A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 54

Chapter 544,544 wordsPublic domain

18 E disse-lhe Jonathan: [11] Ámanhã é a lua nova, e não te acharão no teu logar, pois o teu assento se achará vazio.

19 E, ausentando-te tu tres dias, desce apressadamente, e vae áquelle logar [12] onde te escondeste no dia do negocio: e fica-te junto á pedra de Ezel.

20 E eu atirarei tres frechas para aquella banda, como se atirara ao alvo.

21 E eis que mandarei o moço _dizendo_: Anda, busca as frechas: se eu expressamente disser ao moço: Olha que as frechas _estão_ para cá de ti; toma-o _comtigo_, e vem; porque ha paz para ti, e não ha nada, vive o Senhor.

22 Porém se disser ao moço assim: Olha que as frechas _estão_ para lá de ti; vae-te _embora_; porque o Senhor te deixa ir.

23 E _quanto_ ao negocio [13] de que eu e tu fallámos, eis que o Senhor _está_ entre mim e ti eternamente.

24 Escondeu-se pois David no campo: e, sendo a lua nova, assentou-se o rei para comer pão.

25 E, assentando-se o rei no seu assento, como as outras vezes, no logar junto á parede, Jonathan se levantou, e assentou-se Abner ao lado de Saul: e o logar de David appareceu vasio.

26 Porém n’aquelle dia não disse Saul nada, porque dizia: Aconteceu-lhe alguma coisa, pela qual não está limpo; certamente [14] não está limpo.

27 Succedeu tambem ao outro dia, o segundo da lua nova, que o logar de David appareceu vasio: disse pois Saul a Jonathan, seu filho: Porque não veiu o filho de Jessé nem hontem nem hoje a _comer_ pão?

28 E respondeu [15] Jonathan a Saul: David me pediu encarecidamente _que o deixasse ir_ a Beth-lehem,

29 Dizendo: Peço-_te que_ me deixes ir, porquanto a nossa linhagem tem um sacrificio na cidade, e meu irmão mesmo me mandou ir: se pois agora tenho achado graça em teus olhos, peço-_te que_ me deixes partir, para que veja a meus irmãos: por isso não veiu á mesa do rei.

30 Então se accendeu a ira de Saul contra Jonathan, e disse-lhe: Filho da perversa em rebeldia; não sei _eu_ que tens elegido o filho de Jessé, para vergonha tua e para vergonha da nudez de tua mãe?

31 Porque todos os dias que o filho de Jessé viver sobre a terra nem tu serás firme, nem o teu reino: pelo que envia, e traze-m’o n’esta hora; porque é digno de morte.

32 Então respondeu Jonathan a Saul, seu pae, e lhe disse: Porque [16] ha de elle morrer? que tem feito?

33 Então Saul atirou-lhe com a lança, [17] para o ferir: assim entendeu Jonathan que já seu pae tinha determinado matar a David.

34 Pelo que Jonathan, todo encolerisado, se levantou da mesa: e no segundo dia da lua nova não comeu pão; porque se magoava por causa de David, porque seu pae o tinha maltratado.

35 E aconteceu, pela manhã, que Jonathan saiu ao campo, ao tempo _que tinha_ ajustado com David, e um moço pequeno com elle.

36 Então disse ao seu moço: Corre a buscar as frechas que eu atirar. Correu _pois_ o moço, e elle atirou uma frecha, que fez passar além d’elle.

37 E, chegando o moço ao logar da frecha que Jonathan tinha atirado, gritou Jonathan atraz do moço, e disse: Não está _porventura_ a frecha mais para lá de ti?

38 E tornou Jonathan a gritar atraz do moço: Apressa-te, avia-te, não te demores. E o moço de Jonathan apanhou as frechas, e veiu a seu senhor.

39 E o moço não entendeu coisa alguma: só Jonathan e David sabiam d’este negocio.

40 Então Jonathan deu as suas armas ao moço que trazia, e disse-lhe: Anda, _e_ leva-as á cidade.

41 E, indo-se o moço, levantou-se David da banda do sul, e lançou-se sobre o seu rosto em terra, e inclinou-se tres vezes: e beijaram-se um ao outro, e choraram juntos até que David chorou muito mais.

42 E disse Jonathan a David: Vae-te [18] em paz: o que nós temos jurado ambos em nome do Senhor, dizendo: O Senhor seja entre mim e ti, e entre a minha semente e a tua semente, _seja_ perpetuamente.

43 Então se levantou _David_, e se foi; e Jonathan entrou na cidade.

[1] Num. 10.10 e 28.11. cap. 19.2.

[2] cap. 16.4.

[3] Deu. 1.23. II Sam. 17.4.

[4] Jos. 2.14. ver. 16. cap. 18.3 e 23.18.

[5] II Sam. 14.32.

[6] Ruth 1.17.

[7] Jos. 1.5. cap. 17.37. I Chr. 22.11, 16.

[8] II Sam. 9.1, 3, 7 e 21.7.

[9] cap. 25.22 e 31.2. II Sam. 4.7 e 21.8.

[10] cap. 18.1.

[11] ver. 5.

[12] cap. 19.2.

[13] ver. 14, 15, 42.

[14] Lev. 7.21 e 15.5, etc.

[15] ver. 6.

[16] cap. 19.5. Mat. 27.23. Luc. 23.22.

[17] cap. 18.11. ver. 7.

[18] cap. 1.17.

_David vae ter com o sacerdote Achimelech._

21 Então veiu David a Nob, ao sacerdote [1] Achimelech; e Achimelech, tremendo, saiu ao encontro de David, e disse-lhe: Porque _vens_ só, e ninguem comtigo?

2 E disse David ao sacerdote Achimelech: O rei me encommendou _um_ negocio, e me disse: Ninguem saiba d’este negocio, pelo qual eu te enviei, e o qual te ordenei; quanto aos mancebos, apontei-lhes tal e tal logar.

3 Agora, pois, que tens á mão? dá-me cinco pães na minha mão, ou o que se achar.

4 E, respondendo o sacerdote a David, disse: Não tenho pão commum á mão; ha porém pão sagrado, [2] se ao menos os mancebos se abstiveram das mulheres.

5 E respondeu David ao sacerdote, e lhe disse: Sim, em boa fé, as mulheres se nos vedaram desde hontem: e ante hontem, quando eu sahi, os vasos [3] dos mancebos tambem eram sanctos: e em _alguma_ maneira _é pão_ commum, quanto mais que hoje se sanctificará _outro_ nos vasos.

6 Então o sacerdote lhe deu o _pão_ sagrado, [4] porquanto não havia ali _outro_ pão senão os pães da proposição, que se tiraram de diante do Senhor para se pôr ali pão quente no dia em que aquelle se tirasse.

7 _Estava_, porém, ali n’aquelle dia um dos creados de Saul, detido perante o Senhor, e _era_ seu nome Doeg, idumeo, [5] o mais poderoso dos pastores de Saul.

8 E disse David a Achimelech: Não tens aqui á mão lança ou espada alguma? porque não trouxe á mão nem a minha espada nem as minhas armas, porque o negocio do rei era apressado.

9 E disse o sacerdote: A espada de Goliath, o philisteo, a quem tu feriste no [6] valle do carvalho, eis que aquella _aqui_ está envolta n’um panno detraz do ephod: se tu a queres tomar, toma-_a_, porque nenhuma outra _ha_ aqui, senão aquella. E disse David: Não _ha_ outra similhante; dá-m’a.

_David foge para Achis rei de Gath._

10 E David levantou-se, e fugiu aquelle dia de diante de Saul, e veiu a Achis, rei de Gath.

11 Porém os creados de Achis lhe disseram: Não _é_ este David, o rei da terra? não se cantava d’este nas danças, dizendo: [7] Saul feriu os seus milhares, porém David os seus dez milhares?

12 E David considerou [8] estas palavras no seu animo, e temeu muito diante d’Achis, rei de Gath.

13 Pelo que se contrafez diante dos olhos d’elles, e fez-se como doido entre as suas mãos, e esgravatava nas portas do portal, e deixava correr a saliva pela barba.

14 Então disse Achis aos seus creados: Eis que _bem_ vêdes que este homem está louco; porque m’o trouxestes a mim?

15 Faltam-me a mim doidos, para que trouxesseis a este que fizesse doidices diante de mim? ha de este entrar na minha casa?

[1] cap. 14.3 e 16.4.

[2] Exo. 25.30. Lev. 24.5. Mat. 12.4.

[3] I The. 4.4.

[4] Lev. 8.26. Mat. 12.3. Mar. 2.25. Luc. 6.3. Lev. 24.8.

[5] cap. 22.9.

[6] cap. 17.2, 50 e 31.10.

[7] cap. 18.7 e 29.5.

[8] Luc. 2.19.

_David esconde-se na caverna de Adullam._

22 Então David se retirou d’ali, e escapou para a caverna de Adullam: e [1] ouviram-n’o seus irmãos e toda a casa de seu pae, e desceram ali para elle.

2 E ajuntou-se a elle todo [2] o homem que se _achava_ em aperto, e todo o homem endividado, e todo o homem de espirito desgostoso, e elle se fez chefe d’elles: e eram com elle uns quatrocentos homens.

3 E foi-se David d’ali a Mispeh dos moabitas, e disse ao rei dos moabitas: Deixa estar meu pae e minha mãe comvosco, até que saiba o que Deus ha de fazer de mim.

4 E trouxe-os perante o rei dos moabitas, e ficaram com elle todos os dias que David esteve no logar forte.

5 Porém o propheta [3] Gad disse a David: Não fiques n’aquelle logar forte; vae, e entra na terra de Judah. Então David se foi, e veiu para o bosque de Chereth.

_Saul mata todos os sacerdotes de Nob._

6 E ouviu Saul que já se sabia de David e dos homens que _estavam_ com elle: e estava Saul em Gibeah, debaixo d’um arvoredo, em Rama, e tinha na mão a sua lança, e todos os seus creados estavam com elle.

7 Então disse Saul a todos os seus creados que estavam com elle: Ouvi, peço-vos, filhos de Benjamin, [4] dar-vos-ha tambem o filho de Jessé, a todos vós, terras e vinhas, e far-vos-ha a todos chefes de milhares e chefes de centenas?

8 Para que todos vos tenhaes conspirado contra mim, e ninguem _ha_ que me dê aviso de que meu filho tem feito alliança [5] com o filho de Jessé, e nenhum d’entre vós ha que se dôa de mim, e m’o participe, pois meu filho tem contra mim sublevado a meu servo, para _me_ armar ciladas, como _se vê_ n’este dia.

9 Então [6] respondeu Doeg, o idumeo, que tambem estava com os creados de Saul, e disse: Ao filho de Jessé vi vir a Nob, a Achimelech, [7] filho de Ahitub,

10 O qual consultou [8] por elle ao Senhor, e lhe deu mantimento, e lhe deu _tambem_ a espada de Goliath, o philisteo.

11 Então o rei mandou chamar a Achimelech, sacerdote, filho de Ahitub, e a toda a casa de seu pae, os sacerdotes que _estavam_ em Nob; e todos elles vieram ao rei.

12 E disse Saul: Ouve, peço-te, filho d’Ahitub. E elle disse: Eis-me _aqui_, senhor meu.

13 Então lhe disse Saul: Porque conspirastes contra mim, tu e o filho de Jessé? pois deste-lhe pão e espada, e consultaste por elle a Deus, para que se levantasse contra mim a armar-_me_ ciladas, como _se vê_ n’este dia?

14 E respondeu Achimelech ao rei, e disse: E quem, entre todos os teus creados, ha _tão_ fiel como David, o genro do rei, prompto na sua obediencia, e honrado na tua casa?

15 Comecei, _porventura_, hoje a consultar por elle a Deus? longe de mim tal! não impute o rei coisa nenhuma a seu servo, _nem_ a toda a casa de meu pae, pois o teu servo não soube nada de tudo isso, nem muito nem pouco.

16 Porém o rei disse: Achimelech, morrerás certamente, tu e toda a casa de teu pae.

17 E disse o rei aos da _sua_ guarda que estavam com elle: Virae-vos, e matae os sacerdotes do Senhor, porque tambem a sua mão é com David, e porque souberam que fugiu e não m’o fizeram saber. Porém os creados do rei não quizeram estender [9] as suas mãos para arremetter contra os sacerdotes do Senhor.

18 Então disse o rei a Doeg: Vira-te tu, e arremette contra os sacerdotes. Então se virou Doeg, o idumeo, e arremetteu contra os sacerdotes, e matou n’aquelle dia oitenta e cinco homens [10] que vestiam ephod de linho.

19 Tambem a Nob, [11] cidade d’estes sacerdotes, passou a fio de espada, desde o homem até á mulher, desde os meninos até aos de mama, e até os bois, jumentos e ovelhas _passou_ a fio de espada.

_Abiathar um dos sacerdotes escapa e vem ter com David._

20 Porém escapou [12] um dos filhos de Achimelech, filho de Ahitub, cujo nome era Abiathar, o qual fugiu atraz de David.

21 E Abiathar annunciou a David que Saul tinha matado os sacerdotes do Senhor.

22 Então David disse a Abiathar: Bem sabia eu n’aquelle dia que, estando ali Doeg, o idumeo, não deixaria de o denunciar a Saul: eu dei occasião contra todas as almas da casa de teu pae.

23 Fica comigo, não temas, porque quem procurar [13] a minha morte _tambem_ procurará a tua, pois estarás salvo comigo.

[1] II Sam. 23.13.

[2] Jui. 11.3.

[3] II Sam. 24.11. I Chr. 21.9. II Chr. 29.25.

[4] cap. 8.14.

[5] cap. 18.3 e 20.30.

[6] cap. 21.7. Psa. 52.2. ver. 1, 2, 3.

[7] cap. 21.1 e 14.3.

[8] Num. 27.21.

[9] Exo. 1.17.

[10] cap. 2.31.

[11] ver. 9, 11.

[12] cap. 23.6 e 2.33.

[13] I Reis 2.26.

_David livra Keila._

[Antes de Christo 1061]

23 E foi annunciado a David, dizendo: Eis que os philisteos pelejam contra Keila, [1] e saqueiam as eiras.

2 E consultou [2] David ao Senhor, dizendo: Irei eu, e ferirei a estes philisteos? E disse o Senhor a David: Vae, e ferirás aos philisteos, e livrarás a Keila.

3 Porém os homens de David lhe disseram: Eis que tememos aqui em Judah, quanto mais indo a Keila contra os esquadrões dos philisteos.

4 Então David tornou a consultar ao Senhor, e o Senhor lhe respondeu, e disse: Levanta-te, desce a Keila, porque _te_ dou os philisteos na tua mão.

5 Então David partiu com os seus homens a Keila, e pelejou contra os philisteos, e levou os gados, e fez grande estrago entre elles: e David livrou os moradores de Keila.

6 E succedeu que, quando Abiathar, filho de Achimelech, fugiu [3] para David, a Keila, desceu com o ephod na mão.

7 E foi annunciado a Saul que David era vindo a Keila, e disse Saul: Deus o entregou nas minhas mãos, pois está encerrado, entrando n’uma cidade de portas e ferrolhos.

8 Então Saul mandou chamar a todo o povo á peleja, para que descessem a Keila, para cercar a David e os seus homens.

9 Sabendo pois David, que Saul maquinava este mal contra elle, disse a Abiathar, sacerdote: [4] Traze aqui o ephod.

10 E disse David: Ó Senhor, Deus de Israel, teu servo decerto tem ouvido que Saul procura vir a Keila, para destruir a [5] cidade por causa de mim.

11 Entregar-me-hão os cidadãos de Keila na sua mão? descerá Saul, como o teu servo tem ouvido? ah Senhor Deus d’Israel! fal-o saber ao teu servo. E disse o Senhor: Descerá.

12 Disse mais David: Entregar-me-hiam os cidadãos de Keila, a mim e aos meus homens, nas mãos de Saul? E disse o Senhor: Entregariam.

13 Então se levantou David com os seus homens, [6] uns seiscentos, e sairam de Keila, e foram-se aonde poderam: e sendo annunciado a Saul, que David escapara de Keila, cessou de sair _contra elle_.

_Saul persegue David no deserto de Ziph._

14 E David permaneceu no deserto, nos logares fortes, e ficou em um monte [7] no deserto de Ziph: e Saul o buscava todos os dias, [8] porém Deus não o entregou na sua mão.

15 Vendo pois David, que Saul sairá á busca da sua vida, David _esteve_ no deserto de Ziph, n’um bosque.

16 Então se levantou Jonathan, filho de Saul, e foi para David ao bosque, e confortou a sua mão em Deus;

17 E disse-lhe: Não temas, que não te achará a mão de Saul, meu pae, porém tu reinarás sobre Israel, e eu serei comtigo o segundo: o que tambem Saul [9] meu pae, bem sabe.

18 E ambos fizeram [10] alliança perante o Senhor: David ficou no bosque, e Jonathan voltou para a sua casa.

19 Então [11] subiram os zipheos a Saul, a Gibeah, dizendo: Não se escondeu David entre nós, nos logares fortes no bosque, no outeiro de Hachila, que _está_ á mão direita de Jesimon?

20 Agora pois, ó rei, apressadamente desce conforme a todo o desejo da tua alma; por nós fica [12] entregar-mol-o nas mãos do rei.

21 Então disse Saul: Bemditos sejaes vós do Senhor, porque vos compadecestes de mim.

22 Ide pois, e diligenciae ainda mais, e sabei e notae o logar que frequenta, e quem o tenha visto ali; porque me foi dito _que_ é astutissimo.

23 Pelo que attentae _bem_, e informae-vos ácerca de todos os esconderijos, em que elle se esconde; e _então_ voltae para mim com toda a certeza, e ir-me-hei comvosco; e ha de ser que, se estiver n’aquella terra, o buscarei entre todos os milhares de Judah.

24 Então se levantaram elles, e se foram a Ziph, diante de Saul: David porém e os seus homens _estavam_ no deserto de Maon, [13] na campanha, á direita de Jesimon.

25 E Saul e os seus homens se foram em busca _d’elle_; o que annunciaram a David, e desceu para aquella penha, e ficou no deserto de Maon: o que ouvindo Saul, seguiu a David para o deserto de Maon.

26 E Saul ia d’esta banda do monte, e David e os seus homens da outra banda do monte: e succedeu que David se apressou [14] a escapar de Saul; Saul porém e os seus homens cercaram a David e aos seus homens, para lançar mão d’elles.

27 Então veiu [15] um mensageiro a Saul, dizendo: Apressa-te, e vem, porque os philisteos com impeto entraram na terra.

28 Pelo que Saul voltou de perseguir a David, e foi-se ao encontro dos philisteos: por esta razão aquelle logar se chamou [JR] Sela-hammahlecoth.

29 E subiu David d’ali, e ficou nos logares fortes de Engedi.

[1] Jos. 15.44.

[2] ver. 4, 6, 9. cap. 30.8. II Sam. 5.19, 23.

[3] cap. 22.20.

[4] Num. 27.21. cap. 30.7.

[5] cap. 22.19.

[6] cap. 22.2 e 25.13.

[7] Psa. 11.2. Jos. 15.55.

[8] Psa. 54.3, 4.

[9] cap. 24.20.

[10] cap. 18.3 e 20.16, 42. II Sam. 21.7.

[11] cap. 26.1.

[12] Psa. 54.3.

[13] Jos. 15.55. cap. 25.2.

[14] Psa. 31.22 e 17.9.

[15] II Reis 19.9.

_David corta a orla do manto de Saul._

24 E succedeu que, voltando Saul de perseguir os philisteos, lhe annunciaram, dizendo: Eis que David _está_ no deserto [1] de Engedi.

2 Então tomou Saul [2] tres mil homens, escolhidos d’entre todo o Israel, e foi á busca [3] de David e dos seus homens, até sobre os cumes das penhas das cabras montezes.

3 E chegou a uns curraes de ovelhas no caminho, onde estava uma caverna; e entrou n’ella Saul, [4] a cobrir seus pés: e David e os seus homens estavam aos lados da caverna.

4 Então os homens de David lhe disseram: [5] Eis aqui o dia, do qual o Senhor te diz: Eis que te dou o teu inimigo nas tuas mãos, e far-lhe-has como _te parecer_ bem aos teus olhos. E levantou-se David, e mansamente cortou a orla do manto de Saul.

5 Succedeu, porém, que depois [6] o coração picou a David, por ter cortado a orla _do manto_ de Saul.

6 E disse aos seus homens: O Senhor me guarde [7] de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do Senhor, estendendo eu a minha mão contra elle; pois é o ungido do Senhor.

7 E com estas palavras [8] David conteve os seus homens, e não lhes permittiu que se levantassem contra Saul: e Saul se levantou da caverna, e proseguiu o seu caminho.

8 Depois tambem David se levantou, e saiu da caverna, e gritou por detraz de Saul, dizendo: Rei, meu senhor! E, olhando Saul para traz, David se inclinou com o rosto em terra, e se prostrou.

9 E disse David a Saul: Porque [9] dás tu ouvidos ás palavras dos homens que dizem: Eis que David procura o teu mal?

10 Eis que este dia os teus olhos viram, que o Senhor hoje te poz em minhas mãos n’_esta_ caverna, e alguns disseram que te matasse; porém a _minha mão_ te poupou: porque disse: Não estenderei a minha mão contra o meu senhor, pois é o ungido do Senhor.

11 Olha pois, meu pae, vês aqui a orla do teu manto na minha mão; porque, cortando-te eu a orla do manto, te não matei. Adverte, pois, e [10] vê que não ha na minha mão nem mal nem prevaricação nenhuma, e não pequei contra ti; porém tu andas á caça da minha vida, para m’a tirar.

12 Julgue o Senhor [11] entre mim e ti, e vingue-me o Senhor de ti; porém a minha mão não será contra ti.

13 Como diz o proverbio dos antigos: Dos impios procede a impiedade; porém a minha mão não será contra ti.

14 Após quem saiu o rei de Israel? a quem persegues? a um cão [12] morto? a uma pulga?

15 O Senhor porém será [13] juiz, e julgará entre mim e ti, e verá, e advogará a minha causa, e me defenderá da tua mão.

16 E succedeu que, acabando David de fallar a Saul todas estas palavras, disse Saul: _É_ esta a tua voz, [14] meu filho David? Então Saul alçou a sua voz e chorou.

17 E disse a David: [15] Mais justo és do que eu; pois tu me recompensaste com bem, e eu te recompensei com mal.

18 E tu mostraste hoje que usaste comigo bem; pois o Senhor me tinha posto em tuas mãos, [16] e tu me não mataste.

19 Porque, quem ha que, encontrando o seu inimigo, o deixaria ir por bom caminho? o Senhor pois te pague com bem, pelo que hoje me fizeste.

20 Agora [17] pois eis que _bem_ sei que certamente has de reinar, e que o reino de Israel ha de ser firme na tua mão.

21 Portanto agora jura-me pelo Senhor [18] que não desarreigarás a minha semente depois de mim, nem desfarás o meu nome da casa de meu pae.

22 Então jurou David a Saul. E foi Saul para a sua casa; porém David e os seus homens subiram ao logar forte.

[1] II Chr. 20.2.

[2] cap. 23.28.

[3] Psa. 38.12.

[4] Psa. 141.6. Jui. 3.24.

[5] cap. 26.8.

[6] II Sam. 24.10.

[7] cap. 26.11.

[8] Psa. 7.4. Mat. 5.44. Rom. 12.17, 19.

[9] Psa. 141.6. Pro. 16.28 e 17.9.

[10] Psa. 7.3 e 35.7. cap. 26.20.

[11] Gen. 16.5. Jui. 11.27. cap. 26.10. Job 5.8.

[12] cap. 17.43. II Sam. 9.8. cap. 26.20.

[13] ver. 12. II Chr. 24.22.

[14] cap. 26.17.

[15] cap. 26.21. Gen. 38.26. Mat. 5.44.

[16] cap. 26.23.

[17] cap. 23.17.

[18] Gen. 21.23. II Sam. 21.6, 8.

_A morte de Samuel e a retirada de David para o deserto de Paran._

[Antes de Christo 1060]

25 E falleceu [1] Samuel, e todo o Israel se ajuntou, e o prantearam, e o sepultaram na sua casa, em Rama. E David, se levantou e desceu ao deserto de Paran.

2 E _havia um_ homem em [2] Maon, que tinha as suas possessões no Carmelo: e _era_ este homem mui poderoso, e tinha tres mil ovelhas e mil cabras: e estava tosquiando as suas ovelhas no Carmelo.

3 E _era_ o nome d’este homem Nabal, e o nome de sua mulher Abigail; e _era_ a mulher de bom entendimento e formosa, porém o homem _era_ duro, e maligno nas obras, e era da casa de Caleb.

4 E ouviu David no deserto que Nabal tosquiava [3] as suas ovelhas,

5 E enviou David dez mancebos, e disse aos mancebos: Subi ao Carmelo, e, vindo a Nabal, perguntae-lhe, em meu nome, como está.

6 E assim direis áquelle prospero: Paz tenhas, [4] e que a tua casa tenha paz, e tudo o que tens tenha paz!

7 Agora, pois, tenho ouvido que tens tosquiadores: ora os pastores que tens estiveram comnosco; aggravo nenhum lhes fizemos, nem [5] coisa alguma lhes faltou todos os dias que estiveram no Carmelo.

8 Pergunta-o aos teus mancebos, e elles t’o dirão; estes mancebos pois achem graça em teus olhos, [6] porque viemos em bom dia: dá pois a teus servos e a David, teu filho, o que achares á mão.

9 Chegando pois os mancebos de David, e fallando a Nabal todas aquellas palavras em nome de David, se calaram.

_Nabal recusa dar viveres aos servos de David._

10 E Nabal respondeu aos creados de David, e disse: [7] Quem _é_ David, e quem o filho de Jessé? muitos servos ha hoje, que cada um foge a seu senhor.

11 Tomaria [8] eu pois o meu pão, e a minha agua, e a carne das minhas rezes que degolei para os meus tosquiadores, e o daria a homens que eu não sei d’onde veem?

12 Então os mancebos de David se tornaram para o seu caminho: e voltaram, e vieram, e lhe annunciaram _tudo conforme a_ todas estas palavras.

13 Pelo que disse David aos seus homens: Cada um cinja a sua espada. E cada um cingiu a sua espada, e cingiu tambem David a sua: e subiram após David uns quatrocentos homens, [9] e duzentos ficaram com a bagagem.

14 Porém um d’entre os mancebos o annunciou a Abigail, mulher de Nabal, dizendo: Eis que David enviou mensageiros desde o deserto a saudar o nosso amo; porém elle se lançou a elles.

15 Todavia, aquelles homens teem-nos _sido_ muito bons, [10] e nunca fomos aggravados _d’elles_, e nada nos faltou em todos os dias que conversámos com elles quando estavamos no campo.

16 De muro em redor nos [11] serviram, assim de dia como de noite, todos os dias que andámos com elles apascentando as ovelhas.

17 Olha pois, agora, e vê o que has de fazer, porque _já_ de todo determinado está [12] o mal contra o nosso amo e contra toda a sua casa, e elle _é_ um tal filho de Belial, que não ha quem lhe possa fallar.

_Abigail apazigua David._

18 Então Abigail se apressou, e tomou duzentos pães, [13] e dois odres de vinho, e cinco ovelhas guisadas, e cinco medidas de _trigo_ tostado, e cem cachos de passas, e duzentas pastas de figos passados, e _os_ poz sobre jumentos.

19 E disse aos seus mancebos: [14] Ide adiante de mim, eis que vos seguirei de perto. O que, porém, não declarou a seu marido Nabal.

20 E succedeu que, andando ella montada n’um jumento, desceu pelo encoberto do monte, e eis que David e os seus homens lhe vinham ao encontro, e encontrou-se com elles.

21 E disse David: Na verdade que em vão tenho guardado tudo quanto este _tem_ no deserto, e nada _lhe_ faltou de tudo quanto tem, e elle me pagou mal [15] por bem.

22 Assim faça [16] Deus aos inimigos de David, e outro tanto, se eu deixar até á manhã de tudo o que tem, mesmo até [JS] um menino.