A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 166

Chapter 1664,360 wordsPublic domain

39 E, quando _isto_ viu o phariseo que o tinha convidado, fallava comsigo, dizendo: [14] Se este fôra propheta, bem saberia quem e qual _é_ a mulher que o tocou, porque é peccadora.

40 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E elle disse: Dize-a, Mestre.

41 Um certo crédor tinha dois devedores; um devia-_lhe_ quinhentos dinheiros, e outro cincoenta.

42 E, não tendo elles com que pagar, perdoou-lhes a ambos _a divida_. Dize pois qual d’elles o amará mais?

43 E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquelle a quem mais perdoou. E elle lhe disse: Julgaste bem.

44 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me déste agua para os pés; mas esta regou-me os pés com lagrimas, e m’os enxugou com os seus cabellos.

45 Não me déste osculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés.

46 Não me ungiste [15] a cabeça com oleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento.

47 Por isso te digo [16] que os seus muitos peccados _lhe_ são perdoados, porque muito amou; mas aquelle a quem pouco se perdoa pouco ama.

48 E disse-lhe a ella: [17] Os teus peccados _te_ são perdoados.

49 E os que estavam _á mesa_ começaram [18] a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa peccados?

50 E disse á mulher: [19] A tua fé te salvou: vae-te em paz.

[1] cap. 8.54. João 11.43. Act. 9.40. Rom. 4.17.

[2] cap. 1.65, 68 e 24.19. João 4.19 e 6.14 e 9.17.

[3] Mat. 11.4.

[4] Isa. 35.5.

[5] cap. 4.18.

[6] Mat. 11.7.

[7] Mal. 3.1.

[8] Mat. 3.5. cap. 3.12.

[9] Act. 20.27.

[10] Mat. 11.16.

[11] Mat. 3.4. Mar. 1.6. cap. 1.15.

[12] Mat. 11.19.

[13] Mat. 26.6. Mar. 14.3. João 11.2.

[14] cap. 15.2.

[15] Psa. 23.5.

[16] I Tim. 1.14.

[17] Mat. 9.2. Mar. 2.5.

[18] Mat. 9.3. Mar. 2.7.

[19] Mar. 5.34 e 10.52. cap. 8.48 e 18.42.

_As mulheres que serviam a Jesus com os seus bens._

8 E aconteceu, depois d’isto, que andava de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, prégando e annunciando o evangelho do reino de Deus: e os doze _andavam_ com elle,

2 E [1] _tambem_ algumas mulheres que haviam sido curadas de espiritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Magdalena, [2] da qual sairam sete demonios,

3 E Joanna, mulher de Chuza, procurador d’Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com suas fazendas.

_A parabola do semeador._

Mat. 13.1-23 e refs.

4 E, [3] ajuntando-se uma grande multidão, e vindo ter com elle de todas as cidades, disse por parabola:

5 Um semeador saiu a semear a sua semente, e, quando semeava, caiu uma _parte_ junto do caminho, e foi pisada, e as aves do céu a comeram;

6 E outra _parte_ caiu sobre pedra, e, nascida, seccou-se, porquanto não tinha humidade;

7 E outra _parte_ caiu entre espinhos, e, nascidos com ella os espinhos, a suffocaram;

8 E outra _parte_ caiu em boa terra, e, nascida, produziu fructo, cento por um. Dizendo elle estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

9 E [4] os seus discipulos o interrogaram, dizendo: Que parabola é esta?

10 E elle disse: A vós é dado conhecer os mysterios do reino de Deus, mas aos outros por parabolas, [5] para que, vendo, não vejam, e, ouvindo, não entendam.

11 [6] Esta é pois a parabola: A semente é a palavra de Deus;

12 E os que _estão_ junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que se não salvem, crendo;

13 E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas estes não teem raiz, pois crêem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam;

14 E a que caiu entre espinhos, estes são os que ouviram, e, indo por diante, se suffocam com os cuidados, e riquezas e deleites da vida, e não dão fructo com perfeição;

15 E a que caiu em boa terra, estes são os que, ouvindo a palavra, a conservam n’um coração honesto e bom, e dão fructo [AHB] em perseverança.

_A parabola da candeia._

Mar. 4.21-25 e refs.

16 E ninguem, [7] accendendo uma candeia, a cobre com algum vaso, ou _a_ põe debaixo da cama; porém põe-n’a no velador, para que os que entram vejam a luz.

17 Porque não ha coisa [8] occulta que não haja de manifestar-se, nem _coisa_ escondida que não haja de saber-se e vir á luz.

18 Vêde pois como ouvis; [9] porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece que tem lhe será tirado.

_A familia de Jesus._

Mat. 12.46-50 e refs.

19 E foram ter [10] com elle sua mãe e _seus_ irmãos, e não podiam chegar a elle, por causa da multidão.

20 E foi-lhe annunciado _por alguns_, dizendo: Estão _lá_ fóra tua mãe e teus irmãos, que querem ver-te.

21 Porém, respondendo elle, disse-lhes: Minha mãe e meus irmãos são aquelles que ouvem a palavra de Deus e a executam.

_Jesus apazigua a tempestade._

Mat. 8.25-27 e refs.

22 E aconteceu [11] que, n’um d’aquelles dias, entrou n’um barco, e _com elle_ os seus discipulos, e disse-lhes: Passemos para a outra banda do lago. E partiram.

23 E, navegando elles, adormeceu; e sobreveiu uma tempestade de vento no lago, e enchiam-se _d’agua_, e perigavam.

24 E, chegando-se a elle, o despertaram, dizendo: Mestre, Mestre, perecemos. E elle, levantando-se, reprehendeu o vento e as ondas d’agua; e cessaram, e fez-se bonança.

25 E disse-lhes: Onde está a vossa fé? E elles, temendo, maravilharam-se, dizendo uns aos outros: Quem é este, que até aos ventos e á agua manda, e lhe obedecem?

_O endemoninhado gadareno._

Mat. 8.28-34 e refs.

26 E navegaram para [12] a terra dos gadarenos, que está defronte da Galilea.

27 E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, _vindo_ da cidade, um homem que desde muito tempo era possesso de demonios, e não andava vestido, e não habitava em casa, mas nos sepulchros.

28 E, vendo a Jesus, prostrou-se diante d’elle, exclamando, e dizendo com grande voz: Que tenho eu comtigo, Jesus, Filho do Deus Altissimo? Peço-te que não me atormentes.

29 Porque mandava ao espirito immundo que saisse d’aquelle homem; porque já havia muito tempo que o arrebatava. E guardavam-n’o preso com grilhões e cadeias; mas, quebrando as prisões, era impellido pelo demonio para os desertos.

30 E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E elle disse: Legião; porque tinham entrado n’elle muitos demonios.

31 E rogavam-lhe que os não mandasse ir [13] para o abysmo.

32 E andava ali pastando no monte uma manada de muitos porcos; e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar n’elles; e concedeu-lh’o.

33 E, tendo saido os demonios do homem, entraram nos porcos, e a manada arrojou-se de um despenhadeiro no lago, e afogaram-se.

34 E aquelles que os guardavam, vendo o que acontecera, fugiram, e foram annuncial-_o_ na cidade e nos campos.

35 E sairam a vêr o que tinha acontecido, e vieram ter com Jesus; e acharam o homem, de quem haviam saido os demonios, vestido, e em seu juizo, assentado aos pés de Jesus: e temeram.

36 E os que tinham visto contaram-lhes tambem como fôra salvo aquelle endemoninhado.

37 E [14] toda a multidão da terra dos gadarenos ao redor [15] lhe rogou que se retirasse d’elles; porque estavam possuidos de grande temor. E, entrando elle no barco, voltou.

38 E aquelle homem, de quem haviam saido os demonios, [16] rogou-lhe que o deixasse estar com elle; porém Jesus o despediu, dizendo:

39 Torna para tua casa, e conta quão grandes _coisas_ te fez Deus. E elle foi apregoando por toda a cidade quão grandes _coisas_ Jesus lhe tinha feito.

_A filha de Jairo: a mulher que tinha um fluxo de sangue._

Mar. 5.21-43 e refs.

40 E aconteceu que, voltando Jesus, a multidão o recebeu, porque todos o estavam esperando.

41 E eis que [17] chegou um varão, cujo nome _era_ Jairo, e era principe da synagoga; e, prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse em sua casa;

42 Porque tinha uma filha unica, quasi de doze annos, e estava á morte. E, indo elle, apertava-o a multidão.

43 E [18] uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze annos, e gastara com os medicos todos os seus haveres, e por nenhum podéra ser curada,

44 Chegando por detraz _d’elle_, tocou a orla do seu vestido, e o fluxo do seu sangue logo estancou.

45 E disse Jesus; Quem _é_ que me tocou? E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com elle: Mestre, a multidão te aperta e opprime, e dizes: Quem _é_ que me tocou?

46 E disse Jesus: Alguem me tocou, [19] porque bem conheci que de mim saiu virtude.

47 Então a mulher, vendo que não se occultava, approximou-se tremendo, e, prostrando-se ante elle, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que o havia tocado, e como logo sarára.

48 E elle lhe disse: Tem bom animo, filha, a tua fé te salvou: vae em paz.

49 Estando [20] elle ainda fallando, chegou um dos do principe da synagoga, dizendo: A tua filha _já_ está morta, não incommodes o Mestre.

50 Jesus, porém, ouvindo-_o_, respondeu-lhe, dizendo: Não temas; crê sómente, e será salva.

51 E, entrando em casa, a ninguem deixou entrar, senão a Pedro, e a Thiago, e a João, e ao pae e á mãe da menina.

52 E todos choravam, e a pranteavam; e elle disse: Não choreis; não está morta, [21] mas dorme.

53 E riam-se d’elle, sabendo que estava morta.

54 Porém elle, pondo-os todos fóra, e pegando-lhe na mão, clamou, dizendo: [22] Levanta-te, menina.

55 E o seu espirito voltou, e ella logo se levantou; e Jesus mandou que lhe déssem de comer.

56 E seus paes ficaram maravilhados; [23] e elle lhes mandou que a ninguem dissessem o que havia succedido.

[1] Mat. 27.55, 56.

[2] Mar. 16.9.

[3] Mar. 4.1.

[4] Mat. 13.10. Mar. 4.10.

[5] Isa. 6.9. Mar. 4.12.

[6] Mat. 13.18. Mar. 4.14.

[7] Mat. 5.15. cap. 11.33.

[8] Mat. 10.26. cap. 12.2.

[9] Mat. 13.12 e 25.29. cap. 19.26.

[10] Mar. 3.31.

[11] Mar. 4.35.

[12] Mar. 5.1.

[13] Apo. 20.3.

[14] Mat. 8.34.

[15] Act. 16.39.

[16] Mar. 5.18.

[17] Mat. 9.1.

[18] Mat. 9.20.

[19] Mar. 5.30. cap. 6.19.

[20] Mar. 5.35.

[21] João 11.11, 13.

[22] cap. 7.14. João 11.43.

[23] Mat. 8.4 e 9.30. Mar. 5.43.

_A missão dos doze._

Mat. 10.5, etc.

[Anno Domini 32]

9 E, convocando os seus doze discipulos, [1] deu-lhes virtude e poder sobre todos os demonios, e para curarem enfermidades;

2 E enviou-os a prégar o reino de [2] Deus, e a curar os enfermos.

3 E disse-lhes: [3] Nada leveis comvosco para o caminho, nem bordões, nem alforge, nem pão, nem dinheiro; nem tenhaes dois vestidos.

4 E, em qualquer casa em que entrardes, [4] ficae ali, e de lá sahi.

5 E, se quaesquer vos não receberem, [5] saindo vós d’aquella cidade, sacudi até o pó dos vossos [6] pés, em testemunho contra elles.

6 E, saindo elles, [7] percorreram todas as aldeias, annunciando o evangelho, e curando por toda a parte _os enfermos_.

_Herodes o tetrarcha e João Baptista._

Mat. 14.1, etc.

7 E o tetrarcha Herodes [8] ouvia todas as _coisas_ que _Jesus_ fazia, e estava em duvida, porquanto diziam alguns que João resuscitara dos mortos,

8 E outros que Elias tinha apparecido, e outros que um propheta dos antigos havia resuscitado.

9 E disse Herodes: A João mandei eu degolar: quem é pois este de quem ouço dizer taes _coisas_? E procurava [9] vêl-o.

_A primeira multiplicação dos pães._

Mat. 14.13-21 e refs.

10 E, regressando [10] os apostolos, contaram-lhe todas as _coisas_ que tinham feito. E, tomando-os comsigo, retirou-se para um logar deserto de uma cidade chamada Bethsaida.

11 E, sabendo-_o_ a multidão, o seguiu; e elle os recebeu, e fallava-lhes do reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura.

12 E _já_ o dia começava a declinar, [11] e, chegando-se a elle os doze, disseram-lhe: Despede a multidão, para que, indo aos logares e aldeias em redor, se agasalhem, e achem que comer; porque aqui estamos em logar deserto.

13 Mas elle lhes disse: Dae-lhes vós de comer. E elles disseram: Não temos senão cinco pães e dois peixes: salvo se nós formos comprar comida para todo este povo.

14 Porque estavam ali quasi cinco mil homens. Disse então aos seus discipulos: Fazei-os assentar, aos ranchos de cincoenta em cincoenta.

15 E assim o fizeram, fazendo-_os_ assentar a todos.

16 E, tomando os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, abençoou-os, e partiu-os, e deu-os aos seus discipulos para os porem diante da multidão.

17 E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram, do que lhes sobejou, doze cestos de pedaços.

_A confissão de Pedro._

Mat. 16.13, etc.

18 E aconteceu que, [12] estando elle só, orando, estavam com elle os discipulos; e perguntou-lhes, dizendo: Quem diz a multidão que eu sou?

19 E, respondendo elles, disseram: [13] _Uns_ João Baptista, outros Elias, e outros que um dos antigos prophetas resuscitou.

20 E disse-lhes: E vós, quem dizeis que eu sou? [14] E, respondendo Pedro, disse: O Christo de Deus.

21 E, admoestando-os, [15] mandou-_lhes_ que a ninguem o dissessem,

22 Dizendo: [16] É necessario que o Filho do homem padeça muitas _coisas_, e seja rejeitado dos anciãos e dos escribas, e seja morto, e resuscite ao terceiro dia.

_Cada um deve levar a sua cruz._

Mat. 16.24-28 e refs.

23 E dizia a todos: [17] Se alguem quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.

24 Porque, qualquer que quizer salvar a sua [AHC] vida, perdel-a-ha; porém qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará.

25 Porque, [18] que aproveita ao homem grangear o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo?

26 Porque, [19] qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, d’elle se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua gloria, e _na_ do Pae e dos sanctos anjos,

27 E em verdade [20] vos digo que, dos que aqui estão, alguns ha que não gostarão a morte até que vejam o reino de Deus.

_A transfiguração._

Mat. 17.1-13 e refs.

28 E aconteceu que, [21] quasi oito dias depois d’estas palavras, tomou comsigo a Pedro, a João e a Thiago, e subiu ao monte a orar.

29 E, estando elle orando, transfigurou-se a apparencia do seu rosto, e o seu vestido _ficou_ branco _e_ mui resplandecente.

30 E eis que estavam fallando com elle dois varões, que eram Moysés e Elias,

31 Os quaes appareceram com gloria, e fallavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalem.

32 E Pedro e os que _se achavam_ com elle estavam [22] carregados de somno, e, quando despertaram, viram a sua gloria e aquelles dois varões que estavam com elle.

33 E aconteceu que, apartando-se elles d’elle, disse Pedro a Jesus: Mestre, bom é que nós estejamos aqui, e façamos tres tendas, uma para ti, uma para Moysés, e uma para Elias; não sabendo o que dizia.

34 E, dizendo elle isto, veiu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e, entrando elles na nuvem, temeram.

35 E veiu da nuvem uma voz que dizia: [23] Este é o meu amado Filho: [24] a elle ouvi.

36 E, tendo soado aquella voz, Jesus foi achado só: [25] e elles calaram-se, e por aquelles dias não contaram a ninguem nada do que tinham visto.

_Cura d’um joven lunatico._

Mat. 17.14-21 e refs.

37 E aconteceu, no dia seguinte, que, descendo elles do monte, lhes saiu ao encontro _uma_ grande multidão;

38 E eis que um homem da multidão clamou, dizendo: [26] Mestre, peço-te que olhes para o meu filho, porque é o unico que eu tenho,

39 E eis que um espirito o toma, e de repente clama, e o despedaça até escumar; e apenas o larga depois de o ter quebrantado.

40 E roguei aos teus discipulos que o expulsassem, e não poderam.

41 E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incredula e perversa! até quando estarei ainda comvosco e vos soffrerei? Traze-me cá o teu filho.

42 E, quando vinha chegando, o demonio o derribou e _o_ convulsionou; porém Jesus reprehendeu o espirito immundo, e curou o menino, e o entregou a seu pae.

43 E todos pasmavam da magestade de Deus. E, maravilhando-se todos de todas as _coisas_ que Jesus fazia, disse aos seus discipulos:

44 Ponde vós [27] estas palavras em vossos ouvidos, porque o Filho do homem será entregue nas mãos dos homens.

45 Mas [28] elles não entendiam esta palavra, e era-lhes encoberta, para que a não comprehendessem; e temiam interrogal-o ácerca d’esta palavra.

_O maior no reino dos céus._

Mat. 18.1, etc. e refs.

46 E suscitou-se entre elles uma questão, [29] _a saber_, qual d’elles seria o maior.

47 Mas, vendo Jesus o pensamento de seus corações, tomou um menino, pôl-o junto a si,

48 E disse-lhes: [30] Qualquer que receber este menino em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me recebe a mim, recebe o que me enviou; [31] porque aquelle que entre vós todos fôr o menor, esse será grande.

_Quem não é contra nós é por nós._

Mar. 9.38-40.

49 E, respondendo João, [32] disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demonios, e lh’o prohibimos, porque não _te_ segue comnosco.

50 E Jesus lhes disse: Não _lh’o_ prohibaes, [33] porque quem não é contra nós é por nós.

_Os samaritanos não recebem a Jesus._

51 E aconteceu que, completando-se os dias para a sua [34] assumpção, voltou o seu rosto para ir a Jerusalem.

52 E mandou mensageiros adiante da sua face; e, indo elles, entraram n’uma aldeia de samaritanos, para lhe prepararem _pousada_,

53 Mas não o receberam, [35] porque o seu aspecto era _como de quem_ ia a Jerusalem.

54 E os seus discipulos, Thiago e João, vendo _isto_, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu o os [36] consuma, como Elias tambem fez?

55 Voltando-se, porém, elle, reprehendeu-os, e disse: Vós não sabeis de que espirito sois.

56 Porque [37] o Filho do homem não veiu para destruir as almas dos homens, mas para salval-_as_. E foram para outra aldeia.

_Ácerca dos que seguem a Jesus._

Mat. 8.19-22.

57 E aconteceu que, indo elles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-hei para onde quer que fôres.

58 E disse-lhe Jesus: As raposas teem covis, e as aves do céu ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

59 E disse a outro: Segue-me. Porém elle disse: Senhor, deixa que primeiro eu vá, e enterre a meu pae.

60 Mas Jesus lhe disse: Deixa aos mortos enterrar os seus mortos: porém tu vae e annuncia o reino de Deus.

61 Disse tambem outro: [38] Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa.

62 E Jesus lhe disse: Ninguem, que lança mão do arado e olha para traz, é apto para o reino de Deus.

[1] Mar. 3.3, 6, 7.

[2] Mat. 10.7, 8. Mar. 6.12. cap. 10.1, 9.

[3] Mat. 10.9. Mar. 6.8. cap. 10.4 e 22.35.

[4] Mat. 10.11. Mar. 6.10.

[5] Mat. 10.14.

[6] Act. 13.5.

[7] Mar. 6.12.

[8] Mar. 6.14.

[9] cap. 23.8.

[10] Mar. 6.30.

[11] Mat. 14.15. Mar. 6.35. João 6.1, 5.

[12] Mar. 8.27.

[13] Mat. 14.2. ver. 7, 8.

[14] Mat. 16.16. João 6.69.

[15] Mat. 16.20.

[16] Mat. 16.21 e 17.22.

[17] Mat. 10.38. Mar. 8.34. cap. 14.27.

[18] Mat. 16.26. Mar. 8.36.

[19] Mat. 10.33. Mar. 8.38. II Tim. 2.12.

[20] Mat. 16.28.

[21] Mar. 9.1.

[22] Dan. 8.18 e 10.9.

[23] Mat. 3.17.

[24] Act. 3.22.

[25] Mat. 17.9.

[26] Mar. 9.14, 17.

[27] Mat. 17.22.

[28] Mar. 9.32. cap. 2.50 e 18.34.

[29] Mar. 9.34.

[30] Mat. 10.40 e 18.6. Mar. 9.37. João 12.44 e 13.20.

[31] Mat. 23.11, 12.

[32] Num. 11.28.

[33] Mat. 12.30. cap. 11.23.

[34] Mar. 16.19. Act. 1.2.

[35] João 4.4, 9.

[36] II Reis 1.10, 12.

[37] João 3.17 e 12.47.

[38] I Reis 19.20.

_A missão dos setenta discipulos._

10 E depois d’isto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os [1] adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e logares onde elle havia de ir.

2 E dizia-lhes; [2] Grande _é_, em verdade, a seára, mas os obreiros _são_ poucos; rogae pois ao Senhor da seára que envie obreiros para a sua seára.

3 Ide: [3] eis que vos mando como cordeiros para o meio de lobos.

4 Não leveis bolsa, [4] nem alforge, nem alparcas; e a ninguem saudeis pelo caminho.

5 E, em qualquer [5] casa aonde entrardes, dizei primeiro: Paz _seja_ n’esta casa.

6 E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre [AHD] elle a vossa paz; e, se não, voltará para vós.

7 E ficae na mesma casa, [6] comendo e bebendo do que elles tiverem, [7] pois digno é o obreiro do seu salario. [8] Não andeis de casa em casa.

8 E, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que vos pozerem adiante.

9 E curae [9] os enfermos que n’ella houver, e dizei-lhes: [10] É chegado a vós o reino de Deus.

10 Mas em qualquer cidade, em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei:

11 Até o pó, [11] que da vossa cidade se nos pegou, sacudimos sobre vós. Sabei, todavia, isto, que _já_ o reino de Deus é chegado a vós.

12 E digo-vos [12] que mais tolerancia haverá n’aquelle dia para Sodoma do que para aquella cidade.

13 Ai de ti, Chorazin, [13] ai de ti, Bethsaida! [14] que, se em Tyro e em Sidon se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já ha muito, assentadas em sacco e cinza, se teriam arrependido.

14 Portanto, para Tyro e Sidon será mais toleravel no juizo, do que para vós.

15 E tu, Capernaum, [15] que estás levantada até ao céu, até ao inferno serás abatida.

16 Quem vos ouve a vós, [16] a mim me ouve; e, quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e, quem a mim me rejeita, rejeita aquelle que me enviou.

17 E [17] voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, em teu nome, até os demonios se nos sujeitam.

18 E disse-lhes: [18] Eu via Satanaz, como raio, cair do céu.

19 Eis que vos [19] dou poder para pizar as serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará damno algum.

20 Mas não vos alegreis por isso, que se vos sujeitem os espiritos; alegrae-vos antes por estarem [20] os vossos nomes escriptos nos céus.

21 N’aquella mesma hora se alegrou Jesus em espirito, [21] e disse: Graças te dou, ó Pae, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas _coisas_ aos sabios e intelligentes, e as revelaste ás creancinhas; assim é, ó Pae, porque assim te aprouve.

22 Todas [22] _as coisas_ me foram entregues por meu Pae; e ninguem conhece quem é o Filho senão o Pae, nem quem é o Pae senão o Filho, e aquelle a quem o Filho o quizer revelar.

23 E, voltando-se para os _seus_ discipulos, disse-_lhes_ em particular: [23] Bemaventurados os olhos que vêem o que vós vêdes;

24 Porque vos digo que muitos prophetas [24] e reis desejaram vêr o que vós vêdes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram.

_A parabola do bom samaritano._

25 E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: [25] Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

26 E elle lhe disse: Que está escripto na lei? Como lês?

27 E, respondendo elle, [26] disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento; e [27] ao teu proximo como a ti mesmo.

28 E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, [28] e viverás.

29 Elle, porém, [29] querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu proximo?

30 E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalem para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quaes o despojaram, e, espancando-o, se retiraram, deixando-_o_ meio morto.

31 E, por acaso, descia pelo mesmo caminho _um_ certo sacerdote; e, vendo-o, [30] passou de largo.

32 E d’egual modo tambem um levita, chegando-se ao logar, e vendo-_o_, passou de largo.

33 Porém _um_ [31] certo samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé d’elle, e, vendo-o, moveu-se de intima compaixão;

34 E, approximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhe azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou d’elle;

35 E, partindo ao [32] outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-_os_ ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida d’elle; e tudo o que de mais gastares, eu t’o pagarei quando voltar.

36 Qual, pois, d’estes tres te parece que foi o proximo d’aquelle que caiu nas mãos dos salteadores?

37 E elle disse: O que usou de misericordia para com elle. Disse, pois, Jesus: Vae, e faze da mesma maneira.

_Martha e Maria._

38 E aconteceu que, indo elles de caminho, entrou n’uma aldeia; e _uma_ certa mulher, por nome [33] Martha, o recebeu em sua casa;