Contra Ápio

Chapter 10

Chapter 103,627 wordsPublic domain (Wikisource)

19. E realmente a maior parte da humanidade está tão distante de viver concordemente com suas próprias leis, que eles dificilmente as conhecem; mas quando eles as transgridem, descobrem por meio de outros que transgrediram a lei. Também aqueles que estão em altos e principais postos do governo, confessam não estarem informados daquelas leis, e são obrigados a receberem aquelas pessoas por seus assessores na administração pública à medida que professam ter habilidade naquelas; mas quanto ao nosso povo, se alguma pessoa perguntar a qualquer um sobre nossas leis, ele, com mais prazer que todos, contará por nome, e isso em consequência de as aprendermos desde cedo, à medida que nos tornamos conscientes de qualquer coisa, e por as termos assim ficamos/estivemos ***were engraven*** em nossos espíritos. Nossos transgressores delas são, porém, poucos, e quando alguém as transgridi é impossível escapar da punição.

20. E estas muitas coisas são [as] que principalmente geram uma tal maravilhosa concordância mental entre todos nós; pois esta nossa completa concordância em todas as nossas noções concernente a Deus, e a nossa similar forma de conduzir a vida e nos costumes, proporciona entre nós a mais excelente concordância daqueles nossos costumes que alguém [tem] quando entre [a] humanidade; pois nenhum outro povo, exceto os judeus, estão prevenidos de contradizer uns aos outros nos discursos a cerca de Deus, o que, todavia, é frequente entre outras nações; e isso é verdade não só entre pessoas comuns, de acordo com o que cada um é afetado, mas alguns filósofos têm sido insolentes o bastante para entregarem-se a tais contradições, enquanto alguns deles responsabilizam-se por usar tais palavras como inteiramente recebidas da natureza de Deus, como outros deles têm recebido sua providência sobre a humanidade. Nem pode qualquer pessoa perceber entre nós qualquer diferença na conduta de nossas vidas, mas todos os nossos trabalhos são comuns a todos nós. Nós temos uma espécie de discurso concernente a Deus, que está de acordo com nossa lei, e afirma que ELE vê todas as coisas; como também temos somente um modo de falar no que diz respeito as nossas vidas, que todas as outras coisas devem ter como objetivo a piedade; e isso qualquer pessoa pode ouvir de nossas próprias mulheres e servos.

21. E, sem dúvida, por conseguinte se tem levantado aquela acusação que alguns fizeram contra nós, de que não temos produzido homens inventores de novas operações, ou de novos modos de expressar; pois outros pensam [ser] uma coisa admirável em nada persistir que tenha sido dado por seus antepassados, e estes testificam ser um exemplo de aguda inteligência quando aqueles homens aventuram-se em transgredir suas tradições; enquanto nós, ao contrário, cremos ser somente inteligência e virtude não permitir ações nem suposições que sejam contrárias à nossa lei original; e este nosso procedimento é um correto e claro sinal de que nossa lei está admiravelmente constituída; pois tais leis à medida que não estão bem feitas são condenadas sob julgamento por precisarem de emenda.

22. Mas, [a partir] do momento que nós nos persuadimos de que nossa lei foi feita concordemente com a vontade de Deus, seria impiedade nossa não observá-las; mas o que há nela que qualquer pessoa mude? E o que pode ser inventado de melhor? Ou o que podemos receber das legislações de outros povos que a superará? Quem sabe alguém teria alterado o inteiro assentamento de nosso governo. E onde nós encontraremos uma melhor ou mais justa constituição do que a nossa, enquanto esta faz-nos estimar a Deus por Governante do Universo, e concede aos sacerdotes em geral serem administradores dos mais importantes assuntos, e além disso, confiar o governo novamente a outros sacerdotes para o próprio principal sumo sacerdote? Sacerdotes dos quais nosso legislador, em sua primeira nomeação, não promoveu para esta dignidade por suas riquezas, ou pela abundância de outras posses, ou por alguma riqueza de presentes que eles [tivessem lhe dado]; mas ele confiou o principal gerenciamento da devoção Divina àqueles que excederam outros na habilidade de persuadir aos homens, e em prudência de conduta. Estes homens tinham por principal preocupação a lei e outras partes da conduta do povo comissionadas a eles; pois foram os sacerdotes que receberam ordem de serem inspetores de todos, e juízes em casos dúbios, e executores da punição dos que eram condenados à punição.

23. Que forma de governo pode, então, ser mais santo que esta? Que mais digna espécie de adoração pode se render a Deus do que a que nós damos, onde o inteiro corpo do povo está preparado para a religião, onde um extraordinário grau de cuidado é requerido dos sacerdotes, e onde o regime todo está tão ordenado como se fosse uma certa solenidade religiosa? Pois que assuntos diferentes, quando eles celebram tais festivais, não estão habilitados a observar por período de uns poucos dias, e chamam-nas Mistérios e Cerimônias Sagradas, nós observamos com grande regozijo e uma inabalável resolução durante toda as nossas vidas. Quais são as coisas, então, que nós somos ordenados e proibidos? São simples, e facilmente conhecidas. A primeira ordem é concernente a Deus, e afirma que a Deus pertence todas as coisas, e é um Ser de todo modo perfeito e feliz, auto-suficiente, e supre todos os outros seres; o princípio, o meio e o fim de todas as coisas. Ele é manifesto em sua criação e benefícios, e mais evidente que qualquer outro ser, seja qual for; mas em razão de sua forma e magnitude, ele é mais secreto. Todos os materiais, mesmo os mais caros, são inadequados para compor uma imagem dele, e todas as artes são irrealidades ***unartful*** para expressar a noção que deve-se ter dele. Nem podemos vê-lo nem pensar em qualquer coisa semelhante a ele, nem está de acordo com a piedade fabricar uma semelhança dele. Nós vemos seus trabalhos, a luz, o céu, a terra, o sol e a lua, as águas, as gerações animais, as produções de frutos. Estas coisas Deus as tem feito, não com mãos, nem com labor, nem precisando da assistência de qualquer auxílio a si; pois conforme sua vontade elas teriam de ser feitas e serem também boas, elas foram feitas e tornaram-se boas imediatamente. Todos os homens precisam seguir este Ser, e adorá-lo em exercício da virtude; pois este caminho da devoção a Deus é a mais santa de todas as outras.

24. Deve, também, haver apenas um templo para um Deus; pois a igualdade é o constante fundamento da concordância. Este templo deve ser comum a todos, porque Ele é o Deus comum a todos os homens. Sumos sacerdotes existem para estar continuamente em torno de sua adoração, sobre quem ele que é o primeiro por nascimento é para ser seu governante perpetuamente. Seus negócios devem ser ofertar sacrifícios a Deus, junto com aqueles sacerdotes que estão junto dele, para ver que as leis são observadas, para determinar controvérsias, e punir aqueles em quem há culpa de injustiça; enquanto ele faz que não faz submeter-lhe será submetido à mesma punição, se ele tiver sido culpado de impiedade contra o próprio Deus. Quando ele oferta sacrifícios a ele, nós o fazemos não no intuito de nos engordar, ou para nos embebedarmos; pois tais excessos são contra o desejo de Deus, e seriam uma ocasião de injúrias e luxúria; mas por guardar-nos sóbrios, de prontidão, e preparados para nossas outras ocupações, e sendo mais temperados que os outros. E para nossa obrigação nos nossos sacrifícios (22) , devemos, em primeiro lugar, pedir pelo bem-estar comum de todos, e depois para nós mesmos; pois fazemos para associação uns com os outros, e ele que prefere o bem comum antes do que é especificamente para si é acima de tudo aceitável a Deus. E rendemos nossas orações e súplicas humildemente a Deus, não [tanto] [para] ele dar-nos o que é bom, (pois ele agora mesmo deu-nos conforme lhe era conveniente, e propôs o mesmo a todos ) de acordo com o que nós talvez pontualmente recebemos, e quando temos recebido, talvez preservar. Já a lei fixa diversas purificações em nossos sacrifícios, através dos quais nós depois limpamos um funeral, depois do que às vezes nos acontece na cama, e após deitarmos com nossas esposas, e diante de várias outras ocasiões, as quais seriam demasiado longo especificar. E esta é nossa doutrina concernente a Deus e da devoção a ele, e é o mesmo que a lei fixa para que façamos.

25. Mas, então, quais são nossas leis relativas ao casamento? A lei relativa a não se misturar os sexos que não sejam os que a natureza indica, de um homem com sua esposa, e que seja usado somente para a geração de crianças. Mas ela abomina a mistura de macho com macho; e se alguma pessoa o faz, morte é sua punição. Ela nos ordena também, quando desposamos, não para ter respeito ao dote, nem para tomar uma mulher pela violência, nem por persuadi-la enganosamente e desonestamente; mas pedi-la no casamento, que teve poder para dispor dela, e está adequado para dar a ela fora da proximidade de sua parentela; pois, diz a Escritura: "Uma mulher é inferior a seu marido em todas as coisas." (23) Deixe-a, então, ser obediente a ele; não tanto que ele abusaria dela, mas que ela talvez admita sua obrigação para com seu marido; pois Deus deu a autoridade ao marido. Um marido, então, deita-se apenas com sua esposa que ele contraiu matrimônio; mas fazer com a esposa de outros homens é uma coisa má, que, se alguém arriscar-se, a morte é inevitavelmente sua punição; o mesmo receberá aqueles que forçar uma virgem noiva de outro homem, ou seduzir a esposa de outro homem. A lei, além disso, nos impoem trazer toda a nossa descendência [à vida], e proíbe a mulher que aborta o que é gerado, ou o destrói posteriormente; e se parecer que alguma mulher tenha feito assim, ela terá se tornado uma assassina de sua criança, por destruir uma criatura viva, e diminuindo a espécie humana; se alguém, então, proceder com tal fornicação ou assassínio, ele não pode estar puro. Além disso, a lei impoem que depois o homem e esposa terem se deitado juntos, de uma forma regular, eles devem banhar-se; pois há uma corrupção contraída através disso, tanto no espírito quanto no corpo, como se eles tivessem chegado de um outro país; pois realmente o espírito, por ser unido ao corpo, está sujeito aos sofrimentos, e não está livre para partir exceto pela morte; pelo qual julga a lei requerer que esta purificação seja inteiramente executada.

26. E além disso, a lei não nos permite fazer festas nos aniversários de nossas crianças, e através disso se permitir ocasião de beber ao excesso; mas esta ordena que no mais imediato princípio de nossa educação devemos ser imediatamente dirigidos à sobriedade. Ela também nos ordena trazer estas crianças em conhecimento, para exercitá-las nas leis, e fazê-las conhecer os atos de seus antecessores, no objetivo de imitá-los, e para que eles, talvez, cresçam nas leis desde sua infância, e talvez nem as trangrida, nem tenham qualquer pretensão de ignorá-las.

27. Nossa lei teve também o cuidado do decente funeral dos mortos, apenas sem qualquer custosa extravagância para seus funerais, e sem se erigir quaisquer monumentos ilustres para eles; mas ordena que seus parentes próximos executem seus enterros; e mostrou esta ser regular, que todos os que passarem por quem está enterrando [um morto] deve acompanhar o funeral, e unir-se à lamentação. Ela também ordena que a casa e seus habitantes devem purificar-se depois de terminado o funeral, cada um pode aprender a guardar-se a uma grande distância entre os pensamentos de um ser puro, uma vez culpado de assassinato. ***that every one may thence learn to keep at a great distance from the thoughts of being pure, if he hath been once guilty of murder.***

28. A lei ordena também que os pais devem ser honrados imediatamente depois do próprio Deus, e comunica que o filho que não os recompensa pelos benefícios deles recebidos, mas é deficiente em qualquer ocasião, deve ser apedrejado. E também diz que os homens jovens devem render o devido respeito a todo idoso, visto que Deus é anterior a todos os seres. Ela não concede entregar-se a ocultar qualquer coisa de nossos amigos, porque não é verdadeira amizade a que não transmite todas as coisas à sua fidelidade; ela também proíbe a revelação de segredos, mesmo que até um inimigo se levante entre eles. Se qualquer judeu receber suborno, sua punição é a morte; aquele que faz vista grossa [para] alguém que lhe dirige uma súplica, e isso quando ele está capaz de socorrê-lo, ele é uma pessoa culpada. O que não é a qualquer um confiado para outro não deve ser requerido. Ninguém deve tocar a mercadoria de outro. Aquele que empresta dinheiro obrigatoriamente não exige juros de seu empréstimo. Estes, e muitos mais da mesma espécie, são os preceitos que nos unem nos laços da sociedade uns com os outros.

29. Isto será também digno de nosso desvio para observar que equidade nosso legislador teve conosco no que tange ao nosso relacionamento com estrangeiros; pois parece que ele fez a melhor provisão que poderia ter feito, entre o que não dissolve nossa própria constituição, nem desenvolvendo qualquer mente invejosa dirigida àqueles que cultivariam uma amizade conosco. Concordemente, nosso legislador admite todos aqueles que tem vontade de observar nossas leis para assim fazer; e isso conforme uma maneira amigável, como estimando que uma verdadeira união que não somente extendemos à nossa própria descendência, mas [também] àqueles que vivam da mesma maneira que nós; ainda cuida que não se permita àqueles que vêm a nós acidentalmente unicamente para ser admitido em comunhão conosco.

30. De qualquer forma, há outras coisas que nosso legislador nos ordenou de antemão, que devemos necessariamente fazer em comum a todos os homens; como dar aquecimento, água, e alimento àqueles que destes necessitarem; mostrar-lhes o caminho; não permitir a nenhuma pessoa jazer sem ser enterrada. Ele também faz que tratemos àqueles que são considerados nossos inimigos com moderação; pois ele agiu ***doth*** , não permitindo-nos atear fogo ao país deles, nem nos permite cortar aquelas árvores que produzem frutos; além disso, nos proíbe de saquear aqueles que foram mortos na guerra. Ele visou também aqueles que são tomados cativos, que eles não podem ser feridos, e especialmente que as mulheres não podem ser abusadas. Realmente ele nos ensinou nobreza e humanitarismo tão eficazmente, que ele não descuidou a atenção aos animais, por não permitir outro uso deles que não seja o natural, e proibindo qualquer outro; e se qualquer deles vier para nossas casas, como suplicantes, somos proibidos de matá-los; nem talvez destruir seus freios, junto com seus filhotes; mas somos obrigados, até em país inimigo, separar e não matar aquelas criaturas que trabalham para a humanidade. Desta forma nosso legislador conseguiu nos ensinar uma conduta correta de todos os modos, por nos entregar a tais leis que nos instrui; enquanto ao mesmo tempo nos ordenou que aquele que infringir estas leis deve ser punido, sem concessão de qualquer perdão, seja qual for.

31. Já a importante parte de ofensas entre nós é: uma pessoa ser culpada de adultério; se qualquer pessoa forçar uma virgem; se alguém for tão atrevido [ao ponto de] empreender sodomia com um macho; ou por qualquer outros usos que alguém empreenda a si mesmo, submetendo-se para ser assim usado. Há também uma lei da mesma natureza para escravos, que nunca podem escapar. Ademais, se qualquer pessoa trapacear outra em medidas ou pesos, ou fazer uma barganha desonesta e vender, no objetivo de enganar outro; se alguém roubar o que pertence a outro, ou tirar o que ele nunca colocou; todas estas têm punições para elas dirigidas; não conforme são encontradas entre as outras nações, porém mais severas. E como praticar injusto comportamento dirigido aos pais, ou por impiedade contra Deus, apesar deles não serem atualmente executados, os ofensores são destruídos imediatamente. De qualquer forma, a recompensa por tais, à medida que vivem exatamente de acordo com as leis, não é prata nem ouro; não é uma grinalda de ramo de oliva de curta duração, nem quaisquer sinais de admiração pública; mas cada bom homem teve sua própria consciência produzindo testemunho contra si mesmo, e pela virtude do espírito profético do nosso legislador, e da firme confiança do próprio Deus dada a tal pessoa, ele acredita que Deus fez este privilégio àqueles que observam estas leis, mesmo que eles sejam obrigados com prazer a morrer por elas, afim de que eles venham a nela estarem novamente, e em uma certa revolução das coisas receberão uma vida melhor da que eles desfrutaram antes. Nem me aventuraria a escrever assim neste momento, [do que] não foi bem conhecido por todos, das ações de muitos do nosso povo, [que] numa época resolveram-se a corajosamente suportar muitos sofrimentos, em preferência de falar uma palavra contra nossa lei.

32. E além disso, realmente, no caso dela ter sido tão arruinada, que nossa nação não fosse tão completamente conhecida entre todos os homens conforme ela é, e nossa voluntária submissão para com nossas leis não fosse tão exposta e manifesta conforme esta é, mas que alguém tivesse pretendido ter escrito estas leis, e as tivesse lido aos gregos, ou tivesse pretendido encontrar-se com homens fora dos limites do mundo conhecido, que tivessem tais noções reverentes relativas a Deus, e tivesse continuado [por] um longo tempo na firme observância de tais leis como as nossas, eu não posso apenas supor que todos os homens se admirariam deles em uma reflexão nas evidentes mudanças deles estando a ela sujeitos; e isso enquanto aqueles que têm empreendido escrever algo da mesma espécie de política governamental, e quanto às leis, são acusados como compondo coisas monstruosas, e se diz terem tomado para si uma tarefa impossível. E aqui, nada direi daqueles outros filósofos que tomam para si qualquer coisa desta natureza em seus escritos. Mas até o próprio Platão, que é tão admirado pelos gregos por conta daquela seriedade em suas maneiras, e [da] força em suas palavras, e aquela habilidade dele, superior a todos os outros filósofos, em persuadir os homens, é um pouco mais que escarnecido e exposto ao ridículo por aqueles que aparentam sagacidade nos assuntos políticos; embora ele que diligentemente escrutinhou seus escritos encontrará seus preceitos serem um tanto moderados, e bem próximos dos costumes gerais da humanidade. Além disso, o próprio Platão confessa que não é seguro publicar a verdadeira noção concernente a Deus entre a multidão ignorante. Alguns homens ainda olham os discursos de Platão como não mais que certas palavras sem valor compostas com grande engenhosidade. De qualquer forma, eles admiram Licurgo como o principal legislador, e todos os homens celebram Esparta por terem continuado na firme observância de suas leis por um longo tempo. Quão grande conquista nós alcançamos, então, é confessar uma marca de virtude em relação à submissão às leis (24) . Mas então permita-se admirar isso nos lacedemônios comparada à duração das suas com os mais de dois mil anos que nossa política governamental tem continuado; e os deixe, além disso, considerar que apesar de os lacedemônios aparentarem observar suas leis exatamente até usufruírem sua liberdade, todavia quando eles experimentaram uma mudança de sua fortuna, esqueceram quase todas aquelas leis; enquanto nós, tendo estado sob dez mil mudanças de nossa fortuna pelas mudanças que ocorreram entre os reis da Ásia, nunca traímos nossas leis sob as mais pesadas aflições na qual estivemos; nem as negligenciamos fosse por indolência, fosse por sustento (25) . Se qualquer pessoa vier a considerar isso, as dificuldades e labores postos sobre nós tem sido bem maior que aquilo que tem sido sustentado pelos esforços lacedemônios, enquanto eles nem lavram sua terra, nem exercem qualquer comércio, mas vivem em sua própria cidade, livres de todos os sofrimentos a isso associados, em plena alegria, e usando tais exercícios exercícios como aperfeiçoamento de seus corpos, enquanto fazem uso de outros homens como seus servos a todas as necessidades da vida, e têm a própria comida preparada por outros; e estas boas e humanas ações eles fazem para não outro propósito exceto este, que por suas ações e sofrimentos eles possam ser hábeis para conquistar todos aqueles com quem fazem guerra. Eu nada preciso adicionar a isso, que eles não têm sido completamente capazes de observar suas leis; pois não somente umas poucas pessoas, porém multidões delas, têm aos montes negligenciados aquelas leis, entregaram a si mesmos, junto com seus exércitos, aos inimigos.

33. Já em relação a nós, me arrisco a dizer que ninguém pode contar tantos assim; pelo contrário, não mais que um ou dois têm traído nossas leis, não, nem mesmo pelo medo da própria morte; não me refiro a uma fácil morte conforme as que ocorrem em batalhas, mas das que decorrem em tormentos corporais, e aparenta a todos ser amarga espécie de morte. Agora penso que aqueles que nos conquistaram nos puseram sob tais mortes, não por seu ódio para conosco ao subjugar-nos, mas especificamente de seu desejo de observar uma surpreendente visão, que é esta, se havia tais homens no mundo que acreditam que nenhuma perversidade é para eles tão grande para compeli-los a fazer ou falar qualquer coisa contrária às suas próprias leis. Nem devem os homens admirarem-se conosco, se somos mais corajosos que todos os homens em morrer por nossas leis; pois outros homens não submetem-se facilmente à coisas nas quais nós estamos instituídos; eu tenho em vista o trabalho com nossas mãos, e alimentando-se pouco, e contentando-nos com comer e beber, não no sem propósito, ou no prazer individual, ou estando sob invioláveis autoridades na vida com nossas esposas, em impressionantes mobílias, e novamente na observação do nosso tempo de descanso; enquanto aqueles que podem usar suas espadas em guerra, e podem colocar seus inimigos em fuga ao atacá-los, não podem submeterem-se a semelhantes leis sobre o seu modo de viver; enquanto nós estamos acostumados a de bom grado submeter-nos às leis nestas instâncias, faz-nos preparados para mostrar nossa fortaleza sob também outras ocasiões.