Chapter 9
10. Além disso, este prodígio ou religiosidade nos ridiculariza também, e adiciona o seguinte imaginário fato para sua mentira anterior; por ser dito que este homem relatou como, "enquanto os judeus estavam em outro tempo numa longa guerra com os idumeus, veio um homem de uma das cidades dos idumeus, que cultuava Apolo. Este homem, cujo nome é dito como sendo Zabidus, veio aos judeus, e prometeu que entregaria Apolo, o deus de Dora, em suas mãos, e que viria ao nosso templo, se todos eles viessem com ele, e trouxessem aquela multidão de judeus com eles; Zabidus fez um certo instrumento de madeira, e o colocou em torno de si, e colocou nisso três fileiras de lâmpadas, e caminhou depois de uma tal maneira, que pareceu àqueles que permaneceram ***a great way off him*** ter ele acima de si algo maravilhoso, como uma espécie de estrela, caminhando sobre a terra. Os judeus ficaram terrivelmente amedrontados em tão surpreendente aparição, e se mantiveram completamente imóveis à distância; e Zabidus, enquanto eles continuavam assim imóveis, entrou na casa sagrada, e carregou aquela cabeça de ouro de um asno, (para tão alegremente fazer ele escrever) e então retornou a Dora em grande pressa." "E diga você, portanto, senhor!", conforme eu posso replicar; então Ápio faz carregar o asno, que é ele mesmo, e mete-lhe uma sobrecarga de besteiras e mentiras; pois ele escreve de lugares que não existem, e nada conhecendo das cidades das quais fala, troca suas localizações; porque a Iduméia confina com nosso país, e está próxima de Gaza, na qual não há tal cidade Dora; embora haja, é verdade, uma cidade chamada Dora na Fenícia, próxima ao monte Carmelo, mas está há quatro dias de jornada desde a Iduméia. (12) Ora, então, qual o motivo deste homem acusar-nos, por não termos deuses em comum com outras nações, se nossos antepassados eram tão facilmente vencidos por Apolo ter vindo a eles, e acreditaram vê-lo caminhando sobre a terra, e as estrelas com ele? Pois aqueles que certamente têm tantos festivais, onde se acendem lâmpadas, mesmo assim, neste conto, nunca teriam visto um castiçal? Mas parece ainda que, enquanto Zabidus fazia sua jornada sobre o país, onde havia tantas miríades do povo, ninguém encontrou-o. Além disso, é o que parece, mesmo em tempo de guerra, ele encontrou as muralhas de Jerusalém destituídas de guardas. Eu omito o restante. Agora os portões da casa sagrada eram [de] setenta cúbitos de altura (13) , e vinte cúbitos de largura; eles eram todos cobertos de ouro, e quase de ouro sólido, e era preciso não menos que vinte homens (14) para trancá-los todos os dias; nem era permitido deixá-los alguma vez abertos, apesar de parecer que este nosso porta-lâmpadas abriu-os facilmente, ou acreditou ele abrí-las, conforme ele pensou ter a cabeça de asno em sua mão. Será que ele, então, a devolveu novamente para nós, ou será que Ápio a tomou, e a trouxe novamente para dentro do templo, para que Antíoco pudesse encontrá-la, e a mão de um segundo Ápio inventado pudesse tatear? É incerto.
11. Ápio também conta uma falsa ficção quando menciona um juramento nosso, no qual "juramos por Deus, o Criador dos céus, terra e mar, não sustentar nenhuma boa vontade com qualquer estrangeiro, e particularmente a nenhum dos gregos." Agora este mentiroso devia ter dito diretamente que "nós não sustentaríamos nenhuma boa vontade com qualquer estrangeiro, e particularmente a nenhum dos egípcios." Pois então esta ficção a cerca do juramento teria se ajustado com o resto das suas falsificações iniciais, no caso dos nossos antepassados terem sido dirigidos para fora por sua parentela, os egípcios, mesmo que não no relato de algumas maldades [que] eles teriam sido culpados, mas no relato das calamidades [que] eles ficaram sujeitos; pois relativo aos gregos, nós estivemos [mais] particularmente afastados deles em localização, do que difere deles em nossas instituições, ao ponto de não termos inimizade com eles, nem qualquer inveja. Pelo contrário, tanto que tem acontecido de muitos deles consentirem ao lado de nossas leis, e alguns deles têm continuado em sua observância, embora outros deles não tiveram coragem suficiente para perseverar, e portanto dela apartaram-se novamente; nem qualquer pessoa alguma vez ouviu este juramento por nós prestado; Ápio, ao que parece, foi a única pessoa que ouviu isso, pois ele mesmo foi o primeiro a compôr isso.
12. De qualquer forma, Ápio merece ser admirado por esta grande prudência, de acordo com o que estou para dizer: A fim de que haja um simples sinal entre nós, que nem temos leis justas, nem devoção a Deus, [assim] como devemos fazer, porque não somos governantes, mas estamos especialmente em sujeição aos gentios, às vezes sob uma nação, às vezes sob outra; e aquela nossa cidade tem estado suscetível a várias calamidades, enquanto sua cidade [Alexandria] tem sido desde tempos antigos uma cidade imperial, e não ficou submetida aos romanos. Mas agora este homem se abandonou a este alarde, pois todos, exceto ele mesmo, pensariam que Ápio disse o que ele havia dito contra si mesmo; pois houveram pouquíssimas nações que têm tido a fortuna de continuar [por] muitas gerações no principado, mas as transformações nos assuntos humanos sempre as tem posto em sujeição sob outras; e muitas nações têm frequentemente sido subjugadas, e trazidas à servidão por outras. Agora, quanto aos egípcios, quem sabe eles sejam a única nação a ter tido este extraordinário privilégio, de jamais terem servido a qualquer daqueles monarcas que subjugaram a Ásia e a Europa, e somado a isso, conforme pretendem eles, que os deuses fugiram para dentro do seu país, e salvaram-se por se transformarem em bestas selvagens! Enquanto que estes egípcios (15) são o único povo que aparenta nunca ter tido, em todas as eras passadas, um dia de liberdade, de forma alguma, nem mesmo sob seus próprios monarcas. Pois eu não os acusarei relatando a maneira com que os persas usaram deles, e isso não somente uma vez, mas por muito tempo, quando eles destruíram suas cidades, demoliram seus templos, e cortaram a garganta daqueles animais que eles consideram serem deuses; apesar de não ser razoável imitar a ridícula ignorância de Ápio, que não observou as desgraças dos atenienses, ou dos lacedemônios, que posteriormente foram nomeados por todos os homens os mais corajosos, e os anteriores os mais religiosos dos gregos. Eu nada expresso a respeito dos reis famosos pela piedade, particularmente de um deles, cujo nome era Cresus, nem de quais calamidades sua vida conheceu; nada me refiro da fortaleza de Atenas, do templo em Éfeso, daquele em Delphi, nem das outras miríades que tem sido queimados, enquanto ninguém lança acusações sobre aqueles que isso sofreram, mas sobre aqueles que isso provocaram. Mas agora nós conhecemos Ápio, um acusador de nossa nação, apesar dele sempre esquecer as misérias de seu próprio povo, os egípcios; porém Sesóstris, que sempre foi um tão celebrado rei do Egito, deve tê-lo cegado. Agora nós não alardearemos de nossos reis, Davi e Salomão, apesar deles terem conquistado muitas nações; consequentemente nós ficaremos só nestes. De qualquer forma, Ápio ignora o que todos sabem, que os egípcios foram servos dos persas, e mais tarde dos macedônios, quando eles foram senhores da Ásia, e [estes] não eram mais que escravos, enquanto nós nos alegrávamos anteriormente na liberdade; mais que isso, tivemos o domínio de cidades situadas ao nosso redor, e isso por cerca de cento e vinte anos seguidos, até Pompeius Magnus. E quando todos os reis foram, um por um, conquistados pelos romanos, nossos ancestrais foram o único povo a continuar sendo estimado [como] seus confederados e amigos, por conta de sua fidelidade. (16)
13. Mas Ápio diz [que] nós judeus não temos tido quaisquer homens admiráveis, nem quaisquer inventores de artes ou qualquer famoso pela inteligência. Ele então enumera Sócrates, Zeno, Cleanthes, e alguns outros da mesma forma; e após todos, ele acrescenta a si mesmo com eles, que é a mais admirável idéia de todas as que ele afirma, e declara Alexandria como sendo feliz por ter tido um cidadão tal como ele; pois ele foi o homem adequado para ser testemunha de seus próprios abandonos, embora ele se tivesse mostrado a todos não mais que um charlatão maldoso, de uma vida corrompida e discursos prejudiciais; no qual conto devidamente uma possível piedade [(de?)] Alexandria, se isso deve valer para um cidadão tal como esse é. Mas com respeito aos nossos próprios homens, temos tido aqueles [que] têm sido merecedores de admiração como nenhum outro, e do mesmo modo [os] que têm perscrutado nossas Antiguidades não podem estar ignorantes desse fato.
14. Quanto a outras coisas que ele coloca como repreensíveis, essa pode ser talvez a melhor forma de deixá-las passar sem justificativa, que ele talvez permita ser seu próprio acusador, e o acusador do resto dos egípcios. De qualquer forma, ele nos acusa de sacrificar animais, e por nos abstermos de carne de porco, e escarnece-nos em relação à circuncisão de nossos membros [viris]. Mas em relação ao nosso abate de animais cevados para sacrifícios, é comum a nós e a todos os outros homens; porém este Ápio, por fazer disso um crime, prova por si mesmo ser um egípcio; pois se fosse um grego ou um macedônio, [como ele pretende ser], não demonstraria qualquer desconforto quanto a isso; pois aqueles povos honram aos seus deuses com sacrifício de hecatombes, e faz uso daqueles sacrifícios para comemorar; e mesmo assim não está o mundo, em razão disso, destituído de gado, como ficou Ápio receoso de ocorrer. E se todos os homens tivessem seguido os costumes egípcios, certamente o gênero humano teria sido eliminado do mundo, pois teria sido completamente preenchido de toda sorte de ferozes animais selvagens, pois, por eles suporem serem estes deuses, [então] os nutrem cuidadosamente. Ora, se alguma pessoa perguntar a Ápio, qual dos egípcios ele acredita que seja o mais sábio e mais piedoso dentre todos eles, certamente admitiria que os são os sacerdotes; pois as histórias contam que duas coisas foram originalmente colocadas sob seus cuidados pelas ordens dos reis: o culto aos deuses, e a continuidade do conhecimento e filosofia. Concordemente, estes sacerdotes são todos circuncidados, e abstêm-se de carne de porco; nem fazem qualquer pessoa dos outros egípcios ajudá-los na morte daqueles sacrifícios que ofertam aos deuses. Ápio estava, então, completamente cego em sua mente quando, a favor da causa dos egípcios, ele não somente tramou censurar-nos, para acusar do mesmo modo outros que não somente fazem uso daquela conduta de vida que ele tanto insulta, mas também têm ensinado outros homens a serem feitos cincuncisos, conforme diz Heródoto; o que faz-me acreditar que Ápio foi devidamente punido por lançar tais acusações às leis de seu próprio país; pois ele próprio foi cincuncidado por necessidade, por conta de uma úlcera em seu membro [viril]; e quando ele não se beneficiou por tal circuncisão, pois seu membro tornou-se pútrido, morreu em grande sofrimento. Já homens de moderação necessariamente observam suas próprias leis concernente especificamente a religião, e perseveram nisto, mas não para ofender as leis de outras nações, enquanto este Ápio abandona suas próprias leis, e conta mentiras sobre as nossas. Este foi o fim da vida de Ápio, e esta será a conclusão da nossa dissertação sobre ele.
15. Mas agora, posto que Apollonius Molo, Lysimachus e alguns outros, escrevem a respeito do nosso legislador Moisés e sobre nossas leis, como sendo nem justas nem corretas, e de certa forma de nossa ignorância, mas principalmente da nossa maldade, enquanto caluniam Moisés como impostor e enganador, e pretendem que nossas leis nos ensinam perversidade, mas nada que seja bom, tenho uma observação a dissertar brevemente, de acordo com minha habilidade, sobre nossa inteira constituição de governo, e particularmente sobre as ramificações desta. Pois eu suponho que então se tornará evidente que as leis que nos foram dadas estão dispostas da melhor maneira para o progresso da piedade, para a mútua comunhão de uns para com os outros, para um geral amor à humanidade, como também para a justiça e para sustentar labores com bravura, e para um desprezo da morte. E peço àqueles que escrutinharem estes meus escritos, a lerem sem parcialidade; pois não é meu propósito escrever um encômio a nós mesmos, mas estimarei estes como a nossa mais justa apologia, tomada de nossas leis, conforme conduzimos nossas vidas, contra muitas e mentirosas oposições que têm sido feitas contra nós. Ademais, visto que este Apollonius não faz como Ápio, metendo uma contínua acusação contra nós, mas faz isso somente por impulso, aumentando a grosseria de seu discurso, enquanto ele às vezes acusa-nos de ateus e inimigos da humanidade, às vezes golpeia-nos nos dentes por falta de coragem, já outras vezes, ao contrário, nos acusa por grandiosa ousadia e furor em nossa conduta; além disso ele diz que nós somos os mais frágeis de todos os bárbaros, e que esta é a razão de sermos o único povo que não tem feito aperfeiçoamentos à vida humana; ora, penso ter, então, refutado suficientemente todas as suas alegações, já que parece que nossas leis impõem o extremo oposto do que ele diz, leis as quais nós mesmos muito cuidadosamente observamos. E se ele me compeliu ***And if I he compelled*** a fazer menção das leis de outras nações, que são contrárias às nossas, aquelas devem merecidamente serem gratas por isso, que pretenderam depreciar nossas leis em comparação com as próprias delas; nem será, penso eu, inadequado _após eles pretenderem tampouco que nós mesmos não tenhamos igualmente leis_ um epítome, do qual eu apresentarei aos leitores, ou que nós não fazemos, sobre todos os homens, continuar na observação delas.
16. Para começar então, de bom modo, antes de tudo, eu adiantaria isso, em primeiro lugar, que aqueles que têm sido admiradores de boas regras, e do modo de viver sob leis públicas, e que começaram a introduzí-las, podem muito bem ter este testemunho de que eles são melhores que outros homens, tanto pela moderação como também pela virtude, conforme é aceitável à natureza. Realmente seu esforço era para ter cada assunto [que] eles ordenaram [que fossem] acreditados por serem muito antigos, que eles talvez não pensaram imitar outros, mas talvez pareciam ter entregue um modo regular de viver aos outros depois deles. Desde então este é o caso, a excelência de um legislador é observada ao prover a melhor maneira de viver do povo, e na preponderância daqueles que estão para usar as leis que ele ordenou-lhes, com o intuito de ter uma boa opinião destas, obrigando a multidão a perseverar nelas, e para não fazer mudanças nelas, nem na prosperidade nem na adversidade. Agora me arrisco a dizer que nosso legislador é o mais antigo de todos os legisladores que temos concordado de que se ouviu falar; pois em relação a Licurgo, Sólon, Zaleuco Locrensis, e todos os outros legisladores que são tão admirados pelos gregos, eles parecem ser de ontem quando comparado com nosso legislador, de tal modo que o inteiro anúncio de uma lei não foi assim muito conhecida nos tempos antigos entre os gregos. Homero é uma testemunha da verdade desta observação, que nunca usa este termo em todos os seus poemas; pois realmente não houve então semelhante coisa entre eles, mas a multidão era governada por máximas de sabedoria, e pelas ordens de seu rei. E foi por muito tempo que eles permaneceram no uso daqueles costumes orais, ainda que eles sempre estiveram mudando-as sob várias ocasiões. Mas em relação ao nosso legislador, que foi muitíssimo mais antigo que o restante, (conforme até aqueles que falam contra nós em várias ocasiões sempre confessam) exibiu-se ao povo como seu melhor governante e conselheiro, e incluiu em sua legislação a inteira conduta de suas vidas, e prevaleceu sobre eles para recebê-la, e fez que a transmitissem, a fim de que aqueles que de sua lei se inteirassem, a elas mais cuidadosamente observassem.
17. Mas permita-nos considerar seu primeiro e grandioso trabalho; pois quando estava resolvido por nossos antepassados sair do Egito, e retornar ao seu próprio país, este Moisés aceitou os muitos milhares do povo, e trouxe-os em segurança. E certamente foi neste ponto necessário viajar através de um país sem água, e coberto de areia, para sujeitar seus inimigos, e, durante aquelas batalhas, preservar suas crianças, esposas e pertences; em todas estas ocasiões ele tornou-se um excelente general de um exército e o mais prudente conselheiro, e alguém que tomou o vedadeiro cuidado de todos eles; ele também os trouxe assim, toda aquela multidão dependeu dele. E apesar dele os ter sempre obedientes ao que havia imposto, de forma alguma fez uso de sua autoridade para vantagem pessoal, o que é comum quando governantes ganham grandes poderes para si, e pavimentam o caminho para a tirania, e acostumam a multidão a viver muito dissolutamente; enquanto que nosso legislador estando em tão grande autoridade, ele, pelo contrário, achou necessário observar a piedade, e mostrar sua grande boa vontade para com o povo; e por estes meios ele acreditou talvez mostrar o grande grau de virtude que tinha, e talvez procurar a mais duradoura segurança àqueles que o fizeram seu governante. Quando ele, então, havia consentido com tal resolução excelente, e executou tais façanhas maravilhosas, nós tivemos justa razão para tê-lo por governante e conselheiro divino. E quando ele primeiro persuadiu-se (17) de que suas ações e propósitos eram agradáveis à vontade de Deus, ele acreditou ser sua obrigação registrar isso, sobre todas as coisas, que a percepção sobre a multidão; pois aqueles que alguma vez acreditaram que Deus é o inspetor de sua vida, não se permitirão transgredir. E este é o caráter do nosso legislador: ele não foi impostor, nem enganador, como seus injuriadores dizem, injustamente, mas semelhante a alguém como Minos (18) tem sido entre os gregos alardeado, e outros legisladores depois dele; pois alguns deles supõem que estes receberam suas leis de Júpiter, enquanto Minos diz que a revelação de suas leis foi entregue por Apolo, e de seu oráculo em Délfus, se eles realmente pensam terem sido desta forma produzidas, ou supor, de qualquer forma, que eles poderiam persuadir o povo facilmente de que assim foi. Mas qual destes fez as melhores leis, e que teve o maior argumento para se acreditar que Deus foi seu autor, será fácil determinar, comparando juntamente suas leis; pois é hora de chegarmos a este ponto. (19) Visto que há inumeráveis diferenças nos costumes específicos e leis existentes entre a humanidade, as quais um homem talvez brevemente resumisse sob as seguintes principais: Alguns legisladores permitiram aos seus governos estarem sob monarquias, outros os puseram sob oligarquias, e outros sob uma república; mas nosso legislador não estimou qualquer destas formas, mas ele ordenou nosso governo a estar, sob o que, por uma estranha expressão, talvez seja chamado de uma Teocracia (20) , em razão de a autoridade e o poder serem atribuidos a Deus, e por persuadir todo o povo a honrá-lo, como o autor de todas as boas coisas que foram usufruidas ou em comum por toda a humanidade, ou por cada um em particular, e por tudo que eles próprios obtiveram por orar a Ele em suas grandes dificuldades. Ele informou-os de que era impossível escapar ao exame Divino, mesmo que em qualquer de nossas ações exteriores ou em qualquer pensamento íntimo. Além disso, ele representou/descreveu Deus como ***unbegotten*** (21) , e imutável, através de toda a eternidade, superior a toda concepção mortal em glória; e apesar de conhecido por nós por seu poder, desconhecido por nós, porém, em sua essência. Não explanarei agora o quanto estas noções de Deus são a opinião dos sábios entre os gregos, e como eles foram ensinados deles sob os princípios que ele os permitiu. De qualquer forma eles testificam, com grande segurança, que estas noções são corretas, e aceitáveis à natureza de Deus, e de sua majestade; pois Pitágoras, Anaxágoras, Platão, e os filósofos estóicos que os sucederam, e quase todo o resto, são da mesma opinião, e têm as mesmas noções da natureza de Deus; mesmo assim não desafio aqueles homens a revelarem aquelas percepções verdadeiras a não mais que uns poucos, porque o corpo do povo foi prejudicado com outras opiniões precipitadas. Porém nosso legislador, que fez suas ações concordarem com suas leis, não somente prevaleceu com aqueles que eram seus contemporâneos a aceitarem estas noções, mas tão firmemente imprimiu sua fé em Deus sobre toda sua posteridade, que isso nunca pode ser removido. A razão pela qual a constituição de sua legislação ter sido sempre melhor direcionada à utilidade de todos, mais que outras legislações, é que Moisés não fez da religião uma parte da virtude, mas entendeu e ordenou [que] outras virtudes sejam partes da religião; eu tenciono a justiça, coragem, moderação, e um universal entendimento dos membros da comunidade com algum outro; pois todas as nossas ações e estudos, e todas as nossas palavras, [no que Moisés estabeleceu,] tem uma referência à piedade para com Deus; pois ele não largou nada disso em suspense, ou indeterminado. Pois há dois caminhos de se cunhar alguma sorte de conhecimento e uma conduta moral de vida; a primeira é pela instrução em palavras, a outra por praticá-la. Já outros legisladores separam estes dois modos em suas opiniões, e escolhendo um destes caminhos de instrução, ou o que mais agrada a todos eles, negligenciando o outro. Assim os lacedemônios e os cretenses ensinam pela prática, mas não por palavras; enquanto os atenienses, e quase todos os outros gregos, fazem leis sobre o que era para ser feito, ou deixado de ser feito, mas não respeitam o exercício delas na prática.
18. Mas quanto ao nosso legislador, ele muito cuidadosamente uniu estes dois métodos de instrução; pois ele nem se abandonou ao exercício prático para ficar sem instrução verbal, nem permitiu que se ouvisse a lei prosseguir sem ser praticada; mas começando desde a mais tenra infância, e nomeando cada uma das dietas prescritas, ele nada abandonou, por menor que fosse a importância, para ser cuidado ao agrado e disposição da própria pessoa. Consequentemente, ele fez um governo pré-determinado de leis de que espécie de alimentos eles teriam de se abster, e de que espécie de alimento eles fariam uso; como também, que participação eles teriam com outros, que grande diligência eles usariam em suas ocupações, e quanto tempo de descanso seriam interposto, que, vivendo sob essa lei como sob um pai e um mestre, nós talvez não sejamos culpados de qualquer trangressão, nem voluntária nem por ignorância; pois ele não sofreu a culpa da ignorância para ir sem punição, mas demonstrou a lei ser a melhor e mais necessária instrução a todos os outros, permitindo ao povo largar seus outros empreendimentos, e reunir para ouvir a lei, e aprendê-la exatamente, e isso não uma vez, ou duas, ou de vez em quando, mas toda semana; coisa que parece que todos os outros legisladores negligenciaram.