A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 182

Chapter 1824,473 wordsPublic domain

5 E, tendo atravessado o mar, ao longo da Cilicia e Pamphylia, chegámos a Myrra, na Lycia.

6 E, achando ali o centurião um navio de Alexandria, que navegava para a Italia, nos fez embarcar n’elle.

7 E, indo _já_ por muitos dias navegando vagarosamente, e havendo chegado apenas defronte de Cnido, não nos permittindo o vento ir mais adiante, navegámos abaixo de Creta, junto de Salmone.

8 E, costeando-a difficilmente, chegámos a um _certo_ logar chamado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Lasca.

9 E, passado muito tempo, e sendo já perigosa a navegação, porquanto já tambem o jejum tinha passado, [4] Paulo _os_ admoestava,

10 Dizendo-lhes: Varões, vejo que a navegação ha de ser incommoda, e com muito damno, não só para o navio e carga, mas tambem para as nossas vidas.

11 Porém o centurião cria mais no piloto e no mestre, do que no que dizia Paulo.

12 E, não sendo aquelle porto commodo para invernar, os mais d’elles foram de parecer que se partisse d’ali para ver se podiam chegar a Phenix, _que é_ um ponto de Creta que olha para a banda do vento [AIH] da Africa e do Coro, e invernar ali.

13 E, soprando o sul brandamente, lhes pareceu terem já o que desejavam, e, fazendo-se de vela, foram de muito perto costeando Creta.

14 Porém não muito depois deu n’ella um pé de vento, chamado euro-aquilão.

15 E, sendo o navio arrebatado por elle, e não podendo navegar contra o vento, dando de mão a tudo, nos deixámos ir á tôa.

16 E, correndo abaixo de uma pequena ilha chamada Clauda, apenas podémos ganhar o batel,

17 Levado para cima o qual, usaram de _todos_ os remedios, cingindo o navio; e, temendo darem á costa na Syrte, amainadas as vélas, assim foram á tôa.

18 E, andando nós agitados por uma vehemente tempestade, no _dia_ seguinte alliviaram _o navio_.

19 E ao terceiro _dia_ nós mesmos, com as nossas proprias mãos, [5] lançámos _ao mar_ a armação do navio.

20 E, não apparecendo, havia _já_ muitos dias, nem sol nem estrellas, e opprimindo-nos uma não pequena tempestade, fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos.

21 E, havendo já muito que se não comia, então Paulo, pondo-se em pé no meio d’elles, disse: Fôra na verdade razoavel, ó varões, ter-me ouvido a mim e não partir de Creta, e evitar _assim_ este incommodo e esta perdição.

22 Porém agora vos admoesto a que tenhaes bom animo, porque não se perderá a vida _de nenhum_ de vós, mas sómente o navio.

23 Porque esta mesma noite o anjo de Deus, [6] de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo,

24 Dizendo: Paulo, não temas: importa que sejas apresentado a Cesar, e eis que Deus te deu todos quantos navegam comtigo.

25 Portanto, ó varões, tende bom animo; [7] porque creio em Deus, que ha de acontecer assim como a mim me foi dito.

26 Porém é necessario [8] irmos dar n’uma ilha.

27 E, quando chegou a decima quarta noite, sendo impellidos de uma e outra banda no _mar_ Adriatico, lá pela meia noite suspeitaram os marinheiros de que estavam proximos d’alguma terra.

28 E, lançando o prumo, acharam vinte braças; e, passando um pouco mais adiante, tornando a lançar o prumo, acharam quinze braças.

29 E, temendo ir dar em alguns rochedos, lançaram da pôpa quatro ancoras, desejando que viesse o dia.

30 Procurando, porém, os marinheiros fugir do navio, e deitando o batel ao mar, como que querendo lançar as ancoras pela prôa,

31 Disse Paulo ao centurião _e_ aos soldados: Se estes não ficarem no navio, não podereis salvar-vos.

32 Então os soldados cortaram os cabos do batel, e o deixaram cair.

33 E entretanto que o dia vinha, Paulo exhortava a todos a que comessem alguma coisa, dizendo: É _já_ hoje o decimo quarto dia que esperaes, e permaneceis sem comer, não havendo provado nada.

34 Portanto, exhorto-vos a que comaes alguma coisa, pois importa para a vossa saude; [9] porque nem um cabello da cabeça de qualquer de vós cairá.

35 E, havendo dito isto, tomando o pão, deu graças [10] a Deus na presença de todos; e, partindo-_o_, começou a comer.

36 E, tendo já todos bom animo, pozeram-se tambem a comer.

37 E eramos por todos no navio duzentas [11] e setenta e seis almas.

38 E, refeitos _já_ da comida, alliviaram o navio, lançando o trigo ao mar.

39 E, sendo já dia, não conheceram a terra; porém enxergaram uma enseada que tinha praia, e consultaram-se sobre se deveriam encalhar n’ella o navio.

40 E, levantando as ancoras, deixaram-n’o ir ao mar, largando tambem as amarras do leme; e, alçando a véla maior ao vento, dirigiram-se para a praia.

41 Dando, porém, em logar de dois mares, encalharam ali o navio; [12] e, fixa a prôa, ficou immovel, porém a pôpa abria-se com a força das ondas.

42 Então o conselho dos soldados foi que matassem os presos para que nenhum fugisse, escapando a nado.

43 Porém o centurião, querendo salvar a Paulo, lhes estorvou este intento; e mandou que os que podessem nadar se lançassem primeiro _ao mar_, e se salvassem em terra;

44 E os demais, uns em taboas e outros em coisas do navio. E assim aconteceu [13] que todos se salvaram em terra.

[1] cap. 25.12.

[2] cap. 19.29.

[3] cap. 24.23 e 28.16.

[4] Lev. 23.27, 29.

[5] Jon. 1.5.

[6] cap. 23.11. Dan. 6.16. Rom. 1.9. II Tim. 1.3.

[7] Luc. 1.45. Rom. 4.20, 21. II Tim. 1.12.

[8] cap. 28.1.

[9] I Reis 1.52. Mat. 10.30. Luc. 12.7 e 21.18.

[10] I Sam. 9.13. Mat. 15.36. Mar. 8.6. João 6.11. I Tim. 4.3, 4.

[11] cap. 2.41 e 7.14. Rom. 13.1. I Ped. 3.20.

[12] II Cor. 11.25.

[13] ver. 22.

_Paulo em Melita._

[Anno Domini 63]

28 E, havendo escapado, então souberam que a ilha se chamava Melita.

2 E os [1] barbaros usaram comnosco de não pouca humanidade; porque, accendendo um grande fogo, nos recolheram a todos por causa da chuva que sobrevinha, e por causa do frio.

3 E, havendo Paulo ajuntado _uma_ quantidade de vides, e pondo-as no fogo, uma vibora, fugindo do calor, lhe accommetteu a mão.

4 E os barbaros, vendo-lhe a bicha pendurada na mão, diziam uns aos outros: Certamente este homem é homicida, a quem, escapando do mar, a Justiça não deixa viver.

5 Porém, sacudindo elle a bicha no fogo, não padeceu [2] nenhum mal.

6 E elles esperavam que viesse a inchar ou a cair morto de repente; porém, tendo esperado _já_ muito, e vendo que nenhum incommodo lhe sobrevinha, [3] mudando _de parecer_, diziam que era um deus.

7 E ali, proximo d’aquelle mesmo logar, havia umas herdades que pertenciam ao principal da ilha, por nome Publio, o qual nos recebeu e hospedou benignamente por tres dias.

8 E aconteceu que o pae de Publio estava de cama enfermo de febres e dysenteria, ao qual Paulo [4] foi _ver_, e, havendo orado, poz as mãos sobre elle, e o curou.

9 Feito pois isto, vieram tambem ter com elle os demais que na ilha tinham enfermidades, e sararam.

10 Os quaes nos honraram tambem com [5] muitas honras: e, havendo de navegar, _nos_ proveram das coisas necessarias.

_Paulo chega a Roma e fica prisioneiro em sua propria casa durante dois annos._

11 E tres mezes depois partimos n’um navio de Alexandria que invernára na ilha, o qual tinha por insignia [AII] Castor e Pollux.

12 E, chegando a Syracusa, ficámos _ali_ tres dias.

13 D’onde, indo costeando, viemos a Rhegio; e um dia depois, soprando um vento do sul, chegámos no segundo dia a Puteolos.

14 Onde, achando _alguns_ irmãos, nos rogaram que por sete dias ficassemos com elles; e assim fomos a Roma.

15 E de lá, ouvindo os irmãos novas de nós, nos sairam ao encontro á praça d’Appio e ás tres Vendas, e Paulo, vendo-os, deu graças a Deus, e tomou animo.

16 E, logo que chegámos a Roma, o centurião entregou os presos ao general dos exercitos; porém [6] a Paulo se lhe permittiu morar sobre si á parte, com o soldado que o guardava.

17 E aconteceu que, tres dias depois, Paulo convocou os que eram principaes dos judeos, e, juntos elles, lhes disse: Varões [7] irmãos, não havendo eu feito nada contra o povo, ou contra os ritos paternos, vim _todavia_ preso desde Jerusalem, entregue nas mãos dos romanos;

18 Os quaes, havendo-me examinado, [8] queriam soltar-_me_, por não haver em mim crime algum de morte.

19 Porém, oppondo-se os judeos, foi-me forçoso [9] appellar para Cesar, não tendo, comtudo, de que accusar a minha nação.

20 Assim que por esta causa vos chamei, para _vos_ ver e fallar; [10] porque pela esperança d’Israel estou com esta cadeia.

21 Porém elles lhe disseram: Nós não recebemos ácerca de ti cartas _algumas_ da Judea, nem, vindo aqui algum dos irmãos, _nos_ annunciou ou fallou de ti mal algum.

22 Porém bem quizeramos ouvir de ti o que sentes; porque, quanto a esta seita, [11] notorio nos é que em toda a parte se falla contra ella.

23 E, havendo-lhe elles assignalado um dia, muitos foram ter com elle á pousada, aos quaes declarava [12] e testificava o reino de Deus, e procurava persuadil-os á fé de Jesus, tanto pela lei de Moysés como _pelos_ prophetas, desde pela manhã até á tarde.

24 E alguns criam [13] no que se dizia; porém outros não criam.

25 E, como ficaram entre si discordes, se despediram, dizendo Paulo esta palavra: Bem fallou o Espirito Sancto a nossos paes pelo propheta Isaias,

26 Dizendo: Vae a este povo, e dize: [14] De ouvido ouvireis, e de maneira nenhuma entendereis; e, vendo, vereis, e de maneira nenhuma percebereis.

27 Porque o coração d’este povo está endurecido, e com os ouvidos ouviram pesadamente, e fecharam os olhos, para que nunca com os olhos vejam, nem com os ouvidos ouçam, nem do coração entendam, e se convertam e eu os cure.

28 Seja-vos pois notorio que esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e [15] elles a ouvirão.

29 E, havendo elle dito isto, partiram os judeos, tendo entre si grande contenda.

30 E Paulo ficou dois annos inteiros na sua propria habitação que alugára, e recebia todos quantos vinham vêl-o;

31 Prégando o reino de Deus, [16] e ensinando com toda a ousadia as _coisas_ pertencentes ao Senhor Jesus Christo, sem impedimento algum.

[1] cap. 27.26. Rom. 1.14. I Cor. 14.11. Col. 3.11.

[2] Mar. 16.18. Luc. 10.19.

[3] cap. 14.11.

[4] Thi. 5.14, 15. Mar. 16.18. Luc. 4.40. cap. 19.11, 12.

[5] Mat. 15.6. I Tim. 5.17.

[6] cap. 24.25 e 27.3.

[7] cap. 24.12, 13 e 25.8 e 21.33.

[8] cap. 22.24 e 24.10 e 25.8 e 26.31.

[9] cap. 25.11.

[10] cap. 26.6, 7 e 26.29. Eph. 3.1 e 4.1 e 6.20.

[11] Luc. 2.34. cap. 24.5, 14. I Ped. 2.12 e 4.14.

[12] Luc. 24.27. cap. 17.3 e 19.8 e 26.6, 22.

[13] cap. 14.4 e 17.4 e 19.9.

[14] Isa. 6.9. Jer. 5.21. Mat. 13.14, 15. Mar. 4.12. Luc. 8.10. João 12.40. Rom. 11.8.

[15] Mat. 21.41, 43. cap. 13.46, 47 e 18.6 e 22.21 e 26.17, 18. Rom. 11.11.

[16] cap. 4.31. Eph. 6.19.

EPISTOLA DE S. PAULO AOS ROMANOS.

_Prefacio e saudação._

[Anno Domini 60]

1 Paulo, servo de Jesus Christo, [1] chamado _para_ apostolo, separado para o evangelho [2] de Deus,

2 Que antes havia promettido pelos seus prophetas nas sanctas escripturas,

3 Ácerca de seu Filho, [3] que foi gerado da descendencia de David segundo a carne,

4 Declarado Filho de Deus em poder, segundo [4] o Espirito de sanctificação, pela resurreição dos mortos, Jesus Christo Nosso Senhor,

5 Pelo qual recebemos a graça _e_ o apostolado, para a [5] obediencia da fé entre todas as gentes pelo seu nome,

6 Entre os quaes sois tambem vós, _os_ chamados de Jesus Christo.

7 A todos os que estaes em Roma, amados de Deus, [6] chamados sanctos: Graça e paz de Deus nosso pae, e do Senhor Jesus Christo.

_A fé dos romanos; Paulo anhela vel-os._

8 Primeiramente dou graças ao meu Deus [7] por Jesus Christo, ácerca de vós todos, porque em todo o mundo é annunciada a vossa fé.

9 Porque Deus, a quem sirvo em meu espirito [8] no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós,

10 [9] Rogando sempre em minhas orações que n’algum tempo, pela vontade de Deus, se me offereça boa occasião de ir ter comvosco.

11 Porque desejo ver-vos, [10] para vos communicar algum dom espiritual, afim de que sejaes confortadgos;

12 Isto _é_: para que juntamente comvosco eu seja consolado pela [11] fé mutua, assim vossa como minha.

13 Porém, irmãos, não quero que ignoreis que muitas [12] vezes propuz ir ter comvosco (mas até agora tenho sido impedido) para tambem ter entre vós algum fructo, como tambem entre os demais gentios.

14 Eu sou devedor, [13] tanto a gregos como a barbaros, tanto a sabios como a ignorantes.

15 Assim que, quanto a mim, estou prompto para tambem vos annunciar o evangelho, a vós que estaes em Roma.

_A justiça pela fé; o assumpto da epistola._

16 Porque não me envergonho do evangelho de Christo, [14] pois é o poder de Deus para salvação a todo aquelle que crê; primeiro ao judeo, _e_ tambem ao grego.

17 Porque n’elle se descobre a justiça de Deus de fé em fé, [15] como está escripto: Mas o justo viverá da fé.

_A idolatria e depravação dos gentios._

18 Porque do céu se manifesta [16] a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que deteem a verdade em injustiça.

19 Porquanto o que de Deus se pode conhecer [17] n’elles está manifesto; porque Deus lh’o manifestou.

20 Porque as suas coisas invisiveis, desde a creação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão creadas, [18] para que fiquem inexcusaveis;

21 Porquanto, tendo conhecido a Deus, não _o_ glorificaram como Deus, nem _lhe_ deram graças, [19] antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.

22 Dizendo-se [20] sabios, tornaram-se loucos.

23 E mudaram a gloria do Deus incorruptivel em [21] similhança de imagem de homem corruptivel, e de aves, e de quadrupedes, e de reptis.

24 Pelo que tambem [22] Deus os entregou ás concupiscencias de seus corações, á immundicia, para deshonrarem seus corpos entre si:

25 Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, [23] e honraram e serviram mais a creatura do que o Creador, que _é_ bemdito eternamente. Amen.

26 Pelo que Deus os abandonou [24] ás paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrario á natureza.

27 E, similhantemente, tambem os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflammaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, commettendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.

28 E, como elles se não importaram de reconhecer a Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, [25] para fazerem coisas que não conveem;

29 Estando cheios de toda a iniquidade, fornicação, malicia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicidio, contenda, engano, malignidade;

30 Murmuradores, detractores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presumpçosos, inventores de males, desobedientes aos pães e ás mães;

31 Nescios, infieis nos contractos, sem affeição natural, irreconciliaveis, sem misericordia;

32 Os quaes, [26] conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que praticam taes coisas), não sómente as fazem, mas tambem consentem aos que as fazem.

[1] Act. 22.21 e 9.15. I Cor. 1.1. Gal. 1.1 e 1.15. I Tim. 1.11.

[2] Act. 26.6. Tito 1.2. cap. 3.21. Gal. 3.8.

[3] Mat. 1.6, 16. Luc. 1.32. Act. 2.30.

[4] Act. 13.33. Heb. 9.14.

[5] cap. 12.3 e 15.15. I Cor. 15.10. Gal. 1.15. Eph. 3.8. Act. 6.7.

[6] cap. 9.24. I Cor. 1.2 e 1.3. I The. 4.7. Gal. 1.3.

[7] I Cor. 1.4. Phi. 1.3. Col. 1.3, 4. I The. 1.2. Phi. 4.

[8] cap. 9.1. II Cor. 1.23. Phi. 1.8. I The. 2.5. Act. 27.23. II Tim. 1.3. João 4.23, 24. Phi. 3.3.

[9] cap. 15.23, 32. I The. 3.10. Thi. 4.15.

[10] cap. 15.29.

[11] Tito 1.4. II Ped. 1.1.

[12] cap. 15.23. Act. 16.7. I The. 2.18. Phi. 4.17.

[13] I Cor. 9.16.

[14] Psa. 40.9, 10. Mar. 8.38. II Tim. 1.8. I Cor. 1.18. Luc. 2.30. Act. 3.26.

[15] cap. 3.21. Hab. 2.4. João 3.36. Gal. 3.11. Heb. 10.38.

[16] Act. 17.30. Eph. 5.6. Col. 3.6.

[17] Act. 14.17. João 1.9.

[18] Psa. 19.1, etc. Act. 14.17 e 17.27.

[19] II Reis 17.15. Jer. 2.5. Eph. 4.17, 18.

[20] Jer. 10.14.

[21] Deu. 4.16, etc. Psa. 106.20. Isa. 40.18, 25. Jer. 2.11. Eze. 8.10. Act. 17.29.

[22] Act. 7.42. Eph. 4.18, 19. II The. 2.11, 12. I Cor. 6.18. I The. 4.4. I Ped. 4.3.

[23] I The. 1.9. I João 5.20. Isa. 44.20. Jer. 10.14. Amós 2.4.

[24] Lev. 18.22, 23. Eph. 5.12. Jud. 10.

[25] Eph. 5.4.

[26] cap. 2.2 e 6.21. Psa. 50.18. Ose. 7.3.

_A impenitencia dos judeos; a justiça de Deus._

2 Portanto, és inexcusavel quando julgas, [1] ó homem, quem quer que sejas, porque te condemnas a ti mesmo n’aquillo em que julgas o outro; pois tu, que julgas, fazes as mesmas _coisas_.

2 E bem sabemos que o juizo de Deus é segundo a verdade sobre os que taes _coisas_ fazem.

3 E tu, ó homem, que julgas os que fazem taes _coisas_, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juizo de Deus?

4 Ou desprezas tu as [2] riquezas da sua benignidade, e paciencia e [3] longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?

5 Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, [4] enthesouras ira para o dia da ira e da manifestação do juizo de Deus;

6 O qual recompensará [5] cada um segundo as suas obras;

7 A saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram gloria, e honra e incorrupção;

8 Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, e desobedientes á verdade [6] e obedientes á injustiça.

9 Tribulação e angustia sobre toda a alma do homem que obra o mal; primeiramente do judeo [7] e tambem do grego:

10 Gloria, porém, [8] e honra e paz a qualquer que obra o bem; primeiramente ao judeo e tambem ao grego;

11 Porque, para com [9] Deus, não ha accepção de pessoas.

12 Porque todos os que sem lei peccaram sem lei tambem perecerão; e todos os que sob a lei peccaram pela lei serão julgados.

13 Porque os que ouvem a lei não _são_ justos [10] diante de Deus: mas os que praticam a lei hão de ser justificados.

14 Porque, quando os gentios, que não teem lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo estes lei, para si mesmos são lei;

15 Os quaes mostram a obra da lei escripta em seus corações, testificando juntamente a sua consciencia, e _seus_ pensamentos, ora accusando-se, ora defendendo-se;

16 No dia em que Deus [11] ha de julgar os segredos dos homens, por Jesus Christo, segundo o meu evangelho.

_Os judeos são inexcusaveis; a verdadeira circumcisão._

17 Eis que tu que tens por [12] sobrenome judeo, e repousas na lei, e te glorias em Deus;

18 E sabes a _sua_ vontade [13] e approvas as coisas excellentes, sendo instruido por lei;

19 E confias que és guia dos [14] cegos, luz dos que estão em trevas,

20 Instruidor dos nescios, mestre de creanças, que tens a forma da sciencia [15] e da verdade na lei;

21 Tu, pois, [16] que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que prégas que não se deve furtar, furtas?

22 Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os idolos, [17] commettes sacrilegio?

23 Tu, que te glorias na lei, [18] deshonras a Deus pela transgressão da lei?

24 Porque, como está escripto, o nome de Deus é blasphemado entre os gentios por causa de [19] vós.

25 Porque a circumcisão é, [20] na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; porém, se tu és transgressor da lei, a tua circumcisão se torna em incircumcisão.

26 Pois, se a incircumcisão [21] guarda os preceitos da lei, porventura a sua incircumcisãoh não será reputada como circumcisão?

27 E, a que por natureza é incircumcisão, se cumpre a lei, não te [22] julgará porventura _a ti_, que pela letra e circumcisão és transgressor da lei?

28 Porque não é judeo [23] o que o é exteriormente, nem é circumcisão a que o é exteriormente na carne.

29 Mas _é_ judeo o que o é no interior, e circumcisão [24] _é_ a do coração, no espirito, não _na_ letra: cujo louvor não _provém_ dos homens, mas de Deus.

[1] cap. 1.20. II Sam. 12.5, 6, 7. Mat. 7.1, 2. João 8.9.

[2] cap. 9.23. Eph. 1.7. cap. 3.25.

[3] Exo. 34.6. Isa. 30.18. II Ped. 3.9, 15.

[4] Deu. 32.34. Thi. 5.3.

[5] Job 34.11. Jer. 17.10. Mat. 16.27. I Cor. 3.8. II Cor. 5.10. Apo. 2.23.

[6] Job 24.13. cap. 1.18. II The. 1.8.

[7] Amós 3.2. Luc. 12.47, 48. I Ped. 4.17.

[8] I Ped. 1.7.

[9] II Chr. 19.7. Act. 10.34. Gal. 2.6. Eph. 6.9. Col. 3.25.

[10] Mat. 7.21. Thi. 1.22. I João 3.7.

[11] Mat. 25.31. João 12.48 e 5.22. I Cor. 4.5. Apo. 20.12. Act. 10.42. I Tim. 1.11. II Tim. 4.1, 8 e 2.8. I Ped. 4.5.

[12] Mat. 3.9. João 8.33, 41. II Cor. 11.22. Miq. 3.11. Isa. 45.25.

[13] Deu. 4.8. Phi. 1.10.

[14] Mat. 15.14 e 23.16, 17. João 9.34, 40, 41.

[15] cap. 6.17. II Tim. 1.13 e 3.5.

[16] Psa. 50.15, etc. Mat. 23.3, etc.

[17] Mal. 3.8.

[18] ver. 17.

[19] II Sam. 12.14. Isa. 52.5. Eze. 36.20.

[20] Gal. 5.3.

[21] Act. 10.34, 35.

[22] Mat. 12.41, 42.

[23] Mat. 3.9. João 8.39. Gal. 6.15. Apo. 2.9.

[24] I Ped. 3.4. Phi. 3.3. Col. 2.11. II Cor. 3.6. I The. 2.4.

_O privilegio dos judeos; a justiça de Deus._

3 Qual é logo a vantagem do judeo? Ou qual a utilidade da circumcisão?

2 Muita, em toda a maneira, porque, quanto ao primeiro, [1] as palavras de Deus lhe foram confiadas,

3 Pois que? [2] Se alguns foram incredulos, a sua incredulidade aniquilará a fé de Deus?

4 De maneira nenhuma; antes seja Deus verdadeiro, [3] e todo o homem mentiroso; como está escripto: Para que sejas justificado em tuas palavras, e venças quando fôres julgado.

5 E, se a nossa injustiça recommendar a justiça de Deus, que diremos? Porventura _será_ Deus injusto, trazendo ira _sobre nós_? ([4] Fallo como homem)

6 De maneira nenhuma: d’outro modo, como julgará Deus o mundo?

7 Porque, se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus para gloria sua, porque sou ainda julgado tambem como peccador?

8 E não _dizemos_ (como somos blasphemados, e como alguns dizem que dizemos): Façamos [5] males, para que venham bens: cuja condemnação é justa.

_Todos os homens estão debaixo do peccado._

9 Pois que? Somos nós mais excellentes? de maneira nenhuma, pois já d’antes demonstrámos que, tanto judeos como gregos, todos [6] estão debaixo do peccado;

10 Como está escripto: [7] Não ha justo, nem ainda um:

11 Não ha ninguem que entenda; não ha ninguem que busque a Deus:

12 Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inuteis. Não ha quem faça o bem, não ha nem um só:

13 A sua garganta _é um_ [8] sepulchro aberto: com as suas linguas tratam enganosamente: peçonha de aspides _está_ debaixo de seus labios:

14 Cuja bocca _está_ cheia de maldição e amargura:

15 Os seus pés _são_ [9] ligeiros para derramar sangue:

16 Em seus caminhos _ha_ destruição e miseria:

17 E não conheceram o caminho da paz:

18 Não ha temor [10] de Deus diante de seus olhos.

19 Ora, nós sabemos que tudo o que a lei [11] diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a bocca se feche e todo o mundo seja condemnavel _diante_ de Deus.

20 Por isso nenhuma carne será justificada [12] diante d’elle pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do peccado.

_A justificação pela fé em Jesus Christo._

21 Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, [13] tendo o testemunho da lei e dos prophetas;

22 Isto é, a justiça de Deus pela fé [14] de Jesus Christo para todos e sobre todos os que crêem; porque não ha differença,

23 Porque todos peccaram [15] e destituidos estão da gloria de Deus;

24 Sendo justificados [16] gratuitamente pela sua graça, pela redempção que ha em Christo Jesus:

25 Ao qual Deus propoz para [AIJ] propiciação [17] pela fé no seu sangue, para demonstração da sua justiça, pela remissão dos peccados d’antes commettidos, sob a paciencia de Deus;

26 Para demonstração da sua justiça n’este tempo presente, para que elle seja justo e justificador d’aquelle que tem fé em Jesus.

27 Onde _está_ logo a jactancia? [18] É excluida. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé.

28 Concluimos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.

29 Deus _é_ porventura sómente [19] dos judeos? E não o _é_ tambem dos gentios? Tambem dos gentios, certamente.

30 Porque _ha_ um só Deus [20] que justificará pela fé a circumcisão, e pela fé a incircumcisão.

31 Annullamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.