A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 98

Chapter 984,141 wordsPublic domain

3 _Ainda que_ as aguas rujam _e_ se perturbem, _ainda que_ os montes se abalem pela sua braveza (Selah).

4 _Ha_ um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o sanctuario das moradas do Altissimo.

5 Deus _está_ [2] no meio d’ella, não se abalará; Deus a ajudará ao romper da manhã.

6 As nações se embraveceram; os reinos se moveram; elle levantou a sua voz e a terra se derreteu.

7 O Senhor dos Exercitos _está_ comnosco: o Deus de Jacob _é_ o nosso refugio (Selah).

8 Vinde, contemplae as obras do Senhor; que desolações tem feito na terra!

9 Elle faz cessar as guerras até ao fim da terra: quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo.

10 Aquietae-vos, e sabei que eu sou Deus; [3] serei exaltado entre as nações; serei exaltado sobre a terra.

11 O Senhor dos Exercitos _está_ comnosco: o Deus de Jacob _é_ o nosso refugio (Selah).

[1] Deu. 4.7.

[2] Deu. 24.14. Isa. 12.6. Ose. 11.9.

[3] Isa. 2.11, 17.

_O triumpho do reino de Deus._

Psalmo para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.

47 Applaudi com as mãos, todos os povos; cantae a Deus com voz de triumpho.

2 Porque o Senhor Altissimo _é_ tremendo, e Rei grande sobre toda a terra.

3 Elle nos subjugará os povos e as nações debaixo dos nossos pés.

4 Escolherá para nós a nossa herança, a gloria de Jacob, a quem amou (Selah).

5 Deus _subiu_ com jubilo, o Senhor _subiu_ ao som de trombeta.

6 Cantae louvores a Deus, cantae louvores; cantae louvores ao nosso Rei, cantae louvores.

7 Pois Deus _é_ o Rei de toda a terra, cantae louvores com intelligencia.

8 Deus reina sobre as nações: Deus se assenta [PB] sobre o throno da sua sanctidade.

9 Os principes do povo se ajuntam, o povo do Deus de Abrahão; porque os escudos da terra _são_ de Deus: elle está muito elevado!

_A belleza e os privilegios de Sião._

Cantico e psalmo para os filhos de Korah.

48 Grande _é_ o Senhor e mui _digno_ de louvor, na cidade do nosso Deus, _no_ seu monte sancto.

2 Formoso de [PC] sitio, e alegria de toda a terra _é_ o monte de Sião sobre os lados do norte, a cidade do grande Rei.

3 Deus _é_ conhecido nos seus palacios por um alto refugio.

4 Porque eis que os reis se ajuntaram: elles passaram juntos.

5 Viram-_n’o_, e ficaram maravilhados; ficaram assombrados e _se_ apressaram em fugir.

6 Tremor ali os tomou, e dôres como de mulher de parto.

7 Tu quebras as náus de Tarsis com um vento oriental.

8 Como _o_ ouvimos, assim _o_ vimos na cidade do Senhor dos Exercitos, na cidade do nosso Deus. [1] Deus a confirmará para sempre (Selah).

9 Lembramo-nos, ó Deus, da tua benignidade no meio do teu templo.

10 Segundo _é_ o teu nome, ó Deus, assim _é_ o teu louvor, até aos fins da terra: a tua mão direita está cheia de justiça.

11 Alegre-se o monte de Sião; alegrem-se as filhas de Judah por _causa dos_ teus juizos.

12 Rodeae Sião, e cercae-a, contae as suas torres.

13 Marcae bem os seus antemuros, considerae os seus palacios, para que o conteis á geração seguinte.

14 Porque este Deus _é_ o nosso Deus para sempre, elle será nosso guia até á morte.

[1] Isa. 2.2. Miq. 4.1.

_A vaidade dos bens terrestres. Só Deus salva da morte._

Psalmo para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.

49 Ouvi isto, _vós_ todos os povos; inclinae os ouvidos, todos os moradores do mundo,

2 Tanto baixos como altos, tanto ricos como pobres.

3 A minha bocca fallará de sabedoria; e a meditação do meu coração _será_ de entendimento.

4 Inclinarei [1] os meus ouvidos a _uma_ parabola: declararei o meu enigma na harpa.

5 Porque temerei eu nos dias maus, _quando_ me cercar a iniquidade dos que me armam ciladas?

6 Aquelles [2] que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das suas riquezas,

7 Nenhum d’elles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate d’elle

8 (Pois a redempção da sua alma é carissima, e cessará para sempre);

9 Para que viva para sempre, _e_ não veja corrupção:

10 Porque elle vê _que_ os sabios morrem: perecem egualmente tanto o louco como o brutal, e deixam a outros os seus bens.

11 O seu _pensamento_ interior _é que_ as suas casas _serão_ perpetuas _e_ as suas habitações de geração em geração; dão ás suas terras os seus proprios nomes.

12 Todavia o homem _que está_ na honra [3] não permanece; _antes_ é como os brutos _que_ perecem.

13 Este caminho d’elles _é_ a sua loucura; comtudo a sua posteridade approva as suas palavras (Selah).

14 Como ovelhas são postos na [PD] sepultura; a morte se alimentará d’elles; e os rectos terão dominio sobre elles na manhã, e a sua formosura na sepultura se consumirá [PE] da sua morada.

15 Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá (Selah).

16 Não temas, quando alguem se enriquece, quando a gloria da sua casa se engrandece.

17 Porque, quando morrer, nada levará _comsigo_, nem a sua gloria o acompanhará.

18 Ainda que na sua vida elle bemdisse a sua alma, e _os homens_ te louvam, quando fizeres bem a ti _mesmo_,

19 Irá para a geração de seus paes; elles nunca verão a luz.

20 O homem _que está_ na honra, e não tem entendimento, é similhante ás bestas que perecem.

[1] Mat. 13.35.

[2] Mar. 10.24. I Tim. 6.17.

[3] Luc. 12.10.

_Deus governa o mundo: Deus tem mais prazer na obediencia do que no sacrificio._

Psalmo de Asaph.

50 O Deus poderoso, o Senhor, fallou e chamou a terra desde o nascimento do sol até ao seu occaso.

2 Desde Sião, a perfeição da formosura, resplandeceu Deus.

3 Virá o nosso Deus, e não se calará; _um_ fogo se irá consumindo diante d’elle, e haverá grande tormenta ao redor d’elle.

4 Chamará os céus lá do alto, e a terra, para julgar o seu povo.

5 Ajuntae-me os meus sanctos, aquelles que fizeram comigo _um_ concerto com sacrificios.

6 E os céus annunciarão a sua justiça; pois Deus mesmo _é_ o Juiz (Selah).

7 Ouve, povo meu, e eu fallarei; Ó Israel, e eu protestarei contia ti; _Sou_ Deus, _sou_ o teu Deus.

8 Não te reprehenderei pelos teus sacrificios, ou holocaustos, _que estão_ continuamente perante mim.

9 Da tua casa não tirarei [1] bezerro _nem_ bodes dos teus curraes.

10 Porque meu _é_ todo o animal da selva, _e_ o gado sobre milhares de montanhas.

11 Conheço todas as aves dos montes; e minhas _são_ todas as feras do campo.

12 Se eu tivesse fome, não t’o diria, pois meu _é_ o mundo e _toda_ a sua plenitude.

13 Comerei eu carne de toiros? ou beberei sangue de bodes?

14 Offerece a Deus sacrificio de louvor, e paga ao Altissimo os teus votos.

15 E invoca-me [2] no dia da angustia: eu te livrarei, e tu me glorificarás.

16 Mas ao impio diz Deus: Que fazes tu em recitar os meus estatutos, e em tomar o meu concerto na tua bocca?

17 Visto que [3] aborreces a correcção, e lanças as minhas palavras para detraz de ti.

18 Quando vês o ladrão, consentes com elle, e _tens_ a tua parte com adulteros.

19 Soltas a tua bocca para o mal, e a tua lingua compõe o engano.

20 Assentas-te a fallar contra teu irmão; fallas mal contra o filho de tua mãe.

21 Estas _coisas_ tens feito, e eu me calei; pensavas que era _tal_ como tu; _mas_ eu te arguirei, e _as_ porei por ordem diante dos teus olhos.

22 Ouvi pois isto, vós que vos esqueceis de Deus; para que _vos_ não faça em pedaços, sem haver quem _vos_ livre.

23 Aquelle [4] que offerece o sacrificio de louvor me glorificará; e áquelle que _bem_ ordena o _seu_ caminho eu mostrarei a salvação de Deus.

[1] Miq. 6.6. Act. 17.25.

[2] Zac. 13.9.

[3] Rom. 2.21, 22. Neh. 9.26.

[4] Rom. 12.1. Gal. 6.16.

_David confessa o seu peccado, supplica o perdão e roga a Deus que lhe renove um espirito recto._

Psalmo de David para o cantor-mór, quando o propheta Nathan veiu a elle, depois d’entrar a Bathseba.

51 Tem misericordia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericordias.

2 Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu peccado.

3 Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu peccado _está_ sempre diante de mim.

4 Contra ti, contra ti sómente pequei, e fiz o que é mau á tua vista, para que sejas justificado quando fallares, _e_ puro quando julgares.

5 Eis que em iniquidade fui formado, e em peccado me concebeu minha mãe.

6 Eis que amas a verdade no intimo, e no occulto me fazes conhecer a sabedoria.

7 Purifica-me [1] com hyssope, e ficarei puro: lava-me, e ficarei mais branco do que a neve.

8 Faze-me ouvir jubilo e alegria, _para que_ gozem os ossos _que_ tu quebraste.

9 Esconde a tua face dos meus peccados, e apaga todas as minhas iniquidades.

10 Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espirito recto.

11 Não me lances fóra da tua presença, [2] e não retires de mim o teu Espirito Sancto.

12 Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustem-me _com o teu_ Espirito voluntario.

13 _Então_ ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os peccadores a ti se converterão.

14 Livra-me [3] dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, _e_ a minha lingua louvará altamente a tua justiça.

15 Abre, Senhor, os meus labios, e a minha bocca entoará o teu louvor.

16 Pois não queres os sacrificios que eu daria; tu não te deleitas em holocaustos.

17 Os sacrificios para Deus _são_ o espirito quebrantado; [4] a _um_ coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.

18 Faze o bem a Sião, segundo a tua boa vontade; edifica os muros de Jerusalem.

19 Então te agradarás [5] dos sacrificios da justiça, dos holocaustos e das offertas queimadas; então se offerecerão novilhos sobre o teu altar.

[1] Num. 19.18. Heb. 9.19. Isa. 1.18.

[2] Rom. 8.9. Eph. 4.30.

[3] II Sam. 11.17.

[4] Isa. 57.15.

[5] Mal. 3.3.

_David prediz a ruina do impio, e confia em Deus._

Maschil de David para o cantor-mór, quando Doeg, o idumeo, o annunciou a Saul, e lhe disse: David veiu a casa de Abimelech.

52 Porque te glorias na malicia, ó homem poderoso? pois a bondade de Deus _permanece_ continuamente.

2 A tua lingua intenta o mal, como uma navalha amolada, traçando enganos.

3 Tu amas mais o mal do que o bem, _e_ a mentira [1] mais do que o fallar a rectidão (Selah).

4 Amas todas as palavras devoradoras, ó lingua fraudulenta.

5 Tambem Deus te destruirá para sempre; arrebatar-te-ha e arrancar-te-ha da _tua_ habitação; e desarreigar-te-ha da terra dos viventes (Selah).

6 E os justos [2] o verão, e temerão: e se rirão d’elle:

7 Eis aqui o homem _que_ não poz em Deus a sua fortaleza; antes confiou na abundancia das suas riquezas, _e_ se fortaleceu na sua maldade.

8 Mas eu [3] _sou_ como a oliveira verde na casa de Deus; confio na misericordia de Deus para sempre, eternamente.

9 Para sempre te louvarei, porque tu _o_ fizeste, e esperarei no teu nome, porque _é_ bom diante de teus sanctos.

[1] Jer. 9.4, 5.

[2] Mal. 1.5.

[3] Jer. 11.16.

_O impio nega a existencia de Deus e se corrompe._

Maschil de David para o cantor-mór sobre Machalath.

53 Disse o [PF] nescio no seu coração: Não _ha_ Deus. Teem-se corrompido, [1] e commettido abominavel iniquidade: não _ha_ ninguem que faça o bem.

2 Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia _algum_ que tivesse entendimento e buscasse a Deus.

3 Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram immundos; não _ha_ quem faça o bem, não, nem sequer um.

4 Acaso não teem conhecimento [2] os que obram a iniquidade, os quaes comem o meu povo _como se_ comessem pão? elles não invocaram a Deus.

5 Ali se acharam em grande temor, _onde_ não havia temor, [3] pois Deus espalhou os ossos d’aquelle que te cercava; tu _os_ confundiste, porque Deus os rejeitou.

6 Oh! se _já_ de Sião viera a salvação de Israel! Quando Deus fizer voltar os captivos do seu povo, _então_ se regozijará Jacob _e_ se alegrará Israel.

[1] Rom. 3.10.

[2] Jer. 4.22.

[3] Eze. 6.5.

_David roga a Deus que o salve dos seus inimigos._

Maschil de David para o cantor-mór sobre Neginoth, quando os zipheos vieram e disseram a Saul: Porventura não está escondido entre nós?

54 Salva-me, ó Deus, pelo teu nome, e faze-me justiça pelo teu poder.

2 Ó Deus, ouve a minha oração, inclina os teus ouvidos ás palavras da minha bocca.

3 Porque os estranhos se levantam contra mim, e tyrannos procuram a minha vida: não teem posto Deus perante os seus olhos (Selah).

4 Eis que Deus _é_ o meu ajudador, o Senhor _está_ com aquelles que susteem a minha alma.

5 Elle recompensará com o mal aquelles que me andam espiando: destroe-os na tua verdade.

6 Eu te offerecerei voluntariamente sacrificios, louvarei o teu nome ó Senhor, porque _é_ bom.

7 Pois me tem livrado de toda a angustia; e os meus olhos viram _o meu desejo_ sobre os meus inimigos.

_David queixa-se da malicia dos seus inimigos; persevera em oração, e lança a sua carga sobre o Senhor._

Maschil de David para o cantor-mór, sobre Neginoth.

55 Inclina ó Deus os _teus_ ouvidos á minha oração, e não te escondas da minha supplica.

2 Attende-me, e ouve-me: lamento na minha queixa, [1] e faço ruido,

3 Pelo clamor do inimigo e por causa da oppressão do impio: pois lançou sobre mim a iniquidade, e com furor me aborrecem.

4 O meu coração está dolorido dentro de mim, e terrores da morte cairam sobre mim.

5 Temor e tremor vieram sobre mim; e o horror me cobriu.

6 Pelo que disse: Oh! quem me déra azas como de pomba! _porque então_ voaria, e estaria em descanço.

7 Eis que fugiria para longe, _e_ pernoitaria no deserto (Selah).

8 Apressar-me-hia a escapar da furia do vento _e_ da tempestade.

9 [PG] Despedaça, [2] Senhor, e divide as suas linguas, pois tenho visto violencia e contenda na cidade.

10 De dia e de noite a cercam sobre os seus muros; iniquidade e malicia _estão_ no meio d’ella.

11 Maldade _ha_ dentro d’ella: astucia e engano não se apartam das suas ruas.

12 Pois não _era um_ inimigo _que_ me affrontava: então eu _o_ houvera supportado: nem _era_ o que me aborrecia _que se_ engrandecia contra mim, porque d’elle me teria escondido.

13 Mas eras tu, homem meu egual, meu guia e meu intimo amigo.

14 Consultavamos juntos suavemente, [3] _e_ andavamos em companhia na casa de Deus.

15 A morte os assalte, _e_ vivos desçam ao [PH] inferno; porque _ha_ maldade nas suas habitações _e_ no meio d’elles.

16 Porém eu invocarei a Deus, e o Senhor me salvará.

17 De tarde [4] e de manhã e ao meio dia orarei; e clamarei, e elle ouvirá a minha voz.

18 Livrou em paz a minha alma da peleja _que havia_ contra mim; pois havia muitos [PI] comigo.

19 Deus ouvirá, e os affligirá, Aquelle que preside desde a antiguidade (Selah), porque não ha n’elles nenhuma mudança, _e_ portanto não temem a Deus.

20 Elle [5] poz as suas mãos n’aquelles que teem paz com elle: quebrou a sua alliança.

21 _As palavras_ da sua bocca eram mais macias do que a manteiga, mas _havia_ guerra no seu coração: as suas palavras _eram_ mais brandas do que o azeite; comtudo, eram espadas nuas.

22 Lança [6] a tua carga sobre o Senhor, e elle te susterá: não permittirá nunca que o justo seja abalado.

23 Mas tu, ó Deus, os farás descer ao poço da perdição; homens de sangue e de fraude não viverão metade dos seus dias; mas eu em ti confiarei.

[1] Isa. 38.14.

[2] Jer. 6.7.

[3] Psa. 42.5.

[4] Dan. 6.10. Luc. 18.1.

[5] Act. 12.1.

[6] Mat. 6.25.

_David roga a Deus que o livre dos seus inimigos, e confia em que elle lh’o conceda._

Mictam de David para o cantor-mór, sobre Jonath-elem-rechokin, quando os philisteos o prenderam em Gath.

56 Tem misericordia de mim, ó Deus, porque o homem procura devorar-me; pelejando todo o dia, me opprime.

2 Os que me andam espiando procuram devorar-me todo o dia; pois são muitos os que pelejam contra mim, ó Altissimo.

3 Em qualquer tempo que eu temer, me confiarei de ti.

4 Em Deus louvarei a sua palavra, em Deus puz a minha confiança; [1] não temerei o que me possa fazer a carne.

5 Todos os dias torcem as minhas palavras: todos os seus pensamentos _são_ contra mim para o mal.

6 Ajuntam-se, escondem-se, marcam os meus passos, como aguardando a minha alma.

7 _Porventura_ escaparão elles por meio da sua iniquidade? Ó Deus, derriba os povos na _tua_ ira!

8 Tu contas as minhas [PJ] vagueações; [2] põe as minhas lagrimas no teu odre; não _estão ellas_ no teu livro?

9 Quando eu a _ti_ clamar, então voltarão para traz os meus inimigos: isto sei eu, porque Deus _é_ por mim.

10 Em Deus louvarei a _sua_ palavra; no Senhor louvarei a _sua_ palavra.

11 Em Deus tenho posto a minha confiança; não temerei o que me possa fazer o homem.

12 Os teus votos _estão_ sobre mim, ó Deus; eu te renderei acções de graças;

13 Pois tu livraste a minha alma da morte; não _livrarás_ os meus pés da queda, para andar diante de Deus na luz dos viventes?

[1] Isa. 31.3. Heb. 13.6.

[2] Mal. 3.16.

_David acha soccorro contra os seus inimigos e louva a Deus._

Mictam de David para o cantor-mór Al-tascheth, quando fugia de diante de Saul na caverna.

57 Tem misericordia de mim, ó Deus, tem misericordia de mim, porque a minha alma confia em ti; e na sombra das tuas azas me abrigo, até que passem [1] as calamidades.

2 Clamarei ao Deus altissimo, ao Deus que por mim tudo executa.

3 Elle enviará desde os céus, e me salvará _do_ desprezo d’aquelle que procurava devorar-me (Selah). Deus enviará a sua misericordia e a sua verdade.

4 A minha alma _está_ entre leões, e eu estou _entre_ aquelles que estão abrazados, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e frechas, e a sua lingua espada afiada.

5 Sê exaltado, ó Deus, sobre os céus; seja a tua gloria sobre toda a terra.

6 Armaram uma rede aos meus passos; a minha alma está abatida; cavaram uma cova diante de mim, _porém elles mesmos_ cairam no meio d’ella (Selah).

7 Preparado está o meu coração, ó Deus, preparado está o meu coração; cantarei, e direi psalmos.

8 Desperta, gloria minha, desperta, alaude e harpa; eu _mesmo_ despertarei ao romper da alva.

9 Louvar-te-hei, Senhor, entre os povos; eu te cantarei entre as nações.

10 Pois a tua misericordia _é_ grande até aos céus, e a tua verdade até ás nuvens.

11 Sê exaltado, ó Deus, sobre os céus; e seja a tua gloria sobre toda a terra.

[1] Isa. 26.20.

_David reprova os impios. Deus os castigará, e salvará os justos._

Mictam de David para o cantor-mór Al-tascheth.

58 Acaso fallaes vós devéras, ó congregação, a justiça? Julgaes realmente, ó filhos dos homens?

2 Antes no coração obraes perversidades: sobre a terra pesaes a violencia das vossas mãos.

3 Alienam-se os impios desde a madre; andam errados desde que nasceram, fallando mentiras.

4 O seu veneno é similhante ao veneno da serpente; _são_ como a vibora surda _que_ tapa os ouvidos,

5 Para não ouvir a voz dos encantadores, do encantador sabio em encantamentos.

6 Ó Deus, quebra-lhes os dentes nas suas boccas; arranca, Senhor, os dentes queixaes aos filhos dos leões.

7 Escorram como aguas _que_ correm constantemente; _quando_ elle armar as suas frechas, fiquem feitos em pedaços.

8 Como a lesma se derrete, _assim_ se vá _cada um d’elles_, _como_ o aborto d’uma mulher, que nunca viu o sol.

9 Antes que as vossas panellas sintam os espinhos, elle os arrebatará na sua indignação como com um redemoinho.

10 O justo se alegrará quando vir a vingança; lavará os seus pés no sangue do impio.

11 Então dirá o homem: Devéras _ha_ uma recompensa para o justo; devéras ha um Deus que julga na terra.

_David supplica a Deus que o livre, e protesta a sua innocencia._

Mictam de David para o cantor-mór Al-taschet, quando Saul lhes mandou que guardassem a sua casa para o matarem.

59 Livra-me, meu Deus, dos meus inimigos, defende-me d’aquelles que se levantam contra mim.

2 Livra-me dos que obram a iniquidade, e salva-me dos homens sanguinarios.

3 Pois eis que põem ciladas á minha alma; os fortes se ajuntam contra mim, não _por_ transgressão minha ou _por_ peccado meu, ó Senhor.

4 Elles correm, e se preparam, sem culpa _minha_: desperta para me ajudares, e olha.

5 Tu, pois, ó Senhor, Deus dos Exercitos, Deus d’Israel, desperta para visitares [PK] todos os gentios: não tenhas misericordia de nenhum dos perfidos que obram a iniquidade (Selah).

6 Voltam á tarde: dão ganidos como cães, e rodeiam a cidade.

7 Eis que elles dão gritos com as suas boccas; espadas _estão_ nos seus labios, porque _dizem elles_: Quem ouve?

8 Mas tu, Senhor, te rirás d’elles: zombarás de todos os gentios.

9 _Por causa_ da sua força eu te aguardarei; pois Deus é a minha alta defeza.

10 O Deus da minha misericordia me prevenirá: Deus me fará ver _o meu desejo_ sobre os meus inimigos.

11 Não os mates, para que o meu povo se não esqueça: espalha-os pelo teu poder, e abate-os, ó Senhor, nosso escudo.

12 _Pelo_ peccado da sua bocca _e pelas_ palavras dos seus labios fiquem presos na sua soberba, e pelas maldições e pelas mentiras que fallam.

13 Consome-_os_ na _tua_ indignação, consome-_os_, para que não existam, e para que saibam que Deus reina em Jacob até aos fins da terra (Selah).

14 E tornem a vir á tarde, e dêem ganidos como cães, e cerquem a cidade.

15 Vagueiem para cima e para baixo por mantimento, e passem a noite sem se saciarem.

16 Eu porém cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua misericordia; porquanto tu foste o meu alto refugio, e protecção no dia da minha angustia.

17 A ti, ó fortaleza minha, cantarei _psalmos_; porque Deus _é_ a minha defeza e o Deus da minha misericordia.

_Acção de graças por varias victorias._

Mictam de David, de doutrina, para o cantor-mór, sobre Susan Eduth, quando pelejou com os syros de Mesopotamia, e com os syros de Zoba, e Joab, tornando, feriu no Valle do Sal a doze mil dos idumeos.

60 Ó Deus, tu nos rejeitaste, tu nos espalhaste, tu te indignaste; oh, volta-te para nós.

2 Abalaste a terra, _e_ a fendeste; sara as suas fendas, pois ella treme.

3 Fizeste ver ao teu povo coisas arduas; [1] fizeste-nos beber o vinho da perturbação.

4 Déste um estandarte aos que te temem, para arvorarem no alto, por causa da verdade (Selah).

5 Para que os teus amados sejam livres, salva-_nos com_ a tua dextra, e ouve-nos;

6 Deus fallou na sua sanctidade: Eu me regozijarei, [2] repartirei a Sichem e medirei o valle de Succoth.

7 Meu _é_ Galaad, e meu _é_ Manasseh; Ephraim _é_ a força da minha cabeça; Judah é o meu legislador.

8 Moab _é_ o meu vaso de lavar; sobre Edom lançarei o meu sapato; alegra-te, ó Palestina, por minha causa.

9 Quem me conduzirá á cidade forte? Quem me guiará até Edom?

10 Não _serás_ tu, ó Deus, _que_ nos tinhas rejeitado? _tu_, ó Deus, _que_ não saiste com os nossos exercitos?

11 Dá-nos auxilio na angustia, porque vão _é_ [PL] o soccorro do homem.

12 Em Deus faremos proezas; porque _elle é que_ pisará os nossos inimigos.

[1] Isa. 51.17. Jer. 51.17, 21.

[2] Jos. 1.6. Gen. 12.6.

_David confia em Deus como seu refugio._

Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Neginoth.

61 Ouve, ó Deus, o meu clamor; attende á minha oração.

2 Desde o fim da terra clamarei a ti, quando o meu coração estiver desmaiado; leva-me para a rocha que é mais alta do que eu.

3 Pois tens sido um refugio para mim, _e_ uma torre forte contra o inimigo.

4 Habitarei no teu tabernaculo para sempre: abrigar-me-hei no occulto das tuas azas (Selah).

5 Pois tu, ó Deus, ouviste os meus votos: déste-_me_ a herança dos que temem o teu nome.

6 Prolongarás os dias do rei; _e_ os seus annos serão como muitas gerações.

7 Elle permanecerá diante de Deus para sempre; prepara-_lhe_ misericordia e verdade _que_ o preservem.

8 Assim cantarei psalmos ao teu nome perpetuamente, para pagar os meus votos de dia em dia.

_Exhortação a que se confie sómente em Deus._

Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Jeduthun.

62 A minha alma [PM] espera sómente em Deus: d’elle _vem_ a minha salvação.

2 Só elle _é_ a minha rocha e a minha salvação; _é_ a minha defeza; não serei grandemente abalado.

3 Até quando maquinareis o _mal_ contra um homem? sereis mortos todos vós, [1] _sereis_ como uma parede encurvada _e_ um vallado bambaleante.