A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 97

Chapter 974,342 wordsPublic domain

17 _Os justos_ clamam, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas angustias.

18 Perto [9] _está_ o Senhor dos que teem o coração quebrantado, e salva os contritos de espirito.

19 Muitas _são_ as afflicções do justo, mas o Senhor o livra de todas.

20 Elle lhe guarda [10] todos os seus ossos; nem sequer um d’elles se quebra.

21 A malicia matará o impio, e os que aborrecem o justo serão [OE] desolados.

22 O Senhor resgata a alma dos seus servos, e nenhum dos que n’elle confiam será [OF] desolado.

[1] Eph. 5.20. I The. 5.18.

[2] Jer. 9.24. I Cor. 1.31.

[3] Mat. 7.7. Luc. 11.9.

[4] Dan. 6.22. Heb. 1.14.

[5] I Ped. 3.10, 11.

[6] I Ped. 2.22.

[7] I Ped. 3.12.

[8] Lev. 17.10. Jer. 44.11. Amós 9.4.

[9] Isa. 57.15 e 61.1.

[10] João 19.36.

_David pede o castigo dos impios; descripção da miseria d’estes e supplica para que Deus os julgue._

Psalmo de David.

35 Pleiteia, Senhor, com aquelles que pleiteiam comigo: peleja contra [1] os que pelejam contra mim.

2 Pega do escudo e da rodela, e levanta-te em minha ajuda.

3 Tira da lança e [OG] obstroe _o caminho_ aos que me perseguem; dize á minha alma: Eu _sou_ a tua salvação.

4 Sejam [2] confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida: voltem atraz e envergonhem-se os que contra mim tentam mal.

5 Sejam como _moinho_ perante o vento, o anjo do Senhor os faça fugir.

6 Seja o seu caminho tenebroso e escorregadio, e o anjo do Senhor os persiga.

7 Porque sem causa encobriram de mim a rede na cova, _a qual_ sem razão cavaram para a minha alma.

8 Sobrevenha-lhe destruição sem o saber, e prenda-o a rede que occultou; caia elle n’essa mesma destruição.

9 E a minha alma se alegrará no Senhor; alegrar-se-ha na sua salvação.

10 Todos os meus ossos dirão: Senhor, quem _é_ como tu, que livras o pobre d’aquelle que é mais forte do que elle? sim, o pobre e o necessitado d’aquelle que o rouba.

11 Falsas testemunhas se levantaram: depozeram contra mim _coisas_ que eu não sabia.

12 Tornaram-me o mal pelo bem, roubando a minha alma.

13 Mas, quanto a mim, quando estavam enfermos, o meu vestido _era_ o sacco; humilhava a minha alma com o jejum, e a minha oração voltava para o meu seio.

14 Portava-me como _se elle fôra_ meu irmão ou amigo; andava lamentando e muito encurvado, como quem chora _por sua_ mãe.

15 Mas elles com a minha adversidade se alegravam e se congregavam: os objectos se congregavam contra mim, e eu não o sabia; [OH] rasgavam-me, e não cessavam.

16 Como hypocritas zombadores nas festas, rangiam os dentes contra mim.

17 Senhor, [3] até quando verás isto? resgata a minha alma das suas assolações, e a minha [OI] predilecta dos leões,

18 Louvar-te-hei na grande congregação: entre muitissimo povo te celebrarei.

19 Não se alegrem os meus inimigos de mim sem razão, _nem_ acenem com os olhos aquelles que me aborrecem sem causa.

20 Pois não fallam de paz; antes projectam [OJ] enganar os quietos da terra.

21 Abrem a bocca de par em par contra mim, _e_ dizem: Ólá, Ólá! os nossos olhos _o_ viram.

22 Tu, Senhor, _o_ tens visto, não te cales: Senhor, não te alongues de mim;

23 Desperta e acorda para o meu julgamento, para a minha causa, Deus meu, e Senhor meu.

24 Julga-me segundo a tua justiça, Senhor Deus meu, e não deixes que se alegrem de mim.

25 Não digam em seus corações: Eia, sus, alma nossa: não digam: Nós o havemos devorado.

26 Envergonhem-se [4] e confundam-se á uma os que se alegram com o meu mal; vistam-se de vergonha e de confusão os que _se_ engrandecem contra mim.

27 Cantem [5] e alegrem-se os que amam a minha justiça, e digam continuamente: O Senhor seja engrandecido, o qual ama a prosperidade do seu servo.

28 E assim a minha lingua fallará da tua justiça _e_ do teu louvor todo o dia.

[1] Lam. 3.58. Exo. 14.25.

[2] Isa. 29.5. Ose. 13.3.

[3] Hab. 1.13.

[4] ver. 4.

[5] Rom. 12.15. I Cor. 12.26.

_A malicia dos impios. Nosso refugio está em Deus, que salva os rectos._

Psalmo de David, servo do Senhor, para o cantor-mór.

36 A prevaricação do impio diz no intimo do seu coração: Não _ha_ temor [1] de Deus perante os seus olhos.

2 Porque em seus olhos se lisongeia, até que a sua iniquidade se descubra ser detestavel.

3 As palavras da sua bocca _são_ malicia e engano: deixou de entender _e_ de fazer o bem.

4 Projecta a malicia na sua cama; põe-se no caminho _que_ não _é_ bom: não aborrece o mal.

5 A tua misericordia, Senhor, _está_ nos céus, e a tua fidelidade _chega_ até ás mais _excelsas_ nuvens.

6 A tua justiça _é_ como as grandes montanhas; os teus juizos _são um_ grande abysmo; Senhor, tu conservas os homens e os animaes.

7 Quão preciosa _é_, ó Deus, a tua benignidade, pelo que os filhos dos homens se abrigam á sombra das tuas azas.

8 Elles se fartarão da gordura da tua casa, e os farás [2] beber da corrente das tuas delicias;

9 Porque [3] em ti _está_ o manancial da vida; na tua luz veremos a luz.

10 Estende a tua benignidade sobre os que te conhecem, e a tua justiça sobre os rectos de coração.

11 Não venha sobre mim o pé dos soberbos, e não me mova a mão dos impios.

12 Ali caem os que obram a iniquidade; cairão, e não se poderão levantar.

[1] Rom. 3.18.

[2] Apo. 22.1.

[3] Jer. 2.13. João 4.10, 14.

_A prosperidade dos peccadores acaba, mas sómente os justos serão felizes._

Psalmo de David.

37 Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que obram a iniquidade.

2 Porque cedo serão ceifados como a herva, e murcharão como a verdura.

3 Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado.

4 Deleita-te [1] tambem no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração.

5 Entrega o [2] teu caminho ao Senhor; confia n’elle, e elle o fará.

6 E elle fará sobresair a tua justiça como a luz, e o teu juizo como o meio-dia.

7 Descança no Senhor, e espera n’elle; não te indignes por causa d’aquelle que prospera em seu caminho, por causa do homem que executa astutos intentos.

8 Deixa a ira, e abandona o furor: não te indignes para fazer sómente o mal.

9 Porque os malfeitores serão desarreigados; mas aquelles que esperam no Senhor herdarão a terra.

10 Pois ainda um pouco, e o impio não _existirá_; olharás para o seu logar, e não _apparecerá_.

11 Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundancia de paz.

12 O impio maquina contra o justo, e contra elle range os dentes.

13 O Senhor se rirá d’elle, pois vê que vem chegando o seu dia.

14 Os impios puxaram da espada e entesaram o arco, para derribarem o pobre e necessitado, _e_ para matarem os [OK] de recta conversação.

15 _Porém_ a sua espada lhes entrará no coração, e os seus arcos se quebrarão.

16 Vale mais o pouco que tem o justo, do que as riquezas de muitos impios.

17 Pois os braços dos impios se quebrarão, mas o Senhor sustem os justos.

18 O Senhor conhece os dias dos rectos, [3] e a sua herança permanecerá para sempre.

19 Não serão envergonhados nos dias maus, e nos dias de fome se fartarão.

20 Mas os impios perecerão, e os inimigos do Senhor _serão_ como a gordura dos cordeiros; desapparecerão, e em fumo se desfarão.

21 O impio toma emprestado, e não paga; mas o justo se compadece, e dá.

22 Porque _aquelles que_ elle abençoa herdarão a terra, e aquelles _que forem_ por elle amaldiçoados serão desarreigados.

23 Os passos de _um_ homem _bom_ são confirmados pelo Senhor, e deleita-se no seu caminho.

24 Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor _o_ sustem _com_ a sua mão.

25 Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua semente a mendigar o pão.

26 Compadece-se sempre, e empresta, e a sua semente _é_ abençoada.

27 Aparta-te do mal e faze o bem; e habita para sempre.

28 Porque o Senhor ama o juizo e não desampara os seus sanctos; elles são preservados para sempre; mas a semente dos impios será desarreigada.

29 Os justos herdarão a terra e habitarão n’ella para sempre.

30 A bocca do justo falla a sabedoria: a sua lingua falla do juizo.

31 A lei do seu Deus _está_ em seu coração; os seus passos não resvallarão.

32 O impio espreita ao justo, e procura matal-o.

33 O Senhor não o deixará em suas mãos, nem o condemnará quando fôr julgado.

34 Espera no Senhor, e guarda o seu caminho, e te exaltará para herdares a terra: tu _o_ verás quando os impios forem desarreigados.

35 Vi o impio com grande poder espalhar-se como a arvore verde na terra natal.

36 Mas passou e já não _apparece_: procurei-o, mas não se poude encontrar.

37 Nota o _homem_ sincero, e considera o recto, porque o fim d’_esse_ homem _é_ a paz.

38 Emquanto aos transgressores serão á uma destruidos, e as reliquias dos impios serão destruidas.

39 Mas a salvação dos justos _vem_ do Senhor; _elle é_ a sua fortaleza no tempo da angustia.

40 E o Senhor os [4] ajudará e os livrará; elle os livrará dos impios e os salvará, [5] porquanto confiam n’elle.

[1] Isa. 58.14.

[2] Luc. 12.22.

[3] Isa. 60.21.

[4] Isa. 31.5.

[5] Dan. 3.17, 28 e 6.23.

_A dôr e o arrependimento do peccador; dirige-se a Deus para obter perdão e salvação._

Psalmo de David para lembrança.

38 Ó Senhor, não me reprehendas na tua ira, nem me castigues em teu furor.

2 Porque as tuas frechas se cravaram em mim, e a tua mão sobre mim desceu.

3 Não _ha_ coisa sã na minha carne, por causa da tua colera; nem _ha_ paz em meus ossos, por causa do meu peccado.

4 Pois _já_ as minhas [1] iniquidades sobrepassam a minha cabeça: como carga pesada são de mais para as minhas forças.

5 As minhas chagas [2] cheiram mal e estão corruptas, por causa da minha loucura.

6 Estou encurvado, estou muito abatido, ando lamentando todo o dia.

7 Porque as minhas ilhargas estão cheias de ardor, e não _ha_ coisa sã na minha carne.

8 Estou fraco e mui quebrantado; tenho rugido pela inquietação do meu coração.

9 Senhor, diante de ti _está_ todo o meu desejo, e o meu gemido não te é occulto.

10 O meu coração dá voltas, a minha força me falta; emquanto á luz dos meus olhos, ella me deixou.

11 Os meus amigos e os meus propinquos estão ao longe da minha chaga; e os meus parentes se pôem em distancia.

12 Tambem os que buscam a minha vida _me_ armam laços, e os que procuram o meu mal fallam coisas que damnificam, e imaginam astucias todo o dia.

13 Mas eu, como surdo, não ouvia, e _era_ como mudo _que_ não abre a bocca.

14 Assim eu sou como homem que não ouve, e em cuja bocca não _ha_ reprovação.

15 Porque em ti, Senhor, espero; tu, Senhor meu Deus, me ouvirás.

16 Porque dizia eu: _Ouve-me_, para que se não alegrem de mim: quando escorrega o meu pé, elles _se_ engrandecem contra mim.

17 Porque _estou_ prestes a coxear; a minha dôr _está_ constantemente perante mim.

18 Porque eu declararei a minha iniquidade; affligir-me-hei por causa do meu peccado.

19 Mas os meus inimigos _estão_ vivos _e_ são fortes, e os que sem causa me odeiam se engrandecem.

20 Os que dão mal pelo bem são meus adversarios, porquanto eu sigo _o que é_ bom.

21 Não me desampares, Senhor, meu Deus, [3] não te alongues de mim.

22 Apressa-te em meu auxilio, Senhor, minha salvação.

[1] Esd. 9.6.

[2] Mat. 11.28.

[3] Isa. 12.2.

_O cuidado com as nossas palavras; a brevidade e vaidade da vida; a supplica para que Deus o guarde da impaciencia._

Psalmo de David para o cantor-mór, para Jeduthun.

39 Disse: Guardarei os meus caminhos para não delinquir com a minha lingua: guardarei a bocca com um freio, emquanto o impio _estiver_ diante de mim.

2 Com o silencio fiquei mudo; calava-me mesmo _ácerca_ do bem, e a minha dôr se aggravou.

3 Esquentou-se-me o coração dentro de mim; emquanto eu meditava se accendeu um fogo: _então_ fallei com a minha lingua.

4 Faze-me conhecer, Senhor, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou fragil.

5 Eis que fizeste os meus dias como a palmos, o tempo da minha _vida_ é como nada diante de ti; na verdade que todo o homem, por mais firme que esteja, é totalmente vaidade (Selah).

6 Na verdade que todo o homem anda como uma [OL] apparencia; na verdade que em vão se inquietam: amontoam _riquezas_, e não sabem quem as levará.

7 Agora, pois, Senhor, que espero eu? A minha esperança _está_ em ti.

8 Livra-me de todas as minhas transgressões; não me faças o opprobrio dos loucos.

9 Emmudeci: não abro a minha bocca, porquanto tu _o_ fizeste.

10 Tira de sobre mim a tua praga; estou desfallecido pelo golpe da tua mão.

11 _Quando_ castigas o homem, por causa da iniquidade, com reprehensões, fazes com que a sua belleza se consuma como a traça: assim todo o homem _é_ [OM] vaidade (Selah.)

12 Ouve, Senhor, a minha oração, e inclina os teus ouvidos ao meu clamor; não te cales perante as minhas lagrimas, porque [1] _sou_ estranho para ti _e_ peregrino como todos os meus paes.

13 Poupa-me, até que tome alento, antes que me vá, e não seja _mais_.

[1] Lev. 25.23. Heb. 11.13.

_Deus ouve a alma paciente: a obediencia é melhor do que o sacrificio; oração a Deus para que o livre dos males._

Psalmo de David para o cantor-mór.

40 Esperei com paciencia ao Senhor, e elle se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.

2 Tirou-me [ON] d’um lago horrivel, d’um charco de lodo, poz os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos,

3 E poz um novo cantico na minha bocca, um hymno ao nosso Deus; muitos _o_ verão, e temerão, e confiarão no Senhor.

4 Bemaventurado [1] o homem que põe no Senhor a sua confiança, e o que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira.

5 Muitas são, Senhor meu Deus, as maravilhas _que_ tens obrado para comnosco, e os teus pensamentos não se podem contar por ordem diante de ti; _se_ eu _os_ quizera annunciar, e d’elles fallar, são mais do que se podem contar.

6 Sacrificio [2] e offerta não quizeste; as minhas orelhas [OO] abriste, holocausto e expiação pelo peccado não reclamaste.

7 Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim _está_ escripto.

8 Deleito-me em fazer a tua vontade, _ó_ Deus meu; sim, a tua lei _está_ dentro do meu coração.

9 Préguei a justiça na grande congregação; eis-que não retive os meus labios, Senhor, tu o sabes.

10 Não escondi a tua justiça dentro do meu coração; apregoei a tua fidelidade e a tua salvação: [3] não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua verdade.

11 Não retires de mim, Senhor, as tuas misericordias; guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade.

12 Porque males sem numero me teem rodeado: as minhas iniquidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima: são muitas mais do que os cabellos da minha cabeça; pelo que desfallece o meu coração.

13 Digna-te, Senhor, livrar-me: Senhor, apressa-te em meu auxilio.

14 Sejam á uma confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida para destruil-a; tornem atraz e confundam-se os que me querem mal.

15 Desolados sejam em pago da sua affronta os que me dizem: Ha! Ha!

16 Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam: digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o Senhor.

17 Mas eu _sou_ pobre e necessitado; comtudo o Senhor [4] cuida de mim: tu _és_ o meu auxilio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus.

[1] Jer. 17.7.

[2] I Sam. 15.22.

[3] Act. 20.20, 27.

[4] I Ped. 5.7.

_O cuidado de Deus para com os pobres. David queixa-se da traição de seus inimigos e busca o soccorro de Deus._

Psalmo de David para o cantor-mór.

41 Bemaventurado [1] _é_ aquelle que attende ao pobre; o Senhor o livrará no dia do mal.

2 O Senhor o livrará, e o conservará em vida; será abençoado na terra, e tu não o entregarás á vontade de seus inimigos.

3 O Senhor o sustentará no leito da enfermidade; tu farás toda a sua cama na doença.

4 Dizia eu: Senhor, tem piedade de mim; sára [2] a minha alma, porque pequei contra ti.

5 Os meus inimigos fallam mal de mim, _dizendo_: Quando morrerá elle, e perecerá o seu nome?

6 E, se _algum d’elles_ vem ver-me, falla coisas vãs; no seu coração amontoa a maldade; saindo para fóra, falla _d’ella_.

7 Todos os que me aborrecem murmuram á uma contra mim; contra mim imaginam o mal, _dizendo_:

8 Uma má doença se lhe tem apegado; e, _agora_ que está deitado, não se levantará mais.

9 Até o meu proprio amigo intimo, em quem eu _tanto_ confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar.

10 Porém tu, Senhor, tem piedade de mim, e levanta-me, para que eu lhes dê o pago.

11 Por isto conheço eu que tu me favoreces: que o meu inimigo não triumpha de mim.

12 Emquanto a mim, tu me sustentas na minha sinceridade, e me pozeste diante da tua face para sempre.

13 Bemdito _seja_ o Senhor Deus d’Israel, de seculo em seculo: Amen e Amen.

[1] Pro. 14.21.

[2] Psa. 6.3.

_A alma anhela por servir a Deus no seu templo._

Maschil para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.

42 Assim como o cervo [OP] brama pelas correntes das aguas, assim brama a minha alma por ti, ó Deus!

2 A minha alma tem sêde de Deus, do Deus vivo: quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?

3 As minhas lagrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, emquanto me dizem constantemente: Onde _está_ o teu Deus?

4 Quando me lembro d’isto, dentro de mim derramo a minha alma: pois [1] eu havia ido com a multidão; fui com elles á casa de Deus, com voz d’alegria e louvor, com a multidão que festejava.

5 Porque estás abatida, ó alma minha, e _porque_ te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei _pela_ salvação da sua face.

6 Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; portanto lembro-me de ti desde a terra do Jordão, e desde os hermonitas, desde [OQ] o pequeno monte.

7 _Um_ abysmo [2] chama _outro_ abysmo; ao ruido das tuas catadupas: todas as tuas ondas e as tuas vagas teem passado sobre mim.

8 Comtudo o Senhor mandará a sua misericordia de dia, e de noite a sua canção estará comigo, _e_ a oração ao Deus da minha vida.

9 Direi a Deus, minha Rocha: Porque te esqueceste de mim? porque ando lamentando por causa da oppressão do inimigo?

10 [OR] Com ferida mortal em meus ossos me affrontam os meus adversarios, quando todo o dia me dizem: Onde _está_ o teu Deus?

11 Porque estás [3] abatida, ó alma minha, e porque te perturbas dentro de mim? espera em Deus, pois ainda o louvarei, _o qual é_ [OS] a salvação da minha face, e o meu Deus.

[1] Isa. 30.29.

[2] Jer. 4.20. Eze. 7.26.

[3] ver. 5.

_Oração para que seja restituido aos privilegios do sanctuario._

43 Faze-me justiça, ó Deus, e pleiteia a minha causa contra a [OT] gente impia; livra-me do homem fraudulento e injusto.

2 Pois tu _és_ o Deus da minha fortaleza; porque me rejeitas? porque ando lamentando por causa da oppressão do inimigo?

3 Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem e me levem ao teu sancto monte, e aos teus tabernaculos.

4 Então irei ao altar de Deus, a Deus, _que é_ [OU] a minha grande alegria, e com harpa te louvarei, ó Deus, Deus meu.

5 Porque estás abatida, ó alma minha? e porque te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, _o qual é_ a salvação da minha face e Deus meu.

_O povo de Deus recorda os favores antigos, e roga o livramento dos males presentes._

Maschil para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.

44 Ó Deus, nós ouvimos com os nossos ouvidos, [1] e nossos paes nos teem contado a obra _que_ fizeste em seus dias, nos tempos da antiguidade.

2 Como expelliste as nações com a tua mão e os plantaste a elles: _como_ affligiste os povos e [OV] os derribaste.

3 Pois não conquistaram a terra pela sua espada, nem o seu braço os salvou, mas a tua dextra e o teu braço, e a luz da tua face, porquanto te agradaste d’elles.

4 Tu és o meu Rei, ó Deus: ordena [OW] salvações para Jacob.

5 Por ti escornearemos [2] os nossos inimigos: pelo teu nome pizaremos os que se levantam contra nós:

6 Pois eu não confiarei no meu arco, nem a minha espada me salvará.

7 Mas tu nos salvaste dos nossos inimigos, e confundiste os que nos aborreciam.

8 Em Deus nos gloriamos todo o dia, e louvamos o teu nome eternamente (Selah).

9 Mas agora tu nos rejeitaste e nos confundiste, e não saes com os nossos exercitos.

10 Faze-nos [3] retirar do inimigo, e aquelles que nos odeiam _nos_ saqueiam para si.

11 Tu nos entregaste como [4] ovelhas para comer, e nos espalhaste entre as nações.

12 Tu vendes por nada o teu povo, e não augmentas _a tua riqueza_ com o seu preço.

13 Tu nos pões por opprobrio aos nossos visinhos, por escarneo e zombaria de aquelles que estão á roda de nós.

14 Tu nos pões por proverbio entre as nações, por movimento de cabeça entre os povos.

15 A minha [OX] confusão _está_ constantemente diante de mim, e a vergonha do meu rosto me cobre:

16 Á voz d’aquelle que affronta e blasphema, por causa do inimigo e do vingador.

17 Tudo [5] isto nos sobreveiu: _comtudo_ não nos esquecemos de ti, nem nos houvemos falsamente contra o teu concerto.

18 O nosso coração não voltou atraz, nem os nossos passos se desviaram das tuas veredas;

19 Ainda que nos quebrantaste n’um logar de [OY] dragões, e nos cobriste com a sombra da morte.

20 Se nós esquecemos o nome do nosso Deus, e estendemos as nossas mãos para _um_ deus estranho,

21 _Porventura_ não esquadrinhará Deus isso? pois elle sabe os segredos do coração.

22 Sim, por amor de ti, somos mortos todo o dia: somos tidos na conta de ovelhas para o matadouro.

23 Desperta, porque dormes, Senhor? acorda, não _nos_ rejeites para sempre.

24 Porque escondes [6] a tua face, e te esqueces da nossa miseria e da nossa oppressão?

25 Pois a nossa alma está abatida até ao pó; o nosso ventre se apega á terra.

26 Levanta-te em nosso auxilio, e resgata-nos por amor das tuas misericordias.

[1] Exo. 12.26.

[2] Dan. 8.6.

[3] Lev. 26.17.

[4] Rom. 8.36.

[5] Dan. 9.13.

[6] Job 13.24.

_Descripção prophetica da união entre Christo e a sua egreja._

Maschil, cantico d’amor, para o cantor-mór, entre os filhos de Korah, sobre Shoshannim.

45 O meu coração ferve com palavras boas, fallo do que tenho feito no tocante ao Rei: a minha lingua _é_ a penna de um dextro escriptor.

2 Tu és mais formoso do que os filhos dos homens; [1] a graça se derramou em teus labios; portanto Deus te abençoou para sempre.

3 Cinge [2] a tua espada á coxa, ó Valente, com a tua gloria e a tua magestade.

4 [OZ] E n’_este_ teu esplendor cavalga prosperamente, por causa da verdade, da mansidão _e_ da justiça; e a tua dextra te ensinará coisas terriveis.

5 As tuas frechas _são_ agudas [PA] no coração dos inimigos do Rei, _e por ellas_ os povos cairam debaixo de ti.

6 O teu throno, ó Deus, é eterno e perpetuo; o sceptro do teu reino _é_ um sceptro d’equidade.

7 Tu amas a justiça e aborreces a impiedade; portanto, Deus, o teu Deus, te ungiu com oleo de alegria, mais do que a teus companheiros.

8 Todos os teus vestidos _cheiram_ a myrrha, e aloes _e_ cassia, desde os palacios de marfim de onde te alegram.

9 As filhas dos reis _estavam_ entre as tuas illustres _donzellas_; á tua direita estava a rainha _ornada_ de finissimo oiro de Ophir.

10 Ouve, filha, e olha, e inclina os teus ouvidos; esquece-te do teu povo e da casa do teu pae.

11 Então o rei se afeiçoará da tua formosura, pois elle _é_ teu Senhor; adora-o.

12 E a filha de Tyro _estará ali_ com presentes; os ricos do povo supplicarão o teu favor.

13 A filha do rei _é_ toda illustre por dentro: o seu vestido _é_ de oiro engastado.

14 Leval-a-hão ao rei com vestidos bordados; as virgens que a acompanham a trarão a ti.

15 Com alegria e regozijo as trarão: ellas entrarão no palacio do rei.

16 Em logar de teus paes serão teus filhos; d’elles farás [3] principes sobre toda a terra.

17 Farei lembrado [4] o teu nome de geração em geração; pelo que os povos te louvarão eternamente.

[1] Luc. 4.22.

[2] Isa. 49.2. Heb. 4.12. Apo. 1.16.

[3] I Ped. 2.9. Apo. 1.6.

[4] Mal. 1.11.

_A fé perfeita que aquelle que crê tem em Deus._

Cantico sobre Alamoth, para o cantor-mór entre os filhos de Korah.

46 Deus _é_ o nosso refugio e fortaleza, soccorro [1] bem presente na angustia.

2 Pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares.