A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 68

Chapter 684,487 wordsPublic domain

11 Porém Naaman muito se indignou, e se foi dizendo: Eis que eu dizia comigo: Certamente elle sairá, pôr-se-ha em pé, e invocará o nome do Senhor seu Deus, e passará a sua mão sobre o logar, e restaurará o leproso.

12 Não _são porventura_ Abana e Farfar, rios de Damasco, melhores do que todas as aguas de Israel? Não me poderia eu lavar n’elles, e ficar purificado? E voltou-se, e se foi com indignação.

13 Então chegaram-se a elle os seus servos, e lhe fallaram, e disseram: Meu pae, _se_ o propheta te dissera _alguma_ grande coisa, _porventura_ não a farias? Quanto mais, dizendo-te elle: Lava-te, e ficarás purificado.

14 Então desceu, e mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus: e a sua [5] carne tornou, como a carne d’um menino, e ficou purificado.

15 Então voltou ao homem de Deus, elle e toda a sua comitiva, e veiu, e poz-se diante d’elle, e disse: Eis que tenho conhecido que em toda a terra não _ha_ [6] Deus senão em Israel: agora pois _te_ peço que tomes _uma_ benção do teu servo.

16 Porém elle disse: [7] Vive o Senhor, em cuja presença estou, que a não tomarei. E instou com elle para que _a_ tomasse, mas elle recusou.

17 E disse Naaman: Quando não, comtudo dê-se a _este_ teu servo uma carga de terra d’um jugo de mulas; porque nunca mais offerecerá este teu servo holocausto nem sacrificio a outros deuses, senão ao Senhor.

18 N’isto perdoe o Senhor a teu servo: quando meu senhor entra na casa de Rimmon para ali se encurvar, [8] e elle se encosta na minha mão, e eu _tambem_ me hei de encurvar na casa de Rimmon; quando _assim_ me encurvar na casa de Rimmon, n’isto perdoe o Senhor a teu servo.

19 E elle lhe disse: Vae em paz. E foi-se d’elle a uma pequena distancia.

_Geazi é atacado de lepra._

20 Então Geazi, moço d’Eliseo, homem de Deus, disse: Eis que meu senhor impediu a este syro Naaman que da sua mão se désse alguma coisa _do_ que trazia; _porém_, vive o Senhor que hei de correr atraz d’elle, e tomar d’elle alguma coisa.

21 E foi Geazi em alcance de Naaman; e Naaman, vendo que corria atraz d’elle, saltou do carro a encontral-o, e disse-_lhe_: Vae _tudo_ bem?

22 E elle disse: Tudo vae bem; meu senhor me mandou dizer: Eis que agora mesmo vieram a mim dois mancebos dos filhos dos prophetas da montanha d’Ephraim; dá-lhes pois um talento de prata e duas mudas de vestidos.

23 E disse Naaman: Sê servido tomar dois talentos. E instou com elle, e amarrou dois talentos de prata em dois saccos, com duas mudas de vestidos; e pôl-os sobre dois dos seus moços, os quaes _os_ levaram diante d’elle.

24 E, chegando elle á altura, tomou-os das suas mãos, e _os_ depositou na casa: e despediu aquelles homens, e foram-se.

25 Então elle entrou, e poz-se diante de seu senhor. E disse-lhe Eliseo: D’onde _vens_, Geazi? E disse: Teu servo não foi nem a uma nem a outra parte.

26 Porém elle lhe disse: _Porventura_ não foi _comtigo_ o meu coração, quando aquelle homem voltou de sobre o seu carro, a encontrar-te? _Era_ isto tempo para tomares prata, e para tomares vestidos, e olivaes, e vinhas, e ovelhas, e bois e servos e servas?

27 Portanto a lepra de Naaman se pegará a [9] ti e á tua semente para sempre. Então saiu de diante d’elle leproso, _branco_ como a neve.

[1] Luc. 4.27. Exo. 11.3.

[2] I Sam. 9.8. cap. 8.8, 9.

[3] Gen. 30.2. Deu. 32.39. I Sam. 2.6.

[4] cap. 4.41. João 9.7.

[5] Job 33.25. Luc. 4.27.

[6] Dan. 2.47 e 3.29 e 6.26, 27. Gen. 33.11.

[7] cap. 3.14. Gen. 14.23. Mat. 10.8. Act. 8.18, 20.

[8] cap. 7.2, 17.

[9] I Tim. 6.10. Exo. 4.6. Num. 12.10. cap. 15.5.

_O ferro d’um machado é feito fluctuar._

[Antes de Christo 893]

6 E disseram os filhos [1] dos prophetas a Eliseo: Eis que o logar em que habitamos diante da tua face, nos é estreito.

2 Vamos pois até ao Jordão, e tomemos de lá, cada um de nós, uma viga, e façamo-nos ali um logar, para habitar ali: e disse _elle_: Ide.

3 E disse um: Serve-te d’ires com os teus servos. E disse: Eu irei.

4 E foi com elles: e, chegando elles ao Jordão, cortaram madeira.

5 E succedeu que, derribando um _d’elles_ uma viga, o ferro caiu na agua: e clamou, e disse: Ai, meu senhor! porque era emprestado.

6 E disse o homem de Deus: Onde caiu? E mostrando-lhe _elle_ o logar, cortou _um_ páo, e _o_ lançou [2] ali, e fez nadar o ferro.

7 E disse: Levanta-o. Então elle estendeu a sua mão e o tomou.

_Eliseo adivinha os conselhos do rei da Syria._

8 E o rei da Syria fazia guerra a Israel: e consultou com os seus servos, dizendo: Em tal e em tal logar _estará_ o meu acampamento.

9 Mas o homem de Deus enviou ao rei de Israel, dizendo: Guarda-te de passares por tal logar; porque os syros desceram ali.

10 Pelo que o rei de Israel enviou áquelle logar, de que o homem de Deus lhe dissera, e _de que_ o tinha avisado, e se guardou ali, não uma nem duas vezes.

11 Então se turbou com este incidente o coração do rei da Syria, e chamou os seus servos, e lhes disse: Não me fareis saber quem dos nossos _é_ pelo rei de Israel?

12 E disse um dos seus servos: Não, ó rei meu senhor; mas o propheta Eliseo, que _está_ em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que tu fallas na tua camara de dormir.

13 E elle disse: Vae, e vê onde _elle_ está, para que envie, e mande trazel-o. E fizeram-lhe saber, dizendo: [3] Eis que _está_ em Dothan.

14 Então enviou para lá cavallos, e carros, e um grande exercito, os quaes vieram de noite, e cercaram a cidade.

15 E o moço do homem de Deus se levantou mui cedo, e saiu, e eis que um exercito tinha cercado a cidade com cavallos e carros; então o seu moço lhe disse: Ai, meu senhor! que faremos?

16 E elle disse: Não temas; porque mais são os que estão comnosco do que os que _estão_ [4] com elles.

17 E orou Eliseo, e disse: Senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja. E o Senhor abriu os olhos do moço, e viu; e eis que o monte _estava_ cheio de cavallos e [5] carros de fogo, em redor de Eliseo.

18 E, como desceram a elle, Eliseo orou ao Senhor, e disse: [6] Fere, peço-te, esta gente de cegueira. E feriu-a de cegueira, conforme a palavra de Eliseo.

19 Então Eliseo lhes disse: Não é este o caminho, nem _é_ esta a cidade; segui-me, e guiar-vos-hei ao homem que buscaes. E os guiou a Samaria.

20 E succedeu que, chegando elles a Samaria, disse Eliseo: Ó Senhor, abre a estes os olhos para que vejam. O Senhor lhes abriu os olhos, para que vissem, e eis que _estavam_ no meio de Samaria.

21 E, quando o rei de Israel os viu, disse a Eliseo: Feril-_os_-hei, feril-_os_-hei, meu pae?

22 Mas elle disse: Não _os_ ferirás; feririas tu os que tomasses prisioneiros com a tua espada e com o teu arco? [7] põe-lhes diante pão e agua, para que comam e bebam, e se vão para seu senhor.

23 E apresentou-lhes um grande banquete, e comeram e beberam; e os despediu e foram para seu senhor: e não entraram mais tropas [8] de syros na terra d’Israel.

_Samaria é cercada._

24 E succedeu, depois d’isto, que Ben-hadad, rei da Syria, ajuntou todo o seu exercito: e subiu, e cercou a Samaria.

25 E houve grande fome em Samaria, porque eis que a cercaram, até que se vendeu uma cabeça d’um jumento por oitenta [KK] peças de prata, e a quarta parte _d’um_ cabo d’esterco de pombas por cinco _peças_ de prata.

26 E succedeu que, passando o rei pelo muro, uma mulher lhe bradou, dizendo: Acode-_me_, ó rei meu senhor.

27 E elle lhe disse: _Se_ o Senhor te não acode, d’onde te acudirei _eu_? da eira ou do lagar?

28 Disse-lhe mais o rei: Que tens? E disse ella: Esta mulher me disse: Dá _cá_ o teu filho, para que hoje o comamos, e ámanhã comeremos o meu filho.

29 Cozemos pois [9] o meu filho, e o comemos; mas dizendo-lhe eu ao outro dia: Dá _cá_ o teu filho, para que o comamos; escondeu o seu filho.

30 E succedeu que, ouvindo o rei as palavras d’esta mulher, rasgou os seus [10] vestidos, e ia passando pelo muro; e o povo viu que eis que _trazia_ cilicio por dentro, sobre a sua carne.

31 E disse: Assim me faça [11] Deus, e outro tanto, se a cabeça de Eliseo, filho de Saphat, hoje ficar sobre elle.

32 Estava então Eliseo assentado em sua casa, e _tambem_ os [12] anciãos estavam assentados com elle. E enviou o rei um homem de diante de si; mas, antes que o mensageiro viesse a elle, disse elle aos anciãos: [13] Vistes como o filho do homicida mandou tirar-me a cabeça? olhae _pois que_, quando vier o mensageiro _lhe_ fecheis a porta, e o empuxeis para _fóra_ com a porta; _porventura_ não vem o ruido dos pés de seu senhor após elle?

33 E, estando elle ainda fallando com elles, eis que o mensageiro descia a elle; e disse: Eis que este mal _vem_ do Senhor, [14] que mais _pois_ esperaria do Senhor?

[1] cap. 4.38.

[2] cap. 2.21.

[3] Gen. 37.17.

[4] II Chr. 32.7. Rom. 8.31.

[5] cap. 2.11. Zac. 1.8 e 6.1-7.

[6] Gen. 19.11.

[7] Rom. 12.20.

[8] ver. 8, 9. cap. 5.2.

[9] Lev. 26.26. Deu. 28.53, 57.

[10] I Reis 21.27.

[11] Ruth 1.17. I Reis 19.2.

[12] Eze. 8.1 e 20.1.

[13] Luc. 13.32. I Reis 18.4.

[14] Job 2.9.

_Eliseo prediz a abundancia de viveres._

[Antes de Christo 892]

7 Então disse Eliseo: Ouvi a palavra do Senhor: assim diz o Senhor: Ámanhã, [1] quasi a este tempo, uma medida de farinha _haverá_ por um siclo, e duas medidas de cevada por um siclo, á porta de Samaria.

2 Porém um capitão, [2] em cuja mão o rei se encostava, respondeu ao homem de Deus e disse: Eis que ainda que o Senhor fizesse janellas no céu, poder-se-hia fazer isso? E elle disse: Eis que _o_ verás com os teus olhos, porém d’ahi não comerás.

3 E quatro homens leprosos estavam á entrada [3] da porta, os quaes disseram uns aos outros: Para que estaremos nós aqui até morrermos?

4 Se dissermos: Entremos na cidade, ha fome na cidade, e morreremos ahi; e se ficarmos aqui, tambem morreremos: vamos nós pois agora, e demos comnosco no arraial dos syros: se nos deixarem viver, viveremos, e se nos matarem, tão sómente morreremos.

5 E levantaram-se ao crepusculo, para se irem ao arraial dos syros: e, chegando á entrada do arraial dos syros, eis que não _havia_ ali ninguem.

6 Porque o Senhor fizera [4] ouvir no arraial dos syros ruido de carros e ruido de cavallos, _como_ o ruido d’um grande exercito; de maneira que disseram uns aos outros: Eis que o rei d’Israel alugou contra nós os reis dos hetheos e [5] os reis dos egypcios, para virem contra nós.

7 Pelo que se levantaram, [6] e fugiram no crepusculo, e deixaram as suas tendas, e os seus cavallos, e os seus jumentos, _e_ o arraial como estava: e fugiram para _salvarem_ a sua vida.

8 Chegando pois estes leprosos á entrada do arraial, entraram n’uma tenda, e comeram e beberam e tomaram d’ali prata, e oiro, e vestidos, e foram e _os_ esconderam: então voltaram, e entraram em outra tenda, _e_ d’ali tambem tomaram, e _o_ esconderam.

9 Então disseram uns para os outros: Não fazemos bem: este dia _é_ dia de boas novas, e nos calamos; se esperarmos até á luz da manhã, algum mal nos sobrevirá; pelo que agora vamos, e o annunciemos á casa do rei.

10 Vieram pois, e bradaram aos porteiros da cidade, e lhes annunciaram, dizendo: Fomos ao arraial dos syros e eis que lá não _havia_ ninguem, nem voz de homem, porém só cavallos atados, e jumentos atados, e as tendas como estavam _d’antes_.

11 E chamaram os porteiros, e o annunciaram dentro da casa do rei.

12 E o rei se levantou de noite, e disse a seus servos: Agora vos farei saber o que é que os syros nos fizeram: _bem_ sabem elles que esfaimados _estamos_, pelo que sairam do arraial, a esconder-se pelo campo, dizendo: Quando sairem da cidade, então os tomaremos vivos, e entraremos na cidade.

13 Então um dos seus servos respondeu e disse: Tomem-se pois cinco dos cavallos do resto que ficaram aqui _dentro_ (eis que _são_ como toda a multidão dos israelitas que ficaram aqui de resto, e eis que _são_ como toda a multidão dos israelitas que _já_ pereceram) e enviemol-os, e vejamos.

14 Tomaram pois dois cavallos de carro; e o rei os enviou após o exercito dos syros, dizendo: Ide, e vêde.

15 E foram após elles até ao Jordão, e eis que todo o caminho _estava_ cheio de vestidos e de aviamentos, que os syros, apressando-se, lançaram fóra: e voltaram os mensageiros, e o annunciaram ao rei:

16 Então saiu o povo, e saqueou o arraial dos syros: e havia uma medida de farinha por um siclo, e duas medidas de cevada por um siclo, conforme [7] a palavra do Senhor.

17 E pozera o rei á porta o capitão em cuja mão se encostava; e o povo o atropellou na porta, e morreu, como fallara o [8] homem de Deus, o que fallou quando o rei descera a elle.

18 Porque _assim_ succedeu como o homem de Deus fallara ao rei dizendo: Ámanhã, quasi a este tempo, [9] haverá duas medidas de cevada por um siclo, e uma medida de farinha por um siclo, á porta de Samaria.

19 E aquelle capitão respondeu ao homem de Deus, e disse: Eis que ainda que o Senhor fizesse janellas no céu, poder-se-hia isso fazer conforme essa palavra? E elle disse: Eis que o verás com os teus olhos, porém d’ahi não comerás.

20 E assim lhe succedeu, porque o povo o atropellou á porta, e morreu.

[1] ver. 18, 19.

[2] ver. 17, 19, 20. Mal. 3.10.

[3] Lev. 13.46.

[4] II Sam. 5.24. cap. 19.7. Job 15.21.

[5] I Reis 10.29.

[6] Pro. 28.1.

[7] ver. 1.

[8] ver. 2. cap. 6.32.

[9] ver. 1.

_A sunamita volta para a sua terra._

[Antes de Christo 885]

8 E fallou Eliseo áquella mulher cujo [1] filho vivificara, dizendo: Levanta-te, e vae-te, tu e a tua familia, e peregrina onde poderes peregrinar; porque o Senhor chamou [2] a fome, a qual tambem virá á terra _por_ sete annos.

2 E levantou-se a mulher, e fez conforme a palavra do homem de Deus: porque foi ella com a sua familia, e peregrinou na terra dos philisteos sete annos.

3 E succedeu que, ao cabo dos sete annos, a mulher voltou da terra dos philisteos, e saiu a clamar ao rei pela sua casa e pelas suas terras.

4 Ora o rei fallava [3] a Geazi, moço do homem de Deus, dizendo: Conta-me, peço-te, todas as grandes obras que Eliseo tem feito.

5 E succedeu que, contando elle ao rei [4] como vivificara a um morto, eis que a mulher cujo filho vivificara clamou ao rei pela sua casa e pelas suas terras: então disse Geazi: Ó rei meu senhor, esta _é_ a mulher, e este o seu filho a quem Eliseo vivificou.

6 E o rei perguntou á mulher, e ella lh’o contou: então o rei lhe deu um eunucho, dizendo: Faze-_lhe_ restituir tudo quanto _era_ seu, e todas as rendas das terras desde o dia em que deixou a terra até agora.

_Hazael mata a Benhadad._

7 Depois veiu Eliseo a Damasco, estando Benhadad, rei da Syria, doente; e lh’o annunciaram, dizendo: O homem de Deus é chegado aqui.

8 Então o rei disse a [5] Hazael: Toma _um_ presente na tua mão, e vae a encontrar-te com o homem de Deus; e pergunta [6] por elle ao Senhor, dizendo: Hei de eu sarar d’esta doença?

9 Foi pois Hazael a encontrar-se com elle, e tomou _um_ presente na sua mão, a saber: _de_ todo o bom de Damasco, quarenta camelos carregados; e veiu, e se poz diante d’elle, e disse: Teu filho Benhadad, rei da Syria, me enviou a ti, a dizer: Sararei eu d’esta doença?

10 E Eliseo lhe disse: Vae, e dize-lhe: Certamente não sararás. Porque o Senhor me tem mostrado que [7] certamente morrerá.

11 E affirmou a sua vista, e fitou _os olhos_ n’elle até se envergonhar: [8] e chorou o homem de Deus.

12 Então disse Hazael: Porque chora, meu senhor? E elle disse: Porque sei o mal que [9] has de fazer aos filhos d’Israel: porás fogo ás suas fortalezas, e os seus mancebos matarás á espada, e os seus meninos [10] despedaçarás, e as suas prenhadas fenderás.

13 E disse Hazael: Pois que é teu servo, [11] que não é mais do que um cão, para fazer tão grande coisa? E disse Eliseo: O Senhor me tem mostrado [12] que tu _has de ser_ rei da Syria.

14 Então partiu de Eliseo, e veiu a seu senhor, o qual lhe disse: Que te disse Eliseo? E disse elle: Disse-me _que_ certamente sararás.

15 E succedeu ao outro dia que tomou um cobertor, e o molhou na agua, e o estendeu sobre o seu rosto, e morreu: e Hazael reinou em seu logar.

_O reinado de Jorão._

16 E no anno quinto de [13] Jorão, filho de Achab, rei de Israel, reinando _ainda_ Josaphat em Judah, começou a reinar Jehorão, filho de Josaphat, rei de Judah.

17 Era elle da edade de trinta [14] e dois annos quando começou a reinar, e oito annos reinou em Jerusalem.

18 E andou no caminho dos reis d’Israel, como _tambem_ fizeram os da casa de Achab, porque tinha por mulher a filha [15] de Achab, e fez o _que parecia_ mal aos olhos do Senhor.

19 Porém o Senhor não quiz destruir a Judah por amor de David, seu servo, [16] como lhe tinha dito que lhe daria para sempre uma lampada a seus filhos.

20 Nos seus dias se rebellaram os [17] edomitas de debaixo do mando de Judah, e [18] pozeram sobre si _um_ rei.

21 Pelo que Jehorão passou a Zair, e todos os carros com elle: e elle se levantou de noite, e feriu os edomitas que estavam ao redor d’elle, e os capitães dos carros; e o povo se foi para as suas tendas.

22 Todavia os edomitas ficaram rebeldes de debaixo do mando de Judah até _ao dia de_ hoje: então _tambem_ se rebellou [19] Libna no mesmo tempo.

23 O mais dos successos de Jehorão, e tudo quanto fez, _porventura_ não _está_ escripto no livro das chronicas de Judah?

24 E Jehorão dormiu com seus paes, e foi sepultado com seus paes na cidade de David: [20] e Achazias, seu filho, reinou em seu logar.

_O reinado de Achazias._

25 No anno doze de Jorão, filho de Achab, rei d’Israel, começou a reinar Achazias, filho de Jehorão, rei de Judah.

26 _Era_ Achazias [21] de vinte e dois annos de edade quando começou a reinar, e reinou um anno em Jerusalem: e _era_ o nome de sua mãe Athalia, filha de Omri, rei d’Israel.

27 E andou [22] no caminho da casa de Achab, e fez mal aos olhos do Senhor, como a casa de Achab, porque _era_ genro da casa de Achab.

28 E foi com [23] Jorão, filho de Achab, a Ramoth de Gilead, á peleja contra Hazael, rei da Syria; e os syros feriram a Jorão.

29 Então [24] se voltou o rei Jorão para se curar em Jizreel das feridas que os syros lhe fizeram em Rama, quando pelejou contra Hazael, rei da Syria; e desceu Achazias, [25] filho de Jehorão, rei de Judah, para ver a Jorão, filho de Achab, em Jizreel, porquanto estava doente.

[1] cap. 4.35.

[2] Agg. 1.11.

[3] cap. 5.27.

[4] cap. 4.35.

[5] I Reis 19.15. I Sam. 9.7. I Reis 14.3. cap. 5.5.

[6] cap. 1.2.

[7] ver. 15.

[8] Luc. 19.41.

[9] cap. 10.32 e 12.17 e 13.3, 7. Amós 1.3.

[10] cap. 15.16. Ose. 13.16. Amós 1.13.

[11] I Sam. 17.43.

[12] I Reis 19.15.

[13] II Chr. 21.3, 4.

[14] II Chr. 21.5, etc.

[15] ver. 26.

[16] II Sam. 7.13. I Reis 11.36 e 15.4. II Chr. 21.7.

[17] Gen. 27.40. cap. 3.27. II Chr. 21.8, 9, 10.

[18] I Reis 22.47.

[19] II Chr. 21.10.

[20] II Chr. 22.1.

[21] II Chr. 22.2.

[22] II Chr. 22.3, 4.

[23] II Chr. 22.5.

[24] cap. 9.15.

[25] cap. 9.16. II Chr. 22.6, 7.

_Jehu é ungido rei de Israel e mata a Jorão e a Jezabel._

[Antes de Christo 884]

9 Então o propheta Eliseo chamou um dos filhos [1] dos prophetas, e lhe disse: Cinge os teus lombos, e toma esta almotolia de azeite na tua mão, e vae-te a Ramoth de Gilead;

2 E, chegando lá, vê onde está Jehu, filho de Josaphat, filho de Nimsi: e entra, e faze que elle se levante do meio de seus irmãos, [2] e leva-o á camara interior.

3 E toma [3] a almotolia de azeite, e derrama-o sobre a sua cabeça, e dize: Assim diz o Senhor: Ungi-te rei sobre Israel. Então abre a porta, e foge, e não te detenhas.

4 Foi pois o mancebo, o joven propheta, a Ramoth de Gilead.

5 E, entrando elle, eis que os capitães do exercito _estavam_ assentados ali; e disse: Capitão, tenho _uma_ palavra que te dizer. E disse Jehu: A qual de todos nós? E disse: A ti, capitão!

6 Então se levantou, e entrou na casa, e derramou o azeite sobre a sua cabeça, e lhe disse: [4] Assim diz o Senhor Deus de Israel: Ungi-te rei sobre o povo do Senhor, sobre Israel.

7 E ferirás a casa de Achab, teu senhor, para que eu vingue [5] o sangue de meus servos, os prophetas, e o sangue de todos os servos do Senhor da mão de Jezabel.

8 E toda a casa de Achab perecerá; [6] e destruirei d’Achab todo o varão, tanto o encerrado como o desamparado em Israel.

9 Porque á casa d’Achab hei de fazer como á casa de Jeroboão, [7] filho de Nebat, e como á casa de Baása, filho d’Ahias.

10 E os cães comerão a Jezabel no pedaço [8] de campo de Jizreel; não _haverá_ quem _a_ enterre. Então abriu a porta, e fugiu.

11 E, saindo Jehu aos servos do seu senhor, disseram-lhe: Vae tudo bem? porque veiu a ti [9] este louco? E elle lhes disse: Bem conheceis o homem e o seu fallar.

12 Mas _elles_ disseram: É mentira; agora faze-nol-o saber. E disse: Assim e assim me fallou, dizendo: Assim diz o Senhor: Ungi-te rei sobre Israel.

13 Então se apressaram, e tomou cada [10] um o seu vestido, e o poz debaixo d’elle, no mais alto degrau: e tocaram a buzina, e disseram: Jehu reina!

14 Assim Jehu, filho de Josaphat, filho de Nimsi, conspirou contra Jorão. Tinha porém Jorão cercado a Ramoth de Gilead, elle e todo o Israel, por causa de Hazael, rei da Syria.

15 Porém o rei Jorão voltou [11] para se curar em Jizreel das feridas que os syros lhe fizeram, quando pelejou contra Hazael, rei da Syria. E disse Jehu: Se é da vossa vontade, ninguem saia da cidade, nem escape, para ir denunciar _isto_ em Jizreel.

16 Então Jehu subiu a um carro, e foi-se a Jizreel, porque Jorão estava deitado ali: e _tambem_ Achazias, [12] rei de Judah, descera para vêr a Jorão.

17 E o atalaia estava na torre de Jizreel, e viu a tropa de Jehu, que vinha, e disse: Vejo uma tropa. Então disse Jorão: Toma um cavalleiro, e envia-lh’o ao encontro; e diga: Ha paz?

18 E o cavalleiro lhe foi ao encontro, e disse: Assim diz o rei: Ha paz? E disse Jehu: Que tens tu que fazer com a paz? Vira-te para traz de mim. E o atalaia o fez saber, dizendo: Chegou a elles o mensageiro, porém não volta.

19 Então enviou outro cavalleiro; e, chegando este a elles, disse: Assim diz o rei: Ha paz? E disse Jehu: Que tens tu que fazer com a paz? Vira-te para traz de mim.

20 E o atalaia o fez saber, dizendo: _Tambem_ este chegou a elles, porém não volta; e o andar parece como o andar de Jehu, filho de Nimsi, porque anda furiosamente.

21 Então disse Jorão: Apparelha o carro. E apparelharam o seu carro. E saiu Jorão, [13] rei de Israel, e Achazias, rei de Judah, cada um em seu carro, e sairam ao encontro a Jehu, e o acharam no pedaço _de campo_ de Naboth, o jizreelita.

22 E succedeu que, vendo Jorão a Jehu, disse: Ha paz, Jehu? E disse elle: Que paz, emquanto as fornicações da tua mãe Jezabel e as suas feitiçarias _são_ tantas?

23 Então Jorão voltou as mãos, e fugiu; e disse a Achazias: Traição _ha_, Achazias.

24 Mas Jehu entesou o seu arco com toda a força, e feriu a Jorão entre os braços, e a frecha lhe saiu pelo coração; e se encurvou no seu carro.

25 Então _Jehu_ disse a Bidkar, seu capitão: Toma-o, lança-o no pedaço do campo de Naboth, o jizreelita; porque, lembra-te de que, indo eu e tu juntos a cavallo após seu pae, Achab, [14] o Senhor poz sobre elle esta carga, _dizendo_:

26 Por certo _que_ se eu não visse hontem á tarde o sangue de Naboth e o sangue de seus filhos, diz o Senhor, tambem não t’o [15] pagaria n’este pedaço _de campo_, diz o Senhor. Agora, pois, toma-o, e lança-o n’este pedaço _de campo_, conforme a palavra do Senhor.

27 _O que_ vendo Achazias, rei de Judah, fugiu pelo caminho da casa do jardim, porém Jehu seguiu após elle, e disse: Tambem feri a este no carro á subida de Gur, que _está_ junto a Jibleam. E fugiu a [16] Megiddo, e morreu ali.

28 E seus servos o levaram n’um carro a Jerusalem, e o sepultaram na sua sepultura junto a seus paes, na cidade de David.

29 (E no anno undecimo de Jorão, filho d’Achab, começou Achazias a reinar sobre Judah.)

30 E Jehu veiu a Jizreel, o que ouvindo Jezabel, se pintou em volta dos olhos, [17] e enfeitou a sua cabeça, e olhou pela janella.

31 E, entrando Jehu pelas portas, disse ella: Teve paz Zimri, [18] que matou a seu senhor?