A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 99

Chapter 994,174 wordsPublic domain

4 Elles sómente consultam _como_ o hão de derribar da sua excellencia: deleitam-se em mentiras; com a bocca bemdizem, mas nas suas entranhas maldizem (Selah).

5 Ó minha alma, [PN] espera sómente em Deus, porque d’elle _vem_ a minha esperança.

6 Só elle _é_ a minha rocha e a minha salvação; _é_ a minha defeza; não serei abalado.

7 Em Deus _está_ a minha [2] salvação e a minha gloria: a rocha da minha fortaleza, _e_ o meu refugio _estão_ em Deus.

8 Confiae n’elle, ó povo, em todos os tempos; derramae perante elle o vosso coração; Deus _é_ o nosso refugio (Selah).

9 Certamente [3] que os homens de classe baixa _são_ vaidade, e os homens d’ordem elevada são mentira; pesados em balanças, elles juntos _são mais leves_ do que a vaidade.

10 Não confieis na oppressão, nem vos ensoberbeçaes na rapina; se as vossas riquezas augmentam, não ponhaes _n’ellas_ o coração.

11 Deus fallou uma vez; duas vezes tenho ouvido isto: que o poder _pertence_ a Deus.

12 A ti tambem, Senhor, _pertence_ a misericordia; [4] pois retribuirás a cada um segundo a sua obra.

[1] Isa. 30.13.

[2] Jer. 3.23.

[3] Rom. 3.4.

[4] Jer. 32.19. Eze. 7.27 e 33.21. Rom. 2.8. Col. 3.25. I Ped. 1.17. Apo. 22.12.

_David anhela pela presença de Deus._

Psalmo de David quando estava no deserto de Judah.

63 Ó Deus, tu _és_ o meu Deus, de madrugada te buscarei: a minha alma tem sêde de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra secca e cançada, onde não ha agua,

2 Para [1] ver a tua fortaleza e a tua gloria, como te vi no sanctuario.

3 Porque a tua benignidade _é_ melhor do que a vida; os meus labios te louvarão.

4 Assim eu te bemdirei emquanto viver: em teu nome levantarei as minhas mãos.

5 A minha alma se fartará, como de tutano e de gordura; e a minha bocca _te_ louvará com alegres labios,

6 Quando me lembrar de ti na minha cama, _e_ meditar em ti nas vigilias _da noite_.

7 Porque tu tens sido o meu auxilio; portanto na sombra das tuas azas me regozijarei.

8 A minha alma te segue de perto: a tua dextra me sustenta.

9 Mas aquelles _que_ procuram a minha alma para _a_ destruir, irão para as profundezas da terra.

10 Cairão á espada, serão _uma_ ração para as raposas.

11 Mas o rei se regozijará em Deus; [2] qualquer que por elle jurar se gloriará; porque se taparão as boccas dos que fallam a mentira.

[1] I Sam. 4.21.

[2] Deu. 6.13.

_David supplica a Deus que guarde a sua vida, e espera que lh’o conceda._

Psalmo de David para o cantor-mór.

64 Ouve, ó Deus, a minha voz na minha oração: guarda a minha vida do temor do inimigo.

2 Esconde-me do secreto conselho dos maus, e do tumulto dos que obram a iniquidade.

3 Que afiaram as suas linguas como espadas; _e_ armaram _por_ suas frechas palavras amargas,

4 A fim de atirarem em logar occulto ao _que é_ recto; disparam sobre elle repentinamente, e não temem.

5 Firmam-se em mau intento; fallam de armar laços secretamente, _e_ dizem: Quem os verá?

6 Andam inquirindo malicias, inquirem tudo o que se pode inquirir; e o intimo _pensamento_ de cada um d’elles, e o coração, é profundo.

7 Mas Deus atirará sobre elles uma setta, _e_ de repente ficarão feridos.

8 Assim elles farão com que as suas linguas tropecem contra si mesmos; todos aquelles que os virem fugirão.

9 E todos os homens temerão, [1] e annunciarão a obra de Deus; e considerarão prudentemente os feitos d’elle.

10 O justo se alegrará no Senhor, e confiará n’elle, e todos os rectos de coração se gloriarão.

[1] Jer. 50.28 e 51.10.

_David louva a Deus e dá-lhe graças pelas bençãos concedidas._

Psalmo e cantico de David para o cantor-mór.

65 [PO] A ti, ó Deus, espera o louvor em Sião, e a ti se pagará o voto.

2 Ó tu que ouves as orações, [1] a ti virá toda a carne.

3 Prevalecem as iniquidades contra mim; _porém_ tu expias as nossas transgressões.

4 Bemaventurado _aquelle a quem_ tu escolhes, e fazes chegar _a ti_, _para que_ habite em teus atrios: nós seremos fartos da bondade da tua casa _e_ do teu sancto templo.

5 Pelas coisas tremendas em justiça nos responderás, ó Deus da nossa salvação; tu és a esperança de todas as extremidades da terra, e d’aquelles que estão longe sobre o mar.

6 O que pela sua força consolida os montes, cingido de fortaleza:

7 O que applaca o ruido dos mares, o ruido das suas ondas, e o tumulto das gentes.

8 E os que habitam nos fins _da terra_ temem os teus signaes; tu fazes alegres as saidas da manhã e da tarde.

9 Tu visitas [2] a terra, e a refrescas; tu a enriqueces grandemente com o rio de Deus, _que está_ cheio d’agua; tu lhe preparas o trigo, quando assim a tens preparada.

10 Enches _d’agua_ os seus regos, fazendo-_a_ descer _em_ suas margens: tu a amoleces com a muita chuva: abençoas as suas novidades.

11 Coroas o anno da tua bondade, e as tuas veredas distillam gordura.

12 Distillam _sobre_ os pastos do deserto, e os outeiros os cingem de alegria.

13 Os campos se vestem de rebanhos, [3] e os valles se cobrem de trigo: elles se regozijam e cantam.

[1] Isa. 66.23.

[2] Deu. 11.12. Jer. 5.24.

[3] Isa. 55.12.

_Cantico de louvor a Deus pelas suas grandes obras._

Cantico e psalmo para o cantor-mór.

66 Jubilae a Deus, todas as terras.

2 Cantae a gloria do seu nome; dae gloria ao seu louvor.

3 Dizei a Deus: Quão terrivel _és tu nas_ tuas obras! pela grandeza do teu poder se submetterão a ti os teus inimigos.

4 Toda a terra te adorará e te cantará louvores: elles cantarão o teu nome (Selah).

5 Vinde, e vêde as obras de Deus: _é_ terrivel nos _seus_ feitos para com os filhos dos homens.

6 Converteu o [1] mar em _terra_ secca; passaram o rio a pé; ali nos alegrámos n’elle.

7 Elle domina eternamente pelo seu poder: os seus olhos estão sobre as nações; não se exaltem os rebeldes (Selah).

8 Bemdizei, povos, ao nosso Deus, e fazei ouvir a voz do seu louvor:

9 Ao que sustenta com vida a nossa alma, e não consente que sejam abalados os nossos pés.

10 Pois tu, ó Deus, nos provaste; [2] tu nos afinaste como se afina a prata.

11 Tu nos metteste na rede; affligiste os nossos lombos.

12 Fizeste com que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças; [3] passámos pelo fogo e pela agua; mas nos trouxeste a _um_ logar copioso.

13 Entrarei em tua casa com holocaustos; pagar-te-hei os meus votos.

14 Os quaes pronunciaram os meus labios, e fallou a minha bocca, quando estava na angustia.

15 Offerecer-te-hei holocaustos gordurosos com incenso de carneiros; offerecerei novilhos com cabritos (Selah).

16 Vinde, e ouvi, todos os que temeis a Deus, e eu contarei o que elle tem feito á minha alma.

17 A elle clamei com a minha bocca, e elle foi exaltado pela minha lingua.

18 Se eu attender [4] á iniquidade no meu coração, o Senhor não _me_ ouvirá;

19 _Mas_, na verdade, Deus _me_ ouviu; attendeu á voz da minha oração.

20 Bemdito _seja_ Deus, que não rejeitou a minha oração, nem _desviou_ de mim a sua misericordia.

[1] Exo. 14.21.

[2] Zac. 13.9. I Ped. 1.6, 7.

[3] Isa. 43.2.

[4] Isa. 1.15. João 9.31. Thi. 4.3.

_O reino de Deus abrange toda a terra._

Psalmo e cantico para o cantor-mór sobre Neginoth.

67 Deus tenha misericordia de nós e nos abençõe; [1] _e_ faça resplandecer o seu rosto sobre nós (Selah).

2 Para [2] que se conheça na terra o teu caminho, _e_ entre todas as nações a tua salvação.

3 Louvem-te _a ti_, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.

4 Alegrem-se e regozijem-se as nações, pois julgarás os povos _com_ equidade, e governarás as nações sobre a terra (Selah).

5 Louvem-te _a ti_, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.

6 _Então_ a terra dará [3] o seu fructo; e Deus, o nosso Deus, nos abençoará.

7 Deus nos abençoará, e todas as extremidades da terra o temerão.

[1] Num. 6.25.

[2] Act. 18.25.

[3] Lev. 26.4.

_Cantico de louvor e acção de graças a Deus como nosso salvador._

Psalmo e cantico de David para o cantor-mór.

68 Levante-se Deus, [1] e sejam [PP] dissipados os seus inimigos; fugirão de diante d’elle os que o aborrecem.

2 Como se impelle o fumo _assim_ tu _os_ impelles; _assim_ como a cera se derrete diante do fogo, _assim_ pereçam os impios diante de Deus.

3 Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem d’alegria.

4 Cantae a Deus, cantae louvores ao seu nome; louvae aquelle que vae montado sobre os céus, pois o seu nome _é_ JAH, e exultae diante d’elle.

5 Pae d’orphãos e juiz de viuvas _é_ Deus, no seu logar sancto.

6 Deus faz que o solitario viva em familia; liberta aquelles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em _terra_ secca.

7 Ó Deus, [2] quando sahias diante do teu povo, quando caminhavas pelo deserto, (Selah).

8 A terra se abalava, e os céus distillavam perante a face de Deus; [3] _até_ o proprio Sinai _foi commovido_ na presença de Deus, do Deus de Israel.

9 Tu, ó Deus, mandaste a chuva em abundancia, confortaste a tua herança, quando estava cançada.

10 N’ella habitava o teu rebanho; tu, ó Deus, preparaste na tua bondade para o pobre.

11 O Senhor deu a palavra: grande _era_ o exercito dos que annunciavam as boas novas.

12 Reis de exercitos fugiram á pressa; e aquella que ficava em casa repartia os despojos.

13 Ainda que vos tenhaes deitado entre [PQ] panellas, _comtudo sereis como_ as azas d’_uma_ pomba, cobertas de prata, e as suas pennas d’oiro amarello.

14 Quando o Omnipotente ali espalhou os reis, ella ficou _alva_ como a neve em Salmon.

15 O monte de Deus _é como_ o monte de Basan, _um_ monte elevado _como_ o monte de Basan.

16 Porque [PR] saltaes, ó montes elevados? _este é o_ monte _que_ Deus desejou para a sua habitação, e o Senhor habitará _n’elle_ eternamente.

17 Os [4] carros de Deus _são_ vinte milhares, milhares de milhares. O Senhor _está_ entre elles, _como em_ Sinai, no _logar_ sancto.

18 Tu subiste ao alto, levaste captivo o captiveiro, recebeste dons para os homens, e até _para_ os rebeldes, para que o Senhor Deus habitasse _entre elles_.

19 Bemdito _seja_ o Senhor, que de dia em dia nos carrega de _beneficios_: o Deus _que é_ a nossa salvação (Selah).

20 _Aquelle que é_ o nosso Deus _é_ o Deus da salvação; e a JEHOVAH, o Senhor, _pertencem_ as saidas da morte.

21 Mas Deus ferirá gravemente a cabeça de seus inimigos _e_ o craneo cabelludo do que anda em suas culpas.

22 Disse o Senhor: Eu os farei voltar de Basan, farei voltar _o meu povo_ das profundezas do mar.

23 Para que o teu pé mergulhe no sangue de _teus_ inimigos, e no mesmo a lingua dos teus cães.

24 Ó Deus, elles teem visto os teus caminhos; os caminhos do meu Deus, meu Rei, no sanctuario.

25 Os cantores iam adiante, os tocadores de instrumentos atraz; entre elles as donzellas tocando adufes.

26 Celebrae a Deus nas congregações; ao Senhor, desde a fonte d’Israel.

27 Ali _está_ o pequeno Benjamin, que domina sobre elles, os principes de Judah _com_ o seu ajuntamento, os principes de Zabulon _e_ os principes de Naphtali.

28 O teu Deus ordenou a tua força: fortalece, ó Deus, o que _já_ obraste para nós.

29 Por amor do teu templo em Jerusalem, os reis te trarão presentes.

30 Reprehende _asperamente_ as feras das cannas, a multidão dos toiros, com os novilhos dos povos, _até que cada um_ se submetta com pedaços de prata; dissipa os povos _que_ desejam a guerra.

31 Embaixadores reaes virão do Egypto; a Ethiopia cedo estenderá para Deus as suas mãos.

32 Reinos da terra, cantae a Deus, cantae louvores ao Senhor (Selah),

33 Áquelle que vae montado sobre os céus dos céus, _que existiam_ desde a antiguidade; eis que envia a sua voz, _dá_ um brado vehemente.

34 Dae a Deus fortaleza: a sua excellencia _está_ sobre Israel e a sua fortaleza nas _mais altas_ nuvens.

35 Ó Deus, _tu és_ tremendo desde os teus sanctuarios: o Deus d’Israel _é_ o que dá fortaleza e poder ao seu povo. Bemdito _seja_ Deus!

[1] Num. 10.35. Isa. 33.3.

[2] Exo. 13.21. Jui. 4.14. Hab. 3.13.

[3] Exo. 19.16.

[4] Deu. 33.2. Heb. 12.12.

_Os soffrimentos de David prefiguram os do Messias._

Psalmo de David para o cantor-mór sobre Shoshannim.

69 Livra-me, ó Deus, pois as aguas entraram até á _minha_ alma.

2 Atolei-me em profundo lamaçal, onde _se_ não _póde estar em_ pé; entrei na profundeza das aguas, onde a corrente me leva.

3 Estou cançado de clamar; a minha garganta se seccou: os meus olhos desfallecem esperando o meu Deus.

4 Aquelles que me aborrecem sem causa [1] são mais do que os cabellos da minha cabeça; aquelles que procuram destruir-me, _sendo_ injustamente meus inimigos, são poderosos: então restitui o que não furtei.

5 Tu, ó Deus, bem conheces a minha insipiencia; e os meus peccados não te são encobertos.

6 Não sejam envergonhados por minha causa aquelles que esperam em ti, ó Senhor, Senhor dos Exercitos; não sejam confundidos por minha causa aquelles que te buscam, ó Deus d’Israel.

7 Porque por amor de ti tenho supportado affrontas; a confusão cobriu o meu rosto.

8 Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de minha mãe.

9 Pois o zelo da tua casa me devorou, e as affrontas dos que te affrontam cairam sobre mim.

10 Quando chorei, e _castiguei_ com jejum a minha alma, isto se me tornou em affrontas.

11 Puz por vestido um sacco, e me fiz um proverbio para elles.

12 Aquelles que se assentam á porta fallam contra mim; e fui o cantico dos bebedores de bebida forte.

13 Eu porém _faço_ a minha oração a ti, Senhor, [2] _n’um_ tempo acceitavel: ó Deus, ouve-me segundo a grandeza da tua misericordia, segundo a verdade da tua salvação.

14 Tira-me do lamaçal, e não me deixes atolar; seja eu livre dos que me aborrecem, e das profundezas das aguas.

15 Não me leve a corrente das aguas, e não me absorva ao profundo, nem o poço cerre a sua bocca sobre mim.

16 Ouve-me, Senhor, pois boa _é_ a tua misericordia: olha para mim segundo a tua muitissima piedade.

17 E não escondas o teu rosto do teu servo, porque estou angustiado: ouve-me depressa.

18 Approxima-te da minha alma, _e_ resgata-a; livra-me por causa dos meus inimigos.

19 Bem tens [3] conhecido a minha affronta, e a minha vergonha, e a minha confusão; diante de ti _estão_ todos os meus adversarios.

20 Affrontas me quebrantaram o coração, e estou fraquissimo: esperei _por alguem_ que tivesse compaixão, mas não _houve_ nenhum; e por consoladores, mas não os achei.

21 Deram-me fel por mantimento, e na minha sêde me deram a beber vinagre.

22 Torne-se-lhes a sua mesa diante d’elles em laço e [PS] para _sua_ recompensa em ruina.

23 Escureçam-se-lhes os seus olhos, para que não vejam, e faze com que os seus lombos tremam constantemente.

24 Derrama sobre elles a tua indignação, e prenda-os o ardor da tua ira.

25 Fique desolado o seu [PT] palacio; e não haja quem habite nas suas tendas.

26 Pois perseguem _áquelle_ a quem feriste, e conversam sobre a dôr d’aquelles a quem chagaste.

27 Accrescenta iniquidade á iniquidade d’elles, e não entrem na tua justiça.

28 Sejam riscados do livro dos vivos, e não sejam escriptos com os justos.

29 Eu porém _sou_ pobre, e _estou_ triste; ponha-me a tua salvação, ó Deus, n’_um_ alto retiro.

30 Louvarei o nome de Deus com _um_ cantico, e engrandecel-o-hei com acção de graças.

31 _Isto_ será mais agradavel ao Senhor do que o boi ou bezerro que tem pontas e unhas.

32 Os mansos verão _isto_, e se agradarão; o vosso coração viverá, pois que buscaes a Deus.

33 Porque o Senhor ouve os necessitados, e não despreza os seus captivos.

34 Louvem-n’o os céus e a terra, os mares e tudo quanto n’elles se move.

35 Porque Deus salvará a Sião, e edificará as cidades de Judah, para que habitem n’ella e as possuam.

36 E herdal-a-ha a semente de seus servos, e os que amam o seu nome habitarão n’ella.

[1] João 15.25.

[2] Isa. 49.8 e 55.6. II Cor. 6.2.

[3] Isa. 53.3. Heb. 12.2.

_Na sua afflicção David supplica a Deus que se apresse em livral-o._

Psalmo de David para o cantor-mór, para lembrança.

70 Apressa-te, ó Deus, em me livrar; Senhor, _apressa-te_ em ajudar-me.

2 Fiquem envergonhados e confundidos os que procuram a minha alma; voltem para traz e confundam-se os que me desejam mal.

3 Virem as costas por causa da recompensa da sua vergonha os que dizem: Ha! ha!

4 Folguem e alegrem-se em ti todos os que te buscam; e aquelles que amam a tua salvação digam continuamente: Engrandecido seja Deus.

5 Eu porém _estou_ afflicto e necessitado; apressa-te a mim, ó Deus; tu _és_ o meu auxilio e o meu libertador: Senhor, não te detenhas.

_David confia em Deus, e roga que o livre dos seus inimigos, e o proteja._

71 Em ti, Senhor, confio; nunca seja eu confundido.

2 Livra-me na tua justiça, e faze-me escapar: inclina os teus ouvidos para mim, e salva-me.

3 Sê tu a minha habitação forte, á qual possa recorrer continuamente: déste um mandamento que me salva, pois tu _és_ a minha rocha e a minha fortaleza.

4 Livra-me, meu Deus, das mãos do impio, das mãos do homem injusto e cruel.

5 Pois tu _és_ a minha esperança, Senhor Deus; _tu és_ a minha confiança desde a [1] minha mocidade.

6 Por ti tenho sido sustentado desde o ventre: tu _és_ aquelle que me tiraste das entranhas de minha mãe: o meu louvor _será_ para ti constantemente.

7 Sou como um prodigio para muitos, mas tu _és_ o meu refugio forte.

8 Encha-se a minha bocca do teu louvor da tua gloria todo o dia.

9 Não me rejeites no tempo da velhice; não me desampares, quando se fôr acabando a minha força.

10 Porque os meus inimigos fallam contra mim, e os que espiam a minha alma consultam juntos,

11 Dizendo: Deus o desamparou: persegui-_o_ e tomae-o, pois não _ha_ quem _o_ livre.

12 Ó Deus, não te alongues de mim: meu Deus, apressa-te em ajudar-me.

13 Sejam confundidos e consumidos os que são adversarios da minha alma; cubram-se d’opprobrio e de confusão aquelles que procuram o meu mal.

14 Mas eu esperarei continuamente, e te louvarei cada vez mais.

15 A minha bocca manifestará _a_ tua justiça e a tua salvação todo o dia, pois não conheço o numero d’ellas.

16 Sairei na força do Senhor Deus, farei menção da tua justiça, e só d’ella.

17 Ensinaste-me, ó Deus, desde a minha mocidade; e até aqui tenho annunciado as tuas maravilhas.

18 Agora tambem, quando estou velho e de cabellos brancos, não me desampares, ó Deus, até que tenha annunciado a tua força a _esta_ geração, e o teu poder a todos os vindouros.

19 Tambem a tua justiça, ó Deus, _está_ muito alta, pois fizeste grandes coisas: ó Deus, quem é similhante a ti?

20 _Tu_, que me tens feito ver muitos males e angustias, me [2] darás ainda a vida, e me tirarás dos abysmos da terra.

21 Augmentarás a minha grandeza, e de novo me consolarás.

22 Tambem eu te louvarei com o psalterio, _bem como_ á tua verdade, ó meu Deus, cantarei com a harpa a ti, ó [3] Sancto d’Israel.

23 Os meus labios exultarão quando eu te cantar, assim como a minha alma que tu remiste.

24 A [4] minha lingua fallará da tua justiça todo o dia; pois estão confundidos e envergonhados aquelles que procuram o meu mal.

[1] Jer. 17.7, 17.

[2] Ose. 6.1, 2.

[3] Isa. 60.9.

[4] ver. 8, 15.

_A excellencia, justiça e gloria do reino de Salomão prefiguram as do Messias._

Psalmo [PU] de Salomão.

72 Ó Deus, dá ao rei dos teus juizos, e a tua justiça ao filho do rei.

2 Elle julgará [1] ao teu povo com justiça, e aos teus pobres com juizo.

3 Os montes trarão paz ao povo e os outeiros com justiça.

4 Julgará os afflictos do povo, salvará os filhos do necessitado, e quebrantará o oppressor.

5 Temer-te-hão emquanto durar o sol e a lua, de geração em geração.

6 Elle descerá [2] como a chuva sobre a herva ceifada, como os chuveiros que humedecem a terra.

7 Nos seus dias florescerá o justo, [3] e abundancia de paz emquanto durar a lua.

8 Dominará de mar a mar, e desde o rio até ás extremidades da terra.

9 Aquelles que habitam no deserto se inclinarão ante elle, e os seus inimigos lamberão o pó.

10 Os reis de Tarsis e das ilhas trarão presentes; os reis de Sheba e de Saba offerecerão dons.

11 E todos os reis se prostrarão perante elle; todas as nações o servirão.

12 Porque elle livrará ao necessitado quando clamar, como tambem ao afflicto e ao que não tem quem o ajude.

13 Compadecer-se-ha do pobre e do afflicto, e salvará as almas dos necessitados.

14 Libertará as suas almas do engano e da violencia, e precioso será o seu sangue aos olhos d’elle.

15 E viverá, e se lhe dará do oiro de Sheba; e continuamente se fará por elle oração; e todos os dias o bemdirão.

16 Haverá um punhado de trigo em terra sobre as cabeças dos montes; o seu fructo se abalará como o Libano, e _os_ da cidade florescerão como a herva da terra.

17 O seu nome permanecerá eternamente; o seu nome se irá propagando de paes a filhos emquanto o sol _durar_, e _os homens_ serão abençoados n’elle; todas as nações lhe chamarão bemaventurado.

18 Bemdito [4] _seja_ o Senhor Deus, o Deus d’Israel, que só elle faz maravilhas.

19 E bemdito _seja_ para sempre o seu nome glorioso; e encha-se toda a terra da sua gloria. Amen e Amen.

20 _Aqui_ acabam as orações de David, filho de Jessé.

[1] Isa. 11.2, 3, 4 e 32.1.

[2] Ose. 6.3.

[3] Isa. 2.4. Dan. 2.44.

[4] Gen. 12.3 e 22.18. Jer. 4.2.

_A prosperidade dos impios faz duvidar da justiça de Deus, mas o seu fim a demonstra._

Psalmo de Asaph.

73 Verdadeiramente bom _é_ Deus para com Israel, para com os limpos de coração.

2 Emquanto a mim, os meus pés quasi que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos.

3 Pois eu tinha inveja dos loucos, quando via a prosperidade dos impios.

4 Porque não _ha_ apertos na sua morte, mas firme _está_ a sua força.

5 Não se acham em trabalhos _como outra_ gente, nem são afflictos como _outros_ homens.

6 Pelo que a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violencia _como_ de adorno.

7 Os olhos d’elles estão inchados de gordura: elles teem mais do que o coração podia desejar.

8 São corrompidos e tratam maliciosamente de oppressão; [1] fallam arrogantemente.

9 Põem as suas boccas contra os céus, e as suas linguas andam pela terra.

10 Pelo que o seu povo volta aqui, e aguas de _copo_ cheio se lhes espremem.

11 E dizem: Como _o_ sabe Deus? ou ha conhecimento no Altissimo?

12 Eis que estes _são_ impios, e [PV] prosperam no mundo; augmentam _em_ riquezas.

13 Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração; [2] e lavei as minhas mãos na innocencia.

14 Pois todo o dia tenho sido afflicto, e castigado cada manhã.

15 Se eu dissesse: Fallarei assim; eis que offenderia a geração de teus filhos.

16 Quando pensava em entender isto [3] _foi_ para mim muito doloroso;

17 Até que entrei no sanctuario de Deus: _então_ entendi eu o fim d’elles.

18 Certamente tu os pozeste em logares escorregadios: tu os lanças em destruição.

19 Como caem na desolação, quasi n’um momento! ficam totalmente consumidos de terrores.

20 Como um sonho, quando se acorda, _assim_, ó Senhor, quando acordares, desprezarás a apparencia d’elles.

21 Assim o meu coração se azedou, e sinto picadas nos meus rins.

22 Assim me embruteci, e nada sabia; fiquei _como uma_ besta perante ti.

23 Todavia _estou_ de continuo comtigo; tu _me_ sustentaste pela minha mão direita.

24 Guiar-me-has com o teu conselho, e depois me receberás em gloria.

25 Quem tenho [4] eu no céu _senão a ti_? e na terra não ha a quem eu deseje além de ti.

26 A minha carne e o meu coração desfallecem; _mas_ Deus _é_ a [PW] fortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre.

27 Pois eis que os que se alongam de ti, perecerão; tu [5] tens destruido todos aquelles que se desviam de ti.

28 Mas para mim, bom _é_ approximar-me de Deus; puz a minha confiança no Senhor Deus, para annunciar todas as tuas obras.

[1] Ose. 7.16. II Ped. 2.18.

[2] Mal. 3.14.

[3] Ecc. 8.17.

[4] Col. 3.8.

[5] Exo. 34.15.

_A assolação do sanctuario, e a supplica para que se lembrasse do seu povo afflicto._

Maschil de Asaph.

74 Ó Deus, porque _nos_ rejeitaste para sempre? _Porque_ se accende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto?