A viagem da Índia: poemeto em dois cantos
Chapter 2
Ainda o mesmo genio em nós palpita, O mesmo sangue, em nossas veias, corre; Somos o rijo povo, que não morre! Pois, se morto parece, resuscita!
LXXI
E a raça, que ascendeu a tal grandeza, Não póde figurar entre as nações, De mãos ligadas, amarrada e presa, Á columna das proprias tradições.
LXXII
Tem de viver no tempo indefinido, Em voz alta affirmando o seu direito De povo, que entre os povos escolhido, Aos povos, seus irmãos, impõe respeito.
LXXIII
E tu, que és mãe bondosa, patria amiga, Sê madrasta cruel, altiva e dura, A todo o filho que de ti mal diga... Nem descanço lhe dês de sepultura!
LXXIV
Pois não merece a luz que o allumia, E que o berço lhe veste de esplendor, Quem o nome de patria pronuncia, Sem, lá no fundo, estremecer de amor!
LXXV
Lá vae a barca d'oiro, enfeitiçada! Lá vae a deslumbrante caravela! Leva o Gama, de pé, junto á amurada, E uma cruz escarlate em cada vela!
LXXVI
Lá vae a Barca-Sonho, rio em frente! Pobre quem, dentro d'alma, não a vir! Se leva a gloria do passado ingente, Leva, tambem, a esperança no porvir!
Acabou de imprimir-se
Aos 24 dias do mez de agosto do anno
M DCCC XCVI
NOS PRELOS DA
Imprensa Nacional de Lisboa
PARA A
COMMISSÃO EXECUTIVA
DO
CENTENARIO DA INDIA
End of Project Gutenberg's A viagem da Índia, by José Fernandes Costa