A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 168

Chapter 1684,457 wordsPublic domain

9 E, vindo o que te convidou a ti e a elle, te diga: Dá o logar e este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro logar.

10 Mas, quando fores [3] convidado, vae, e assenta-te no derradeiro logar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante dos que estiverem comtigo á mesa.

11 Porque qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, [4] e aquelle que a si mesmo se humilhar será exaltado.

12 E dizia tambem ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem visinhos ricos, para que não succeda que tambem elles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado.

13 Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, [5] aleijados, mancos _e_ cegos,

14 E serás bemaventurado; porquanto não teem com que t’o recompensar; porque recompensado te será na resurreição dos justos.

_Parabola da grande ceia._

Mat. 22.1-14 e refs.

15 E, ouvindo isto um dos que estavam com elle _á mesa_, disse-lhe: Bemaventurado [6] _aquelle_ que comer pão no reino de Deus.

16 Porém elle lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos.

17 E á hora da ceia [7] mandou o seu servo a dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado.

18 E todos á uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e importa ir vêl-o: rogo-te que me hajas por escusado.

19 E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou a experimental-os: rogo-te que me hajas por escusado.

20 E outro disse: Casei, e portanto não posso ir.

21 E, voltando aquelle servo, annunciou estas _coisas_ ao seu senhor. Então o pae de familia, indignado, disse ao seu servo: Sae depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos.

22 E disse o servo: Senhor, feito está como mandaste; e ainda ha logar.

23 E disse o senhor ao servo: Sae pelos caminhos e vallados, e força-_os_ a entrar para que a minha casa se encha.

24 Porque eu vos digo [8] que nenhum d’aquelles varões que foram convidados provará a minha ceia.

_Parabola ácerca da providencia._

25 Ora ia com elle uma grande multidão; e, voltando-se, disse-lhe:

26 Se alguem vier a mim, [9] e não aborrecer a seu pae, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda tambem a sua propria vida, não pode ser meu discipulo.

27 E qualquer que não levar a sua cruz, [10] e não vier após mim, não pode ser meu discipulo.

28 Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, [11] não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, _para ver_ se tem com que _a_ acabar?

29 Para que não aconteça que, depois de haver posto o alicerce, e não _a_ podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer d’elle,

30 Dizendo: Este homem começou a edificar e não poude acabar.

31 Ou qual é o rei que, indo á guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a consultar se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra elle com vinte mil?

32 D’outra maneira, estando o outro ainda longe, manda-_lhe_ embaixadores, e pede condições de paz.

33 Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discipulo.

34 Bom _é_ o sal; [12] porém, se o sal degenerar, com que se adubará?

35 Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-n’o fóra. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

[1] Mat. 12.10.

[2] Exo. 23.5. Deu. 22.4. cap. 13.15.

[3] Pro. 25.6, 7.

[4] Job 22.29. Psa. 18.27. Pro. 29.23. Mat. 23.12. cap. 18.14. Thi. 4.6. I Ped. 5.5.

[5] Neh. 8.10, 12.

[6] Apo. 19.9.

[7] Pro. 9.2, 5.

[8] Mat. 21.43 e 22.8. Act. 13.46.

[9] Deu. 13.6 e 33.9. Mat. 10.37. Rom. 9.13. Apo. 12.11.

[10] Mat. 16.24. Mar. 8.34. cap. 9.23. II Tim. 3.12.

[11] Pro. 24.27.

[12] Mat. 5.13. Mar. 9.50.

_Parabolas, da ovelha e da drachma perdidas._

15 E chegavam-se a [1] elle todos os publicanos e peccadores para o ouvir.

2 E os phariseos e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe peccadores, [2] e come com elles.

3 E elle lhes propoz esta parabola, dizendo:

4 Que homem d’entre [3] vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma d’ellas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vae após a perdida até que venha a achal-a?

5 E, achando-a, a põe sobre seus hombros, gostoso;

6 E, chegando a casa, convoca os amigos e visinhos, dizendo-lhes: Alegrae-vos comigo, porque _já_ achei a minha ovelha [4] perdida.

7 Digo-vos que assim haverá _mais_ alegria no céu sobre um peccador que se arrependa [5] do que sobre noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

8 Ou qual a mulher que, tendo dez drachmas, se perder uma drachma, não accende a candeia, e não varre a casa, e não busca com diligencia até _a_ achar?

9 E, achando-a, convoca as amigas e visinhas, dizendo: Alegrae-vos comigo, porque já achei a drachma perdida.

10 Assim vos digo que ha alegria diante dos anjos de Deus sobre um peccador que se arrepende.

_Parabola do filho prodigo._

11 E disse: _Um_ certo homem tinha dois filhos;

12 E o mais moço d’elles disse ao pae: Pae, dá-me a parte da fazenda que _me_ pertence. E elle lhes repartiu [6] a fazenda.

13 E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra _mui_ longe, e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente.

14 E, havendo elle _já_ gastado tudo, houve n’aquella terra uma grande fome, e começou a padecer necessidade.

15 E foi, e chegou-se a um dos cidadãos d’aquella terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar os porcos.

16 E desejava saciar o seu estomago com as [AHF] bolotas que os porcos comiam, e ninguem lhe dava nada.

17 E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pae teem abundancia de pão, e eu pereço de fome!

18 Levantar-me-hei, e irei ter com meu pae, e dir-lhe-hei: Pae, pequei contra o céu e perante ti;

19 Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.

20 E, levantando-se, foi para seu pae; e, quando [7] ainda estava longe, viu-o seu pae, e se moveu de intima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

21 E o filho lhe disse: Pae, pequei contra o céu [8] e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.

22 Mas o pae disse aos seus servos: Trazei depressa o vestido melhor, e vesti-lh’o, e ponde-lhe um annel na mão, e alparcas nos pés;

23 E trazei o bezerro cevado, e matae-_o_; e comamos, e alegremo-nos;

24 Porque [9] este meu filho era morto, e reviveu, tinha-se perdido, e é achado. E começaram a alegrar-se.

25 E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veiu, e chegou perto de casa, ouviu a musica e as danças.

26 E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquillo.

27 E elle lhe disse: Veiu teu irmão; e teu pae matou o bezerro cevado, porquanto o recuperou _são e_ salvo.

28 Indignou-se, porém, elle, e não queria entrar. E, saindo o pae, o rogava.

29 Mas, respondendo elle, disse ao pae: Eis que te sirvo _ha_ tantos annos, e nunca transgredi o teu mandamento, e nunca me déste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos;

30 Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.

31 E elle lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas _coisas_ são tuas;

32 Portanto era justo alegrarmo-_nos_ e folgarmos, [10] porque este teu irmão era morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.

[1] Mat. 9.10.

[2] Act. 11.3. Gal. 2.12.

[3] Mat. 18.12.

[4] I Ped. 2.10, 25.

[5] cap. 5.32.

[6] Mar. 12.44.

[7] Act. 2.39. Eph. 2.13, 17.

[8] Psa. 51.4.

[9] ver. 32. Eph. 2.1 e 5.14. Apo. 3.1.

[10] ver. 24.

_Parabola do mordomo infiel._

16 E dizia tambem aos seus discipulos: Havia um certo homem rico, o qual tinha um mordomo; e este foi accusado perante elle de dissipar os seus bens.

2 E elle, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás mais ser mordomo.

3 E o mordomo disse comsigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a mordomia? Cavar, não posso; de mendigar, tenho vergonha.

4 Eu sei o que hei-de fazer, para que, quando fôr desapossado da mordomia, me recebam em suas casas.

5 E, chamando a _si_ cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor?

6 E elle disse: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e, assentando-te já, escreve cincoenta.

7 Disse depois a outro: E tu quanto deves? E elle disse: Cem alqueires de trigo. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e escreve oitenta.

8 E louvou aquelle senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos d’este mundo são mais prudentes na sua geração [1] do que os filhos da luz.

9 E eu vos digo: [2] Grangeae amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando necessitardes, vos recebam nos tabernaculos eternos.

10 Quem [3] é fiel no minimo, tambem é fiel no muito; quem é injusto no minimo, tambem é injusto no muito.

11 Pois, se na riqueza injusta não fostes fieis, quem vos confiará a verdadeira?

12 E, se no alheio não fostes fieis, quem vos dará o que é vosso?

13 Nenhum [4] servo pode servir dois senhores; porque, ou ha de aborrecer um e amar o outro, ou se ha de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a [AHG] Mammon.

_A auctoridade da lei._

14 E os phariseos, [5] que eram avarentos, ouviam todas estas _coisas_, e zombavam d’elle.

15 E disse-lhes: Vós sois os que vos [6] justificaes a vós mesmos diante dos homens, [7] mas Deus conhece os vossos corações, porque, [8] o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.

16 A lei [9] e os prophetas _duraram_ até João: desde então é annunciado o reino de Deus, e todo o homem forceja por entrar n’elle.

17 E [10] é mais facil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.

18 Qualquer [11] que deixa sua mulher, e casa com outra, adultéra; e aquelle que casa com a repudiada pelo marido _tambem_ adultéra.

_A parabola do rico e Lazaro._

19 Ora, havia um homem rico, e vestia-se de purpura e de linho finissimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.

20 Havia tambem _um_ certo mendigo, chamado Lazaro, que jazia cheio de chagas á porta d’aquelle;

21 E desejava saciar-se com as migalhas que cahiam da mesa do rico; e até vinham os cães, e lambiam-lhe as chagas.

22 E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio d’Abrahão; e morreu tambem o rico, e foi sepultado.

23 E no inferno, erguendo os olhos, estando em tormentos, viu ao longe Abrahão, e Lazaro no seu seio.

24 E elle, clamando, disse: Pae Abrahão, tem misericordia de mim, e manda a Lazaro que molhe na agua a ponta do seu dedo e me [12] refresque a lingua, porque estou [13] atormentado n’esta chamma.

25 Disse, porém, Abrahão: Filho, lembra-te [14] de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lazaro sómente males; e agora este é consolado e tu atormentado;

26 E, além d’isso, está posto um grande abysmo entre nós e vós, de sorte que os que quizessem passar d’aqui para vós não poderiam, nem tão pouco os de lá passar para cá.

27 E disse elle: Rogo-te pois, ó pae, que o mandes a casa de meu pae,

28 Porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, afim de que não venham tambem para este logar de tormento.

29 Disse-lhe Abrahão: [15] Teem Moysés e os prophetas; ouçam-n’os.

30 E disse elle: Não, pae Abrahão; mas, se alguem dos mortos fosse ter com elles, arrepender-se-hiam.

31 Porém Abrahão lhe disse: Se não ouvem a Moysés e aos prophetas, [16] tão pouco acreditarão, ainda que algum dos mortos resuscite.

[1] João 12.36. Eph. 5.8. I The. 5.5.

[2] Dan. 4.27. Mat. 6.19 e 19.21. cap. 11.41. I Tim. 6.17, 18, 19.

[3] Mat. 25.21. cap. 19.17.

[4] Mat. 6.24.

[5] Mat. 23.14.

[6] cap. 10.29.

[7] Psa. 7.10.

[8] I Sam. 16.7.

[9] Mat. 4.17 e 11.12, 13. cap. 7.29.

[10] Psa. 102.26, 27. Isa. 40.8 e 51.6. Mat. 5.18. I Ped. 1.25.

[11] Mat. 5.32 e 19.9. Mar. 10.11. I Cor. 7.10, 11.

[12] Zac. 14.12.

[13] Isa. 66.24. Mar. 9.43, etc.

[14] Job 21.13. cap. 6.24.

[15] Isa. 8.20 e 34.16. João 5.39, 45. Act. 15.21 e 17.11.

[16] João 12.10, 11.

_Ácerca dos escandalos, do perdão, do poder da fé e dos servos inuteis._

17 E disse aos discipulos: [1] É impossivel que não venham escandalos, mas ai _d’aquelle_ por quem vierem!

2 Melhor lhe fôra que lhe pozessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que escandalizar um d’estes pequenos.

3 Olhae por vós mesmos. [2] E, se teu irmão peccar contra ti, reprehende-o, [3] e, se elle se arrepender, perdoa-lhe.

4 E, se peccar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia tornar a ti, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe.

5 Disseram então os apostolos ao Senhor: Accrescenta-nos a fé.

6 E disse o [4] Senhor: Se tivesseis fé como um grão de mostarda, dirieis a esta amoreira: Desarreiga-te d’aqui, e planta-te no mar; e vos obedeceria.

7 E qual de vós terá um servo lavrando ou apascentando, e, voltando elle do campo, _lhe_ diga: Chega-te, e assenta-te _á mesa_?

8 E não lhe diga antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, [5] e serve-me, até que tenha comido e bebido, e depois comerás e beberás tu?

9 Porventura dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi mandado? Creio que não.

10 Assim tambem vós, quando fizerdes tudo o que vos fôr mandado, dizei: Somos [6] servos inuteis, porque fizemos _sómente_ o que deviamos fazer.

_Cura de dez leprosos._

11 E aconteceu [7] que, indo elle a Jerusalem, passou pelo meio da Samaria e da Galilea;

12 E, entrando n’uma certa aldeia, sairam-lhe ao encontro dez homens leprosos, [8] os quaes pararam de longe;

13 E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericordia de nós.

14 E elle, vendo-os, [9] disse-lhes: Ide, e mostrae-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo elles, ficaram limpos.

15 E um d’elles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz;

16 E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças: e este era samaritano.

17 E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde _estão_ os nove?

18 Não houve quem voltasse a dar gloria a Deus senão este estrangeiro?

19 E disse-lhe: [10] Levanta-te, e vae; a tua fé te salvou.

_A vinda subita do reino de Deus._

20 E, interrogado pelos phariseos sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com [AHH] apparencia exterior.

21 Nem dirão: [11] Eil-o aqui, ou, Eil-o ali; porque eis que o reino de Deus está [12] entre vós.

22 E disse aos discipulos: [13] Dias virão em que desejareis vêr um dos dias do Filho do homem, e não _o_ vereis.

23 E dir-vos-hão: [14] Eil-o aqui, ou, Eil-o ali _está_; não vades, nem _os_ sigaes:

24 Porque, [15] como o relampago, fuzilando de uma _parte_ debaixo do céu, resplandece até á outra debaixo do céu, assim será tambem o Filho do homem no seu dia.

25 Mas [16] primeiro convem que elle padeça muito, e seja reprovado por esta geração.

26 E, [17] como aconteceu nos dias de Noé, assim será tambem nos dias do Filho do homem:

27 Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veiu o diluvio, e os consumiu a todos.

28 Como [18] tambem da mesma maneira aconteceu nos dias de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam _e_ edificavam.

29 Mas [19] no dia em que Lot saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos.

30 Assim será no dia em que o Filho do homem se ha [20] de manifestar.

31 N’aquelle dia, [21] quem _estiver_ no telhado, e as suas alfaias em casa, não desça a tomal-as; e, da mesma sorte, o que estiver no campo não volte para traz.

32 Lembrae-vos [22] da mulher de Lot.

33 Qualquer [23] que procurar salvar a sua vida perdel-a-ha, e qualquer que a perder salval-a-ha.

34 Digo-vos [24] que n’aquella noite estarão dois n’uma cama; um será tomado, e outro será deixado.

35 Duas estarão juntas, moendo; uma será tomada, e outra será deixada.

36 Dois estarão no campo; um será tomado, o outro será deixado.

37 E, respondendo, [25] disseram-lhe: Onde, Senhor? E elle lhes disse: Onde _estiver_ o corpo, ahi se ajuntarão as aguias.

[1] Mat. 18.6, 7. Mar. 9.42. I Cor. 11.19.

[2] Mat. 18.15, 21.

[3] Lev. 19.17. Pro. 17.10. Thi. 5.19.

[4] Mat. 17.20 e 21.21. Mar. 9.23 e 11.23.

[5] cap. 12.37.

[6] Job 22.3 e 35.7. Mat. 25.30. Rom. 3.12 e 11.35. I Cor. 9.16, 17. Phi. 11.

[7] Luc. 9.51, 52. João 4.4.

[8] Lev. 13.46.

[9] Lev. 13.2 e 14.2. Mat. 8.4. cap. 5.14.

[10] Mat. 9.22. Mar. 5.34 e 10.52. cap. 7.50 e 8.48 e 18.42.

[11] ver. 23.

[12] Rom. 14.17.

[13] Mat. 9.15. João 17.12.

[14] Mat. 24.23. Mar. 13.21. cap. 21.8.

[15] Mat. 24.27.

[16] Mar. 8.31 e 9.34 e 10.33. cap. 9.22.

[17] Gen. 7. Mat. 24.37.

[18] Gen. 19.

[19] Gen. 19.16, 24.

[20] II The. 1.7.

[21] Mat. 24.17. Mar. 13.15.

[22] Gen. 19.26.

[23] Mat. 10.39 e 16.25. Mar. 8.35. cap. 9.24. João 12.25.

[24] Mat. 24.40, 41. I The. 4.17.

[25] Job 39.30. Mat. 24.28.

_A parabola do juiz iniquo._

18 E disse-lhes tambem uma parabola _ácerca_ de que importa [1] orar sempre, e nunca desfallecer,

2 Dizendo: Havia n’uma cidade _um_ certo juiz, que nem a Deus temia nem respeitava ao homem.

3 Havia tambem n’aquella mesma cidade _uma_ certa viuva, e ia ter com elle, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversario.

4 E por algum tempo não quiz; mas depois disse entre si: Ainda que não temo a Deus, nem respeito ao homem,

5 Todavia, [2] como esta viuva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que emfim não venha, e me importune muito.

6 E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.

7 E Deus [3] não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a elle de dia e de noite, sendo [AHI] tardio para com elles?

8 Digo-vos [4] que depressa lhes fará justiça. Porém, quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?

_A parabola do phariseo e do publicano._

9 E disse tambem esta parabola a uns [5] que confiavam em si mesmos, que eram justos, e desprezavam aos outros:

10 Dois homens subiram ao templo, a orar; um phariseo, e o outro publicano.

11 O phariseo, [6] estando em pé, orava comsigo d’esta maneira. [7] Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos _e_ adulteros; nem ainda como este publicano.

12 Jejuo duas vezes na semana, _e_ dou os dizimos de tudo quanto possuo.

13 O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia em seu peito, dizendo: Ó Deus, tem misericordia de mim, peccador!

14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não [8] aquelle; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.

_Jesus abençoa os meninos._

Mat. 19.13-15 e refs.

15 E traziam-lhe [9] tambem meninos, para que elle os tocasse; e os discipulos, vendo _isto_, reprehendiam-n’os.

16 Mas Jesus, chamando para si os _meninos_, disse: Deixae vir a mim os meninos, e não os impeçaes, [10] porque de taes é o reino de Deus:

17 Em [11] verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará n’elle.

_O mancebo de qualidade._

Mat. 19.16-30.

18 E [12] perguntou-lhe _um_ certo principe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?

19 Jesus lhe disse: Porque me chamas bom? Ninguem ha bom, senão um, _que é_ Deus.

20 Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, [13] não furtarás, não darás falso testemunho, [14] honra a teu pae e tua mãe.

21 E disse elle: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade.

22 Porém Jesus, ouvindo isto, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa: [15] vende tudo quanto tens, reparte-_o_ entre os pobres, e terás _um_ thesouro no céu; vem, e segue-me.

23 E elle, ouvindo isto, ficou muito triste, porque era muito rico.

24 E, vendo Jesus que elle ficára muito triste, disse: [16] Quão difficilmente entrarão no reino de Deus os que teem riquezas!

25 Porque é mais facil entrar um camelo pelo fundo d’uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.

26 E os que ouviram _isto_ disseram: Logo quem pode salvar-se?

27 E elle disse: [17] As _coisas_ que são impossiveis aos homens são possiveis a Deus.

28 E disse Pedro: [18] Eis que nós deixámos tudo e te seguimos.

29 E elle lhes disse: Na verdade vos digo [19] que ninguem ha, que tenha deixado casa, ou paes, ou irmãos, ou mulher, ou filhos, pelo reino de Deus,

30 [20] E não haja de receber muito mais n’este tempo, e no seculo vindouro a vida eterna.

_Jesus annuncia a sua paixão._

Mat. 20.17-19 e refs.

31 [21] E, tomando comsigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalem, e se cumprirá no Filho do homem tudo o [22] que pelos prophetas _está_ escripto;

32 Porque [23] será entregue ás gentes, e escarnecido, injuriado e cuspido,

33 E, havendo-_o_ açoitado, o matarão; e ao terceiro dia resuscitará.

34 E [24] elles nada d’estas _coisas_ entendiam, e esta palavra lhes era encoberta; e não entendiam _o_ que se _lhes_ dizia.

_O cego de Jericó._

Mat. 20.29-34 e refs.

35 E aconteceu [25] que, chegando elle perto de Jericó, estava um cego assentado junto do caminho, mendigando:

36 E, ouvindo passar a multidão, perguntou que era aquillo:

37 E disseram-lhe que Jesus Nazareno passava.

38 Então clamou, dizendo: Jesus, Filho de David, tem misericordia de mim.

39 E os que iam passando reprehendiam-n’o para que se calasse; porém elle clamava ainda mais: Filho de David, tem misericordia de mim.

40 Então Jesus, parando, mandou que lh’o trouxessem; e, chegando elle, perguntou-lhe,

41 Dizendo: Que queres que te faça? E elle disse: Senhor, que eu veja.

42 E Jesus lhe disse: [26] Vê: a tua fé te salvou.

43 E logo viu, e seguia-o, [27] glorificando a Deus. E todo o povo, vendo _isto_, dava louvores a Deus.

[1] cap. 11.5 e 21.36. Rom. 12.12. Eph. 6.18. Col. 4.2. I The. 5.17.

[2] cap. 11.8.

[3] Apo. 6.10.

[4] Heb. 10.37. II Ped. 3.8, 9.

[5] cap. 10.29 e 16.15.

[6] Psa. 135.2.

[7] Isa. 1.15 e 58.2. Apo. 3.17.

[8] Job 22.29. Mat. 23.12. cap. 14.11. Thi. 4.6. I Ped. 5.5, 6.

[9] Mar. 10.13.

[10] I Cor. 14.20. I Ped. 2.2.

[11] Mar. 10.15.

[12] Mar. 10.17.

[13] Exo. 20.12, 16. Deu. 5.16, 20. Rom. 13.9.

[14] Eph. 6.2. Col. 3.20.

[15] Mat. 6.19, 20 e 19.21. I Tim. 6.19.

[16] Pro. 11.28. Mat. 19.23. Mar. 10.23.

[17] Jer. 32.17. Zac. 8.6. Mat. 19.26. cap. 1.37.

[18] Mat. 19.27.

[19] Deu. 33.9.

[20] Job 42.10.

[21] Mat. 16.21 e 17.22. Mar. 10.32.

[22] Psa. 21. Isa. 53.

[23] Mat. 27.2. cap. 23.1. João 18.28. Act. 3.13.

[24] Mar. 9.32. cap. 2.50 e 9.45. João 10.6 e 12.16.

[25] Mar. 10.46.

[26] cap. 17.19.

[27] cap. 5.26. Act. 4.21 e 11.18.

_Zaqueo o publicano._

19 E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando.

2 E eis que _havia ali_ um varão chamado Zaqueo; e este era um dos principaes dos publicanos, e era rico.

3 E procurava vêr quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, porque era de pequena estatura.

4 E, correndo adiante, subiu [AHJ] a uma figueira brava para o ver; porque havia de passar por ali.

5 E, quando Jesus chegou áquelle logar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueo, desce depressa, porque hoje me convem pousar em tua casa.

6 E, apressando-se, desceu, e recebeu-o gostoso.

7 E, vendo todos _isto_, murmuravam, dizendo [1] que entrara para ser hospede de um homem peccador.

8 E, levantando-se Zaqueo, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se n’alguma coisa [2] tenho defraudado alguem, [3] o restituo quadruplicado.

9 E disse-lhe Jesus: Hoje houve salvação n’esta casa, [4] porquanto tambem este [5] é filho de Abrahão:

10 Porque [6] o Filho do homem veiu buscar e salvar o que se havia perdido.

_Parabola dos dez servos e das dez minas._

Mat. 25.14-30.

11 E, ouvindo elles estas _coisas_, elle proseguiu, e disse uma parabola; porquanto estava perto de Jerusalem, [7] e cuidavam que logo se havia de manifestar o reino de Deus.

12 Disse [8] pois: _Um_ certo homem nobre partiu para uma terra remota, a tomar para si um reino e voltar depois.