Correspondência ativa de Euclides da Cunha em 1903

Chapter 2

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Lorena, 12 de junho de 1903 Meu Pai Desejo que esta o encontre de boa saúde. Não lhe tenho escrito porque desde o dia 28 do mês passado ando em constantes viagens. Tenho mandado, logo que aqui chegam, as Lectures pour Tours, e ontem um Comércio de S. Paulo. O Laemmert propôs comprar-me desde já por 1:600$000 a 2ª edição dos Sertões que saiu há 3 dias. Aceitei porque preciso de uma entrada do seguro de vida que fiz, e com o que anteriormente recebi paguei as dívidas que tinha. Além disto, nada perco porque num primeiro livro só se aspira um lucro de ordem moral, e este eu o tive de sobra. Infelizmente me obrigaram a ser candidato à Academia de Letras com a infelicidade de ter, entre outros antagonistas, o velho autor dos Mineiros da Desgraça, Quintino Bocaiúva, que me derrotará pela certa ─ porque leva para a ação a própria influência política, e levantou-lhe a candidatura o primus inter pares da nossa gente, o barão do Rio Branco. Os poucos votos que eu terei, porém, valerão pela qualidade. Peço-lhe que dê lembranças nossas a Adélia e Otaviano e abençoe ao seu filho e amº Euclides P.S. ─ Além daquela quantia dão-me, os editores, 45 livros o que eleva a importância da venda que fiz.

Lorena, 12 de junho de 1903 Dr. José Veríssimo Cumprimento-o, desejando-lhe felicidades e à Exma. família. A notícia que hoje li, ao voltar de viagem, num Correio da Manhã sobre vários candidatos à Academia, é antes de tudo uma indiscrição de jornalista. Mas tem o valor de libertar-me da vacilação que me tolhia no concorrer àquele lugar. Não posso mais recuar. E sem temer o insucesso inevitável ─ porque o simples fato de ser admitido à concorrência basta a enobrecer-me consideravelmente ─ cumpro o dever de lhe comunicar a minha candidatura, antes mesmo de me dirigir ao presidente da Academia, porque ao sr. devo o favor da apresentação do meu nome, então obscuro, à sociedade inteligente da nossa terra, amparando-o com extraordinária generosidade. (Não veja aí lisonjaria vã; nunca consegui deixar de escrever o que sinto). Continuo na minha engenharia fatigada e errante ─ e, agora, com a sobrecarga de uma monografia sobre o Duque de Caxias. Felizmente me habituei a estudar nos trens de ferro, nos troles, e até a cavalo! É o único meio que tenho de levar por diante esta atividade dupla de chefe de operários e de homens de letras, visando quase o ideal dessa vida intensa, da qual tratou superiormente o extraordinário Roosevelt no seu último livro. Sem mais, queira sempre dispor de quem é com muita consideração seu amº atº e adm or . Euclides da Cunha

Lorena, 18 de junho de 1903 Meu caro Max Fleiuss Cumprimento-o e desejo-lhe felicidades. Há dias enviei ao comendador Raffard dois ofícios em resposta aos que ele mandou sobre a minha entrada para o Instituto e sobre a honrosa missão de que o mesmo me encarregou. Enderecei-os para o Instituto, e, como não designei o local nessa cidade onde é a sede do mesmo, renovo por seu intermédio o aviso temendo que por qualquer circunstância se tenham extraviado. Já estou, nas minhas raras horas de folga, estudando a vida do Duque de Caxias; e como não tenha prazo prefixado para levar adiante a missão penso poder realizá-la satisfatoriamente. Prometi-lhe um exemplar da segunda edição dos Sertões e tenho o maior prazer em oferecer-lho. Não tendo, porém, nenhum aqui, e não querendo demorar-me no cumprimento da promessa, peço-lhe o favor de entregar aos srs. Laemmert & cia. a inclusa carta. Mando-a certo de que me desculpará a inconveniência do pedido, atendendo à circunstância de me achar longe dessa capital e não saber quando poderei ir até lá. Sem mais, disponha sempre de quem é m to . adm or . e amº. Euclides da Cunha

Lorena, 20 de junho de 1903 Dr. Lúcio de Mendonça Saúdo-o Recebi as suas interessantes notas sobre alguns sucessos da Revista. Já estou às voltas com este assunto, mas nunca imaginei que fosse tão sério e tão difícil. Será certamente demasiado o livro que vou escrever. Sobretudo o que vai tornando-se cada vez mais enigmático à medida que o examino é o seu singular protagonista. Que homem! Às vezes figura-se-me um Luís XI, outras um cardeal d. Henrique; ora um gênio mau, ora um tonto que os acontecimentos transfiguram. Afinal hei de o conhecer. E se o sr. tiver quaisquer indicações (mesmo incidentes, que valem muito) dê-mas, com absoluta confiança, se é que terei a felicidade de lhe despertar a mesma simpatia que me inspirou desde o nosso primeiro encontro. Passando a outro assunto: mantenho a minha candidatura à Academia apesar da derrota inevitável. Hoje respondendo uma carta de Coelho Neto a este respeito perguntei se ele não se recordava de uma sanguinolenta comédia vulgar nos anfiteatros romanos, em que o patrício desfibrado e trôpego, vestindo a armadura e armado até os dentes ia garbosamente se bater com o gaulês desnudo e empunhando uma espada de pau. Serei o gaulês. E será para mim um belo triunfo a derrota em que me ampararão Lúcio de Mendonça, José Veríssimo, Araripe, João Ribeiro, Coelho Neto e Arinos. Creia na verdadeira estima e elevada consideração do amº atº obr do . adm or . Euclides da Cunha

Lorena, 21 de junho de 1903 Exmo. sr. Machado de Assis Tenho a honra de solicitar a V. Exa. A minha inclusão entre os candidatos à vaga existente na Academia de Letras. Certo de uma aquiescência, que por si valerá para mim como o melhor dos títulos, subscrevo-me com a mais elevada consideração. De V. Exa. ─ crº mº atº e adm or, . Euclides da Cunha

S. Paulo, 4 de julho de 1903 Dr. José Veríssimo Desejo-lhe felicidades e a todos os seus. Recebi ontem uma carta do nosso amigo João Ribeiro, mais animadora quanto ao sucesso da minha candidatura, que já supunha morta. Vou agora escrever aos acadêmicos. Peço-lhe, porém, (e estendendo o pedido aos drs. J. Ribeiro, Araripe e Lúcio de Mendonça) que se recorde da minha situação de engenheiro errante, preso pelos empreiteiros e absorvido em orçamentos, quase sem tempo para curar dos meus próprios interesses. Os outros candidatos, mais folgados e num outro meio, têm elementos práticos de sucesso que eu não posso ter. Aqui, em S. Paulo, ninguém acredita que eles triunfem, ─ mas eu estou convencido do contrário, se me desampararem os bons amigos com que conto. Aqui cheguei ontem impressionadíssimo com a notícia de estar doente o meu pai; felizmente encontrei novas mais animadoras e penso que não terei de fazer longa viagem ao interior, voltando dentro de dois dias para a minha tranquila Lorena. Creia sempre na consideração e estima do Euclides da Cunha P.S. ─ Já tinha recebido, enviado pelo próprio Instituto, a revista a que o sr. se referiu na sua carta. Realmente lá encontrei valiosos documentos.

Lorena, 6 de julho de 1903 Exmo. sr. Artur Azevedo Saúdo-o cordialmente. Não sei se chego tarde para pedir o seu voto, que muito valerá à minha candidatura ao lugar atualmente vago na Academia de Letras. Mas faço [o] pedido porque para mim ele significa, sobretudo, o muito apreço que há muito lhe tributo, antes que me cativasse o seu generosíssimo juízo sobre os Sertões. Creia que sou com toda a consideração seu amº crº atº e adm or . Euclides da Cunha

Lorena, 7 de julho de 1903 Exmo. sr. dr. Afonso Celso Júnior Cumprimento-o desejando-lhe felicidades. Venho não por obedecer a uma formalidade, mas espontaneamente e com a maior satisfação, solicitar o seu voto à minha candidatura à Academia de Letras, ─ porque o considero entre os que maior brilho darão à minha investidura. Peço-lhe que creia sempre na elevada consideração do seu compatriota, atº crº e adm or . Euclides da Cunha

Lorena, 9 de julho de 1903 Exmo. sr. dr. Oliveira Lima Candidato à cadeira que vagou na Academia de Letras em virtude do lamentável falecimento de Valentim Magalhães, venho solicitar o seu voto, e assim procedo não só por obedecer a praxe estabelecida como pelo reconhecimento do alto valor que o sufrágio de V. Exa. dará à minha investidura. Sou, com a maior consideração, de V. Exa. crº obrº e adm or . Euclides da Cunha

Lorena, 9 de julho de 1903 Exmo. sr. barão do Rio Branco Saudando respeitosamente a V. Exa. tenho a honra de solicita[r] o seu voto na próxima eleição que se realizará na Academia de Letras, para o preenchimento da vaga originada pelo lamentável passamento do nosso distinto compatriota Valentim Magalhães. Subscrevo-me com a mais elevada consideração. De v. Exa. Compatriota crº atº e verdº Euclides da Cunha

Lorena, 10 de julho de 1903 Exmo. sr. Machado de Assis Tendo tido a felicidade de ser incluído por V. Exa. entre os concorrentes à cadeira que vagou na Academia de Letras em virtude do lamentável falecimento de Valentim Magalhães, e recordando-me das animadoras palavras que me dispensou, e que foram para mim uma grande honra e um grande estímulo, ─ venho solicitar o seu voto em prol da minha candidatura. Peço-lhe que acredite sempre na mais elevada consideração do seu Compatriota crº atº e muito adm or . Euclides da Cunha

Lorena, 10 de julho de 1903 Exmo. sr. dr. Salvador de Mendonça Saudando a V. Exa. tenho a grande honra de solicitar o seu voto à minha candidatura à Academia de Letras. Não o faço apenas por obedecer à praxe estabelecida, mas principalmente porque reconheço o alto valor que dará à minha investidura o sufrágio de V. Exa. Acreditai na elevada consideração que lhe tributa o seu comp. crº atº e adm or . Euclides da Cunha

Rio, […] julho de 1903 Luar [Raul Pederneiras] manda-me, pelo palafreneiro, portador deste retângulo, o original da minha fealdade favorecida pelo teu lápis zenital Euclides

Lorena, 17 de julho de 1903 Exmo. sr. barão do Rio Branco Apresso-me em responder a carta em que V. Exa. tão generosamente me oferece o honrosíssimo amparo de seu sufrágio à minha candidatura à Academia Brasileira de Letras. E com a mais completa franqueza declaro a V. Exa. que se por acaso eu desejasse qualquer recompensa pelos serviços que tentei prestar à nossa terra, escrevendo Os Sertões, não poderia tê-la maior, mais valiosa e mais digna do que aquela carta, que hei de sempre guardar como um verdadeiro prêmio. Creia o meu venerando compatriota na elevada consideração e decidido apreço de seu cr do . at o . obr do . e muito adm or . Euclides da Cunha

Lorena, 17 de julho de 1903 Dr. Afonso Celso Saúdo-o e a toda a Exma. família. Nem sei como responder ao seu delicadíssimo cartão de 10 do corrente. Afirmo-lhe, porém, que ele não me surpreendeu. Ali está, integral, na concisão expressiva do seu cavalheirismo, a nossa antiga generosidade brasileira. Aceito com verdadeira ufania, na minha rude mão de engenheiro, a sua mão fidalga e imaculada. Somos dois homens igualmente conscientes dos princípios que adotam; e embora estes nos separem, ligamo-nos num plano mais alto: o mesmo amor à nossa terra. E como, ambos, não temos partidos ─ porque o sr., dignamente abraçado aos antigos ideais, foge ao resvaladio das agitações inconscientes que por aí lavram, e eu, ─ abraçado aos princípios republicanos, sou repelido pelos singulares correligionários que da República não querem nem mesmo a rudeza puritana dos yeomen de Cromwell, ─ penso que este apego ao Brasil nos fraterniza na única política séria destes tempos. De sorte que é com legítima satisfação e a mais franca simpatia que me assino ─ confrade am o . at o . e muito adm or . Euclides da Cunha

Lorena, 24 de julho de 1903 Exmo sr. Artur Azevedo Saúdo-o desejando-lhe felicidades. Recebi, entregue pelo nosso distinto amigo, cel. Barreiros, a sua gentilíssima carta de 16 do corrente e apresso-me em agradecer-lhe o seu honroso sufrágio. Creia que ele me honra muito, e que é um dos melhores estímulos para que eu persista no aproveitar os momentos de folga de minha engenharia estudando as coisas de nossa terra. Obrigadíssimo. Já tracei nas primeiras linhas sobre a revolta de setembro, e julgo que não chegarei rapidamente ao fim. (Embora com verdadeira surpresa tenha lido no Correio da Manhã, que o livro já vai para o prelo!) O assunto, a começar pelo homem extraordinário que inteiramente o domina, é complexo: exige grande serenidade de observação; crítica segura; e permanentes resguardos no acompanhar o curso dos acontecimentos, que as paixões baralharam e perturbaram. Digo-lhe isto porque da bondosa referência que o sr. fez em seus artigos no País, se conclui que também acredita no próximo aparecimento do trabalho. Mas a rapidez seria prejudicial. Suponho que em princípios de agosto estarei aí. Conversaremos melhor. Creia sempre na grande estima e maior consideração do seu am o . e adm or . Euclides da Cunha

Lorena, 24 de julho de 1903 Escobar Desejo-te felicidades e aos teus. Recebi a tua carta; e fico certo de encontrar-te em S. Paulo. Lá chegarei no dia 4 pela manhã. Se não puderes ir à estação do Norte, procura-me na Repartição ao meio dia. Procurar-te-ei no Hotel Bela Vista. Irei provavelmente para o Hotel de França. Quanto à Academia tenho, certos, os seguintes votos: Rio Branco, Machado de Assis, Artur Azevedo, João Ribeiro, Veríssimo, Lúcio de Mendonça, Afonso Celso, Coelho Neto, Filinto, Araripe, Raimundo Côrrea, Garcia Redondo e provavelmente, Oliveira Lima, Laet e alguns outros. Dois, Arinos e Augusto de Lima, que eram certíssimos, ainda não tomaram posse. Como vês ─ se não triunfar tenho em compensação a elite dos nossos homens de talento ao meu lado. Nem quero outra vitória. ─ Sei que os outros concorrentes cavam danadamente, e é possível que algum deles triunfe. Mas… o grande Paul Louis também foi derrotado. Em S. Paulo conversaremos melhor. Responda-me ─ duas linhas ─ dizendo o dia certo da tua ida ao am o . Euclides

Lorena, 26 de julho de 1903 Exmo. sr. Machado de Assis, Cumprimentando-o respeitosamente à Exma. Senhora, apresso-me em agradecer a grande distinção de sua carta de 20 do corrente que hoje li, ao voltar de viagem. Ela não me surpreendeu. Desde o primeiro dia em que tive a felicidade de conhecer pessoalmente a V. Exa. ─ o que para mim foi o complemento de relações bem antigas ─ fiquei sob a impressão de um deslumbramento, ao notar a incomparável bondade e a rara superioridade de coração com que me revestiu a sua nobilitadora estima. O sufrágio que me vai dar será para mim uma consagração. Subscrevo-me, com a mais profunda estima e elevado apreço, seu am o . e cr do . ato. e adm or . Euclides da Cunha

Lorena, 22 de agosto de 1903 Escobar A tua carta de ontem deixou-me triste. Vejo-te desalentado ─ como se fosses um velho, melancólica palavra que não devias ter escrito ─ porque afinal és tudo menos um decadente ao qual se aplique o termo. Velhos andam por aí muitos ─ alguns de 20 anos! ─ mas não te vejo entre eles. Sursum corda! Meu bravo companheiro… É até um desaforo esse desânimo. Hás de ir para Santos e hás de lutar, ali, com a mesma nobreza de sempre. Tenha certeza disto. Mas para tal é necessário que vejas as coisas claras e azuis; nada de abatimentos. Tens uma fortuna que não se perde ─ alguns bons amigos. Sou o último deles, mas aqui estou absolutamente ao teu dispor. As cartas, hei de entregar-tas pessoalmente, na Civilização. Pretendo chegar a S. Paulo no dia 4 de setembro, à noite. Quero encontrar-te na estação do Norte. Não faltes. E escreva-me antes. Recomenda a todos os teus o am o . firme e de sempre Euclides P.S. ─ O diabo é que vou apresentar-te a concorrentes: o Vicente, o Urbano Neves etc. ─ mas neles terás magníficos companheiros. Alguma coisa me diz (e os meus pressentimentos de caboclo numca me enganam!) que serás extraordinariamente feliz em Santos. Verás… Para aproveitar o papel aí vão os meus votos seguríssimos para a próxima eleição da Academia: Laet, Lúcio e Salvador de Mendonça, Veríssimo, João Ribeiro, Araripe, Machado, Rio Branco, Silva Ramos, Inglês de Sousa, Artur Azevedo, C. Neto, G. Redondo, Filinto, Luiz Murat, Raimundo Corrêa, e Afonso Celso (17) ─ e Arinos, Augusto de Lima e Martins Jº, estes se tomarem posse antes da eleição. Como vês se os homens mantiverem o prometido é inevitável a vitória. Euclides [À margem] 2º P.S. ─ Antes de vir dê um passeio à ponte para me dar notícias dela.

Lorena, 10 de setembro de 1903 Coelho Neto o vento sul que aí está destocando as roseiras de Campinas, sacode, neste momento, as palmeiras imperiais da minha melancólica Lorena… e é uma lufada apenas, um fragmento do sudoeste bravo que, a estas horas, se estira e tumultua precipitado nas planuras dos pampas e dos chacos!… O diabo é que ele também me bate nos nervos; e aqui estou doente, a vibrar, a vibrar, à toa como aquelas harpas da gongórica peroração de Mont’Alverne. Isto não me impede, porém, de te responder logo, ─ ainda que o faça impelido por um interesse. De fato, sendo a eleição da Academia no dia 15 (disse-me isto Machado de Assis, quando estive no Rio), temo que alguns imortais não votem, distraídos pelos acontecimentos; e como não ficaria bem lembrar-lhes tal coisa, peço-te que escrevas a respeito aos que forem mais íntimos. Estou longe, a braços com esta profissão, e a minha candidatura ainda pode soçobrar. Mando-te a lista dos votos com que conto com absoluta confiança: o teu e os do Lúcio, Salvador, Araripe, Machado, Rio Branco, Afonso Celso, Inglês de Sousa, Silva Ramos, Artur, Veríssimo, João Ribeiro, Garcia, Filinto, Raimundo, Murat e Arinos (se tomar posse). Jás vês que há desgraçadamente nesta carta um móvel de egoístico. Contingência humana. Adeus; até breve. Recomenda-me a todos os teus. Abraça-te fraternalmente Euclides da Cunha

Lorena, 10 de setembro de 1903 Dr. Afonso Arinos Saúdo-o e Exma. sra. Hoje ao chegar de viagem li no Correio da Manhã que se vai marcar o dia para a sua posse, e eleição da Academia. Lembrei-me então da minha candidatura, da qual me tenho descuidado para atender às exigências da profissão. Peço-lhe, por isto, que me ajude a levá-la por diante ─ para o que basta que não faltem os que prometeram o voto. Infelizmente não posso ir até aí para isto, e principalmente, para ouvir o seu discurso. Partirei amanhã em nova viagem. Mas sigo tranquilo confiando no sr. e nos outros bons amigos que aí estão. Até breve; creia sempre no Euclides da Cunha

Lorena, 19 de setembro de 1903 Escobar Aqui recebi a tua carta de ontem. Ontem chegou o Bormann. Obrigadíssimo. Responda-me dizendo quando, provavelmente, podes vir. Não tens por aí notícias da minha candidatura? Não sou mais extenso porque vou seguir já para Lambari onde voltarei hoje mesmo. Até breve ─ Abraça-te o am o . Euclides P.S. ─ Não recebi ainda o Senna Madureira ─ e o outro. Talvez venham à tarde. Euclides

Lorena, 22 de setembro de 1903 Meu Pai Desejo que esta o encontre bem de saúde. Apresso-me em comunicar-lhe que fui eleito ontem para a Academia de Letras ─ para a cadeira do seu grande patrício, Castro Alves. Assim, o desvio que abri nesta minha engenharia obscura, alongou-se mais do que eu julgava. É ao menos um consolo nestes tempos de filhotismo absoluto, verdadeira idade de ouro dos medíocres. Tive eleitores como Rio Branco e Machado de Assis. Mas não tenho vaidades: tudo isto me revela a boa linha reta que o sr. me ensinou desde pequeno. Hei de continuar nela. Mande sempre notícias. Filho e am o . Euclides P.S. ─ Nomeu discurso de posse hei de recitar alguns versos de um velho poeta M. R. P. C. ─ que acompanharam as primeiras edições das Espumas Flutuantes.

Lorena, 22 de setembro de 1903 Exmo. sr. Machado de Assis Cumprimentando-o e à Exma. família, apresso-me em lhe agradecer a extrema gentileza de seu telegrama de ontem, dando-me a mais agradável das notícias. Creia o meu distintíssimo patrício que no novo posto a que fui elevado (e não sei de nenhum outro mais elevado, neste país) me encontrará sempre assistido de uma boa vontade sem limites para obedecer à lúcida direção que está imprimindo ao movimento intelectual da nossa pátria. ─ Sempre com a mais alta consideração e maior estima, sou seu am o . cr do . muito adm or . E. da Cunha

Lorena, 23 de setembro de 1903 Escobar Saúdo-te. Recebi a tua carta e o telegrama. Obrigadíssimo. Surpreendeu-me o triunfo! E aqui estou cheio de gratidão pelos nossos dignos compatriotas que tão generosamente levantaram o meu nome obscuro. Recebi os livros. Quando vens? Não posso ir lá agora. Só em princípios do mês. Leste o belo artigo da Gazeta sobre os Sertões? Não diria nada a Tribuna, de Alcindo Guanabara? No caso afirmativo peço-te a envies. Escrevo atrapalhadamente, tendo que responder a não sei quantas cartas e telegramas. Um embrulho… Responda ao velho am o . obr mo . Euclides

Lorena, 23 de setembro de 1903 Meu caro Borba nas aperturas da crise não tenho remédio senão te incomodar pedindo-te que me mandes logo as diárias de Agosto. Perdoa-me, meu velho amigo; lembra-te da minha profunda anemia algibeiral… E adeus. Responda ao Euclides

Rio, 10 de outubro de 1903

Exmo. sr. dr. Rodrigo Otávio, dmo. 1º Secretário da Academia Brasileira de Letras. ─ Agradecendo a V. Exa. a honrosa comunicação que me fez em data de 25 de setembro p. findo, relativamente à minha eleição de membro dessa ilustre corporação, para a cadeira de Castro Alves, vaga pela morte de Valentim Magalhães, declaro que a recebi com a maior satisfação, ficando inteiramente ciente dos grandes e nobilíssimos deveres imanentes a tão elevado cargo. Aproveito a oportunidade para apresentar a V. Exa. os protestos da maior estima e consideração, subscrevendo-me ─ confrade obr do . e muito adm or . Euclides da Cunha

Lorena, 14 de outubro de 1903 Max Fleiuss Saúdo-o e desejo-lhe felicidades. Não tendo tido o prazer de o encontrar outra vez, antes de partir para aqui ─ renovo por meio desta o pedido que aí lhe fiz para enviar-me os documentos que puder dispensar relativos ao nosso saudoso Valentim Magalhães. Terei com eles os cuidados que se têm com as verdadeiras relíquias; pode confiar-mos certo da restituição, que farei pessoalmente, quando aí estiver em novembro, para tomar posse do meu lugar no Instituto. Quanto a este último ponto, peço-lhe, igualmente, que me diga qual o dia da sessão em que se realizará aquele ato. Sem mais, creia-me sempre com a maior consideração ─ amo. obr do . ato. adm or . Euclides da Cunha

Lorena, 18 de outubro de 1903 Amigo dr. José Veríssimo Saúdo-o e a todaa Exma. família. ─ Tem esta por fim solicitar-lhe dois grandes favores: 1º endereçar a inclusa carta para o dr. Joaquim Nabuco, porque não sei que destino lhe devo dar com segurança. Tracei-a à carreira, num intervalo desta minha vida trabalhosa. Subordino-a à sua censura. O 2º favor consistirá em aceitar um desgracioso presente: o rosto do caboclo que aí vai. Para isto não considere as suas linhas desengraçadas; considere a minha boa intenção. E creia sempre na admiração e estima de quem é, muito cordialmente, Euclides da Cunha

Lorena, 18 de outubro de 1903