Chapter 4
Abstrahindo pois daquelle valor commum e tão accidental, j..., podemos sem rigorosa mas com bastante verdade chamar áquellas consoantes zêxe, sezêxe, kcecezêxe. Taes nomes designam os valores das letras, e são portanto definições, verdadeiros nomes, verdadeiros e mnemonicos, isto é, bons de fixar pela identidade e gradação de elementos.
O nosso systema não se funda nos nomes das letras: os faceis e notaveis resultados que elle tem dado em nossas mãos, e nas do editor, e que igualmente promette nas de outrem não dependem destas particularidades: mas é a razão que as dicta, e o methodo que as aconselha.
Xiz é um nome apenas insufficiente, não falso nem disparatado; porque do modo que o dizemos (xix...), principiando e acabando na inflexão x..., até se podia considerar symbolico; pois em princípio e fim de palavra, salvo o que deixamos dito, o x vale x... Mas que é dos outros valores? O nome não os indica; e não ha razões de preferencia: nem ha conveniencia alguma em obrigar o principiante a ir buscal-os a explicações avulsas, podendo-os achar no proprio nome da letra.
Vamos ás perguntas e respostas do costume:
—Como se chama esta letra?—Kcecezêxe.
—Porque se chama Kcecezêxe?—Porque vale kç... ç... z... x...
—Quando vale kç... ç... z...?—Não ha regra.
—E quando vale x...?—No princípio e fim de palavra.
Este mesmo valor já sabemos quanto é accidental no fim; e tambem não é certo no princípio. Parece pois que muito de proposito escolheram os mathematicos o x para symbolo da incognita... Mas ahi tendes mais uma razão para lhe darmos um nome que offereça por assim dizer, á escolha do principiante valores tão diversos e tão incertos.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; vertical-align:top" | = kç
xo xa xar
xo de xo
re xo xo
= ç
xi as
xi ari
xi a
= z~~~
exis xis
xer ta
xer ta
xer sses
xa
= ~~~z
xa xo
xo xar
xi sas
xos xos
sex lix
ex ssar |}
Das oito consoantes incertas faltam-nos duas, m, n: mas como estas servem tantas ou mais vezes de til que de letras, é chegado o tempo de fallarmos das vogaes nasaes. Ha cinco especies de vogaes: agudas, fechadas, abertas, graves, e nasaes.
Agudas são as que se proferem como se chamam á, é, í, ó, ú; ás quaes muitas vezes se applica e muitas mais se deixa de applicar aquelle traço obliquo da direita para a esquerda chamado tambem accento agudo.
Abaixo, por assim dizer, um ponto em força e clareza estão as fechadas, que se proferem com a bôca um pouco menos aberta.
O signal destas é o chamado impropria e alatinadamente circumflexo, que a maxima parte das vezes se omitte, mas algumas se emprega onde era necessario como em dê; onde convinha como em rôgo; onde era desnecessario como em flôr (porque or final vale geralmente ôr, e portanto bastava accentuar as excepções como maiór, peór); e tambem modernamente em palavras, onde não convinha, como vêmos, louvâmos, que em estylo culto e desaffectado se lêem nasalando as vogaes e, a; ás quaes portanto mais competia til que accento circumflexo.
É de notar que não ha u nem i fechado; porque o ouvido não distingue voz abaixo de u; nem differença de tom, e só de fôrça, dum i a outro i, como em cai e caí.
Aberta, ha só uma vogal assim chamada, o e, de que fallamos a paginas 49.
Graves são as vogaes que se proferem mais suavemente, como as ultimas de ama, ame, amei, amo, tribu; onde, se comparardes, vereis que o e u se confundem para o ouvido.
Quasi o mesmo succede entre a fechado e a grave, que só differem na fôrça; como por exemplo em câda. Mas attendendo a que esta differença é quasi inapreciavel, e devendo ser o tom a base desta classificação, póde-se estabelecer que ha só tres vozes graves, e, i, u, representadas em quatro vogaes, e, i, o, u; valendo estas duas últimas o mesmo.
Nasaes são as que se proferem, não asperamente fanhosas, como se tivessemos o nariz tapado ou as fizessemos eccoar nas fossas nasaes; mas dirigindo o fôlego como que ao ceo da bôca; podendo-se neste sentido chamar igualmente, e por ventura melhor, palataes.
Resumindo: todas as vogaes podem ser nasaes e todas podem ser agudas. Graves ha quatro e, i, o, u, representando tres vozes graves e, i, u. Fechadas ha tres, â, ê, ô. Aberta ha só uma, è.
As nasaes assignalam-se com ~, m, n. Hoje só é applicado o til a duas, a, o; mas a todas se encontra applicado frequentemente nas edições antigas.
Limitemos a nossa questão ao til.
—Como se chama este signal?—Til.
—De que serve?—De indicar voz nasal.
—Á, é, í, ó, ú são vozes nasaes?—São vozes puras.
—Como são nasaes?—Ã, ẽ, ĩ, õ, ũ.
Puras são todas as vozes não nasaladas, isto é, todas as agudas, fechadas, abertas e graves.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; vertical-align:top" |
vã lã rã sã
são pão dão
rão rão
cão co ção
zão vão
zão grão
grãos sãos
cães ca tães
sa tães
põi põis
vões jões
ções cções
tões zões
rões rões
drão ções |}
Estamos chegados á penultima das consoantes incertas, que é o m. Este caracter umas vezes é letra, outras vezes signal nasal, outras vezes nem uma cousa nem outra; e podemos accrescentar que outras vezes é ambas as cousas.
Quando é letra representa um despego de labios similhantissimo aos que representam b, p; como por exemplo em
É impossivel começar a ler estas palavras sem ser de bôca fechada. Os labios despegam-se á primeira voz; vindo portanto o m a representar um facto puramente mecanico, por si só inapreciavel ao ouvido. Não é isto particularidade do m, mas qualidade geral de todas as letras que valem inflexões instantaneas.
O m representa esta inflexão labial em tendo vogal adiante.
Quando é signal nasal, vale para a vogal antecedente o mesmo que til. Tanto importa para a leitura escrever:
{|style="margin:0 auto" | |- | |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |ambos, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |embora, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |impar, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |ombria, |style="padding-left:0.5em; text-align:right; vertical-align:top" |umbral; |- |style="padding-right:0.5em; vertical-align:top" |como |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |ãbos |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |ẽbora |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |ĩpar |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |õbria |style="padding-left:0.5em; text-align:right; vertical-align:top" |ũbral: |}
com a differença que esta orthografia era melhor, mais exacta e, por consequencia, mais elegante.
Por economia de espaço, e conveniencias typograficas, talvez mais que por espirito reformador duma orthografia incoherente, acha-se o til empregado nas edições antigas, frequentissimamente, onde agora pomos m ou n. Em boa hora volte e seja universalmente recebida aquella substituição. Mas os antigos, que escreviam (tambem mais logicamente) por exemplo amárão; querendo differençar o ão dominante do grave, á falta de signaes convenientes escreviam amaráõ, desvirtuando assim ao mesmo tempo os dois signaes agudo e nasal; pois nem o a é agudo, nem o o nasal. Daqui e, provavelmente ainda mais, da costumeira de solletrar á, ó, til, ão; parecendo ao principiante (e talvez ao mestre) que o til pertence ao o; resulta vermos até na capital grandes letreiros: Salaõ, Repartiçaõ de Instrucçaõ etc. (o que diga-se a verdade não é muito airoso para o pintor).
O m tem sempre este valor nasal quando se lhe não segue vogal.
Mas ás vezes não tem valor nenhum, e só se escreve por divisa etymologica, como por exemplo em
que se lêem exactamente como se escrevessemos comenda comissão condenado.
Estas taes divisas etymologicas, ou estas taes etymologias teem o grande inconveniente de fazer da escrita um privilégio, que nenhum homem liberal supporta sem repugnancia, etc. E ainda se os partidarios [ilegível............]! Mas elles não se entendem uns aos outros, e nem a si mesmos se entendem. Devia acabar esta affectação ridicula.
Continuando, não podemos dizer que mm estão no caso de bb, cc, dd, ff, gg, etc., que valem sempre assim dobradas o mesmo que simples: porque é tão commum o primeiro m não valer nada como valer de til: por exemplo:
{|style="margin:0 auto" | |- | |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |somma, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |gomma, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |emmalar, |style="padding-left:0.5em; text-align:right; vertical-align:top" |emmassar |- |style="padding-right:0.5em; vertical-align:top" |equivale a |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |sõma, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |gõma, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |ẽmalar, |style="padding-left:0.5em; text-align:right; vertical-align:top" |ẽmassar: |}
vingando aqui a regra, que m sem vogal adiante vale de til.
Tambem o am final se póde dizer que não offerece nada de extraordinario quanto ao m. Ahi o m vale til; é regular: a forma orthografica sim que é viciosa; porque escrevemos ã para lermos ão. Nem o a nem o m podem representar o u que soa na leitura. É uma convenção caprichosa, e pouco sustentavel.
Antigamente dizia-se, por exemplo, amárũ; depois, com o correr dos tempos, amárõ; depois, amárã. Foi-se a musica da lingua, por assim dizer, aclarando. Hoje ainda muito povo diz amárõ, fállõ; mas o estylo correcto e literario é amárão, fállão.
Nisto devem os mestres não poupar insistencias, porque o tal õ é repugnante. E dizemos: não poupar insistencias, porque é necessario insistir: a maior parte dos alumnos teem esse vício muito arraigado. Mas quem diz cão, póde dizer fícão: seja a syllaba grave ou dominante, a pronuncia é organicamente a mesma.
Tempo houve que geralmente se escrevia ão no fim. Depois, talvez para evitar equivocos, e poupar accentos (no que sempre nos temos mostrado singularmente economicos), em vez de se progredir empregando, e até inventando os signaes necessarios a bem duma orthografia exacta, retrogradou-se. Quasi todos escrevem actualmente amam, fallam, quizeram, etc.
A dizer a verdade a boa orthografia não depende tanto da logica dos caracteres como da generalidade das regras; e se am final vale sempre o mesmo, embora mal represente o que vale, passe a incoherencia. Melhor orthografia é fállão, fallárão, fallarão, etc. Mas por exemplo pensão é equivoco; e escrever pénsão, não é logico; porque não temos na palavra e agudo. A falta dum signal para a vogal dominante, é uma razão a favor do am final: todavia, razão que pouco pode aproveitar aos que seguem (como nós aqui) a orthografia em am; pois escrevem sem escrupulo provém, contém e até porém. Logo que dúvida podiam ter em escrever pénsão, péndão, mándão, etc.? Melhor seria.
Mas dissemos nós que o m vale ás vezes de letra e de til. De facto acha-se uma especie de influencia nasal retroactiva no m (assim como no n). Nós lemos ama, temo, lima, Roma, uma, como se estivesse escrito ãma, tẽmo, lĩma, Rõma, ũma. Amamos, amemos; fazemos, façamos; vestimos, vistamos; pomos, ponhamos; nestas e outras vozes similhantes dá-se tambem o caso de nasalarmos a penultima vogal, sem til nem m que lhe pertença.
Mas destas e outras que taes advertencias não precisa o alumno. E limitando-nos ao que importa, na forma costumada:
—Como se chama esta letra?—Metíl.
—Porque se chama metíl?—Porque umas vezes vale m, outras vezes vale de til.
—Quando vale m?—Com vogal adiante.
—E quando vale de til?—Com vogal atraz.
—Portanto, com a, e, i, o, u atraz, como se lê?—Ã, ẽ, ĩ, õ, ũ.
—Tambem se lê ã no fim de palavra?—No fim de palavra não se lê ã; accrescenta-se u; lê-se ão.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; padding:0; vertical-align:top" |
meu mas
mãos mões
mo mer
mi mer
mo mães
ma mãos
ma ras
mãs me {|style="width:100%" | |- |style="width:20%" | |style="width:60%; padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" | |style="width:20%; font-size:57%; padding-left:0.5em; text-align:right" |= ~ |}
vim fim sim
ssim gum
guem tum
em quem
tam som
com Jo quim
em lim
je em mem
a em mem
em mem
dem mem
mem em
com ra
ma rem
em la {|style="width:100%" | |- |style="width:20%" | |style="width:60%; padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |~~~am |style="width:20%; font-size:57%; padding-left:0.5em; text-align:right" |= ão |} am mam
mam mam
cam pam
vam xam
am zur am
cam mam
gam mam
ma çam
com ca am |}
Chegámos finalmente ao n, última das consoantes incertas, que á similhança do m umas vezes é letra, representando inflexão; outras vezes é simples signal nasal, valendo de til; outras vezes nem representa inflexão nem vale de til; outras vezes vale de til e representa inflexão; e ainda outras vezes, accentuado ou carregado com o h, vale a inflexão conhecida, de que havemos de tratar.
Propriamente um caracter só é letra quando representa um elemento mais ou menos distincto da palavra fallada. Ninguem diz que vã se escreve com tres letras, porque nem a anályse nem o ouvido distinguem senão duas partes nessa palavra. Ora se em vã ha só duas letras, tambem ha só duas letras em van. Se chamamos letra a este último caracter, é referindo-nos ao papel que elle muitas vezes representa, e para não estarmos com explicações e rigores desnecessarios: mas fallando com exactidão, aqui o n não passa dum signal.
Quando é letra profere-se pegando a lingua ao ceo da bôca: pegando-se ou despegando-se; estes termos são geralmente reciprocos no valor fysiologico das letras; para se despegar, tem de se pegar. Mas se merecesse a pena levar a anályse a uma certa altura, diriamos que mais consiste aquella inflexão no apego que no despego, pois como se póde observar em iman, pollen, talisman, em summa nas palavras onde o n final vale inflexão, este n profere-se perfeitamente deixando a lingua pegada ao ceo da bôca: o mesmo que dissemos do l, ao qual, apezar da differença para o ouvido, se assemelha muito na pronuncia.
Por isso bom é recommendar ao alumno, na leitura do n final, o que dissemos a respeito do l.
Este n final valendo inflexão (e sempre tambem de til, pela influencia nasal retroactiva, que indicámos a respeito do m) é raro. Poucas são as palavras que assim acabam. E é só nessas palavras que a ortografia moderna o admitte. Caiu em desuso escrever van, lan, manhan. O n final valendo de til, foi com razão substituido pelo til.
Nesta qualidade de til, o mesmo que dissemos do m lhe é applicavel. Nasala a vogal anterior quando não tem vogal adiante, dando-se tambem casos excepcionaes como succede com o m, porém esta é a regra. Nós lemos:
anda, ente, indo, onda, unto, do mesmo modo que: ãda, ẽte, ĩdo, õda, ũto.
Como letra, nasalando ao mesmo tempo a vogal anterior, temos milhares de exemplos: todos lemos: ufano, pena, tina, tona, puna, como se estivesse escrito ufãno, pẽna, tĩna, tõna, pũna.
Escrito só por etymologia, tambem não escaceiam exemplos. Em annel, anniversario, annunciar, etc., o primeiro n não tem nenhum valor.
Resumindo esta doutrina ao nosso discipulo:
—Que letra é esta?—Netil.
—Porque se chama netil?—Porque umas vezes vale n', outras vezes vale de til.
—Quando vale n'?—Em tendo vogal adiante.
—E quando vale de til?—Em não tendo vogal adiante.
—Portanto com a, e, i, o, u atraz, como se lê?—Lê-se ã, ẽ, ĩ, õ, ũ.
Adverte-se a excepção do n final.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; padding:0; vertical-align:top" |
nós nau cli
no nos
na me nos
nões nas
i gi vam
ne es na
a na não
som i {|style="width:100%" | |- |style="width:20%" | |style="width:60%; padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" | |style="width:20%; font-size:57%; padding-left:0.5em; text-align:right" |= ~ |}
an sin lo
an gun
ban an
an brin
an tran
en di to |}
O nosso plano é o seguinte:
{|cellspacing=0 cellpadding=0 style="line-height:1em; margin:0 auto" | |- |style="padding-right:0.5em; text-align:right; vertical-align:top" |I |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |Vogaes |style="padding-left:0.5em; vertical-align:top" colspan="3" |a, e, i, o, u. |- |style="padding-right:0.5em; text-align:right; vertical-align:top" |II |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |Consoantes certas |style="padding-left:0.5em; vertical-align:top" colspan="3" |v, f, j, t, d, b, p, l, k, q. |- | |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |Consoantes incertas |style="padding-left:0.5em; vertical-align:top" colspan="3" |c, g, r, z, s, x, m, n. |- | |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |Consoantes compostas certas |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |th, rh, nh, lh, ph, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em" rowspan="2" |File:Brace segment, right, half-top.svg File:Brace segment, right, half-bot.svg |style="padding-left:0.5em" rowspan="2" |(y). |- | |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |Consoante composta incerta |style="padding-left:0.5em; vertical-align:top" |ch, |- |style="padding-right:0.5em; text-align:right; vertical-align:top" |III |style="padding-left:0.5em; vertical-align:top" |Alfabeto maiusculo. |}
Daqui se vê que ás consoantes incertas seguem-se as compostas. É pois tempo de fallarmos do h; tempo e opportunidade, porque as duas últimas incertas, m, n, são muitas vezes simples signaes prosodicos; e o h, igualmente debaixo de todas as apparencias de letra, não passa dum signal.
Os gregos tinham vogaes e consoantes aspiradas, isto é, proferidas com aquelle esfôrço, aquella sobejidão de fôlego com que os hespanhoes proferem a inicial de José. Em portuguez, ha mais ou menos fôrça em vozes e inflexões; tanto, que é nisso e por isso que muitas se destinguem e se transformam dumas noutras: mas propriamente a chamada aspiração, certa aspereza e violencia, como de voz ou inflexão tossida, só (que nos conste) nas gargalhadas do snr. Rivara.
Ora na Grecia, onde só havia sete sabios, ninguem era obrigado, para ler e escrever grego, senão a saber grego. Naquella mina inexhaurivel de etymologias, não havia etymologias. Escrevia-se com a maxima exacção, salpicando-se a escrita de signalinhos, e entre esses figuravam os de aspiração, que eram umas virgulasinhas sobrepostas á vogal ou consoante accidentalmente aspirada.
Os latinos, em logar dessas virgulasinhas, tinham h, caracter improprio e indevidamente mettido na cathegoria das letras; mas elles, importando-lhes pouco tirar aos derivados os ares de familia, íam seguindo a sua orthografia, empregando o h, tanto em palavras de origem patria como de origem grega.
E como o portuguez é filho do latim na opinião dos sabios, apezar de não termos aspiração, cá temos tambem o h em palavras do latim, do grego (que não tinha culpa nenhuma da orthografia latina), e até em palavras de origem ou orthografia nossa, como sahir, cahir, chegar, fechar; servindo-nos o h de accento.
De tudo isto resulta que os gregos tinham a sua orthografia, os latinos a sua, e nós temos a dos latinos, sem o seu criterio e a sua coherencia.
A dizer a verdade não ha differença essencial entre aspiração e accentuação: ambas envolvem fôrça: mas ha a differença sobeja para não confundir nem os nomes nem os signaes.
O h em portuguez não vale aspiração; umas vezes é accento, outras vezes é signal etymologico, outras vezes é ambas as cousas.
Applica-se a todas as vogaes e á terça parte das consoantes, ou tanto monta, a metade do abecedario. A sua indole é carregar, accentuar, apezar das muitas excepções. Vejamos com as vogaes.
Ahi, ah, huivo lê-se como se escrevessemos aí, á, úivo: aqui vale accento agudo.
Heroe, honesto, hostil lê-se como se escrevessemos êroe, ônesto ôstil: aqui indica etymologia, valendo ao mesmo tempo de accento circumflexo.
Em raras palavras começadas etymologicamente por h, deixa a primeira vogal de ser mais ou menos fortemente accentuada.
Com as consoantes observa-se a mesma regra.
Em th, rh a presença do h é inutil; mas haveis de notar que as inflexões t, rr... são extremas, isto é, admittem, sem transformação, a pronuncia mais vehemente.
Por outro lado, se os etymologistas fossem etymologicos não escreviam catarrho, que não é orthografia portugueza nem latina nem grega; escreviam catarho, para se lêr do mesmo modo; vindo o h a servir tambem de accentuar o r.
Nh, lh é accentuação de n, l. Proferi alternativamente n, nh, e l, lh, sentireis a lingua, na pronuncia da forma dupla, adherir mais extensamente ao ceo da bôca, e despegar-se com mais custo.
A respeito de ph, todos apagam uma luz fazendo ou proferindo naturalmente pf... Esta dupla inflexão consiste em despegar os labios com um sôpro; o que corresponde a accentuar, carregar, tornar sensivel ou aspirar a inflexão negativa p'. É verdade que para nós ph não vale rigorosamente pf...; mas a differença é insignificante, e pouco desdiz a forma.
Em ch temos dois valores, um frequentissimo, x... e outro raro, k'. Reforçai a inflexão ç... e vereis, como facilmente se vos torna x... Quando ch vale k', pode-se dizer que o h indica o valor aspero, forte, guttural da consoante c.
Assim, ou similhantemente, convem desculpar as formas duplas, justificar, explicar o valor simples ou homogeneo dessas dualidades graficas. Porque certamente que todos os caracteres da escrita tem um valor convencional e arbitrario; mas, posto um valor, até a intelligencia infantil é impellida a inquirir se se é coherente.
E pois fallámos do h, do ph, do ch, fallemos do y, essa especie de companheiro de viagem que tantas vezes vem na caravana.
Os sabios chamam áquillo i grego. Se é grego, excellente razão para o excluir da nossa escrita.
Em grego havia uma vogal (que por signal não se sabe ao certo se valia i ou se valia u) que na forma maiuscula um tanto se assimilhava ao y: na forma minuscula, como quasi exclusivamente nos apparece o y, o caracter similhante era o gamma, o g'. De modo que se um grego resuscitasse, e aprendesse a ler portuguez, havia de se rir muito do nosso i grego. Não obstante ensinai a ler o vosso discipulo y, ph, mas recommendando-lhe que nunca escreva tão affectadamente.
Os hespanhoes, em logar do nosso nh, lh, teem ñ, ll. É melhor orthografia, mas ainda incoherente. Tanta razão ha de carregar ou dobrar num caso como no outro. Os polacos carregam o l.