Contra Ápio

Chapter 3

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19. Agora contarei o que está escrito concernente a nós nas Histórias dos Caldeus, aqueles relatos que têm grande concordância com nossos livros em ***(oilier)*** coisas também. Beroso será testemunha do que eu digo: ele foi caldeu por nascimento, bem conhecido por sua instrução, por conta da publicação dos seus livros caldeus de astronomia e filosofia entre os gregos. Então este Beroso, seguindo os mais antigos registros de sua nação, deu-nos uma história do dilúvio de águas que houve, e através deste, a destruição da espécie humana, e concorda com a narração de Moisés sobre isso. Ele também nos dá um relato [de como] aquela arca de Noé, o originador da nossa raça, foi preservada quando esta foi trazida para as alturas das montanhas Armênias; depois de dar-nos um catálogo da posteridade de Noé, e acrescentar os anos da sua cronologia, e ir descendo até Nabopolassar, que foi rei de Babilônia e dos caldeus. E quando ele relatou os atos deste rei, descreveu para nós como este enviou seu filho Nabucodonosor contra o Egito, e contra nossa terra, com um grande exército, pois foi informado que eles haviam se revoltado; e como, por aqueles meios, ele subjugou a todos eles, e ateou fogo em nosso templo que estava em Jerusalém; e além disso removeu completamente nosso povo do seu próprio país, e transferiu-os para Babilônia; quando isso aconteceu desta forma nossa cidade ficou desolada durante um intervalo de setenta anos, até os dias de Ciro, rei da Pérsia. Então ele disse: "Este rei babilônio conquistou o Egito e Síria e Fenícia e Arábia, e excedeu na exploração a todos aqueles que tiham reinado antes dele na Babilônia e Caldéia." Um pouco depois este Beroso acrescenta a seguinte observação em sua História dos Tempos Antigos. Colocarei abaixo a descrição do próprio Beroso, que é tal: "Quando Nabopolassar, pai de Nabucodonosor, soube que o governador que ele havia colocado sobre o Egito e sobre as regiões da Celesíria e Fenícia, tinham-se revoltado contra ele, não estava capaz de sustentar isso distante; mas passando certas partes de seu exército ao filho, Nabucodonosor, que era então apenas um jovem, enviou-o contra o rebelde. Nabucodonosor batalhou contra ele e conquistou-o, e reduziu o país sob seu domínio outra vez. Isso feito, seu pai Nabopolassar caiu sob uma doença, e morrreu na cidade de Babilônia, depois de ter reinado vinte e nove anos. Mas quando ele soube, em pouco tempo, que seu pai, Nabopolassar estava morto, ajustou os assuntos no Egito e [colocou os assuntos de] outros países em ordem, e enviou os cativos que ele havia tomado dentre os judeus, fenícios, sírios e outras nações pertencentes ao Egito, para alguns de seus amigos, que corajosamente conduziram aquela parte das forças que havia na armada pesada (heavy armor), com o resto de sua bagagem para Baabilônia; enquanto ele mesmo moveu-se apressadamente, tendo porém pouco consigo mesmo, através do deserto para Babilônia. Quando chegou, encontrou os assuntos públicos sendo gerenciados pelos caldeus, e a principal pessoa entre eles havia preservado o reino a ele. Consequentemente, ele agora tinha o inteiro domínio de seu pai. Ele então veio, e dirigiu os cativos para serem colocados como colônias nos mais adequados lugares de Babilônia; mas para si, ele adornou o templo de Belus, e outros templos, depois, de maneira elegante, tirou os despojos que havia tomado nesta guerra. Ele também reconstruiu a antiga cidade, e acrescentou outra do lado de fora, e restaurou assim em alto grau Babilônia, para que ninguém que a assediasse mais tarde a conseguisse ter em poder por desviar o rio, assim como também para facilitar uma entrada nela; e isso ele fez por construir três muralhas sobre a cidade interna, e três sobre a externa. Algumas daquelas muralhas ele construiu com tijolos queimados e betume, e algumas somente de tijolos. Então quando ele tinha dessa forma fortificado a cidade com muralhas, desta excelente maneira, e havia adornado portões magníficamente, ele acrescentou um novo palácio àquele que seu pai havia residido, e este próximo daquele também, e aquele mais destacado em sua altura, e em seu grande esplendor. Este também requeriria uma longa explanação, se alguém fosse descrevê-lo. De qualquer forma, à medida que era prodigiosamente grande e magnificente, foi terminado em quinze dias. Já neste palácio ele erigiu muitos (high walks), apoiados por pilares de pedra, e por plantar o que foi chamado de paraíso suspenso, repleto de toda sorte de árvores, ele buscou fazer a exata semelhança de um país montanhoso. Este ele fez para agradar sua rainha, pois ela tinha sido trazida da Média, e apreciava as regiões montanhosas."

20. Isto é o que Beroso relata concernente ao supramencionado rei, [assim] como ele relata muitas outras coisas daquele também no terceiro livro da sua História dos Caldeus. Neste ele queixa-se dos escritores gregos por suporem, sem qualquer fundamento, que Babilônia fora construída por Semiramis, (14) raínha da Assíria, e por ela falsamente pretender ter construído aqueles maravilhosos edifícios em Babilônia, fazendo sem estilo contradição àqueles antigos e relatando, como se eles fossem seu próprio trabalho; como sem dúvida nestes assuntos a História dos Caldeus não pode ser, porém, a de maior crédito. Além disso confirmamos a afirmação de Beroso com os arquivos dos fenícios, concernente a Nabucodonosor, de que ele conquistou toda a Síria e a fenícia; neste caso Filostratus concorda com os outros naquela história que ele compôs, onde menciona o cerco a Tiro; como fez Megastenes também, no quarto livro da sua História da Índia, onde ele pretende provar que o acima mencionado rei dos babilônios foi superior a Hércules em força e grandiosidade de suas façanhas; pois diz que ele conquistou uma grande parte da Líbia, e conquistou a Iberia também. Ora, conforme eu havia dito antes sobre o templo em Jerusalém, que foi disputado pelos babilônios, e o queimaram, mas foi reaberto quando Ciro obteve o reino da Ásia, será monstrado agora o que Beroso adiciona; assim ele diz em seu terceiro livro: "Nabucodonosor, depois de iniciar a construção da já mencionada muralha, caiu doente, e partiu desta vida, quando havia reinado quarenta e três anos; consequentemente seu filho Evil Merodaque adquiriu o reino. Depois ele dirigiu os assuntos públicos de maneira ilegal e sórdida, e Neriglissar, marido de sua irmã, concebeu um plano traiçoeiro contra ele, e o assassinou quando havia reinado apenas dois anos. Depois dele morrer, Neriglissar, a pessoa que conspirou contra ele, sucedeu-o no reino, e reinou quatro anos; seu filho Laborosoarchod recebeu o reino, apesar de ser apenas uma criança, e governou nove meses; mas por seu forte temperamento maldoso e práticas más que ele exibia a todos, uma conspiração foi planejada contra também ele por seus amigos, e foi afligido de morte. Depois de sua morte, os conspiradores juntos, de comum acordo colocaram a coroa sobre a cabeça de Nabonido, um homem de Babilônia, sendo um dos que participaram nesta insurreição. Foi em seu reinado que as muralhas da cidade de Babilônia foram curiosamente construídas com tijolos queimados e betume; mas quando ele havia chegado ao décimo sétimo ano de seu reinado, Ciro veio da Pérsia com um grande exército, e tendo já conquistado todo o resto da Ásia, veio apressadamente para Babilônia. Quando Nabonido soube que ele viera atacá-lo, veio de encontro com suas forças, e lutando contra ele, foi superado, e fugiu com um pouco de suas tropas, e foi encerrar-se na cidade de Borsippus. Subsequentemente Ciro tomou Babilônia, e deu ordem de que as muralhas externas da cidade fossem demolidas, pois a cidade havia se mostrado muito preocupante a ele, e custou-lhe grandes sofrimentos tomá-la. Então marchou para Borsippus, para assediar Nabonido. Mas como Nabonido não sustentou o cerco, mas entregou-se em suas mãos, Ciro usou de enorme bondade com ele, dando-lhe Carmania, para habitar, tirando-o, porém, de Babilônia. Consequentemente Nabonido passou o resto de seu tempo naquele país, e lá morreu."

21. Estas descrições concordam com as histórias verídicas de nossos livros; pois nestes escreveu-se que Nabucodonozor, no décimo oitavo ano de seu reinado, arrasou nosso templo, e deixou naquele estado de obscuridade por cinquenta anos; mas que no segundo ano do reinado de Ciro foram lançadas suas fundações, e este foi terminado no segundo ano de Dario. Agora adicionarei o relato dos fenícios; pois não será supérfluo dar ao leitor demonstrações mais que suficientes nesta ocasião. Nestes nós teremos até a enumeração dos seus muitos reis: "Nabucodonosor assediou Tiro por treze anos nos dias de Itobal, seu rei; depois dele reinou Baal, [por] dez anos. Depois dele foram nomeados juízes, que julgavam o povo: Ecnibalus, o filho de Baslacus, dois meses; Chelbes, filho de Abdeus, dez meses; Abbar, o sumo-sacerdote, três meses; Mitgonus e Gerastratus, filhos de Abdelemus, foram juízes seis anos; depois Balatorus reinou um ano; depois de sua morte eles chamaram e trouxeram Merbalus da Babilônia; que reinou quatro anos; depois de sua morte eles chamaram seu irmão Hirão, que reinou vinte anos. Sob este rei Ciro tornou-se rei da Pérsia." Portanto o inteiro intervalo é [de] cinquenta e quatro anos e três meses; pois no sétimo ano do reinado de Nabucodonozor, ele iniciou o sítio a Tiro, e Ciro, o persa, recebeu o reino no décimo quarto ano de Hirão. Portanto os registros caldeus e tírios concordam com nossos escritos sobre este templo; e os testemunhos aqui produzidos são indisputáveis e inegáveis confirmações da antiguidade da nossa nação. E suponho que o que já foi dito talvez seja suficiente àqueles que não são muito contenciosos.