A Filha do Arcediago Terceira Edição
Chapter 19
É lamuria de mais por uma cousa tão transitoria como a vida!... Eu devo ser superior a esta pouca materia que se dissolve no dia seguinte áquelle em que o espírito planisa mil prosperidades. Não me deve ser penoso morrer, porque eu não tinha previsto felicidade nenhuma. O meu futuro seria uma atonia glacial, uma sensibilidade de morte no coração, e vida na apparencia... Viver assim, entre os homens, ou entre cadaveres, que importa?... Morrerei resignado.
Agora posso fallar-lhe de tudo, porque tudo me é indifferente. Levanto, hoje, a suspensão que impuz á sua bondade, minha amiga. Póde fallar-me de Rosa. Que é feito d'essa mulher?
Incommoda-me muito o escrever. Prohibem-m'o; mas a prohibição não seria obedecida, se a cabeça me deixasse... Sinto um desprazer semelhante á nausea. É um esvahimento de cabeça, e uma lassidão em todo o corpo, que só posso attenuar com o uso do opio, que me entorpece completamente. Adeus.
De v. exc.ª
Amigo do coração,
_Paulo_.
RESPOSTA
_Porto, 6 de maio de 1825_
Meu bom amigo
Eu peço a Deus que lhe sosegue a imaginação. V... suppõe-se mais doente do que realmente está. O seu ardente espirito engana-o. Não se entregue ao terror da morte: viva, porque esse medo é signal de que a vida ainda lhe é cara.
Espero ainda vêl-o em Portugal, esquecido dos seus passados dissabores, e vivendo para a felicidade de pessoas suas amigas.
Quando v... perder um falso preconceito em que tem a sociedade, verá que o seu elevado merecimento lhe grangeia estimas, e o seu bom coração encontrará, por ventura, outro digno d'elle.
Não quero que se lembre da morte!
Dava-me tantas esperanças de o vêr feliz, na sua penultima carta, e agora parece que capricha em fazer-se desditoso, communicando á sua extremosa amiga as suas tristes previsões!
Bem sabe com que amizade lhe fallo. Affiz-me a tratal-o como irmão, e não saberia amar com mais ternura um filho. Quando perdi um esposo, na flôr dos annos, e uma filha que elle me deixou nos braços, tambem eu, senhor Paulo, me julguei morta para tudo. Sentei-me no leito d'onde vira sahir o cadaver de meu marido, e esperei ahi a morte. Abracei-me ao berço vasio de minha filha, e pedi ao Senhor a esmola de uma mesma sepultura para tres entes que deviam ajuntar-se.
Encontrei-o ao meu lado, chorando comigo a perda de Helena, senhor Paulo, e os seus nobres padecimentos vieram minorar os meus. V... fallou-me do céo, da eternidade, da perpetua união das almas no seio de Deus, e eu acreditei-o. Como as suas palavras me vinham sanctificar a minha dôr no coração, gravei-as ahi, e a sua imagem entrou lá com ellas para sempre.
Não sei se o amei; mas, se o amor não era aquella extremosa amizade, que lhe consagrei, e consagro, então não sei o que é o amor.
Não era isso o que accende o ciume, porque esse não o senti eu nunca. O seu triste episodio com Rosa contristou-me, porque desde o principio prophetisei desventuras. Realisaram-se muito além do meu agouro.
Nunca lhe fallei assim, porque... deixe-me tambem ceder a não sei que triste e mysteriosa inspiração... parece-me que o não verei mais... isto é uma loucura, uma allucinação, mas o coração sente-a tão forte, que eu não posso suspender as lagrimas... Nunca lhe fallei assim, porque v... tem hoje vinte e sete annos, e eu trinta e sete... As desgraças não me poderam ainda envelhecer de todo, e eu recearia enganal-o, fazendo-o nutrir, a respeito da minha amizade, alguma falsa supposição, que me poderia fazer muito desgraçada, ou muito feliz.
Esses receios passaram. Agora conheço que não ha commum entre nós senão uma amizade illimitada até á honesta confiança. Nunca podia-lhe ser outra cousa...
Fallei já muito de mim. Quer que lhe falle de Rosa?
Depois da sua partida, a filha de Anna do Carmo foi viver na companhia de sua mãe, levando comsigo a viuva do negociante da rua das Flôres. Encontrei-as em casa do D. Antonio de ***, e achei-as ambas bellas.
Maria Elisa trazia douda a cabeça de S*** C***, Rosa Guilhermina, um pouco triste, recebia com indifferença o cortejo teimoso de Alvaro de Sousa. Por causa de Maria Elisa houve pequenas miserias de salão, ciumes senis, com que os nossos velhos se inculcam rapazes. Felizmente, não lhes falta zêlo para não deixarem transpirar as fidalgas impudencias, que sabem occultar nos seus solares.
Agora receba uma novidade, que não deve já ferir a sua vaidade, nem mesmo alvoroçar o seu coração.
Rosa Guilhermina vai casar-se.
Quer saber com que neto de trinta avós?
É um neto sem avô conhecido.
Não sei se ha seis ou mais annos que Rosa Guilhermina viveu algum tempo em casa do negociante Silva, da rua das Flôres, com quem seu pae, o arcediago de Barroso, a quiz casar.
Rosa namorou-se ahi d'um tal José Bento, filho d'um retrozeiro. Este lôrpa (diz Maria Elisa que o era de grande marca, e eu creio que continúa a sêl-o) estudava latim em casa do Passos, cujo quintal partia com o do arcediago, na travessa do Laranjal ou Bomjardim. Por causa d'ella, e á sua vista, o rapaz foi castigado com uma palmatoria. No dia seguinte, o mestre que o castigou, appareceu morto, e José Bento desappareceu.
Foi para o Brazil, onde se demorou alguns annos, vendendo carnes sêccas. Por fim, morre o patrão, e deixa-o senhor d'uma riqueza que parece extraordinaria, pelo fausto com que se apresentou no Porto.
Ninguem se lembrava já do filho do retrozeiro, que tinha morrido. José Bento de Magalhães e Castro, como elle se assigna, occultou algum tempo o seu nascimento; mas, um dia, apresenta-se em casa de Anna do Carmo, pedindo licença para vêr Rosa Guilhermina.
A viuva apparece; mas não se recordava já das feições do seu primeiro namoro. José Bento declara-se, e offerece-se como marido de Rosa.
Não sei o que se seguiu a isto. O boato do proximo casamento correu logo. O senhor Magalhães e Castro é recebido nas primeiras casas. Alcançou fôro de fidalgo, e trata de edificar no Reimão um palacete com as armas dos Castros e Magalhães. Dizem-me, que, dentro de oito dias, Rosa será senhora de grandes bens de fortuna, e as suas carruagens serão as melhores.
Eu quizera que v... se risse com a fina ironia de talento, e da experiencia, como eu realmente me rio d'estas grutescas evoluções do mundo.
Vai extensa a carta, e parte para Cadiz o hiate que deve leval-a.
Adeus, meu querido amigo. Escreva-me, dizendo que se desvaneceram os seus terrores. Viva para a sua dedicada irmã.
***
XI
_Roma, 28 d'abril de 1825_
Graças, minha querida amiga! A sua carta é um modelo de que deviam servir-se os raros anjos, que receberam de Deus a divina missão de consolar infelizes.
O meu coração sentira uma estranha alegria, duas horas antes de eu abrir a carta de v. exc.ª Era o presentimento.
Tive uma hora de luz. Respirei o aroma de todas as flôres da vida. Dilatava-se-me o coração. As palpitações eram impetuosas como as do sangue, surprendido pela imagem de uma mulher, que se julga morta, e para sempre perdida.
Era esta justamente a hora em que v. exc.ª devia assim fallar-me. Mezes antes, esta linguagem faria a sua desgraça, que a minha está fadada desde o seio de minha mãe.
Foi minha amiga, quanto podia sêl-o. Fui eu quem lhe esposou o seu coração viuvo d'um esposo e d'uma filha. Eis aqui uma vaidade sancta, que não deshonra um quasi moribundo. As suas revelações, senhora, acolhe-as meu coração como um deposito sagrado que brevemente confiarei ao tumulo.
A minha morte proxima não é uma chimera de imaginação ardente. Já lhe disse que quero viver e não posso... Desfalleço, porque todos os meus esforços são impotentes. Cravo as unhas na aresta do abysmo; mas o corpo resvala, e a queda é infallivel.
Morro aos vinte e sete annos. Vou, envelhecido por toda a sorte de tribulações. Resta-me saber o que é a indigencia: vai muito adiantada a noite da vida para que a conheça. O meu dia eterno vai nascer, e a luz matutina d'esse dia irradiou-se em volta de mim, quando as suas palavras vieram povoar de bellas visões a solidão do meu quarto.
Foi o amor que me matou! Posso dizel-o com toda a ufania d'uma nobre amargura: foi o amor que me matou! Esta grande alma não era para esta sociedade. Offereci-lh'a, despresou-m'a... Lancei-lh'a aos pés... calcaram-m'a... Fez-se-me uma villania, porque eu era muito nobre... conheço que o era, porque tenho perdoado a todos aquelles que me cortaram as carnes até me chegarem ao coração... Não me conheceram, e eu não os conheci a tempo. Foi muito tarde que o mundo se me ostentou, qual é. Eu tinha direitos a ser feliz, embora recebesse a felicidade pela porta da deshonra. Não quiz. A minha pureza custou-me a vida, porque fugi do mundo para a solidão a digerir o fel que me deram, e protestei morrer antes de cuspil-o na face da sociedade.
Aconselho a infamia a todos os desgraçados, senão quizerem o martyrio. Se forem insultados, indemnisem-se. Renunciem educação, honra, pundonor, e dignidade, todas as vezes que a vingança depender da villania, da deshonra, da impudencia, e do descaramento.
Desculpe-me v. exc.ª... Esqueci-me que estava escrevendo a uma senhora, que não resolveu ainda os asquerosos problemas da infamia. A minha cabeça é um vulcão. Não é ainda a demencia que me desvaira, mas póde sêl-o a febre.
Ha tres dias que me não levanto. Estou quasi só. Tenho um medico alguns minutos no dia, um frade portuguez que por aqui anda atraz da salvação eterna, e um criado, que me serve um caldo, e não entende o que lhe digo.
Eis-aqui a minha familia na vespera d'uma viagem infinita... Falta-me aqui uma mulher, que me fosse esposa, mãe, ou irmã. Em Portugal, quando estes ataques me annunciavam a morte, lembrei-me, muitas vezes, que o meu derradeiro olhar encontraria os olhos de v. exc.ª
Aqui, será a sua imagem, o seu retrato, que me sorri, aquelle retrato que v. exc.ª me concedeu a pedido da nossa pobre Helena...
Não posso...
Ah!... esquecia-me dizer-lhe que a historia de Rosa Guilhermina é uma bonita farça... Fez-me sorrir; mas, no coração, lamento-a!... É uma mulher bem trivial!...
Adeus, minha querida irmã... Será o ultimo?...
_Paulo._
«--Eis-aqui a ultima carta, que eu recebi de Paulo--disse a senhora, que me confiou a leitura, e as cópias de todas.
«--Que sentia v. exc.ª depois que a leu?
«--O que eu senti?... Nem já me recordo... Isto passou-se ha trinta annos; e a memoria do coração, aos sessenta e seis, está embotada; mas, se quer um facto que lhe exprima melhor que todas as palavras o que eu senti, bastará dizer-lhe que, dous dias depois, parti para Roma...
«--Para Roma!...
«--Admira-se!?
«--Então v. exc.ª amava Paulo...
«--Se o amava!... Não se fazem essas perguntas a uma velha. O senhor ri de mim, se eu deixar fallar o coração, como elle, ainda ha trinta annos, lhe responderia.
«--Eu não posso rir do que a vida tem mais grave e triste...
«--O amor!... diz bem... É bem triste recordal-o; mas o ridiculo manda suffocar as expansões d'um coração, que não envelheceu ainda. Dizem que os cabellos brancos são veneraveis. Se o são, e só nos patriarchas, nos prophetas, e nos apostolos... Quer que lhe diga que amei Paulo? Pois sim... Amei-o muito... Conheci-o, já casada; mas eu fui uma esposa com todas as virtudes, e com a resignação para todos os sacrificios.
A filha do general *** amava Paulo.
A minha casa era o unico local onde se reuniam. Impuz-me esta violencia, e prestei-me ao doloroso serviço de os approximar, porque precisava matar um veneno com outro veneno.
Helena morreu, e Paulo refugiou-se a chorar comigo. Eu e o tumulo d'ella eramos o unico passatempo da sua atormentada existencia.
Enviuvei. Encontrei-o sempre a meu lado. Sondei com muita delicadeza a sua alma, e achei-a fria. Reconheci que era meu amigo, porque eu lhe fallava muito de Helena. Um homem assim não podia amar-me...
«--Porque não lhe revelou a sua alma?
«--Uma mulher, se não está gasta pela libertinagem, ou não é prodigiosamente estupida, nunca faz semelhantes revelações. Se elle me perguntasse se eu o amava, responder-lhe-ia que não, e córaria pela vergonha da mentira, ou pelo remorso da offensa... Dizem-me que as mulheres de hoje são faceis n'essas delações da sua alma. Se não é a moda que as absolve, o pudor de certo não é... Emfim, eu nunca lhe disse que o amava, nem elle me proporcionou occasiões de dizer-lh'o.
Um anno antes de conhecer essa mulher fatal...
«--Quem? Rosa Guilhermina?
«--Sim... Um anno antes de conhecel-a, raras vezes vinha a minha casa. Vivia muito só: dizia-me nas suas frequentes cartas, que vivia namorado da arte, que tinha muitos retratos de Helena, e que roubava á pintura o tempo apenas necessario para visitar-lhe, em S. Francisco, a sepultura.
Relacionado com Rosa, Paulo, sem o pensar, ultrajou-me quanto era possivel!... O ciume devorou-me alguns dias, e eu tive momentos de detestar o infame caracter do infeliz moço... Habituada, porém, a dominar-me, afivelei outra vez a mascara, e recebi-o com a mesma graça em minha casa para ouvir-lhe as expansivas apologias de Rosa Guilhermina.
Tenho remorsos de ter sentido uma cruel alegria, quando essa mulher o despresou...
«--Naturalmente... alguma intriga...
«--Urdida por mim?...
«--O amor, muitas vezes, obriga...
«--A praticar villezas? O amor nobre, não... Eu não urdi intrigas... Rosa despresou-o; porque o seu caracter era o caracter de sua mãe... Anna do Carmo nascera nas palhas, fôra amante d'um padre, fôra adultera mulher d'um livreiro, fôra repellida de casa de sua filha, e recebera-a por fim, nos seus salões, sem vergonha do seu passado, nem resentimento da sua dignidade. Filha de tal mãe, não podia apreciar o amor de Paulo, que amára uma mulher, que morrera por elle.
Ia-me esquecendo o conto... Fui a Roma; cheguei lá vinte dias depois que recebi a carta.
«--Encontrou-o?
«--Sepultado... Morrera seis dias antes... Ao lado da sua cabeceira estava o meu retrato... É aquelle que alli se vê.»
Reparei... Ninguem diria que esta senhora podia ter sido tão bella!
Cahiam-lhe duas a duas as lagrimas... Eu quiz divertil-a d'esta dolorosa situação, perguntando-lhe:
«--Demorou-se em Roma?
«--Tres dias... Voltei a Portugal, depois... Deixe-me chorar, porque ha muitos annos que não fallei a ninguem n'este homem... Quer saber o resto d'esta historia, que faz o seu romance?... Essa senhora de que faz menção no seu prologo, póde contar-lh'a.
«--Com menos graça que v. exc.ª...
«--Pois eu lhe digo: Rosa Guilhermina morreu, ha seis annos em Lisboa, com o titulo de viscondessa de ***. Seu marido ainda vive... É um dos mais ricos proprietarios do paiz...
«--E Maria Elisa?
«--Essa mulher perdeu-se... Foi amante de S*** C***, que deu escandalo no Porto, e perturbou a tranquillidade da sua casa, e da casa das suas amantes, que eram quasi todas casadas. Depois, como elle morresse, Maria Elisa, que vivera na companhia de Rosa, reagiu contra os conselhos de José Bento, e abandonou a amiga para entregar-se a uma vida dissipada sem ao menos a colorir com as variadas tinturas da hypocrisia. Tocou o extremo grau de miseria; mas d'esta miseria prosaica e villã, e que não póde ser historiada n'um romance. Não era fome nem nudez. Era a negação para todos os sentimentos d'honra. Quando desceu tão abaixo recebeu uma boa mesada de Rosa; mas dissipou-a com amantes. Por fim envelheceu. Rosa tinha morrido, e o visconde de ***, que a soccorrera estimulado por sua mulher, abandonou-a inteiramente.
«--E ainda vive?
«--Morreu já depois que o senhor principiou o seu romance. Foi justamente no dia em que sahiu o quinto folhetim na _Concordia_.
«--Morreu miseravelmente?
«--Não, senhor. Quem lhe prestou os ultimos soccorros fui eu. Não lhe faltou uma cama, um medico, uma enfermeira, e um padre até ao seu ultimo momento.
«--Devia ser terrivel, nos ultimos dias, o olhar d'essa mulher para o passado!...
«--Creio que não... A desgraça desmemoria... Por não sei que favor da Providencia, a mulher que se degrada não tem já o senso intimo da sua dignidade perdida. Cahiu, do leito á sepultura, impassivel como a pedra que tomba insensivelmente do alto da serra ao fundo do abysmo...
«--Esqueceu-me perguntar-lhe como viveu Rosa com José Bento...
«--Honradamente, e parece que feliz.
«--Deixou filhos?
«--Do segundo marido nenhum.
«--E aquella Assucena, que tão linda me pintaram? Deve hoje ter trinta annos...
«--Morreu ha dous... Quer saber a vida d'essa mulher?
«--Desejava...
«--Mas tem de fazer outro volume.
«--Pois a vida de Assucena dá para tanto?
«--É um triste romance... Ha de escrevel-o, e intitulal-o: A NETA DO ARCEDIAGO.
FIM
[1] Foi assim chamada a assembleia de illustrações scientificas na França, em que avultavam a marqueza de Lafayette, Lacralpenede, M.me de Sevigné, Jullie de Angennes, e outras que se davam o titulo de _preciosas_, baptisando-se com nomenclaturas gregas, e praticando em linguagem privativa d'ellas. Molière, o grande espirito, que espancou da França o _ridiculo_ com o _ridiculo_, pôz esta gente em scena, nas comedias--_As Preciosas Ridiculas_, e _As Mulheres Sabias_. O hotel de Rembouillet não resistiu a Molière.
[2] O já morto Joseph Gregorio Lopes da Camara Sinval.
(_Nota da 2.ª edição._)
[3] No Porto, onde nasceu Garrett, invocaram-se todos os Antonios Josés coevos para idearem um monumento a Garrett!... Não se fez o monumento; mas ficou um de vergonha na memoria dos vivos, e bom é que passe além. (_Nota da 2.ª edição._)
[4] _A Neta do Arcediago_, já publicada.
(_Nota da 2.ª edição._)
[5] Não interessam no romance algumas cartas, que se não publicam. Escriptas de Lisboa, Cadiz, Barcellona, Paris, Genova, e Milão, quasi todas são descripções locaes. Vê-se que Paulo, em todas ellas, só muito de relance, falla em, cousas passadas. Se é acinte, se naturalidade, não o sabemos nós. A sua amiga do Porto, diz-nos que tambem muito de proposito, se lhe escrevia, nem ligeiramente lhe fallava de Rosa. A carta, que publicamos, é a vigesima da collecção, escripta, segundo se vê da data, cinco mezes depois da sahida de Paulo.
End of Project Gutenberg's A Filha do Arcediago, by Camilo Castelo Branco