Contra Ápio

Chapter 6

Chapter 63,689 wordsPublic domain (Wikisource)

33. Essa é a história que Cheremon nos dá. Agora tomo por garantido que o que tenho dito já provou claramente a falsidade de ambas as narrações; pois [se] houve alguma real verdade de fundo, era impossível eles terem discordado [entre si] tão grandemente nas particularidades. Mas como eles inventaram mentiras, o que escreveram nos dará facilmente diferentes relatos, enquanto eles forjam algo que agrade suas próprias cabeças. Ora, Mâneton diz que o desejo de o rei ver os deuses foi a origem da expulsão do povo poluído; mas Cheremon inventa que foi [em razão] de um sonho dele, produzido por Isis, que ocasionou isso. Mâneton diz que a pessoa que prognosticou essa purificação do Egito para o rei foi Amenophis; mas aquele homem diz que foi Fritiphantes. Em relação aos números da multidão que foi expulsa, eles concordam excessivamente bem (24) [com] a anterior conta deles [de] oitenta mil, e a posterior sobre duzentos e cinquenta mil! Ora, quanto a Mâneton, descreve aquelas pessoas poluídas como enviadas primeiro para trabalhar nas pedreiras, e diz que a cidade de Avaris foi dada a eles para habitarem. Como também afirma que isso não ocorreu até que eles, depois, tinham feito guerra com o resto dos egípcios, [então] chamaram o povo de Jerusalém para virem em seu auxílio; enquanto Cheremon diz somente que eles foram embora do Egito, e ficaram sobre trezentos e oitenta mil homens ao redor de Pelusium, que tinham sido abandonados lá por Amenophis, e então invadiram o Egito com eles outra vez; que por isso Amenophis fugiu para a Etiópia. Mas então este Cheremon comete a mais ridícula asneira em não informar-nos quem era este exército de tantas dezenas de milhares, ou de onde vieram; se eram egípcios nativos ou se vieram de um país estrangeiro. Nem realmente determina este homem, que inventou um sonho de Isis sobre o povo leproso, a razão de o rei não trazê-los [i.é, o exército] ao Egito. Ademais, Cheremon atribui a José dirigir-se para fora ao mesmo tempo que Moisés, [sendo] que viveu quatro gerações (25) antes de Moisés, o qual quatro gerações correspondem a quase cento e setenta anos. Além disso tudo, Ramesses, o filho de Amenophis, pelo relato de Mâneton, era um homem jovem, e ajudou seu pai nesta guerra, e abandonou o país ao mesmo tempo que ele, e fugiu para a Etiópia. Mas Cheremon o faz como tendo nascido em certa caverna, depois seu pai foi morto, e que ele então superou os judeus em batalha, e dirigiu-os para a Síria, sendo em número cerca de duzentos mil. Oh, a leviandade do homem! Pois ele nada tem a contar-nos [sobre] quem eram aqueles trezentos e oitenta mil, nem como os quatrocentos e trinta mil pereceram; se eles foram tombados na guerra, ou moveram-se para Ramesses. E, o que é mais esquisito de tudo, isto não é possível compreender dele, quem foram os a quem ele chama "judeus", ou para qual destas duas partes ele aplica esta denominação, aos duzentos e cinquenta mil leprosos, ou aos trezentos e oitenta mil que foram sobre Pelusium. Mas quem sabe isso será mostrado como uma coisa tola em mim por fazer alguma grande repreensão a semelhantes escritores como suficientemente refutados por si mesmos; pois terem eles sido refutados somente por outros homens, teria sido mais tolerável.

34. Devo agora adicionar a estes relatos de Mâneton e Cheremon algo de Lysimachus, que tomou o mesmo tópico de falsidade daqueles supramencionados, mas foi muito além deles na inacreditável natureza de suas falsificações; o que simplesmente demonstra que ele tramou-os aflorando do seu venenoso ódio por nossa nação. Estas são suas palavras: "O povo dos judeus, sendo leproso e sarnento, e sujeitos a certas outras espécies de males, nos dias de Bocchoris, rei do Egito, eles fugiram para os templos, e receberam seu alimento por mendigarem; e como seu número era tão grande que caíram sob estas doenças, surgiu uma escassez no Egito. Por isso Bocchoris, rei do Egito, enviou alguns para consultarem o oráculo de [Júpiter] Hammon a respeito de sua escassez. A resposta dos deuses foi esta, que ele precisava purificar seus templos dos impuros e ímpios homens, por expulsá-los daqueles templos nos lugares desérticos; mas em relação ao povo sarnento e leproso, ele deveria afogá-los, e purificar seus templos, o sol tendo uma indignação por estes homens terem sofrido para viver; e por estes meios a terra produziria seus frutos. Tendo Bocchoris recebido estes oráculos, chamou seus sacerdotes, e os serventes de seus altares, e ordenou-lhes fazer uma reunião do povo impuro, e entregá-los aos soldados, para transportá-los através do deserto; mas para tomar o povo leproso, e esconder deles a direção tomada, e levá-los para dentro do mar. Por isso o povo sarnento e leproso foi afogado, e o resto foi reunido e enviado aos lugares desérticos, com o objetivo de serem abandonados à destruição. Nesta situação eles reuniram-se, e tomaram conselho do que deveriam fazer, e determinaram que, como a noite estava próxima, eles deveriam acender fogueiras e lâmpadas e manter vigilância; que eles também deveriam jejuar a próxima noite, e acalmar os deuses, com o objetivo de serem libertos por eles. No dia seguinte surgiu um Moisés que aconselhou-os a arriscarem uma jornada, e irem adiante por algum caminho até que eles chegassem a lugares adequados para habitação; ele ordenou-os a não terem nenhuma espécie de respeito por homem algum, nem dar bom conselho a alguém, mas sempre aconselhar para a ruína; e destruir todos aqueles templos e altares dos deuses que encontrassem; e de resto recomendou o que ele tinha dito com algum consentimento, e fez o que se haviam resolvido, e assim viajaram através do deserto. Mas as dificuldades da jornada sendo demais, eles vieram a um país habitado, e lá abusaram dos homens, e saquearam e queimaram seus templos; e então chegaram àquela terra que é chamada Judéia, e lá eles construíram uma cidade, e nela residiram, e aquela cidade foi chamada Hierosyla, proveniente de seus saques dos templos; porém mais ainda, após o sucesso que eles obtiveram depois, mudaram sua denominação nesta época, para não serem acusados, e chamaram a cidade Hierosolyma, e a si mesmos de Hierosolymitas."

35. Ora, este homem não fez descoberta e menção do mesmo rei com os outros, mas falsificou um novo nome, e transmitindo sobre um sonho e o profeta egípcio, ele [fala dele] servindo Júpiter Hammon, com o objetivo de adicionar oráculos sobre o povo sarnento e leproso; pois ele diz que a multidão dos judeus foram reunidos nos templos. Agora é incerto se ele relaciona este nome a estes leprosos ou àqueles que foram sujeitos a tais doenças somente entre os judeus; pois ele descreve-os como um povo dos judeus. Que povo ele tem em vista? Estrangeiros ou aqueles do país? Porquê motivo então faz-nos chamá-los de judeus, se eles eram egípcios? Mas se eles eram estrangeiros, porque não nôs faz saber de onde vieram? Como pôde ocorrer que, depois de o rei ter afogado muitos deles no mar e expulsado o restante aos lugares desérticos, haver ainda uma tão grande multidão remanescente? Ou depois, de que maneira eles puderam atravessar o deserto, e conquistar o território que nós agora habitamos, e construir nossa cidade, e aquele templo que havia sido tão famoso entre toda a humanidade? E além [disso], ele deve para falar mais a respeito de nosso legislador do que por dar-nos seu nome revelado; e nos ter informado de qual nação ele era, e de quais pais ele originou; e ter determinado as razões dele responsabilizar-se a fazer semelhantes leis concernente aos deuses, e assuntos de injustiça com respeito aos homens durante aquela jornada. Pois no caso de o povo ter sido egípcio de nascimento, eles não teriam tão súbita e facilmente mudado os costumes de sua nação; e no caso deles terem sido estrangeiros, por certo possuiriam algumas leis ou outras que teriam sido respeitadas por eles por tradição de longa data. É verdade que, com respeito àqueles que os expulsaram, talvez tenham jurado nunca mostrar boa vontade a eles, e talvez tenham tido plausível razão para assim fazer. Mas se aqueles homens resolveram travar uma implacável guerra contra todos os homens, no caso eles teriam atuado maldosamente, como ele diz deles, e isso enquanto eles necessitaram da assistência de todos os homens, isso demonstra realmente uma espécie de conduta de maluco! Mas não dos próprios homens, mas muito grandemente portanto deste que conta semelhantes mentiras sobre eles. Ele possui também bastante descaramento para dizer que um nome, significando "Ladrões de templos", (26) foi dado à sua cidade, e que este nome foi mais tarde mudado. A razão é simples, que o nome anterior trazia acusação e ódio sobre eles nos tempos de sua posteridade, enquanto parece que aqueles que construiram a cidade pensaram em honrá-la ao dar a ela semelhante nome. Assim nós vemos que este admirável indivíduo tem uma tal ilimitada inclinação para acusar-nos, que faz com que não entenda que "roubo de templos" não é expresso pela mesma palavra e nome entre judeus como é entre os gregos. Mas qual motivo faria um homem dizer algo mais a uma pessoa que conta semelhantes mentiras insolentes? De qualquer forma, visto que este livro ergue-se competentemente, farei outro início, e esforço para adicionar o que ainda resta para aperfeiçoar meu propósito no livro seguinte.

Notas marginais do Livro I, Da Antiguidade do Povo Judeu, ou Contra Ápio:

(1) Este primeiro livro tem um título errado. Este não foi escrito contra Ápio, como foi a primeira parte do segundo livro, mas contra aqueles gregos em geral que não acreditaram no anterior relato de Josefo da mais antiga situação da nação judaica, em seus vinte livros das "Antiguidades"; e particularmente contra Agatharelddes, Mâneton, Cheremon e Lysimachus. Este é um dos mais instrutivos, excelentes e úteis livros de toda a antiguidade; e sob o escrutínio de Jerônimo deste e do próximo livro, ele declara que estes lhe aparentam uma coisa miraculosa, "como um que foi um hebreu, que havia sido instruído desde a infância no conhecimento sagrado, teria sido capaz de pronunciar um tal número de testemunhos dos autores profanos, como se ele tivesse lido todas as bibliotecas gregas," Epist. 8. ad Magnum; e o versado judeu, Manasseh-Ben-Israel, estimou aqueles dois tão excelentes livros, tanto que os traduziu para o hebraico; isso nós descobrimos de seu próprio catálogo de seus trabalhos, do qual nós tivemos conhecimento. Quanto ao tempo e lugar quando e onde estes dois livros foram escritos, até agora não foi possível determinar nada além do que foram escritos algum tempo depois de seu "Antiguidades", ou algum tempo depois de 93 EC; sem dúvida é também óbvio [demais] em sua abertura para ser desapercebido até por um desatento leitor, sendo diretamente intencionados contra aqueles que não acreditaram que ele tenha promovido naqueles livros argumento à grandeza da nação judaica. Quanto ao lugar, [assim como] todos imaginam que os dois foram escritos onde foi o anterior, eu imaginei [ter sido] em Roma; e confesso que eu mesmo acreditei em ambas definições, até que vim a terminar minha notas sobre estes livros, quando encontrei simples indicações de que foram escritos não em Roma, mas na Judéia, e isso depois do terceiro [ano] de Trajano, ou 100 EC.

(2) Tomo a nota do Dr. Hudson aqui, que como esta corretamente contradiz a opinião comum de que Josefo ou morreu sob Domiciano ou no mínimo escreveu não muito depois de seus dias, fazendo isso assim perfeitamente aceitável para minha determinação, de Justus de Tiberias, que ele escreveu ou terminou sua vida depois do terceiro [ano] de Trajano, ou em 100 EC. De acordo com o que Noldius também aceita, extraído de Herod, Nº 383 [Epafroditus]. "Desde Florius Josephus", diz o Dr. Hudson, "escreveu [ou terminou] seus livros das "Antiguidades" no décimo terceiro [ano] de Domiciano, [93 EC,] e depois que escreveu as Memórias de sua própria vida, como um apêndice aos livros das "Antiguidades", e por último seus dois livros contra Ápio, e ainda dedicou todos aqueles escritos a Epafroditus; ele pode dificilmente ser aquele Epafroditus que foi anteriormente secretário de Nero, e foi morto no décimo quarto [ou décimo quinto] [ano] de Domiciano, depois de ter estado por um bom tempo banido; mas outro Epafroditas, um liberto, e procurador de Trajano, como diz Grotius sobre Lucas 1:3.

(3) A preservação dos poemas de Homero por lembrança, e não por seus próprios escritos, e que desde então eles foram moldados [em] rapsódias, conforme era cantado por ele, como canções, por partes, e não composto e reunido junto em trabalho completo, são opiniões bem conhecidas dos antigos comentaristas; apesar de semelhantes suposições parecerem para mim tão satisfatórias quanto para Fabricius Biblioth. Grace. I. p. 269, para outros, [porém,] altamente improvável. [O que] fez Josefo dizer [isso] aqui também não foram escritos dos gregos mais antigos que os poemas de Homero, mas que eles não possuíam nenhum escrito antigo [que] pretendesse semelhante antiguidade, o que é banal.

(4) Bem merece ser considerado o que Josefo aqui diz, como todos os posteriores historiadores gregos enxergaram em Heródoto um autor de fábulas; e [na] seção 14, como Mâneton, o mais autêntico escritor da história egípcia, queixa-se dos seus erros nos assuntos egípcios; como também Estrabão, Livro XI. p. 507, o mais acurado geógrafo e historiador, estimou-o do mesmo modo; que Xenofonte, o muito mais acurado historiador dos assuntos de Ciro, lembra que o relato de Heródoto daquele grande homem é quase inteiramente romântico. Veja as notas em "Antiguidades" Livro XI. cap. 2. seção 1, e Prolegômeno de Hutchinson's para sua edição de Xenofonte, que nós já temos visto na nota em Antig. Livro VIII. cap. 10. seção 3, quão pouquíssimo Heródoto conheceu sobre os assuntos judaicos e seu país, e que ele se fixou muitíssimo no que nós chamamos "o maravilhoso", conforme Monsieur Rollin tem recentemente e corretamente determinado; pelo qual nós nem sempre estamos a depender da autoridade de Heródoto, onde isso é insustentável por outras evidências, mas deve-se comparar a outra evidência com esta, e se essa prevalecer, preferir esta antes da dele. Não penso por isso que Heródoto deliberadamente relatou o que ele acreditou ser falso, (como Cteeias aparenta ter feito), mas que ele frequentemente careceu de evidência, e às vezes preferiu o que era maravilhoso ao invés do que era melhor atestado como realmente verdade.

(5) A respeito dos dias de Ciro e Daniel.

(6) Está bem digno de nossa observação, quanto as razões estão tais antigos escritores como Heródoto, Josefo e outros têm sido lidos para tão pequenos propósitos por muitos instruídos críticos; a saber, que seus essenciais objetivos não têm sido a cronologia ou a história, mas filologia, para conhecer palavras e não coisas, eles frequentemente não entram muito no real conteúdo de seus autores, e julgando que eram os mais acurados descobridores da verdade, e mais para ser dependente de várias histórias, porém, de preferência indagando quem escreveu o agradável estilo, e tem a grandiosa elegância em suas expressões; que são coisas de mesquinha importância em comparação à outra. Dessa forma você às vezes encontrará debates entre eruditos, "Será que foi Heródoto ou Tucídides o admirável historiador nos modos jônicos e áticos de escrita?"; o qual pouco importam-se em relação ao real mérito de cada um destes historiadores; enquanto seria de muito maior importância deixar o leitor saber que conforme a importância da história de Heródoto, a qual começa muitíssimo cedo, e de mais vastíssimo alcance que Tucídides, é então amplamente maior; então é a mais alta posição de Tucídides, que pertenceu ao seu próprio tempo, e cedeu à sua própria observação, em muito o mais exato.

(7) Desta precisão dos judeus antes e no tempo de nosso Salvador, em cuidadosamente preservar todas as suas genealogias, particularmente aquelas dos sacerdotes, veja a "Vida de Josefo", seção 1. Esta exatidão parece terminar com a destruição de Jerusalém por Tito, ou, de qualquer forma, naquela de Adriano.

(8) O qual eram aqueles vinte e dois livros do Velho Testamento; veja o Suplemento ao Ensaio do Velho Testamento, pag. 25-29, a saber, aqueles que chamamos canônicos, todos excetuando o "Cantares"; mas apesar desta exceção adiante, que o livro apócrifo de Esdras seja tomado entre aquele número ao invés do nosso canônico Ezra, o qual aparenta ser não mais que um posterior epítome do outro; que dois livros dos "Cantares" e Ezra de modo algum parece que nosso Josefo alguma vez tenha visto.

(9) Aqui temos um relato da primeira construção da cidade de Jerusalém, conforme Mâneton, quando os fenícios pastores foram expulsos para fora do Egito aproximadamente trinta e sete anos antes de Abraão vir para Harsh.

(10) Genesis 46:32,34; 47:3, 4.

(11) Em nossas cópias do livro de Gênesis sobre José, este José nunca chama a si mesmo "um cativo", quando ele foi com o rei do Egito, apesar de o chamarem "um servidor", "um escravo" ou "cativo", muito tempo [depois] no "Testamento dos Doze Patriarcas" (nota do trad. em port.: um livro apócrifo), sob José, seção 1, 11, 13-16.

(12) Sobre esta cronologia egípcia de Mâneton e daqueles pastores fenícios, como um lapso de Josefo, de erroneamente ele, e outros depois dele, suporem terem sido os israelitas no Egito, veja Ensaio sobre o Velho Testamento, Apêndice, pag. 182-188. E note-se aqui, que quando Josefo conta-nos que os gregos ou argives enxergavam neste Danaus como "um muito antigo", ou "o mais antigo" rei de Argos, ele não precisa supor como recurso, in stritu sensu, que eles não tinham nenhum rei tão antigo quanto ele; pois é certo que eles tiveram nove reis antes dele, e Inachus como o cabeça deles. Veja "Autênticos Registros", Parte II. pag. 983, como Josefo não poderia saber muito bem; mas que ele foi estimado como mais antigo por eles, e que eles sabiam que o primeiro de todos havia sido denominado "Danai" proveniente deste muito antigo rei Danaus. Nem essa superlativa graduação sempre implica o "mais antigo" de todos sem exceção, mas é às vezes para passar somente [como] "muito antigo", como é o caso em semelhante superlativa graduação de outras palavras também.

(13) "Autênticos Registros", Parte II. pag. 983, como Josefo não poderia, porém, saber muito bem; mas que ele foi estimado como muito antigo por eles, e que eles sabiam que quem havia sido seu primeiríssimo rei era denominado "Danai", proveniente deste muito antigo rei Danaus. Nem faz este superlativo sempre implicar no "mais antigo" dentre todos sem exceção, mas às vêzes somente para passar por "muito antigo", como é o caso em semelhantes superlativos também em outras palavras.

(14) Este número em Josefo, que Nabucodonozor destruiu o templo no décimo oitavo ano de seu reinado, é um erro de exatidão cronológica; pois isto ocorreu no décimo nono. O verdadeiro número aqui para o ano de Dario, em que o segundo templo foi terminado, se for conforme nossas presentes cópias, ou o sexto, conforme Syncellus, ou o décimo, conforme Eusébio, é muito incerto; assim nós consideramos melhor seguir o próprio relato de Josefo em outro lugar: Antig. Livro XI. cap. 3 seção 4, que mostra-nos que de acordo com esta cópia do Velho Testamento, depois do segundo Ciro, o trabalho foi interrompido até o segundo [ano] de Dario, quando em sete anos este foi terminado no nono ano de Dario.

(15) Esta é uma coisa bem conhecida pelos eruditos, que não se assegura que tenhamos algum genuíno escrito de Pitágoras; aqueles "Versos Dourados", que são seus melhores resquícios, geralmente se supõe não terem sido escritos por ele próprio, mas por algum de seus próprios discípulos, concordando com o que Josefo aqui afirma sobre ele.

(16) Se estes versos de Cherilus, o poeta bárbaro, nos dias de Xerxes, dizem a respeito de Solymi na Pisídia, que era próximo a um pequeno lago, ou aos judeus que habitavam no Solymean ou montanhas de Jerusalém, próximo do grande e largo lago Asfaltitis (nota do tradutor ao português: lago Asfaltites é o Mar Morto), que era um povo estranho, e falava o idioma fenício, não é aceito pelos eruditos. Se apesar disso Josefo aqui, e Eusébio (Prep. IX. 9. p. 412), estão certos em tomá-los por serem os judeus; eu confesso, porém, não poder muito inclinar-me à mesma opinião. O outro Solymi não era um povo estranho, mas bárbaros idólatras, como quaisquer outras partes do exército de Xerxes; e estes falarem o idioma fenício é próximo do impossível, como os judeus certamente faziam; nem há o mínimo de evidência para isso [ocorrer] em outro lugar. Nem era o lago unido às montanhas do Solymi em toda a largura ou extensão, em comparação com o judaico lago Asfaltitis; nem de fato foi aquele tão considerável povo quanto os judeus, nem provavelmente tão desejado por Xerxes para seu exército quanto os judeus, a quem ele foi sempre muito favorável. Em relação ao resto da descrição de Cherilus, que "suas cabeças eram negras; que eles tinham rasgos em suas cabeças; que suas cabeças e faces eram como cabeças imundas de cavalos, que tivessem sido insensibilizadas na fumaça"; estas estranhas características provavelmente ajustam-se ao Solymi da Pisídia não melhor do que o faria aos judeus na Judéia. E realmente estes termos injuriosos, aqui dados àquele povo, é para mim uma forte indicação de que eles a quem Cherilus aqui descreve eram os pobres desprezíveis judeus, e não o Solymi pisidiano celebrado em Homero; nem estamos nós supondo que ou Cherilus ou Hecateus, ou quaisquer outros escritores pagãos citados por Josefo e Eusébius, não erraram na história judaica. Se ao comparar seus testemunhos com os mais autênticos registros desta nação, encontrarmos neles a bravura para confirmar o mesmo, como nós quase sempre fazemos, devemos estar satisfeitos, e não esperar que eles sempre tinham um exato conhecimento de todas as circunstâncias dos assuntos judaicos, que realmente isso foi quase sempre impossível a eles terem. Veja seção 23.

(17) Este Hezekiah, que é aqui chamado sumo sacerdote, não é mencionado no catálogo de Josefo; sendo o verdadeiro sumo sacerdote naquele tempo Onias, como o arquebispo Usher supõem. De qualquer forma, Josefo frequentemente usa a palavra sumos sacerdotes no plural, como se vivessem muitos ao mesmo tempo. Veja a nota em Antig. Livro XX. cap. 8. seção 8.

(18) Assim eu leio o texto com Havercamp, apesar do lugar ser difícil.