Part 2
A essa altura, prevaleceu o espírito da histórica reunião de Guaraniaçu, unificando os esforços dos municípios, em torno da Amop, e da Assoeste para a verificação dos aspectos técnicos. O ingresso da Amop na luta e a adesão dos organismos de ensino superior do governo do Estado, contudo, ainda não haviam representado o fim da tendência federalizante.
Richa, na verdade, hesitava em criar uma instituição estadual. Sua estratégia foi apoiar a luta pela universidade federal e deixar na manga uma carta: em último caso, o Estado bancaria a Unioeste.
Foi assim que, apoiando o movimento oestino e a proposta da federalização, o ardiloso governador paranaense estimulou uma caravana de 500 integrantes da região a ir a Brasília exigir a Universidade Federal do Oeste.
Richa pretendia ter guardado a coisa em segredo, para que ninguém fizesse corpo mole na pressão ao governo federal. Mas ao ver que a mobilização havia conquistado maciçamente as lideranças oestinas, entusiasmou-se e acabou garantindo: se a federalização não passasse, ele garantiria a estadualização.
Brasília negou o pedido da comunidade oestina, como sempre fez em relação à Estrada do Colono e à extensão da ferrovia a Foz do Iguaçu e Guaíra. Com a frustração do sonho de criar a Universidade Federal do Oeste, a comunidade regional começou já em abril a preparar a documentação para a estadualização.
Com a palavra empenhada pelo governador José Richa no sentido de que se a luta pela federalização fosse frustrada ele defenderia a estadualização da Universidade do Oeste, o dia 8 de maio de 1986 iria marcar o primeiro grande passo nesse rumo.
Nessa data foi celebrado convênio entre o governo do Estado e os municípios-sedes das instituições superiores − Cascavel, Toledo, Foz do Iguaçu e Marechal Cândido Rondon − estabelecendo os mecanismos e compromissos mútuos para viabilizar a estadualização.
A primeira providência era a doação dos patrimônios ao Estado, condição prévia para a criação e implantação da nova instituição, pois na década de 70 já haviam surgido as universidades estaduais de Londrina, Ponta Grossa e Maringá.
Os passos finais
A estadualização da Unioeste reunia a Fecivel (Cascavel), Facisa (Foz do Iguaçu), Facitol (Toledo) e Facimar (Marechal Cândido Rondon). Com a celebração dessa união, que na prática era a união de esforços de toda uma região, seria imediatamente criada a Fundação Federação de Escolas do Ensino Superior do Oeste.
Os próximos passos foram rápidos e seguros, pois dependiam apenas da região: os quatro municípios-sede fizeram ainda antes do fim do ano a doação ao Estado de seus patrimônios ligados ao ensino superior.
No entanto, o governo Richa terminou em março e uma nova luta, desta vez diplomática, teve início no governo Álvaro Dias. Tudo já estava decidido e as providências elementares haviam sido tomadas: só restava a Assembléia Legislativa aprovar e o governador sancionar a lei criando a Unioeste.
A 4 de agosto de 1986 a Assembléia Legislativa cumpria sua parte no combinado, aprovando projeto de resolução que viabilizava a estadualização da Universidade do Oeste. A região também fazia sua parte: em novembro, Cascavel era institucionalizada como a cidade-sede da Universidade do Oeste, com o apoio dos campi de Foz do Iguaçu, Toledo e Marechal Cândido Rondon.
Tudo perfeitamente resolvido, ainda assim só em 25 de abril de 1987 o governador Álvaro Dias assinou o decreto criando a Universidade do Oeste. Que, aliás, criava formalmente mas não instituía na prática, providência decisiva que ainda demorou, vindo só a 16 de novembro de 1987.
Não era ainda a Unioeste pronta e acabada, pois havia decreto criando, medidas viabilizando, mas tudo ainda limitado ao papel.
Só começou a se tornar prática em fins de janeiro de 1988, como sempre um ano eleitoral. O decreto estadual nº 2.352 criava de vez a Fundação Universidade Estadual do Oeste do Paraná, pois regulamentava a lei específica de dezembro do ano anterior. O fato é que a partir daí a partir daí a instituição já existia.
Era preciso ainda estruturá-la, o que demorou mais um ano, até a posse da primeira diretoria da Funioeste, a instituição mantenedora da Universidade, em outubro.
Aí começava a última etapa das lutas históricas que deram origem à Unioeste: viabilizar recursos para o funcionamento da instituição em seus primeiros passos, ampliar o número de cursos, obter autorizações e reconhecimentos, consolidar a instituição, vencer os resquícios de bairrismo e encaminhar as obras de ampliação.
Finalmente, a 9 de fevereiro de 1992, também ano eleitoral, o decreto-lei estadual nº 9.896 transformava a Funioeste em autarquia. Estava definitivamente criada, implantada e em ação a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).
O último grande momento histórico da instituição foi a transformação do Hospital Regional Anita Canet em Hospital Universitário, em dezembro de 1994, cujas deficiências já sinalizavam para um rumo: novas lutas viriam e, aliás, continuam em curso ainda neste momento.
(Fonte: Alceu A. Sperança, jornal O Paraná, seção dominical Máquina do Tempo)
MARTIN, Edison - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ (UNIOESTE)ÉDISON MARTIN A GÊNESE DA FACULDADE DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE CASCAVEL (1968-1974) - 2006 - Cascavel.
Maryane de HOLLANDA JORGE, Fecivel - Do surgimento até os dias de hoje.