Breves palavras sobre a cultura da Oliveira
Part 2
Para o nosso paiz costuma avaliar-se, em media, em 6 a 7 e 5 a 6 kilos respectivamente o pezo de folha e de lenho perdido annualmente por uma oliveira; e em 9 kilos o peso da sua producção em fructo.
A composição centesimal das diversas partes da arvore é, segundo Müntz, a seguinte:
Lenho Folhas Fructos Azoto 0,40 0,50 0,274 Acido phosphorico 0,10 0,29 0,130 Potassa 0,35 0,74 0,360 Cal 0,50 1,45 --
Se toda a quantidade de lenho, folhas e fructos extrahidos da arvore forem levados para fóra do olival, produzir-se-ha um exgotamento que, para os numeros 7, 6 e 9 acima indicados como representando o numero de kilos d'estes materiaes perdidos annualmente por cada arvore, se poderá computar no seguinte para cada individuo:
Lenho Folhas Fructos Total Azoto 0,024 0,035 0,024 0,083 Acido phosphorico 0,006 0,020 0,012 0,038 Potassa 0,021 0,051 0,032 0,104
indicando estes numeros o pezo em kilos para cada arvore.
Para as 156 arvores existentes no hectare teremos:
Lenho Folhas Fructos Total Azoto 3,74 5,46 3,74 12,94 Acido phosphorico 0,93 3,12 1,87 5,92 Potassa 3,27 7,95 4,99 16,21
São estas as quantidades de elementos essenciaes perdidas annualmente pelo terreno e que é necessario restituir-lhe para não prejudicarmos a cultura.
Sob diversas fórmas e em substancias differentes se podem ministrar aos terrenos aquelles elementos.
Quer debaixo da fórma de adubos chimicos preparando para isso uma formula em que entre o azoto, o acido phosphorico e a pottassa nas percentagens indicadas n'estas tabellas, quer em estrume de curral ou em estrumações verdes se podem encorporar no solo aquelles elementos, que de todas as fórmas as suas vantagens se assignalam de uma maneira mais ou menos notavel.
Vantagens ha as sempre para a planta na execução d'esta operação; mas a sua grandeza varia sempre com a natureza do terreno a adubar e com a qualidade do adubo a empregar. Claro está que no que mais necessario se torna fixar a attenção é nos resultados economicos e esses são os que mais fazem variar as vantagens dos differentes systemas de adubar.
No caso em questão, em que supponho que todas as partes tiradas das arvores foram levadas para fóra do olival e em que, portanto, se roubaram ao terreno 12k,94 de azoto, 5k,92 de acido phosphorico e 16k,21 de potassa, precisaria, no caso de me querer servir dos adubos chimicos, da seguinte formula:
Sulphato de ammoniaco Superphosphato Cloreto de potassa 65k a 20% 37k a 16% 34k a 50%
Estas seriam as adubações que theoricamente seria necessario dar a um hectare de oliveira; ha, porém, sempre a contar com as perdas soffridas por diversas causas, entre as quaes avulta o arrastamento de algumas d'essas substancias pelas aguas das chuvas. O azoto, por exemplo, é uma substancia que, quando nos estados em que pode ser absorvido pela planta, é muito facilmente arrastado pelas aguas. Além d'isso devemos ter em conta que nem todos os elementos serão absorvidos pela planta, porque nem a todos os pontos em que se espalhar essa adubação chegarão as suas radiculas para os absorver totalmente.
Attendendo a estas circumstancias que inhibirão a planta de aproveitar a adubação na sua totalidade, convirá sempre augmentar um pouco as quantidades calculadas com o auxilio das analyses chimicas.
Disse no principio do presente capitulo que para determinar racionalmente a adubação conviria a presença das analyses chimicas da planta e do solo.
Effectivamente, como já expuz, a analyse da planta diz-nos as quantidades das diversas substancias de que ella carece annualmente, mas não nos prova que seja necessario ministrar ao solo todos esses elementos, e só n'este ultimo caso é que ella seria dispensavel.
Muitas vezes os terrenos pela sua riqueza em determinado ou determinados elementos dispensam a encorporação, no solo, d'esses mesmos elementos.
É preciso, porém, certo criterio ao lidar com as tabellas que nos indicam a composição do solo.
Algumas vezes acontece indicar-nos a analyse a existencia de um dos elementos em proporções elevadas e no entanto a cultura agradecer-nos uma adubação em que entre este elemento.
Com o azoto, por exemplo, dá-se algumas vezes este caso; este corpo não póde ser utilisado pela planta senão no estado mineral (nitrico ou ammoniacal) podendo comtudo existir no terreno em grandes quantidades sob a fórma de azoto organico. Evidentemente a planta cultivada n'este terreno não se poderá utilizar de tamanha riqueza de azoto, e uma adubação azotada ser-lhe-ha vantajosa, a não ser que se provoque n'esses terrenos uma nitrificação mais energica que obrigue este azoto a passar á fórma mineral.
É nos terrenos pobres em cal que se dá este caso e então a addição de um correctivo calcareo, mais barata que a adubação azotada, substituirá esta com manifesta vantagem.
O estrume de curral fornece-nos um meio bastante economico de adubarmos o terreno. Este adubo ao sahir da estrumeira, onde previamente tenha sido bem tratado, apresenta-nos a seguinte composição media, por tonelada: azoto 4k,7, acido phosphorico 3k,0, potassa 5k,2, o que, para as quantidades d'estes elementos calculadas para a adubação d'um hectare, mostra serem precisos, em numeros redondos, 4:000k d'este adubo attendendo á elevada percentagem de potassa indicada na analyse da oliveira.
Deve ter-se em consideração que ha sempre conveniencia em incorporar no solo grandes quantidades de materia organica, sobre tudo se este for muito compacto ou muito solto, porque esta substancia modifica-lhe as suas propriedades physicas approximando-as cada vez mais das terras francas.
D'aqui a conveniencia de se augmentar a quantidade de estrume de curral, não sendo exagero o emprego de 6:000 a 7:000 kilos por hectare.
Nas terras soltas a modificação da sua cohesão não é a unica causa que milita em favor do adubo de curral. Ahi o seu pouco poder de retenção para as aguas sujeitar-nos-hia a grandes perdas do azoto nitrico ou ammoniacal que lhe fornecessemos em adubações chimicas.
Convem então o emprego do azoto organico e é o estrume de curral o melhor meio de o obtermos.
Podem-se ainda empregar na adubação o estrume constituido pelas algas que tão abundantes são na nossa costa.
Têm estas plantas riquezas muito apreciaveis para nos poderem dar um adubo cujo emprego é muito vantajoso, sobre tudo nas localidades proximas dos rios e mares onde se exerce a industria da sua extracção, porque ahi são mais convidativos para o agricultor os preços de transporte.
Em media, a composição centesimal das nossas algas é a seguinte: azoto 1,143, acido phosphorico 0,670, potassa 1,125.
Para com esta qualidade de estrumes se adquirirem as quantidades d'aquellas substancias, necessarias ao olival a que me venho referindo, seriam precisos simplesmente 1:600 kilos por hectare.
Como para o estrume de curral, aconselha-se empregar sempre maior quantidade do que a referida. É de 3:000 kilos a quantidade aconselhada por alguns auctores, a qual nos dá as seguintes quantidades de: Az. 30k, KHO 30k e Ph^{2}.O^{5} 21.
Adubações verdes
Uma grande variedade de plantas se costumam empregar como adubos e em algumas d'ellas a sua riqueza em potassa e acido phosphorico torna-as muito recommendaveis. As mais empregadas são: as urzes, giestas, polipodio; as folhas de faia, carvalho, pinheiro, abeto e videira; as palhas de trigo, centeio, cevada e aveia, etc.
Os calculos do exgotamento das arvores, feitos no principio do presente capitulo, revelam-nos á primeira vista a conveniencia de encorporarmos novamente na terra a rama extrahida natural ou accidentalmente das oliveiras. Assim restituimos por meio d'ella, ao solo, os elementos que ella mesma lhe tinha roubado. Reparamos d'esta maneira, em parte, as perdas soffridas que ficam reduzidas simplesmente aos materiaes que entram a constituir o fructo, os quaes para a producção supposta se reduzem a: 3k,74 de Az., 1k,87 de Ph^{2}O^{5} e 4k,99 de KHO por hectare. Este _deficit_ será depois preenchido com adubos de qualquer outra natureza; ou da mesma natureza, trazendo para isso, para o olival a rama proveniente de outro olival.
Para a restituição completa dos elementos perdidos, serão precisos 20 kilos por arvore ou 3120 por hectare em cada anno.
Não se deve, porém, fazer esta adubação annualmente, mas sim de tres em tres annos, o que dá para um hectare, 9260k de rama que é preciso enterrar.
Esta adubação é de grande utilidade em terrenos compactos e humidos, porque os torna mais fôfos e estabelece ao mesmo tempo uma especie de drenagem, que permitte uma facil circulação do ar no solo, um escoamento mais facil ás aguas das chuvas, e provoca ao mesmo tempo o desenvolvimento e multiplicação das raizes.
O liquido separado do azeite no acto da prensagem ou que escorre das tulhas, no caso aliás muito pouco racional de se submetterem as azeitonas á condemnada pratica do entulhamento, é ainda um adubo excellente para o olival.
Porque vai prejudicar as radiculas da planta, não póde este liquido ser empregado sem um previo tratamento, que consiste em o submetter a uma maceração mais ou menos prolongada em agua, a que se addicione algum adubo de curral.
As qualidades d'um adubo n'estas condições, já de si boas, augmentam ainda quando a elle se addicionam os bagaços provenientes do lagar.
A oliveira agradece muito as adubações feitas com os residuos das fabricas de curtimenta de couros, com a raspadura de ossos, pontas e unhas de animaes.
Na escolha dos differentes adubos indicados convem sempre ter em vista que á oliveira não convem ordinariamente adubos de prompta decomposição. Só os empregaremos no caso em que só pretendamos prover ao desenvolvimento vegetativo da arvore.
Estes adubos só vão ser gastos em proveito da vida vegetativa, e d'aqui o adquirir a planta um grande vigor que redunda em manifesto prejuizo para a producção.
Se quizermos empregar estes adubos, convém, antes de os encorporar no terreno, mistural-os com folhas ou palha, ou ainda com terra solta, para lhe attenuarmos os seus rapidos effeitos e tornal-os, por este modo, mais aproveitaveis á fructificação.
Esta mistura deve ser bem feita, de modo a reduzir-se tudo a uma massa homogenea.
São preferiveis os adubos de decomposição mais lenta, para que a arvore os vá aproveitando gradualmente á medida das suas necessidades. Estão n'estes casos os adubos provenientes das raspaduras, as varreduras das habitações, dos caminhos e das estradas, tendo sobre os primeiros a vantagem de serem empregados tal qual são adquiridos, dispensando a sua mistura com substancias extranhas.
As cinzas de diversas plantas, só por si ou misturadas com os adubos já indicados, são adubos muito uteis n'esta cultura.
Epocha do emprego do adubo
A epocha para se empregar qualquer adubo varia muito com o clima, com a natureza do solo e com o estado do adubo.
Para um adubo de facil decomposição, convem o seu emprego na primavera, para que a planta d'elle se approprie sem dar muito tempo a qualquer perda.
Pelo contrario, os adubos de lenta decomposição empregar-se-hão no outomno para que tenham tempo de se decompôr e incorporar com as particulas terrosas e estarem aptos a serem absorvidos no momento preciso, sobretudo na epocha da fructificação.
Modo de emprego
Da maneira de administrar o adubo dependem muito os seus resultados.
Condemnavel processo é o de excavar fossas junto do tronco da arvore, com a falsa ideia de que o adubo ahi lançado é melhor utilisado pela planta. Com isto prejudicam-se muito as arvores porque se lhes cortam raizes grossas e porque se expõem por algum tempo á influencia dos agentes atmosphericos.
O melhor modo de empregar o adubo é cavar uma fossa circular em volta da arvore e á distancia de 1m a 1m,5 d'ella; lança-se ahi o adubo, cobrindo-o depois com terra. A essa distancia da arvore são muito abundantes as radiculas, as quaes, por intermedio dos seus pellos radiculares, farão gradualmente a absorpção dos alimentos.
CAPITULO III
Propagação da oliveira
De muitas maneiras se póde obter a propagação da oliveira, mas todas ellas se podem conglobar em dois systemas differentes.
Um d'esses systemas é aquelle em que se emprega a semente para, pela sua germinação no terreno, se obterem novos individuos: é a _reproducção_; o outro consiste em se destacar de uma arvore um fragmento em determinadas condições, o qual, enraizando na terra, dará origem a um novo individuo; é este systema o chamado de _multiplicação_.
A--Reproducção
Esta forma de propagação é muito pouco seguida devido á demora que têm as plantas reproduzidas em fructificar.
Em todo o caso, a compensar o inconveniente da demora em se obter uma planta em condições de fructificar regularmente, tem este systema muitas outras vantagens que o recommendam como o melhor processo de propagação.
As plantas obtidas por sementeira são muito mais duradouras, adquirem melhor porte e resistem muito mais ás inclemencias do clima e ás doenças do que as obtidas por multiplicação.
Para se obterem plantas por esta forma, necessario é dispender grandes cuidados e a despeza é mais avultada do que para as obter por qualquer outro meio; ha sempre uma grande demora na germinação das sementes, e muitas vezes perdem-se grande numero d'ellas porque nunca chegam a germinar, a não ser que as submettamos a um tratamento previo, que as obrigue a germinar mais facilmente.
Além d'estes inconvenientes, as oliveiras provenientes da semente adquirem todos os caracteres das oliveiras bravas, precisando, por isso, serem enxertadas logo que attinjam edade e grandeza conveniente.
Para a sementeira devem-se escolher azeitonas provenientes de plantas sãs e muito productivas, que não sejam velhas, nem tão pouco muito novas. Diz _A. Aloi_ que as melhores são as provenientes de zambujeiros que vegetem em climas temperados, e que a sua colheita deve ser feita em março ou abril.
Adquirida a azeitona, é necessario extrahir-lhe o caroço, o que se faz esmagando a polpa entre os dedos; em seguida, como a camada oleosa que fica envolvendo o caroço é um grande obstaculo á sua germinação, submette-se este á acção de um liquido alcalino que poderá ser preparado com carbonatos de cal e soda.
A duração do periodo germinativo do caroço póde diminuir-se por varios meios estudados por _Gasquet_, _Passerini_ e pelo _conde de Gasparin_.
O processo d'este ultimo sabio consiste em fender o caroço com cuidado para não offender a semente, fazendo-o em seguida amollecer envolvendo-o em terra argillosa e bosta de boi.
Em logar de quebrar o caroço, _Passerini_ aconselha tornal-o menos consistente, mergulhando-o para isso em agua chlorada; o chloro ataca o caroço, rouba-lhe o hydrogenio para formar o acido chlorhydrico, e d'este modo permitte a entrada de humidade e a troca de gazes.
Algumas aves domesticas têm a propriedade de, comendo a azeitona, nos restituir depois, nos seus excrementos, os caroços aptos para germinar.
Alfobres
Adquirida a semente e destruida, por qualquer dos processos indicados, a difficuldade que a materia gorda oppõe á sua germinação, procede-se á sua sementeira em alfobres de antemão preparados para esse fim.
O terreno destinado aos alfobres deve ter uma inclinação norte sul para evitar a acção prejudicial dos ventos do norte e dar facil escoante ás aguas da chuva; deve ser o mais possivel limpo de raizes e pedras e bem mobilisado.
Quanto a sua qualidade deve ser humifero e silicioso.
O terreno escolhido n'estas condições surriba-se no inverno a uma profundidade de 0m,50 a 0m,60, adubando-se n'essa occasião com adubo de decomposição mediana. Em fins de Fevereiro e principios de Março dá-se-lhe uma segunda lavoura, que d'esta vez convirá ser feita á enxada para pulverisar melhor o terreno e para o despojar de todas as hervas que ahi se tenham desenvolvido. Por esta occasião o estrume que se lhe encorporou no principio do inverno deve estar já decomposto e a terra nas melhores condições para receber a semente.
Feito isto grada-se o terreno e abrem-se sulcos com a profundidade de 0m,05, distando 0m,25 uns dos outros.
É n'estes sulcos que se collocam as sementes distanciadas 0m,25 umas das outras, tendo o cuidado de as dispôr de modo que o embryão fique na sua posição natural. Isto feito cobrem-se com uma ligeira camada de terra que se calca com um rolo para aconchegarmos bem a semente; segue-se uma rega ligeira por aspersão para manter o terreno fresco e ajudar o effeito do rolo.
Quatro mezes depois, nos meados de julho, surgirão as novas plantas. Durante todo este tempo é necessario ter o alfobre sempre limpo da vegetação expontanea e deve manter-se sempre na terra uma certa frescura. As regas e as limpezas feitas com muita precaução são operações indispensaveis.
No outomno terão as plantas adquirido uma altura do 0m,11 a 0m,20 sendo n'essa occasião necessario effectuar uma sacha para manter o terreno fôfo e mais permeavel á agua das regas.
Em localidades em que os invernos são habitualmente rigorosos é indispensavel cobrir o alfobre com qualquer substancia para o preservar do frio intenso que lhe é muito prejudicial. Empregam-se para isto agulhas de pinheiro seccas, palhas ou ramos de plantas.
No segundo anno continuam as regas e sachas repetidas para que as plantas desenvolvam bem as suas raizes. Em outubro d'este anno ou na primavera seguinte estão as plantas aptas para serem transportadas para o viveiro.
B--Multiplicação
Como disse, a multiplicação é um dos meios que a natureza nos fornece para obtermos a propagação da especie. Esta operação da multiplicação pode fazer-se por varias formas. As _estacas_, as _raizes_ e a _enxertia_ sobre zambujeiro constituem outras tantas maneiras de obtermos a multiplicação.
A _estaca_ que pode ser _simples_, _ramificada_ ou _composta_, de _talão_, de _polas_ e de _protuberancias_ constitue entre nós o meio mais seguido para a obtenção de novos individuos.
As estacas, _simples_ ou _compostas_, obtêm-se com muita facilidade e em grande abundancia, sem prejudicarmos em nada o individuo de que foram separadas, aproveitando os ramos provenientes da poda. Escolheremos de preferencia os ramos provenientes de plantas fructiferas e de boa qualidade, os quaes devem ser providos de boas gemmas tanto na parte que deve ser enterrada como na que tem de ficar fora do solo. Assim, nos asseguraremos melhor do facil desenvolvimento das raizes e dos rebentos.
Para as estacas simples cortam-se os ramos de poda em fragmentos de 0m,30 a 0m,50 e enterram-se no viveiro de modo a ficar debaixo da terra a sua parte mais grossa.
Para as estacas compostas aproveita-se um ramo tal como foi separado da planta mãe e enterra-se n'um viveiro preliminar de tal maneira que metade dos seus ramos fique debaixo do solo e a outra metade fique a descoberto.
Estas ramificações originarão, umas rebentos e outras raizes. D'aqui a faculdade de podermos mais tarde dividir esta estaca em muitos individuos.
No fim do primeiro anno terá esta estaca enraizado pelos ramos subterraneos e os ramos exteriores terão lançado os seus rebentos; arrancar-se-ha, então, com todo o cuidado para lhe não prejudicarmos as novas raizes e, por meio de uma secatoria, a dividiremos em um numero de partes egual ao numero de raminhos e transplantaremos estes novos individuos para o viveiro definitivo.
Nos bordos dos golpes crescem vergonteas em cuja base se observam dilatações dos tecidos motivadas pela accumulação de seiva. Estas vergonteas destacadas da arvore de modo a levarem comsigo essas dilatações e enterradas depois, enraizam muito facilmente. São estas as chamadas estacas de talões.
Na toiça da oliveira e sobre as suas raizes mais grossas que correm á superficie da terra, apparecem grandes dilatações d'onde emergem rebentos em grande numero, que se vão desenvolvendo á custa da planta mãe e das raizes de que quasi sempre são providos.
Estes rebentos fornecem-nos um meio muito facil e seguro da propagação da especie. Para esse fim vão-se desbastando esses rebentos de modo a deixar só os mais vigorosos; cobrem-se as dilatações d'onde provêm (polas) com terra, para que se possam prover de raizes aquelles que ainda as não tenham. Assim se deixam ficar até ao anno seguinte, sendo então transportados para o viveiro e ahi collocados em linhas á distancia uns dos outros de 0m,80.
Um outro methodo de multiplicação muito usado na Italia é o que consiste no aproveitamento de umas pequenas dilatações, similhantes a ovos de pata, localisadas na parte enterrada do tronco e ainda sobre as raizes mais grossas.
Estas protuberancias são providas de gemmas, tendo por isso a faculdade de quando enterradas desenvolverem raizes e rebentos para darem origem a novos individuos.
Não se deve abusar muito da extracção d'estas protuberancias, porque com isso prejudica-se a vida do vegetal de que são extrahidas, pelas feridas produzidas nas suas raizes e pelo grande numero d'estas que é necessario descobrir. _Antonio Aloi_ aconselha a que se não tirem mais do que 3 ou 4 de cada arvore para lhe não alterarmos sensivelmente a sua vida.
Convem antes sacrificar 3 ou 4 individuos á morte, extrahindo d'elles todas as excrescencias encontradas, que poderão montar a 300 a 400, do que descobrir as raizes a muitas oliveiras.
Estas excrescencias devem ser tiradas de individuos robustos e productivos, e preferem-se sempre os situados debaixo da terra, que são mais tenros e desenvolvem mais fortes rebentos.
Para fazer a sua extracção, escava-se em volta da cepa até pôr as raizes grossas a descoberto; procura-se sobre estas com uma espatula de madeira o sitio em que se encontram as exostoses; achadas estas, põem-se a descoberto e á volta d'ellas se vão fazendo incisões profundas, onde depois se mette um escopro por meio do qual se faz saltar a excrescencia.
Tira-se-lhes em seguida todo o lenho que com ellas se arrancou e as suas raizes, se por acaso d'ellas vier provida; limpa-se bem em volta, e envolve-se em terra misturada com palha, para a conservar até á epocha da plantação no viveiro.
Chegada esta epocha, que deverá ser em Março ou Abril, levam-se para o viveiro, onde serão enterradas, conservando entre si a distancia de 0m,80 e a profundidade de 0,10.
As oliveiras velhas cujos troncos, já muito carcomidos, não podem resistir ao impeto dos ventos ou das intemperies, são lançadas por terra e as suas raizes continuam ainda a viver por muitos annos.
Com o desapparecimento do tronco velho principiam a desenvolver-se na toiça grande quantidade de rebentos ou polas. Desbastam-se estes rebentos, deixando só os mais vigorosos, que ahi vão vivendo até adquirirem a grossura de 0m,03, sendo então transportados para o viveiro e ahi plantados á distancia de 0m,80.
A plantação de todas estas estacas pode ser feita com alguma vantagem em viveiros preliminares, como se faz para as estacas ramificadas ou compostas; n'este primeiro viveiro vão ellas enraizar para depois serem mudadas para o viveiro definivo. É, porém, dispensavel este primeiro viveiro, porque as estacas postas n'um só viveiro desenvolvem-se perfeitamente e adquirem o vigor necessario para serem plantadas definitivamente.
CAPITULO IV
Viveiro
A--Seu estabelecimento
Os individuos formados nos alfobres pela germinação da semente ahi deposta e os provenientes de estacas que tenham desenvolvido as suas primeiras raizes em viveiro preliminar, necessitam, depois de terem adquirido um certo desenvolvimento, serem transportados para um viveiro onde possam dispôr de mais espaço para desenvolverem e multiplicarem as suas raizes e os seus ramos e onde possam ser convenientemente educados até á edade de poderem ser transportados á sua definitiva morada.