A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 94
21 Guarda-te, e não declines para a iniquidade: [7] porquanto n’isto a escolheste, por causa da tua miseria.
22 Eis que Deus exalta com a sua força; [8] quem ensina como elle?
23 Quem [9] lhe pedirá conta do seu caminho? ou, quem _lhe_ disse: Tu commetteste maldade?
24 Lembra-te de que engrandeças a sua obra [10] que os homens contemplam.
25 Todos os homens a veem, e o homem _a_ enxerga de longe.
26 Eis que [11] Deus é grande, e nós o não comprehendemos, e o numero dos seus annos se não pode esquadrinhar.
27 Porque faz miudas as gottas das aguas que derramam a chuva do seu vapor.
28 A qual as nuvens distillam [12] e gotejam sobre o homem abundantemente.
29 _Porventura_ tambem se poderão entender as extensões das nuvens, e os estalos [13] da sua tenda?
30 Eis que estende sobre ellas a sua luz, e encobre os altos do mar.
31 Porque por [14] estas _coisas_ julga os povos _e lhes_ dá mantimento em abundancia.
32 Com as mãos encobre a luz, e faz-lhe prohibição pela que passa por entre ellas.
33 O que dá a entender o seu pensamento, como tambem aos gados, [15] ácerca do _temporal_ que sobe.
[1] cap. 9.4 e 12.13, 16 e 37.23.
[2] cap. 33.16, 23.
[3] cap. 21.13.
[4] Rom. 2.5.
[5] cap. 15.33 e 22.16.
[6] Pro. 11.4.
[7] Heb. 11.25.
[8] Isa. 40.13, 14. Rom. 11.34.
[9] cap. 34.10.
[10] Apo. 15.3.
[11] I Cor. 13.12. Heb. 1.12.
[12] Pro. 3.20.
[13] cap. 37.3.
[14] cap. 27.13. Act. 14.17.
[15] I Reis 18.45.
_O homem, por conhecer as obras de Deus e a sua sabedoria, deve temel-o._
37 Sobre isto tambem treme o meu coração, e salta do seu logar.
2 Attentamente ouvi o movimento da sua voz, e o sonido _que_ sae da sua bocca.
3 Elle o envia por debaixo de todos os céus, e a sua luz até aos confins da terra.
4 Depois d’isto brama com _grande_ voz, troveja com a sua alta voz; e, ouvida a sua voz, não tarda com estas coisas.
5 Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente: faz grandes [1] coisas, e nós as não comprehendemos.
6 Porque á neve diz: Está sobre a terra: como tambem ao aguaceiro e á sua forte chuva.
7 _Elle_ sella as mãos de todo o homem, para que conheça todos os homens de sua obra.
8 E as bestas entram nos seus esconderijos e ficam nas suas cavernas.
9 Da recamara sae o pé de vento, e dos _ventos_ dispersivos o frio.
10 Pelo [2] assopro de Deus se dá a geada, e as largas aguas se endurecem.
11 Tambem _com_ a humidade carrega as grossas nuvens, _e_ esparge a nuvem [NG] da sua luz.
12 Então ellas, segundo o seu prudente conselho, se tornam pelas espheras, para que façam tudo quanto lhes ordena sobre a superficie do mundo habitavel,
13 Seja que por vara, ou para a sua terra, [3] ou por beneficencia [4] as faça vir.
14 A isto, ó Job, inclina os teus ouvidos: põe-te em pé, e considera as maravilhas de Deus.
15 _Porventura_ sabes tu quando Deus considera n’ellas, e faz resplandecer a lua da sua nuvem?
16 Tens [5] tu noticia do equilibrio das grossas nuvens e das maravilhas de aquelle que é perfeito nos conhecimentos,
17 _Ou_ de como os teus vestidos aquecem, quando do sul ha calma sobre a terra?
18 _Ou_ estendeste com [6] elle os céus, que _estão_ firmes como espelho fundido?
19 Ensina-nos o que lhe diremos; _porque_ nós nada poderemos pôr em boa ordem, por causa das trevas.
20 Ou ser-lhe-hia contado, quando _eu assim_ fallasse? dir-lhe-ha alguem _isso_? pois será devorado.
21 E agora _se_ não _pode_ olhar para o sol, quando resplandece nos céus; passando e purificando-os o vento.
22 O esplendor de oiro vem do norte: _pois_ em Deus _ha uma_ tremenda magestade.
23 Ao Todo-poderoso não [7] podemos alcançar; grande _é_ em potencia; porém a ninguem opprime em juizo e grandeza de justiça.
24 Por isso o temem os [8] homens: elle não respeita aos sabios de coração.
[1] cap. 5.9 e 9.10 e 36.26. Apo. 15.3.
[2] cap. 38.29, 30.
[3] Exo. 9.18, 23. I Sam. 12.18, 19. Esd. 10.9. cap. 36.31.
[4] cap. 38.26, 27. II Sam. 21.10. I Reis 18.45.
[5] cap. 36.4, 29.
[6] Gen. 1.6. Isa. 44.24.
[7] Thi. 5.10. cap. 34.5.
[8] Mat. 10.28 e 11.25. I Cor. 1.26.
_Deus responde a Job e mostra-lhe sua grandeza e sabedoria._
38 Depois d’isto o Senhor respondeu a Job [1] d’um redemoinho, e disse:
2 Quem _é_ este [2] que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?
3 Agora cinge [3] os teus lombos, como homem; e perguntar-te-hei, e tu me ensina.
4 Onde [4] estavas _tu_, quando eu fundava a terra? faze-_m’o_ saber, se tens intelligencia.
5 Quem lhe poz as medidas? se tu o sabes; ou quem estendeu sobre ella o cordel?
6 Sobre que estão fundadas as suas bases? ou quem assentou a sua pedra da esquina,
7 Quando as estrellas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos [5] de Deus jubilavam?
8 Ou _quem_ [6] encerrou o mar com portas, quando trasbordou _e_ saiu da madre;
9 Quando eu puz as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por envolvedouro?
10 Quando passei [7] sobre elle o meu decreto, e _lhe_ puz portas e ferrolhos;
11 E disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se quebrarão as tuas ondas empolladas?
12 _Ou_ desde os teus dias déste ordem á madrugada? _ou_ mostraste á alva o seu logar;
13 Para que pegasse dos fins da terra, [8] e os impios fossem sacudidos d’ella;
14 _E_ se transformasse como o barro, sob o sello, e se pozessem como vestidos;
15 E dos impios se desvie a sua luz, e [9] o braço altivo se quebrante;
16 _Ou_ entraste tu até ás origens do mar? ou passeaste no mais profundo do abysmo?
17 _Ou_ descobriram-se-te as portas da morte? ou viste as portas da sombra da morte?
18 _Ou_ com o teu entendimento chegaste ás larguras da terra? faze-_m’o_ saber, se sabes tudo isto.
19 Onde está o caminho _para onde_ mora a luz? e, quanto ás trevas, onde está o seu logar;
20 Para que as tragas aos seus limites, e para que saibas as veredas da sua casa?
21 _Acaso_ tu o sabes, porque já então eras nascido, e por ser grande _o_ numero dos teus dias?
22 Ou entraste tu até aos thesouros da neve? e viste os thesouros da saraiva,
23 Que eu retenho [10] até do tempo da angustia, até ao dia da peleja e da guerra?
24 Onde está o caminho _em que_ se reparte a luz, _e_ se espalha o vento oriental sobre a terra?
25 Quem [11] abriu para a inundação um leito, e um caminho para os relampagos dos trovões;
26 Para chover sobre a terra, _onde_ não ha ninguem, e _no_ deserto, em que não _ha_ gente;
27 Para fartar a _terra_ deserta e assolada, e para fazer crescer os renovos da herva?
28 A chuva [12] _porventura_ tem pae? ou quem géra as gottas do orvalho,
29 De cujo ventre procede o gelo? e quem gera a geada do céu?
30 Como _debaixo de_ pedra as aguas se escondem: e a superficie do abysmo se coalha.
31 Ou poderás tu ajuntar as delicias das sete [13] estrellas, ou soltar os atilhos do Orion?
32 Ou produzir as constellações a seu tempo? e guiar a Ursa com seus filhos?
33 Sabes tu [14] as ordenanças dos céus? ou podes dispor do dominio d’elles sobre a terra?
34 Ou podes levantar a tua voz até ás nuvens, para que a abundancia das aguas te cubra?
35 Ou enviarás aos raios para que saiam, e te digam: Eis-nos aqui?
36 Quem [15] poz a sabedoria nas entranhas? ou quem deu ao sentido o entendimento?
37 Quem numerará as nuvens pela sabedoria? ou os odres dos céus, quem os abaixará,
38 Quando se funde o pó n’uma massa, e se apegam os torrões uns aos outros?
39 Porventura caçarás tu preza para a leôa? ou fartaras a fome dos filhos dos leões,
40 Quando se agacham nos covis, _e_ estão á espreita nas covas?
41 Quem [16] prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus pintainhos gritam a Deus e andam vagueando, por não terem de comer?
[1] Exo. 19.16, 18. I Reis 19.11. Eze. 1.4. Nah. 1.3.
[2] cap. 34.35 e 42.3. I Tim. 1.7.
[3] cap. 40.7.
[4] Pro. 8.29 e 30.4.
[5] cap. 1.6.
[6] Gen. 1.9. Pro. 8.29. Jer. 5.22.
[7] cap. 26.10.
[8] Psa. 104.35.
[9] cap. 18.5.
[10] Exo. 9.18. Jos. 10.11. Isa. 30.30. Eze. 13.11, 13. Apo. 16.21.
[11] cap. 28.26.
[12] Jer. 14.22.
[13] cap. 9.9. Amós 5.8.
[14] Jer. 31.35.
[15] cap. 32.8. Ecc. 2.26.
[16] Mat. 6.26.
39 Sabes tu o tempo em que as cabras montezes parem? _ou_ consideraste as dôres das cervas?
2 Contarás os mezes _que_ cumprem? ou sabes o tempo do seu parto?
3 Quando se encurvam, produzem seus filhos, _e_ lançam de si as suas dôres.
4 Seus filhos enrijam, crescem [NH] com o trigo: saem, e nunca mais tornam a ellas.
5 Quem despediu livre o jumento montez? e quem soltou as prisões ao jumento bravo?
6 Ao qual dei [1] o ermo por casa, e a terra salgada por suas moradas.
7 Ri-se do arroido da cidade: não ouve os muitos gritos do [NI] exactor.
8 O que descobre nos montes _é_ o seu pasto, e anda buscando tudo que está verde.
9 Ou, querer-te-ha [2] servir o unicornio? ou ficará na tua cavallariça?
10 Ou amarrarás o unicornio com a sua corda no rego? ou estorroará apoz ti os valles?
11 Ou confiarás n’elle, por ser grande a sua força? ou deixarás a seu cargo o teu trabalho?
12 Ou fiarás d’elle que te torne o que semeaste e _o_ recolherá _na_ tua eira?
13 _Vem de ti_ as alegres azas dos [NJ] pavões, que teem pennas de cegonha e d’aguia?
14 A qual deixa os seus ovos na terra, e os aquenta no pó.
15 E se esquece de que _algum_ pé os pise, ou os animaes do campo os calquem.
16 Endurece-se para [3] com seus filhos, como se não _fossem_ seus: debalde é seu trabalho, porquanto está sem temor.
17 Porque Deus a privou de sabedoria, [4] e não lhe repartiu entendimento.
18 A seu tempo se levanta ao alto: ri-se do cavallo, e do que vae montado n’elle.
19 Ou darás tu força ao cavallo? ou vestirás o seu pescoço com trovão?
20 Ou espantal-o-has, como ao gafanhoto? terrivel _é_ o fogoso respirar das suas ventas.
21 Escarva a terra, e folga na _sua_ força, _e_ [5] sae ao encontro dos armados.
22 Ri-se do temor, e não se espanta, e não torna atraz por causa da espada.
23 Contra elle rangem a aljava, o ferro flammante da lança e do dardo.
24 Sacudindo-se, e removendo-se, escarva a terra, e não faz caso do som da buzina.
25 Na furia _do som_ das buzinas diz: Eia! e de longe cheira a guerra, _e_ o trovão dos principes, e o alarido.
26 Ou vôa o gavião pela tua intelligencia, _e_ estende as suas azas para o sul?
27 Ou se remonta a aguia ao teu mandado, e põe [6] no alto o seu ninho?
28 Nas penhas mora e habita: no cume das penhas, e nos logares seguros.
29 Desde ali descobre a preza: seus olhos a avistam desde longe.
30 E seus filhos chupam o sangue, e onde ha mortos [7] ahi está.
[1] cap. 24.5. Jer. 2.24. Ose. 8.9.
[2] Num. 23.22. Deu. 33.17.
[3] Lam. 4.3.
[4] cap. 35.11.
[5] Jer. 8.6.
[6] Jer. 49.16. Abd. 5.
[7] Mat. 24.28. Luc. 17.37.
40 Respondeu mais [1] o Senhor a Job e disse:
2 _Porventura_ o contender contra o Todo-poderoso é ensinar? quem _quer_ reprehender a Deus, responda a estas coisas.
3 Então Job respondeu ao Senhor, e disse:
4 Eis que sou vil; que te responderia eu? a minha mão ponho na minha bocca.
5 _Já_ uma vez tenho fallado, porém _mais_ não responderei: ou _ainda_ duas vezes, porém não proseguirei.
6 Então o Senhor respondeu a Job desde a tempestade, e disse:
7 Ora, _pois_, cinge [2] os teus lombos como varão; _eu_ te perguntarei a ti, e tu ensina-me.
8 _Porventura_ [3] tambem farás tu vão o meu juizo? ou tu me condemnarás, para te justificares?
9 Ou tens braço como Deus? ou podes trovejar com voz [4] como a sua?
10 Orna-te pois com excellencia e alteza; e veste-te de magestade e de gloria.
11 Derrama os furores [5] da tua ira, e attenta para todo o soberbo, e abate-o.
12 Olha para todo o soberbo, _e_ humilha-o, e atropella os impios no seu logar.
13 Esconde-os juntamente no pó: ata-_lhes_ os rostos em occulto.
14 Então tambem eu a ti confessarei que a tua mão direita te haverá livrado.
15 Vês aqui a Behemoth, que eu fiz comtigo, _que_ come a herva como o boi.
16 Eis que a sua força _está_ nos seus lombos, e o seu poder [NK] no umbigo do seu ventre.
17 _Quando_ quer, move a sua cauda como cedro: os nervos das suas coxas estão entretecidos.
18 Os seus ossos _são como_ coxas de bronze: a sua ossada _é_ como barras de ferro.
19 Elle _é_ obra prima dos caminhos de Deus: o que o fez _lhe_ apegou a sua espada.
20 Em verdade os montes lhe produzem pasto, onde todos os animaes do campo folgam.
21 Deita-se debaixo das arvores sombrias, no esconderijo das canas e da lama.
22 As arvores sombrias o cobrem, com sua sombra: os salgueiros do ribeiro o cercam.
23 Eis que um rio trasborda, e elle não se apressa, confiando que o Jordão possa entrar na sua bocca.
24 Podel-o-hiam _porventura_ caçar á vista de seus olhos? _ou_ com laços _lhe_ furar os narizes?
[1] cap. 38.1.
[2] cap. 38.3 e 42.4.
[3] Rom. 3.4.
[4] cap. 37.4.
[5] Isa. 2.12. Dan. 4.37.
41 Poderás tirar com anzol [1] o leviathan? ou ligarás a sua lingua com a corda?
2 Podes pôr um junco [2] no seu nariz? ou com um espinho furarás a sua queixada?
3 _Porventura_ multiplicará muitas supplicações para comtigo? _ou_ brandamente fallará?
4 Fará elle concertos comtigo? _ou_ o tomarás tu por escravo para sempre?
5 Brincarás com elle, como _com_ um passarinho? ou o atarás para tuas meninas?
6 Os _teus_ companheiros farão d’elle um banquete? _ou_ o repartirão entre os negociantes?
7 Encherás a sua pelle de ganchos? ou a sua cabeça com arpéos de pescadores?
8 Põe a tua mão sobre elle, lembra-te da peleja, _e_ nunca mais _tal_ intentarás.
9 Eis que a sua esperança falhará: _porventura_ tambem á sua vista será derribado?
10 Ninguem _ha tão_ atrevido, que a despertal-o _se atreva_: quem pois é aquelle que _ousa_ pôr-se _em pé_ diante de mim?
11 Quem [3] me preveniu, para que eu haja de retribuir-_lhe_? _pois_ o que _está_ debaixo de todos os céus é meu.
12 Não calarei os meus membros, nem a relação das _suas_ forças, nem a graça da sua formação.
13 Quem descobriria a superficie do seu vestido? quem entrará entre as suas queixadas dobradas?
14 Quem abriria as portas do seu rosto? _pois_ em roda dos seus dentes _está_ o terror.
15 As _suas_ fortes escamas _são_ excellentissimas, cada uma fechada _como_ com sello apertado.
16 Uma á outra se chega _tão_ perto, que nem um assopro passa por entre ellas.
17 Umas ás outras se apegam: _tanto_ se travam entre si, que não se podem separar.
18 Cada um dos seus espirros faz resplandecer a luz, e os seus olhos _são_ como as pestanas da alva.
19 Da sua bocca saem tochas: faiscas de fogo arrebentam d’ella.
20 Dos seus narizes procede fumo, como d’_uma_ panella fervente, ou d’_uma_ grande caldeira.
21 O seu halito faria incender os carvões: e da sua bocca sae chamma.
22 No seu pescoço pousa a força: perante elle _até_ a tristeza salta de prazer.
23 Os musculos da sua carne estão pegados _entre si_: cada um está firme n’elle, e nenhum se move.
24 O seu coração é firme como uma pedra e firme como parte da _mó_ de baixo.
25 Levantando-se elle, tremem os valentes: em razão dos _seus_ abalos se purificam.
26 Se alguem lhe tocar com a espada, _essa_ não poderá penetrar, nem lança, dardo ou couraça.
27 Elle reputa o ferro por palha, e o cobre por pau podre.
28 A setta o não fará fugir: as pedras das fundas se lhe tornam em rastolho.
29 As pedras atiradas estima como arestas, e ri-se do brandir da lança.
30 Debaixo de si _tem_ conchas ponteagudas: estende-se _sobre_ coisas ponteagudas _como_ na lama.
31 As profundezas faz ferver, como uma panella: torna o mar como quando os unguentos fervem.
32 Apoz elle allumia o caminho: parece o abysmo tornado em brancura de cãs.
33 Na terra não ha coisa que se lhe possa comparar, _pois_ foi feito para estar sem pavor.
34 Todo o alto vê: _é_ rei sobre todos os filhos d’_animaes_ altivos.
[1] Isa. 27.1.
[2] Isa. 37.29.
[3] Rom. 11.35. Exo. 19.5. Deu. 10.14. I Cor. 10.26, 28.
_Job humilha-se perante Deus e dá-lhe gloria._
42 Então respondeu Job ao Senhor, e disse:
2 Bem sei eu que tudo podes, [1] e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido.
3 Quem [2] _é_ aquelle, _dizes tu_, que sem conhecimento encobre o conselho? por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram maravilhosissimas, e eu as não entendia.
4 Escuta-me pois, e eu [3] fallarei: eu te perguntarei, e tu me ensinas.
5 Com o ouvido das orelhas te ouvi, mas agora te vê o meu olho.
6 Por isso _me_ abomino [4] e me arrependo no pó e na cinza.
_Deus manda os amigos de Job ir ter com elle e offerecer sacrificios._
7 Succedeu pois que, acabando o Senhor de fallar a Job aquellas palavras, o Senhor disse a Eliphaz, o temanita: A minha ira se accendeu contra ti, e contra os teus dois amigos; porque não fallaste de mim _o que era_ recto, como o meu servo Job.
8 Tomae pois sete [5] bezerros e sete carneiros, e ide ao meu servo Job, e offerecei holocaustos por vós, e o meu servo Job orará [6] por vós: porque devéras a elle acceitarei, para que vos não trate _conforme a vossa_ loucura; porque vós não fallastes de mim _o que era_ recto como o meu servo Job.
9 Então foram Eliphaz, o temanita, e Bildad, o suhita, e Sofar, o naamathita, e fizeram como o Senhor lhes dissera: e o Senhor acceitou a face de Job.
_Deus confere a Job o dobro da prosperidade que antes tinha._
10 E o Senhor virou o captiveiro de Job, quando orava pelos seus amigos: e o Senhor accrescentou a Job outro tanto em [7] dobro, a tudo quanto _d’antes_ possuia.
11 Então vieram [8] a elle todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos quantos d’antes o conheceram, e comeram com elle pão em sua casa, e se condoeram d’elle, e o consolaram ácerca de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado: e cada _um_ d’elles lhe deu _uma_ peça de dinheiro, e cada _um_ um pendente de oiro.
12 E _assim_ abençoou [9] o Senhor ao ultimo estado de Job, mais do que o primeiro: porque teve quatorze [10] mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil juntas de bois, e mil jumentas.
13 Tambem teve [11] sete filhos e tres filhas.
14 E chamou o nome da primeira Jemima, e o nome da outra Cassia, e o nome da terceira Keren-happuch.
15 E em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Job; e seu pae lhes deu herança entre seus irmãos.
16 E depois d’isto viveu [12] Job cento e quarenta annos: e viu a seus filhos, e aos filhos de seus filhos, até á quarta geração.
17 Então morreu Job, velho e farto de [13] dias.
[1] Gen. 18.14. Mat. 19.26. Mar. 17.20 e 14.37. Luc. 18.27.
[2] cap. 38.2.
[3] cap. 38.3.
[4] Esd. 9.6.
[5] Num. 23.1. Mat. 5.24.
[6] Gen. 20.17. Thi. 5.15, 16. I João 5.16.
[7] Isa. 40.2.
[8] cap. 19.13.
[9] cap. 8.7. Thi. 5.11.
[10] cap. 1.3.
[11] cap. 1.2.
[12] cap. 5.26.
[13] Gen. 25.8.
O LIVRO DOS PSALMOS.
_A felicidade dos justos e o castigo dos impios._
[Antes de Christo]
1 Bemaventurado o [1] varão que não anda no conselho dos impios, nem está no caminho dos peccadores, nem se assenta [2] no assento dos escarnecedores.
2 Antes _tem_ o seu prazer na lei do Senhor, e na sua [3] lei medita de dia e de noite.
3 Pois será como a arvore plantada junto [4] a ribeiros de aguas, que dá o seu fructo no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto [5] fizer prosperará.
4 Não _são_ assim os impios: mas _são_ como a [6] moinha que o vento espalha.
5 Pelo que os impios não subsistirão no juizo, nem os peccadores na congregação dos justos.
6 Porque o Senhor [7] conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos impios perecerá.
[1] Pro. 4.14, 15.
[2] Jer. 15.17.
[3] Jos. 1.8.
[4] Jer. 17.8. Eze. 47.12.
[5] Gen. 39.3, 23. Isa. 3.10.
[6] Job 21.18. Isa. 17.13 e 29.5. Ose. 13.3.
[7] Neh. 1.7. João 10.14. II Tim. 2.19.
_A rebellião das gentes e a victoria do Messias._
2 Porque [1] se amotinam as gentes, e os povos imaginam a vaidade?
2 Os reis da terra se levantam, e os principes consultam juntamente contra o Senhor [2] e contra o seu ungido, _dizendo_:
3 Rompamos [3] as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas.
4 Aquelle que habita nos céus se rirá: o Senhor zombará [4] d’elles.
5 Então lhes fallará na sua ira, e no seu furor os turbará.
6 Eu porém ungi o meu Rei sobre o meu sancto [5] monte de Sião.
7 Recitarei o decreto: o Senhor me disse: Tu _és_ meu Filho, [6] eu hoje te gerei.
8 Pede-me, [7] e eu _te_ darei as nações _por_ herança, e os fins da terra _por_ tua possessão.
9 Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; [8] tu os despedaçarás como _a_ um vaso de oleiro.
10 Agora pois, ó reis, sêde prudentes; deixae-vos instruir, juizes da terra.
11 Servi [9] ao Senhor com temor, e alegrae-vos com tremor.
12 Beijae ao Filho, para que [10] se não ire, [11] e pereçaes no caminho, quando em breve se accender a sua ira: bemaventurados todos aquelles que n’elle confiam.
[1] Act. 4.25, 26.
[2] João 1.41.
[3] Jer. 5.5. Luc. 19.14.
[4] Pro. 1.26.
[5] II Sam. 5.7.
[6] Act. 13.33. Heb. 1.5 e 5.5.
[7] Psa. 22.28.
[8] Apo. 2.27 e 12.5 e 19.15.
[9] Heb. 12.28. Phi. 2.12.
[10] Gen. 41.40. I Sam. 10.1. João 5.23.
[11] Apo. 6.16, 17. Pro. 16.20. Isa. 30.18. Jer. 17.7. I Ped. 2.6.
_David confia em Deus na sua adversidade._
Psalmo de David, quando fugiu de diante da face de Absalão seu filho.
3 Senhor, como se teem [1] multiplicado os meus adversarios! _são_ muitos os que se levantam contra mim.
2 Muitos dizem da minha alma: Não _ha_ salvação [2] para elle em Deus (Selah).
3 Porém tu, Senhor, _és_ um escudo [3] para mim, a minha gloria, e o que exalta a minha cabeça.
4 Com a minha voz clamei ao Senhor, e ouviu-me desde o seu sancto monte (Selah).
5 Eu me deitei e dormi: [4] acordei; porque o Senhor me sustentou.
6 Não temerei os milhares de povo que _se_ pozeram contra mim e me cercam.
7 Levanta-te, Senhor; salva-me, Deus meu; pois [5] feriste a todos os meus inimigos nos queixos; quebraste os dentes aos impios.
8 A salvação _vem_ [6] do Senhor; sobre o teu povo _seja_ a tua benção. (Selah).
[1] II Sam. 15.12 e 16.15.
[2] II Sam. 16.8.
[3] Gen. 15.1.
[4] Lev. 26.6. Pro. 3.24.
[5] Job 16.10 e 29.17. Lam. 3.30.
[6] Pro. 21.31. Isa. 43.11. Jer. 3.23. Ose. 13.4. Apo. 7.10 e 19.1.
_David ora a Deus na sua angustia._
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Neginoth.
4 Ouve-me; quando eu clamo, ó Deus da minha justiça, na angustia me déste largueza; tem misericordia de mim e ouve a minha oração.
2 Filhos dos homens, até quando _convertereis_ a minha gloria em infamia? _até quando_ amareis a vaidade _e_ buscareis a mentira? (Selah).
3 Sabei [1] pois que o Senhor separou para si aquelle que lhe é querido; o Senhor ouvirá quando eu clamar a elle.
4 Perturbae-vos [2] e não pequeis: fallae com o vosso coração sobre a vossa cama, e calae-vos. (Selah).
5 Offerecei sacrificios [3] de justiça, e confiae no Senhor.
6 Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? Senhor, [4] exalta sobre nós a luz do teu rosto.
7 Pozéste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se multiplicaram [5] o seu trigo e o seu vinho.
8 Em paz tambem me deitarei e dormirei, [6] porque só tu, [7] Senhor, me fazes habitar em segurança.
[1] II Tim. 2.19. II Ped. 2.9.
[2] Eph. 4.26. II Chr. 13.5.
[3] Deu. 33.19.
[4] Num. 6.26.
[5] Isa. 9.3.
[6] Job 11.18, 19.
[7] Lev. 25.18, 19.
_Deus aborrece os impios e abençoa os justos._
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Nehiloth.
5 Dá ouvidos ás minhas palavras, ó Senhor, entende a minha meditação.
2 Attende á voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois a ti orarei.
3 Pela manhã ouvirás a minha voz, ó Senhor; pela manhã _me_ apresentarei a ti, e vigiarei.
4 Porque tu não _és um_ Deus que tenha prazer na iniquidade, nem comtigo habitará o mal.
5 Os loucos não [1] pararão á tua vista; [2] aborreces a todos os que obram a maldade.
6 Destruirás aquelles que fallam a mentira; o Senhor aborrecerá o homem sanguinario e fraudulento.
7 Porém eu entrarei em tua casa pela grandeza de tua benignidade; _e_ em teu temor me inclinarei para o teu sancto templo.
8 Senhor, guia-me na tua justiça, por causa dos meus inimigos: endireita diante de mim o teu caminho.