A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 177
[35] Luc. 21.15. I Cor. 1.25.
[36] cap. 7.51 e 9.5 e 23.9.
[37] cap. 4.18.
[38] Mat. 10.17 e 23.34. Mar. 13.9.
[39] Mat. 5.12. Rom. 5.3. II Cor. 12.10. Phi. 1.29. Heb. 10.34. Thi. 1.2. I Ped. 4.13, 16.
[40] cap. 4.20, 29.
_A instituição dos diaconos._
6 Ora n’aquelles dias, [1] crescendo o numero dos discipulos, houve uma murmuração dos [2] gregos contra os hebreos, porque as suas viuvas [3] eram desprezadas no ministerio quotidiano.
2 E os doze, convocando a multidão dos discipulos, disseram: [4] Não é razoavel que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos ás mesas.
3 Escolhei pois, irmãos, [5] d’entre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espirito Sancto e de sabedoria, aos quaes constituamos sobre este importante negocio.
4 Porém nós [6] perseveraremos na oração e no ministerio da palavra.
5 E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estevão, homem cheio de [7] fé e do Espirito Sancto, [8] e Philippe e Prochoro, e Nicanor, e Timon, e Parmenas e Nicolau, [9] proselyto de Antiochia:
6 E os apresentaram ante os apostolos, e estes, [10] orando, lhes impozeram [11] as mãos.
7 E crescia [12] a palavra de Deus, e em Jerusalem se multiplicava muito o numero dos discipulos, e grande multidão [13] dos sacerdotes obedecia á fé.
_Estevão, o primeiro martyr._
8 E Estevão, cheio de fé e de poder, fazia prodigios e grandes signaes entre o povo.
9 E levantaram-se alguns que _eram_ da synagoga chamada dos libertinos, e dos cyreneos e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilicia e da Asia, e disputavam com Estevão.
10 E não [14] podiam resistir á sabedoria, e ao espirito com que fallava.
11 Então [15] subornaram uns homens, para que dissessem: Ouvimos-lhe proferir palavras blasphemas contra Moysés e _contra_ Deus.
12 E excitaram o povo, os anciãos e os escribas; e, arremettendo _contra elle_, o arrebataram e o levaram ao conselho.
13 E apresentaram falsas testemunhas, que diziam: Este homem não cessa de proferir palavras blasphemas contra este sancto logar e _contra_ a lei:
14 Pois nós lhe ouvimos dizer que esse Jesus Nazareno ha de destruir este logar e mudar os costumes que Moysés nos deu.
15 Então todos os que estavam assentados no conselho, fixando os olhos n’elle, viram o seu rosto como o rosto de um anjo.
[1] cap. 2.41. ver. 7.
[2] cap. 9.29 e 11.20.
[3] cap. 4.35.
[4] Exo. 18.17.
[5] Deu. 1.13. cap. 1.21 e 16.2. I Tim. 3.7.
[6] cap. 2.42.
[7] cap. 11.24.
[8] cap. 8.5, 26 e 21.8.
[9] Apo. 2.6, 15.
[10] cap. 1.24.
[11] cap. 8.17 e 9.17. I Tim. 4.14 e 5.22.
[12] cap. 12.24 e 19.20. Col. 1.6.
[13] João 12.42.
[14] Luc. 21.15. cap. 5.39. Exo. 4.12. Isa. 54.17.
[15] I Reis 21.10, 13. Mat. 26.59, 60.
7 E disse o summo sacerdote: Porventura é isto assim?
2 E elle disse: [1] Varões, irmãos, e paes, ouvi. O Deus da gloria appareceu a nosso pae Abrahão, estando na Mesopotamia, antes de habitar em Haran,
3 E disse-lhe: [2] Sae da tua terra e d’entre a tua parentela, e dirige-te á terra que eu te mostrarei.
4 Então [3] saiu da terra dos chaldeos, e habitou em Haran. E d’ali, depois que seu pae falleceu, o fez passar para esta terra em que agora habitaes.
5 E não lhe deu n’ella herança, nem ainda o espaço de [4] um pé: mas prometteu que lh’a daria em possessão, e depois d’elle á sua descendencia, não tendo elle _ainda_ filho.
6 E fallou Deus assim: [5] Que a sua descendencia seria peregrina em terra alheia, e a sujeitariam á escravidão, e a maltratariam por [6] quatrocentos annos.
7 E eu julgarei a nação a quem servirem, disse Deus. E depois d’isto sairão, [7] e me servirão n’este logar.
8 E deu-lhe [8] o pacto da circumcisão; [9] e assim gerou a Isaac, e o circumcidou ao oitavo dia: [10] e Isaac _gerou_ a Jacob, e [11] Jacob aos doze patriarchas.
9 E [12] os patriarchas, movidos de inveja, venderam a José para o [13] Egypto; e Deus era com elle,
10 E livrou-o de todas as suas tribulações, [14] e lhe deu graça e sabedoria ante Pharaó, rei do Egypto, que o constituiu governador sobre o Egypto e toda a sua casa.
11 E a [15] todo o paiz do Egypto e de Canaan sobreveiu fome e grande tribulação; e nossos paes não achavam alimentos.
12 Porém [16] Jacob, ouvindo que no Egypto havia trigo, enviou _ali_ nossos paes, a primeira vez.
13 E [17] na segunda foi José conhecido por seus irmãos, e a linhagem de José foi manifesta a Pharaó.
14 E [18] José mandou chamar a seu pae Jacob, [19] e a toda a sua parentela, _que era de_ setenta e cinco almas.
15 E [20] Jacob desceu ao Egypto, [21] e morreu, elle e nossos paes;
16 E [22] foram transportados para Sichem, e depositados [23] na sepultura que Abrahão comprara por certa somma de dinheiro aos filhos de Hemor, pae de Sichem.
17 Approximando-se, [24] porém, o tempo da promessa que Deus tinha jurado a Abrahão, o povo [25] cresceu e se multiplicou no Egypto;
18 Até que se levantou outro rei, que não conhecia a José.
19 Este, usando de astucia contra a nossa linhagem, maltratou nossos paes, ao ponto de lhes fazer [26] engeitar as suas creanças, para que não se multiplicassem.
20 N’esse tempo nasceu Moysés, e [27] era mui formoso, e [28] foi criado tres mezes em casa de seu pae.
21 E, sendo [29] engeitado, tomou-o a filha do Pharaó, e o criou como seu filho.
22 E Moysés [30] foi instruido em toda a sciencia dos egypcios; e era poderoso em suas palavras e obras.
23 E, [31] quando completou o tempo de quarenta annos, veiu-lhe ao coração ir visitar seus irmãos, os filhos d’Israel.
24 E, vendo maltratado um _d’elles_, o defendeu, e vingou o offendido, matando o egypcio.
25 E elle cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade pela sua mão; porém elles não entenderam.
26 E [32] no dia seguinte, pelejando elles, foi por elles visto, e quiz leval-os á paz, dizendo: Varões, sois irmãos; porque vos aggravaes um ao outro?
27 E o que offendia o seu proximo o repelliu, dizendo: [33] Quem te constituiu principe e juiz sobre nós?
28 Queres tu matar-me, como hontem mataste o egypcio?
29 E a esta palavra fugiu [34] Moysés, e esteve como estrangeiro na terra de Madian, onde gerou dois filhos.
30 E, [35] completados quarenta annos, appareceu-lhe o anjo do Senhor, no deserto do monte Sinai, n’uma chamma de fogo de um sarçal.
31 Então Moysés, vendo-_o_, se maravilhou da visão; e, approximando-se para vêr, foi-lhe dirigida a voz do Senhor,
32 Dizendo: [36] Eu _sou_ o Deus de teus paes, o Deus d’Abrahão, e o Deus d’Isaac e o Deus de Jacob. E Moysés, todo tremulo, não ousava olhar.
33 E disse-lhe [37] o Senhor: Descalça as alparcas dos teus pés, porque o logar em que estás é terra sancta:
34 Tenho [38] visto attentamente a afflicção do meu povo que está no Egypto, e ouvi os seus gemidos, e desci a livral-os. Agora, pois, vem, e enviar-te-hei ao Egypto.
35 A este Moysés, ao qual haviam negado, dizendo: Quem te constituiu principe e juiz? a este enviou Deus como principe e [AIA] libertador, [39] pela mão do anjo que lhe apparecera no sarçal.
36 Este [40] os conduziu para fóra, [41] fazendo prodigios e signaes na terra do Egypto, [42] e no Mar Vermelho, [43] e no deserto, por quarenta annos.
37 Este é aquelle Moysés que disse aos filhos d’Israel: [44] O Senhor vosso Deus vos levantará d’entre vossos irmãos um propheta como eu; [45] a elle ouvireis.
38 Este é [46] o que esteve entre a congregação no deserto, com [47] o anjo que lhe fallava no monte Sinai, e com nossos paes, [48] o qual recebeu as palavras de vida [49] para nol-as dar.
39 Ao qual nossos paes não quizeram obedecer, antes o rejeitaram, e de coração se tornaram ao Egypto,
40 Dizendo a Aarão: [50] Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque a esse Moysés, que nos tirou da terra do Egypto, não sabemos o que lhe aconteceu.
41 E [51] n’aquelles dias fizeram o bezerro, e offereceram sacrificios ao idolo, e se alegraram nas obras das suas mãos.
42 E [52] Deus se affastou, e os abandonou a que servissem [53] ao exercito do céu, como está escripto no livro dos prophetas: [54] Porventura me offerecestes victimas e sacrificios no deserto por quarenta annos, ó casa d’Israel?
43 Antes tomastes o tabernaculo de Molech, e a estrella do vosso deus Remphan, figuras que vós fizestes para as adorar. Transportar-vos-hei pois para além de Babylonia.
44 Estava entre nossos paes no deserto o tabernaculo do testemunho, como ordenara aquelle que disse a Moysés [55] que o fizesse segundo o modelo que tinha visto.
45 O [56] qual nossos paes, recebendo-o tambem, o levaram com Josué quando entraram na possessão das nações [57] que Deus expulsou da face de nossos paes, até aos dias de David:
46 Que [58] achou graça diante de Deus, [59] e pediu para achar tabernaculo para o Deus de Jacob.
47 E [60] Salomão lhe edificou casa;
48 Mas o [61] Altissimo não habita em templos feitos por mãos _d’homens_, como diz o propheta:
49 O [62] céu _é_ o meu throno, e a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor: ou qual é o logar do meu repouso?
50 Porventura não fez a minha mão todas estas coisas?
51 Duros [63] de cerviz, [64] e incircumcisos de coração e ouvidos: vós sempre resistis ao Espirito Sancto; tambem vós _sois_ como vossos paes.
52 A qual [65] dos prophetas não perseguiram vossos paes? Até mataram os que anteriormente annunciaram a vinda [66] do Justo, do qual vós agora fostes traidores e homicidas;
53 Vós, que [67] recebestes a lei por disposição dos anjos, e não _a_ guardastes.
54 E, [68] ouvindo estas _coisas_, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra elle.
55 Mas [69] elle, estando cheio do Espirito Sancto, fixando os olhos no céu, viu a gloria de Deus, e Jesus, que estava á direita de Deus;
56 E disse: Eis que [70] vejo os céus abertos, [71] e o Filho do homem, que está em pé á mão direita de Deus.
57 Elles, [72] porém, clamando com grande voz, taparam os seus ouvidos, e arremetteram unanimes contra elle.
58 E, expulsando-o da cidade, [73] _o_ apedrejavam. [74] E as testemunhas depozeram os seus vestidos aos pés de um mancebo chamado Saulo.
59 E apedrejaram a Estevão, [75] invocando _elle ao Senhor_, e dizendo: Senhor Jesus, recebe [76] o meu espirito.
60 E, pondo-se [77] de joelhos, clamou com grande voz: [78] Senhor, não lhes imputes este peccado. E, tendo dito isto, [79] adormeceu.
[1] cap. 22.1.
[2] Gen. 12.1.
[3] Gen. 11.31 e 12.4, 5.
[4] Gen. 12.7 e 13.15 e 15.3, 18 e 17.8 e 26.3.
[5] Gen. 15.13, 16.
[6] Exo. 12.46. Gal. 3.17.
[7] Exo. 3.12.
[8] Gen. 17.9, 10, 11.
[9] Gen. 21.2, 3, 4.
[10] Gen. 25.26.
[11] Gen. 35.23.
[12] Gen. 37.4, 11, 28.
[13] Gen. 39.2, 21, 23. Psa. 105.17.
[14] Gen. 41.37 e 42.6.
[15] Gen. 41.54.
[16] Gen. 42.1.
[17] Gen. 45.4, 16.
[18] Gen. 45.9, 27.
[19] Gen. 46.27. Deu. 10.22.
[20] Gen. 46.5.
[21] Gen. 49.32. Exo. 1.6.
[22] Exo. 13.19. Jos. 24.32.
[23] Gen. 23.16 e 33.19.
[24] Gen. 15.13. ver. 6.
[25] Exo. 1.7, 8, 9. Psa. 105.24, 25.
[26] Exo. 1.22.
[27] Exo. 2.2.
[28] Heb. 11.23.
[29] Exo. 2.3, 10.
[30] Luc. 24.19.
[31] Exo. 2.11, 12.
[32] Exo. 2.13.
[33] Luc. 12.14. cap. 4.7.
[34] Exo. 2.15, 22 e 4.20 e 13.3, 4.
[35] Exo. 3.2.
[36] Mat. 22.32. Heb. 11.16.
[37] Exo. 3.5. Jos. 5.15.
[38] Exo. 3.7.
[39] Exo. 14.19. Num. 20.16.
[40] Exo. 12.41 e 33.1.
[41] Exo. caps. 7 até 14. Psa. 105.27.
[42] Exo. 14.21, 27, 28, 29.
[43] Exo. 16.1, 35.
[44] Deu. 18.15. cap. 3.22.
[45] Mat. 17.5.
[46] Exo. 19.3, 17.
[47] Isa. 63.9. Gal. 3.19. Heb. 2.2.
[48] Exo. 21.1. Deu. 5.27, 31 e 33.4. João 1.17.
[49] Rom. 3.2.
[50] Exo. 32.1.
[51] Deu. 9.16. Psa. 106.19.
[52] Psa. 81.12. Rom. 1.25. II The. 2.11.
[53] Deu. 4.19. II Reis 17.16. Jer. 19.13.
[54] Amós 5.25, 26.
[55] Exo. 25.40 e 26.30. Heb. 8.5.
[56] Jos. 3.14.
[57] Neh. 9.24. Psa. 44.2, 3. cap. 13.19.
[58] I Sam. 16.1. II Sam. 7.1. Psa. 19.20.
[59] I Reis 8.17. I Chr. 22.7. Psa. 132.4, 5.
[60] I Reis 6.1 e 8.20. I Chr. 17.12. II Chr. 3.1.
[61] I Reis 8.27. II Chr. 2.6.
[62] Isa. 66.1, 2. Mat. 5.34, 35.
[63] Exo. 32.9 e 33.3. Isa. 48.4.
[64] Lev. 26.41. Deu. 10.16. Jer. 4.4 e 6.10. Eze. 44.9.
[65] II Chr. 36.16. Mat. 21.35. I The. 2.15.
[66] cap. 3.14.
[67] Exo. 20.1. Gal. 3.19. Heb. 2.2.
[68] cap. 5.33.
[69] cap. 6.5.
[70] Eze. 1.1. Mat. 3.16. cap. 10.11.
[71] Dan. 7.13.
[72] I Reis 21.13. Luc. 4.29. Heb. 13.12.
[73] Lev. 24.16.
[74] Deu. 13.9, 10 e 17.7. cap. 22.20.
[75] cap. 9.14.
[76] Psa. 31.5. Luc. 23.46.
[77] cap. 9.40 e 20.36 e 21.5.
[78] Mat. 5.44. Luc. 6.28 e 23.34.
[79] cap. 7.58 e 22.20.
_O evangelho em Samaria._
[Anno Domini 34]
8 E tambem Saulo consentia na morte d’elle. E fez-se n’aquelle dia uma grande perseguição contra a egreja que estava em Jerusalem; [1] e todos foram dispersos pelas terras da Judea e da Samaria, excepto os apostolos.
2 E _alguns_ varões piedosos foram enterrar a Estevão, [2] e fizeram sobre elle grande pranto.
3 E Saulo [3] assolava a egreja, entrando pelas casas: e, arrastando homens e mulheres, _os_ encerrava na prisão.
4 Mas [4] os que andavam dispersos iam por toda a parte, annunciando a palavra.
5 E, [5] descendo Philippe á cidade de Samaria, lhes prégava a Christo.
6 E as multidões estavam attentas unanimemente ás _coisas_ que Philippe dizia, porquanto ouviam e viam os signaes que elle fazia;
7 Pois [6] os espiritos immundos sahiam de muitos que _os_ tinham, clamando em alta voz; e muitos paralyticos e côxos eram curados.
8 E havia grande alegria n’aquella cidade.
9 E havia um certo _varão_, chamado Simão, que anteriormente exercera n’aquella cidade a arte magica, [7] e tinha illudido a gente de Samaria, dizendo [8] que era um grande _personagem_:
10 Ao qual todos attendiam, desde o mais pequeno até ao maior, dizendo: Este é a grande virtude de Deus.
11 E attendiam-n’o a elle, porque _já_ desde muito tempo os havia illudido com artes magicas.
12 Mas, como crêram em Philippe que [9] lhes prégava ácerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Christo, se baptizavam, tanto homens como mulheres.
13 E creu até o mesmo Simão; e, sendo baptizado, ficou de continuo com Philippe; e, vendo os signaes e as grandes maravilhas que se faziam, estava attonito.
14 Os apostolos, pois, que estavam em Jerusalem, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João.
15 Os quaes, tendo descido, oraram por elles [10] para que recebessem o Espirito Sancto.
16 (Porque [11] sobre nenhum d’elles tinha ainda descido; mas sómente eram [12] baptizados em [13] nome do Senhor Jesus.)
17 Então [14] lhes impozeram as mãos, e receberam o Espirito Sancto.
18 E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apostolos se dava o Espirito Sancto, lhes offereceu dinheiro,
19 Dizendo: Dae-me tambem a mim esse poder, para que qualquer sobre quem eu pozer as mãos receba o Espirito Sancto.
20 Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja comtigo para perdição, pois cuidaste [15] que o [16] dom de Deus se alcança por dinheiro.
21 Tu não tens parte nem sorte n’esta palavra, porque o teu coração não é recto diante de Deus;
22 Arrepende-te pois d’essa tua iniquidade, e ora a Deus, [17] para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração;
23 Pois vejo que estás [18] em fel de amargura, e em laço de iniquidade.
24 Respondendo, porém, Simão, disse: Orae vós por mim ao Senhor, para que nada do que dissestes venha sobre mim.
25 Tendo elles pois testificado e fallado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalem, e em muitas aldeias dos [19] samaritanos annunciaram o evangelho.
_Philippe e o eunucho._
26 E o anjo do Senhor fallou a Philippe, dizendo: Levanta-te, e vae para a banda do sul, ao caminho que desce de Jerusalem para Gaza, que é deserta.
27 E levantou-se, e foi; e eis que um [20] homem ethiope, eunucho, mordomo-mór de Candace, rainha dos ethiopes, o qual era superintendente de todos os seus thesouros, e tinha ido a [21] Jerusalem a adorar,
28 Regressava, e, assentado no seu carro, lia o propheta Isaias.
29 E disse o Espirito a Philippe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro.
30 E, correndo Philippe, ouviu que lia o propheta Isaias, e disse: Entendes tu o que lês?
31 E elle disse: Como o poderei eu, se alguem me não ensinar? E rogou a Philippe que subisse e com elle se assentasse.
32 E o logar da Escriptura que lia era este: [22] Foi levado como a ovelha para o matadouro, e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, assim não abriu a sua bocca.
33 Na sua humilhação foi [AIB] tirada a sua sentença; e quem contará a sua geração? porque a sua vida é tirada da terra.
34 E, respondendo o eunucho a Philippe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o propheta? De si mesmo, ou d’algum outro?
35 Então Philippe, abrindo a sua bocca, [23] e começando n’esta Escriptura, lhe annunciou a Jesus.
36 E, indo elles caminhando, chegaram ao pé d’alguma agua, e disse o eunucho: Eis aqui agua; que impede [24] que eu seja baptizado?
37 E disse Philippe: [25] É licito, se crês de todo o coração. E, respondendo elle, disse: [26] Creio que Jesus Christo é o Filho de Deus.
38 E mandou parar o carro, e desceram ambos á agua, tanto Philippe como o eunucho, e o baptizou.
39 E, quando sairam da agua, o Espirito do Senhor arrebatou a Philippe, [27] e não o viu mais o eunucho; e, jubiloso, continuou o seu caminho.
40 Porém Philippe achou-se em Azoto, e, indo passando, annunciou o evangelho _em_ todas as cidades, até que chegou a Cesarea.
[1] cap. 11.19.
[2] Gen. 23.2 e 50.10. II Sam. 3.31.
[3] cap. 7.58 e 9.1, 13, 21. I Cor. 15.9. Gal. 1.13. Phi. 3.6. I Tim. 1.13.
[4] Mat. 10.23. cap. 11.19.
[5] cap. 6.5.
[6] Mar. 16.17.
[7] cap. 13.6.
[8] cap. 5.36.
[9] cap. 1.3.
[10] cap. 2.38.
[11] cap. 19.2.
[12] Mat. 28.19. cap. 2.38.
[13] cap. 10.48 e 19.5.
[14] cap. 8.6 e 19.6. Heb. 6.2.
[15] Mat. 10.8. II Reis 5.16.
[16] cap. 2.38 e 10.45 e 11.17.
[17] II Tim. 2.25.
[18] Heb. 12.15.
[19] Gen. 20.7, 17. Exo. 8.8. Num. 21.7. I Reis 13.6. Job 42.8. Thi. 5.16.
[20] Sof. 3.10.
[21] João 12.20.
[22] Isa. 53.7, 8.
[23] Luc. 24.27. cap. 18.28.
[24] cap. 10.47.
[25] Mat. 28.19. Mar. 16.16.
[26] Mat. 16.16. João 6.69 e 9.35, 38 e 11.27. cap. 9.20. I João 4.15 e 5.5, 13.
[27] I Reis 18.12. II Reis 2.16. Eze. 3.12, 14.
_A conversão de Saulo no caminho de Damasco._
Act. 21.1-16; 26.9-18.
[Anno Domini 35]
9 E Saulo, [1] respirando ainda ameaças e mortes contra os discipulos do Senhor, dirigiu-se ao summo sacerdote,
2 E pediu-lhe cartas para Damasco, para as synagogas, para que, se encontrasse alguns d’aquella seita, quer homens quer mulheres, _os_ conduzisse presos a Jerusalem.
3 E, indo [2] _já_ no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.
4 E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, [3] Saulo, porque me persegues?
5 E elle disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: [4] Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.
6 E elle, tremendo e attonito, disse: [5] Senhor, que queres que faça? E _disse_-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e _ali_ te será dito o que te convem fazer.
7 E [6] os varões, que iam com elle, pararam attonitos, ouvindo a voz, mas não vendo ninguem.
8 E Saulo levantou-se da terra, e, abrindo os olhos, não via a ninguem. E, guiando-o pela mão, o conduziram a Damasco.
9 E esteve tres dias sem vêr, e não comeu nem bebeu.
10 E havia em Damasco um certo discipulo [7] chamado Ananias; e disse-lhe o Senhor em visão: Ananias! E elle respondeu: Eis-me aqui, Senhor.
11 E _disse_-lhe o Senhor: Levanta-te, e vae á rua chamada Direita, e pergunta em casa de Judas por [8] um chamado Saulo, de Tarso; pois eis que elle ora;
12 E tem visto em visão que entrava um homem chamado Ananias, e punha sobre elle a mão, para que tornasse a vêr.
13 E respondeu Ananias: Senhor, a muitos ouvi ácerca d’este varão, quantos [9] males tem feito aos teus sanctos em Jerusalem;
14 E aqui tem poder dos principaes dos sacerdotes para prender a todos os que [10] invocam o teu nome.
15 Disse-lhe, porém, o Senhor: Vae, porque [11] este é para mim vaso escolhido, para levar o meu nome diante [12] dos gentios, [13] e dos reis e dos filhos d’Israel.
16 Porque [14] eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome.
17 E Ananias [15] foi, e entrou na casa, e, impondo-lhe [16] as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te appareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a [17] vêr e sejas cheio do Espirito Sancto.
18 E logo lhe cairam dos olhos como que umas escamas, e recebeu logo a vista; e, levantando-se, foi baptizado.
_O perseguidor é perseguido._
[Anno Domini 37]
19 E, tendo comido, ficou confortado. E esteve Saulo [18] alguns dias com os discipulos que estavam em Damasco.
20 E logo nas synagogas prégava a Jesus, [19] que este era o Filho de Deus.
21 E todos os que o ouviam estavam attonitos, e diziam: [20] Não é este aquelle que em Jerusalem assolava aos que invocavam esse nome, e para isso veiu aqui, para os levar presos aos principaes dos sacerdotes?
22 Porém Saulo [21] se esforçava muito mais, e confundia os judeos que habitavam em Damasco, provando que aquelle era o Christo.
23 E, tendo passado muitos dias, [22] os judeos tomaram conselho entre si para o matar.
24 Mas as suas ciladas vieram ao conhecimento de Saulo: e [23] elles guardavam as portas, tanto de dia como de noite, para poderem matal-o.
25 Porém, tomando-o de [24] noite os discipulos, o arriaram, dentro d’um cesto, pelo muro.
26 E, [25] quando Saulo chegou a Jerusalem, procurava ajuntar-se aos discipulos, porém todos se temiam d’elle, não crendo que fosse discipulo.
27 Mas [26] Barnabé, tomando-o comsigo, _o_ trouxe aos apostolos, e lhes contou como no caminho elle vira ao Senhor e lhe fallara, [27] e como em Damasco fallara ousadamente no nome de Jesus.
28 E [28] andava com elles em Jerusalem, entrando e saindo.
29 E fallou ousadamente no nome de Jesus. Fallava e disputava tambem contra os [29] gregos, [30] mas elles procuravam matal-o.
30 Sabendo-_o_, porém, os irmãos, o acompanharam até Cesarea, e o enviaram a Tarso.
31 Assim [31] pois, as egrejas em toda a Judea, e Galilea e Samaria tinham paz, e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e consolação do Espirito Sancto.
_Cura de Eneas; resurreição de Tabitha._
[Anno Domini 38]
32 E aconteceu [32] que, passando Pedro por todas as partes, veiu tambem aos sanctos que habitavam em Lydda.
33 E achou ali _um_ certo homem, chamado Eneas, jazendo n’uma cama havia oito annos, o qual era paralytico.
34 E disse-lhe Pedro: [33] Eneas, Jesus Christo te dá saude; levanta-te e faze a tua cama. E logo se levantou.
35 E viram-n’o todos os que habitavam em Lydda e [34] Sarona, os [35] quaes se converteram ao Senhor.
36 E havia em Joppe _uma_ certa discipula chamada Tabitha, que traduzido se diz [AIC] Dorcas. Esta estava cheia [36] de boas obras e esmolas que fazia.
37 E aconteceu n’aquelles dias, que, enfermando ella, morreu; e, tendo-a lavado, _a_ [37] depositaram n’um quarto alto.
38 E, como Lydda era perto de Joppe, ouvindo os discipulos que Pedro estava ali, lhe mandaram dois varões, rogando-lhe que não se demorasse em vir ter com elles.
39 E, levantando-se Pedro, foi com elles; e quando chegou o levaram ao quarto alto, e todas as viuvas o rodearam, chorando e mostrando as tunicas e vestidos que Dorcas fizera quando estava com ellas.
40 Porém Pedro, [38] fazendo-_as_ sair [39] a todas, poz-se de joelhos e orou: e, voltando-se para o corpo, [40] disse: Tabitha, levanta-te. E ella abriu os olhos, e, vendo a Pedro, assentou-se,
41 E elle dando-lhe a mão a levantou, e, chamando os sanctos e as viuvas, apresentou-_lh’a_ viva.
42 E foi _isto_ notorio por toda a Joppe, [41] e muitos crêram no Senhor.
43 E aconteceu que ficou muitos dias em Joppe, com um [42] _certo_ Simão curtidor.
[1] cap. 8.3. Gal. 1.13. I Tim. 1.13.
[2] cap. 22.6 e 26.12. I Cor. 15.8.
[3] Mat. 25.40, etc.
[4] cap. 5.39.
[5] Luc. 3.10. cap. 2.37 e 16.36.
[6] Dan. 10.7. cap. 22.9 e 26.13.