Chronica de El-Rei D. Sancho II
Chapter 3
CAPITULO XI
_Como o Conde foi cercar o Castello de Coimbra, que tinha Martim de Freitas, por El Rei Dom Sancho, e das afrontas que passou no cerco_
O Conde como chegou a Coimbra antes de fazer grandes aparelhos pera o cerco e combates mandou dizer a Dom Martim de Freitas: «Que lhe entregasse a Cidade, e o Castello, como por muitas vezes já lhe mandara requerer, e por esso lhe faria muita mercê, porque se o assi não fizesse, que o combateria, e o cobraria tudo com sua perda, e dano». E Dom Martim de Freitas lhe respondeo: «Que sua mercê poderia comprir sua vontade, e fazer o que quizesse, porém que fosse certo, que em quanto soubesse que El-Rei Dom Sancho seu Rei, e Senhor, era vivo, que lho não entregaria sem seu mandado, ou sabendo, que era morto, e que o não ameaçasse com morte, nem perigos, porque tudo padeceria com bom coração por inteiramente comprir com sua lealdade». Pelo qual o Conde assentou seu cerco sobre o Castello, e ordenou seus combates, com que logo, e depois o combateo muitas vezes, em que de uma parte, e da outra houve mortos e feridos.
Mas o alcaide, e os que por sua defenção comsigo tinha eram taes, que os cometimentos do Conde não aproveitavam pera cobrar o Castello por força, da qual cauza anojado o Conde fez juramento a Deos de nunca se alevantar de sobre elle até o tomar por força, ou por fome, e assi o fez porque o cerco foi tão porlongado, que os de dentro por falecimento dagoa, e de provizões, que já não tinham, como desesperados comiam, e bebiam couzas mui contrairas, e descostumadas da natureza humana, que não ficáram bestas, cães, gatos vivos, nem os couros das alimarias mortas. E sendo o Conde desto certificado os mandava afrontar, e requerer cada dia: «Que se dessem, e não padecessem sem cauza, e por contumacia tão asperas cruezas, que a sua tal façanha era vã, que não podia, nem devia levar ao diante».
Ao que Dom Martim de Freitas por sua honra, e fama não queria obedecer, e dice, que durando este cerco, padecendo já de dentro grande, e mortal necessidade de sede, que porque viram um Cavalleiro do Conde cavalgado pelo rio do Mondego passar, e que o cavallo de farto não provou agoa, e que os de dentro magoados por sua mingoa, e envejozos da bemaventurança da alimaria, fizeram sobresso grandes lamentações, com que alguns parentes, e amigos do Alcaide lhe aconselhavam: «Que pois os padecimentos incomportaveis que sofriam sem esperança de ajuda, nem soccorro estranho eram taes, que já se não podiam comportar, e elle no Regno era só o que sostinha tal profia, que por dar a elle, e aos seus as vidas, désse o Castello ao Conde».
Dom Martim de Freitas lhes respondeo: «Parentes, e meus amigos, que aqui estaes, nunca Deos queira, que obedecendo a esse vosso concelho eu ponha tão grande magoa sobre minha limpeza, nem consinta tamanha traição sobre minha honra, e lealdade, nas quaes todas encorreria se desse este Castello senão a quem por minha menagem mo deu, em quanto elle for vivo, e ami não fica por ver, e conhecer craramente as grandes tribulações que vós, e eu, e todos aqui padecemos, mas se vós quizerdes trazer a vossas memorias, e poer ante estas vossas necessidades outras muito maiores fomes, e males, que muitos sendo cercados já padeceram, achareis que por manterem suas lealdades depois que todalas couzas lhe faleciam a comerem as raizes das viz ervas, se sostiveram, pelo qual deste temor e afronta prazerá a Deos por sua piedade, que bom nome, e segurança nossa sedo nos livrará, e em algum tempo vos alegrareis contardes a vossos filhos e amigos estes males que padeceis, com que não acrecentareis pouco em vosso louvor e merecimento, e obrigação de bondade, e lealdade, que a outros em semelhantes cazos confrangeo, e essa mesma neste cazo nosso nos não desobriga, ca em outra maneira as vidas, que salvamos, durarão poucos dias, e a infamia, e deshonra, que por esso recebemos, durarão pera sempre, pelo qual vos rogo, que em quanto poderdes não faleçais, e me ajudeis, ca Deos nos acorrerá, e este mal prazendo a elle não durará muito, e por ventura se algum de vós pera seu serviço, ou pera outra sua deleitação tiverem dezejos de molheres dizei-mo, que aqui está minha filha, que é boa donzella, e que muito amo a que eu mandarei que em tudo vos sirva de boamente, porque com melhor vontade consentirei, e menos me doerá, que ella perca a vertude de sua virgindade, que por mingoa de vós outros, perder eu minha lealdade, e ser constrangido a fazer tamanha traição, como seria dar como não devo este Castello a quem mo não deu».
Com estas palavras, que Dom Martim de Freitas dice, ficaram todos muito maravilhados, e louvando muito sua bondade, se esforçaram, e lhe prometeram, que ora fosse com rezão, ou sem ella, elles por satisfazer a seu dezejo por algum cazo, e afronta, que sobreviesse, o não leixariam, antes todos morreriam primeiro com elle.
CAPITULO XII
_Como pela morte del Rei Dom Sancho, Dom Martim de Freitas entregou o Castello de Coimbra, e das deligencias e exames que primeiro fez por limpeza de sua rigorosa lealdade_
Estando Dom Martim de Freitas nesta afronta com El-Rei, e havendo já um anno e quatro mezes, que El-Rei Dom Sancho fora pera Castella, prouve a Deos de o levar deste mundo, e faleceo em Toledo, como adiante direi, e sendo de sua morte certificado o Conde seu irmão, tendo ainda o cerco sobre Coimbra, como Principe em que havia muita prudencia, e grande piedade, mandou logo ajuntar muito pão, e vinho, e carnes, e pescados, e outras maneiras de refrescos, e mandou levar tudo ao Castello, enviando dizer ao Alcaide: «Que fosse certo, que El Rei Dom Sancho seu irmão era já falecido, e que lhe daria tempo, em que por elle em pessoa, ou por outrem, podesse haver desso verdadeira certidão, com a qual entregasse o Castello».
Dom Martim escolheo certificar-se por si mesmo. E o Conde o segurou da hida e estada, e ser livre até tornar ao dito Castello, que então se não combateria. Dom Martim de Freitas chegou a Toledo, e como quer que por muitos fosse certificado da morte del-Rei Dom Sancho, que no Moimento que mostraram o viram sepultar, elle o não quiz crer, mas por mór certeza fez tirar a campa que o cobria, e como o vio, e achou que em certo era aquelle, se diz, que prezente muitas testemunhas, que trouxe por comprir com sua menagem poz as chaves do Castello de Coimbra, que levava, no proprio braço direito del-Rei Dom Sancho, e depois de lhe fazer por ellas entrega do dito Castello lhas tirou, e trouxe comsigo a Portugal, e desso tomou escrituras pubricas, e fez cerrar o Moimento, e se tornou a Coimbra, e dentro entrou secretamente no Castello, e ao outro dia mandou logo dizer ao Conde que o fosse receber, porque já lho podia entregar, e lhe devia obedecer: e que a elle, e não a outro algum o entregaria com boa vontade.
O Conde foi logo ao Castello, e o Alcaide abrio logo as portas delle, e tomou a molher, e a filha, e as poz fóra dizendo: «Leixemos este Castello a cujo é». E com esso se poz de joelhos diante o Conde, e com as chaves delle nas mãos alevantadas lhe dice: «Senhor, pois a Deos prouve que El-Rei Dom Sancho, vosso irmão falecesse tomai vossas chaves, e vosso Castello, e daqui por diante eu vos servirei, e haverei por Rei, e Senhor». E logo amostrou ao Conde, e á nobre gente que era com elle as escrituras das deligencias, que em Toledo por sua honra, e descargo fizera, e acertou-se que um Cavalleiro do Conde, que era prezente dice a Dom Martim de Freitas: «Que porque não pedia perdão ao Conde, por quanto nojo e desserviço lhe fizera, e por lhe ferir, e matar tanta gente, denegando-lhe tanto tempo a entrega e obediencia do Castello, que era seu».
E Dom Martim em se querendo escuzar pera não dever de pedir tal perdão, acudio mui prestes o Conde, e dice ao fidalgo, que o reprendia: «Que semelhante perdão em tal cazo Dom Martim não era obrigado de pedir, porque elle não fizera erro, mas tinha feita boa façanha dina de bom Cavalleiro, e leal fidalgo». E por ella lhe tornava a dar o dito Castello pera elle, e pera todos os que delle decendessem, fazendo menagem a elle, e a todos seus herdeiros. E Dom Martim lhe respondeo: «Que lho tinha muito em mercê; mas que elle por alguma maneira não tomaria o dito Castello, antes lançava maldição a seus filhos, e netos, e a todolos que delle descendessem até o quarto grao se por Castello fizessem menagem a Rei, nem a outra pessoa de qualquer condição que fosse».
E com esto assi concertado o Conde leixou o Castello de Coimbra, como devia, e se tornou outra vez a Celorico, onde Dom Fernão Rodrigues estava, porque da morte del-Rei Dom Sancho era já bem certificado, e assi sabia que o Castello de Coimbra já era entregue, deu logo ao Conde o Castello sem mais resistencia, nem cautella. Estes dous foram os derradeiros Castellos de Portugal que ao Conde obedeceram.
CAPITULO XIII
_Da morte del-Rei Dom Sancho, e onde jaz, e de algumas couzas que se em seu tempo passaram_
El-Rei Dom Sancho depois da segunda vez que tornou a Toledo nunca dahi mais se partio onde com sua vida, e costumes passados em grandes virtudes, e com sinaes de bom, e Catholico Christão acabou sua vida em idade de quarenta annos, na era de mil duzentos quarenta e sete annos (1247) que dos quaes Reinou vinte e quatro, a saber vinte e dous em Portugal, e dous estando em Castella, e seu corpo foi sepultado na Capella dos Rex da Sé de Toledo, que elle mandou fazer á sua propria custa, e assi deu grandes ajudas pera o acabamento da dita Sé, que se então fazia por El Rei Dom Fernando, que de mesquita, que era a mandou refazer em fórma das outras Igrejas, como agora está, porque quando El-Rei Dom Sancho se foi pera Castella, levou comsigo muitas joias, e grandes riquezas, que ficaram del-Rei Dom Affonso seu padre, e del-Rei Dom Sancho seu avô; das quaes algumas não tornaram a Portugal, e todas se gastáram em Castella.
Este Rei Dom Sancho no começo de seu Regnado deu á Ordem de San Tiago em desvairados tempos, e por apertadas doações, as Villas de Mertola e Daljustrel, as quaes Villas tomou aos Mouros Dom Payo Correa, Mestre de San Tiago de Castella, e porque eram da conquista de Portugal as tornou a El-Rei Dom Sancho, que dellas fez as ditas doações á dita Ordem. E como estas Villas se ganharam, na Coronica del-Rei Dom Affonso Conde de Bolonha, se dirá mais largo, e El Rei Dom Sancho povorou de fogo morto a Cidade da Idanha a velha, sendo de todo destroida dos Mouros, e depois que El-Rei Dom Sancho seu avô a leixou á Ordem do Templo, e o dito Rei Dom Sancho faleceo sem filho, nem filha legitimos, nem bastardos, que se soubesse.
E dahi a um anno, em dia de São Clemente a vinte e tres dias de Novembro do anno de mil duzentos e quarenta e oito annos, El-Rei Dom Fernando tomou por cerco a Cidade de Sevilha aos Mouros, e dahi a tres annos e meio, nella faleceo, e ahi jaz sepultado, e havia treze annos que tambem tomára Cordova salteada primeiro, e entrada por certos Christãos Almogaveis, e foi socorrida, e mantida por o mesmo Rei Dom Fernando.
E em Regnando este Rei Dom Sancho faleceram de suas vidas por muitos, e grandes milagres São Domingos, que faleceo em Bolonha, no anno de mil duzentos e vinte sete (1227) e Sancto Antonio, natural da Cidade de Lisboa, em Padua, os quaes suas mui sanctas vidas foram em seu tempo deste Rei Dom Sancho, todos Canonizados, e referidos ao numero dos Sanctos, por o Papa Gregorio IX, o qual Canonizou Sancto Antonio na Cidade Despoleto em Italia anno de mil duzentos trinta e um (1231).
DEO GRATIAS
INDEX DAS COUSAS NOTAVEIS
A
Affonso II (El Rei D.) de Portugal, em que anno morreo, pag. 19
Affonso (D.) Conde de Bolonha é nomeado pelo Papa Innocencio IV para Governador do Reino de Portugal, pela incapacidade de seu irmão D. Sancho II, pag. 28. Na Cidade de Pariz na prezença de muitos Prelados e Cavalleiros, toma o juramento do Governo do Reino, e de que forma o fez, pag. 28. Deixa sua mulher a Condessa Dona Matilde em França, e parte para Portugal, e do modo como se intitulava pag. 32. Cerca o Castello de Celorico, que governava Fernão Rodrigues Pacheco, e o levanta por cauza de um celebre estratagema de que este uzou, pag. 42. Põe cerco ao Castello de Coimbra, e da resistencia que lhe fez Martim de Freitas, que o governava, até que sabendo da morte del-Rei D. Sancho II lho entregou, pag. 42 a 47.
Affonso de Molina (D.) irmão de D. Fernando Rei de Lião, acompanhado de muitos Cavalleiros, e Soldados, entram por Portugal á petição del-Rei D. Sancho II para lançar fóra delle a seu irmão o Conde de Bolonha, pag. 34. Volta com os que o acompanhavam para Castella temerozo das censuras da Igreja, pag. 36.
Aljustrel. Foi tomada aos Mouros por D. Payo Correa, e dada por El-Rei D. Sancho II á Ordem de San-Tiago, pag. 48.
Alvaro Pires de Castro, (D.) filho de D. Pedro Fernandes de Castro o Castelão, foi cazado com D. Mecia Lopes, que depois cazou com El-Rei Dom Sancho II, pag. 21.
Antonio, (Santo) em que anno foi Canonizado por Gregorio IX, pag. 49.
B
Beringella (D.) mulher del-Rei D. Affonso de Lião. tia del-Rei D. Sancho II, de Portugal, o aconselha muitas vezes a que caze, por ser muito conveniente ao seu Reino, e elle o não executa, pag. 20.
C
Celorico. É cercado o seu Castello por D. Affonso Conde de Bolonha, e levanta o sitio por um estratagema de que uzou D. Fernão Rodrigues Pacheco, que o governava, pag. 42.
D
Desiderio (Fr.) é delegado do Papa Innocencio IV, para que entregue os Castellos, e Fortalezas de Portugal á obediencia de D. Affonso Conde de Bolonha, pag. 32.
Domingos, (S.) donde, e quando falleceo, pag. 49.
F
Fernando (D.) Rei de Lião, em que dia, e anno conquistou Sevilha, pag. 49. Faleceo nesta Cidade ibi.
Fernão Garcia de Souza, filho de D. Garcia Mendes de Souza, e neto do Conde D. Mendo o Souzão, offerece a El-Rei D. Sancho II, quando voltava para Castella sem esperança de governar em Portugal, que se recolhe-se a Trancozo, e da pratica que fez a El-Rei em Moreira contra Martim Gil, pag. 36 e 37.
Fernão Rodrigues Pacheco, governando Celorico, e sendo sitiado por D. Affonso Conde de Bolonha levanta o sitio por cauza de um celebre estratagema de que uzou, pag. 42.
H
Honorio III expede uma Bulla a Sancho II de Portugal, em que lhe adverte queira emendar os absurdos que se cometem no seu Reino, e o excomunga se não obedecer, sendo executor destas censuras o Arcebispo de Braga, pag. 22. Segunda vez o notifica com palavras de maior severidade, e rigor, até que El-Rei obedece, pag. 23.
I
Idanha a Velha foi povoada por Sancho II. pag. 49.
Innocencio IV convoca Concilio em Lião, e nelle á petição dos Prelados e Conselheiros de Portugal nomea por Governador do Reino a D. Affonso Conde de Bolonha pela incapacidade de seu irmão D. Sancho II, pag. 25 e 26.
João (D.) Arcebispo de Braga com D. Tiburço Bispo de Coimbra, e outros Cavalleiros Portuguezes, vão ao Concilio de Lião onde reprezentam a Innocencio IV, que lhe nomeie Governador do Reino pela incapacidade de D. Sancho II, pag. 27.
L
Lopo (D.) senhor de Biscaia, foi pai de D. Mecia Lopes mulher de D. Sancho II, de Portugal, pag. 21.
Luis (S.), rei de França primo del-Rei D. Sancho II, de Portugal assistio no Concilio de Lião, que convocou Innocencio IV, pag. 26. Foi conquistar a Terra Santa, levando comsigo sua espoza a Rainha Dona Margarida, ibi. Conquista a Cidade de Damiata, ibi. Morre no sitio da Cidade de Tunes, e seu filho D. João e é Canonizado pelo Papa Bonifacio VIII, pag. 27.
M
Martim de Freitas Governando o Castello de Coimbra, e sendo cercado por D. Affonso Conde de Bolonha animosamente o defende, pag. 43 a 45. Parte a Toledo para se certificar da morte del-Rei Dom Sancho II e achando ser certa lhe entregou as chaves do Castello de Coimbra, e depois voltando a ella o entrega a D. Affonso irmão do dito Rei defunto, pag. 46 e 47.
Martim Gil, cavalleiro honrado teve tenção de matar a D. Fernão Garcia de Souza, pelo que disse da sua pessoa a D. Sancho II em Moreira, pag. 38.
Mecia Lopes (D.) filha de D. Lopo Senhor de Biscaia, viuva de D. Alvaro Pires de Castro caza com D. Sancho II, pag. 21. É separada violentamente del Rei, e levada ao Castello de Ourem por estar nullamente cazada com elle, pag. 25.
Mertola foi conquistada dos Mouros por D. Payo Correa, e dada á Ordem de San-Tiago por Sancho II, pag. 48.
O
Orraca (D.) mãi del-Rei Dom Sancho II de Portugal, foi irmã de D. Beringela Rainha de Lião, pag. 20.
R
Reymão Viegas de Porto Carreiro, em companhia de D. Martim Gil de Soveroza, e de outros Cavalleiros levaram para o Castello de Ourem a D. Mecia, contra a vontade del-Rei D. Sancho II, pag. 25.
S
Sancho II, (D.) de Portugal em que idade foi levantado Rei, pag. 19. Porque lhe chamáram Capello não se sabe certamente, mas infere-se, ibi. Pela sua enercia padeceo o Reino repetidas perdas no tempo, que o governou, pag. 20. Caza com D. Mecia Lopes, filha de D. Lopo Senhor de Biscaya, ibi. É admoestado pelos Prelados, e povos do Reino a que se aparte de D. Mecia, e o não executa, ibi. O Papa Honorio III, o exorta a que emende os absurdos de que é author, aliás que o excomungará, pag. 22. É advertido por Gregorio IX a que largue a D. Mecia por estar nullamente cazado com ella, pag. 23. Tendo noticia de que seu irmão D. Affonso entrara no Reino para o governar parte a Castella para pedir soccorro a seu primo D. Fernando, pera que o lançasse fóra, e lho concede, pag. 33 e 34. Donde morreo, em que idade, e onde está enterrado, pag. 48. Deu á Ordem de San-Tiago as Villas de Mertola, e Aljustrel, que conquistára D. Payo Correa, pag. 48.
Sevilha. Em que dia e anno foi conquistada por El-Rei D. Fernando de Lião, pag. 49. Nella morreo, e está sepultado o mesmo Rei ibi.
T
Tiburço (D.) bispo de Coimbra com D. João Arcebispo de Braga, e outros Cavalleiros Portuguezes vão ao Concilio de Lião, onde representam a Innocencio IV a necessidade que tem de que lhes nomeie Governador do Reino por ser incapaz D. Sancho II, pag. 25 e 26.
FIM
INDICE DOS CAPITULOS
I--Como o Ifante D. Sancho Capelo, foi alevantado por Rei, e das condições fracas que teve, e como cazou, e não como a sua honra e estado Real compria e se devia 19
II--Do que o Papa a requerimento dos Prelados, e povo de Portugal escreveo, e requereo a El-Rei Dom Sancho por sua Bulla 22
III--Como El-Rei Dom Sancho por amoestações do Papa se não quiz apartar de Dona Mecia Lopes sua molher, e como lhe foi tomada 24
IV--Do Concilio que o Papa Innocencio IV fez em Lião de França, onde os Prelados, e os Senhores de Portugal, se foram querelar del-Rei Dom Sancho, e lhe pediram novo Regedor para o Regno, que por mingoa da justiça se perdia, e lhe outorgou o Ifante Dom Affonso Conde de Bolonha, irmão do dito Rei Dom Sancho 25
V--Como o Conde de Bolonha, depois de asseitar a governança de Portugal fez sobre esso juramento com algumas condições declaradas 28
VI--Das Bullas e Provizões do Papa, que o Conde trouxe a Portugal pera os do Regno sobre sua governança, e assi outra Bulla que sobre o mesmo caso enviou aos Frades de S. Francisco 31
VII--De como o Conde de Bolonha chegou a Portugal, e com elle um delegado do Papa, e das notificações que logo fizeram a El-Rei D. Sancho 31
VIII--Como El-Rei Dom Sancho mal aconselhado se foi com os de sua valia pedir soccorro a Castella, e como veio em sua ajuda o Ifante Dom Affonso de Molina com outros grandes, e gentes de Castella 33
IX---Como pelas deligencias do Conde de Bolonha El-Rei D. Sancho se tornou a Castella, e do que se passou no caminho com os cavalleiros de Trancozo 35
X--Como o Conde cercou em Celorico da Beira a Dom Fernão Rodrigues Pacheco, que lhe não quiz obedecer, e como por causa de uma truita se alevantou o cerco 40
XI--Como o Conde foi cercar o Castello de Coimbra, que tinha Martim de Freitas, por El-Rei D. Sancho, e das afrontas que passou no cerco 42
XII--Como pela morte del Rei Dom Sancho, Dom Martim de Freitas entregou o Castello de Coimbra, e das deligencias e exames que primeiro fez por limpeza de sua rigoroza lealdade 45
XIII--Da morte del-Rei Dom Sancho, e onde jaz, e de algumas couzas que se em seu tempo passaram 48
OBRAS PUBLICADAS
I--Historia do Cerco de Diu, por _Lope de Sousa Coutinho_, 1 volume (esgotada) 400
II--Historia do Cerco de Mazagão, por _Agostinho Gavy de Mendonça_, 1 volume (esgotada) 400
III--Ethiopia Oriental, por _Fr. João dos Santos_, 2 grossos volumes (esgotada) 1$500
IV--O Infante D. Pedro, chronica inédita por _Gaspar Dias de Landim_, 3 volumes 700
V--Chronica d'El-Rei D. Pedro I, (o Cru ou Justiceiro) por _Fernão Lopes_, 1 volume 400
VI--Chronica d'El-Rei D. Fernando, por _Fernão Lopes_, 3 volumes 1$200
VII--Chronica d'El-Rei D. João I, por _Fernão Lopes_, 7 volumes 2$800
VIII--Chronica d'El-Rei D. João I, _por Gomes Eannes d'Azurara_, vol. I, II e III (VIII, IX e X). 1$200
IX--Dois Capitães da India, por _Luciano Cordeiro_, 1 volume 400
X--Arte da Caça de Altenaria, por _Diogo Fernandes Ferreira_, 2 volumes 800
XI--Apologos Dialogaes, por _D. Francisco Manuel de Mello_, 3 volumes 1$200
XII--Chronica d'El-Rei D. Duarte, por _Ruy de Pina_, 1 volume 400
XIII--Chronica d'El-Rei D. Affonse V, por _Ruy de Pina_, 3 volumes 1$200
XIV--Chronica d'El-Rei D. João II, por _Garcia de Resende_, 3 volumes 1$500
XV--Vida de D. Paulo de Lima Pereira, por _Diogo do Couto_, 1 volume 500
XVI--Chronica d'El-Rei D. Sebastião, por _Fr. Bernardo da Cruz_, 2 volumes. 1$000
XVII--Jornada de Africa, por _Jeronymo de Mendoça_, 2 volumes 800
XVIII--Historia Tragico-Maritima, por _Bernardo Gomes de Brito_, vol. I a X 3$800
XIX--Jornada de Antonio d'Albuquerque Coelho, por _João Tavares de Vellez Guerreiro_, 1 volume 600
XX--Chronica d'El-Rei D. Affonso Henriques, por _Duarte Galvão_, 1 volume 600
XXI--Chronica D'el-Rei D. Sancho I, por _Ruy de Pina_, 1 volume 400
XXII--Chronica d'El-Rei D. Affonso II e de El-Rei D. Sancho II, por Ruy de Pina, 1 volume 400
EM PUBLICAÇÃO
Historia Tragico-Maritima, _por Bernardo Gomes de Brito_, vol. XI.
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