Chapter 3
{|style="margin:0 auto" | |- | |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |b |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |d |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |f |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |j |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |k |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |l |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |p |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |q |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |t |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |v |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |- |style="padding-right:0.5em; vertical-align:top" |restam: |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |c |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |g |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |m |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |n |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |r |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |s |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |. |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |x |style="padding-left:0.5em; vertical-align:top" |z |}
Porem que ordem seguiremos agora? Como vimos a páginas 19 e 23, todas estas oito são de dois valores, excepto s x, que são de quatro. Ora a última das certas, em que ficámos, foi q; ao qual se seguem naturalmente c g, não só porque uma tem um valor identico; e a outra, um valor similhante, guttural; mas porque ambas igualmente, com e i, offerecem especialidade.
Portanto o logar de c g está marcado. Depois seguir-se-hão m n, que teem igualmente dois valores? Não convém; ambas essas consoantes servem muitas vezes de til, o que é duro de explicar; e accresce que n se combina com h; podendo-nos portanto servir de transição para as fórmas compostas lh, ph, ch, etc. que devem ser as últimas.
Por outro lado, se advirtirmos que z tem dois valores de s, assim como s tem tres valores de x; conviremos que estas tres consoantes se devem succeder. Resta r, que tendo dois valores, as deve preceder.
Logo a ordem mais conveniente é
Veremos que o h não passa dum accento, quando serve de alguma cousa.
Ora o c tem dous valores; um, sibilante e prolongavel, ç...; outro instantaneo guttural, q.
Como lhe havemos de chamar? Como o mestre quizer. O discipulo a estas horas está bem no caso de não confundir o nome com os valores: quanto mais que não se admittindo solletração, elle é forçado a empregar valores. Por isso é que já em respeito a k e q deixámos em aberto esse ponto. Todavia é mais racional que chamemos a essas gutturaes o que valem, q'; isto é, designal-as pelo seu valor; ou querendo-se-lhes dar nome, derival-o d'esse valor, e chamar, a uma e outra, qê. Similhantemente, dos valores de c, deriva o nome cêqe. Embora a experiencia nos mostre a inutilidade dessas designações formaes, e o methodo aconselhe de preferencia citar-se a letra pelos simples valores, podemos admittir nomes verdadeiros, que indiquem as funcções da letra.
Em todo o caso, o essencial é ensinar os valores e as regras. Antes da lição que segue, deve passar-se, entre mestre e discipulo, este ou similhante diálogo:
—Que letra é esta?—Cêqe.
—Porque se chama cêqe?—Porque vale ç... e q.
—Quando vale ç...?—Em vindo com e, i, ou cedilhado.
—E em não vindo com e, i, ou cedilhado?
—Vale q.
O ç (cedilhado) não confunde o alumno; antes, pela necessidade ou inutilidade da cedilha, como se póde exemplificar em aço, caco etc., lhe ajuda a fixar as alternativas d'esta consoante caprichosa.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; padding:0; vertical-align:top" | {|style="width:100%" | |- |style="width:20%; font-size:57%; padding-right:0.5em" |= ç... |style="width:60%; padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" | |style="width:20%" | |} ce ce la
ce cei ce
al ce ce
ci ci de
= q
cá cal cal
cal cul
ca ca
ca cal
ca ta
ço ço ço
ça ca ça
ca ça ça
ça ça |}
Segue-se o g, igualmente de dois valores, como o c, um prolongavel e outro instantaneo: o prolongavel é j...; e o instantaneo é g', guttural. D'estes dois valores deriva logicamente o nome jêg'e. Isto supposto, dialoguemos com o nosso discipulo:
—Que letra é esta?—Jêg'e.
—Porque se chama jêg'e?—Porque vale j... e g.
—Quando vale j...?—Em vindo com e, i.
—E quando vale g?—Em não vindo com e, i.
—Mas ha palavras onde soa g'é, por exemplo malagueta; e ha palavras onde soa g'i, por exemplo guita.—Qual é o modo de escrever estas syllabas?—E escrevendo gúé, e escrevendo gúi.
—E, assim, fica bem escrito?—Não; porque o u não se lê; mas entende-se bem a palavra.
—E se tirassemos o u?—Era peór; lia-se malajeta, lia-se jita, que faz mais differença.
Ora os casos em que o u se lê, nestas syllabas gue, gui, são rarissimos: por isso podemos ensinar a desprezal-o, como fizemos a respeito de que qui, numa regra similhante:
—Visto gúé gúí valer quasi sempre g'é g'i, lendo-se d'este modo, quasi sempre se acerta.
Na lição vai uma excepção, guela.
Mas deixai tambem o discipulo ler uma ou outra palavra como está escrita, para ver que ainda lendo em rigor, a palavra transparece claramente. Esta certeza desafronta-o dos equívocos em que póde cair.
Vê-se pois que admittimos nomes de letras, conformando-nos com a opinião commum, que tendo tudo nome, tambem as letras o devem ter. Embora; e nesta altura não ha inconveniente para o nosso discipulo: mas seja um nome adequado, e não um nome falso. Chamando ao c cêqe, e ao g jeg'e (ou escrevendo como se usa, gêgue), conformamo'-nos com aquelle principio, com o costume, e satisfazemos, pelo menos, ás mais imperiosas exigencias do methodo. Comtudo ainda podemos ajustar mais aquellas denominações aos valores das letras, dizendo ceqe jeg'e, como diriamos duas vezes a particula de: de Francisco, de Pedro: de de; je-g'e, ce-qe.
Dizia-nos um dia o aio dos principes: bom é o methodo, mas de qualquer maneira se aprende a ler.
Intendamo'-nos: de qualquer maneira se pode aprender a ler; de facto, não se aprende de qualquer maneira. Dos senhores de si, poucos são os que tentam, e quasi todos esses desistem: os outros... que remedio! A questão é de tempo e de tormento. E essa não é ainda a questão principal.
Todo o estudo involve, afóra a instrucção, educação de espirito; por isso a geometria passa pela melhor das logicas. E no primeiro de todos os estudos, quando o espirito está mais ductil e inconciente, como póde um processo racional, ou insensato, ser indifferente aos habitos da intelligencia?
Voltemos ao nosso caminho. Querendo-se que o discipulo intenda os symbolos, diz-se-lhe que os tres pontos designam o valor prolongavel: a consoante simples, ou com apóstrofo, indica o valor instantaneo. É claro.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; padding:0; vertical-align:top" | {|style="width:100%" | |- |style="width:20%; font-size:57%; padding-right:0.5em" |= j... |style="width:60%; padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" | |style="width:20%" | |} ge gei
ge ge
gi co gio {|style="width:100%" | |- |style="width:20%; font-size:57%; padding-right:0.5em" |= g' |style="width:60%; padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" | |style="width:20%; font-size:57%; padding-left:0.5em; text-align:right" |= g'e g'i |} gue gue
gue gue
gui gui
a guel gu la
ga gua
gua gual
ga gal
gol ga
go a ga
ga ga ja |}
Vamos ao r, terceira das consoantes incertas e, como as duas primeiras c g, igualmente de dois valores, um prolongavel e outro instantaneo.
Ponhamos em diálogo a doutrina:
—Que letra é esta?—Rêr.
—Porque se chama rêr?—Porque vale rr... e r.
—Quando vale rr...?—Em vindo no princípio ou dobrado.
—E em não vindo no princípio, ou dobrado, o que vale, ou como se lê?—R'.
Não é necessario trazer para aqui as vogaes, como se costuma: isso impõe ao principiante uma distincção inutil, porque tanto vale o r entre vogaes, como entre vogal e consoante. Escusa tambem ensinar as excepções ao discipulo: como o r, se profere tocando a lingua no ceo da boca, e o rr... consiste na repetição desse toque (gemendo ou vozeando ao mesmo tempo), a affinidade desses dois valores, e o mesmo estylo da lingua leva o discipulo a reforçar a inflexão, quando lhe destoa proferida simplesmente. Difficuldade acharia elle em o não fazer, por exemplo, em carne e melro, ou vice versa em tenro e arlequim: pois antes ou depois de l, o r é guttural. E o mesmo podemos dizer a respeito de n; mas advertindo que, por exemplo em tenro, não é necessario que o n sôe como letra (ou inflexão); basta representar de til.
Estas observações dirigem-se ao mestre: e ainda ao mestre, á excepção de alguma indicação prática, o mais que deixamos nestas notas não merece especial reparo; nomeadamente as razões de ordem. Chamando a isto methodo, cabe-nos mostrar que o é; mas para fazer breve e commoda jornada por uma estrada recta e plana, não é necessario saber como a traçaram e construiram.
O r guttural é inflexão instantanea porque se reduz em última anályse a um toque de lingua no ceo da bôca; é inflexão prolongavel porque se forma repetindo esse toque indeterminadamente; e é voz porque o gemido (como lhe temos chamado) com que proferimos v, z, j, e de que igualmente depende o r guttural, não é senão o fôlego elevado ao grau de vibração, ao grau de voz. Propriamente fallando, a voz só se emitte de bôca mais ou menos aberta, e sem intervenção sensivel dos orgãos mudos. Mas á parte esta intervenção e a propriedade do termo, n'aquellas quatro inflexões ha voz. Tanto assim que bem podemos esboçar distinctamente qualquer melodia, modulando-a n'alguma das inflexões v, z, j, r...
Estas são verdadeiramente as letras semi-vogaes: não—aquellas cujo nome começa e acaba por vogal. O que terá o nome com a cousa!
A letra r, pela sua frequencia e pelos seus accidentes de posição e número, merece uma lição com consoantes certas, e outra com consoantes incertas. Em seguida daremos, para desfastio do alumno, um pequeno diálogo. Se o mestre não julgar inutil este exercicio, applique ás palavras a, o, a regra do a, o, finaes; e diga que o e simples lê-se i. O alumno reconhece as maiusculas, e a pontuação não o embaraça. Appliquem-se as regras conhecidas.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; vertical-align:top" |
rei ru rai
rai ri ra
rro rro
rra rro
ra ra ra
ro ra ro
ar ir vir for
flor dar ver
ver per
par per
pre pra
bru bre
rar rar
rrer rrar
ra re ro
rir ro ra
re tir
re bo re o
ri ró ru
rro rra
rra rra
ra rol
ra ra
da a da
ral ro
a ra a ro
cer car
gar gri
gri rar
ar re ber
re dor ro
rrar rrer
a rrar rar
rre
re dar |}
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; vertical-align:top" |—Ó Pe , que é do vro de ca ver , que te deu o a ?
—Já o dei ao Jor a guar .
—Vai lá pe -o.
—Pa quê?
—Pa a ti Car ta ver a gra ra do ca dor.
—Ou cá: a pobre da Cla i brir a por do quar , ca , que a rra do tró , e fi fe da. Vou a ra á bo ca; le a a re ta: á tar lo fa ao Jor , e go que t'o dê.
—Pa vra?
—Pa vra, Ju , fi cer .
—Vê lá, cui do! |}
Ao r segue-se o z, embora esta consoante seja mais simples: porque o r dobra-se, e tambem se combina com outras consoantes; o que não succede ao z: mas as razões de analogia não são menos attendiveis que as de simplicidade.
O r tem dois valores que se reduzem a uma fórmula bastante simples (no princípio e dobrado, rr). O x tem quatro valores, que se esquivam a regra. É portanto claro que o r devia preceder ao x; mas devendo preceder ao x, devia preceder aos caracteres a que o x está associado por identidade de valores.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="padding-right:0.5em; vertical-align:top" |Na verdade, em zaz vê-se que z vale |style="padding-left:0.5em; text-align:right; vertical-align:top" |z x |- |style="padding-right:0.5em; vertical-align:top" |Em sisudos vê-se que s vale |style="padding-left:0.5em; text-align:right; vertical-align:top" |ç z x |- |style="padding-right:0.5em; vertical-align:top" |Em sexo auxilio exilio xale vê-se que x vale |style="padding-left:0.5em; text-align:right; vertical-align:top" |kç ç z x |}
Valem todas tres z, x; duas valem mais ç; e uma vale ainda mais kç. É como uma escada de tres degraus que o methodo, que é todo escada, não podia desmanchar.
Por isso a todas tres precede o r; e agora ao r, segue-se a mais simples das tres.
A theoria relativa ao z, encerra-se nas seguintes perguntas e respostas:
—Que letra é esta?—Zêxe.
—Porque se chama zêxe?—Porque vale z... e x...
—Quando vale z...?—Em não vindo no fim.
—E quando vale x...?—Em vindo no fim.
Isto é o bastante.
O discipulo está agora atravessando um terreno escabroso. Por maiór circumspecção com que vamos guiando os seus passos, não o livramos de caír: salvo tecendo-lhe de proposito lições faceis, e desviando-lhe tropeços; mas então o resultado seria um progresso illusorio.
Vistes nas lições do r como por uma escala de combinações chegámos a accumular dentro da mesma palavra muitas dúvidas. Assim convem preparar o discipulo para a leitura usual e prática onde, a cada linha, encontra essas accumulações. A amenidade do methodo não póde levar-se até á esterilidade. Se as lições agora são mais embaraçadas, vá o alumno ensaiando a sua reflexão. Adiante da palavra mais duvidosa, está a prevenção da regra e a advertencia do mestre.
O magisterio é de sua natureza offício de abnegação e de paciencia. O mestre que se ira corrompe o coração do alumno. E se o alumno, pela sua tenra idade, é incapaz de aprender regras e de as applicar, então a sua presença na escola apenas attesta a ignorancia dos paes e a incuria da autoridade. Até aos sete e oito annos de idade todos andamos numa fervorosa elaboração corporal, que só reclama alimento, movimento e somno; assim como andamos nesse profundo e immenso estudo da lingua, e nessa insaciavel investigação do mundo exterior, que absorve totalmente a faisca mais brilhante que possa alumiar uma cabeça infantil. Complicar esse duplo movimento quasi vertiginoso com o ensino primario—leitura, escrita e contas—passa de absurdo a cruel.
Como os valores do z são novos, só podemos indicar nos symbolos em que logar o apresentamos.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; padding:0; vertical-align:top" | {|style="width:100%" | |- |style="width:20%; font-size:57%; padding-right:0.5em" |z~~~z~~~ |style="width:60%; padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |z |style="width:20%" | |} ze ze
ze zi
zul zei
ze zi
ziu zir
zer zer
zi zi
zar zou e
~~~z
az faz fiz
fez vez jaz
iz luz diz
puz pôz paz
paz puz
quiz giz gaz
rroz troz
paz roz
traz cruz |}
Vamos ao s, quinta das consoantes incertas, e segundo degrau da escada, de que fallámos na lição passada.
Esta consoante é frequentissima: nella acabam metade das vozes dos nossos verbos, todos os nossos pluraes de nomes, pronomes, participios, e de quasi todos os adjectivos; não fallando nos infinitos casos em que figura no principio e meio de palavra, já antes, já depois de vogal; e tambem antes e depois de consoante, como em sciencia e psalmo.
Póde-se estabelecer a regra que o s no fim de palavra ou syllaba, vale x...; por exemplo, custas. Mas cumpre advertir que isto, sendo geralmente verdadeiro, não é exacto; porque o s (assim como z e x finaes), vindo no fim de palavra á qual se siga immediatamente vogal, vale z...; por exemplo, os olhos, que se lê como se estivesse escrito ozolhos; e seguindo-se-lhe immediatamente consoante, que não seja ç, f, p, q, t (ou equivalente de ç e q), então vale j; por exemplo as vozes, que lemos como se estivesse escrito aj vozes.
Mas estas advertencias são puramente theoricas ou antes, escusadas no ensino; pois não se trata de ensinar a ler a estrangeiros, e sim a portuguezes mais ou menos práticos na lingua. Pela nossa parte não costumamos prevenir os nossos discipulos, para a lição do s, com mais doutrina que a contida no seguinte diálogo:
—Que letra é esta?—Sezêxe.
—Porque se chama sezêxe?—Porque vale ç... z... x...
—Quando vale ç...?—No princípio e dobrado.
—Quando vale z...?—Entre vogaes.
—E quando vale x...?—No fim de palavra ou de syllaba.
Com este pouco temos o bastante para o nosso discipulo acertar as mais das vezes, e senão, para o convencermos de que desmentiu a regra, o que em geral nos é tão agradavel como se a observasse, pois nos dá occasião de o fazermos raciocinar.
Por exemplo, trata-se da palavra uso, que o discipulo lê uço. Em logar de emendarmos sem mais explicações, preferimos questionar.
—Que consoante é essa?—Sezêxe.—Quando vale ç?—No princípio e dobrado.—Está no princípio ou dobrado?—Não.—Portanto não é uço.
E quando vale z?—Entre vogaes.—Está entre vogaes?—Está.
E o discipulo lê uzo.
Syllaba é a palavra ou parte da palavra que se diz duma vez, n'um tempo. É, sé, seu, seus, são quatro syllabas, embora mais compostas umas que outras. Qual quer são duas syllabas, que podem formar duas palavras; e tambem, só uma. O discipulo adquire práticamente, pelas nossas lições de syllabas alternadas a typo liso e lavrado , uma idéa mais clara de syllaba, do que é facil dar-lhe por definições.
Quanto a vogaes, é melhor fazer-lh'as conhecer pelo valor, exemplificando e comparando, do que simplesmente pelo nome e de memoria.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; vertical-align:top" |
só sa sil
sso sse
so si
bois di teus
sou sse
su dos
sós seus su
si si dos
is es es
es es ve
vis ves
fos jus
pos bas
pas pes
les lis
sa sal
sos so
so su
so a sa
ces cis
se si
se gu so
sa
so ssa
ce sses
se sses
ser sa sor
a ru
ri sa
ro ri ra
ru gro
gri gor
sa fi sse
zur sses
rê lu sse |}
Assim como do z passámos ao s, que contem os dois valores do z; passamos agora do s ao x, que contém os tres valores do s.
Estes valores, a que alludimos, são ç... z... x... Porque é verdade que a paginas 19 attribuímos ao s tambem o valor de j...; mas este valor, embora no s se observe muito mais frequentemente, é accidente que soffrem as tres irmãs z, s, x, e não particularidade do s. Expliquemo-nos.
Se lermos e escutarmos as seguintes frases:
{|style="margin:0 auto" | |- |style="padding-right:0em; padding-left:2em; text-align:right; vertical-align:top" |faz |style="padding-right:2em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |agua, |style="padding-right:0em; padding-left:2em; text-align:right; vertical-align:top" |faz |style="padding-right:2em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |ponto, |style="padding-right:0em; padding-left:2em; text-align:right; vertical-align:top" |faz |style="padding-left:0.5em; vertical-align:top" |damno; |- |style="padding-right:0em; padding-left:2em; text-align:right; vertical-align:top" |as |style="padding-right:2em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |aguas, |style="padding-right:0em; padding-left:2em; text-align:right; vertical-align:top" |as |style="padding-right:2em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |pontes, |style="padding-right:0em; padding-left:2em; text-align:right; vertical-align:top" |as |style="padding-left:0.5em; vertical-align:top" |damas; |- |style="padding-right:0em; padding-left:2em; text-align:right; vertical-align:top" |calix |style="padding-right:2em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |antigo, |style="padding-right:0em; padding-left:2em; text-align:right; vertical-align:top" |calix |style="padding-right:2em; padding-left:0.5em; vertical-align:top" |prateado, |style="padding-right:0em; padding-left:2em; text-align:right; vertical-align:top" |calix |style="padding-left:0.5em; vertical-align:top" |dourado: |}
ver-se-á que z, s, x de faz, as, calix valem, primeiro, igualmente z...; segundo, igualmente x...; terceiro, igualmente j...
Examinai e vereis que z, s, x, lendo-se immediatamente antes de vogal, valem z...; e immediatamente antes de ç, f, p, q, t (ou equivalentes), j...: nos outros casos, x...
Porém como todos observam isto inconscientemente, e o mesmo ouvido se encarrega de guiar o alumno, é escusado dar taes regras.