Chronica de el-rei D. Affonso V (Vol. III)
Chapter 10
_De como se fizeram as entregas do Infante D. Affonso e da Infante D. Isabel nas terçarias de Moura_
E feita a dita profissão, o Principe se partiu de Coimbra, e mui aforrado chegou a Beja onde era a Princesa sua mulher e o Infante D. Affonso seu filho, que ainda não era de cinco annos.
E porque no mesmo dia se cumpria o tempo em que o dito Infante havia de ser entregue em Moura em poder da Infante D. Briatiz como era sob grandes penas capitulado, na mesma hora que o Principe chegou, logo por prazer da Princesa o inviara mui honradamente a Moura. E não partiu d'ante elles com menos dôr e saudade que se lhes levara os corações d'ambos, e o arrancaram de sua propria carne, e não era sem causa; porque alem de ser só filho ainda, n'elle havia em tudo tantas e tão angelicas perfeições, que o privar de sua vista e conversação assi o merecia. Mas por cumprirem o que como bons e verdadeiros Principes deviam, posta a natural dôr que o contradizia, despensando com a privação do filho pela piedade do reino, permitiram que o primeiro caminho que seus mui tenros pés fizessem, fossem com risco de sua vida ir tirar a guerra e a morte dos reinos, porque então já esperavam.
E com tanta aflição do corpo e d'alma, não havia quem a estes Principes mais confortasse que a fé e verdade que a Deus e ao mundo sem cautella sempre mantiveram com grande cuidado; porque n'estas que eram suas proprias virtudes, para sua consolação e descanso ora buscavam ante elles rasões e confortos, com que lhe alimpavam as reaes lagrimas, que sua humanidade não podia escusar.
E como o Infante D. Affonso foi assi entregue, logo o Principe e a Infante D. Briatiz, por Rodrigo Affonso e por Ruy de Pina notificaram sua entrega, e a profissão da Senhora D. Joana á Infante D. Isabel e aos Senhores de Castella que a traziam e com ella estavam na villa da Fonte do Mestre, para ella vir e ser tambem entregue na dita terçaria, como era capitulado. E feita a dita notificação, logo D. Affonso de Cardenas, Mestre de Santiago, e D. Diogo Furtado de Mendonça, Bispo de Pallença, e D. Affonso d'Afonseca, Bispo de Avyla, e outros senhores que com ella eram se vieram a Freixinal.
E d'hi se emaderam mais e juntamente por embaixadores d'El-Rei e da Rainha de Castella, aos outros que foram a Coimbra, o Bispo de Coria D. João de Ortiga, e o licenceado d'Ilhescas, os quaes todos quatro sem a Infante se vieram diante a Moura, onde com o Infante D. Affonso e com a Infante D. Briatiz, eram já o duque de Vizeu D. Diogo, e o duque de Bragança D. Fernando, e o conde de Faram D. Affonso, e o senhor D. Alvaro, com outros senhores e fidalgos do reino, e por procuradores d'El-Rei e do Principe D. João de Mello, Bispo de Silves, e D. João da Silveira, barão d'Alvito, para todos concordarem e praticarem as menagens, seguridades e desnaturamentos, e cousas que para entrega e vinda da dita Infante D. Isabel cumpriam. Nas quaes por parte dos dois derradeiros embaixadores de Castella, contra a opinião e voto dos outros primeiros se moveram e apontaram de novo tantas duvidas e condições para dilatarem a entrega da dita Infante, com que foi necessario ir algumas vezes consulta ao Principe, que era em Beja; porque todo este negocio sobre elle pendia, o qual anojado de suas importunações e injustas delongas, finalmente enviou aos ditos embaixadores dois escriptos, com duas palavras feitas de sua mão, e em um dizia _Paz_, e no outro _Guerra_, e mandou que no Conselho onde os de um reino e do outro cada dia se juntavam fossem os ditos escriptos apresentados aos ditos embaixadores, e que logo em nome dos Reis seus Senhores escolhessem um d'elles, qual quizessem, e que se tomassem o da guerra, que mais seria d'ella contente por ser uma guerra, que de paz, que tantas guerras lhe dava. E que se quizessem o da paz, que d'elle tambem lhe prazia sem mais negociações das que já eram concordadas, e que para isso logo trouxessem e entregassem a Infante.
Os quaes dois escriptos do Principe, com sua determinação tão perantoria tiveram no Conselho tanta força, que os embaixadores todos sem mais altercações se conformaram e acordaram a entrega da dita Infante, que foi a onze dias do mez de Janeiro de mil e quatrocentos e oitenta e um, a que a Infante D. Briatiz com toda a frol e gentileza de Portugal que alli foi junta sahio, e a uma legoa de Moura junto com a quintã que dizem da Coroada, e no meio de um ribeiro que alli corre, das mãos dos ditos senhores e embaixadores de Castella recebeu a dita Infante D. Isabel. E entregou a elles o Senhor D. Manuel seu filho, que com a gente que á sua honra e estado cumpria, levaram á côrte dos Reis de Castella em lugar do duque D. Diogo seu irmão, que por contrato das terçarias houvera primeiro de ser entregue, mas por a este tempo o duque ser doente, ficou por então até ser são, mas verdadeiramente assi foi muita razão, e ainda pareceu quere-lo assi Deos, que o Senhor D. Manuel primeiro fosse arrefens e segurança da paz e assessego dos reinos de Portugal, pois elle por graça Divina primeiro os havia de sobceder com a mesma paz e assessego como sobcedeu, e ao diante se dirá.
E porém o duque foi depois a Castella, e o Senhor D. Manuel tornou a Portugal, como em seus tempos e lugares será declarado.
E porque a villa e fortaleza de Moura em que terçarias foram logo ordenadas, e em que o Principe á sua custa para os Infantes mandou fazer honrados aposentamentos, era nos verãos naturalmente muito doentia e perigosa, requereu o Principe a El-Rei e á Rainha de Castella e á Infante D. Briatiz, que para segurança das vidas e pessoas dos ditos Infantes, houvessem por bem as ditas terçarias pelas mesmas condições se mudarem á villa de Beja, que de seu sitio era sã e de bons ares.
E por algum consentimento, que com razão os ditos Senhores Reis e Infantes logo para isso deram, o Principe mandou fazer grandes percebimentos de pedraria e madeiras e officiaes, para no castello de Beja se fazerem outros aposentamentos. E elle e a Princesa se foram de Beja ter a Pascoa da Resurreição a Torres Novas, onde era El-Rei D. Affonso. Mas porque a Infante D. Briatiz por conselhos e induzimentos não verdadeiros, com que pareceu que foi enganada, mudou este proposito, e com todo o grande perigo de Moura quiz ficar no primeiro de se não mudar da dita villa, o Principe começou tomar d'ella alguns descontentamentos, pelos quaes logo desejou desfazer ou mudar as ditas terçarias em outra maneira.
CAPITULO CCX
_Do socorro que pelo Bispo d'Evora foi enviado contra o Turco, quando tomou a cidade do Tranto em Italia_
E por quanto no anno passado de mil e quatrocentos e oitenta, o exercito do Gran Turco com seus capitães passou em Italia no reino de Napoles, e por força tomou na Pulha a cidade de Tranto com outras villas e castellos, com grande e piadoso estrago de christãos, e D. Affonso duque de Callabria, filho d'El-Rei de Napoles era já em cerco sobre a cidade para a cobrar; o papa Sixto quarto, que então era presidente na Igreja de Deos, por atalhar á destruição de Italia e Roma, que se aparelhava, enviou pedir socorro e ajuda a todolos Reis e Principes christãos, para que outorgou certas dizimas que mandou lançar pela clerezia, pela qual El-Rei D. Affonso e o Principe seu filho estando em Torres Novas, por obedecer ao Padre Santo em obra tão santa e tão piadosa, e que de seus corações e legitima devoção não era alheia, depois de as dizimas serem ordinariamente tiradas, e elles darem para isso toda outra ajuda necessaria, enviaram para a dita expunação do Tranto e resistencia do Turco o Bispo d'Evora D. Garcia de Menezes com grande frota, e muita e mui nobre gente de seus reinos, que de caminho tocando em Barcellona onde eram os Reis de Castella, foi a gente de Portugal e suas armas e gentileza muito louvada. E de ahi foi a Ostia, porto de Roma, por onde entrou pelo Tibre acima, e o Papa o recebeu e ouviu em S. Paulo, onde o Bispo porque entre os bons oradores de Italia era singular orador, lhe fez uma elegante, e para o caso mui louvada oração.
E em fim por acabar primeiro com o Papa seus feitos, e haver com o bispado d'Evora, que tinha, o da Guarda que juntamente houve, fez alli, e depois em Napoles indo já caminho do Tranto tanta demora, que não sómente não foi onde era ordenado, mas ainda por sua longa estada lhe adoeceo e morreu muita gente. E porque alli veio certa nova que pela morte do Turco que então de peçonha morrera em Grecia, os que em seu nome tinham a cidade de Tranto desesperados de soccorro, por partido se deram ao dito duque de Calabria, o dito Bispo d'Evora cessou de sua ida. E depois de despedir em Roma suas cousas, se veio a estes reinos depois da morte d'El-Rei D. Affonso.
CAPITULO CCXI
_De como o duque de Vizeu foi a Castella, e se tornou a Portugal o Senhor D. Manuel seu irmão_
E o duque de Vizeu tanto que de sua doença convalleceo, com estado de grande Principe, e acompanhado de muitos fidalgos e d'outra muita escolhida gente sua e d'El-Rei, indo-se á côrte dos Reis de Castella como era concordado, adoeceu outra vez em Caceres, onde por mandado dos ditos Reis tinha cargo de o acompanhar e servir D. Pedro Portocarreiro, senhor de Palma. E de hi com algum melhoramento se foi a Madril, d'onde o Senhor D. Manuel seu irmão que alli era, se despedio d'elle, e se tornou a estes reinos a Moura.
O duque de Vizeu ficou para cumprir o tempo que era capitulado, e foi a tempo que El-Rei de Castella então se partira socorrer e abastecer a gram pressa a villa d'Alfama do reino de Grada, que o marquez de Callez então tomara, e porém a Rainha vio o duque de Vizeu secretamente; porque outra vista sua e recebimento publico se fez depois em Cordova, d'onde o duque sahio a receber El-Rei o dia que n'ella entrou, vindo anojado e descontente do cerco de Loxa, em que por aquella vez sua ida e victoria não sobcedeo á sua vontade, porque foi pelos mouros feito em sua gente grande destroço, e mataram-lhe o mestre de Calatrava, com outra nobre gente.
CAPITULO CCXII
_De como foi a morte d'El-Rei D. Affonso_
E depois da profissão da Excellente Senhora; porque El-Rei D. Affonso em Coimbra foi em ponto de morte como disse, nunca mais foi alegre, e sempre andou retraido, maginativo e pensoso, mais como homem que avorrecia as cousas do mundo, que como Rei que as estimava. Pelo qual no seguinte verão elle foi a Beja vêr o Principe seu filho e a Princesa D. Leanor sua mulher, e alli tiveram o pae e o filho entre si praticas secretas, em que El-Rei determinou querer no fim d'este anno se vivera fazer côrtes geraes em Estremoz; porque em Lisboa e Evora morriam, e leixar a inteira governança dos reinos ao Principe seu filho, e elle em habitos honestos de leigo e não com obrigação de religião se retraer no mosteiro de Varatojo junto com Torres Vedras, que elle de novo fundou para alli servir a Deos e em sua vida temperar e remediar os odios e dissenções que já entendia que por sua morte entre o Principe seu filho e os da casa de Bragança se não podiam escusar, e cousa justa fôra permitir então a bondade e misericordia de Deos este bem, porque tanto mal depois se não seguia, e porém o Principe ficou em Beja para d'alli continuadamente mandar visitar e prover o Infante D. Affonso seu filho, e a Infante D. Isabel que eram na terçaria em Moura, como sempre fez.
E El-Rei D. Affonso na entrada d'Agosto se foi a Cintra, onde adoeceu de febre muito aguda, de que o Principe sendo avisado, a gram pressa foi logo com elle, que achou já em desposição mortal e sem esperança de vida. Na qual El-Rei tendo feito seu testamento, e recebendo todolos sacramentos alli acabou como bom e catholico christão, dando sua alma a Deos a vinte e oito dias d'Agosto do anno do nascimento de nosso Senhor Jesu Christo de mil e quatrocentos e oitenta e um. E na propria casa em que nasceo, ali morreu e acabou. Foi seu corpo logo metido em um ataude, e posto sobre uma azemola que com cruzes, tochas, e clerigos foi pelo conde de Monsanto, que hi era, e por outros fidalgos levado ao mosteiro da Batalha, e enterrado na casa do cabido, onde jaz até haver sua solemne merecida sepultura.
CAPITULO CCXIII
_Das feições, bondades e virtudes d'El Rei D. Affonso_
Foi El-Rei D. Affonso Principe mais de grande que meã estatura, e em todos seus membros bem feito e mui proporcionado, salvo que nos derradeiros dias foi algum tanto envolto em carne, e por encuberta d'isso costumava sempre vestiduras soltas; teve o rosto redondo, bem povoado de barba preta, e em todalas outras partes do corpo muito cabeludo, salvo na cabeça, em que depois de trinta annos começou de ser calvo.
Foi Principe de mui granciosa presença, grande humanidade, e doce conversação, mas foi em tanto extremo, que para Rei superior não foi muito de louvar; porque com grande familiaridade que de si, contra sua gravidade e estado real a muitos dava, além de lhe muitas vezes não guardarem aquella reverencia e acatamento que deviam, tomavam ainda atrevimento de lhe requerer, e elle vergonha de lhe não outorgar muitas e maiores cousas do que os merecimentos nem honestidade, nem do que o acrecentamento de patrimonio real requeriam, segundo todo Rei e Principe é obrigado. Foi de grande memoria e maduro entender, e de sutil engenho, remisso mais que trigoso nas graves execuções. Especialmente nas da justiça que tocavam contra grandes pessoas, as quaes mais folgava de dessimular ou temperar brandamente, que executal-as com rigor, e crê-se que isto procedia de sua grande humanidade, e assi por assessego de seus reinos. Suas palavras no que queria dizer eram sempre bem ordenadas, e entoadas com mui gracioso orgão, e por pena, de seu natural escrevia assi bem, como se por longo ensino e exercicio d'oratoria artificialmente o aprendera; foi amador de justiça e de ciencia, e honrou muito os que a sabiam.
Foi o primeiro Rei d'estes reinos que ajuntou bons livros, e fez livraria em seus paços, e tambem foi o primeiro Rei que pelas praças e lugares publicos das cidades e villas de seus reinos fez a todos mui familiar sua vista, porque até seu tempo os Reis d'estes reinos assi raramente o faziam, que quando alguma hora ante a face do povo sahiam, concorria de todalas ruas tanta gente para os vêr, como se fosse uma gram novidade, mas isto procedeo de sua humana condição, por as gentes mais facilmente lhe poderem pedir mercê e requerer justiça, em cujo despacho foi sempre mui liberal e atento.
Foi tão confiado de seu saber, que com dificuldade queria estar por alheios conselhos se contradiziam sua vontade, especialmente nas cousas da guerra dos mouros, em cujo proseguimento foi sempre tão aceso e inclinado, que ácerca d'isso todo seu apetito lhe pareciam vivas razões; foi Principe mui catholico e amigo de Deos, e mui fervente na fé; ouvia continuada e mui devotamente os Officios Divinos, e pela mór parte sem grandes pompas e cerimonias; deleitava-se com homens honestos religiosos e de bom viver, e com elles apartado muitas vezes, ao seu modo conversava, e com isto em seu tempo deu causa que muitos fingidamente quizeram parecer de fóra melhores do que eram de dentro, e esta especie de hypocrisia depois de sair das casas de Deos, entrou nas casas dos homens, que a muitos aproveitou, de que não faço alguma especificação por não ser odioso, pois não é necessaria.
Foi no comer, beber, e dormir mui regrado, e sobre tudo de mui louvada continencia; porque havendo não mais de XXIII annos, ao tempo que a Rainha sua mulher falleceu, sendo aquella idade de maiores pongimentos e alterações da carne, tendo para isso muita desposição e despejo, foi depois ácerca de mulheres muito abstinente, ao menos cauto.
Nos trabalhos do corpo que se lhe offereciam, ou elle por seu prazer queria tomar, não era delicado, antes os soffria bem e como outro homem robusto n'elles criado.
Folgou muito d'ouvir musica, e de seu natural sem algum artificio teve para ella bom sentimento.
Foi esmolador e de mui piedosa condição. E na nobreza e liberalidade teve sem medida tanta parte, que mais propriamente se podia dizer prodigo que verdadeiro liberal, especialmente nas cousas da corôa do reino, de que sem grandes merecimentos nem muita necessidade, mas por sós manhas e praticas que com elle os grandes usavam, a desguarneceo e minguou em não pouca parte. Poucas vezes e por poucas cousas recebia ira nem senha, e as semelhantes cousas porque se lhe causava, em que a consciencia o não contradizia, levemente as perdoava, e por ser Principe de mui alto e esforçado coração, foi sempre zelador de emprender cousas arduas, e prosegui-las por armas como cavaleiro, mais que de entender como Rei no regimento civel e politico de reinos.
Viveu quarenta e nove annos, de que foi Rei os quarenta e tres. E d'estes os XXXIII regeo persi o reino; porque dez annos primeiros de seu reinado, por sua pouca idade regeo por elle o Infante D. Pedro seu sogro e tio, como atraz fica.
FIM DO III E ULTIMO VOLUME
INDEX
1^o VOLUME
CAPITULO PAGINA
I--Narração 12
II--Alevantamento d'El-Rei 14
III--De como começaram de entender nas cousas do reino e se viu o testamento d'El-Rei 17
IV--Da vinda do Infante D. Anrique á côrte, e das cousas que se logo acordaram 19
V--Como o Infante D. Fernando foi jurado por Principe, se El-Rei não houvesse filho legitimo 21
VI--Primeiro consentimento da Rainha para El-Rei seu filho casar com a filha do Infante D. Pedro 22
VII--Resposta do Infante D. Pedro á Rainha 23
VIII--Contradicção que houve em algumas pessoas no consentimento do casamento d'El-Rei com a filha do Infante D. Pedro 24
IX--De como se fez o saimento d'El-Rei no mosteiro da Batalha 26
X--Como ante de se fazerem as primeiras côrtes em Torres Novas, se fez uma conjuração contra o Infante D. Pedro 27
XI--Como se deu a obediencia e fizeram as menagens a El-Rei e se praticou sobre quem regeria 29
XII--Concordia feita entre a Rainha e o Infante D. Pedro acerca do regimento 30
XIII--Da contradicção e mudança que houve n'este acordo 31
XIV--Apontamentos que publicamente se fizeram contra o testamento de El-Rei para a Rainha não dever reger 32
XV--Do meio que o Infante D. Anrique tomou entre a Rainha e o Infante D. Pedro acerca do Regimento 34
XVI--Como a Rainha por meio do conde de Barcellos enviou pedir ao Infante D. Pedro o alvará que lhe tinha dado sobre o casamento d'El-Rei 37
XVII--Como El-Rei se foi a Lisboa, onde o Infante D. João veiu a primeira vez 39
XVIII--Do despacho que se deu aos embaixadores de Castella 40
XIX--Como a Rainha começou de reger e ser em seu regimento prasmada 42
XX--Fallecimento da Infante D. Filippa 43
XXI--Nascimento da Infante D. Joana 43
XXI--Praticas que o Infante D. Pedro teve sobre descontentamentos que tinha da Rainha ácerca do regimento 44
XXII--Como o Infante D. Pedro e o Infante D. João ambos se viram e fallaram sobre o regimento 45
XXIII--Como a rainha lançou fora de sua casa certas donzellas por suspeitas a ella, e affeiçoadas ao Infante D. Pedro 48
XXIV--Do alvoroço que se seguiu contra a Rainha pela execução dos varejos de Lisboa 49
XXV--Ida do conde d'Arrayolos a Lisboa sobre assessego d'ella, e como não aproveitou 51
XXVI--Como o Infante D. Pedro foi a Lisboa reprender e assessegar as uniões da cidade 54
XXVII--Como a Rainha mandou secretamente preceber os de sua valia que viessem ás côrtes armados 56
XXVIII--Como o Infante D. Pedro e o Infante D. João sobre estas cousas se tornaram a vêr, e o que acordaram 58
XXIX--Como o Infante D. Pedro avisou e percebeu o reino sobre os alvoroços que se ordenavam 60
XXX--Como se o Infante despediu da Rainha, e da falla que como descontente lhe fez 61
XXXI--Como a Rainha com El Rei e seus filhos se foi a Alanquer, e do que se seguiu em Lisboa 62
XXXII--Acordo que o povo de Lisboa fez acerca do regimento 64
XXXIII--Como a cidade de Lisboa entendeu contra o Arcebispo D. Pedro pelos cubelos da alcaçova que tomou 65
XXXIV--Vinda do Infante D. João á cidade 67
XXXV--Como a Rainha escreveu a Lisboa e todo o reino sobre o assessego d'elle 67
XXXVI--Declaração que Lisboa fez de o Infante D. Pedro só reger o reino 68
XXXVII--Forma do acordo sobre o Regimento 70
XXXVIII--Notificação d'este acordo ao Infante D. João, que o approvou 72
XXXIX--Notificação do dito acordo á Rainha, que o contrariou, e assi aos Infantes e ao reino 73
XL--Partida do Arcebispo D. Pedro fóra do reino 75
XLI--Como o castello de Lisboa foi pela cidade tomado e dado ao Infante D. João, e o que se n'isso seguiu 77
XLII--Mandou a Rainha velar e afortalezar Alanquer, onde tinha El-Rei 81
XLIII--Dissensão que a Rainha procurou d'haver entre o Infante D. Pedro e o Infante D. Anrique 81
XLIV--Embaixada dos Infantes á Rainha 83
XLV--Recado da Rainha ao Infante D. Pedro quando de Coimbra vinha para Lisboa ás côrtes 85
XLVI--Entrada do Infante D. Pedro em Lisboa, e como ante as côrtes acceitou o Regimento 88
XLVII--Notificação do acordo passado á Rainha, que o não consentiu 91
XLVIII--Ida do Infante D. Anrique á Rainha para leixar vir El-Rei ás côrtes, e lh'o tornarem 92
XLIX--Entrada de El-Rei em Lisboa para as côrtes 93
L--De como se apontou e aprovou não ser bem El-Rei se crear em poder da Rainha 96
LI--Como a rainha teve pratica com os seus principaes sobre a ida dos Infantes a ella como se foi a Cintra e leixou El-Rei e seu irmão 101
LII--Como Lisboa cometeu de querer fazer uma estatua ao Infante D. Pedro pelo beneficio do relevamento das aposentadorias, e do que lhe respondeu 104
LIII--Como a Rainha sobre suas cousas se querellou aos Infantes d'Aragão seus irmãos, e da embaixada que enviaram 106
LIV--De como se entendeu na redempção do Infante D. Fernando, e do que se seguiu 108
LV--Como a Rainha D. Lianor se partiu de Cintra para Almeirim contra vontade de d'El-Rei e dos Infantes, e como se El-Rei foi a Santarem, e do que se seguiu 113
LVI--Liança do Infante D. Pedro com o Condestabre e Mestre d'Alcantara de Castella, contra os Infantes d'Aragão, e das ajudas que lhe deu 115
LVII--Conselhos que o Infante D. Pedro teve sobre o assessego e segurança d'estas cousas, e como a Rainha fingidamente se concordou com elle 117
LVIII--Como o conde de Barcellos desdisse muito á Rainha esta concordia com o Infante, em caso que não fosse verdadeira 119
LIX--Como o Priol do Crato consentiu em receber a Rainha em suas fortalezas 120
LX--Como o conde de Barcellos fez liança com os Infantes d'Aragão, e como foi por isso muito prasmado 121
LXI--Como o Infante D. Anrique se viu com o conde de Barcellos seu irmão para o concordar com o Infante D. Pedro 123
LXII--De como veiu a El-Rei embaixada de Castella, e como foi recebida 124
LXIII--Como o Infante D. Anrique procurou de trazer o Priol do Crato a serviço e prazer do Infante D. Pedro, e do que n'isso passou 127
LXIV--De como se a Rainha aconselhou sobre a ida para o Crato, e como emfim posposto o conselho se partiu 128
LXV--Do que fizeram os da Rainha depois que souberam da sua partida 130
LXVI--De como o Regente foi avisado da secreta partida da Rainha, e do que logo sobr'isso se fez 131
LXVII--Do que a Rainha fez depois de ser no Crato 134
LXVIII--Como falleciam os mantimentos á Rainha e ao Priol do Crato 135
LXIX--De uma embaixada d'El-Rei d'Aragão e de Napoles que veiu ao Infante D. Pedro sobre os feitos da Rainha 136
LXX--De como o Regente determinou pôr cêrco ao Crato e ás outras fortalezas do Priol, e a que pessoas os cêrcos foram encommendados 137
LXXI--Como El-Rei quiz vêr e viu o capitão na ordenança de guerra em que vinha 139
LXXII--Como a Rainha meteu de Castella gente d'armas n'estes reinos para se bastecer, e do que fizeram 141