He Fell in Love with His Wife

Chapter 2

Chapter 23,780 wordsPublic domain

     Nenhuma outra matéria, como a língua, envolve e invade tanto a personalidade do aluno, diz Chubb, in The Teaching of English. Nenhuma outra exige mais infusão de poder pessoal. "Your work must be personalized. Your preparation must be conceived of as the building of a personality."

     A matemática e as ciências são impessoais, mas a literatura e a composição lidam com a substância da vida e do caráter, com a emoção e com o pensamento. "Avoid the personal and you sterilize the subject."

     O ensino da língua reflete-se no que o aluno escreve. O que compõe é uma expressão dele, uma revelação dele, uma disciplinação dele.

     Ao professor, a delicada e minuciosa incumbência de o orientar, no conjunto, reencaminhar nos desvios, incentivar nas pesquisas, moderar nos exageros, provocar oportunamente, reforçar, no que está fraco. Toda uma obrigação apostolar, que exige vocação e paciência, tato e constância, argúcia e força de convicção.

     O que ele maneja, diz ainda Chubb, não é uma simples inteligência ou um simples talento, mas um caráter, uma personalidade.

     Saiba, pois, guiar e animar o aluno, no convívio diário da realidade - cenas da vida, da sociedade, coisas do meio ambiente; na pesquisa da ciência, e do passado - através de outras disciplinas, como a história e a geografia. Mas, principalmente, no conturbérnio literário, na frequência e amor dos autores e das obras. Para que, em tudo, na realidade de cada hora, nas descobertas da leitura e do estudo, vá ele sabendo discernir, vá ele sabendo definir as coisas e definir-se diante delas, tudo exprimindo numa elocução conveniente, - naquela linguagem correta, facil, educada, viva, natural, tonalizada, fecunda, expressiva, que ao mestre incumbe, missionariamente, ensinar-lhe.

     Que o professor excite e desenvolva, pela suscitação do interesse, no aluno, o gosto e o hábito de ler, porque o melhor campo, onde aprender o bom uso e o bom estilo, são ainda as obras primas da literatura.

     Que a elocução se vire numa capacidade em que ele seja habilmente destro.

     E que se vá ele formando, munindo, para a vida, diante da qual saiba colocar-se, numa atitude em que se traduza o caráter, a cultura, a excelência moral, o gosto estético, as qualidades todas que façam dele pessoa capaz, para si mesmo, e útil, para a sociedade.

     Bem sei que teorizar é fácil e realizar é difícil. Sobretudo com o nosso desaparelhamento e desequilíbrio. Mas, na relatividade do possível, o esforço deve ser feito, com o intuito e o intento no ideal.

     Armem o aluno de gosto pela boa leitura. De expediente, na exploração dos mestres da literatura. De exercício, na faculdade da elocução. De capacidade para ver e sentir as coisas... E ele falará e escreverá bem. Porque ele saberá ser, diante da vida.

     É velho, - mais do que velho, eterno, - o conceito de Boileau:

                 "Ce que l'on conçoit bien s'énonce clairement,                  et les mots pour le dire arrivent aisément."

     Conceito, que Horácio vasou em outras palavras, quando disse, tão antes de Boileau:

                 "Cui lecta potenter erit res,                  Nec facundia déseret hunc, nec lucidus ordo".                  (Quem fala de assunto em que é capaz,                  fá-lo com eloqüência e ordem lúcida).

A escritura ou representação de pensamento

     A origem da linguagem perde-se na caligem dos tempos. Como principiou o homem a entender-se com outro homem é cousa que a ciência não pôde com provar.

     A glotologia tem retrogradado, em verificações mais ou menos demonstradas e demonstráveis, até alguns milhares de anos, no passado da humanidade. O estudo comparado das línguas avançou admiravelmente, numa desramificação ou simplificação retrocessiva dos idiomas, até longe, nos primórdios da atividade do homem, tudo com uma inclinação muito provável para a unidade de origem do sublime dom da palavra. A caminhada é cheia de hipóteses, como a grande suposição de um tronco comum para as línguas indo-européas, semíticas e camíticas, tronco que não pôde ser encontrado. São três vastos galhos com uma direção de convergência para um imaginado ponto. Mas ponto que não foi verificado. E os três galhos perdem-se no espaço e no tempo, com o ângulo de convergência escondido na escuridão de um outrora longínquo, até aonde não chegou a luz da ciência, na sua marcha maravilhosa pelo passado a fora. Marcha admirável que conseguiu catalogar as 860 línguas do Atlas etnográfico de Balbi, estudando-as mais ou menos completamente enxertando-as nos seus ramos naturais e orientando estes ramos no sentido da desejada e cientificamente ainda hipotética unidade da linguagem humana, em sua origem.

                 NOTA - O Atlas etnográfico de Balbi registra 860 línguas e 5000 dialetos,                  com a seguinte distribuição: Ásia, 153. Europa, 53; África, 115; América,                  422. [Espasa]}.

     Marcha feita em um século de pesquisa e ansiedade cultural, porque não data de mais de um século o desenvolvimento da glotologia, como ciência. Até o século 19, o estudo do assunto não alcançara mais do que ensaios, hoje vistamente pueris, em que se tentava filiar as línguas européas ao hebraico, por causa da Bíblia.

     É verdade que já, em 1585, um mercador florentino, Filippo Sassetti, notara parecenças entre palavras italianas e palavras sânscritas. No século 17, missionários jesuítas, como o italiano Roberto de Nobili da Montepulciano, estudavam cuidadosamente o sânscrito. E o padre Coeurdoux, numa memória encomendada por Barthélemy, em 1768, mostrava as afinidades que existem entre o grego, o latim e o sânscrito.

     Mas Menéndez y Pelayo reivindica para o jesuíta espanhol Hervás y Panduro a paternidade da glotologia. Expulso de sua terra, o padre Hervás retirou-se para Roma, onde se entregou ao estudo das línguas, fazendo pesquisas sobre 300 (trezentas) delas e escrevendo gramática de 40 (quarenta). Teria sido o primeiro que fugiu do hebraico e que viu a parecença entre o grego e o sânscrito. Publicou seus trabalhos entre 1787 e 1800. Note-se, de passagem, que a memória de Coeurdoux, lida em 1768, só quarenta anos mais tarde foi publicada.

     Depois que o sânscrito entrou em conta, nos estudos comparativos, a glotologia tomou impulso e muniu-se de seriedade científica. Ao longo do século 19, desfila uma plêiade de pesquisadores como Schlegel, Bopp, Pott, Grimm, Maury, Benfey, Burnouf, Diez, Max Müller, Bréal, Littré, Brachet, Clédat, Brunot, Suchier, Meyer Lübke, Gaston Paris, Paul Regnaud, Darmesteter, Carolina Micaelis, Adolfo Coelho, Pacheco Júnior, Gonçalves Viana, Ribeiro de Vasconcelos, João Ribeiro e tantos outros. (Lista tomada a Ernesto Carneiro Ribeiro - Serões gramaticais).

     Sobretudo na Germânia, se aclimou extraordinariamente a nova ciência, em que se especializou, naquele país, uma geração incansável de estudiosos que hoje se respeitam por autoridades, apesar da original arremetida, contra todos eles, do escritor português Nobre França, na sua obra intitulada A filologia perante a história [2 ed. 1918].

     Guilherme Jones e Sehlegel, estudaram o grego, o latim e o sânscrito (1808). Frederico Bopp, em 1833, publicou a monumental Gramática comparada das línguas indo-européias. Grimm continuou no sentido de Bopp, descobrindo as leis fonéticas da linguagem (1848). Schleicher (1862), Curtius e Schnutt (1872) fizeram estudos importantes. E as pesquisas continuaram e continuam: Max Müller, alemão, que professou em Oxford, Hovelacque, Meyer-Lübke, professor jubilado da universidade de Bonn, Trombetti, etc:

     Para lá do que a lingüística pôde verificar, ficam as hipóteses e, muito para além, aquela que supõe os sentimentos do homem primitivo manifestando-se por meio de gestos, de interjeições onomatopaicas e monossilábicas, as quais, aos poucos, se foram complicando em articulações e palavras.

     Cheia de conjecturas é também a origem da representação escrita do pensamento. A necessidade de transmitir a idéia a um companheiro ausente, o desejo de fixá-la, objetivamente, como lembrança para mais tarde ou como documento da própria vaidade e afirmação diante dos vindouros, foram as causas que suscitaram, ao engenho humano, expedientes de tradução do próprio pensamento, das próprias façanhas, da própria religiosidade, do próprio totemismo.

     A objetivação visual do pensamento evolveu da síntese para a análise. J. L. de Campos, em estudo sôbre a "Evolução na arte de escrever" (In Rev. da Líng. Port.)) reduz a cinco, as fases da gráfica.

     1. Fase figurativa. O homem desenha, com a sua habilidade relativa, o que quer exprimir. É a imagem da pessoa, do animal, do objeto.

     2. Fase alegórica. A imagem deixa de valer só pelo que representa, para significar o que sugere e simboliza. No hieroglifo egípcio, o leão é a coragem; o gavião, a divindade; o olho, a vigilância, etc.

     3. Fase ideográfica. Na grafia pictórica, a significação restringe-se para alguma qualidade do ser, numa convenção que vai deformando o objeto representado, até o reduzir a um mero sinal. Em vez do boi todo, só a cabeça. É a fase ideográfica. São os hieroglifos egípcios e hititas, os cuneiformes assírios e persas, a ideografia chinesa e azteca, etc.

                 (NOTA - Os chineses têm mais de 60.000 sinais, exprimindo uma idéia cada                  um. Uma vida de homem não basta para escrever, com perfeição, o chinês.                  [Espasa]}.

     A escritura figurativa era uma necessidade mnemônica, sem influência da razão nem da conciência. A alegórica influenciou-se preponderantemente pela imaginação. E na ideografia, entraram a memória, a imaginação e a razão. Tudo com progresso intensivo do arbítrio e da inteligência.

     4. Fase silábica. Com a representação da idéia, a correlação existente entre o sinal gráfico e sua pronúncia foi despertando a atenção. O valor sônico foi apagando o simbólico e animando a palavra... e a escrita se tornou fonética. O homem foi descobrindo a identidade e comunidade de sons, nos vocábulos, que aumentavam sempre mais, e os foi catalogando pela identidade da representação gráfica. Começou a empregar-se o ideograma silábico. Egípcios e chineses.

     5. Fase alfabética. Esta análise ou dissecção dos valores sônicos, nas expressões vocais, aperfeiçoou-se e, alguns pares de séculos antes de Cristo, as palavras começaram a ser representadas por sinais gráficos de valor nítido, sinais definidamente evocativos dos vários fonemas. Era o ALFABETO.

     Complicado, ainda, entre os egípcios, coube ao espírito prático dos fenícios a simplificação dos símbolos gráficos de que necessitavam para seus expedientes comerciais.

     A tradição atribue aos mercadores de Sídon e Tiro, a invenção do ALFABETO.

     As cinco fases de J. L. de Campos, aqui por mim livremente resumidas, nada mais são do que as 4 fases evolutivas de Burggraff. (Ap. E. C. Pereira, Gram. hist.).

     São elas:

     I - A fase da escrita figurativa.      II - A fase da escrita simbólica ou hieroglífica.      III - A fase da escrita ideográfica.      IV - A fase da escrita fonética.

     Apenas J. L. de Campos desmembrou a última em (1) silábica e (2) alfabética.

     Os substituidores da ideografia pelo silabismo foram os primeiros fonetistas.

     Aos primeiros tacteios desses fisiologistas da palavra se deve O FATO MAIS IMPORTANTE DA HISTORIA DA CIVILIZAÇÃO. (Berger, Hist. de l'écriture dans 1'antq. - Ap. Espasa).

     A origem do alfabeto fenício tem sido explicada por uma simplificação da escritura hierática dos egípcios. Mas James Gow aventa as hipóteses mais modernas de uma influência dos hieroglifos hititas (hititas, antigo povo da Síria) e principalmente de uma escrita ainda não decifrada, que se empregava em Creta, ali para 1500 a. C. (James Gow - Minerva - Introdução ao es tudo dos clássicos gregos e latinos - Adaptação francesa de Salomão Reinach).

                 (NOTA - Em estudo para o The National Geoographic Magazine,                  (traduzido pelo sr. Teófilo Ribeiro, Minas Gerais de                  agosto de 1933), diz o arqueólogo Cláudio Schaeffer:                  "A tradição tem atribuído aos fenícios o alfabeto. Hoje,                  porém, os hieróglifos cretenses, recentemente descobertos,                  as inscrições do Sinai e outras fontes, levam muitos                  historiadores modernos a abandonarem a crença de que foram                  os fenícios os que nos legaram o alfabeto.                  Era esta a situação quando, em maio de 1929, fazendo                  escavações na destruída cidade de Ras Shamra, ao norte da                  Síria, desenterrei algumas chapas ou placas de argila,                  escritas numa nova espécie de alfabeto cuneiforme, nunca                  antes encontrado. Esta informação, remetida à Academia de                  Paris, despertou o mundo científico.                  ...Estas chapas ou placas datam de 14º ou 15º século antes                  de Cristo." [Espasa]}.

     Seja como for, a nossa tradição alfabética se inicia com os gregos. E teria sido Cadmo quem introduziu o alfabeto na Grécia. Assim o querem Heródoto e as tradições. Cadmo, um fenício que se estabelecera na Beócia.

     Apenas, os gregos tiveram de inventar as letras vogais, ainda não existentes.

     Os fenícios, como os semitas, escreviam da direita para a esquerda. Os gregos escreveram alternando: da direita para a esquerda, e da esquerda para a direita - sistema chamado bustro fédon, (de boustrophedón: voltando sôbre os passos, como o boi, no arado). Mais tarde, adotaram a direção única que hoje temos.

     Parece que Homero não escreveu a Ilíada e a Odisséia. Seus versos imortais, ele teria deixado à tradição oral, que os trouxe, de viva voz, na boca dos aédos e rapsodos, até que os filhos de Pisístrato os reduzissem à primeira compilação escrita.

     Os latinos apropriaram-se do alfabeto grego. E os povos da Europa ocidental adotaram o latino. O alfabeto gótico - estilização de caracteres gregos - data do bispo ariano Úlfilas, que editou uma tradução gótica da Bíblia, no século 4°.

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     Algumas palavras ainda, sobre o material gráfico e a evolução histórica do seu uso.

     Heródoto, citado por Burggraff (Ap. E. C. Pereira, Gram. Hist.) diz que os jônios chamavam dífteras (peles) aos livros, porque eram escritos em peles de cabra ou carneiro, no tempo em que o byblos era raro. Byblos era o papyros dos próprios gregos ou o papyrus latino, planta das regiões pantanosas, marginais do Nilo. Para Teofrasto, porém, byblos era a planta, e papyros a película ou casca, a que chamavam liber os romanos. Ao papel fabricado com o papyros ou liber se denominava chartes pelos gregos e charta, pelos romanos.

     Já os egípcios pintavam, no papiro, os seus sinais, ou os gravavam em superfície lisa.

     Desde cedo, pois, se conheceram duas vias para a escritura: a seca e a úmida.

     Por via seca se têm feito gravações e se tem escrito a carvão, greda, almagra, chumbo, grafito. Os antigos se utilizavam de tabuinhas (códices) acamadas com gesso - donde o nome de álbum -, ou com cêra (pugillares, pinária, enchirídia) sobre as quais gravavam as letras com um estilo metálico (grapheion ou glypheion, dos gregos).

     A úmida generalizou-se depois de Alexandre Magno, com a utilização do papiro, do cálamo e da tinta, o atramentum librarium dos romanos.

     No tempo dos Tolomeus, foi proibida a exportação do papiro egípcio. Desenvolveu-se em Pérgamo, um novo costume e uma nova indústria: escrever sobre uma péle de carneiro, preparada, a membrana pergamena, donde, hoje, o nosso pergaminho.

     O pergaminho, mais encorpado, podia ser utilizado de ambos os lados. Daí nasceu o começarem as folhas a ser, não coladas, longitudinalmente para enrolamento (o rolo de papiro), mas coligadas em livros.

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     Com todas as dificuldades da confecção antiga, os livros muito se espalharam na Grécia e em Roma. Eram artigo de um comércio organizado. Adquiriam-se a fortes preços.

     Em Roma, no tempo de Cícero, havia editores a quem o autor vendia sua obra. E havia livrarias de comércio, principalmente no quarteirão chamado Argilétum, onde os bibliopolas anunciavam, em cartazes, as obras aparecidas.

     Bibliotecas, como a celebérrima de Alexandria, mostram até quanto subiu o gosto antigo dos livros.

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     As invasões bárbaras acabaram de arrasar a civilização romana.

     Não fora a Igreja, com seus mosteiros e seus monges, e a literatura clássica teria desaparecido, - não parcial, mas completamente -, nos incêndios, devastações, destruições, dos germanos e mais invasores.

     São Bento (480-543) é, por isto, um enorme benemérito da civilização, do humanismo, da humanidade. Ele e o monge Cassiodoro, que introduziram o costume e regra de copiar e reproduzir boas obras. Costume em que ficaram célebres mosteiros como o de Monte Cassino, perto de Nápoles, o de S. Columbano, perto de Gênova, tantíssimos outros, na Itália, na França, na Suiça, na Inglaterra, na Alemanha.

     E porque, na Idade Média, raro e caro se fez o pergaminho, foi adotado o processo de se raspar ou apagar a escritura de um texto, afim de, no lugar, se escrever outro. Era o palimpsesto ou pergaminho reescrito.

     Então, Plauto, Tito Lívio, Cícero, Horácio, etc. - coitados! - sofreram a desconsideração da raspagem, cedendo lugar a alguma cópia da Bíblia - o que se explica - ou à de algum qualquer autor religioso. O tratamento químico, moderno, destes palimpséstos, tem revelado que, muitas vezes, dois ou três textos se superpuseram no mesmo livro.

     Se o comum era apagarem-se textos clássicos que dessem lugar a textos cristãos, houve, contudo, exemplos em contrário. Há, na biblioteca de Florença, diz James Gow, a quem ando seguindo, um manuscrito de Sófocles, escrito em 1298, por cima de uma cópia uncial, da versão grega dos Setenta.

     Eu gostaria de saber o nome desse monge que desalojou a Bíblia, de um pergaminho, para nele vasar uma tragédia de Sófocles!

     E queria que Montaigne ou Erasmo o tivessem igualmente sabido!

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     No século 9º, com os árabes, entrou na Europa o papel de algodão, ainda muito caro. Outros tipos de fabricação baratearam o artigo. Foi grande, então, o impulso dado às letras, com o florescimento admirável e equilibrado do século 13.

     O cálamo foi substituído pela pena de ave, que a Alemanha vulgarizou no século 16. Em 1808, Bürger teve a idea de cortar a pena de ganso em vários pedaços ou várias penas, que eram adaptadas a canetas. E fez penas de metal que não foram aceitas. Em 1830, começou a usar-se, na Inglaterra, a pena de aço. E, em 1850, Blanckertz fundou, em Berlim, a indústria das penas de aço.

                 NOTA - Propositadamente deixei, de margem, a imprensa, com o Guttenberg.                  Não interessaria, propriamente, às questões da preocupação ortográfica,                  porque a imprensa reproduz; mecanicamente, um texto manuscrito.

Herdeiros de má herança

                 As escrituras antigas eram essencialmente fonéticas. Em latim,                  como em grego, cada símbolo gráfico correspondia a um som único                  determinado.

     Na fermentação longa e bárbara de que sairam as línguas novilatinas, houve sons que se abrandaram, sons que desapareceram e sons que apareceram. E a representação deles, na escrita, seguiu um caminho irregular de arbítrios e absurdos e caprichos individuais, a que a reação pós-renascentista veio complicar com a involução às formas latinas, num movimento que o arcadismo século 18 mais agravou.