Cymeira-umbelliforme fructifera do folhado (Viburnum Tinus, L.) (2:3).

Calice. - O calice é o mais externo dos dois involucros floraes; é, de ordinario, a parte da flor que mostra com maior evidencia a sua origem foliacea; apresenta-se muitas vezes de côr verde e diz-se então herbaceo, tomando o nome de corado, ou petaloide, quando tem outra qualquer côr, como na urze ordinaria, etc.

As folhas modificadas que constituem o calice, ou sepalas, ficam em alguns casos separadas, independentes, e o calice diz-se dialysepalo, mas no maior numero das nossas especies lenhosas são concrescentes, n'uma extensão maior ou menor, tornando o calice gamosepalo, como na murta, no azevinho, na acacia bastarda, etc.

Se a concrescencia das sepalas só tem logar na base o calice diz-se partido; se tem logar até ao meio fendido; quando se realisa quasi até ao cimo diz-se dentado, se as porções livres são agudas, ou lobado se ellas são arredondadas. Assim o calice do medronheiro é quinquepartido; o da aroeira, cornalheira e sanguinho bastardo quinquefendido; o do lilaz, oliveira e alfenheiro quadridentado; o do sabugueiro e do folhado quinquelobado, etc.

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No calice gamosepalo denomina-se tubo a região em que se dà a concrescencia das sepalas; limbo a parte livre, usualmente mais ou menos aberta para os lados; garganta ou fauce a porção superior do tubo, que de ordinario se alarga pouco a pouco, fazendo a transição para o limbo.

Os calices das nossas plantas lenhosas teem fórmas muito variadas: são gomilosos (bojudos no meio e estreitos na extremidade) na pereira, no mostageiro, no pirliteiro, etc.; são tubulosos no rosmaninho, na Calycotome villosa, Lk., etc.; são campanulados no resta-boi; labiados nos tojos, nos tomilhos, nas giestas, etc. Todas estas fórmas se incluem em dois grupos - regulares quando as sepalas são eguaes e symetricamente dispostas (fig. 73, A); irregulares quando as sepalas são differentes na configuração ou situação (fig. 73, B).

O numero das sepalas é muito variavel nas diversas especies; são 3 na camarinheira, 4 nos adernos, 5 no medronheiro, 6 no berberis, etc. Este numero nem sempre é constante na mesma especie; os calices da tamargueira ora apresentam 4, ora 5 sepalas; as especies do genero Acer teem usualmente 5, mas ás vezes 4 ou 9; a flor masculina da aroeira tem 5 sepalas, e a flor feminina 3 ou 4, etc.

Fig. 73. A. Calice regular da murta (Myrtus communis, L.). B: Calice irregular do tojo chamusco (Ulex spartivides, Wbb.) (1:1).

O calice, que se desprende antes da corolla, como nas especies do genero Acer, diz-se caduco. De ordinario elle cae com a corolla. Quando se conserva até á maturação do fructo diz-se persistente, mas n'este caso pode, como na carqueja, persistir secco e murcho (marcescente), ou desenvolver-se com o fructo, como nas Pomaceas (accrescente).

Quando a flor tem um só involucro elle é, quasi sempre, herbaceo, verde, muito analogo no aspecto e na fórma ao calice. Tudo quanto dissemos a proposito do calice se pode applicar a esse involucro unico - periantho ou perigoneo.

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Corolla. - A corolla é o mais interno dos dois involucros floraes; as folhas modificadas que a constituem chamam-se petalas, e a sua modificação é, quasi sempre, bastante maior que a das sepalas. De ordinario a corolla é maior do que o calice, mais delicada, e tinta de diversas côres; raras vezes se apresenta esverdinhada (videira, bordo, urze das vassouras, etc.). As cores predominantes são, a amarella (tojos, giestas, carquejas, etc.), a branca (murta, estevão, laranjeira, etc.), a vermelha, rosada ou violacea (roselha grande, tamargueira, etc.). A côr da corolla nem sempre é constante na mesma especie: o tomilho pelludo, o rosmaninho, a urze ordinaria ora a apresentam violacea, ora branca.

As petalas podem, como as sepalas, unir-se a formar a corolla gamopetala (sabugueiro, madresilva, folhado, etc.), ou persistir livres, constituindo-a dialypetala (murta, silvas, estevas, etc.). A união ou independencia das petalas é caracter muito constante nos diversos grupos naturaes e tem, por isso, grande importancia em botanica descriptiva.

A concrescencia das petalas exprime-se, segundo a extensão em que se realisa, por uma numenclatura semelhante á que representa a união das sepalas. Assim no alfenheiro, no lilaz, e na oliveira a corolla diz-se quadripartida; na madresilva quinquefendida; no medronheiro quinquedentada, etc. Quando a corolla é gamopetala notam-se-lhe, como no calice, as tres regiões - tubo, garganta e limbo.

Nas petalas livres denomina-se unha a parte estreita por onde se faz a inserção, que corresponde ao peciolo da folha, e lamina a parte mais larga superior.

A corolla diz-se tambem, como o calice, regular ou irregular, conforme as petalas são, ou não, eguaes e symetricamente dispostas. São muito variadas as fórmas que pode apresentar: no alfenheiro é afunilada (fig. 74, B); nas urzes e medronheiro gomilosa (fig. 74, A); no arando quasi globosa; no loendro e jasmineiro asalveada (com o tubo comprido e o limbo plano e circular); na dulcamara é rodada (com o tubo curto e o limbo dividido em lacinias planas e abertas); todas estas fórmas são gamopetalas e regulares.

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Fig. 74. A. Corolla gomilosa do medronheiro (Arbutus Unedo, L.): B. Corolla afunilada do alfenheiro (Ligustrum vulgare, L.) (1:1).

Nas silvas, na pereira, na maceira, no pirliteiro, etc., a corolla dialypetala é rosacea, constituida por cinco petalas eguaes, quasi sem unha. Nos tomilhos, no rosmaninho, na alfazema, etc., a corolla gamopetala irregular é labiada, (fig. 75), e nos tojos, carquejas, giestas, acacia bastarda, etc., é papilionacea (irregular, e dialypetala quasi sempre) - constituida por cinco petalas, das quaes a superior se chama estandarte, as duas symetricas lateraes se chamam azas, e as inferiores, muitas vezes reunidas, formam a quilha ou navetta (fig. 76).

Fig. 75. Corolla labiada do tomilho pelludo (Thymus villosus, L.) (2:1).

Fig. 76. Corolla papilionacea da giesteira das sebes (Sarothamnus grandiflorus, Wbb.). a, estandarte: b, azas: c, quilha (1:1)

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É muito notavel a corolla dos eucalyptos: as petalas soldam-se inicialmente constituindo um operculo, em continuação ao calice, que protege os orgãos sexuaes (fig. 77, A); quando a flor abre, esse operculo cae, (fig. 77, C) e os estames e pistillo apparecem a descoberto (fig. 77, B).

Fig. 77. A. Flor fechada do eucalypto (Eucalyptus globulus, Labill.). B: a mesma flor depois de aberta. C: o operculo, que representa morphologicamente a corolla (1:1).

De ordinario a corolla cae no momento da fecundação, mas ás vezes dura muito menos tempo e cae passadas poucas horas depois de aberta a flor: diz-se então caduca ou fugace, como nas estevas, na videira, onde as petalas não chegam a separar-se no cimo e são arrancadas pelo esforço produzido pelo crescimento dos estames, etc. Quando, pelo inverso, a corolla persiste secca, murcha, sem cahir, diz-se marcescente, como na camarinheira, tamargueira etc.

Em quasi todas as flores das nossas especies lenhosas o numero das petalas é egual ao das sepalas, no emtanto ás vezes é desegual, como em algumas Cistineas, por exemplo.

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Prefloração e estivação. - Denomina-se prefloração o arranjo, a disposição das petalas, e estivação a das sepalas, antes da flor abrir. Os seus principaes typos, nas especies lenhosas indigenas, são os seguintes:

O calice e a corolla do sumagre, da aroeira, da camarinheira, etc., teem a estivação e a prefloração imbricativas: as sepalas tapam-se successivamente pelos bordos, e o mesmo acontece ás petalas. Nas Rosaceas a prefloração é ainda imbricativa, mas ahi a estivação é valvular: as sepalas tocam-se pelos bordos, sem se cobrir. No jasmineiro e no loendro a prefloração é contorcida, cada petala tem um bordo virado para o interior e outro para o exterior, estando o primeiro tapado por parte da petala adjacente, e o segundo a cobrir parte da outra petala proxima. Nos tojos, giestas, acacia bastarda, e em todas as Papilionaceas, a prefloração é vexillar, o estandarte cobre as azas, que por sua vez tapam a quilha, cujas duas peças se applicam uma contra a outra. Na olaya, as cinco petalas da corolla pseudo-papilionacea apresentam a prefloração carinal, são as duas petalas inferiores, (as que correspondem á quilha das Papilionaceas), que cobrem, livres, as duas lateraes, e estas a petala superior.

Estames. - O terceiro verticillo da flor completa constitue a androcea, e é formado pelos estames, ou orgãos masculinos da reproducção.

A differenciação dos estames é mais profunda ainda que a das petalas: na fórma typica, o peciolo da folha modificada adelgaça-se e constitue o filete, o limbo, dividido pela nervura média, fórma o connectivo, e desenvolve de cada lado protuberancias do parenchyma que, a principio cheias de cellulas, estão escavadas na occasião da floração, e transformadas nos saccos pollinicos, ou loculos da anthera. O limbo assim differenciado, isto é o conjuncto do connectivo e dos saccos pollinicos, denomina-se anthera. No interior das cavidades da anthera existem cellulas isoladas, com fórmas granulosas, que n'um dado momento se escapam para o exterior constituindo o pollen ou pó fecundante.

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Estas partes componentes do estame variam muito na fórma e na grandeza relativa. Nos carvalhos, no castanheiro, no ulmeiro (fig. 78), etc., os filetes são compridos e os estames salientes, maiores que os perigoneos; no medronheiro, na urze vulgar, no alfenheiro, etc., os estames são, pelo inverso, menores do que a corolla, inclusos. No loendro, no trovisco, no aderno, os filetes são muito curtos, quasi nullos. Estes filetes podem ser glabros, como na madresilva, no ulmeiro, etc., ou pelludos, como no medronheiro.

Fig. 78. Estames do ulmeiro (Ulmus campestris, L.). A, com os loculos da anthera ainda fechados. B, com a anthera já aberta, depois de espalhado o pollen (proximamente 8:1).

A anthera apresenta muitas vezes a fórma ellipsoidal, como no ulmeiro (fig. 78), mas ás vezes é apiculada no cimo (azinheira) (fig. 79), cordiforme, sagittada, etc. Em alguns casos prolonga-se em appendices, como em certas urzes, etc. (fig. 80). A côr da anthera não é menos variavel do que a fórma: no freixo e no ulmeiro são vermelho-escuras, no mostageiro brancas, no salgueiro preto são amarellas, etc.

Fig. 79. Estame da azinheira (Quercus Ilex, L.) (8:1).

Fig. 80. Estame com a anthera appendiculada e dehiscente por poros, da urze (Erica lusitanica Rud.) (8:1.)

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O connectivo umas vezes é muito reduzido outras, pelo inverso, adquire grande desenvolvimento. No teixo, no zimbro e nos pinheiros dilata-se em lamina escamiforme; no alecrim é muito comprido, e como aborta a parte da anthera presa n'um dos seus extremos, apresenta-se com o aspecto de um pequeno dente no dorso do filete.

A posição da anthera, relativamente ao filete que a supporta, varia muito nas especies lenhosas indigenas, e a posição dos saccos pollinicos, em relação á face do limbo onde se formam, tambem não é constante; assim nos pinheiros, e em todas as Gymnospermas, pertencem á face inferior, emquanto nas Angiospermas, podem pertencer a uma ou outra, ou promiscuamente ás duas faces. O numero d'estes saccos pollinicos tambem é variavel para cada especie.

Relativamente ao pistillo a anthera pode ser introrsa, voltar-se para elle, como na oliveira, tamargueira, acacia bastarda, camarinheira, etc., ou ser extrorsa, virando-lhe o dorso, como nos carvalhos, ulmeiro, salgueiros, choupos, vidoeiro.

No maior numero das nossas especies lenhosas a dehiscencia dos loculos da anthera faz-se por uma fenda longitudinal (fig. 78); no medronheiro, nas urzes e no arando realisa-se por póros terminaes (fig. 80); no loureiro e no berberis por valvulas (fig. 81).

O numero dos estames varia muito nas diversas essencias: o alfenheiro tem 2, a camarinheira 3, o buxo 4, o folhado 5, o berberis 6, o castanheiro da India geralmente 7, as urzes 8, a acacia bastarda 10, a murta um numero consideravel (estames indefinidos). O numero dos estames nem sempre é constante na mesma especie: assim o castanheiro tem 10 a 12, a nogueira 15 a 36, o loureiro, 8 a 12, etc.

Fig. 81. Estame do loureiro (Laurus nobilis, L.) dehiscente por valvulas.

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Este numero é, muitas vezes, egual ao das divisões da corolla, ou do perigoneo (salgueiro, madresilva, alfarrobeira, folhado, ulmeiro, camarinheira, etc.); outras vezes é apenas metade do numero d'essas divisões (oliveira, alfenheiro, aderno, etc.); ou é o dobro (olaya, tojo, medronheiro, arando, urzes, etc.); finalmente, n'outras especies, não existe relação simples entre o numero dos estames e o das divisões dos involucros floraes: assim o castanheiro da India tem geralmente 7 estames e 4 a 5 petalas, os bordos (genero Acer) 8 estames e 5 petalas, etc.

Em quasi todas as especies indigenas lenhosas os estames são eguaes: apresentam-se deseguaes, por exemplo, no pimenteiro silvestre, nos tomilhos, etc.

Quanto á sua situação relativamente ás petalas, ou ás divisões do perigoneo, os estames podem ser alternos, como no azevinho, camarinheira, sumagre, hera, sabugueiro, folhado (fig. 82), ou oppostos, como na videira, lodão bastardo, figueira, carrasqueiro, ulmeiro (fig. 64.), etc.

Em muitas das nossas especies lenhosas os estames são livres, independentes uns dos outros (choupos, oliveira, alfarrobeira, ulmeiro, etc.); n'outras estão mais ou menos ligados: na tamargueira os filetes soldam-se um pouco na base; nos tojos e giestas reunem-se n'um longo tubo (fig. 83), e os estames assim ligados n'um só corpo dizem-se monadelphos; na acacia bastarda são diadelphos, reunem-se em dois grupos (um estame fica livre e nove adherem pelos filetes); na laranjeira são polyadelphos, soldam-se em muitos grupos (fig. 84).

Fig.82. Flordo folhado (Viburnum Tinus, L.) com os estames alternos com as petalas (1:1).

Fig. 83. Estames monadelphos de um tojo (2:1).

Fig. 84. Grupo de estames da la ranjeira (Citrus Aurantium, Risso). (1:1).

C. S. 10

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Pistillo. - O pistillo, ou orgão feminino da reproducção vegetal, é constituido por uma, ou mais folhas modificadas, que se denominam folhas carpellares, ou carpellos.

O numero dos carpellos, que formam o pistillo, varia muito: na amendoeira, no azereiro, na acacia bastarda, etc., é um só; no vidoeiro, no amieiro, no loendro, etc., são dois; no sabugueiro, na madresilva, no buxo, etc., são tres; na pereira e no medronheiro cinco: na bella sombra dez a doze, etc.

Nas Gymnospermas (pinheiros, zimbros, cyprestes, teixo) as folhas carpellares ficam abertas, não protegem ou involvem os ovulos, que teem presos, e que depois de fecundados se transformam nas sementes. Nas Angiospermas as folhas carpellares adquirem maior differenciação, e limitam um espaço fechado, onde os ovulos ficam incluidos. O limbo da folha carpellar denomina-se ovario; n'essa região se desenvolvem os ovulos.

Nas Angiospermas unicarpellares cada flor tem um só ovario, devido ao enrolamento do carpello sobre si mesmo; nas Angiospermas multicarpellares podem dar-se, a este proposito, diversos casos: umas vezes os carpellos ficam independentes e cada um se enrola sobre si, originando á flor tantos ovarios distinctos quantos os carpellos (generos Clematis, Rosa, etc.); outras vezes os carpellos adherem todos, mas cada um ainda circunscreve um espaço fechado, constituindo o conjuncto um ovario multilocular (medronheiro, ricino, etc.); outras vezes, finalmente, os carpellos não se enrolam, não limitam isoladamente um espaço, mas unem-se pelos bordos, formando um ovario unilocular, embora multicarpellar, como nos salgueiros e nos choupos, onde os dois carpellos de cada flor fecham uma cavidade unica.

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D'aqui se deduz, que pelo numero dos loculos de um ovario não se pode concluir o numero dos carpellos componentes; e tanto mais que, ás vezes, existem falsos dessepimentos que tornam ainda mais complicada aquella verificação: assim o ovario bicarpellar do pimenteiro silvestre tem o espaço circumscripto por cada carpello sub-dividido por um falso dessepimento, que o faz apparentar erradamente quadricarpellar. Passado um certo grau de desenvolvimento as causas d'erro augmentam com as alterações realisadas, porque muitas das partes do ovario podem abortar: nos carvalhos, por exemplo, dos seis ovulos que contem o ovario trilocular, um só se desenvolve de ordinario, com o loculo correspondente.

Em seguida ao ovario, nota-se um prolongamento, devido á especialisação da nervura dorsal da folha modificada, que se denomina estylete, e que termina pelo estigma, de ordinario mais engrossado, e de fórmas variadissimas. Os carpellos abertos das Gymnospermas não se differenciam nem em estylete nem em estigma.

O ovario unicarpellar tem um só estylete; o ovario pluricarpellar em these geral deve ter tantos estyletes quantos os carpellos. Assim acontece ás veses (camarinheira, buxo, ricino, etc.), mas outras vezes a concrescencia dos carpellos abrange tambem os estyletes, n'um espaço maior ou menor, ou mesmo em toda a extensão, formando elles um só corpo (laranjeira, madresilva, etc.) (fig. 85). N'este ultimo caso a concrescencia pode respeitar os estigmas, como nos carvalhos e castanheiros, ou incluil-os tambem ligando-os n'um só. Na madresilva, por exemplo, o ovario tricarpellar apresenta um estylete unico e o estigma trilobado, accusando uma concrescencia dos carpellos que apenas respeitou as estremidades dos tres estigmas.

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