Chapter 2
O principio de accentuar só as palavras equívocas é bambo. Tudo é equívoco para quem não sabe. Nada mais equívoco para um extrangeiro, que as tres primeiras vogaes de cama casa e cada, identicas na escrita, diversas na pronuncia (ã, á, â). Todavia nunca se accentuaram. Mas sendo essa a prática constante, não se devem dar a ler escritas doutro modo. Porém as palavras equívocas alguns accentuam-nas systematicamente, e muitos, embora sem especial cuidado, teem occasião de as differençar na escrita. Queremos dizer com isto que rejeitando e reprovando nas cartilhas uma accentuação artificial armada a facilitar a leitura, iremos empregando os devidos signaes nas palavras duvidosas, conforme a razão e os bons exemplos.
É inadmissivel a doutrina de escrever as palavras de maneira que, em separado, os mesmos portuguezes não saibam o que ellas são.
Mas, voltando ao nosso caminho, vamos ao b, que se profere despegando os labios, como p, m; e por isso chamam, a estas letras e inflexões, labiaes.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; vertical-align:top" | b
boi
bo
ba ba
be
ba ba a
ba ba da
bo ba ta
ba ba a
a ti
ba ba va
ba da |}
Na lição passada figurava em boi e boa a letra o com um valor diverso do que se infere de seu nome. É tempo de admittir essa novidade.
Nós temos julgado inutil dizer que o criterio fundamental da nossa prosodia é—-ler como se diz: criterio sofistico, que não resiste á analyse mas que felizmente a criança na sua simplicidade admitte de boamente. A criança folga de rectificar uma leitura fundada no rigor dos dados, pelo que ouve e costuma dizer. Um certo instincto prático, um sentimento de utilidade a leva a achar muito bem fundado aquelle dictame futil. Bói não se diz; bói não é nada, gostosamente corrige e diz bôi.
E o caso é que emquanto outros, acostumados a syllabas vãs, naturalmente estropeiam as palavras mais logicamente escritas; o nosso alumno mettido naquelle caminho prático, e habituado a intender sempre o que lê, tende naturalmente a dar sentido e alma ás combinações da orthografia mais duvidosa, achando uma palavra corrente.
Nós reservamos lições especiaes para as grandes variações de valor nas vogaes; mas ó e ô não differem dum modo muito extranho.
Isto posto passemos ao p que é irmão de b no valor, e tambem se póde dizer que na figura.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; vertical-align:top" | p
pai
pá pó pé
pu pi pi
pa pa va
pa da
pe pa
pa da
pi pi da
to
pa pa
pa |}
Alguns chamam, ao e de saude, mudo. Antes o chamem que o façam, pois se o fazem não fallam portuguez. O u em guerra é mudo, e na maxima parte das palavras onde se escreve gue, gui, que, qui: e ainda n'outros casos como havemos de ver. Porem a vogal e representa sempre voz; e não ha vozes mudas. Deviam-lhe chamar e grave, que é já frase recebida, significando baixo, não agudo, que não soa alto, que não soa muito.
Isto supposto, as inflexões instantaneas por onde acabam palavras portuguezas são l, n, r: exemplo, tal, talisman, ter. Estas inflexões, parece que todas se proferem despegando a lingua do céo da bôca: porem, na sua qualidade de instantaneas não teem som proprio, e por isso, vindo no fim, se despegarmos a lingua durante a emissão da voz, em vez de ter, diremos tere; em vez de tal, tale, etc.: o que é vicioso.
Ora assim como saud' não é portuguez, tambem o não são taes palavras acabando em e grave, que a consoante não representa nem a inflexão póde comprehender.
A respeito do l, uma indicação podeis fazer muito clara e proficua, ao vosso alumno, e é que deixe a lingua pegada ao céo da bôca. Por um dos muitos mysterios da palavra, assim se profere elegantemente o l final, ou posterior á voz.
Não temos apresentado letras dobradas por falta de occasião; não, por systema. É um facto de observação que o principiante não se embaraça com isso, como ides ver.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; vertical-align:top" | l
li li leu lu
lu lo lu
la ta bi la
la lla
lla fi lla
lá lá lli
vil fel el tal
tal val
úl pel
al al
fal vol
pol pal
pal de |}
Estas notas são escritas ao correr da impressão; e, recebendo agora do Porto a primeira folha (que em Lisboa nem de graça, como chegámos a offerecer a um editor notavel, demais a mais poeta e prosador, conseguimos a publicação desta curiosidade) vemos nessa folha que na segunda lição, onde se trata da combinação do v com as vogaes, dissemos que vos podieis demorar na leitura de cada letra sem distincção, por serem todas igualmente prolongaveis. Assim é: mas esqueceu-nos advertir que haja cuidado em não separar a inflexão da voz; senão, basta a minima pausa para terdes de as ajuntar depois, o que vem a dar na mesma que soletrar. A advertencia era por ventura escusada.
No ensino individual, que é só onde temos experimentado este systema, com os resultados previstos (em lições manuscritas imitando letra redonda) costumamo-nos collocar a um canto da mesa, mais o alumno, elle dum lado á esquerda e nós do outro; pomos-lhe a lição diante convenientemente; e emquanto, nas primeiras quatro lições, percorremos com o ponteiro pela parte de cima as letras da palavra, imol-as simultaneamente pronunciando. Ora como do intervallo das letras naturalmente se abstrahe, nem esse intervallo é apreciavel na marcha do ponteiro, a palavra afigura-se aos olhos do principiante como uma pequena escala, cujas notas se vibram na sua ordem natural.
E o que é a leitura senão a pronúncia successiva dos elementos simples ou compostos, certos ou incertos da palavra escrita? Por isso é que a leitura é a verdadeira soletração; porque só na leitura se dá aos caracteres o seu justo valor.
Ha duas soletrações, a antiga e a moderna. A soletração antiga vai chamando as letras pelos seus nomes, para apresentar depois, não a somma desses nomes, mas a somma dos valores dessas letras. Esta soletração é absurda, e desmoralisa o raciocinio do principiante. Como quereis vós que uma alminha, ainda com aquella luz tão pura que traz de Deus, entenda que cê, agá, á, junto, sommado, é xá?!
Isto será ensinar a ler, mas é ao mesmo tempo embrutecer. Ora mil vezes antes analfabeto que idiota.
Porem esta soletração, que aliás reina em Portugal e seus dominios, está condemnada. A outra, a soletração moderna que procede por valores, é incomparavelmente superior; mas ou é inexequivel ou escusada.
Modernamente, como se soletra chá? Deste modo: x', á, xá. Mas se o alumno sabe, pelo conhecimento das regras ou por intuição, o valor hypotetico de ch, lê igualmente xá; e se não sabe, não pode soletrar á moderna. É claro.
Daqui resulta que a soletração é a leitura. Ensinemos as regras; e a pratica fará o resto.
Segue-se o k, pela ordem estabelecida; e como só o podemos apresentar em kilo, aproveitemos a occasião de exercitar o principiante no o final, ensinando-lhe que o o no fim vale u. Explicai-lhe o symbolo, se vos parecer: a curva ondeada indica as mais letras da palavra acabada em o, que faltam; as duas parallelas querem dizer vale.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; vertical-align:top" | k
ki |}
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; vertical-align:top" |
vo vi vo
vi jo jo
jo vo to
to to fo
a fo ba o
a lo llo
to do do
to pa o
lo pa vo
do bal o
lo bo do
vo lo do |}
Não tinhamos outra palavra conveniente senão kilo, onde apresentassemos o k, por ser esta consoante tão perfeita como rara.
Os gregos tinham uma inflexão irmã da que representa em portuguez o k, mas aspirada; e figuravam-na por certa letra bastante similhante ao k, e ainda mais similhante ao x.
Os romanos não tinham essa letra; e, como para elle c valia q, ajuntaram-lhe h para significar aspiração, e nas palavras gregas de origem, onde havia aquella inflexão guttural, escreviam ch com justificado motivo.
Mas isso, elles; nós só por imitação servil fazemos o mesmo; porque para nós nem o c vale q, e sim diversas inflexões; nem o h significa aspiração, que não ha em portuguez; nem ch tem valor definido. Quanto mais que em pontos de orthografia grega mais nos devia importar o grego que o latim; e se ha maneira de falsear aquella excellente orthografia é escrever dois caracteres representando um valor.
Donde resulta que em taes casos mais logica o etymologicamente se devera escrever k. Todavia, recebendo esta letra na adopção do systema metrico uma especie de cunho official, nem as graças do poder lhe valeram a benevolencia dos sabios: continúa em kilo (significando mil) a ter curso forçado; mas já em chylo (succo de alimentos digeridos) insistem os sabios a escrever ch, tendo a palavra igual origem e identica pronuncia.
É uma especie de antipathia, áquelle excellente caracter, que não se póde attribuir ás suas quatro pernas. A mesma França, que toda se empenha em disfarçar no apparato scientifico os absurdos da sua orthografia, expulsa o k de palavras a que elle pertencia par droit de naissance; reserva-o para os termos arabes; e nos proprios de origem grega escreve ch valendo, note-se, ora k ora x. Primores da coherencia etymologica!
Mas o alumno espera-nos. Ao k seguia-se o q segundo o nosso plano; mas já sabemos que esta consoante, embora certa, offerece circumstancias absurdas: servirá pois de introducção ás consoantes incertas; e vamos entretanto a outras regras sem excepção, em respeito a vogaes.
Ensinámos na lição passada que o final vale u. Ensinemos agora que ou vale ô.
Nas provincias do norte diz-se amôu, comprôu; mas em Coimbra, Lisboa e no mais Portugal não se profere tal ditongo. Escreve-se ou, mas o u é mudo, e o o soa como em avô.
Este é o facto e, por consequencia, a lei fundada, não diremos na melodia que é relativa, porem no uso mais autorisado e aliás mais vasto.
Com isto não queremos dizer que em tal ou tal logar, onde reine sem contradicção aquella variante, o professor se empenhe em arrancar aos seus discipulos talvez um hábito invencivel. A toada é singularmente ingrata a ouvidos estranhos e illegítima; porém não é essencial que os filhos do povo fallem classicamente; o essencial é fazel-os quebrar o circulo da animalidade e dar-lhes, por meio da leitura e da escrita, o horisonte infinito do homem. Em parte onde convier, exercitai-os no ditongo.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; vertical-align:top" |
vô
vou a ou
vi vou vi jou
dou tou ou
bou ou
pou a pou
pou lou
llou lli ou
a fou ou
ou a ou
ou do lou
lou lou
pou pou
pou |}
Já na lição passada nos referimos ao ditongo ou, usado nas provincias do norte, e que bem se póde ter por vicioso. Agora diremos que nas provincias do sul cerceiam o delicado ditongo ei, dizendo em logar de lêi lêito dêi dêitêi, simples e desengraçadamente lê lêto dê dêtê. Tambem é vulgar nestas provincias mé pai, té primo; e não menos, jantí andí cantí, em vez de meu pai, teu primo, jantêi andêi cantêi.
Não imaginamos circumstancias que recommendem ao mestre contemplação alguma com essas crassas deturpações da lingua. Os mais rudes acceitam a emenda sem escandalo, e sem surpreza, lembrados duma ou outra pessoa culta que tem ouvido.
Mas voltando ao êi, objecto especial desta lição, bom é notar que esse ditongo nem sempre é expresso, mormente na orthografia antiga. Os antigos escreviam regularmente têa fêo cêa recêo: os modernos escrevem geralmente mais conforme a pronuncia. Seja como fôr, o estylo da lingua não admitte o ditongo êo êa; e em taes casos, esteja o i expresso ou não, ha de se ouvir o ditongo êi antes da voz final.
A razão popular, ainda mais que as academias, tende sempre a racionalisar a orthografia ajustando-a com a falla; e por isso, como já indicámos, hoje o mais ordinario é escrever-se feio receio teia aldeia. E ainda bem. Mas o que parece equívoco da parte dalguns autores é escreverem, por exemplo grangeiar receiar, porque em certas vozes (do presente do indicativo, imperativo e conjuntivo) de similhantes verbos soa êi. Sempre ouvimos dizer cêio e recêio; mas ainda não ouvimos dizer cêiêi e recêiêi. O i, que o estylo da lingua insinua naquellas vozes, é um accidente do verbo e não o mesmo verbo na sua forma primitiva. Se as alterações que soffrem as vogaes durante a conjugação dos verbos devessem figurar no infinito, não havia modo de os escrever. Escrever, por exemplo; segundo e, grave; escrevo, segundo e, agudo: velar, e, grave; velo, e, aberto; vele, e, agudo (o mesmo da primeira syllaba).
E sem fallarmos nos casos em que até as consoantes variam, como nos verbos acabados em gar e car, aqui se mostra que a lingua portugueza não guarda nos derivados a prosodia radical, por outra, que não é uma lingua etymologica, como era a latina: assim como não é uma lingua metrica, com syllabas longas e breves, como o latim; e assim como não é uma lingua declinavel, com sete, oito, nove, dez e mais formas do mesmo nome, pronome ou adjectivo, como havia no latim. Ora não sabemos que traços mais profundos de divergencia pode separar uma lingua de outra. Em que se fundam pois os argumentos de analogia com que o pedantismo nos tem sempre querido impor a orthografia latina? Bem fez a Hispanha que importando-lhe mais os seus grandes interesses, do que os embaraços do filologo em descobrir a origem e significação de Cristo escrito sem h, tem hoje a mais perfeita orthografia do mundo. E nisso se podem fundar boas esperanças da enorme civilisação que espera aquelle generoso povo, tantos seculos á espessa sombra da monarchia.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; vertical-align:top" |
dê lê
dei lei tei
pei vei
a lei fei
fei fei o
dei dei
dei bei
bei bei
bei bei
dei-a dei-o
vei vei
fei fei
lei lei
pei tei |}
Não tratamos aqui dos valores da letra e.
Tratamos das vozes similhantes que essa letra representa; que são quatro: e agudo, que se exprime no proprio nome dessa vogal, é; fechado, de que fallámos na lição antecedente, dê, dêi; aberto, que não tendo signal especial em portuguez, muitas vezes figura com o mesmo agudo, por exemplo, bello, pés: e ha um outro, de todos o menos parecido com o agudo ou nome da letra, chamado grave, do qual já tivemos occasião de fallar.
Este e, que mal podemos declarar por escrito, mas que o ouvido distingue perfeitamente, é frequentissimo no principio, no meio e no fim de palavras; mas tambem frequentemente mal proferido, e até supprimido, mormente no fim.
Pondo nisso especial cuidado; não deixeis o vosso discipulo dizer fal' em logar de falle, assim como lhe não deixeis dizer vile em logar de vil, papele em logar de papel, etc. Basta contar as syllabas, e não o deixar fazer, de duas, uma; e de uma, duas.
Ha numa linguagem viciosa não sabemos que mostras de má educação ou de rudeza. Devemo'-nos empenhar o mais possivel em aperfeiçoar o estylo dos nossos discipulos.
E voltando ao e aberto, que não tem signal especial, cumpre notar que se encontra nos classicos, muitas vezes, esse e com um accento opposto ao agudo, desta fórma: prègar, prègador (palavras que precisavam de especificação, pois ha tambem em portuguez, com e grave, pregar e o derivado pregador). Não o applicavam os autores, ou pelo menos os typografos, systematicamente; como faziam a todos os demais signaes; porem os modernos, em vez de o aproveitar convenientemente, aboliram-no. D'ahi resulta escrever-se pé e pés, sé e céo, com uma orthografia excellente para enganar quem lê.
Não se póde confundir o e de pes, plural de pé, com o de péz, cerol (ou de pé, que é o mesmo): tambem se não póde confundir com o de pê (nome vulgar da letra p); e muito menos com o e grave.
Temos portanto, não fallando no grave, tres especies de ee bem accentuados na pronuncia (pès, pé, pê), que de facto se querem accentuar na escrita; mas, empregando-se nesse intento apenas dois signaes, por força algum e se havia de confundir com outro.
E assim succede. Quando o autor receia que leiam zelo (verbo), escreve zélo; e quando receia que leiam zelo (nome), escreve zélo: escreve sempre o mesmo. E como havia elle de escrever melhor? Escrevendo zêlo (nome) e zélo (verbo)? Errava em ambos os casos; no primeiro, onde não soa o e de pê; e no segundo, onde não soa o e de pé. Tomando a responsabilidade daquella apparente innovação indo aos antigos buscar um signal desusado? É claramente o melhor recurso. Mas vamos ao nosso e grave, que é o que mais nos importa.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; vertical-align:top" |
ve ve ve
te a de
pe pe te
de de
le le te
te de fe
fe lle lle
ve te
te a pe
lle de
pe pe
pe pe
ve ve
le de |}
Ao k segue-se a sua irmã na pronuncia e última das consoantes certas, o q: mas com esta já principiam as grandes inexactidões na escrita e os equivocos faceis na leitura.
Não se escreve q sem u; mas esse u, com e, i, quasi nunca se lê.
É a regra que podemos estabelecer. D'ella podemos tirar o seguinte dictame:
Visto qúé qúí valer quasi sempre qé qí, lendo-se d'este modo, quasi sempre se acerta.
Aconselhai o discipulo nesta conformidade; sem embargo de o deixardes ler uma ou outra palavra como está escrita, para ver que não faz differença essencial, e que embora leia ficuêi fícue, facilmente percebe o seu engano, e até se intende o que diz.
O alumno estranha com razão estas anomalias. Em satisfação á sua intelligencia bom é dizer-lhe (o que temos por certo) que antigamente lia-se sempre o u depois do q; com o tempo algumas palavras mudaram, continuando-se todavia a escrever do mesmo modo. Nem haja dúvida em accrescentar que, se a palavra mudou na pronuncia, devia mudar na escrita; e que uma vogal que se não lê não se devia escrever.
Se cada letra valesse um elemento da palavra fallada, nada mais facil que aprender a ler. A lingua portugueza reduz-se a trinta e seis elementos; para decifrar toda a nossa imprensa, bastaria fixar e distinguir trinta e seis caracteres. Quem não teria essa capacidade e paciencia?
Infelizmente, á parte os methodos, e a insufficiencia dos mestres que geralmente nas escolas são os mesmos discipulos, sobejam letras inuteis, letras dum valor commum, letras de valor múltiplo, combinações quasi fantasticas: e os proprios signaes, que haviam de marcar o tom da vogal, d'uns ha falta, d'outros sobra, e n'outros dúvida por desacôrdo nos autores, e quasi sempre no mesmo autor.
A este respeito diremos que em portuguez temos vogaes nasaes, agudas, fechadas, abertas e graves; ás quaes por sua ordem correspondem, e muitas vezes se applicam, os seguintes signaes:
{|style="margin:0 auto" | |- |style="padding-right:0.5em; vertical-align:top" |nasal ou til |style="padding-left:0.5em; vertical-align:top" colspan="5" |(~) de ordinario supprido por m, n: |- | |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |mão, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |mente, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |minto, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |monte, |style="padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |mundo; |- |style="padding-right:0.5em; vertical-align:top" |agudo |style="padding-left:0.5em; vertical-align:top" colspan="5" |(´) |- | |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |má, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |meu, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |mia, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |mó, |style="padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |amuo; |- |style="padding-right:0.5em; vertical-align:top" |circumflexo |style="padding-left:0.5em; vertical-align:top" colspan="5" |(^) |- | |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |amei, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |amei, |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |... |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |amou, |style="padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |... |- |style="padding-right:0.5em; vertical-align:top" |aberto |style="padding-left:0.5em; vertical-align:top" colspan="5" |(`) |- | |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |... |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |mèta (baliza) |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |... |style="padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |... |style="padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" |... |}
A este signal chamam os francezes grave; e á sua imitação muitos nossos, mas impropriamente, porque nunca se usou nas vogaes que nós chamamos graves similhante signal nem outro algum. Essas vogaes são, por exemplo, as últimas das seguintes palavras:
E aqui chamamos grave o a, que chamámos fechado, a páginas 11. Veremos a razão disso.
{|style="margin:0 auto" | |- |style="font-size:175%; padding:0; vertical-align:top" | q {|style="width:100%" | |- |style="width:20%" | |style="width:60%; padding-right:0.5em; padding-left:0.5em; text-align:center; vertical-align:top" | |style="width:20%; font-size:57%; padding-left:0.5em; text-align:right" |= ke ki |} que quei
que quei
a quei que
a que quei
que que
que que
a que
a quei
que
que
qui qui
qui ta qui to
qual
qua da |}
É evidente que havendo consoantes certas e incertas, n'um methodo, se havia de começar pelas certas. Ora conhecidas e combinadas pelo nosso discipulo essas dez consoantes, que na ordem alfabetica são: