Chronica de El-Rey D. Affonso II
Chapter 4
O que foi assi feito, e a Azemala se desviou de um caminho para que a gente se mais inclinava, onde o Ifante soube depois em certo que Mouros o esperavam para o matar, e roubar, e da hi em diante em dezertos e montes porque passáram sempre déram a guia ás santas Reliquias, que com a graça de Deos levaram o Ifante, e os seus a salvamento atè Ceita, onde embarcando logo em uma nao, que o Divino favor lhe tinha prestes, e aparelhada para terra de Christãos, partiram, e navegaram logo com vento prospero, que em poucas horas, com grande escuridão se mudou o contrairo, e algumas outras naos que se acertaram em sua conserva, por uma respiração divina faziam daquella do Ifante Capitaina, por quem se regiam, e com a grande sarração que sobreveio temendo de ir á Costa se encomendaram devotamente aos rogos, e merecimentos dos Santos Martyres, cujas sagradas Reliquias levavam, para que em salvamento os guiassem, e logo supitamente derramada a escuridão, em que andavam, veo a grande claridade, e bonança, com que bem viram, e conheceram o caminho de sua perdição, que levavam, e desviados delle aportaram na Aljazira, daquem Despanha, e dahi a Tarifa, e logo a Sevilha, que era de Mouros, onde por os Christãos que ahi eram, o Ifante foi avizado, que logo se partisse, porque El-Rei de Sevilha o mandava prender.
Pelo qual logo ahi embarcaram, e vieram a Astorga, que é em Galiza do Reino de Lião, onde então reinava El-Rei Dom Affonso, primo com irmão do Ifante Dom Pedro, e como foram partidos chegaram a Sevilha mandados de Mirabolim de Marrocos que logo lhe prendessem, e tornassem o Ifante, e cortassem as cabeças a todos os seus, mas deste perigo, e doutros muitos prouve a Deos que o Ifante, e os seus, pelos merecimentos dos Santos Martyres, cujo devoto era, fossem como foram, livres, e seguros, e como chegassem a Astorga um hospede onde foram agazalhados havia trinta annos que assi era doente, e tolheito de parlezia, que do officio da fala, e dos membros era de todo privado, e ouvindo as grandes maravilhas dos Santos Martyres, que os Christãos consigo traziam, lançado em terra ante a Arca em que suas sagradas Reliquias eram guardadas, pedindo-lhe com muitas lagrimas, e grande devação remedio para sua doença, logo ahi á vista de todos recebeo na fala, e em todos os membros perfeita saude, e o Ifante Dom Pedro não veio com as Reliquias dos Martyres a Coimbra; mas de Astorga mandou com ellas Affonso Pires de Arganil, que era Rico homem, e pessoa de grande credito, porque o Ifante Dom Pedro não era bem avindo com El-Rei Dom Affonso de Portugal seu irmão.
CAPITULO XV
_Como as Reliquias dos Martyres foram recebidas, e como foi a morte da Rainha Dona Orraca, molher del-Rei Dom Affonso, e das cousas que foram vistas_
Como Affonso Pires chegasse a Coimbra onde a fama dos Santos Martyres já era, a sobredita Rainha Dona Orraca molher deste Rei Dom Affonso de Portugal, que ahi estava com o povo junto, que com toda a Cleresia, e mui devota, e solenne Procissão, saio a receber as sagradas Reliquias, e com muita devação, e grande solennidade as levaram ao Moesteiro de Santa Cruz, onde mui honradamente as leixaram, e como a nova do glorioso Martyrio destes Santos Frades chegasse a S. Francisco, alegrando-se em seu espirito, disse: «Agora verdadeiramente posso dizer que tenho cinco irmãos». E no mesmo anno em que estes Martyres foram mortos segundo testemunho das santas Lições, que delles se dizem, por sua vingança a ira, e indinação de Deos, veio contra El-Rei de Marrocos, e seu Reino, porque a propria mão direita, e braço çom que o dito Rei Mouro matou os Santos Frades, todos seus membros daquella parte até o destro pé, foram todos secos, e por maldição da sua terra, nos tres annos seguintes apoz este Martyrio, não choveo nella couza alguma, de que se seguio mais, que por cinco annos continos houve tanta fome, e tão cruas pestilencias nos homens, que a mór parte da gente por tamanha mortindade foi destruida por tal, que os annos da vingança fossem iguaes ao numero dos Santos Frades.
E porque a Profecia dos Santos Frades em todo se comprisse a sobredita Rainha Dona Orraca passadas mui poucas horas, depois que ás Santas Reliquias foi dada divina sepultura, ella Rainha chea de virtudes acabou sua vida, e dahi foi levada a Alcobaça onde jaz, e á mesma hora que ella faleceo, sendo a noite profunda, Dom Pedro Nunes Conego, e Sacristão do Moesteiro de Santa Cruz, Varão por Santidade mui esclarecido, e Confessor da mesma Rainha, vio innumeraveis Frades Menores entrar no Choro antre os quaes era um, que aos outros com grande solennidade precedia, e apoz elle cinco antre todolos outros com honra singular mais excellentes, e como no Choro com procissão assi entraram logo com doce melodia que se não póde dizer, cantaram as Matinas, e o dito Pedro Nunes Sacristão, sendo pelo que vio todo atonito, perguntou a um delles, a que vieram, e porque lugar tantos Frades em tal hora entrassem, sendo serradas todalas portas do Moesteiro, o qual lhe respondeu: «Nós todos que aqui vez somos Frades Menores, e agora reinamos com Christo, e aquelle que vez, que com tanta gloria precede aos outros, é S. Francisco que tanto dezejastes ver nesta vida, e aquelles cinco, que antre os outros tem mais excellencia são os Frades, que em Marrocos por Christo receberam Martyrio, e neste Moesteiro são sepultados, e sabe que a Rainha Dona Orraca nesta ora passou desta vida, e porque ella de todo coração amou nossa Ordem, Nosso Senhor Jesu Christo nos enviou cá todos, porque por sua honra disessemos aqui Matinas, e porque tu eras seu confessor, quiz Deos que tu visses estas couzas, e da morte da Rainha não duvides; porque na hora que daqui partirmos ouvirás logo certa nova». E aquella Procissão sendo todas as portas do Moesteiro serradas logo sairam, e nesta hora aquelles que eram da familia da dita Rainha bateram ás portas, e denunciaram que ella tinha já paga sua necessaria divida á carne, e falecera.
CAPITULO XVI
_Como Santo Antonio por exemplo destes Martyres tomou o habito de S. Francisco, e do que seguio em Marrocos por milagre, e da morte del-Rei Dom Affonso_
Despois que estes Santos Martyres começaram de resplandecer com mui claros milagres que muitos em sua mais profuza lenda se contem, e por exemplo delles o Bemaventurado Antonio que a este tempo era Conego no Moesteiro de Santa Cruz mesmo, e se chamava Fernando Martins, ardendo com dezejo de semelhante Martyrio, entrou na mesma Ordem dos Menores, em idade de vinte e cinco annos, e nella acabou dez annos, exclarecido em Santidade, e com milagres. E por esta ida destes Frades, o mesmo S. Francisco, porque seu exemplo ardia em gram fervor, e dezejo de Martyrio, passou com sete Frades a terra de Suria, e foi ao Gram Soldam, e como quer que com grande constancia, e mui sem medo lhe prégasse a Fé de Christo, o Gram Soldam o tornou a enviar livremente, e são a sua propria terra.
E acha-se por lembranças antigas, que por este Martyrio destes Santos Frades ser tão cruamente feita em Marrocos, e com tanto desprezo de Deos, e de sua palavra, houve em todo aquelle Reino tantas esterilidades, e securas, e por tantos annos, que esteve para de todo se despovoar, e porque geralmente antre elles, e pelo povo se dizia que tamanha maldição não viera á terra salvo pela inocente morte dos Religiosos, El-Rei a cujas orelhas este rumor, e clamor chegara, tendo sobre esso concelho com os Mouros, e tambem com os Christãos, que estavam ahi, acordaram que onde padeceram, que ali com grande arrependimento, e gemidos, e muitas lagrimas viessem, como vieram pedir a Deos que havendo por esso com elles piedade, se diz que logo choveo, e veio á terra acostumada avondança em todalas cousas, por cujo beneficio se affirma que El-Rei de Marrocos com todo seu povo prometeram, e ordenaram que da mesma Ordem dos Frades Menores fosse dado Sacerdote, ou Bispo a todolos Christãos, que em Marrocos, e em sua terra vivessem, e que os Frades fizessem ahi Moesteiro da Ordem de S. Francisco, em que livremente sempre estivessem, e dessem os Sacramentos aos Christãos sem algum receio, o que por muitos annos assi comprio.
E deste anno de Christo de mil e duzentos e vinte, em que esto sucedeo, até o anno de mil duzentos e vinte e quatro em que este Rei Dom Affonso faleceo, não achei que elle fizesse, nem em seu Reino sucedesse outras cousas notaveis, pelo qual tendo elle trinta e sete annos de sua idade, e havendo doze annos que Reinava, faleceo na era de nosso Senhor de mil e duzentos e vinte e quatro, (1224) e jaz em Alcobaça, com a Rainha Dona Orraca sua molher, na Capella grande, que elle em sua vida mandou fazer diante a porta do Moesteiro, e neste anno se diz que foi mudado o Convento de Santa Maria, a antiga á nova Egreja, e Moesteiro de Alcobaça, que El-Rei D. Affonso Anriques, seu avô de fundamento mandou fazer.
DEO GRATIAS
INDEX DAS COUSAS NOTAVEIS
A
Affonso II (D.) de Portugal, que idade tinha, e em que anno foi levantado Rei, pag. 17. Foi cazado com Dona Orraca filha del-Rei D. Affonso IX de Castella. ibi. Não quer conceder á Rainha Dona Tareja, e á Infanta Dona Sancha suas irmãs as terras que lhes deixara seu pai D. Sancho I, pag. 22. É excommungado pelo Papa Innocencio III para que largue os Castellos de Monte Mór, e Alanquer a suas irmãs, pag. 24. É absolvido da Excommunhão, e com que circumstancias se ajustou a tregoa entre estes Principes, pag. 25 e 26. Contende judicialmente sobre a mesma materia com suas irmãs, e é condemnado a pagar-lhe uma grande somma de dinheiro, pag. 27. Em que anno, e idade morreo, pag. 30. Onde está sepultado, ibi.
Affonso IX (D.) de Castella sogro del-Rei D. Affonso II de Portugal com quem foi cazado, e que filhos teve, pag. 18. Manda chamar a seu genro D. Affonso II de Portugal ás Cortes que fez em Burgos, e não vai, pag. 21, onde morreo, e está sepultado, ibi.
Affonso Pires de Arganil, entrega por ordem do Infante D. Pedro as Reliquias dos Martyres de Marrocos no Convento de Santa Cruz de Coimbra, pag. 55.
Alcacere é cercado pelos Portuguezes e Estrangeiros, e das pessoas principaes Portuguezas que assistiram neste cerco, pag. 31. No seu campo são mortos pelos Portuguezes trinta mil Mouros, e em que dia e anno se conseguio esta vitoria, pag. 38. O seu Castello depois de uma larga resistencia é conquistado, pag. 40. Em que dia e anno foi tomado, pag. 41.
Algozo e Freixo são tomados pelos Ifantes D. Pedro e D. Fernando em odio de seu irmão D. Affonso II de Portugal, pag 24.
Antonio (Santo) passa da Religião dos Conegos de Santo Agostinho para a de S. Francisco, pag. 58.
Armada de Alemães, e Framengos, que se compunha de cento e cincoenta naos depois de padecer varias derrotas aportou a Lisboa, pag. 29.
B
Berardo (Fr.) um dos cinco Martyres de Marrocos, abre milagrosamente na terra seca uma fonte de que todos beberam, e se admiraram, pag. 48.
Beringela (Infante Dona) filha del-Rei de Castella Affonso IX cazou com D. Affonso Rei de Lião, e que filhos teve, pag. 18.
Branca (Infante D.) filha de Affonso IX, Rei de Castella, cazou com El-Rei de França, e foi mãi de S. Luis, pag. 18. Era mais velha, que sua irmã Dona Orraca, pag. 20.
C
Constança (Infante Dona), primeira Senhora do Moesteiro das Holgas de Burgos, foi filha del-Rei D. Affonso de Castella, pag. 18.
F
Fernando (Infante D.) chamado de Serpa foi filho de Affonso II de Portugal, e da Rainha Dona Orraca, pag. 19. Com quem cazou, e que filhos teve, ibi.
Fernando (Infante D.) filho de Affonso IX de Castella morreo de idade de dezaseis annos, pag. 8. Foi a Roma buscar a Cruzada que o Papa concedeo a seu pai para a batalha das Navas de Tolosa, pag. 21.
Foral. Em que anno foi dado por El-Rei D. Affonso II á Villa de Alcacere, pag. 41.
Francisco (S.) O que disse quando teve noticia do Martyrio dos seus cinco Religiosos em Marrocos, pag. 56. Passa com sete Frades á Suria a prégar a Fé seguindo o exemplo daquelles cinco Martyres, pag. 58.
G
Gonçalo (D.) Mestre, e Prior do Esprital se achou no cerco de Alcacere, pag. 31.
H
Henrique de Neusa (D.) Capitão de uma Armada Estrangeira, que constava de trinta e seis naos, arribáram ao porto de Setuval, e junto com os Portuguezes batalham com os Mouros que estavam senhores de Alcacere, e sahem vitoriosos, pag. 34.
I
Innocencio III manda excommungar pelo Arcebispo de Santiago, e o Bispo de Çamora a Affonso II por negar os Castellos de Monte mór e Alanquer a suas irmãs que seu pai D. Sancho I lhe deixara, pag. 24.
L
Lianor (Dona) filha del-Rei D. Henrique de Inglaterra, cazou com Affonso IX de Castella, pag. 2. Que filhos teve daquelle Principe, pag. 18.
Lianor (Infante Dona) filha del-Rei D. Affonso IX de Castella cazou com D. James I Rei de Aragão, pag. 18.
Lianor (Infante Dona) Neta de Affonso II de Portugal cazou com El-Rei de Dacia, pag. 19.
Lianor (Infante Dona) filha de Affonso II de Portugal cazou com o filho herdeiro del-Rei de Dinamarca, pag. 19.
M
Martim Affonso Tello sobrinho do Infante D. Pedro é morto em Marrocos, pag. 51.
Martim Barregam Commendador de Palmella se achou no cerco de Alcacere, pag. 31.
Martyres que padeceram em Marrocos como se chamavam, pag. 42. São recebidos em Coimbra pela Rainha Dona Orraca, pag. 43. Foram tratados com grande benevolencia em Alanquer pela Infante Dona Sancha irmã de Affonso II de Portugal, ibi. Pregam animosamente em Sevilha contra a ceita de Mafamede, pag. 44. Crueis Martyrios que padeceram, pag. 49. São degolados por El-Rei de Marrocos, pag. 50. Anno, e dia do seu Martyrio, ibi. São queimados os seus corpos, e maravilhas que então sucederam, pag. 51. Como foram trazidos os seus corpos a Coimbra, pag. 54 e 55.
Matheus (D.) Bispo de Lisboa recebe aos Estrangeiros que vinham em uma Armada que aportou áquella Cidade, e os exhorta á conquista de Alcacere, pag. 29. Achou-se no cerco de Alcacere, pag. 51. Faz uma pratica aos soldados Portuguezes e Estrangeiros que estavam no campo de Alcacere para que não levantem o sitio, mas que tomem a Praça. pag. 36.
Melgaço é tomado pelos Infantes D. Pedro e D. Fernando com alguma gente de Lião em odio de seu irmão D. Affonso II de Portugal, pag. 24.
Mouros. Como se houveram esforçadamente no sitio de Alcacere, pag. 33. Governados pelos Reis de Sevilha, Cordova, Jaen, e Badalhouse vem soccorrer Alcacere, ibi. São derrotados, e mortos trinta mil no campo de Alcacere, pag. 38.
O
Orraca. Princezas varias que tiveram este nome, pag. 20.
Orraca (Dona) filha del-Rei D. Affonso IX de Castella foi cazada com D. Affonso II de Portugal, pag. 17. Era mais moça que Dona Branca, pag. 20. Recebe em Coimbra aos Martyres de Marrocos, que lhe pronosticaram a sua morte, pag. 40. Quando morreo, pag. 56. Onde está sepultada, pag. 59.
P
Pedro (Infante D.) filho de Sancho I de Portugal, veio socorrer a sua irmã Dona Tareja, que estava recolhida no Castello de Monte mór, contra seu irmão D. Affonso II, pag. 23. Estando em Marrocos recebe em sua caza aos Santos cinco Religiosos que alli padeceram martyrio, pag. 45. É livre de gravissimos perigos por intercessão dos mesmos Santos Martyres, pag. 53. Alcança licença del-Rei de Marrocos para trazer as Reliquias dos mesmos Marryres para Portugal, ibi.
Pedro (D.) Mestre da Ordem da Cavallaria do Templo se achou no cerco de Alcacere, pag. 31.
Pedro Fernandes de Castro chamado o Castellão é morto em Marrocos, pag. 51.
Pedro Nunes (D.) Conego e Sacristão do Moesteiro de Santa Cruz de Coimbra, Confessor da Rainha Dona Orraca teve uma admiravel visão dos Santos Martyres de Marrocos, pag. 56.
R
Rei de Marrocos pela sua propria mão degolou os cinco Martyres da Ordem de S. Francisco, pag. 50. Castigo que experimentou por esta impia crueldade, pag. 56. Movido das grandes calamidades que padecia o seu Reino concede liccença que os Frades Menores levantem Convento em Marrocos, pag. 59.
Reliquias Dos Santos Martyres de Marrocos como foram trasidas, e dos milagres que obraram pela jornada, pag. 53. Do modo como foram recebidas em Santa Cruz de Coimbra, pag. 55.
S
Sancha (Infante Dona), irmã del-Rei de Portugal D. Affonso II recebe com grande benevolencia em Alanquer aos Santos Martyres de Marrocos, pag. 43.
Sancho I (D.) de Portugal, onde, e quando morreo, pag. 17.
Sytimos. Lugar distante uma legoa de Alcacere foi a parte onde se alojaram os Reis Mouros que vinham soccorrer o seu Castello, pag. 33.
T
Tareja (Rainha Dona) com sua irmã Dona Sancha se recolhem ao Castello de Monte mór, e se queixam ao Papa Innocencio III da tyrania com que seu irmão D. Affonso II lhe negava as terras que lhes deixara seu pai D. Sancho I, pag. 23. É soccorrida por seus dous irmãos D. Pedro e D. Fernando em Monte mór contra D. Affonso II, pag. 23. Do modo com que se concertou com seu irmão, pag. 27.
Tregoa. Em que anno foi celebrada entre D. Affonso II, e suas irmãs Dona Tareja e Dona Sancha, pag. 26.
V
Valença do Minho é tomada pelos Infantes D. Pedro e D. Fernando em odio de seu irmão D. Affonso II negar as terras a suas irmãs que lhe deixára seu pai D. Sancho I, pag. 24.
Vitoria do Campo de Alcacere em que dia, e anno se alcançou, pag. 38.
FINIS LAUS DEO
INDICE DOS CAPITULOS
I--Como o Ifante Dom Affonso foi alevantado por Rei, e como foi cazado, e com quem, e que filhos legitimos houve
II--Das desavenças que houve antre El Rei D. Affonso, e as Ifantes suas irmãs, e da guerra que sobre esso se moveo
III--Como foi pelo Papa procedido contra El-Rei D. Affonso por causa da contenda que havia com suas irmãs, e como finalmente foram concordados
IV--Do fundamento que houve para Alcacere do Sal, que era de Mouros, ser cercado, e tomado dos Christãos, e do Bispo de Lisboa principalmente
V--Como Alcacere foi cercado, e com que numero de gente Portuguezes e tambem Estrangeiros
VI--Dos Reis Mouros que vieram por soccorro da Villa de Alcacere, e da primeira batalha que deram, em que foram vitoriosos
VII---Da segunda batalha que houve sobre Alcacere, e como os Reis Mouros foram vencidos, e feito grande estrago em suas gentes
VIII--Como os Christãos combateram e tomaram o Castello Dalcacere
IX--Como cinco Frades Italianos da Ordem de S. Francisco foram a Marrocos a prégar a Fé de Christo, e primeiramente chegaram a Sevilha, que era de Mouros
X--Como os Frades chegaram a caza do Ifante Dom Pedro, e do que logo fizeram, e como foram tornados a Ceyta para virem a terra dos Christãos, e dahi se volveram outra vez a Marrocos
XI--De um milagre que se fez por causa de Frei Berardo, e como foram prezos e atormentados os outros Frades
XII--Como El-Rei de Marrocos fallou com estes Frades, e por os não poder converter a sua seita por si mesmo os matou, e como foram mortos tambem Pedro Fernandes, e Martim Affonso Telo, sobrinho do Ifante
XIII--Como os corpos dos Martyres foram queimados, e despedaçados, e emfim recolhidos por devação, e industria do Ifante Dom Pedro
XIV--Como o Ifante D. Pedro foi tornado a Espanha, e trouxe consigo os ossos, e Reliquias dos Martyres, e as mandou a Santa Cruz de Coimbra, e dos milagres que houve no caminho
XV--Como as Reliquias dos Martyres foram recebidas, e como foi a morte da Rainha Dona Orraca, molher del-Rei D. Affonso, e das cousas que foram vistas
XVI--Como Santo Antonio por exemplo destes Martyres tomou o habito de S. Francisco, e do que seguio em Marrocos por milagre, e da morte del-Rei Dom Affonso
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