A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 47

Chapter 474,432 wordsPublic domain

13 E disse o rei dos filhos de Ammon aos mensageiros de Jefthe: Porquanto, saindo Israel do Egypto, [8] tomou a minha terra, desde Arnon até Jabbok, e _ainda_ até ao Jordão: torna-m’a pois agora em paz.

14 Porém Jefthe proseguiu ainda em enviar mensageiros ao rei dos filhos d’Ammon,

15 Dizendo-lhe: Assim diz Jefthe: Israel não tomou, [9] nem a terra dos moabitas nem a terra dos filhos d’Ammon;

16 Porque, subindo Israel do Egypto, andou [10] pelo deserto até ao Mar Vermelho, e chegou até Cades.

17 E Israel enviou mensageiros [11] ao rei dos edomitas, dizendo: Rogo-te que me deixes passar pela tua terra. Porém o rei dos edomitas não _lhe_ deu ouvidos; enviou tambem ao rei dos moabitas, o qual tambem não quiz: e _assim_ Israel ficou em Cades.

18 Depois andou pelo deserto, e rodeou a terra dos edomitas [12] e a terra dos moabitas, e veiu do nascente do sol á terra dos moabitas, e alojaram-se d’além d’Arnon; porém não entraram nos limites dos moabitas, porque Arnon _é_ limite dos moabitas.

19 Mas Israel enviou [13] mensageiros a Sehon, rei dos amorrheos, rei de Hesbon: e disse-lhe Israel: Deixa-nos, peço-te, passar pela tua terra até ao meu logar.

20 Porém [14] Sehon não se fiou d’Israel para este passar nos seus limites; antes Sehon ajuntou todo o seu povo, e se acamparam em Jasa, e combateu contra Israel.

21 E o Senhor Deus d’Israel deu a Sehon com todo o seu povo na mão d’Israel, e os feriram: [15] e Israel tomou por herança toda a terra dos amorrheos que habitavam n’aquella terra.

22 E por herança tomaram todos os limites [16] dos anciãos, desde Arnon até Jabbok, e desde o deserto até ao Jordão.

23 Assim o Senhor Deus d’Israel desapossou os amorrheos de diante do seu povo d’Israel: e os possuirias tu?

24 Não possuirias [17] tu aquelle que Camos, teu deus, desapossasse de diante de ti? assim possuiremos nós todos quantos o Senhor nosso Deus desapossar de diante de nós.

25 Agora pois _és_ tu ainda melhor do que Balac, [18] filho de Zippor, rei dos moabitas? _porventura_ contendeu elle em algum tempo com Israel, _ou_ pelejou alguma vez contra elles?

26 Emquanto Israel habitou trezentos annos em [19] Hesbon e nas suas villas, e em Aroer e nas suas villas, em todas as cidades que _estão_ ao longo d’Arnon, porque o não recuperastes n’aquelle tempo?

27 Tão pouco pequei eu contra ti! porém tu usas mal comigo em pelejar contra mim: o Senhor, que é juiz, julgue [20] hoje entre os filhos d’Israel e entre os filhos de Ammon.

28 Porém o rei dos filhos d’Ammon não deu ouvidos ás palavras de Jefthe, que lhe enviou.

29 Então o espirito [21] do Senhor veiu sobre Jefthe, e atravessou elle por Gilead e Manasseh: porque passou até Mispah de Gilead, e de Mispah de Gilead passou _até_ aos filhos d’Ammon.

30 E Jefthe votou [22] um voto ao Senhor, e disse: Se _totalmente_ deres os filhos d’Ammon na minha mão,

31 [IW] Aquillo que, saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro, voltando eu dos filhos d’Ammon em paz, isso será do Senhor, e o offerecerei [23] em holocausto.

32 Assim Jefthe passou aos filhos d’Ammon, a combater contra elles: e o Senhor os deu na sua mão.

33 E os feriu com grande mortandade, desde Aroer até chegar a [24] Minnith, vinte cidades, e até Abel-keramim; assim foram subjugados os filhos d’Ammon diante dos filhos d’Israel.

34 Vindo pois Jefthe a Mispah, [25] á sua casa, eis que a sua filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças: e _era_ ella só a unica; não tinha outro filho nem filha.

35 E aconteceu que, quando a viu, rasgou [26] os seus vestidos, e disse: Ah! filha minha, muito me abateste, e és d’entre os que me turbam! porque eu abri a minha bocca ao Senhor, e não tornarei atraz.

36 E ella lhe disse: Pae meu, abriste tu a tua bocca ao Senhor, faze de mim como saiu da tua bocca: [27] pois o Senhor te vingou [28] dos teus inimigos, os filhos d’Ammon.

37 Disse mais a seu pae: Faça-se-me isto: deixa-me por dois mezes que vá, e desça pelos montes, e chore a minha virgindade, eu e as minhas companheiras.

38 E disse elle: Vae. E deixou-a ir por dois mezes: então foi-se ella com as suas companheiras, e chorou a sua virgindade pelos montes.

39 E succedeu que, ao fim de dois mezes, tornou ella para seu pae, o qual cumpriu [29] n’ella o seu voto que tinha votado: e ella não conheceu varão; e d’aqui veiu o costume d’Israel,

40 _Que_ as filhas d’Israel iam de anno em anno a [IX] lamentar a filha de Jefthe, o gileadita, por quatro dias no anno.

[1] Heb. 11.32. cap. 6.12. II Reis 5.1.

[2] cap. 9.4. I Sam. 22.2.

[3] Gen. 26.27.

[4] cap. 10.18. Luc. 17.4.

[5] cap. 10.18.

[6] Jer. 42.5.

[7] ver. 8. cap. 10.17 e 20.1. I Sam. 10.17 e 11.15.

[8] Num. 21.24, 25, 26. Gen. 32.22.

[9] Deu. 2.9, 19.

[10] Num. 14.25. Deu. 1.40. Jos. 5.6. Num. 13.26 e 20.1. Deu. 1.46.

[11] Num. 20.14, 18, 21 e 20.1.

[12] Num. 21.4. Deu. 2.1-8. Num. 21.11, 13 e 22.36.

[13] Num. 21.22. Deu. 2.26. Num. 21.22. Deu. 2.27.

[14] Num. 21.23. Deu. 2.32.

[15] Num. 21.24, 25. Deu. 2.33, 34.

[16] Deu. 2.36.

[17] Num. 21.29. I Reis 11.7. Jer. 48.7. Deu. 9.5, 6 e 18.12. Jos. 3.10.

[18] Num. 22.2. Jos. 24.9.

[19] Num. 21.25. Deu. 2.36.

[20] Gen. 18.25 e 16.5 e 31.53. I Sam. 24.12, 15.

[21] cap. 3.10.

[22] Gen. 28.20. I Sam. 1.11.

[23] Lev. 27.2, 3, etc. I Sam. 1.11, 28 e 2.18. Psa. 66.13. Lev. 27.11, 12.

[24] Eze. 27.17.

[25] ver. 11. cap. 10.17. Exo. 15.20. I Sam. 18.5. Psa. 68.25. Jer. 31.4.

[26] Gen. 37.29, 34. Ecc. 5.2. Num. 30.2. Psa. 15.4. Ecc. 5.4, 5.

[27] Num. 30.2.

[28] II Sam. 18.19, 31.

[29] ver. 31. I Sam. 1.22, 24 e 2.18.

_Jefthe peleja contra os ephraimitas e os gileaditas._

12 Então se convocaram os homens d’Ephraim, [1] e passaram para o norte, e disseram a Jefthe: Porque passaste a combater contra os filhos d’Ammon, e não nos chamaste para ir comtigo? queimaremos a fogo a tua casa comtigo.

2 E Jefthe lhes disse: Eu e o meu povo tivemos grande contenda com os filhos d’Ammon: e chamei-vos, e não me livrastes da sua mão;

3 E, vendo eu que _me_ não livraveis, puz [2] a minha alma na minha mão, e passei aos filhos de Ammon, e o Senhor m’os entregou nas mãos: porque pois subistes vós hoje contra mim, para combater contra mim?

4 E ajuntou Jefthe a todos os homens de Gilead, e combateu com Ephraim: e os homens de Gilead feriram a Ephraim; porque, estando os gileaditas entre Ephraim _e_ Manasseh, disseram: [3] Fugitivos _sois_ d’Ephraim.

5 Porque tomaram os gileaditas aos ephraimitas os váos [4] do Jordão: e succedeu que, quando os fugitivos d’Ephraim diziam: Passarei; então os homens de Gilead lhes diziam: És tu ephratita? E dizendo elle: Não;

6 Então lhe diziam: Dize pois, Shibboleth; porém _elle_ dizia: Sibboleth, porque _o_ não podia pronunciar assim bem: então pegavam d’elle, e o degolavam aos váos do Jordão: e cairam de Ephraim n’aquelle tempo quarenta e dois mil.

7 E Jefthe julgou a Israel seis annos: e Jefthe, o gileadita, falleceu, e foi sepultado nas cidades de Gilead.

_Ebsan, Elon e Abdon juizes dos israelitas._

8 E depois d’elle julgou a Israel Ebsan de Beth-lehem.

9 E tinha este trinta filhos; e enviou fóra a trinta filhas; e trinta filhas trouxe de fóra para seus filhos: e julgou a Israel sete annos.

10 Então falleceu Ebsan, e foi sepultado em Beth-lehem.

11 E depois d’elle julgou a Israel Elon, o zebulonita: e julgou a Israel dez annos.

12 E falleceu Elon, o zebulonita, e foi sepultado em Ayalon, na terra de Zebulon.

13 E depois d’elle julgou a Israel Abdon, filho d’Hillel, o pirhathonita.

14 E tinha este quarenta filhos, e trinta filhos de filhos, que cavalgavam sobre [5] setenta jumentos: e julgou a Israel oito annos.

15 Então falleceu Abdon, filho d’Hillel, o pirathonita: e foi sepultado em Pirathon, na terra [6] de Ephraim, no monte do amalekita.

[1] cap. 8.1.

[2] I Sam. 19.5 e 28.21. Job 13.14.

[3] I Sam. 25.10.

[4] Jos. 22.11. cap. 3.28 e 7.24.

[5] cap. 5.10 e 10.4.

[6] cap. 3.13, 27 e 5.14.

_Servidão dos israelitas sob os philisteos, e o nascimento de Sansão._

[Antes de Christo 1161]

13 E os filhos d’Israel tornaram a fazer o _que parecia_ mal [1] aos olhos do Senhor, e o Senhor [2] os entregou na mão dos philisteos _por_ quarenta annos.

2 E havia um homem de Zora, da [3] tribu de Dan, cujo nome _era_ Manué: e sua mulher _era_ esteril, e não paria.

3 E o anjo do Senhor [4] appareceu a esta mulher, e disse-lhe: Eis que agora _és_ esteril, e nunca tens parido; porém conceberás, e parirás _um_ filho.

4 Agora, pois, guarda-te de que bebas vinho, [5] ou bebida forte, ou comas _coisa_ immunda.

5 Porque eis que tu conceberás e parirás _um_ filho sobre cuja cabeça não subirá navalha: [6] porquanto o menino será nazireo de Deus desde o ventre: e elle começará a livrar a Israel da mão dos philisteos.

6 Então a mulher entrou, e fallou a seu marido, dizendo: [7] _Um_ homem de Deus veiu a mim, cuja vista _era_ similhante á vista d’_um_ anjo de Deus, terribilissima: e não lhe perguntei d’onde _era_, nem elle me disse o seu nome;

7 Porém disse-me: Eis que tu conceberás e parirás _um_ filho: agora pois não bebas vinho, nem bebida forte, e não comas _coisa_ immunda; porque o menino será nazireo de Deus, desde o ventre até ao dia da sua morte.

8 Então Manué orou instantemente ao Senhor, e disse: Ah! Senhor meu, rogo-te que o homem de Deus, que enviaste, ainda venha para nós outra vez e nos ensine o que devemos fazer ao menino que ha de nascer.

9 E Deus ouviu a voz de Manué: e o anjo de Deus veiu outra vez á mulher, e ella estava no campo, porém não _estava_ com ella seu marido Manué.

10 Apressou-se pois a mulher, e correu, e noticiou-o a seu marido, e disse-lhe: Eis que aquelle homem que veiu a mim o _outro_ dia me appareceu.

11 Então Manué levantou-se, e seguiu a sua mulher, e veiu áquelle homem, e disse-lhe: _És_ tu aquelle homem que fallaste a esta mulher? E disse: Eu _sou_.

12 Então disse Manué: Cumpram-se as tuas palavras: _mas_ qual será o modo _de viver_ e serviço do menino?

13 E disse o anjo do Senhor a Manué: De tudo quanto eu disse á mulher se guardará ella.

14 De tudo quanto procede da vide de vinho não comerá, nem vinho nem bebida forte beberá, [8] nem _coisa_ immunda comerá: tudo quanto lhe tenho ordenado guardará.

15 Então Manué disse ao anjo do Senhor: Ora deixa que te detenhamos, e [9] te preparemos _um_ cabrito.

16 Porém o anjo do Senhor disse a Manué: Ainda que me detenhas, não comerei de teu pão; e se fizeres holocausto o offerecerás ao Senhor. Porque não sabia Manué que _fosse_ o anjo do Senhor.

17 E disse Manué ao anjo do Senhor: Qual _é_ o teu nome? para que, quando se cumprir a tua palavra, te honremos.

18 E o anjo do Senhor lhe disse: Porque perguntas assim pelo meu nome, [10] visto que _é_ maravilhoso?

19 Então Manué tomou _um_ cabrito [11] e _uma_ offerta de manjares, e _os_ offereceu sobre _uma_ penha ao Senhor: e obrou _o anjo_ maravilhosamente, vendo-_o_ Manué e sua mulher.

20 E succedeu que, subindo a chamma do altar para o céu, o anjo do Senhor subiu na chamma do altar: o _que_ vendo Manué e sua mulher, cairam [12] em terra sobre seus rostos.

21 E nunca mais appareceu o anjo do Senhor a Manué, nem a sua mulher: então conheceu Manué [13] que _era_ o anjo do Senhor.

22 E disse Manué a sua mulher: Certamente morreremos, [14] porquanto temos visto a Deus.

23 Porém sua mulher lhe disse: Se o Senhor nos quizera matar, não acceitaria da nossa mão o holocausto e a offerta de manjares, nem nos mostraria tudo isto, nem nos deixaria ouvir _taes coisas_ n’este tempo.

24 Depois pariu esta mulher _um_ filho, e chamou o seu nome [15] Sansão: e o menino cresceu, e o Senhor o abençoou.

25 E o espirito do Senhor [16] o começou a impellir _de quando em quando_ para o campo de Dan, entre Zora e Estaol.

[1] cap. 2.11 e 3.7 e 4.1 e 6.1 e 10.6.

[2] I Sam. 12.9.

[3] Jos. 19.41.

[4] cap. 6.12. Luc. 1.11, 13, 28, 31.

[5] Num. 6.2, 3. Luc. 1.15.

[6] Num. 6.5. I Sam. 1.11. Num. 6.2. I Sam. 7.13. II Sam. 8.1. I Chr. 18.1.

[7] Deu. 33.1. I Sam. 2.27 e 9.6. I Reis 17.24. Mat. 28.3. Luc. 9.29. Act. 6.15. ver. 17, 18.

[8] ver. 4.

[9] Gen. 18.5. cap. 6.18.

[10] Gen. 32.29.

[11] cap. 6.19, 20.

[12] Lev. 9.24. I Chr. 21.16. Eze. 1.28. Mat. 17.6.

[13] cap. 6.22.

[14] Gen. 32.30. Exo. 33.20. Deu. 5.26. cap. 6.22.

[15] Heb. 11.32. I Sam. 3.19. Luc. 1.80 e 2.52.

[16] cap. 3.10. I Sam. 11.6. Mat. 4.1. Jos. 15.33. cap. 18.11.

_O casamento de Sansão._

[Antes de Christo 1141]

14 E desceu Sansão a [1] Timnatha: e, vendo em Timnatha a uma mulher das filhas dos philisteos,

2 Subiu, e declarou-o a seu pae e sua mãe, e disse: Vi _uma_ mulher em Timnatha, das filhas dos philisteos; agora pois, tomae-m’a [2] por mulher.

3 Porém seu pae e sua mãe lhe disseram: Não _ha porventura_ mulher entre as filhas de teus irmãos, [3] nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos philisteos, d’aquelles incircumcisos? E disse Sansão a seu pae: Tomae-me esta, porque ella agrada aos meus olhos.

4 Mas seu pae e sua mãe não sabiam que isto _vinha_ do Senhor; [4] pois buscava occasião dos philisteos: porquanto n’aquelle tempo os philisteos dominavam [5] sobre Israel.

5 Desceu pois Sansão com seu pae e com sua mãe a Timnatha: e, chegando ás vinhas de Timnatha, eis que um filho de leão, bramando, lhe _saiu_ ao encontro.

6 Então o espirito do Senhor [6] se apossou d’elle tão possantemente que o fendeu _d’alto a baixo_, como quem fende um cabrito, sem _ter_ nada na sua mão: porém nem a seu pae nem a sua mãe deu a saber o que tinha feito.

7 E desceu, e fallou áquella mulher, e agradou aos olhos de Sansão.

8 E depois de alguns dias voltou _elle_ para a tomar: e, apartando-se do _caminho_ a ver o corpo do leão morto, eis que no corpo do leão _havia_ um enxame de abelhas com mel.

9 E tomou-o nas suas mãos, e foi-se andando e comendo _d’elle_; e foi-se a seu pae e a sua mãe, e deu-lhes _d’elle_, e comeram, porém não lhes deu a saber que tomara o mel do corpo do leão.

10 Descendo pois seu pae áquella mulher, fez Sansão ali um banquete; porque assim o costumavam fazer os mancebos.

11 E succedeu que, como o vissem, tomaram trinta companheiros para estarem com elle.

_O enigma de Sansão._

12 Disse-lhes pois Sansão: Vos darei _um_ enigma [7] a adivinhar: _e_, se nos sete dias das bodas m’o declarardes e descobrirdes, vos darei trinta lençoes e trinta mudas de vestidos.

13 E, se m’o não poderdes declarar, vós me dareis _a mim_ os trinta lençoes e as trinta mudas de vestidos. E elles lhe disseram: Dá-_nos_ o teu enigma a adivinhar, para que o ouçamos.

14 Então lhes disse: Do comedor saiu comida, e doçura saiu do forte. E em tres dias não poderam declarar o enigma.

15 E succedeu que, ao setimo dia, disseram á mulher de Sansão: Persuade a teu marido [8] que nos declare o enigma, para que _porventura_ não queimemos a fogo a ti e á casa de teu pae: chamastes-nos vós aqui para possuir o que é nosso, não _é assim_?

16 E a mulher de Sansão chorou diante d’elle, e disse: _Tão_ sómente me aborreces, e não me amas; [9] _pois_ déste aos filhos do meu povo _um_ enigma a adivinhar, e _ainda_ m’o não declaraste a mim. E elle lhe disse: Eis que nem a meu pae nem a minha mãe o declarei, e t’o declararia a ti?

17 E chorou diante d’elle os sete dias em que celebravam as bodas: succedeu pois que ao setimo dia lh’o declarou, porquanto o importunava; então _ella_ declarou o enigma aos filhos do seu povo.

18 Disseram-lhe pois os homens d’aquella cidade, ao setimo dia, antes de se por o sol: Que _coisa ha_ mais doce do que o mel? e que _coisa ha_ mais forte do que o leão? E elle lhes disse: Se vós não lavrasseis com a minha novilha, nunca terieis descoberto o meu enigma.

19 Então [10] o espirito do Senhor tão possantemente se apossou d’elle, que desceu aos ascalonitas, e matou d’elles trinta homens, e tomou os seus vestidos, e deu as mudas de vestidos aos que declararam o enigma: porém accendeu-se a sua ira, e subiu á casa de seu pae.

20 E a mulher de Sansão foi _dada_ ao [11] seu companheiro que o acompanhava.

[1] Gen. 38.13. Jos. 15.10. Gen. 34.2.

[2] Gen. 21.21 e 34.4.

[3] Gen. 24.3, 4 e 34.14. Exo. 34.16. Deu. 7.3.

[4] Jos. 11.20. I Reis 12.15. II Reis 6.33. II Chr. 10.15 e 22.7 e 25.20.

[5] cap. 13.1. Deu. 28.48.

[6] cap. 3.10 e 13.25. I Sam. 11.6.

[7] I Sam. 10.1. Eze. 17.2. Luc. 14.7. Gen. 29.27.

[8] cap. 16.5 e 15.6.

[9] cap. 16.15.

[10] cap. 3.10 e 13.25.

[11] cap. 15.2. João 3.29.

_Sansão põe fogo ás searas dos philisteos._

15 E aconteceu, depois d’_alguns_ dias, que na sega do trigo Sansão visitou a sua mulher com um cabrito, e disse: Entrarei na camara a minha mulher. Porém o pae d’ella não o deixou entrar.

2 Porque disse seu pae: Por certo dizia eu que de todo a aborrecias: [1] de sorte que a dei ao teu companheiro: porém não _é_ sua irmã mais nova, mais formosa do que ella? toma-a pois em seu logar.

3 Então Sansão disse ácerca d’elles: Innocente sou esta vez para com os philisteos, quando lhes fizer _algum_ mal.

4 E foi Sansão, e tomou trezentas raposas: e, tomando tições, as virou cauda a cauda, e lhes poz um tição no meio de cada duas caudas.

5 E chegou fogo aos tições, e largou-as na seara dos philisteos: e _assim_ abrazou os molhos com a sega do trigo, e as vinhas com os olivaes.

6 Então disseram os philisteos: Quem fez isto? E disseram: Sansão, o genro do Timnatha, porque lhe tomou a sua mulher, e a deu a seu companheiro. Então subiram os philisteos, [2] e queimaram a fogo a ella e a seu pae.

7 Então lhes disse Sansão: Assim o haveis de fazer? pois havendo-me vingado eu de vós então cessarei.

8 E feriu-os com grande ferimento, perna juntamente com côxa: e desceu, e habitou no cume da rocha d’Etam.

9 Então os philisteos subiram, e acamparam-se contra Judah, e estenderam-se por [3] Lechi,

_Os homens de Judah amarram a Sansão._

[Antes de Christo 1140]

10 E disseram os homens de Judah: Porque subistes contra nós? E elles disseram: Subimos para amarrar a Sansão, para lhe fazer a elle como elle nos fez a nós.

11 Então tres mil homens de Judah desceram até á cova da rocha d’Etam, e disseram a Sansão: Não sabias tu que [4] os philisteos dominam sobre nós? porque _pois_ nos fizeste isto? E elle lhes disse: _Assim_ como elles me fizeram a mim, eu lhes fiz a elles.

12 E disseram-lhe: Descemos para te amarrar, para te entregar nas mãos dos philisteos. Então Sansão lhes disse: Jurae-me que vós mesmos me não accommettereis.

13 E elles lhe fallaram, dizendo: Não, mas fortemente te amarraremos, e te entregaremos na sua mão; porém de maneira nenhuma te mataremos. E amarraram-n’o com duas cordas novas e fizeram-n’o subir da rocha.

_Sansão fere mil homens com a queixada d’um jumento._

14 E, vindo elle a Lechi, os philisteos lhe _sairam_ ao encontro, jubilando: porém [5] o espirito do Senhor possantemente se apossou d’elle, e as cordas que elle _tinha_ nos braços se tornaram como fios de linho que se queimaram no fogo, e as suas amarraduras se desfizeram das suas mãos.

15 E achou uma queixada fresca d’_um_ jumento, e estendeu a sua mão, e tomou-a, e feriu [6] com ella mil homens,

16 Então disse Sansão: Com _uma_ queixada de jumento um montão, dois montões; com _uma_ queixada de jumento feri a mil homens.

17 E aconteceu que, acabando elle de fallar, lançou a queixada da sua mão: e chamou áquelle logar [IY] Ramath-lechi.

18 E como tivesse grande sede, clamou ao Senhor, e disse: Pela mão do teu servo [7] tu déste esta grande salvação: morrerei eu pois agora de sede, e cairei na mão d’estes incircumcisos?

19 Então o Senhor fendeu a caverna que _estava_ em [IZ] Lechi; e saiu d’ella agua, e bebeu; e o seu espirito tornou, [8] e reviveu: pelo que chamou o seu nome: A fonte do que clama, que _está_ em Lechi até _ao dia d’_hoje.

20 E julgou a Israel, [9] nos dias dos philisteos, vinte annos.

[1] cap. 14.20.

[2] cap. 14.15.

[3] ver. 19.

[4] cap. 14.4.

[5] cap. 3.10 e 14.6.

[6] Lev. 26.8. Jos. 23.10. cap. 3.31.

[7] Psa. 3.7.

[8] Gen. 45.27. Isa. 40.29.

[9] cap. 13.1.

_Sansão é trahido por Dalila._

[Antes de Christo 1120]

16 E foi-se Sansão a Gaza, e viu ali uma mulher prostituta, e entrou a ella.

2 _E foi dito_ aos gazitas: Sansão entrou [1] aqui. Foram pois em roda, e toda a noite lhe puzeram espias á porta da cidade: porém toda a noite estiveram socegados, dizendo: Até á luz da manhã _esperaremos_; então o mataremos.

3 Porém Sansão deitou-se até á meia noite, e á meia noite se levantou, e travou das portas da entrada da cidade com ambas as umbreiras, e juntamente com a tranca as tomou, pondo-as sobre os hombros; e levou-as para cima até ao cume do monte que está defronte de Hebron.

4 E depois d’isto aconteceu que se affeiçoou a uma mulher do valle de Sorec, cujo nome _era_ Dalila.

5 Então os principes dos philisteos subiram a ella, e lhe disseram: Persuade-o, [2] e vê, em que _consiste_ a sua grande força, e com que poderiamos assenhorear-nos d’elle e amarral-o, para _assim_ o affligirmos: e te daremos cada um mil e cem [JA] _moedas_ de prata.

6 Disse pois Dalila a Sansão: Declara-me, peco-te, em que _consiste_ a tua grande força, e com que poderias ser amarrado para te poderem affligir.

7 Disse-lhe Sansão: Se me amarrassem com sete _vergas de_ vimes frescos, que ainda não estivessem seccos, então me enfraqueceria, e seria como qualquer _outro_ homem.

8 Então os principes dos philisteos lhe trouxeram sete _vergas de_ vimes frescos, que ainda não estavam seccos: e amarrou-o com ellas.

9 E os espias _estavam_ assentados com ella n’uma camara. Então ella lhe disse: Os philisteos _veem_ sobre ti, Sansão. Então quebrou as _vergas de_ vimes, como se quebra o fio da estopa ao cheiro do fogo; assim não se soube _em que consistia a_ sua força.

10 Então disse Dalila a Sansão: Eis que zombaste de mim, e me disseste mentiras: ora declara-me agora com que poderias ser amarrado.

11 E elle lhe disse: Se me amarrassem fortemente com cordas novas, com que se não houvesse feito obra nenhuma, então me enfraqueceria, e seria como qualquer _outro_ homem.

12 Então Dalila tomou cordas novas, e o amarrou com ellas, e disse-lhe: Os philisteos _veem_ sobre ti, Sansão. E os espias _estavam_ assentados n’uma camara. Então as quebrou de seus braços como um fio.

13 E disse Dalila a Sansão: Até agora zombaste de mim, e me disseste mentiras; declara-me _pois agora_ com que poderias ser amarrado? E elle lhe disse: Se teceres sete tranças _dos cabellos_ da minha cabeça com os liços da têa.

14 E ella as fixou com uma estaca, e disse-lhe: Os philisteos _veem_ sobre ti, Sansão. Então despertou do seu somno, e arrancou a estaca das _tranças_ tecidas, _juntamente_ com o liço da têa.

15 Então ella lhe disse: Como dirás: Tenho-te amor, [3] não _estando_ comigo o teu coração? já tres vezes zombaste de mim, e ainda me não declaraste em que _consiste_ a tua força.

16 E succedeu que, importunanado-o ella todos os dias com as suas palavras, e molestando-o, a sua alma se angustiou até á morte.

17 E descobriu-lhe todo o seu coração, [4] disse-lhe: Nunca subiu navalha á minha cabeça, porque _sou_ nazireo de Deus desde o ventre de minha mãe: se viesse a ser rapado, ir-se-hia de mim a minha força, e me enfraqueceria, e seria como todos os _mais_ homens.

18 Vendo pois Dalila que já lhe descobrira todo o seu coração, enviou, e chamou os principes dos philisteos, dizendo: Subi esta vez, porque _agora_ me descobriu elle todo o seu coração. E os principes dos philisteos subiram a ella, e trouxeram o dinheiro na sua mão.

19 Então ella o fez dormir [5] sobre os seus joelhos, e chamou a _um_ homem, e rapou-lhe as sete tranças _do cabello_ de sua cabeça: e começou a affligil-o, e retirou-se d’elle a sua força.

20 E disse ella: Os philisteos _veem_ sobre ti, Sansão. E despertou do seu somno, e disse: Sairei _ainda_ esta vez como d’antes, e me sacudirei. Porque elle não sabia que já o Senhor se tinha retirado [6] d’elle.

21 Então os philisteos pegaram n’elle, e lhe arrancaram os olhos, e fizeram-n’o descer a Gaza, e amarraram-n’o com duas cadeias de bronze, e andava elle moendo no carcere.