A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 89
18 Então o rei fez _um_ grande convite a [8] todos os seus principes e aos seus servos, _que era_ o convite d’Esther: e deu repouso ás provincias, e fez presentes segundo o estado do rei.
19 E ajuntando-se segunda vez as virgens, [9] Mardoqueo estava assentado á porta do rei.
20 Esther [10] _porém_ não declarava a sua parentela e o seu povo, como Mardoqueo lhe ordenara; porque Esther fazia o mandado de Mardoqueo, como quando a criara.
_Mardoqueo descobre uma conspiração._
21 N’aquelles dias, assentando-se Mardoqueo á porta do rei, dois eunuchos do rei, dos guardas da porta, Bigthan e Theres, grandemente se indignaram, e procuraram pôr as mãos no rei Assuero.
22 E veiu isto ao conhecimento de Mardoqueo, [11] e elle fez saber á rainha Esther, e Esther o disse ao rei, em nome de Mardoqueo.
23 E inquiriu-se o negocio, e se descobriu, e ambos foram enforcados n’uma forca: e foi escripto [12] nas chronicas perante o rei.
[1] cap. 1.19, 20.
[2] II Reis 24.14, 15. II Chr. 36.10, 20. Jer. 24.1.
[3] ver. 15.
[4] ver. 3.
[5] ver. 3, 12.
[6] ver. 20.
[7] ver. 7.
[8] cap. 1.3.
[9] ver. 21. cap. 3.2.
[10] ver. 10.
[11] cap. 6.2.
[12] cap. 6.1.
_Haman é exaltado, e cria odio a Mardoqueo._
[Antes de Christo 510]
3 Depois d’estas coisas o rei Assuero engrandeceu a Haman, filho d’Hammedatha, [1] agagita, e o exaltou: e poz o seu assento acima de todos os principes que _estavam_ com elle.
2 E todos os servos do rei, que _estavam_ [2] á porta do rei, se inclinavam e se prostravam perante Haman; porque assim tinha ordenado o rei ácerca d’elle: porém Mardoqueo [3] não se inclinava nem se prostrava.
3 Então os servos do rei, que _estavam_ á porta do rei, disseram a Mardoqueo: Porque traspassas o [4] mandado do rei?
4 Succedeu pois que, dizendo-lhe elles _isto_ de dia em dia, e não lhes dando elle ouvidos, o fizeram saber a Haman, para verem se as palavras de Mardoqueo se sustentariam, porque elle lhes tinha declarado que _era_ judeo.
5 Vendo pois Haman que Mardoqueo se não inclinava nem se prostrava diante d’elle, [5] Haman se encheu de furor.
6 Porém em seus olhos teve em pouco de pôr as mãos só em Mardoqueo (porque lhe haviam declarado o povo de Mardoqueo); Haman pois procurou destruir a todos os judeos que _havia_ em todo o reino d’Assuero, ao povo de Mardoqueo.
_Haman pretende matar todos os judeos._
7 No primeiro mez (que é o mez de nisan), no anno duodecimo do rei Assuero, se lançou pur, isto [6] é, sorte, perante Haman, de dia em dia, e de mez em mez, até ao duodecimo _mez_, que é o mez d’adar.
8 E Haman disse ao rei Assuero: Ha um povo espargido e dividido entre os povos em todas as provincias do teu reino, [7] cujas leis _são_ differentes _das leis_ de todos os povos, e tão pouco fazem as leis do rei; pelo que não convém ao rei deixal-os _ficar_.
9 Se bem parecer ao rei, escreva-se que os matem: e eu porei nas mãos dos que fizerem a obra dez mil talentos de prata, para que se mettam nos thesouros do rei.
10 Então tirou o rei [8] o seu annel da sua mão, e o deu a Haman, filho d’Hammedatha, agagita, adversario dos judeos.
11 E disse o rei a Haman: Essa prata te é dada, como tambem esse povo, para fazeres d’elle o que bem _parecer_ aos teus olhos.
12 Então [9] chamaram os escrivães do rei no primeiro mez, no dia treze do mesmo, e conforme a tudo quanto Haman mandou se escreveu aos principes do rei, e aos governadores que _havia_ sobre cada provincia, e aos principaes de cada povo; a cada provincia segundo a sua escriptura, e a cada povo segundo [10] a sua lingua; em nome do rei Assuero se escreveu, e com o annel do rei se sellou.
13 E as cartas se enviaram pela mão [11] dos correios a todas as provincias do rei, que destruissem, matassem, e lançassem a perder a todos os judeos desde o moço até ao velho, creanças e mulheres, em um _mesmo_ dia, a treze do duodecimo mez (que é o mez d’adar), [12] e que saqueassem o seu despojo.
14 Uma copia [13] do escripto que se proclamasse lei em cada provincia era publicada a todos os povos, para que estivessem preparados para aquelle dia.
15 Os correios, pois, impellidos pela palavra do rei, sairam, e a lei se proclamou na fortaleza de Susan; e o rei e Haman se assentaram a beber; porém a cidade de Susan [14] estava confusa.
[1] Num. 24.7. I Sam. 15.8.
[2] cap. 2.19.
[3] ver. 5.
[4] ver. 2.
[5] ver. 2. cap. 5.9. Dan. 3.19.
[6] cap. 9.24.
[7] Esd. 4.13. Act. 16.20.
[8] Gen. 41.42. cap. 8.2, 8.
[9] cap. 8.9.
[10] cap. 1.22 e 8.9.
[11] I Reis 21.8. cap. 8.8, 10, 12, etc.
[12] cap. 8.11.
[13] cap. 8.13, 14.
[14] cap. 8.15. Pro. 29.2.
_A consternação e tristeza dos judeos._
4 Quando Mardoqueo soube tudo quanto havia passado, [1] rasgou Mardoqueo os seus vestidos, e vestiu-se de _um_ sacco com cinza, e saiu pelo meio da cidade, e clamou com grande e amargo clamor;
2 E chegou até diante da porta do rei: porque ninguem vestido de sacco podia entrar pelas portas do rei.
3 E em todas as provincias aonde a palavra do rei e a sua lei chegava, havia entre os judeos grande luto, com jejum, e choro, e lamentação: _e_ muitos estavam deitados em sacco e em cinza.
4 Então vieram as moças de Esther, e os seus eunuchos, e fizeram-lh’o saber, do que a rainha muito se doeu: e mandou vestidos para vestir a Mardoqueo, e tirar-lhe o seu sacco; porém elle os não acceitou.
5 Então Esther chamou a Hathach (_um dos_ eunuchos do rei, que _este_ tinha posto na presença d’ella), e deu-lhe mandado para Mardoqueo; para saber que _era_ aquillo; e para quê.
6 E, saindo Hathach a Mardoqueo, á praça da cidade, que _estava_ diante da porta do rei,
7 Mardoqueo lhe fez saber tudo quanto lhe tinha succedido; como tambem a offerta [2] da prata, que Haman dissera que daria para os thesouros do rei, pelos judeos, para os lançar a perder.
8 Tambem lhe deu a copia da lei escripta, [3] que se publicara em Susan, para os destruir, para _a_ mostrar a Esther, e a fazer saber: e para lhe ordenar que, se fosse _ter com_ o rei, e lhe pedisse e supplicasse na sua presença pelo seu povo.
9 Veiu pois Hathach, e fez saber a Esther as palavras de Mardoqueo.
10 Então disse Esther a Hathach, e mandou-lhe _dizer_ a Mardoqueo:
11 Todos os servos do rei, e o povo das provincias do rei, bem sabem que todo o homem ou mulher que entrar no pateo interior ao rei [4] sem ser chamado _não ha senão_ uma sentença, que morra, salvo se o rei estender para elle o sceptro d’oiro, para que viva; e eu estes trinta dias não sou chamada para entrar ao rei.
12 E fizeram saber a Mardoqueo as palavras d’Esther.
13 Então disse Mardoqueo que tornassem a dizer a Esther: Não imagines em teu animo que escaparás na casa do rei, mais do que todos os _outros_ judeos.
14 Porque, se de todo te calares n’este tempo, soccorro e livramento d’outra parte sairá para os judeos, mas tu e a casa de teu pae perecereis: e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?
15 Então disse Esther que tornassem _a dizer_ a Mardoqueo:
16 Vae, ajunta a todos os judeos que se acharem em Susan, e jejuae por mim, e não comaes nem bebaes por [5] tres dias, nem de dia nem de noite, _e_ eu e as minhas moças tambem assim jejuaremos: e assim entrarei a ter com o rei, ainda que não _é_ segundo a lei; e, perecendo, pereça.
17 Então Mardoqueo foi, e fez conforme a tudo quanto Esther lhe ordenou.
[1] II Sam. 1.11. Jos. 7.6. Eze. 27.30. Gen. 27.34.
[2] cap. 3.9.
[3] cap. 3.14, 15.
[4] cap. 5.1. Dan. 2.9. cap. 5.2 e 8.4.
[5] cap. 3.5.
_Esther entra á presença do rei, e convida-o, e a Haman, para dois banquetes._
5 Succedeu pois que ao terceiro dia [1] Esther se vestiu _de seus vestidos_ reaes, e se poz no pateo interior da casa do rei, defronte do aposento do rei: e o rei estava assentado sobre o seu throno real, na casa real defronte da porta do aposento.
2 E succedeu que, vendo o rei a rainha Esther, que estava no pateo, alcançou graça aos seus [2] olhos, que o rei apontou para Esther com o sceptro d’oiro, que _tinha_ na sua mão, e Esther chegou, e tocou a ponta do sceptro.
3 Então o rei lhe disse: Que _é_ o que tens, rainha Esther? ou qual é a tua petição? até metade [3] do reino se te dará:
4 E disse Esther: Se bem parecer ao rei, venha o rei e Haman hoje ao convite que lhe tenho preparado.
5 Então disse o rei: Fazei apressar a Haman, que faça o mandado d’Esther. Vindo pois o rei e Haman ao banquete, que Esther tinha preparado,
6 Disse [4] o rei a Esther, no banquete do vinho: Qual _é_ a tua petição? e se te dará: e qual é o teu requerimento? e se fará ainda até metade do reino.
7 Então respondeu Esther, e disse: Minha petição e requerimento _é_:
8 Se achei graça aos olhos do rei, e se bem parecer ao rei conceder-me a minha petição, e outorgar-me o meu requerimento, venha o rei com Haman ao banquete que lhes hei de preparar, e ámanhã farei conforme ao mandado do rei.
9 Então saiu Haman n’aquelle dia alegre e de bom animo: porém, vendo Haman a Mardoqueo á porta do rei, e que não se levantara [5] nem se movera por elle, então Haman se encheu de furor contra Mardoqueo.
10 Haman porém se refreou, e veiu á sua casa: e enviou, e mandou vir os seus amigos, e a Zeres sua mulher.
11 E contou-lhes Haman a gloria das suas riquezas [6] e a multidão de seus filhos, e tudo em que o rei o tinha engrandecido, e o em que o tinha exaltado sobre os principes e servos do rei.
12 Disse mais Haman: Tão pouco a rainha Esther a ninguem fez vir com o rei ao banquete que tinha preparado, senão a mim: e tambem para ámanhã estou convidado por ella juntamente com o rei.
13 Porém tudo isto me não satisfaz, emquanto vir o judeo Mardoqueo assentado á porta do rei.
14 Então lhe disse Zeres, sua mulher, e todos os seus amigos: Faça-se uma forca [7] de cincoenta covados d’altura, e ámanhã dize ao rei que enforquem n’ella Mardoqueo, e então entra com o rei alegre ao convite. E este conselho bem pareceu a Haman, e mandou fazer [8] a forca.
[1] cap. 4.16. cap. 4.11. cap. 6.4.
[2] Pro. 21.1. cap. 4.11 e 8.4.
[3] Mar. 6.23.
[4] cap. 7.2 e 9.12.
[5] cap. 3.5.
[6] cap. 9.7, etc. cap. 3.1.
[7] cap. 7.9. cap. 6.4.
[8] cap. 7.10.
_O rei lê as chronicas e determina honrar Mardoqueo._
6 N’aquella mesma noite fugiu o somno do rei: então mandou trazer o livro [1] das memorias das chronicas, e se leram diante do rei.
2 E achou-se escripto que Mardoqueo tinha dado noticia de Bigthan e de Teres, dois eunuchos do rei, dos da guarda da porta, que procuraram pôr as mãos no rei Assuero.
3 Então disse o rei: Que honra e magnificencia se fez por isto a Mardoqueo? E os mancebos do rei, seus servos, disseram: Coisa nenhuma se lhe fez.
4 Então disse o rei: Quem _está_ no pateo? E Haman tinha [2] entrado no pateo exterior do rei, para dizer ao rei que enforcassem a Mardoqueo na forca que lhe tinha preparado.
5 E os mancebos do rei lhe disseram: Eis que Haman está no pateo. E disse o rei que entrasse.
6 E, entrando Haman, o rei lhe disse: Que se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada? Então Haman disse no seu coração: De quem se agradará o rei para _lhe_ fazer honra mais do que a mim?
7 Pelo que disse Haman ao rei: O homem de cuja honra o rei se agrada,
8 Traga o vestido real de que o rei se costuma vestir, como tambem o cavallo em que o rei costuma andar montado, [3] e ponha-se-lhe a corôa real na sua cabeça;
9 E entregue-se o vestido e o cavallo, á mão d’um dos principes do rei, dos maiores senhores, e vistam d’elle aquelle homem de cuja honra se agrada: e levem-n’o a cavallo pelas ruas da cidade, [4] e apregôe-se diante d’elle: Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada!
10 Então disse o rei a Haman: Apressa-te, toma o vestido e o cavallo, como disseste, e faze assim para com o judeo Mardoqueo, que está assentado á porta do rei; e coisa nenhuma deixes cair de tudo quanto disseste.
11 E Haman tomou o vestido e o cavallo, e vestiu a Mardoqueo, e o levou a cavallo pelas ruas da cidade, e apregoou diante d’elle: Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada!
12 Depois d’isto Mardoqueo voltou para a porta do rei: porém Haman se retirou [5] correndo a sua casa, anojado, e coberta a cabeça.
13 E contou Haman a Zeres, sua mulher, e a todos os seus amigos, tudo quanto lhe tinha succedido. Então os seus sabios, e Zeres, sua mulher, lhe disseram: Se Mardoqueo, diante de quem _já_ começaste a cair, _é_ da semente dos judeos, não prevalecerás contra elle, antes certamente cairás perante elle.
14 Estando elles ainda fallando com elle, chegaram os eunuchos do rei, e se apressaram a levar Haman [6] ao banquete que Esther preparara.
[1] cap. 2.23.
[2] cap. 5.1, 14.
[3] I Reis 1.33.
[4] Gen. 41.43.
[5] II Chr. 26.20.
[6] cap. 5.8.
_Esther denuncia Haman._
7 Vindo pois o rei com Haman, para beber com a rainha Esther,
2 Disse tambem o rei a Esther no segundo dia, [1] no banquete do vinho: Qual _é_ a tua petição, rainha Esther? e se te dará: e qual é o teu requerimento? até metade do reino, se fará.
3 Então respondeu a rainha Esther, e disse: Se, ó rei, achei graça aos teus olhos, e se bem parecer ao rei, dê-se-me a minha vida como minha petição, e o meu povo como meu requerimento.
4 Porque estamos vendidos, eu e o meu povo, [2] para _nos_ destruirem, matarem, e lançarem a perder: se ainda por servos e por servas nos vendessem, calar-me-hia; ainda que o oppressor não recompensaria a perda do rei.
5 Então fallou o rei Assuero, e disse á rainha Esther: Quem é esse? e onde _está_ esse, cujo coração o instigou a assim fazer?
6 E disse Esther: O homem, o oppressor, e o inimigo, é este mau Haman. Então Haman se perturbou perante o rei e a rainha.
7 E o rei no seu furor se levantou do banquete do vinho para o jardim do palacio; e Haman se poz em pé, para rogar á rainha Esther pela sua vida; porque viu que já o mal lhe era determinado pelo rei.
8 Tornando pois o rei do jardim do palacio á casa do banquete do vinho, Haman tinha caido prostrado [3] sobre o leito em que _estava_ Esther. Então disse o rei: _Porventura_ quereria elle tambem forçar a rainha perante mim n’esta casa? Saindo esta palavra da bocca do rei, cobriram a Haman [4] o rosto.
9 Então disse Harbona, [5] um dos eunuchos _que serviam_ diante do rei: Eis aqui tambem a [6] forca de cincoenta covados de altura que Haman fizera para Mardoqueo, que fallara para bem do rei, está junto á casa de Haman. Então disse o rei: Enforcae-o n’ella.
10 Enforcaram pois a [7] Haman na forca, que elle tinha preparado para Mardoqueo. Então o furor do rei se aplacou.
[1] cap. 5.6.
[2] cap. 3.9 e 4.7.
[3] cap. 1.6.
[4] Job 9.24.
[5] cap. 1.10.
[6] cap. 5.14. Pro. 11.5, 6.
[7] Dan. 6.24.
_O rei concede a Mardoqueo um edicto em favor dos judeos._
8 N’aquelle mesmo dia deu o rei Assuero á rainha Esther a casa d’Haman, inimigo dos judeos: e Mardoqueo veiu perante o rei; porque Esther tinha declarado [1] o que lhe era.
2 E tirou [2] o rei o seu annel, que tinha tomado a Haman, e o deu a Mardoqueo. E Esther ordenou a Mardoqueo sobre a casa d’Haman.
3 Fallou mais Esther perante o rei, e se lhe lançou aos pés: e chorou, e lhe supplicou que revogasse a maldade d’Haman, o agagita, e o seu intento que tinha intentado contra os judeos.
4 E estendeu o rei [3] para Esther o sceptro de oiro. Então Esther se levantou, e se poz em pé perante o rei,
5 E disse: Se bem parecer ao rei, e se eu achei graça perante elle, e _se_ este negocio é recto diante do rei, e _se_ eu lhe agrado aos seus olhos, escreva-se que se revoguem as cartas e o intento d’Haman filho d’Hammedatha, o agagita, as quaes elle escreveu para lançar a perder os judeos, que _ha_ em todas as provincias do rei.
6 Porque [4] como poderei ver o mal que sobrevirá ao meu povo? e como poderei ver a perdição da minha geração?
7 Então disse o rei Assuero á rainha Esther e ao judeo Mardoqueo: Eis-que dei [5] a Esther a casa de Haman, e a elle enforcaram n’uma forca, porquanto _quizera_ pôr as mãos nos judeos.
8 Escrevei pois aos judeos, como _parecer_ bem aos vossos olhos, em nome do rei, e sellae-o com o annel do rei; porque [6] a escriptura que se escreve em nome do rei, e se sella com o annel do rei, não é para revogar.
9 Então foram chamados [7] os escrivães do rei, n’aquelle mesmo tempo, e no mez terceiro (que _é_ o mez de sivan), aos vinte e tres do mesmo, e se escreveu conforme a tudo quanto ordenou Mardoqueo aos judeos, como tambem aos satrapas, e aos governadores, e aos maioraes das provincias, que _se estendem_ [8] da India até Ethiopia, cento e vinte e sete provincias, a cada provincia segundo a sua escriptura, e a cada povo conforme a sua lingua: como tambem aos judeos segundo a sua escriptura, e conforme a sua lingua.
10 E se escreveu [9] em nome do rei Assuero, e se sellou com o annel do rei: e se enviaram as cartas pela mão de correios a cavallo, e que cavalgavam sobre ginetes, _e sobre_ mulas _e_ filhos de eguas.
11 Que o rei concedia aos judeos, que havia em cada cidade, que se ajuntassem, e se dispozessem para defenderem as suas vidas: para destruirem, matarem e assolarem a todas as forças do povo e provincia que com elles apertassem, creanças e mulheres, e que se [10] saqueassem os seus despojos,
12 N’um mesmo [11] dia, em todas as provincias do rei Assuero, no _dia_ treze do duodecimo mez, que é o mez d’adar.
13 E a copia [12] da carta foi que uma ordem se annunciaria em todas as provincias, publicamente a todos os povos, para que os judeos estivessem preparados para aquelle dia, para se vingarem dos seus inimigos.
14 Os correios sobre ginetes _e_ mulas apressuradamente sairam, impellidos pela palavra do rei: e foi publicada esta ordem na fortaleza de Susan.
15 Então Mardoqueo saiu da presença do rei com um vestido real azul celeste e branco, como tambem com uma grande corôa d’oiro, e com uma capa de linho fino e purpura, [13] e a cidade de Susan jubilou e se alegrou.
16 _E_ para os judeos houve luz, e alegria, e gozo, e honra.
17 Tambem em toda a provincia, e em toda a cidade, aonde chegava a palavra do rei e a sua ordem, havia entre os judeos alegria, e gozo, convites [14] e dias de folguedo: e muitos dos povos da terra se fizeram judeos; porque o temor dos judeos [15] tinha caido sobre elles.
[1] cap. 2.7.
[2] cap. 3.10.
[3] cap. 4.11 e 5.2.
[4] Neh. 2.3. cap. 7.4.
[5] ver. 1. Pro. 13.22.
[6] cap. 1.19. Dan. 6.8, 12, 15.
[7] cap. 3.12.
[8] cap. 1.32 e 3.12.
[9] I Reis 21.8. cap. 3.12, 13.
[10] cap. 9.10, 15, 16.
[11] cap. 3.13, etc. e 9.1.
[12] cap. 3.14, 15.
[13] cap. 3.15. Pro. 29.2.
[14] I Sam. 25.8. cap. 9.19, 22.
[15] Gen. 35.5. Exo. 15.16. Deu. 2.25 e 11.25. cap. 9.2.
_Os judeos matam os seus inimigos._
[Antes de Christo 509]
9 E no [1] mez duodecimo, que _é_ o mez d’adar, no dia treze do mesmo _mez_ em que chegou a palavra do rei e a sua ordem para a executar, no dia em que os inimigos dos judeos esperavam assenhorear-se d’elles, succedeu o contrario, porque os judeos foram os [2] que se assenhorearam dos seus aborrecedores.
2 _Porque_ os judeos nas suas cidades, em todas as provincias do rei Assuero, [3] se ajuntaram para pôr as mãos n’aquelles que procuravam o seu mal: e nenhum parou diante d’elles; porque o seu terror caiu [4] sobre todos aquelles povos.
3 E todos os maioraes das provincias, e os satrapas, e os governadores, e os que faziam a obra do rei, exaltavam os judeos porque tinha caido sobre elles o temor de Mardoqueo.
4 Porque Mardoqueo _era_ grande na casa do rei, e a sua fama sahia por todas as provincias; porque o homem Mardoqueo se ia engrandecendo.
5 Feriram pois os judeos a todos os seus inimigos, ás cutiladas da espada, e da matança e da destruição: e fizeram dos seus aborrecedores o que quizeram.
6 E na fortaleza de Susan mataram e destruiram os judeos quinhentos homens;
7 Como tambem a Parsandatha, e a Dalphon, e a Aspatha,
8 E a Poratha, e a Adalia, e a Aridatha,
9 E a Pharmasta, e a Arisai, e a Aridai, e a Vaizatha:
10 Os dez filhos d’Haman, filho d’Hammedatha, o inimigo dos judeos, mataram, [5] porém ao despojo não estenderam a sua mão.
11 No mesmo dia veiu perante o rei o numero dos mortos na fortaleza de Susan.
12 E disse o rei á rainha Esther: Na fortaleza de Susan mataram e destruiram os judeos quinhentos homens, e os dez filhos d’Haman; nas mais provincias do rei que fariam? qual é pois a [6] tua petição, e dar-se-te-ha; ou qual é ainda o teu requerimento? e far-se-ha.
13 Então disse Esther: Se bem parecer [7] ao rei, conceda-se tambem ámanhã aos judeos que _se acham_ em Susan que façam conforme ao mandado d’hoje: e enforquem os dez filhos d’Haman n’_uma_ forca.
14 Então disse o rei que assim se fizesse; e deu-se _um_ edicto em Susan, e enforcaram os dez filhos d’Haman.
15 E ajuntaram-se [8] os judeos que _se achavam_ em Susan tambem no dia quatorze do mez d’adar, e mataram em Susan a trezentos homens: porém ao despojo não estenderam a sua mão.
16 Tambem os demais [9] judeos que se achavam nas provincias do rei se ajuntaram para se pôrem em defeza da sua vida, e tiveram repouso dos seus inimigos; e mataram dos seus aborrecedores setenta e cinco mil; porém ao despojo não [10] estenderam a sua mão.
17 _Succedeu isto_ no dia treze [11] do mez d’adar: e repousaram no dia quatorze do mesmo, e fizeram d’aquelle _dia_ dia de banquetes e d’alegria.
18 Tambem os judeos, que _se achavam_ em Susan se ajuntaram nos dias treze e quatorze do mesmo: e repousaram no dia quinze do mesmo, e fizeram d’aquelle _dia_ dia de banquetes e d’alegria.
19 Os judeos porém das aldeias, que habitavam nas villas, fizeram do _dia_ quatorze [12] do mez d’adar dia d’alegria e de banquetes, e dia de folguedo, e de mandarem presentes uns aos outros.
_A festa de purim._
20 E Mardoqueo escreveu estas coisas, e enviou cartas a todos os judeos que _se achavam_ em todas as provincias do rei Assuero, aos de perto, e aos de longe,
21 Ordenando-lhes que guardassem o dia quatorze do mez d’adar, e o dia quinze do mesmo, todos os annos,
22 Conforme aos dias em que os judeos tiveram repouso dos seus inimigos; e ao mez que se lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia de folguedo; para que os fizessem dias de banquetes e d’alegria, e de mandarem [13] presentes uns aos outros, e aos pobres dadivas.
23 E se encarregaram os judeos de fazerem o que _já_ tinham começado, como tambem o que Mardoqueo lhes tinha escripto.
24 Porque Haman, filho d’Hammedatha, o agagita, [14] inimigo de todos os judeos, tinha intentado destruir os judeos; e tinha lançado pur, isto é, a sorte, para os assolar e destruir.
25 Mas, vindo isto perante o rei, mandou elle por cartas que o seu mau intento, que intentara contra os judeos, se tornasse sobre [15] a sua cabeça; pelo que o enforcaram a elle e a seus filhos n’uma forca.
26 Por isso áquelles dias chamam purim, do nome pur; pelo que _tambem_ por _causa de_ todas as palavras d’aquella carta, [16] e do que viram sobre isso, e do que lhes tinha succedido,
27 Confirmaram os judeos, [17] e tomaram sobre si, e sobre a sua semente, e sobre todos os que se achegassem a elles, que não se deixaria de guardar estes dois dias conforme ao que se escrevêra d’elles, e segundo o seu tempo determinado, todos os annos.
28 E que estes dias seriam lembrados e guardados por cada geração, familia, provincia, e cidade, e que estes dias de purim não traspassariam d’entre os judeos, e que a memoria d’elles nunca teria fim entre os de sua semente.
29 Depois d’isto escreveu a rainha Esther, [18] filha d’Abigail, e Mardoqueo o judeo, com toda a força, para confirmarem segunda vez esta carta de purim.
30 E mandaram cartas a todos os judeos, ás [19] cento e vinte e sete provincias do reino d’Assuero, com palavras de paz e fidelidade,
31 Para confirmarem estes dias de purim nos seus tempos _determinados_, como Mardoqueo, o judeo, e a rainha Esther lhes tinham estabelecido, e como elles mesmos _já_ o tinham estabelecido sobre si e sobre a sua semente, ácerca do jejum e do seu [20] clamor.
32 E o mandado d’Esther estabeleceu os successos d’aquelle purim: e escreveu-se n’_um_ livro.