A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 90
[1] cap. 8.12. cap. 3.13.
[2] II Sam. 22.41.
[3] cap. 8.11. ver. 16.
[4] cap. 8.17.
[5] cap. 5.11. Job 18.19 e 27.13, 14, 15. cap. 8.11.
[6] cap. 5.6 e 7.2.
[7] cap. 8.11. II Sam. 21.6, 9.
[8] ver. 2. cap. 8.11. ver. 10.
[9] ver. 2. cap. 8.11.
[10] cap. 8.11.
[11] ver. 11, 15.
[12] Deu. 16.11, 14. cap. 8.17. ver. 22. Neh. 8.10, 12.
[13] ver. 19. Neh. 8.11.
[14] cap. 3.6, 7.
[15] ver. 13, 14. cap. 7.5, etc. e 8.3, etc. cap. 7.10.
[16] ver. 20.
[17] cap. 8.17. Isa. 56.3, 6. Zac. 2.11.
[18] cap. 2.15. cap. 8.10. ver. 20.
[19] cap. 1.1.
[20] cap. 2.3 e 34.6.
_Exaltação de Mardoqueo._
10 Depois d’isto poz o rei Assuero tributo sobre a terra, e _sobre_ [1] as ilhas do mar,
2 E todas as obras do seu poder e do seu valor, e a declaração da grandeza de [2] Mardoqueo, a quem o rei engrandeceu, _porventura_ não _estão_ escriptas no livro das chronicas dos reis da Media e da Persia?
3 Porque o judeo Mardoqueo _foi_ o segundo [3] depois do rei Assuero, e grande para com os judeos, e agradavel para com a multidão de seus irmãos, que procurava o [4] bem do seu povo, e fallava pela prosperidade de toda a sua nação.
[1] Gen. 10.5. Isa. 24.15.
[2] cap. 8.15 e 9.4.
[3] Gen. 41.40. II Chr. 28.7.
[4] Neh. 2.10.
[MT] O LIVRO DE JOB.
_A virtude, tentação e perdas de Job._
[Antes de Christo 1520]
1 Havia _um_ homem [1] na terra d’Uz, cujo nome _era_ Job: e era este homem sincero, recto e temente a Deus e desviando-se do mal.
2 E nasceram-lhe sete filhos e tres filhas.
3 E era o seu gado sete mil ovelhas, e tres mil camelos, e quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas; era tambem muitissima a gente ao seu serviço, de maneira que era este homem maior do que todos os do oriente.
4 E iam seus filhos, e faziam banquetes em casa de cada um no seu dia; e enviavam, e convidavam as suas tres irmãs a comerem e beberem com elles.
5 Succedeu pois que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Job, e os sanctificava, e se levantava de madrugada, [2] e offerecia holocaustos _segundo_ o numero de todos elles; porque dizia Job: _Porventura_ peccaram meus filhos, e [MU] amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim o fazia Job continuamente.
6 E vindo [3] um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veiu tambem Satanaz entre elles.
7 Então o Senhor disse a Satanaz: D’onde vens? [4] E Satanaz respondeu ao Senhor, e disse: De rodeiar a terra, e passeiar por ella.
8 E disse o Senhor a Satanaz: [5] Consideraste tu a meu servo Job? porque ninguem _ha_ na terra similhante a elle, homem sincero e recto, temente a Deus, e desviando-se do mal.
9 Então respondeu Satanaz ao Senhor, e disse: _Porventura_ teme Job a Deus debalde?
10 _Porventura_ não [6] o circumvallaste tu a elle, e a sua casa, e a tudo quanto tem? [7] A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado está augmentado na terra.
11 Mas estende [8] a tua mão, e toca-_lhe_ em tudo quanto tem, _e verás_ se te não amaldiçoa na tua face!
12 E disse o Senhor a Satanaz: Eis-que tudo quanto tem _está_ na tua mão; sómente contra elle não estendas a tua mão. E Satanaz saiu da presença do Senhor.
13 E succedeu um [9] dia, em que seus filhos e suas filhas comiam, e bebiam vinho, na casa de seu irmão primogenito,
14 Que veiu um mensageiro a Job, e _lhe_ disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a elles;
15 E deram _sobre elles_ os sabeos, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada: e só eu escapei tão sómente, para te trazer a nova.
16 Estando este ainda fallando, veiu outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu, e só eu escapei tão sómente para te trazer a nova.
17 Estando ainda este fallando, veiu outro, e disse: Ordenando os chaldeos tres tropas, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada: e só eu escapei tão sómente para te trazer a nova.
18 Estando ainda este fallando, veiu outro, e disse: Estando [10] teus filhos, tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogenito,
19 Eis que _um_ grande vento sobreveiu d’além do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, e caiu sobre os mancebos, e morreram: e só eu escapei tão sómente, para te trazer a nova.
20 Então Job [11] se levantou, e rasgou o seu manto, e tosquiou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou,
21 E disse: Nu sahi do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá; o Senhor _o_ deu, [12] e o Senhor _o_ tomou: bemdito seja o nome do Senhor.
22 Em tudo [13] isto Job não peccou, nem attribuiu a Deus falta alguma.
[1] Gen. 22.20, 21. Eze. 14.14. Thi. 5.11. Gen. 6.9 e 17.1. cap. 2.3. Pro. 8.13 e 16.6.
[2] Gen. 8.20. cap. 42.8. I Reis 21.10, 13.
[3] cap. 2.1. I Reis 22.19. cap. 38.7.
[4] cap. 2.2. Mat. 12.43. I Ped. 5.8.
[5] cap. 2.3. ver. 1.
[6] Isa. 5.2.
[7] Pro. 10.22.
[8] cap. 2.6 e 19.21. Mal. 3.13, 14.
[9] Ecc. 9.12.
[10] ver. 4, 13.
[11] Gen. 37.29. Esd. 9.3. I Ped. 5.6.
[12] Ecc. 5.15. I Tim. 6.7. Ecc. 5.19. Thi. 1.17. Mat. 20.15. I The. 5.18.
[13] cap. 2.10.
_A adversidade e cruel afflicção de Job._
2 E, vindo [1] outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veiu tambem Satanaz entre elles, apresentar-se perante o Senhor.
2 Então o Senhor [2] disse a Satanaz: D’onde vens? E respondeu Satanaz ao Senhor, e disse: De rodeiar a terra, e passeiar por ella.
3 E disse o Senhor a Satanaz: Consideraste ao meu servo Job? porque ninguem _ha_ na terra similhante a elle, homem sincero e [3] recto, temente a Deus, e desviando-se do mal, e que ainda retem [4] a sua sinceridade; havendo-me tu incitado contra elle, para o consumir sem causa.
4 Então Satanaz respondeu ao Senhor, e disse: Pelle por pelle, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida.
5 Porém estende [5] a tua mão, e toca-lhe nos ossos, e na carne, _e verás_ se te não amaldiçoa na tua face!
6 E disse [6] o Senhor a Satanaz: Eis-que elle _está_ na tua mão; porém guarda a sua vida.
7 Então saiu Satanaz da presença do Senhor, e feriu a Job [MV] d’uma chaga maligna, [7] desde a planta do pé até ao alto da cabeça.
8 E tomou um caco para se raspar com elle: e estava [8] assentado no meio da cinza.
9 Então sua mulher lhe disse: Ainda [9] retens a tua sinceridade? amaldiçoa a Deus, e morre.
10 Porém elle lhe disse: Como falla qualquer das doidas, fallas tu; receberemos [10] o bem de Deus, e não receberiamos o mal? Em tudo isto não peccou Job com os seus labios.
11 Ouvindo [11] pois tres amigos de Job todo este mal que tinha vindo sobre elle, vieram cada um do seu logar; Eliphaz o temanita, e Bildad o suhita, e Sofar o naamathita; e concertaram juntamente de virem condoer-se d’elle, [12] e para o consolarem.
12 E, levantando de longe os seus olhos, não o conheceram: e levantaram a sua voz e choraram; e rasgaram cada um o seu manto, e sobre as suas cabeças lançaram [13] pó ao ar.
13 E se assentaram juntamente com elle na terra, sete dias [14] e sete noites: e nenhum lhe dizia palavra alguma, porque viam que a dôr era mui grande.
[1] cap. 1.6.
[2] cap. 1.7.
[3] cap. 1.1, 8.
[4] cap. 27.5, 6. cap. 9.17.
[5] cap. 1.11 e 19.20.
[6] cap. 1.12.
[7] Isa. 1.6.
[8] II Sam. 13.19. cap. 42.6. Eze. 27.30. Mat. 11.21.
[9] cap. 21.15. ver. 3.
[10] cap. 1.21. Rom. 12.12. Thi. 5.10, 11. cap. 1.22.
[11] Pro. 17.17. Gen. 36.11. Jer. 49.7. Gen. 25.2.
[12] cap. 42.11. Rom. 12.15.
[13] Neh. 9.1. Lam. 2.10. Eze. 27.30.
[14] Gen. 50.10.
_Job amaldiçoa o seu nascimento e lamenta a sua miseria._
3 Depois d’isto abriu Job a sua bocca, e amaldiçoou o seu dia.
2 E Job respondeu, e disse:
3 Pereça [1] o dia em que nasci, e a noite _em que_ se disse: Foi concebido _um_ homem!
4 Converta-se aquelle dia em trevas; _e_ Deus de cima não tenha cuidado d’elle, nem resplandeça sobre elle a luz.
5 Contaminem-n’o as trevas [2] e a sombra de morte; habitem sobre elle nuvens: a escuridão do dia o espante!
6 A escuridão tome aquella noite, _e_ não se goze entre os dias do anno, _e_ não entre no numero dos mezes!
7 Ah que solitaria seja aquella noite, _e_ suave musica não entre n’ella!
8 Amaldiçoem-n’a aquelles que amaldiçoam o dia, [3] que estão promptos para levantar o seu pranto.
9 Escureçam-se as estrellas do seu crepusculo; que espere a luz, e não _venha_: e não veja as pestanas dos olhos da alva!
10 Porque não fechou as portas do ventre; nem escondeu dos meus olhos a canceira?
11 Porque [4] não morri eu desde a madre? _e_ em saindo do ventre, não expirei?
12 Porque [5] me receberam os joelhos? e porque os peitos, para que mamasse?
13 Porque _já_ agora jazera e repousara; dormiria, e então haveria repouso para mim.
14 Com os reis e conselheiros da terra, que se edificavam casas nos logares [6] assolados,
15 Ou com os principes que tinham oiro, que enchiam as suas casas de prata,
16 Ou como aborto occulto, não existiria: como as creanças _que_ não viram a luz.
17 Ali os maus cessam de perturbar: e ali repousam os cançados.
18 Ali os presos juntamente repousam, _e_ não ouvem [7] a voz do exactor:
19 Ali está o pequeno e o grande, e o servo fica livre de seu senhor.
20 Porque [8] se dá luz ao miseravel, e vida aos [9] amargosos d’animo?
21 Que esperam [10] a morte, e não se acha: e cavam em busca d’ella mais do que _de_ thesouros occultos:
22 Que d’alegria saltam, _e_ exultam, achando a sepultura:
23 Ao homem, cujo caminho é occulto, e a quem [11] Deus o encobriu?
24 Porque antes do meu pão vem o meu suspiro: e os meus gemidos se derramam como agua.
25 Porque o temor que temo me veiu: e o que receiava me aconteceu.
26 Nunca estive descançado, nem soceguei, nem repousei, mas veiu sobre mim a perturbação.
[1] cap. 10.18, 19. Jer. 15.10, 20, 14.
[2] cap. 10.21, 22 e 16.16 e 28.3. Jer. 13.16. Amós 5.8.
[3] Jer. 9.17, 18.
[4] cap. 10.18.
[5] Gen. 30.3. Isa. 66.12.
[6] cap. 15.28.
[7] cap. 39.7.
[8] Jer. 20.18.
[9] I Sam. 1.10. II Reis 4.27. Pro. 31.6.
[10] Apo. 9.6. Pro. 2.4.
[11] cap. 19.8. Lam. 3.7.
_Eliphaz reprehende Job._
4 Então respondeu Eliphaz o temanita, e disse:
2 Se intentarmos fallar-te, enfadar-te-has? mas quem poderia conter as palavras?
3 Eis que ensinaste a muitos, e esforçaste [1] as mãos fracas.
4 As tuas palavras levantaram os que tropeçavam [2] e os joelhos desfallecentes fortificaste.
5 Mas agora a ti te vem, e te enfadas: e, tocando-te a ti, te perturbas.
6 _Porventura_ não _era_ o [3] teu temor _de Deus_ a tua confiança, e a tua esperança a sinceridade dos teus caminhos?
7 Lembra-te agora qual é o innocente que _jamais_ perecesse? e onde foram os sinceros destruidos?
8 Como eu tenho visto, os que lavram iniquidade, e semeam trabalho segam [4] o mesmo.
9 Com o bafo de Deus perecem; e com o assopro da sua ira se consomem.
10 O bramido do leão, e a voz do leão feroz, e os dentes dos leõezinhos se quebrantam.
11 Perece o leão velho, porque não ha preza; e os filhos da leoa andam esparzidos.
12 Uma palavra se me disse em segredo; e os meus ouvidos perceberam um sussurro d’ella.
13 Entre imaginações de visões da noite, quando cae sobre os [5] homens o somno profundo;
14 Sobreveiu-me o espanto e o [6] tremor, e todos os meus ossos estremeceram.
15 Então um espirito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabellos da minha carne;
16 Parou elle, porém não conheci a sua feição; um vulto estava diante dos meus olhos: e, calando-me, ouvi uma voz _que dizia_:
17 Seria _porventura_ [7] o homem mais justo do que Deus? seria _porventura_ o varão mais puro do que o seu Creador?
18 Eis-que [8] nos seus servos não confiaria, e aos seus anjos imputaria loucura:
19 Quanto [9] menos n’aquelles que habitam em casas de lodo, cujo fundamento _está_ no pó, e são machucados como a traça!
20 Desde a manhã até á tarde são despedaçados: e eternamente perecem sem que d’isso se faça caso.
21 _Porventura_ se não passa com elles a sua excellencia? morrem, porém sem sabedoria.
[1] Isa. 35.3.
[2] Isa. 35.3.
[3] cap. 1.1. Pro. 3.26.
[4] Pro. 22.8. Ose. 10.13. Gal. 6.7, 8.
[5] cap. 33.15.
[6] Hab. 3.16.
[7] cap. 9.2.
[8] cap. 15.15 e 25.5. II Ped. 2.4.
[9] cap. 15.16. II Cor. 4.7 e 5.1.
_Eliphaz exhorta a Job a que busque a Deus._
5 Chama agora; ha alguem que te responda? e para qual dos sanctos te virarás?
2 Porque a ira destroe o louco; e o zelo mata o tolo.
3 _Bem_ vi eu [1] o louco lançar raizes; porém logo amaldiçoei a sua habitação.
4 Seus filhos estão longe da salvação; e são despedaçados ás portas, e não ha quem os livre.
5 A sua sega a devora o faminto, e até d’entre os [2] espinhos a tira; _e_ o salteador traga a sua fazenda.
6 Porque do pó não procede a afflicção, nem da terra brota o trabalho.
7 Mas o homem [3] nasce para o trabalho, como as faiscas das brazas se levantam para voarem.
8 Porém eu buscaria a Deus; e a Elle dirigiria a minha falla.
9 Elle faz [4] coisas _tão_ grandiosas, que se não podem esquadrinhar; _e tantas_ maravilhas, que se não podem contar.
10 Que dá [5] a chuva sobre a terra, e envia aguas sobre os campos,
11 Para pôr [6] aos abatidos n’_um logar_ alto: e para que os enlutados se exaltem na salvação.
12 Elle aniquila [7] as imaginações dos astutos, para que as suas mãos não possam levar coisa alguma a effeito.
13 Elle apanha [8] os sabios na sua _propria_ astucia; e o conselho dos perversos se precipita.
14 Elles de dia [9] encontrem as trevas; e ao meio dia andem como de noite, ás apalpadelas.
15 Porém ao necessitado livra da espada, _e_ da bocca d’elles, e da mão do forte.
16 Assim ha esperança para o pobre; [10] e a iniquidade tapa a sua bocca.
17 Eis que bemaventurado _é_ o homem a quem [11] Deus castiga; pois não desprezes o castigo do Todo-poderoso.
18 Porque [12] elle faz a chaga, e elle _mesmo a_ liga: elle fere, e as suas mãos curam.
19 Em seis angustias [13] te livrará; e na setima o mal te não tocará.
20 Na fome te livrará da morte; e na guerra da violencia da espada.
21 Do açoite da lingua estarás encoberto; e não temerás a assolação, quando vier.
22 Da assolação e [14] da fome te rirás, e os animaes da terra não temerás.
23 Porque até [15] com as pedras do campo terás a tua alliança; e os animaes do campo serão pacificos comtigo.
24 E saberás que a tua tenda _está_ em paz; e visitarás a tua habitação, e não falharás.
25 Tambem saberás que se multiplicará a tua semente e a tua posteridade como a herva da terra.
26 Na [16] velhice virás á sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo.
27 Eis que isto já o havemos inquirido, _e_ assim é; ouve-o, e medita n’isso para teu _bem_.
[1] Jer. 12.2, 3.
[2] Gen. 3.17, 18, 19. I Cor. 10.13.
[3] Gen. 3.17, 18, 19.
[4] cap. 9.10 e 37.5.
[5] cap. 28.23. Jer. 5.24 e 10.13 e 51.16. Act. 14.17.
[6] I Sam. 2.7.
[7] Neh. 4.15. Isa. 8.10.
[8] I Cor. 3.19.
[9] Deu. 28.29. Isa. 59.10. Amós 8.9.
[10] I Sam. 2.9.
[11] Pro. 3.11, 12. Heb. 12.5. Thi. 1.12. Apo. 3.19.
[12] Deu. 32.39. I Sam. 2.6. Isa. 30.26. Ose. 6.1.
[13] Pro. 24.16. I Cor. 10.13.
[14] Isa. 11.9 e 35.9 e 65.25. Eze. 34.25.
[15] Ose. 2.18.
[16] Pro. 9.11 e 10.27.
_Job justifica as suas queixas._
6 Então Job respondeu, e disse:
2 Oh se a minha magoa rectamente se pezasse, e a minha miseria juntamente se alçasse n’uma balança!
3 Porque na verdade mais pesada seria, do que a areia [1] dos mares: por isso é que as minhas palavras se _me_ afogam.
4 Porque as frechas do Todo-poderoso _estão_ em mim, cujo ardente veneno me chupa o espirito: os terrores de Deus se armam contra mim.
5 _Porventura_ zurrará o jumento montez junto á relva? ou berrará o boi junto ao seu pasto?
6 Ou comer-se-ha sem sal o que é insipido? ou haverá gosto na clara do ovo?
7 A minha alma recusa tocal-o, pois é como a minha comida fastienta.
8 Quem dera que se cumprisse o meu desejo, e que Deus _me_ désse o que espero!
9 E _que_ [2] Deus quizesse quebrantar-me, e soltasse a sua mão, e me acabasse!
10 _Isto_ ainda seria a minha consolação, e me refrigeraria no _meu_ tormento, não _me_ perdoando elle; porque não occultei [3] as palavras do Sancto.
11 Qual _é_ a minha força, para que eu espere? ou qual _é_ o meu fim, para que prolongue a minha vida?
12 É _porventura_ a minha força a força de pedra? _Ou é_ de cobre a minha carne?
13 Ou não _está_ em mim a minha ajuda? ou desamparou-me a verdadeira sabedoria?
14 Ao [4] que está afflicto _devia_ o amigo _mostrar_ compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-poderoso.
15 Meus irmãos [5] aleivosamente _me_ fallaram, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam.
16 Que estão encobertos com a geada, _e_ n’elles se esconde a neve.
17 No tempo em que se derretem com o calor se desfazem, _e_ em se aquentando, desapparecem do seu logar.
18 Desviam-se as veredas dos seus caminhos: sobem ao vacuo, e perecem.
19 Os caminhantes de [6] Tema os vêem; os passageiros de Sheba olham para elles.
20 Foram [7] envergonhados, por terem confiado e, chegando ali, se confundem.
21 Agora [8] sois similhantes a elles: vistes o terror, e temestes.
22 Disse-_vos_ eu: Dae-me ou offerecei-me da vossa fazenda presentes?
23 Ou livrae-me das mãos do oppressor? ou redemi-me das mãos dos tyrannos?
24 Ensinae-me, e eu _me_ calarei: e dae-me a entender em que errei.
25 Oh! quão fortes são as palavras da boa razão! mas que é o que argue a vossa arguição?
26 _Porventura_ buscareis palavras para me reprehenderdes, visto que as razões do desesperado estão como vento?
27 Mas antes lançaes _sortes_ sobre o orphão; e cavaes _uma cova_ para o vosso amigo.
28 Agora pois, se sois servidos, virae-vos para mim; e _vede_ se minto em vossa presença.
29 Voltae pois, não haja iniquidade: tornae-vos, [9] digo, _que_ ainda a minha justiça _apparecerá_ n’isso.
30 Ha _porventura_ iniquidade na minha lingua? _Ou_ não poderia o meu paladar dar a entender as _minhas_ miserias?
[1] Pro. 27.3.
[2] I Reis 19.4.
[3] Act. 20.20. Lev. 19.2. Isa. 57.15. Ose. 11.9.
[4] Pro. 17.17.
[5] Jer. 15.18.
[6] Gen. 25.15. I Reis 10.1. Eze. 27.22, 23.
[7] Jer. 14.3.
[8] cap. 13.3.
[9] cap. 17.10.
7 Porventura [1] não _tem_ o homem guerra sobre a terra? _e não são_ os seus dias como os dias do jornaleiro?
2 Como o cervo que suspira _pela_ sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,
3 Assim me deram [2] por herança mezes de vaidade: e noites de trabalho me prepararam.
4 Deitando-me a dormir, então digo, [3] Quando me levantarei? mas comprida é a noite, e farto-me de me voltar _na cama_ até á alva.
5 A minha carne se tem vestido de bichos [4] e de torrões de pó: a minha pelle está gretada, e se fez abominavel.
6 Os meus dias [5] são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e pereceram sem esperança.
7 Lembra-te de que a minha vida _é_ como o vento; os meus olhos não tornarão a ver o bem.
8 Os olhos dos que _agora_ me vêem não me verão [6] _mais_: os teus olhos _estarão_ sobre mim, porém não serei _mais_.
9 _Assim como_ a nuvem se desfaz e passa, assim aquelle que desce á sepultura [7] nunca tornará a subir.
10 Nunca mais tornará á sua casa, nem o seu logar [8] jámais o conhecerá.
11 Por isso não reprimirei a [9] minha bocca: fallarei na angustia do meu espirito; queixar-me-hei na amargura da minha alma.
12 Sou eu _porventura_ o mar, ou a baleia, para que me ponhas uma guarda?
13 Dizendo eu: [10] Consolar-me-ha a minha cama: meu leito alliviará a minha ancia;
14 Então me espantas com sonhos, e com visões me assombras:
15 Pelo que a minha alma escolheria _antes_ a estrangulação: _e_ antes a morte do que [MW] a vida.
16 _A minha vida_ abomino, [11] pois não viveria para sempre: retira-te de mim; pois vaidade _são_ os meus dias.
17 Que _é_ [12] o homem, para que tanto o estimes, e ponhas sobre elle o teu coração,
18 E cada manhã o visites, e cada momento o proves?
19 Até quando me não deixarás, _nem_ me largarás, até que engula o meu cuspo?
20 Se pequei, que te farei, [13] _ó_ Guarda dos homens? porque fizeste de mim um alvo para ti por tropeço, para que a mim mesmo me seja pesado?
21 E porque _me_ não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniquidade? porque agora me deitarei no pó, e de madrugada me buscarás, e não estarei lá.
[1] cap. 14.5, 13, 14.
[2] cap. 29.2.
[3] Deu. 28.67. cap. 17.12.
[4] Isa. 14.11.
[5] cap. 9.25 e 16.22 e 17.11. Isa. 38.12. Thi. 4.14.
[6] cap. 20.9.
[7] II Sam. 12.23.
[8] cap. 8.18 e 20.9.
[9] I Sam. 1.10. cap. 10.1.
[10] cap. 9.27.
[11] cap. 10.20 e 14.6.
[12] Heb. 2.6.
[13] cap. 16.12. Lam. 3.12.
_Bildad combate as palavras de Job e justifica a Deus._
8 Então respondeu Bildad o suhita, e disse:
2 Até quando fallarás taes _coisas_, e as razões da tua bocca _serão como_ um vento impetuoso?
3 _Porventura_ perverteria [1] Deus o direito? e perverteria o Todo-poderoso a justiça?
4 Se teus filhos [2] peccaram contra elle, tambem elle os lançou na mão da sua transgressão.
5 _Mas_, [3] se tu de madrugada buscares a Deus, e ao Todo-poderoso pedires misericordia,
6 Se _fôres_ puro e recto, certamente logo despertará por ti, e restaurará a morada da tua justiça.
7 O teu principio, na verdade, terá sido pequeno, porém o teu ultimo _estado_ crescerá em extremo.
8 Porque, pergunta [4] agora ás gerações passadas: e prepara-te para a inquirição de seus paes.
9 Porque [5] nós _somos_ de hontem, e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra _são como_ a sombra.
10 _Porventura_ não te ensinarão elles, _e_ não te fallarão, e do seu coração não tirarão razões?
11 _Porventura_ sobe o junco sem lodo? _ou_ cresce a espadana sem agua?
12 Estando [6] ainda na sua verdura, _ainda que_ a não cortem, todavia antes de qualquer _outra_ herva se secca.
13 Assim _são_ as veredas de todos quantos se esquecem de Deus: e a esperança do hypocrita [7] perecerá.
14 Cuja esperança fica frustrada: e a sua confiança _será como_ a teia d’aranha.
15 Encostar-se-ha [8] á sua casa, mas não se terá firme: apegar-se-ha a ella, mas não ficará em pé.
16 Está sumarento antes _que venha_ o sol, e os seus renovos saem sobre o seu jardim;
17 As suas raizes se entrelaçam junto á fonte, para o pedregal attenta.
18 Absorvendo-o [9] elle do seu logar, negal-o-ha _este, dizendo_: Nunca te vi?
19 Eis que este _é_ alegria do seu caminho, e outros brotarão do pó.
20 Eis que Deus não rejeitará ao recto; nem toma pela mão aos malfeitores:
21 Até que de riso te encha a bocca, e os teus labios de jubilação.
22 Teus aborrecedores se vestirão de confusão, e a tenda dos impios não existirá mais.
[1] Gen. 18.25. Deu. 32.4. II Chr. 19.7. cap. 34.12, 17. Dan. 9.14. Rom. 3.5.
[2] cap. 1.5, 18.
[3] cap. 5.8 e 11.13 e 22.23, etc.
[4] Deu. 4.32 e 32.7. cap. 15.18.
[5] Gen. 47.9. I Chr. 29.15. cap. 7.6.
[6] Jer. 17.6.
[7] cap. 11.20 e 18.14 e 27.8. Pro. 10.28.
[8] cap. 27.18.
[9] cap. 7.10 e 20.9.
_Job confessa a justiça de Deus e pede allivio á sua miseria._
9 Então Job respondeu, e disse:
2 Na verdade sei que assim _é_; porque como se justificaria o [1] homem para com Deus?
3 Se quizer contender com elle, nem a uma de mil _coisas_ lhe poderá responder.
4 Elle _é_ sábio [2] de coração, e forte de forças: quem se endureceu contra elle, e teve paz?
5 _Elle é_ o que transporta as montanhas, sem que o sintam, _e_ o que as transtorna no seu furor.
6 O que remove [3] a terra do seu logar, e as suas columnas estremecem.
7 O que falla ao sol, e não sae, e sella as estrellas.
8 O que só estende [4] os céus, e anda sobre os altos do mar.
9 O que faz [5] a Ursa, o Orion, e o Setestrello, e as recamaras do sul.
10 O que [6] faz coisas grandes, que se não podem esquadrinhar: e maravilhas _taes_ que se não podem contar.
11 Eis que passa [7] por diante de mim, e não _o_ vejo: e torna a passar perante mim, e não o sinto.
12 Eis que [8] arrebata; quem lh’o fará restituir? quem lhe dirá: Que _é o que_ fazes?
13 Deus não revogará a sua ira: [9] debaixo d’elle se encurvam os auxiliadores soberbos.
14 Quanto menos lhe responderia eu! _ou_ escolheria diante d’elle as minhas palavras!