A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 95
9 Porque não _ha_ rectidão na bocca d’elles: as suas entranhas _são_ verdadeiras maldades, a sua garganta _é_ um sepulchro aberto; lisongeam com a sua lingua.
10 Declara-os culpados, ó Deus: caiam [3] por seus proprios conselhos; lança-os fóra por causa da multidão de suas transgressões, pois se rebellaram contra ti.
11 Porém alegrem-se [4] todos os que confiam em ti; exultem eternamente, porquanto tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu nome.
12 Pois tu, Senhor, abençoarás ao justo; coroal-o-has com a tua benevolencia, como de um escudo.
[1] Hab. 1.13.
[2] Apo. 21.8.
[3] II Sam. 15.31 e 17.14, 23.
[4] Isa. 65.14.
_David recorre á misericordia de Deus e alcança perdão._
Psalmo de David para o cantor-mór em Neginoth, sobre Sheminith.
6 Senhor, [1] não me reprehendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.
2 Tem misericordia de mim, Senhor, porque _sou_ fraco: [2] sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão perturbados.
3 Até a minha alma está perturbada; mas tu, Senhor, até quando?
4 Volta-te, Senhor, livra a minha alma: salva-me por tua benignidade.
5 Porque na morte [3] não _ha_ lembrança de ti; no sepulchro quem te louvará?
6 _Já_ estou cançado do meu gemido, toda a noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lagrimas.
7 _Já_ os meus olhos estão consumidos pela magoa, _e_ teem-se envelhecido por causa de todos os meus inimigos.
8 Apartae-vos de [4] mim todos os que obraes a iniquidade; porque o Senhor já ouviu a voz do meu pranto.
9 O Senhor já ouviu a minha supplica; o Senhor acceitará a minha oração.
10 Envergonhem-se e perturbem-se todos os meus inimigos; tornem atraz e envergonhem-se n’um momento.
[1] Jer. 10.24 e 46.28.
[2] Ose. 6.1, 2.
[3] Isa. 38.18.
[4] Mat. 25.41.
_David confia em Deus e protesta a sua innocencia._
Schiggaion de David que cantou ao Senhor, sobre as palavras de Cush, filho de Jemini.
7 Senhor, meu [1] Deus, em ti confio: salva-me de todos os que me perseguem, e livra-me;
2 Para que [2] elle não arrebate a minha alma, como leão, despedaçando-_a_, sem que _haja_ quem a livre;
3 Senhor, meu Deus, [3] se eu fiz isto, se ha perversidade nas minhas mãos,
4 Se paguei _com_ o mal áquelle que tinha paz comigo (antes livrei ao que me opprimia sem causa):
5 Persiga o inimigo a minha alma e alcance-a, calque aos pés a minha vida sobre a terra, e reduza a pó a minha gloria. (Selah.)
6 Levanta-te Senhor, na tua ira; exalta-te por causa do furor dos meus oppressores; [4] e desperta por mim _para_ o juizo _que_ ordenaste.
7 Assim te rodeará o ajuntamento de povos; por causa d’elles pois volta-te para as alturas.
8 O Senhor julgará aos povos; julga-me, Senhor, [5] conforme a minha justiça e conforme a integridade _que ha_ em mim.
9 Tenha já fim a malicia dos impios; mas estabeleça-se o justo; pois tu, ó justo [6] Deus, provas os corações e os rins.
10 O meu escudo _é_ de Deus, que salva os rectos de coração.
11 Deus _é_ um juiz justo, um Deus que se ira todos os dias.
12 Se elle se não converter, amolará a sua espada; [7] já tem armado o seu arco, e está apparelhado.
13 E já para elle preparou armas mortaes; e porá em obra as suas settas inflammadas contra os perseguidores.
14 Eis que elle está [8] com dôres de perversidade; concebeu trabalhos, e parirá mentiras.
15 Cavou [9] um poço e o fez fundo, e caiu na _cova que_ fez.
16 A sua obra cairá [10] sobre a sua cabeça; e a sua violencia descerá sobre a sua mioleira.
17 Eu louvarei ao Senhor segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do Senhor altissimo.
[1] Psa. 31.16.
[2] Psa. 38.13. Psa. 50.22.
[3] I Sam. 24.11.
[4] Psa. 44.23.
[5] Psa. 18.20.
[6] I Sam. 16.7. I Chr. 28.9. Apo. 2.23.
[7] Deu. 32.41.
[8] Job 15.35. Thi. 1.15.
[9] Psa. 35.8.
[10] I Reis 2.32. Est. 9.25.
_Deus é glorificado nas suas obras e na sua bondade para com o homem._
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Gittith.
8 Ó Senhor, [1] nosso Senhor, quão admiravel _é_ o teu nome em toda a terra, [2] pois pozeste a tua gloria sobre os céus!
2 Tu ordenaste força [3] da bocca das creanças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador.
3 Quando vejo [4] os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrellas que preparaste;
4 Que _é_ o homem [5] mortal para que te lembres d’elle? e o filho do homem, para que o visites?
5 Pois pouco menor o fizeste do que [NL] os anjos, e de gloria e de honra o coroaste.
6 Fazes com que elle tenha dominio sobre [6] as obras das tuas mãos; tudo pozeste debaixo de seus pés:
7 Todas as ovelhas e bois, assim como os animaes do campo,
8 As aves dos céus, e os peixes do mar, _e tudo o que_ passa pelas veredas dos mares.
9 Ó Senhor, nosso Senhor, quão admiravel _é_ o teu nome sobre toda a terra!
[1] Psa. 149.13.
[2] Psa. 113.4.
[3] Mat. 21.16. I Cor. 1.27.
[4] Psa. 111.2.
[5] Job 7.17. Heb. 2.6, 7.
[6] Gen. 1.26. I Cor. 15.27. Heb. 2.8.
_Acção de graças por um grande livramento._
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Muth-labben.
9 Eu _te_ louvarei, Senhor, com todo o meu coração; contarei todas as tuas maravilhas.
2 Em ti me alegrarei [1] e saltarei de prazer; cantarei louvores ao teu nome, ó Altissimo.
3 Porquanto os meus inimigos voltaram para traz, cairam e pereceram diante da tua face.
4 Pois tu tens sustentado o meu direito e a minha causa; tu te assentaste no tribunal, julgando justamente.
5 Reprehendeste as nações, destruiste os impios; [2] apagaste o seu nome para sempre e eternamente.
6 Oh! inimigo! acabaram-se para sempre as assolações;—_e_ tu arrazaste as cidades, e a sua memoria pereceu com ellas.
7 Mas o Senhor está assentado [3] perpetuamente; _já_ preparou o seu tribunal para julgar.
8 Elle mesmo julgará o mundo com justiça; fará juizo aos povos com rectidão.
9 O Senhor será tambem [4] _um_ alto refugio para o opprimido; _um_ alto refugio em tempos de angustia.
10 E em ti confiarão os que conhecem [5] o teu nome; porque tu, Senhor, nunca desamparaste aos que te buscam.
11 Cantae louvores ao Senhor, que habita em Sião; annunciae entre os povos os seus feitos.
12 Pois quando [6] busca derramamento de sangue, lembra-se d’elles; não se esquece do clamor dos miseraveis.
13 Tem misericordia de mim, Senhor, olha para a minha miseria, _que soffro_ d’aquelles que me aborrecem; tu que me levantas das portas da morte,
14 Para que eu conte todos os teus louvores nas portas da filha de Sião, _e_ me alegre na tua salvação.
15 As gentes [7] enterraram-se na cova _que_ fizeram; na rede que ocultaram ficou preso o seu pé.
16 O Senhor é conhecido [8] _pelo_ juizo _que_ fez; enlaçado foi o impio nas obras de suas mãos (Higgaion; Selah).
17 Os impios serão lançados no inferno, _e_ todas as gentes [9] que se esquecem de Deus.
18 Porque o necessitado não será esquecido para sempre, [10] _nem_ a expectação dos miseraveis perecerá perpetuamente.
19 Levanta-te, Senhor; não prevaleça o homem; sejam julgadas as gentes diante da tua face.
20 Põe-os em medo, Senhor, para que saibam as nações que _não são mais do que_ homens (Selah).
[1] Psa. 5.12.
[2] Deu. 9.14. Pro. 10.7.
[3] Heb. 1.11.
[4] Psa. 32.7.
[5] Psa. 91.14.
[6] Gen. 9.5.
[7] Psa. 13.6. Pro. 5.22.
[8] Exo. 7.5.
[9] Job 8.13. Psa. 50.22.
[10] Pro. 23.18 e 24.14.
_A audacia dos perseguidores, e o refugio em Deus._
10 Porque estás ao longe, Senhor? _Porque_ te escondes nos tempos de angustia?
2 Os impios na [1] _sua_ arrogancia perseguem furiosamente o miseravel; sejam apanhados nas ciladas que machinaram.
3 Porque o impio gloria-se do desejo da sua alma; [2] bemdiz ao avarento, e blasphema do Senhor.
4 Pela altivez do seu rosto o impio não busca _a Deus_: todas as suas cogitações _são que_ não _ha_ Deus.
5 Os seus caminhos atormentam sempre: os teus juizos _estão_ longe da vista d’elle em grande altura, e despreza aos seus inimigos.
6 Diz em seu coração: [3] Não serei commovido, porque nunca _me verei_ na adversidade.
7 A sua bocca está cheia [4] d’inprecações, d’enganos e d’astucia; debaixo da sua lingua _ha_ molestia e maldade.
8 Põe-se nas emboscadas das aldeias; nos logares [5] occultos mata ao innocente; os seus olhos estão occultamente fitos contra o pobre.
9 Arma ciladas [6] no esconderijo, como o leão no seu covil; arma ciladas para roubar ao miseravel; rouba ao miseravel, trazendo-o na sua rede.
10 Encolhe-se, abaixa-se, para que os pobres caiam em suas fortes _garras_.
11 Diz em seu coração: Deus esqueceu-se, cobriu o seu rosto, [7] e nunca _o_ verá.
12 Levanta-te, Senhor: oh! Deus, levanta [8] a tua mão; não te esqueças dos miseraveis.
13 Porque blasphema o impio de Deus? dizendo no seu coração: Tu não _o_ esquadrinharás?
14 Tu _o_ viste, porque attentas para o trabalho e enfado, para o entregar em tuas mãos; [9] a ti o pobre se encommenda, tu és o auxilio do orphão.
15 Quebra o braço do impio e malvado; busca a sua impiedade, _até que_ nenhuma encontres.
16 O Senhor [10] _é_ Rei eterno; da sua terra perecerão [NM] os gentios.
17 Senhor, tu ouviste os desejos dos mansos; confortarás [11] os seus corações; os teus ouvidos estarão abertos _para elles_;
18 Para fazer [12] justiça ao orphão e ao opprimido, afim de que o homem da terra não prosiga mais em usar da violencia.
[1] Pro. 5.22.
[2] Rom. 1.32.
[3] Psa. 30.7.
[4] Rom. 3.14.
[5] Hab. 3.14.
[6] Miq. 7.2.
[7] Job 22.13. Eze. 8.12.
[8] Miq. 5.9.
[9] I Ped. 4.19.
[10] Jer. 10.10. I Tim. 1.17.
[11] I Chr. 29.18.
[12] Isa. 11.4.
_Deus salva os rectos e castiga os impios._
Psalmo de David para o cantor-mór.
11 No Senhor confio; como dizeis á minha alma: Foge para a vossa montanha _como_ passaro?
2 Pois eis que os impios armam o arco, põem as frechas na corda, para com ellas atirarem ás escuras aos rectos de coração.
3 Na verdade _que já_ os fundamentos se transtornam: o que pode fazer o justo?
4 O Senhor _está_ [1] no seu sancto templo: o throno do Senhor _está_ nos céus; os seus olhos attendem, e as suas palpebras provam os filhos dos homens.
5 O Senhor prova [2] ao justo; porém ao impio e ao que ama a violencia aborrece a sua alma.
6 Sobre os impios fará [3] chover laços, fogo, enxofre e vento tempestuoso: _isto será_ a porção do seu copo.
7 Porque o Senhor _é_ justo, [4] _e_ ama a justiça; o seu rosto olha para os rectos.
[1] Hab. 2.20. Isa. 66.1.
[2] Gen. 22.1.
[3] Gen. 19.24. Eze. 38.22.
[4] Job 36.7. I Ped. 3.12.
_A falsidade do homem e a veracidade de Deus._
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Sheminith.
12 Salva-nos, Senhor, [1] porque faltam os homens bons; porque são poucos os fieis entre os filhos dos homens.
2 Cada um falla [2] a falsidade ao seu proximo: fallam _com_ labios lisongeiros e coração dobrado.
3 O Senhor cortará todos os labios lisongeiros _e_ a lingua que falla [3] soberbamente.
4 Pois dizem: Com a nossa lingua prevaleceremos: _são_ nossos os beiços; quem _é_ o Senhor sobre nós?
5 Pela oppressão dos miseraveis, pelo gemido dos [4] necessitados me levantarei agora, diz o Senhor; porei em salvo _aquelle_ para quem elles assopram.
6 As palavras do Senhor [5] _são_ palavras puras, _como_ prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes.
7 Tu os guardarás, Senhor; d’esta geração os livrarás para sempre.
8 Os impios andam cercando, emquanto os mais vis dos filhos dos homens são exaltados.
[1] Isa. 57.1. Miq. 7.2.
[2] Jer. 9.8. Rom. 16.18.
[3] I Sam. 2.3. Dan. 7.8.
[4] Exo. 3.7. Isa. 33.10.
[5] II Sam. 22.31. Pro. 30.5.
_David, na sua extrema tristeza, recorre a Deus e confia n’elle._
Psalmo de David para o cantor-mór.
13 Até quando te esquecerás de mim, Senhor? para sempre? até quando [1] esconderás de mim o teu rosto?
2 Até quando consultarei com a minha alma, _tendo_ tristeza no meu coração cada dia? Até quando se exaltará sobre mim o meu inimigo?
3 Attende-me, ouve-me, ó Senhor meu Deus; [2] alumia os meus olhos para que eu não adormeça na morte;
4 Para que o meu inimigo não diga: Prevaleci contra elle; _e_ os meus adversarios se não alegrem, vindo eu a vacillar.
5 Mas eu confio [3] na tua benignidade: na tua [4] salvação se alegrará o meu coração.
6 Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem.
[1] Deu. 31.17. Job 13.24.
[2] Esd. 9.8. Jer. 51.39.
[3] Psa. 33.21, 22.
[4] Psa. 12.4, 7 e 119.17.
_A corrupção do homem; sua redempção provém de Deus._
Psalmo de David para o cantor-mór.
14 Disse o nescio no seu coração: Não _ha_ Deus. Teem-se corrompido, [1] fazem-se abominaveis em suas obras, não _ha_ ninguem que faça o bem.
2 O Senhor olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia _algum_ que tivesse entendimento _e_ buscasse a Deus.
3 Desviaram-se todos [2] e juntamente se fizeram immundos: não _ha_ quem faça o bem, não _ha_ sequer um.
4 Não terão conhecimento os que obram a iniquidade? [3] os quaes comem o meu povo, _como_ se comessem pão, e não invocam ao Senhor.
5 Ali se acharam em grande pavor, porque Deus _está_ na geração dos justos.
6 Vós envergonhaes o conselho dos pobres, porquanto o Senhor _é_ o seu refugio.
7 Oh, se de Sião [4] _tivera já vindo_ a redempção d’Israel! quando o Senhor fizer voltar os captivos do seu povo, se regozijará Jacob _e se_ alegrará Israel.
[1] Gen. 6.11. Rom. 3.10.
[2] Rom. 3.10, 11, 12.
[3] Jer. 10.25. Amós 8.4. Miq. 3.3.
[4] Psa. 53.7. Job 42.10.
_O verdadeiro cidadão dos céus._
Psalmo de David.
15 Senhor, quem habitará no teu tabernaculo? quem morará no teu sancto monte?
2 Aquelle que anda sinceramente, e [1] obra a justiça, e falla a verdade do seu coração.
3 _Aquelle que_ não murmura com a sua lingua, nem faz mal ao seu proximo, [2] nem acceita nenhum opprobrio contra o seu proximo.
4 Em [3] cujos olhos o reprobo é desprezado; mas honra aos que temem ao Senhor. _Aquelle que_ jura com damno _seu_, e comtudo não muda.
5 _Aquelle que_ não dá o seu dinheiro á usura, nem recebe peitas contra o innocente: quem faz isto nunca será abalado.
[1] Isa. 33.15.
[2] Exo. 23.1.
[3] Est. 3.2.
_A confiança e felicidade do crente e a certeza da vida eterna._
Psalmo excellentissimo de David.
16 Guarda-me, ó Deus, porque em ti confio.
2 _A minha alma_ disse ao Senhor: Tu _és_ o meu Senhor, [1] a minha bondade não _chega_ á tua presença,
3 _Mas_ aos sanctos que _estão_ na terra, e aos illustres em quem _está_ todo o meu prazer.
4 As dôres se multiplicarão áquelles que fazem offerendas a outro _deus_; eu não offerecerei as suas libações de sangue, [2] nem tomarei os seus nomes nos meus labios.
5 O Senhor [3] _é_ a porção da minha herança e do meu calix: tu sustentas a minha sorte.
6 As [NN] linhas caem-me em _logares_ deliciosos: sim, coube-me _uma_ formosa herança.
7 Louvarei ao Senhor que me aconselhou: até os meus rins me ensinam de noite.
8 Tenho [4] posto o Senhor continuamente diante de mim: por isso que _elle está_ á minha mão direita, nunca vacillarei.
9 Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha gloria: tambem a minha carne repousará segura.
10 Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permittirás que o teu [NO] Sancto veja corrupção.
11 Far-me-has ver a vereda da vida; na tua presença _ha_ fartura de [5] alegrias; á tua mão direita _ha_ delicias perpetuamente.
[1] Rom. 11.35.
[2] Exo. 23.13. Jos. 23.16.
[3] Deu. 32.9.
[4] Act. 2.25.
[5] Mat. 5.8. I João 3.2.
_David pede a Deus que o proteja dos seus inimigos; confia na sua innocencia e na justiça de Deus._
Oração de David.
17 Ouve, Senhor, a justiça, attende ao meu clamor; dá ouvidos á minha oração, que não _é feita_ com labios enganosos.
2 Saia o meu juizo de diante do teu rosto; attendam os teus olhos á razão.
3 Provaste o meu coração; visitaste-_me_ de noite; examinaste-me, e nada achaste; propuz _que_ a minha bocca não transgredirá.
4 Quanto ao trato dos homens, pela palavra dos teus labios _me_ guardei das veredas do [NP] destruidor.
5 Dirige os meus passos nos teus caminhos, _para que_ as minhas pégadas não vacillem.
6 Eu te invoquei, ó Deus, pois me queres ouvir; inclina para mim os teus ouvidos, _e escuta_ as minhas palavras.
7 Faze maravilhosas as tuas beneficencias, ó tu que livras aquelles que _em ti_ confiam dos que se levantam contra a tua _mão_ direita.
8 Guarda-me [1] como á menina do olho, esconde-me debaixo da sombra das tuas azas,
9 Dos impios que me [NQ] opprimem, _dos_ meus inimigos mortaes _que_ me andam cercando.
10 Na sua gordura se encerram, com a bocca fallam soberbamente.
11 Teem-nos cercado agora nossos passos; [NR] e abaixaram os seus olhos para a terra;
12 Parecem-se com o leão que deseja arrebatar a sua preza, e com o leãosinho que se põe em esconderijos.
13 Levanta-te, Senhor, detem-n’a, derriba-o, livra a minha alma do impio, _com_ a espada tua,
14 Dos homens que são a tua mão, Senhor, dos homens do mundo, cuja porção _está_ n’_esta_ vida, e cujo ventre enches do teu _thesouro_ occulto: estão fartos de filhos e dão os seus sobejos ás suas creanças.
15 Emquanto [2] a mim, contemplarei a tua face na justiça; satisfazer-me-hei da tua similhança quando acordar.
[1] Deu. 32.10. Zac. 2.8.
[2] João 3.2.
_Cantico de louvor a Deus pelas suas muitas bençãos._
Para o cantor-mór: psalmo do servo do Senhor, David, o qual fallou as palavras d’este cantico ao Senhor, no dia em que o Senhor o livrou de todos os seus inimigos e das mãos de Saul, e disse:
18 Eu te amarei do coração, ó Senhor, fortaleza minha.
2 O Senhor _é_ o meu rochedo, e o meu logar forte e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio, [1] o meu escudo, [NS] a força da minha salvação, _e_ o meu alto refugio.
3 Invocarei o nome do Senhor, _que é digno_ de louvor, e ficarei livre dos meus inimigos.
4 Tristezas de morte me cercaram, e torrentes de impiedade me assombraram.
5 Tristezas do inferno me cingiram, laços de morte me surprehenderam.
6 Na angustia invoquei ao Senhor, e clamei ao meu Deus: desde o seu templo ouviu a minha voz, aos seus ouvidos chegou o meu clamor perante a sua face.
7 Então a terra [2] se abalou e tremeu; e os fundamentos dos montes tambem se moveram e se abalaram, porquanto se indignou.
8 Do seu nariz subiu fumo, e da sua bocca saiu fogo que consumia; carvões se accenderam d’elle.
9 Abaixou os céus, e desceu, e a escuridão _estava_ debaixo de seus pés.
10 E montou n’um cherubim, e voou; sim, voou sobre as azas do vento.
11 Fez das trevas o seu logar occulto; o pavilhão que o cercava _era_ a escuridão das aguas _e_ as nuvens dos céus.
12 Ao resplandor da sua presença as nuvens se espalharam; a saraiva e as brazas de fogo.
13 E o Senhor trovejou nos céus, o Altissimo levantou a sua voz; a saraiva _e_ as brazas de fogo.
14 Despediu [3] as suas settas, e os espalhou: multiplicou raios, e os perturbou.
15 Então foram vistas as profundezas das aguas, e foram descobertos os fundamentos do mundo; pela tua reprehensão, Senhor, ao sopro do vento dos teus narizes.
16 Enviou desde o alto, _e_ me tomou: tirou-me das muitas aguas.
17 Livrou-me do meu inimigo forte e dos que me aborreciam, pois eram mais poderosos do que eu.
18 Surprehenderam-me no dia da minha calamidade; mas o Senhor foi o meu encosto.
19 Trouxe-me para um logar espaçoso; livrou-me, porque tinha prazer em mim.
20 Recompensou-me [4] o Senhor conforme a minha justiça, retribuiu-me conforme a pureza das minhas mãos.
21 Porque guardei os caminhos do Senhor, e não me apartei impiamente do meu Deus.
22 Porque todos os seus juizos _estavam_ diante de mim, e não rejeitei os seus estatutos.
23 Tambem fui sincero perante elle, e me guardei da minha iniquidade.
24 Portanto retribuiu-me o Senhor conforme a minha justiça, conforme a pureza de minhas mãos perante os seus olhos.
25 Com o benigno te mostrarás benigno; e com o homem sincero te mostrarás sincero;
26 Com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás indomavel.
27 Porque tu livrarás ao povo afflicto, e abaterás os olhos altivos.
28 Porque tu [5] accenderás a minha candeia; o Senhor meu Deus allumiará as minhas trevas.
29 Porque comtigo entrei pelo meio d’um esquadrão, com o meu Deus saltei uma muralha.
30 O caminho de Deus [6] é perfeito; a palavra do Senhor _é_ provada: _é_ um escudo para todos os que n’elle confiam.
31 Porque quem [7] _é_ Deus senão o Senhor? e quem _é_ rochedo senão o nosso Deus?
32 Deus _é_ o que me cinge de força e aperfeiçoa o meu caminho.
33 Faz os meus pés como _os das_ cervas, e põe-me nas minhas alturas.
34 Ensina as minhas mãos para a guerra, de sorte que os meus braços quebraram um arco de cobre.
35 Tambem me déste o escudo da tua salvação: a tua mão direita me susteve, e a tua mansidão me engrandeceu.
36 Alargaste os meus passos debaixo de mim, de maneira que os meus artelhos não vacillaram.
37 Persegui os meus inimigos, e os alcancei: não voltei senão depois de os ter consumido.
38 Atravessei-os, de sorte que não se poderam levantar: cairam debaixo dos meus pés.
39 Pois me cingiste de força para a peleja: fizeste abater debaixo de mim aquelles que contra mim se levantaram.
40 Déste-me tambem o pescoço dos meus inimigos para que eu podesse destruir os que me aborrecem.
41 Clamaram, [8] mas não _houve_ quem _os_ livrasse: _até_ ao Senhor, mas elle não lhes respondeu.
42 Então os esmiucei como o pó diante do vento; deitei-os fóra como a lama das ruas.
43 Livraste-me das contendas do povo, _e_ me fizeste cabeça das nações; _um_ povo que não conheci, me servirá.
44 Em ouvindo _a minha voz_, me obedecerão: os estranhos se submetterão a mim.
45 Os estranhos decairão, e terão medo nos seus encerramentos.
46 O Senhor vive: e bemdito _seja_ o meu rochedo, e exaltado seja o Deus da minha salvação.
47 _É_ Deus que me vinga inteiramente, [9] e sujeita os povos debaixo de mim;
48 O que me livra de meus inimigos;—sim, tu me exaltas sobre os que se levantam contra mim, tu me livras do homem violento.
49 Pelo que, ó Senhor, te louvarei entre as nações, e cantarei louvores ao teu nome.
50 _Pois_ [10] engrandece a salvação do teu rei, e usa de benignidade com o seu ungido, com David, e com a sua semente para sempre.
[1] Heb. 1.13.
[2] Act. 4.31.
[3] Isa. 30.30.
[4] I Sam. 24.19.
[5] Job 18.6.
[6] Deu. 32.4.
[7] Deu. 32.31, 39.
[8] Pro. 1.28. Isa. 1.15.
[9] Psa. 47.4.
[10] II Sam. 7.13.
_A excellencia da creação e das suas leis, assim como da palavra de Deus._
Psalmo de David para o cantor-mór.
19 Os céus [1] declararam a gloria de Deus e o firmamento annuncia a obra das suas mãos.
2 _Um_ dia faz declaração a _outro_ dia, e _uma_ noite mostra sabedoria a _outra_ noite.
3 Não _ha_ linguagem nem falla _onde_ se não oiçam as suas vozes.
4 A sua linha [2] se estende por toda a terra, e as suas palavras até ao fim do mundo. N’elles poz _uma_ tenda para o sol,
5 O qual _é_ como _um_ noivo que sae do seu thalamo, _e_ se alegra como um heroe, a correr o seu caminho.
6 A sua saida _é_ desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até ás outras extremidades d’elles, e nada se esconde ao seu calor.
7 A lei do Senhor _é_ perfeita, e refrigera a alma: o testemunho do Senhor _é_ fiel, e dá sabedoria aos simplices.
8 Os preceitos do Senhor _são_ rectos e alegram o coração: o mandamento do Senhor _é_ puro, e allumia os olhos.
9 O temor do Senhor é limpo, e permanece eternamente: os juízos do Senhor _são_ verdadeiros e justos juntamente.
10 Mais desejaveis _são_ do que o oiro, sim, do que muito oiro fino; e mais doces do que o mel e [NT] o licor dos favos.
11 Tambem por elles é admoestado o teu servo; _e_ em os guardar _ha_ grande recompensa.
12 Quem pode entender os _seus_ erros? expurga-me [3] tu dos _que me são_ occultos.
13 Tambem das soberbas guarda o teu servo, para que se não assenhoreiem de mim: então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão.
14 Sejam agradaveis as palavras da minha bocca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e [4] Libertador meu!
[1] Gen. 1.6. Rom. 1.19, 20.
[2] Rom. 10.18.
[3] Lev. 4.28.
[4] Isa. 44.6 e 47.4 e 48.14.