A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 167
39 E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se tambem aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.
40 Porém Martha andava distrahida em muitos serviços, e, chegando, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe pois que me ajude.
41 E, respondendo Jesus, disse-lhe: Martha, Martha, andas cuidadosa e afadigada com muitas _coisas_,
42 Mas [34] uma só é necessaria; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.
[1] Mat. 10.1. Mar. 6.7.
[2] Mat. 9.37, 38. João 4.35. II The. 3.1.
[3] Mat. 10.16.
[4] Mat. 10.9, 10. Mar. 6.8. cap. 9.3. II Reis 4.29.
[5] Mat. 10.12.
[6] Mat. 10.11.
[7] I Cor. 10.27.
[8] Mat. 10.10. I Cor. 9.4, etc. I Tim. 5.18.
[9] cap. 9.2.
[10] Mat. 3.2 e 4.17 e 10.7. ver. 11.
[11] Mat. 10.14. cap. 9.5. Act. 13.51 e 18.6.
[12] Mat. 10.15. Mar. 6.11.
[13] Mat. 11.21.
[14] Eze. 3.6.
[15] Mat. 11.23. Gen. 11.4. Deu. 1.28. Isa. 14.13. Jer. 51.53. Eze. 26.20.
[16] Mat. 10.40. Mar. 9.37. João 13.20 e 5.23. I The. 4.8.
[17] ver. 1.
[18] João 12.31 e 16.11. Apo. 9.1 e 12.8, 9.
[19] Mar. 16.10. Act. 28.5.
[20] Exo. 32.32. Psa. 69.28. Isa. 4.3. Dan. 12.1. Phi. 4.3. Heb. 12.23. Apo. 13.8.
[21] Mat. 11.25.
[22] Mat. 28.18. João 3.35 e 5.27 e 17.2. João 1.18 e 6.44, 46.
[23] Mat. 13.16.
[24] I Ped. 1.10.
[25] Mat. 19.16 e 22.35.
[26] Deu. 6.5.
[27] Lev. 19.18.
[28] Lev. 18.5. Neh. 9.29. Eze. 20.11, 13, 21. Rom. 10.5.
[29] cap. 16.15.
[30] Psa. 38.11.
[31] João 4.9.
[32] João 11.1 e 12.2, 3.
[33] I Cor. 7.32, etc. cap. 8.35. Act. 22.3.
[34] Psa. 27.4.
_A oração dominical._
Mat. 6.9-15 e refs.
[Anno Domini 33]
11 E aconteceu que, estando elle a orar n’um certo logar, quando acabou lhe disse um dos seus discipulos: Senhor, ensina-nos a orar, como tambem João ensinou aos seus discipulos.
2 E elle lhes disse: Quando orardes, dizei: Pae nosso, que _estás_ nos céus, sanctificado seja o teu nome: venha o teu reino: seja feita a tua vontade, _assim_ na terra como no céu;
3 Dá-nos cada dia o nosso pão quotidiano.
4 E perdoa-nos os nossos peccados, pois tambem nós perdoamos a qualquer que nos deve; e não nos mettas em tentação, mas livra-nos do mal.
_Parabola do amigo importuno._
5 Disse-lhes tambem: Qual de vós terá um amigo, e, se for procural-o á meia noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me tres pães,
6 Porquanto _um_ amigo meu chegou a minha casa, _vindo_ de caminho, e não tenho que apresentar-lhe;
7 Elle, respondendo de dentro, diga: Não me importunes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama: não posso levantar-me para _t’os_ dar?
8 Digo-vos que, ainda que se não levante a dar-lh’_os_, [1] por ser seu amigo, levantar-se-ha, todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará tudo o que houver mister.
9 E eu digo-vos, a vós: [2] Pedi, e dar-se-vos-ha: buscae, e achareis: batei, e abrir-se-vos-ha;
10 Porque qualquer que pede recebe; e quem busca, acha; e a quem bate abrir-se-lhe-ha.
11 E qual o pae [3] d’entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou tambem, _se lhe pedir_ peixe, lhe dará por peixe uma serpente?
12 Ou tambem, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
13 Pois se vós, sendo máus, sabeis dar boas dadivas aos vossos filhos, quanto mais dará _o nosso_ Pae celestial o Espirito Sancto áquelles que lh’o pedirem?
_A blasphemia dos phariseos._
Mat. 12.22-32 e refs.
14 E estava expulsando um demonio, o qual era mudo. E aconteceu que, saindo o demonio, o mudo fallou; e maravilhou-se a multidão.
15 Porém alguns d’elles diziam: [4] Elle expulsa os demonios por Beelzebú, principe dos demonios.
16 E outros, tentando-_o_, pediam-lhe [5] um signal do céu.
17 Mas, conhecendo elle os seus pensamentos, [6] disse-lhes: Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado; e a casa, _dividida_ contra si mesma, cairá.
18 E, se tambem Satanaz está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que eu expulso os demonios por Beelzebú;
19 E, se eu expulso os demonios por Beelzebú, [7] por quem _os_ expulsam os vossos filhos? Elles pois serão os vossos juizes.
20 Mas, se eu expulso os demonios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus.
21 Quando o _homem_ [8] valente guarda armado a sua casa, em segurança está tudo quanto tem.
22 Mas, sobrevindo [9] outro mais valente do que elle, e vencendo-o, tira-_lhe_ toda a sua armadura em que confiava, e reparte os seus despojos.
23 Quem não é comigo [10] é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.
24 Quando o espirito [11] immundo tem saido do homem, anda por logares seccos, buscando repouso; e, não o achando, diz: Tornarei para minha casa, d’onde sahi.
25 E, chegando, acha-_a_ varrida e adornada.
26 Então vae, e leva comsigo outros sete espiritos peiores do que elle, e, entrando, habitam ali: e o ultimo estado d’esse homem é [12] peior do que o primeiro.
27 E aconteceu que, dizendo elle estas _coisas_, uma mulher d’entre a multidão, levantando a voz, lhe disse: [13] Bemaventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste.
28 Mas elle disse: [14] Antes bemaventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.
_O signal do propheta Jonas._
Mat. 12.38-42 e refs.
29 E, ajuntando-se a multidão, começou a dizer: Maligna é esta geração: ella pede um signal; e não lhe será dado outro signal, senão o signal do propheta Jonas:
30 Porque, assim como [15] Jonas foi signal para os ninivitas, assim o Filho do homem _o_ será tambem para esta geração.
31 A rainha do [16] sul se levantará no juizo com os homens d’esta geração, e os condemnará; pois até dos confins da terra veiu ouvir a sabedoria de Salomão; e eis aqui está quem é maior do que Salomão.
32 Os homens de Ninive se levantarão no juizo com esta geração, e a condemnarão; [17] pois se converteram com a prégação de Jonas, e eis aqui está quem é maior do que Jonas.
_A candeia do corpo._
33 E ninguem, [18] accendendo a candeia, a põe em _logar_ occulto, nem debaixo do alqueire; porém no velador, para que os que entrarem vejam a luz.
34 A candeia [19] do corpo é o olho. Sendo pois o teu olho simples, tambem todo o teu corpo será luminoso, mas, se fôr mau, tambem o teu corpo será tenebroso.
35 Vê pois que a tua luz que em ti ha não sejam trevas.
36 Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo em trevas parte alguma, todo será luminoso, como quando a candeia te allumia com o seu resplendor.
_Jesus censura os phariseos e os escribas._
Mat. 23.1, etc. e refs.
37 E, estando elle _ainda_ fallando, rogou-lhe um phariseo que fosse jantar com elle; e, entrando, assentou-se _á mesa_.
38 Mas o phariseo [20] admirou-se, vendo que se não lavara antes de jantar.
39 E o Senhor lhe disse; [21] Vós, os phariseos, limpaes agora o exterior do copo e do prato; porém o vosso [22] interior está cheio de rapina e maldade.
40 Loucos! o que fez o exterior, não fez tambem o interior?
41 Antes dae [23] esmola do que tiverdes, e eis que tudo vos será limpo.
42 Mas ai de vós, [24] phariseos, que dizimaes a hortelã, e a arruda, e toda a hortaliça, e desprezaes o juizo e amor de Deus. Importava fazer estas coisas, e não deixar as outras.
43 Ai de vós, phariseos, [25] que amaes os primeiros assentos nas synagogas, e as saudações nas praças.
44 Ai de vós, [26] escribas e phariseos hypocritas, que sois como as sepulturas que não apparecem, e os homens que sobre _ellas_ andam não _o_ sabem.
45 E, respondendo um dos doutores da lei, disse-lhe: Mestre, quando dizes isto, tambem nos affrontas a nós.
46 Porém elle disse: Ai de vós tambem, doutores da lei, [27] que carregaes os homens com cargas difficeis de transportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocaes nas _ditas_ cargas.
47 Ai de vós [28] que edificaes os sepulchros dos prophetas, e vossos paes os mataram.
48 Bem testificaes, pois, que consentis nas obras de vossos paes; porque elles os mataram, e vós edificaes os seus sepulchros.
49 Portanto diz tambem a sabedoria de Deus: [29] Prophetas e apostolos lhes mandarei; e elles matarão _uns_, e perseguirão _outros_;
50 Para que d’esta geração seja requerido o sangue de todos os prophetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado,
51 Desde o sangue [30] de Abel, até ao sangue de Zacharias, que foi morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, será requerido d’esta geração.
52 Ai de vós, doutores [31] da lei, que tirastes a chave da sciencia; vós mesmos não entrastes, e impedistes os que entravam.
53 E, dizendo-lhes estas _coisas_, os escribas e os phariseos começaram a apertal-_o_ fortemente, e a fazel-o fallar ácerca de muitas _coisas_,
54 Armando-lhe ciladas, a fim [32] de apanharem da sua bocca alguma coisa para o accusarem.
[1] cap. 18.1, etc.
[2] Mat. 7.7 e 21.22. Mar. 11.24. João 15.7. Thi. 1.6. I João 3.22.
[3] Mat. 7.9.
[4] Mat. 9.34 e 12.24.
[5] Mat. 12.38 e 16.1.
[6] Mat. 12.35. Mar. 3.24. João 2.25.
[7] Exo. 8.19.
[8] Mar. 3.27.
[9] Isa. 53.12. Col. 2.15.
[10] Mat. 12.30.
[11] Mat. 12.43.
[12] João 5.14. Heb. 6.4 e 10.26. II Ped. 2.20.
[13] cap. 1.28, 48.
[14] Mat. 7.21. cap. 8.21. Thi. 1.25.
[15] Jon. 2.1, 11.
[16] I Reis 10.1.
[17] Jon. 3.5.
[18] Mat. 5.15. Mar. 4.21. cap. 8.16.
[19] Mat. 6.22.
[20] Mar. 7.3.
[21] Mat. 23.25.
[22] Tito 1.15.
[23] Isa. 58.7. Dan. 4.24. cap. 12.33.
[24] Mat. 23.23.
[25] Mat. 23.6. Mar. 12.38, 39.
[26] Mat. 23.27. Psa. 6.10.
[27] Mat. 23.4.
[28] Mat. 23.29.
[29] Mat. 23.34.
[30] Gen. 4.8. II Chr. 24.20, 21.
[31] Mat. 23.13.
[32] Mar. 12.13.
12 Ajuntando-se [1] entretanto muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropellavam uns aos outros, começou a dizer aos seus discipulos: [2] Acautelae-vos primeiramente do fermento dos phariseos, que é a hypocrisia.
2 Mas nada [3] ha encoberto que não haja de ser descoberto; nem occulto, que não haja de ser sabido.
3 Porquanto tudo o que em trevas dissestes á luz será ouvido; e o que fallastes ao ouvido no gabinete sobre os telhados será apregoado.
_Não devemos temer os homens._
Mat. 10.28-33 e refs.
4 E digo-vos, [4] amigos meus; Não temaes os que matam o corpo, e depois não teem mais que fazer.
5 Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquelle que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei.
6 Não se vendem cinco passarinhos por dois ceitis? E nenhum d’elles está esquecido diante de Deus.
7 E até os cabellos da vossa cabeça estão todos contados. Não temaes pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos.
8 E digo-vos [5] que todo aquelle que me confessar diante dos homens, tambem o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus.
9 Mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus.
10 E a todo [6] aquelle que disser _uma_ palavra contra o Filho do homem ser-lhe-ha perdoada, mas ao que blasphemar contra o Espirito Sancto não lhe será perdoado.
11 E, quando [7] vos conduzirem ás synagogas, aos magistrados e potestades, não estejaes solicitos de como ou do que haveis de responder nem do que haveis de fallar.
12 Porque na mesma hora vos ensinará o Espirito Sancto o que vos convenha fallar.
_A parabola do rico louco._
13 E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança.
14 Mas elle lhe disse: Homem, [8] quem me poz a mim por juiz ou repartidor entre vós?
15 E disse-lhes: [9] Acautelae-vos e guardae-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundancia dos _bens_ que possue.
16 E propoz-lhes uma parabola, dizendo: A herdade d’um homem rico tinha produzido com abundancia;
17 E arrazoava elle entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus fructos.
18 E disse: Farei isto: Derribarei os meus celleiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens;
19 E direi á minha [10] alma: Alma, tens em deposito muitos bens para muitos annos: descança, come, bebe, _e_ folga.
20 Porém Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a [11] tua alma; e o que tens preparado para quem será?
21 Assim _é_ o que para si ajunta thesouros, e não [12] é rico para com Deus.
_Solicitude pela nossa vida._
Mat. 6.25-34 e refs.
22 E disse aos seus discipulos: Portanto vos digo: Não estejaes solicitos pela vossa vida, no que comereis, nem pelo corpo, no que vestireis.
23 Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que o vestido.
24 Considerae os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem teem dispensa nem celleiro, e Deus [13] os alimenta: quanto mais valeis vós do que as aves?
25 E qual de vós, sendo solicito, pode accrescentar um covado á sua estatura?
26 Pois, se nem ainda podeis _fazer_ as coisas minimas, porque estaes solicitos pelo mais?
27 Considerae os lirios, como elles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua gloria, se vestiu como um d’elles.
28 E, se Deus assim veste a herva que hoje está no campo, e ámanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, _homens_ de pouca fé?
29 Vós pois não pergunteis que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos.
30 Porque as gentes do mundo buscam todas essas _coisas_; mas vosso Pae sabe que haveis mister d’ellas.
31 Buscae antes [14] o reino de Deus, e todas estas _coisas_ vos serão accrescentadas.
32 Não temas, [15] ó pequeno rebanho, porque a vosso Pae agradou dar-vos o reino.
33 Vendei o que tendes, e [16] dae esmola. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; thesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão, e a traça não roe.
34 Porque, onde estiver o vosso thesouro, ali estará tambem o vosso coração.
_Parabola do servo vigilante._
Mat. 24.45-51.
35 Estejam cingidos os [17] vossos lombos, e accesas as vossas candeias.
36 E sêde vós similhantes aos homens que esperam a seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe.
37 Bemaventurados aquelles servos, os [18] quaes, quando o Senhor vier, os achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar _á mesa_, e, chegando-se, os servirá.
38 E, se vier na segunda vigilia, e se vier na terceira vigilia, e _os_ achar assim, bemaventurados são os taes servos.
39 Sabei, porém, isto, [19] que, se o pae de familia soubesse a que hora, havia de vir o ladrão, vigiaria, e não deixaria minar a sua casa.
40 Portanto, estae vós tambem [20] apercebidos; porque virá o Filho do homem a hora que não imaginaes.
41 E disse-lhe Pedro: Senhor, dizes essa parabola a nós, ou tambem a todos?
42 E disse o Senhor: [21] Qual é pois o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor poz sobre os seus servos, para _lhes_ dar a tempo a ração?
43 Bemaventurado aquelle servo, o qual o senhor, [22] quando vier, achar fazendo assim.
44 Em verdade vos digo que sobre todos os seus bens o porá.
45 Mas, se aquelle servo disser em seu coração: O meu senhor tarda em vir; e começar a espancar os creados e creadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se,
46 Virá o senhor d’aquelle servo no dia em que _o_ não espera, e n’uma hora que elle não sabe, e separal-o-ha, e porá a sua parte com os infieis.
47 E o servo [23] que soube a vontade do seu senhor, e não _se_ apercebeu, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites;
48 Mas o [24] que _a_ não soube, e fez _coisas_ dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito fôr dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou muito mais se lhe pedirá.
_Jesus traz fogo e dissensão á terra._
49 Vim lançar fogo na terra; [25] e que quero, se já está acceso?
50 Importa, porém, que seja baptizado com um baptismo; [26] e como me angustio até que venha a cumprir-se!
51 Cuidaes [27] vós que vim dar paz á terra? Não, vos digo, mas antes dissensão;
52 Porque d’aqui em [28] diante estarão cinco divididos n’uma casa: tres contra dois, e dois contra tres:
53 O pae estará dividido contra o filho, e o filho contra o pae; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, e a nora contra sua sogra.
_Os signaes dos tempos._
54 E dizia tambem á multidão: [29] Quando vêdes a nuvem que vem do occidente, logo dizeis: Lá vem chuva, e assim succede.
55 E, quando assopra o sul, dizeis: Haverá calma; e _assim_ succede.
56 Hypocritas, sabeis distinguir a face da terra e do céu, e como não distinguis este tempo?
57 E porque não julgaes tambem por vós mesmos o que é justo?
58 Quando [30] pois vaes com o teu adversario ao magistrado, procura livrar-te d’elle no caminho; para que não succeda que te conduza ao juiz, e o juiz te entregue ao meirinho, e o meirinho te encerre na prisão.
59 Digo-te que não sairás d’ali emquanto não pagares o derradeiro ceitil.
[1] Mat. 16.6. Mar. 8.15.
[2] Mat. 16.12.
[3] Mat. 10.26. Mar. 4.22. cap. 8.17.
[4] Isa. 51.7, 8, 12, 13. Jer. 1.8. João 15.14, 15.
[5] Mat. 10.32. Mar. 8.38. II Tim. 2.12. I João 2.23.
[6] Mat. 12.31, 32. Mar. 3.28. I João 5.16.
[7] Mat. 10.19. Mar. 13.11. cap. 21.14.
[8] João 18.36.
[9] I Tim. 6.7, etc.
[10] Ecc. 11.9. I Cor. 15.32. Thi. 5.5.
[11] Job 20.22 e 27.8. Psa. 52.5. Thi. 4.14. Psa. 39.6. Jer. 17.11.
[12] Mat. 6.20. ver. 33. I Tim. 6.18, 19. Thi. 2.5.
[13] Job 38.41. Psa. 147.9.
[14] Mat. 6.33.
[15] Mat. 11.25, 26.
[16] Mat. 19.21 e 6.20. Act. 2.45 e 4.34. cap. 16.9. I Tim. 6.19.
[17] Eph. 6.14. I Ped. 1.13. Mat. 25.1, etc.
[18] Mat. 24.46.
[19] Mat. 24.43. I The. 5.2. II Ped. 3.10. Apo. 3.3 e 16.15.
[20] Mat. 24.44 e 25.13. Mar. 13.33. cap. 21.34, 36. I The. 5.6. II Ped. 3.12.
[21] Mat. 24.45 e 25.21. I Cor. 4.2.
[22] Mat. 24.47, 48.
[23] Num. 15.30. Deu. 25.2. João 9.41 e 15.22. Act. 17.30. Thi. 4.17.
[24] Lev. 5.17. I Tim. 1.13.
[25] ver. 51.
[26] Mat. 20.22. Mar. 10.38.
[27] Mat. 10.34. ver. 49. Miq. 7.6. João 7.43 e 9.16 e 10.19.
[28] Mat. 10.35.
[29] Mat. 16.2.
[30] Pro. 25.8. Mat. 5.25. Psa. 32.6. Isa. 50.6.
_A mortandade dos galileos e a queda da torre em Siloé._
13 E n’aquelle mesmo tempo estavam presentes ali alguns que lhe fallavam dos galileos cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrificios.
2 E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidaes vós que esses galileos foram mais peccadores do que todos os _outros_ galileos, por terem assim padecido?
3 Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de egual modo perecereis.
4 Ou aquelles dezoito, sobre os quaes caiu a torre em Siloé e os matou, cuidaes que foram mais [AHE] culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalem?
5 Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de egual modo perecereis.
_A parabola da figueira esteril._
6 E dizia esta parabola: Um [1] certo _homem_ tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi buscar n’ella _algum_ fructo, e não _o_ achou;
7 E disse ao vinhateiro: Eis que ha tres annos venho buscar fructo a esta figueira, e não _o_ acho; corta-a; porque occupa ainda a terra inutilmente?
8 E, respondendo elle, disse-lhe: Senhor, deixa-a este anno, até que eu a escave e a esterque;
9 E, se der fructo, _ficará_, e, se não, depois a mandarás cortar.
_Cura d’uma mulher paralytica._
10 E ensinava no sabbado, n’uma das synagogas.
11 E eis que estava ali uma mulher que tinha _um_ espirito de enfermidade, _havia_ já dezoito annos; e andava encurvada, e não podia de modo algum endireitar-se.
12 E, vendo-a Jesus, chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade.
13 E poz as mãos sobre ella, [2] e logo se endireitou, e glorificava a Deus.
14 E, tomando a palavra o principe da synagoga, indignado porque Jesus curava no sabbado, disse á multidão: [3] Seis dias ha em que é mister trabalhar: n’estes pois vinde para serdes curados, [4] e não no dia de sabbado.
15 Respondeu-lhe, porém, o Senhor e disse: Hypocrita, [5] no sabbado não desprende da mangedoura cada um de vós o seu boi ou jumento e não o leva a beber?
16 E não convinha soltar d’esta prisão, no dia de sabbado, a esta filha [6] de Abrahão, a qual _ha_ dezoito annos Satanaz tinha presa?
17 E, dizendo elle estas _coisas_, todos os seus adversarios se confundiam, e todo o povo se alegrava por todas as _coisas_ gloriosas que eram feitas por elle.
_Parabolas, do grão de mostarda e do fermento._
Mat. 13.31-33 e refs.
18 E dizia: [7] A que é similhante o reino de Deus, e a que o compararei?
19 É similhante ao grão de mostarda que um homem, tomando-o, lançou na sua horta; e cresceu, e fez-se grande arvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu.
20 E disse outra vez: A que compararei o reino de Deus?
21 É similhante ao fermento que uma mulher, tomando-o, escondeu em tres medidas de farinha, até que tudo levedou.
_A porta estreita._
22 E percorria as cidades [8] e as aldeias, ensinando, e caminhando para Jerusalem.
23 E disse-lhe um: Senhor, são poucos os que se salvam? E elle lhe disse:
24 Porfiae por entrar pela porta estreita; [9] porque eu vos digo _que_ muitos procurarão entrar e não poderão.
25 Quando o pae de familia se levantar e cerrar a porta, [10] e começardes a estar de fóra, e a bater á porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos; e, respondendo elle, vos disser: Não sei d’onde vós sois;
26 Então começareis a dizer: Temos comido e bebido na tua presença, e tens ensinado nas nossas ruas.
27 E elle dirá: [11] Digo-vos que não sei d’onde vós sois; [12] apartae-vos de mim, vós todos os que obraes iniquidade.
28 Ali haverá choro e ranger de dentes, [13] quando virdes Abrahão e Isaac, e Jacob, e todos os prophetas, no reino de Deus, e vós lançados fóra.
29 E virão do oriente, e do occidente, e do norte, e do sul, e assentar-se-hão _á mesa_ no reino de Deus.
30 E eis que derradeiros ha [14] que serão os primeiros; e primeiros ha que serão os derradeiros.
_Jesus é avisado do odio de Herodes._
31 N’aquelle mesmo dia chegaram uns phariseos, dizendo-lhe: Sae, e retira-te d’aqui, porque Herodes quer matar-te.
32 E disse-lhes: Ide, e dizei áquella raposa: Eis que eu expulso demonios, e effectuo curas, hoje e ámanhã, e no terceiro dia sou [15] consummado.
33 Importa, porém, caminhar hoje, ámanhã, e no _dia_ seguinte, para que não succeda que morra um propheta fóra de Jerusalem.
34 Jerusalem, [16] Jerusalem, que matas os prophetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quiz eu ajuntar os teus filhos, como a gallinha os seus pintos debaixo das _suas_ azas, e não quizeste?
35 Eis que a vossa casa se vos deixará [17] deserta. E em verdade vos digo que não me vereis até que venha _o tempo_ em que digaes: Bemdito aquelle que vem em nome do Senhor.
[1] Isa. 5.2. Mat. 21.19.
[2] Mar. 16.18. Act. 9.8.
[3] Exo. 20.9.
[4] Mat. 12.10. Mar. 3.2. cap. 6.7 e 14.3.
[5] cap. 14.5.
[6] cap. 19.9.
[7] Mar. 4.30.
[8] Mat. 9.34. Mar. 6.6.
[9] Mat. 7.13. João 7.34 e 8.21 e 13.33. Rom. 9.31.
[10] Psa. 32.6. Isa. 55.6. Mat. 25.10. cap. 6.46. Mat. 7.23 e 25.12.
[11] Mat. 7.23 e 25.41. ver. 25.
[12] Psa. 6.9. Mat. 25.41.
[13] Mat. 8.12 e 13.42 e 24.51 e 8.11.
[14] Mat. 19.30 e 20.16. Mar. 10.31.
[15] Heb. 2.10.
[16] Mat. 23.37.
[17] Lev. 26.31, 32. Psa. 69.25. Isa. 1.7. Dan. 9.27. Miq. 3.12. Psa. 118.26. Mat. 21.9. Mar. 11.10. cap. 19.38. João 12.13.
_Cura d’um hydropico._
14 Aconteceu n’um sabbado que, entrando elle em casa de um dos principaes dos phariseos para comer pão, elles o estavam espiando.
2 E eis que estava ali adiante d’elle _um_ certo homem hydropico.
3 E, Jesus, tomando a palavra, fallou aos doutores da lei, e aos phariseos, dizendo: [1] É licito curar no sabbado?
4 Elles, porém, calaram-se. E, tomando-_o_, elle o curou e despediu.
5 E, respondendo-lhes, disse: [2] Qual será de vós o que, caindo-lhe n’um poço, em dia de sabbado, o jumento ou o boi, o não tire logo?
6 E nada lhe podiam replicar a estas _coisas_.
_Parabola dos primeiros assentos e dos convidados._
7 E disse aos convidados uma parabola, reparando como escolhiam os primeiros assentos, dizendo-lhes:
8 Quando por alguem fôres convidado ás bodas, não te assentes no primeiro logar, não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu;