Chapter 2
12. Nós mesmos nunca habitamos um país marítimo, nem deleitamo-nos em comércio, nem, do mesmo modo em nos misturarmos entre outros homens conforme surgiam por lá; mas as cidades em que moramos são afastadas do mar, e tendo um país fértil para habitarmos, nos esforçamos em apenas cultivá-lo. O maior cuidado que temos é o de educar bem nossas crianças; e acreditamos que seja o assunto mais importante de toda nossa vida observar as leis que nos foram dadas, e sustentar aqueles preceitos de piedade que nos foram entregues. Visto, então, que além do que já observamos a respeito, nós temos tido um peculiar modo próprio de viver, não surgiu ocasião propícia, nos tempos antigos, para nos misturarmos entre os gregos, como eles tiveram para misturarem-se com os egípcios, por seu comércio de exportar e importar várias mercadorias; como também misturaram-se com os fenícios, que viviam à beira-mar, por meio de seu amor ao lucro do comércio e mercantilismo. Nem nossos antepassados entregaram-se, como fizeram alguns outros, ao roubo; nem tornaram costume ganhar mais riquezas provocando guerra com os estrangeiros, ainda que nosso país tenha vários miríades (*) de homens corajosos o bastante para tal propósito. (*) "...vários miríades..." (many ten thousands) , ou seja, literalmente "vários dez mil".
Por essa razão foi que os próprios fenícios vieram logo a ser conhecidos pelos gregos por seus negócios e navegação. E por meio deles os egípcios também se tornaram conhecidos aos gregos, como fez todos aqueles povos de quem os fenícios em longas viagens pelo mar, carregaram mercadorias para os gregos. Também os medos e persas, quando eles eram senhores da Ásia, tornaram-se bem conhecidos por eles; e isso foi especialmente verdade com os persas, que conduziram seus exércitos tão distante quanto outro continente (*). Os trácios foram também conhecidos por eles em razão da proximidade de seus países, e os citas por aqueles que navegaram para o Ponto; foi assim em geral que todas as nações marítimas, e aqueles que habitam próximo aos mares leste ou oeste, tornaram-se mais conhecidos para aqueles que eram ansiosos de escrever. Mas do mesmo modo, à medida que tiveram suas habitações mais distantes do mar, foram na maior parte desconhecidos a eles que coisas lhes aconteceram, conforme a Europa também, onde a cidade de Roma, que tem possuido há muito tempo enorme poder, e executou tais grandes ações na guerra, em momento nenhum é mencionada por Heródoto, nem por Tucídides, nem por qualquer outro de seus contemporâneos. Os romanos tornaram-se conhecidos pelos gregos muito mais tarde, e com grande dificuldade. Pelo contrário, aqueles que foram contar as mais exatas histórias (e Ephorus [sendo] um) foram tão completamente ignorantes sobre os gauleses e espanhóis, que supunham que os espanhóis, que habitam uma tão grande parte das regiões ocidentais da terra, fossem não mais do que uma cidade. Aqueles historiadores também se aventuraram a descrever semelhantes costumes como se fossem úteis para eles, de que aqueles nunca [ficaram] entre fazer e dizer. E a razão daqueles escritores não terem conhecimento da verdade de seus assuntos foi este, que eles não tinham comércio algum entre si; mas a razão deles escreverem semelhantes falsidades foi a intenção de aparentarem conhecer coisas que outros não conheciam. (*) Europa.
Como pode, então, ser algo assombroso a nossa nação não ter sido mais conhecida para a maioria dos gregos, nem ter havido ocasião alguma em que fossem mencionados por seus escritos, já que eles estavam distantes do mar, e tinham esse modo peculiar de conduzir suas vidas?
13. Permitamos agora situar o caso: façamos uso deste argumento dos gregos, por sua vez, provando que sua nação não é antiga por nada ser dito deles em nossos registros; eles não escarneceriam de todos nós, e provavelmente nos dariam as mesmas razões para nosso silêncio que eu tenho agora alegado, e apresentariam as nações que são deles vizinhos como testemunhas de sua antiguidade? Agora a mesmíssima coisa me esforçarei em fazer: apresentarei os egípcios e fenícios como minhas principais testemunhas, pois ninguém pode reclamar de seu testemunho como falso, tomando-se em conta que eles são bem conhecidos por terem grande ódio contra nós. Penso isso quanto aos egípcios em geral, todos eles, enquanto os fenícios, conhecidos como tírios, têm sido os de maior disposição maldosa para conosco. Ainda confesso que não posso dizer o mesmo dos caldeus, visto que nossos primeiros líderes e ancestrais derivaram deles; e eles fazem menção de nós, judeus, em seus registros, no relato de parentesco [que] há entre nós. Agora quando eu tiver feito declarações legítimas, longe do interesse dos outros, demonstrarei que alguns dos escritores gregos fizeram menção de nós, judeus, de tal forma que aqueles que nos invejam talvez nem terão a pretensão de contradizer o que eu disse a respeito de nossa nação.
14. Começarei com os escritores egípcios; sem dúvida, não com aqueles que escreveram na língua egípcia, sendo esta impossível para mim, fazê-lo. Mas Mâneton foi um homem que por nascimento, egípcio, ainda fez de si mesmo mestre do conhecimento grego, conforme é bem evidente; pois ele escreveu a história de seu próprio país no idioma grego, por traduzí-lo, como ele mesmo diz, dos seus sagrados registros; ele também encontra grande falha em Heródoto por sua ignorância e falsas relações dos assuntos egípcios. Já este Mâneton, no segundo livro da sua História Egípcia, escreve concernente a nós da seguinte maneira. Colocarei abaixo suas muitas palavras, conforme foi possível, trouxe o próprio homem completo para uma corte como testemunha: "Tivemos um rei de nome Timaus. Sob ele isso veio a acontecer, não sei como, que deus estava contra nós, e vieram, de maneira surpreendente, homens de ignorado nascimento das regiões orientais, e tiveram bastante ousadia para fazer uma expedição contra nosso país, e com facilidade subjugaram pela força, sem aventurarmos uma batalha contra eles. Então quando eles conseguiram ter sob seu poder aquele que nos governava, queimaram nossas cidades, e demoliram nossos templos dos deuses, e usaram depois todos os habitantes das mais bárbaras maneiras; além disso, alguns eles mataram, e puseram suas crianças e esposas sob escravidão. Posteriormente fizeram um deles rei, cujo nome era Salatis; ele também viveu em Mênfis, e fez tanto o Alto como o Baixo egito pagarem tributo, e colocou guarnições nos lugares em que considerou apropriados. Ele dirigiu-se principalmente à segurança das regiões orientais, prevendo que os assírios, que tinham então o maior poderio, ficariam desejosos daquele reino, e o invadiria; e como ele encontrou no Nomos Saite [Sethroite] uma cidade muito adequada ao seu propósito, colocada sob o canal Bubastic, mas respeitando a certa noção teológica foi chamada Avaris; esta ele reconstruiu, e a fortificou muito com muralhas que ele construiu sobre ela, e colocou numerosíssima guarnição de duzentos e quarenta homens armados que nela deixou para guardá-la. Para lá Salatis ía no tempo de verão, em parte para recolher cereais, e pagar o salário dos soldados, e em parte para exercitar seu exército armado, e através disso aterrorizar os estrangeiros. Depois dele reinar treze anos, outro reinou, cujo nome era Beon, por quarenta e quatro anos; depois dele reinou outro, chamado Apachnas, trinta e seis anos e sete meses; depois dele Apófis reinou sessenta e um anos, e então Janins cinquenta anos e um mês; depois de todos aqueles Assis reinou quarenta e nove anos e dois meses. E estes seis foram os primeiros governantes entre eles, e todos prosseguiram fazendo guerra com os egípcios, e eram muito ansiosos de gradualmente destruí-los até as raízes. Toda esta nação era chamada Hycsos, que significa Pastores-reis: a primeira sílaba, Hyc, de acordo com o dialeto sagrado, denota um rei, enquanto Sos, um pastor; mas isto de acordo com o dialéto normal; e destas se compõem Hycsos, mas alguns dizem que estes povos eram árabes." Já em outra cópia está dito que esta palavra não denota Reis, mas, ao contrário, denota Cativos Pastores, e está na explicação da partícula Hyc; pois Hyc, com aspiração, no idioma egípcio novamente denota Pastores, e essa explicitamente também; e este para mim aparenta ser o conceito mais provável, e mais conforme à história antiga. [Mas Mâneton continua]: "Este povo, que anteriormente denominamos reis, e também chamados pastores, e seus descendentes", como ele diz, "tomaram posse do Egito quinhentos e onze anos." Depois disso, diz ele, "Aqueles reis de Tebas e outras partes do Egito fizeram uma insurreição contra os pastores, e houve uma terrível e longa guerra entre eles." Ele diz mais adiante: "Até que sob um rei, cujo nome era Alisphragmuthosis, os pastores foram subjugados por ele, e foram deveras dirigidos a outras partes do Egito; mas foram encerrados num lugar que contém dez mil acres; este lugar era chamado Avaris." Mâneton diz: "Aqueles pastores construiram uma muralha em torno deste lugar, uma grande e forte muralha, no objetivo de manter todas as suas posses e seu roubo numa fortaleza; porém Thummosis, filho de Alisphragmuthosis fez uma tentativa de tomar-lhes pela força e pelo cerco, com quatrocentos e oitenta mil homens deitá-la [ao chão]. Mas perdeu sua esperança de tomar o lugar pelo cerco, e veio a entrar num entendimento com eles, deles partirem do Egito, e irem, sem fazer-lhes qualquer dano, para onde quer que fossem. E, depois de feito esse acordo, eles viajaram com todas as suas famílias e pertences, não menos em número do que duzentos e quarenta mil, e viajaram para fora do Egito, através do deserto, para a Síria. Mas como tiveram medo dos assírios, que tinham então o domínio sobre a Ásia, construíram uma cidade naquele país que é agora chamado Judéia, grande o suficiente para conter este grande número de homens, e chamaram-na Jerusalém. (9) Agora Mâneton, em outro livro dele, diz: "Esta nação, assim chamada Pastores, foram também chamados Cativos, em seus livros sagrados." E este relato dele é verdadeiro; pois criar rebanhos foi o trabalho de nossos antepassados nas mais antigas eras, (10) e como eles conduziam suas vidas viajando [para] alimentar o rebanho, foram chamados Pastores. Nem foi isso sem razão, serem chamados Cativos pelos egípcios, visto que um dentre nossos ancestrais, José, contou ao rei do Egito que ele foi um cativo, e mais tarde levou seus irmãos para o Egito pela permissão do rei. Mas a respeito destes assuntos, farei uma mais exata investigação em outro lugar. (11)
15. Mas agora apresentarei os egípcios como testemunhas da antiguidade de nossa nação. Trarei, então, aqui Mâneton novamente, e o que ele escreveu, conforme a ordem dos tempos neste caso. E assim ele diz: "Quando este povo ou pastores foram embora do Egito para Jerusalém, Tethtoosis, o rei do Egito, que os expulsou, reinou depois, vinte e cinco anos e quatro meses, e então morreu; depois dele seu filho Chebron segurou o reino por trinta anos; depois veio Amenophis, por vinte anos e sete meses; então veio sua irmã Amesses, por vinte e um anos e nove meses; depois dela veio Mephres, por doze anos e nove meses; depois dele foi Mephramuthosis, por vinte e cinco anos e dez meses; depois dele foi Thmosis, por nove anos e oito meses; depois dele veio Amenophis, por trinta anos e dez meses; depois dele veio Orus, por trinta e seis anos e cinco meses; então veio sua filha Acenchres, por doze anos e um mês; então foi seu irmão Rathotis, por nove anos; então foi Acencheres, por doze anos e cinco meses; então veio outro Acencheres, por doze anos e três meses; depois dele Armais, por quatro anos e um mês; depois dele foi Ramesses, por um ano e quatro meses; depois dele veio Armesses Miammoun, por sessenta e seis anos e dois meses; depois dele Amenophis, por dezenove anos e seis meses. Depois dele veio Sethosis, e Ramesses, que tinha um exército a cavalo, e uma força naval. Este rei nomeou seu irmão, Armais, para ser seu substituto sobre o Egito." [Em outra cópia, isso é posto assim: "Depois dele veio Sethosis, e Ramesses, dois irmãos, o primeiro deles teve uma força naval, e de maneira hostil destruiu aquele que encontrou-o no mar; mas como ele matou Ramesses não muito tempo depois, nomeou assim outro dos seus irmãos para ser seu substituto sobre o Egito.] Ele deu-lhe também toda a autoridade de um rei, mas com esta imposição, dele não colocar o diadema, nem injuriar a rainha, a mãe de sua criança, e não se intrometer com as outras concubinas do rei. Enquanto ele fazia uma expedição contra Cyprus, e Fenícia, e também contra os assírios e medos, subjugou, então a todos, alguns pelas armas, alguns sem luta, e outros pelo terror de seu grande exército; e sendo elevado pelo grande sucesso que havia tido, ele partiu mais corajosamente, e derrubou cidades e países localizados nas partes orientais. Mas depois de um considerável tempo, Armais, que ficou no Egito, fez, sem medo, todas aquelas muitas coisas, tudo ao contrário do que seu irmão havia o proibido de fazer; pois ele usou de violência para com a rainha, e continuou a fazer uso do resto das concubinas, sem poupar nenhuma delas. Pelo contrário, conforme a persuasão de seus amigos, colocou o diadema, e se opôs a seu irmão. Mas então aquele que havia ficado sobre os sacerdotes do Egito escreveu cartas a Sethosis, e informou-o de tudo que havia ocorrido, e de como seu irmão tinha feito oposição a ele. Então ele voltou a Pelusium imediatamente, e recuperou seu reino novamente." O país também foi chamado de seu nome, Egito; pois Mâneton diz que o próprio Sethosis foi chamado Egytus, como foi seu irmão Armais chamado Danaus.
16. Este é o relato de Mâneton. E isto fica claro pelo número de anos por ele colocado para esse intervalo, se eles forem somados juntos, desde aqueles pastores, conforme eles são aqui chamados, que não eram ninguém além de nossos antepassados, foram livrados do Egito, e vieram daquele lugar e habitaram este país, trezentos e noventa e três anos antes de Danaus vir para Argos; ainda que os argives o vejam (12) como seu mais antigo rei, Mâneton, então, nos dá seu testemunho em dois pontos importantíssimos ao nosso propósito, e provenientes dos próprios registros egípcios. Em primeiro lugar, que nós viemos de outro país para o Egito; e também que nossa libertação de lá foi tão antiga no tempo, que até precede o cerco a Tróia quase mil anos. Mas sobre as coisas que Mâneton acrescenta, não dos registros egípcios, mas como ele mesmo confessa, de algumas histórias de uma origem duvidosa, eu o refutarei futuramente em particular, e demonstrarei que estas não são mais que fábulas impossíveis.
17. Agora, então, passarei destes registros, e irei para aqueles pertencentes aos fenícios, e relativos a nossa nação, e produzirei confirmação do que já afirmei sobre eles. Há, então, relatos entre os tírios que percorrem a história de muitos anos, por meio daqueles registros públicos, e são feitos com grande exatidão, incluindo descrições de fatos ocorridos entre eles, e igualmente concernente também a seus negócios com outras nações, que são dignos de serem recordados. Nestes foi registrado que o templo construído pelo rei Salomão em Jerusalém, cento e quarenta e três anos e oito meses antes dos tírios construírem Cartago; e em seus anais a construção do nosso templo é relatada; pois Hirão, rei de Tiro, foi amigo do nosso rei Salomão, e teve transmitida semelhante amizade de seus antepassados. Ele por isso era ansioso de contribuir para o esplendor da edificação de Salomão, e fez-lhe um presente de cento e vinte talentos de ouro. Ele também cortou-lhe as mais excelentes árvores daquela montanha chamada Líbano, e enviou-lhe para adornar seu telhado. Salomão também não somente fez-lhe muitos outros presentes, como forma de recompensa, mas deu-lhe também uma aldeia na Galiléia, que foi chamada Chabulon. (13) Mas houve outra paixão, uma filosófica inclinação deles, que cimentou a amizade entre eles; pois eles enviaram perguntas um ao outro, com o desejo de tê-las solucionado um pelo outro; no que Salomão foi superior a Hirão, conforme este foi mais sábio que aquele em outros aspectos. E muitas das cartas transmitidas entre eles estão ainda preservadas entre os tírios. Agora, de forma que isto talvez não dependa de minhas palavras expostas, eu apresentarei como testemunha Dio, alguém a quem é creditado ter escrito a História Fenícia de maneira precisa. Este Dio, então, escreve assim, em suas Histórias dos Fenícios: "Na morte de Abibalus, seu filho Hirão teve o reino. Este rei construiu aterros nas partes orientais da cidade, e ampliou-a; ele também uniu o templo de Jupiter Olimpio, que localizava-se antes numa ilha própria, à cidade, por construir uma trilha entre eles, e adornou aquele templo com contribuição de ouro. Além disso ele viajou ao Líbano, e fez com a madeira cortada, construção de templos. Eles dizem, mais à frente, que Salomão, quando era rei de Jerusalém, enviou enigmas para Hirão resolver, e pediu que ele enviasse outros de volta àquele, para resolver, e que [se] ele não conseguisse resolver os problemas propostos para si, pagaria com dinheiro àquele que resolvesse. E quando Hirão concordou com a proposta, mas não foi capaz de resolver os enígmas, foi obrigado a pagar uma grande soma em dinheiro, como uma multa por isso. Conforme também eles relatam, que um Abdemon, um homem de Tiro, obteve a solução dos problemas, e propôs outros que Salomão não conseguiu solucionar, pelos quais ele foi obrigado a pagar de volta uma grande quantia de dinheiro a Hirão." Estas coisas estão atestadas por Dio, e confirmam o que dissemos sobre o assunto antes.
18. Agora acrescentarei Menandro, o efésio, como um testemunho adicional. Este Menandro escreveu os Atos tanto de gregos como bárbaros, sobre cada um dos reis tírios, e esforçou-se muito para conhecer sua história tirada de seus próprios relatos. Agora quando ele estava escrevendo sobre aqueles reis que haviam reinado em Tiro, veio para Hirão e disse assim: "Na morte de Abibalus, seu filho Hirão obteve o reino; ele viveu cinquenta e três anos, e reinou trinta e quatro. Ele construiu um aterro no que é chamado Lugar Amplo, e dedicou aquela coluna de ouro que está no templo de Júpiter; ele também foi e cortou madeira proveniente da montanha chamada Líbano, e obteve madeira de cedro para o telhado dos templos. Ele também derrubou os velhos templos, e construiu novos no lugar; além disso, ele consagrou os templos de Hércules e Astarte. Ele primeiro construiu o templo de Hércules no monte Peritus, e aquele de Astarte quando ele fez sua expedição contra os Tityans, que não queriam pagar seu tributo; e quando ele os subjugou a si, retornou ao lar. Sob este rei houve um jovem filho de Abdemon, que solucionou os enigmas que Salomão, rei de Jerusalém havia sugerido para resolver." Já do tempo deste rei até a construção de Cartago é assim calculado: "Depois da morte de Hirão, Baleazarus seu filho, teve o reino. Ele viveu quarenta e três anos, e reinou sete; depois dele sucedeu-o seu filho Abdastartus; ele viveu vinte e nove anos, e reinou nove anos. Quando quatro filhos seus da mesma mãe conspiraram contra ele e o assassinaram, o primogênito daquele reinou doze anos; depois dele veio Astartus, o filho de Deleastartus; ele viveu cinquenta e quatro anos, e reinou doze anos; depois dele veio seu irmão Aserymus; ele viveu cinquenta e quatro anos, e reinou nove. Ele foi assassinado por seu irmão Pheles, que tomou o reino e reinou apenas oito meses, tendo vivido cinquenta anos; ele foi assassinado por Ithobalus, o sacerdote de Astarte, que reinou trinta e dois anos, e viveu sessenta e oito anos; ele foi sucedido por seu filho Badezorus, que viveu quarenta e cinco anos, e reinou seis; ele foi sucedido por Matgenus, seu filho; ele viveu trinta e dois anos, e reinou nove; Pygmalion sucedeu-o; ele viveu cinquenta e seis anos, e reinou quarenta e sete anos. Já no sétimo ano de seu reinado, sua irmã fugiu dele, e construiu a cidade de Cartago na Líbia." Assim, do inteiro período do reinado de Hirão, até a construção de Cartago, atingem a soma de cento e cinquenta anos e oito meses. Posto que o templo foi construído em Jerusalém no décimo segundo ano do reinado de Hirão, houve, da construção do templo até a construção de Cartago, cento e quarenta e três anos e oito meses. Portanto, que razão há de alegar mais algum testemunho das histórias fenícias [na defesa de nossa nação], visto que o que tenho dito já está completamente confirmado? E para ser claro, nosso ancestrais vieram para este país muito antes da construção do templo; pois não construímos nosso templo até que tínhamos tomado posse de toda a terra por meio da guerra. E este é o ponto que eu claramente provei, dos nossos escritos sagrados, no meu Antiguidades.