Part 26
Para os theologos medievaes, _justificar_ significa tornar justo; para os reformadores significa declarar justo. Para aquelles é uma operação que se faz durante um certo tempo; para estes é um acto momentaneo, é um acto da livre graça de Deus, pelo qual Elle perdoa todos os nossos peccados e nos acceita como justos a Seus olhos. Para aquelles é uma obra de purificação do peccado, uma obra de santidade; para estes é a formação de um juizo, ou, como os theologicos dizem, um acto _forense_. Os reformadores viram que os theologos medievaes empregavam a palavra justificação no sentido mencionado, e trataram de apresentar a sua outra significação. E justificaram esse seu procedimento dizendo que o sentido que deram ao termo é o que o Novo Testamento lhe dá, pois que o emprega na accepção de acto, de sentença, de juizo, e nunca na de obra.
O primeiro contraste não é, portanto, entre a justificação medieval e a doutrina da Reforma, mas entre a doutrina reformada da justificação pela fé e a que lhe corresponde na Egreja medieval. Justificação, na theologia reformada, quer dizer o acto de perdoar e de acceitar como justo; corresponde a essa doutrina, na egreja medieval, a da absolvição dada pelos padres, pois que era o unico modo como poderia ser concedido o perdão dos peccados.
=A absolvição clerical e a justificação pela fé.=—Segundo a theologia da Edade Media, o perdão divino do peccado tinha sempre de ser proferido por um sacerdote. Quando o penitente se confessasse e se mostrasse arrependido, tanto por palavras como por actos, o padre tinha auctorização para pronunciar a sentença absolutoria, e essa sentença era acceite como sendo proferida pelo proprio Deus, pois que o clero era o orgão mediante o qual, e sómente mediante o qual, Deus perdoava.
Luthero e os outros reformadores viram que o padre que se suppunha occupar o logar de Deus e fallar em nome de Deus commettia acções impias, e a consciencia disse-lhes que, em vista de similhante facto, o perdão do padre não podia ser o perdão de Deus. Luthero viu que um homem, munido de um certificado de indulgencias, ia ter com um padre e recebia perdão sem mostrar arrependimento quer por palavras quer por obras, sem que, apparentemente, sentisse tristeza alguma no seu coração. Viu que os padres pretendiam ser a trombeta de Deus, e que concediam perdão em certos casos em que elle seria negado por um Deus justo e santo.
Luthero e os seus amigos tinham presenciado ou ouvido fallar de casos em que o perdão de Deus havia sido recusado quando um Deus misericordioso o teria concedido. Uma successão de papas havia castigado a cidade de Strasburgo com uma interdicção pelo facto de ella ter tomado uma attitude na politica allemã que não era do agrado da côrte pontificia, e durante todo esse tempo não podia ser proferida uma palavra de perdão a qualquer peccador contricto e arrependido. Os padres perdoavam quando Deus não perdoava, e recusavam perdoar quando Deus estava prompto a conceder o Seu perdão.
Luthero, vendo isto, e sabendo como havia sido perdoado por confiar simplesmente nas promessas de Deus, declarou que o peccador pode ir ter directamente com Deus, pezaroso por haver peccado e cheio de confiança nas promessas de Deus, e obter d’Este o perdão. Asseverou que a não ser que se alcance primeiramente o perdão de Deus, o do padre não tem valor algum, e que, depois de se alcançar o perdão de Deus, o do padre é inutil. O perdão alcançava-se indo ter com Deus, e não indo ter com o padre e ouvindo d’elle a absolvição. A doutrina protestante da justificação mostra o direito de accesso a Deus para Lhe rogar perdão, e declara que padre algum está auctorizado a interpôr-se entre Deus e o peccador arrependido. Deitou por terra a doutrina medieval de que o perdão divino só pode ser alcançado mediante a absolvição clerical, e de que o peccador arrependido não se deve prostrar aos pés de Deus mas deante do confissionario.
=Justificação pela fé e justificação pelas obras.=—Segundo a theoria medieval, antes de o perdão ser obtido pela fórma ordinaria, mediante a absolvição sacerdotal, era indispensavel confessar os peccados, mostrar contricção e fazer penitencia. Na confissão o peccador deve mencionar ao padre todos os peccados que commetteu desde a ultima vez que se confessou, e n’este catalogo de peccados não se deve faltar a um só pormenor. Peccado algum pode ser perdoado sem que se tenha feito menção d’elle. A confissão deve ser mecanicamente completa. Em seguida á confissão vem a contricção, ou a dôr por haver offendido a Deus, e esta, segundo a doutrina medieval, deve manifestar-se de certos modos esteriotypados que a Egreja tem sanccionado. Depois, e só depois, é que é possivel a absolvição, quer dizer, o perdão.
A Egreja da Edade Media collocava duas coisas entre o peccador e o perdão divino proferido pelo sacerdote: uma completa confissão, mecanicamente feita, em se que fizesse menção de todos os peccados cujo perdão se desejava, e uma contricção manifestada de certos modos estabelecidos, taes como a recitação de um grande numero de orações, a abstenção da comida, etc., e a absolvição dependia da automatica integridade da confissão e da contricção.
Os reformadores tinham a convicção de que o peccado era uma coisa séria de mais para que o seu perdão dependesse de uma completa confissão, e de uma contricção exteriormente manifestada. Deus perdoava por amor de Christo, não em virtude de uma completa confissão ou de uma perfeita contricção. Declararam, por consequencia, que, posto que o peccador deva confessar os seus peccados, e esforçar-se seriamente por se conservar no caminho da obediencia, o perdão depende da soberana graça de Deus, revelada em Christo.
Tornou-se-lhes evidente a necessidade de derrubar os obstaculos que a Egreja medieval havia erguido entre Deus e o homem, e que eram constituidos pela confissão mecanica, e pela contricção, ou penitencia. O arrependimento sincero, o arrependimento do coração, é que era de grande importancia, porque abrangia confissão, contricção e confiança; e Deus, á vista d’estas coisas, perdoava por amor de Christo.
Justificação pela fé, portanto, significa que o peccador contricto pode dirigir-se immediatamente a Deus, confiando na consummada obra de Christo, e alcançar o perdão sem a intervenção de padres ou de uma serie de rotineiras ceremonias. Deus perdoa em attenção áquillo que Christo fez, não em attenção áquillo que nós possamos fazer; e, desde que o perdão se alcança mediante a obra de Christo, e não pelo nossos esforços, pode ser, e é, dado no principio da carreira christã, não sendo necessario esperar penosamente por elle até ao fim, como uma doutrina de justificação pelas obras implicaria.
A doutrina da justificação pela fé, segunda columna da theologia reformada, provém de aquelle anhelo pela approximação de Deus, ponto de apoio da Reforma. Significa que o peccador que se sente arrependido, e tem confiança nas promessas de Deus, pode ir immediatamente implorar-Lhe o perdão e obtel-o sem interferencias clericaes e sem o cumprimento de praticas mecanicas.
=Conclusão.=—A Reforma, que foi uma grande revivificação da religião, tendo por base principal o anhelo pela presença de Deus, a Quem só era possivel chegar-se mediante o arrependimento e a confissão, acompanhados de plena confiança nas Suas promessas, aconselhava, pois, os crentes a terem communhão com Elle por intermedio da Biblia, e a rogarem o perdão prostrados junto do escabello de Seus pés, e derrubou as barreiras que foram erguidas pela Egreja politica da Edade Media em frente da livre e soberana graça de Deus. A nova espiritualidade que animava os reformadores e os seus adherentes tinha, alimentada pela Palavra de Deus, e ensinada pelo Seu Espirito, desabrochado por todos os lados, dando logar a uma theologia reformada, onde a doutrina da predestinação substituiu a theoria da communhão com Deus por intervenção do papa e dos seus bispos onde a theoria dos sacramentos foi purificada pela doutrina do Espirito Santo, onde as Escripturas arbitravam em todas as controversias, e onde o perdão era proferido por Deus, e não pelo homem; e em todas as suas ramificações se encontra como idéa predominante o sacerdocio espiritual conferido por Deus a todos os crentes.
SUMMARIO CHRONOLOGICO
Acontecimentos contemporaneos
1493-1515.—Jan. 12, Maximiliano I. Imperador. Por sua morte ficou como vice-rei Frederico, o Sabio, da Saxonia (1480-1525).
1499-1535.—O eleitor Joaquim I (Nestor) de Brandenburgo.
1500-1539.—O duque Jorge da Saxonia.
1509-1547.—Henrique VIII de Inglaterra.
1515-1547.—Francisco I de França.
1518-1567.—Filippe, o Magnanimo, de Hesse. (Nasc. em 1504).
1519.—Junho, _Carlos V, (Rei de Hespanha desde 1516)_—27 de Agosto de 1556, _Imperador da Allemanha (fall. em 1558)_.
1519-1566.—O sultão Suliman I.
1519-1521.—Fernando Cortez descobre e conquista o Mexico.
1520.—Magalhães faz uma viagem de circumnavegação.
1521-26.—Primeira guerra entre Carlos V e Francisco I.
1525.—Batalha de Pavia.
1526.—Paz de Madrid.
1523-33.—Frederico I da Dinamarca.
1523-60.—Gustavo Vasa, da Suecia.
1525.—Alberto de Brandenburgo (fall. em 1568); chefe dos cavalleiros allemães; duque da Prussia, sob o dominio polaco.
1525-32.—O Eleitor João, o Constante, da Saxonia (irmão de Frederico, o sabio).
1526.—Ago. 29: Luiz, rei da Hungria e da Bohemia, morre em Mohacz, em combate com os turcos.
O seu successor, Fernando de Austria (Em Out., rei eleito da Bohemia), tem de defender os seus direitos á Hungria, em detrimento dos turcos.
1527.—Saque de Roma.
1527-29.—A segunda guerra entre Carlos V e Francisco I; Paz de Cambrai, em Agosto de 1529.
1527.—Henrique VIII de Inglaterra procura divorciar-se de Catharina do Aragão (tia de Carlos V); 1529, Wolsey cae no desagrado; o chanceller Thomaz More.
1529.—Set. a 14 de Out.; Suliman põe cerco a Vienna.
1531.—Fernando de Austria, rei dos romanos; opposição da Baviera e Saxonia.
1532.—Ago. de 1547, João Frederico o Magnanimo, Eleitor da Saxonia, fall. em 1554.
Henrique VIII divorciado, pelo parlamento, de Catharina de Aragão; Nov. desposa Anna Boleyn.
1534.—O duque Ulrico de Würtemberg é rehabilitado por Filippe de Hesse.
1535.—Joaquim II, Eleitor de Brandenburgo.
1536-38.—Terceira guerra entre Carlos V e Francisco I.
1538.—A convenção de Nice: dez annos de treguas.
1541-53.—O duque Mauricio da Saxonia; recebeu o titulo de Eleitor em 1547.
1541.—Dieta em Regensburgo; Suliman submette os hungaros ao seu dominio.
1542-44.—Quarta guerra de Carlos V com Francisco I; a Paz de Crespi.
1542.—Dieta de Spira; união contra os turcos.
1544.—Dieta de Spira; reconhecimento dos protestantes; tudo em socego, na expectativa de um Concilio Geral.
1545.—_Reformatio Wittenbergensis._
1546.—Segunda Conferencia Religiosa em Regensburgo; 18 de fev., Luthero morre em Eisleben; os protestantes não apparecem na Dieta.
1546-47.—A guerra de Schmalkald; 19 de jun. liga entre Mauricio e o imperador; 20 de jul., decreto contra João Frederico e Filippe; 27 de out., Mauricio é nomeado eleitor; 24 de abr., batalha de Mühlberg, ficando prisioneiro João Frederico; Filippe entrega-se em Halle; o imperador falta á sua palavra.
1547-59.—Henrique II de França; desposa Catharina de Medici; fallece em 1589.
1547-53.—Eduardo VI de Inglaterra: nasc. em 1537.
1553-58.—Maria (a Sanguinaria) de Inglaterra.
1554.—9 de jul., Mauricio morre n’uma batalha perto de Sievershausen, contra Alberto, Margarve de Brandenburgo.
Fernando é batido pelos turcos na Hungria.
1555-98.—Filippe II de Hespanha.
1556-64.—_Fernando I, imperador._
1558-1603.—Isabel de Inglaterra.
1559-60.—Francisco II de França (casado com Maria da Escocia)
1560-74.—Carlos IX de França.
1560-78.—Maria, rainha dos escocezes; executada em 1587.
1564-76.—_Maximiliano II, imperador._
1574-89.—Henrique III de França.
1576-1612.—_Rodolpho II, imperador._
1558-1648.—Christiano IV, rei da Dinamarca.
1589-1610.—Henrique IV de França, tornou-se catholico romano em 1593; assassinado por Ravaillac em 14 de Maio de 1610.
1598-1621.—Filippe III de Hespanha.
Egreja Lutherana
1517.—Out. 31. MARTINHO LUTHERO (nascido em 10 de Nov. de 1483, em Eisleben; 1497, estudando latim em Magdeburgo; 1499, em Eisenach (Frau Cotta, f. em 1511); 1501, em Erfurt; 1505, mestre de artes; 17 de Julho, entrou para o convento doa agostinhos, em Erfurt; 1508, professor em Wittenberg; 1510, em Roma; 19 de Out. de 1562, doutor em theologia) pregou 95 theses contra o abuso das indulgencias na egreja do castello de Wittenberg. Contra-theses de João Tetzel, compostas por Conrado Wimpina.
1518.—Silvestre Mazzolini de Prierio: _Dialogos in proesumptuosas M. L. Conclusiones de potestate Papae; Resp. ad Silv. Prier._, de Luthero.
26 Abril, Luthero na Polemica do Heidelberg.
Ago.: Citado para comparecer em Roma.
25 Ago.: Melanchthon em Wittenberg.
13-15 de Out.: Luthero em Augsburgo, perante o cardeal Thomaz Vio de Gaeta: sua appellação _a papa male informato ad melius informandum_.
Nov.: _O sacramento da Penitencia_, de Luthero.
1519.—Jan.: Entrevista de Luthero com Carlos de Miltitz, camarista do papa, em Altenburgo; Treguas.
27 de Jun. a 16 de Jul.: Polemica em LEIPSIC: (i) entre Eck e Carlstadt, sobre a doutrina do Livre Arbitrio; (ii) entre Eck e Luthero, _De primeto Papae_.
A controversia já não é sobre pontos de theologia ecclesiastica; abrange toda a roda dos principios ecclesiasticos. Ruptura com a christandade romana.
A doutrina do sacerdocio de todos os crentes.
A liberdade christã e o direito do juizo particular.
Sermões de Luthero sobre os sacramentos do arrependimento e do baptismo, e sobre a excommunhão.
Pedido para que na Ceia do Senhor se fizesse uso dos dois elementos.
1520.—Abril: Ulrico v. Hutten (n. em 21 de Abr. de 1488, f. em 29 de Ago. de 1523); Dialogo: Vadiscus, ou a Trindade Romana; 15 de Jun., Bulla de excommunhão contra 41 proposições de Luthero; o prazo de 60 dias para retractação; 23 de Jun., a obra de Luthero, «Aos fidalgos christãos da nação allemã, Sobre a reforma de um Estado christão»; Out. _De Captivitate Eccles. Babylonic._; _De libertate Christiana_ (sobre a libertação do christão); 10 de Dez.; A queima da bulla pontificia.
1520.—17 e 18 de Abr., =Luthero na Dieta de Worms=; 26 de Abr., retira-se de Worms; Março 3 a Maio 4 de 1522, em Wartburgo (Em Dez. principio a traducção do N. T.)—Tratados: _Sobre a Penitencia_, _Contra as missas particulares_, _Contra os votos clericaes e monacaes_, _O commentador allemão_.
26 de Maio, Edicto de Worms, falsamente datado do 8 de Maio.
28 do Maio, Decreto Imperial contra Luthero.
Junho: Carlstadt contra o celíbato.
Out.: É abolida a missa em Wittenberg, pelos frades agostinhos (Gabriel Didymus).
Dez. As innovações de Carlstadt.
25 de Dez.: A Ceia do Senhor nas duas especies.
27 de Dez.: Os prophetas em Wittenberg.
1522.—Fev.: Tumultos em Wittenberg contra as imagens e as pinturas.
7 de Maio: Luthero novamente em Wittenberg.
9-16 de Maio: Sermões contra o fanatismo.
Julho: _Contra Henricum regem Angliæ._
Set.: Fica prompta a traducçao do N. T. (a Biblia completa em 1534).
Dez.: Dieta em Nürnberg. Os Cem aggravos dos estadas allemães, em resposta ao Breve de Adriano VI, de 26 de Nov.
1522-23.—A Reforma vence na Pomerania, na Livonia, na Silesia, na Prussia, no Mecklenburgo; na Frisilandia Oriental desde 1519; 1523, em Frankfort sobre o Maine, em Hall, na Suabia; 1524, Ulm, Strasburg, Bremen, Nürnberg.
1523.—1 de Jul., Henrique Voes e João Esch (agostinhos) são queimados em Bruxellas; os primeiros martyres.
Gustavo Vasa estabelece a Reforma na Suecia (Olaf e Lourenço Petersen, Lourenço Andersen).
7 de Maio, assassinio de Sickingen; revolta dos nobres, suffocada pelos principes.
Luthero: =Da Ordem do Culto Publico=: Dec.: _Formula Missæ_ (A Ceia do Senhor _sub utraque_).
1524.—_O primeiro hymnario allemão._
Maio a Jun. de 1525, A GUERRA DOS CAMPONEZES; os camponezes são massacrados em Frankenhausen. (Os doze Artigos de João Henglin).
1525.—Jan.: Luthero, _Contra os prophetas celestiaes_.
Maio: Exhorta os principes e os camponezes a conservarem a paz, com commentarios sobre os Doze Artigos. Depois: _Contra os camponezes que roubam e assassinam_.
13 de Junho, Desposa Catharina von Bora.
Tendencia conservadora da Reforma Lutherana; separação de elementos reformatorios.
1525.—Dez.: Luthero, _De Servo Arbitrio_ (a mais estricta predestinação supralapsariana) contra Erasmo, Διατριβὴ _de libero arbitrio_, Set. 1524.
1526.—Maio 4: Liga, em Torgau, entre Filippe de Hesse e João, o Constante, a que adheriram em Junho, em Magdeburgo, outros principaes evangelicos.
Junho 26, Liga, em Dessau, de principes catholicos romanos do sul da Allemanha.
Junho e Julho, Dieta em Spira «Em materias de religião cada Estado deve conduzir-se de uma maneira digna para com Deus e para com Sua Magestade Imperial.»
Out. 20, Synodo em Homberg; Ordem ecclesiastica de Besse, instituida por Francisco Lambert (nasc. em 1487, em Avignon; Franciscano; em 1525 fugiu para a Allemanha; 1527, professor em Marburgo; fallec. em 1539); incondicional independencia da communidade christã, e estricta disciplina ecclesiastica.
=Luthero.=—Missa allemã; ordem do culto publico.
Frederico I da Dinamarca adhere á doutrina lutherana. (João Tausen, em Jütlandia desde 1524).
1527.—Livro de Inspecção, de Melanchthon; Gustavo Vasa propõe a Reforma á Dieta em Westeräs.
Frederico I da Dinamarca, na Dieta de Odensee, dá á religião reformada privilegios eguaes aos que a catholica romana tem.
1528.—Otto V. Informações dadas por Pack ácerca de uma Liga Catholica romana formada em Breslau, em 1527; a Reforma propaga-se na Noruega.
1529.—26 de Fev., =Dieta de Spira=; 12 de Abr., a decisão da maioria catholica romana dos Eleitos e Principes «Quem quer que tem imposto o Edicto de Worms deve continuar a fazel-o; os demais não devem permittir mais innovações; a ninguem se deve impedir celebrar missa.» 19 de Abr., concordam com ella as cidades.
PROTESTO: 25 de Abr. Appello dirigido ao imperador e ao Concilio pela Saxonia, Hesse, Brandenburgo, Anhalt, Lüneburgo, e quatorze cidades.
Separação entre os protestantes lutheranos e os do sul da Allemanha; Luthero oppõe-se a uma resistencia armada; Zwinglio planeia a abolição do papado e do imperio medieval; Philippe de Hesse diligenceia promover a união.
1-4 de Out.—Conferencia religiosa em Marburgo (Luthero, Melanchthon, Zwinglio, Œcolampadius, Justo Jonas, Osiander, Brenz, etc.); 4 de Out., união em quatorze artigos, divisão no quinquagesimo—O Sacramento da Ceia. _Zwinglio_: «Não ha na terra homens com quem eu mais gostosamente me identificaria do que os de Wittenberg.» _Luthero_: «Vós tendes um Espirito differente do nosso.»
16 de Out., Luthero no convento de Schwabach; 30 de Nov. em Schmalkald; a Saxonia separa-se dos outros estados do sul da Allemanha.
1530.—=Dieta de Augsburgo=; 15 de Jan. entrada do imperador; infructiferas negociações com os principes evangelicos para os induzir a incorporar-se na procissão de Corpus-Christi; 20 de Jun., abertura da Dieta; 25 de Jun. é lida a Confissão de Augsburgo (3 de Ago., é lida a Refutação); 11 de Jul., é lida a Confissão Tetrapolitana (em 17 de Out. a Refutação) e a _Fidei Ratio_, Zwinglio; 16 a 29 de Ago. Negociações com Melanchthon, em que elle mostra muito pouca firmeza.
19 de Nov. Decreto da Dieta. Depois d’Abril de 1531, suppressão violenta do protestantismo.
1531.—Liga protestante de Schmalkald: á frente d’ella, Hesse e Saxonia.
1532.—Dieta de Nürnberg: tolerancia até haver um Concilio Geral.
Dessan adopta a Reforma.
1534.—O Würtenburgo abraça a Reforma Lutherana.
1536.—A concordata de Wittenberg; Melanchthon Bucer; a _Ceia do Senhor_ conforme o lutheranismo; evita-se que tomem parte n’ella os indignos e os incredulos; _Baptismo_; _Absolvição_; escondem-se os pontos em voz de se explicarem.
Victoria da Reforma na Dinamarca.
1537.—Convenção de Schmalkald; os Artigos de Schmalkald.
1538.—Liga Catholica Romana em Nürnberg.
1539.—Victoria da Reforma na Saxonia Ducal, e no Brandenburgo Eleitoral.
1540.—Junho: Conferencia em Hagenau.
25 de Nov. a 14 de Jan. em Worms (Granvella, Melanchthon, Bucer, Capito, Brenz, Calvino, Eck, Cochlæus).
1541.—27 de Abr. a 22 de Maio, conferencia em Regensburgo (Contarini, Melanchthon, Bucer, Eck), a questão da Transubstanciação.
1542.—Nicolau V. Amosdorf, bispo de Naumbugo.
1544.—Dieta de Spira; reconhecimento dos protestantes; tudo em socego, na expectativa de um Concilio Geral.
1545.—_Reformatio Wittenbergensis._
1546.—Segunda Conferencia Religiosa em Regensburgo; 18 de fev., Luthero morre em Eisleben; os protestantes não apparecem na Dieta.
1546-47.—A guerra de Schmalkald; 19 de jun. liga entre Mauricio e o imperador; 20 de jul., decreto contra João Frederico e Filippe; 27 de out., Mauricio é nomeado eleitor; 24 de abr., batalha de Mühlberg, ficando prisioneiro João Frederico; Filippe entrega-se em Halle; o imperador falta á sua palavra.
1543.—Reforma no arcebispado de Köln; Hermann V. Wied, o arcebispo, é avisado por Bucer e Melanchthon; excommungado em 1546; abdica em 1547; fall. em 1552.
1548.—15 da maio, o Interim de Augsburgo conserva as hierarquias, ceremonias, festividades e jejuns da Egreja Catholica Romana; casamento dos clerigos e Ceia do Senhor _sub utraque_.
1548.—Interim de Leipsic (Mauricio da Saxonia e Melanchthon).
1551.—Vehemente desejo do imperador de que os protestantes se submettam ao Concilio de Trento; Liga clandestina de Mauricio da Saxonia com Henrique II de França.
Out.: Embaixadores do Würtemburgo, e jan. de 1552, embaixadores saxonios em Trento.
1552.—20 de mar., Mauricio põe-se em fuga; 19 de maio, apodera-se do castello de Ehrenberg, e da Passagem de Ehrenberg, as chaves do Tyrol; dissolve-se o Concilio; julho: Tratado de Passau; João Frederico e Filippe ficam livres.
1555.—25 de set. _Paz religiosa de Augsburgo_; a Egreja Lutherana fica com os mesmos direitos legaes da Catholica Romana: _Cujus regio ejus religio; o Reservatum ecclesiasticum_; a Egreja Reformada não é reconhecida.
1558.—Disputas entre os antigos lutheranos (Gnesiolutherani) e os discipulos de Melanchthon.
1560.—Morto de Melanchthon, 19 de abril.
1586-91.—Embaraços cripto-calvinistas na Saxonia eleitoral; supressão do calvinismo; execução de Krells, em 1601.
_A Egreja Lutherana perde:_
(_a_) Em favor da Egreja Catholica Romana
1558.—A Baviera.
1578.—O ducado da Austria (Rodolpho II).
1584.—Os bispados Würzburgo, Bamberg, Salzburgo, Hildesheim, etc.
1594.—Steiermark, Carinthia (Fernando II).
1607.—Donauwerth.
(_b_) Em favor da Egreja Reformada
1560.—O Palatinado; 1563, o Catecismo de Heidelberg (Reformado sob Frederico III; Lutherano sob Luiz VI, 1576-83; Reformado sob Frederico IV, 1583-1618).
1568.—Bremen.
1596.—Anhalt (João Jorge, 1587-1603); revogação do Systema Consistorial e do Catecismo Lutherano; 1597-1628, Artigos Calvinistas.
1605.—Hesse-Cassel, que estava sob o dominio do Landgrave Mauricio (1592-1627).
1613.—O Brandenburgo, que estava sob o dominio do Eleitor João Sigismundo 1614, _Confessio Marchica_.
_Anti-Trinitarios_
_Miguel Servetus_, da Aragão; 1530, em Basiléa; 1531, _De Trinitatis erroribus_; 1534, em Lyons; 1537, em Paris; 1540, em Vienna; 1553, _Christianismi restitutio_; 1553, queimado em Genebra.
_Valentinus Gentilis_, da Calabria; decapitado em Berne, em 1556.
_Laelius Socinus_: nasc. em 1525, em Veneza; 1547, percorre a Suissa, a Allemanha e a Polonia; fall. em 1562, em Zurich.
_Faustus Socinus_: nasc. em 1539, em Siena; 1559, em Lyons; 1562, em Zurich; 1574-78, em Florença, e depois em Basiléa; 1579-98, na Polonia; fall. em 1604.—_De Jesu Christo servatore: De Statu primi hominis ante lapsium_, 1578.
1605.—Catecismo Racoviano.
Egreja Reformada