A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 165
2 E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e n’aquelles dias [2] não comeu coisa alguma; e, terminados elles, teve fome.
3 E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão.
4 E Jesus lhe respondeu, dizendo: Escripto está [3] que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus.
5 E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe n’um momento de tempo todos os reinos do mundo.
6 E disse-lhe o diabo: Dar-te-hei a ti todo este poder, e a sua gloria; porque a mim me foi entregue, [4] e dou-o a quem quero;
7 Portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
8 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vae-te, Satanaz; porque está escripto: [5] Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Elle servirás.
9 Levou-o tambem a Jerusalem, [6] e pôl-o sobre o pinaculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te d’aqui abaixo;
10 Porque está escripto: [7] Mandará aos seus anjos, ácerca de ti, que te guardem,
11 E que te sustenham nas mãos, para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra.
12 E, Jesus, respondendo, [8] disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus.
13 E, acabando o [9] diabo toda a tentação, ausentou-se d’elle por algum tempo.
_Jesus é expulso de Nazareth._
14 Então, [10] pela virtude do Espirito, voltou Jesus para a Galilea, [11] e a sua fama saiu por todas as terras em derredor.
15 E ensinava nas suas synagogas, e por todos era louvado.
16 E, chegando a Nazareth, [12] onde fôra criado, n’um dia de sabbado, segundo o seu costume, entrou na synagoga, e levantou-se para lêr.
17 E foi-lhe dado o livro do propheta Isaias; e, quando abriu o livro, achou o logar em que estava escripto:
18 O Espirito [13] do Senhor _está_ sobre mim, porquanto me ungiu para evangelizar aos pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração,
19 A apregoar [AHA] liberdade aos captivos, e dar vista aos cegos; a pôr em liberdade os opprimidos; a annunciar o anno acceitavel do Senhor.
20 E, cerrando o livro, e tornando-_o_ a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na synagoga estavam fitos n’elle.
21 Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escriptura em vossos ouvidos.
22 E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam [14] das palavras de graça que sahiam da sua bocca: e diziam: Não é este o filho de José?
23 E elle lhes disse: Sem duvida me direis este proverbio: Medico, cura-te a ti mesmo; faze tambem aqui na tua patria todas essas coisas que ouvimos terem [15] sido feitas em Capernaum.
24 E disse: [16] Em verdade vos digo que nenhum propheta é bem recebido na sua patria;
25 Em verdade vos digo [17] que muitas viuvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por tres annos e seis mezes, de sorte que em toda a terra houve grande fome;
26 E a nenhuma d’ellas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidon, a uma mulher viuva.
27 E muitos leprosos havia em [18] Israel no tempo do propheta Eliseu, e nenhum d’elles foi purificado, senão Naaman o syro.
28 E todos, na synagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira.
29 E, levantando-se, o expulsaram da cidade, e o levaram até ao cume do monte em que a cidade d’elles estava edificada, para d’ali o precipitarem.
30 Elle, porém, passando [19] pelo meio d’elles, retirou-se.
31 E desceu [20] a Capernaum, cidade da Galilea, e _ali_ os ensinava nos sabbados.
32 E admiravam a sua doutrina, porque a [21] sua palavra era com auctoridade.
_Cura de um endemoninhado._
Mar. 1.23-28.
33 E estava na synagoga um homem que tinha um espirito de um demonio immundo, e exclamou em alta voz,
34 Dizendo: Ah! que temos nós comtigo, Jesus Nazareno? vieste a destruir-nos? [22] Bem sei quem és: o Sancto de Deus.
35 E Jesus o reprehendeu, dizendo: Cala-te, e sae d’elle. E o demonio, lançando-o por terra no meio do povo, saiu d’elle sem lhe fazer mal algum.
36 E veiu espanto sobre todos, e fallavam entre si uns e outros, dizendo: Que palavra _é_ esta, que até aos espiritos immundos manda com auctoridade e poder, e elles saem?
_A cura da sogra de Pedro._
Mat. 8.14-17 e refs.
37 E a sua fama divulgava-se por todos os logares, em redor d’aquella comarca.
38 Ora, [23] levantando-se Jesus da synagoga, entrou em casa de Simão; e a sogra de Simão estava enferma com muita febre, e rogaram-lhe por ella.
39 E, inclinando-se para ella, reprehendeu a _febre_, e _esta_ a deixou. E, levantando-se logo, servia-os.
40 E, ao pôr do sol, [24] todos os que tinham enfermos de varias doenças lh’os traziam; e, pondo as mãos sobre cada um d’elles, os curava.
41 E tambem de muitos sahiam demonios, clamando [25] e dizendo: [26] Tu és o Christo, o Filho de Deus. E elle, reprehendendo-_os_, não os deixava fallar, porque sabiam que elle era o Christo.
42 E, sendo já dia, [27] saiu, e foi para um logar deserto; e a multidão o buscava, e chegou junto d’elle; e o detinham, para que não se ausentasse d’elles.
43 Porém elle lhes disse: Tambem é necessario que eu annuncie a outras cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso sou enviado.
44 E prégava [28] nas synagogas da Galiléa.
[1] Mat. 4.1. Mar. 1.12. ver. 14. cap. 2.27.
[2] Exo. 34.28. I Reis 19.8.
[3] Deu. 8.3.
[4] João 12.31 e 14.30. Apo. 13.2, 7.
[5] Deu. 6.13 e 10.20.
[6] Mat. 4.5.
[7] Psa. 91.11, 12.
[8] Deu. 6.16.
[9] João 14.30. Heb. 4.15.
[10] Mat. 4.12. João 4.43. ver. 1.
[11] Act. 10.37.
[12] Mat. 2.23 e 13.54. Mar. 6.1. Act. 13.14 e 17.2.
[13] Isa. 61.1.
[14] Psa. 45.2. Mat. 13.54. Mar. 6.2. cap. 2.47. João 6.42.
[15] Mat. 4.13 e 11.23 e 13.54. Mar. 6.1.
[16] Mat. 13.57. Mar. 6.4. João 4.44.
[17] I Reis 17.9 e 18.1. Thi. 5.17.
[18] II Reis 5.14.
[19] João 8.59 e 10.39.
[20] Mat. 4.13. Mar. 1.21.
[21] Mat. 7.28, 29. Tito 2.15.
[22] ver. 41. Psa. 16.10. Dan. 9.24. cap. 1.35.
[23] Mar. 1.29.
[24] Mar. 1.32.
[25] Mar. 1.34 e 3.11.
[26] Mar. 1.25, 34. ver. 34, 35.
[27] Mar. 1.35.
[28] Mar. 1.39.
_A pesca maravilhosa: os primeiros discipulos._
5 E aconteceu [1] que, apertando-o a multidão, para ouvir a palavra de Deus, estava elle junto ao lago de Genezareth;
2 E viu estar dois barcos junto _á praia_ do lago; e os pescadores, havendo descido d’elles, estavam lavando as redes.
3 E, entrando n’um dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o affastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a multidão.
4 E, quando acabou de fallar, disse a Simão: [2] Faze-te ao mar alto, e lançae as vossas redes para pescar.
5 E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhámos; mas, sobre tua palavra, lançarei a rede.
6 E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede.
7 E fizeram signal aos companheiros que estavam no outro barco, para que os fossem ajudar. E foram, e encheram ambos os barcos, de maneira tal que quasi iam a pique.
8 E Simão Pedro, vendo _isto_, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, [3] ausenta-te de mim, que sou um homem peccador.
9 Porque o espanto se apoderara d’elle, e de todos os que com elle estavam, por causa da pesca de peixe que haviam feito;
10 E, de egual modo, tambem de Thiago e João, filhos de Zebedeo, que eram companheiros de Simão. E disse Jesus a Simão: Não temas: [4] de agora em diante serás pescador de homens.
11 E, levando os barcos para terra, deixando tudo, [5] o seguiram.
_Cura d’um leproso._
Mat. 8.1-4 e refs.
12 E aconteceu [6] que, estando n’uma das cidades, eis que um homem cheio de lepra, vendo a Jesus, prostrou-se sobre o rosto, e rogou-lhe, dizendo: Senhor, se quizeres, bem podes limpar-me.
13 E elle, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. E logo a lepra desappareceu d’elle.
14 E ordenou-lhe que a ninguem [7] o dissesse. Porém vae, _disse_, mostra-te ao sacerdote, e offerece, pela tua purificação, o que Moysés determinou, para que lhes sirva de testemunho.
15 Porém a sua fama se dilatava ainda mais, [8] e ajuntavam-se muitas gentes para o ouvirem e para serem por elle curados das suas enfermidades.
16 Porém elle retirava-se [9] para os desertos, e _ali_ orava.
_Cura d’um paralytico._
Mat. 9.1-8 e refs.
17 E aconteceu que, n’um d’aquelles dias, estava ensinando, e estavam _ali_ assentados phariseos e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galilea, e da Judea, e de Jerusalem, e a virtude do Senhor estava com elle para os curar.
18 E eis que [10] _uns_ homens transportaram n’uma cama um homem que estava paralytico, e procuravam introduzil-o, e pôl-o diante d’elle;
19 E, não achando por onde podessem introduzil-o, por causa da multidão, subiram ao telhado, e pelas telhas o baixaram com a cama, até ao meio, diante de Jesus.
20 E, vendo elle a fé d’elles, disse-lhe: Homem, os teus peccados te são perdoados.
21 E [11] os escribas e os phariseos começaram a arrazoar, dizendo: Quem é este que diz blasphemias? Quem pode perdoar peccados, [12] senão só Deus?
22 Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, respondeu, e disse-lhes: Que arrazoaes em vossos corações?
23 Qual é mais facil? dizer: Os teus peccados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda?
24 Ora, para que saibaes que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar os peccados (disse ao paralytico), A ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vae para tua casa.
25 E, levantando-se logo diante d’elles, e tomando a cama em que estava deitado, foi para sua casa, glorificando a Deus.
26 E todos ficaram maravilhados, e glorificaram a Deus; e ficaram cheios de temor, dizendo: Hoje vimos prodigios.
_A vocação de Levi._
Mat. 9.9-13 e refs.
27 E, depois [13] d’estas _coisas_, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me.
28 E elle, deixando tudo, levantou-se e o seguiu.
29 E fez-lhe Levi [14] um grande banquete em sua casa; e havia _ali_ uma multidão de publicanos e outros que estavam com elles á mesa.
30 E os escribas d’elles, e os phariseos, murmuravam contra os seus discipulos, dizendo: Porque comeis e bebeis com publicanos e peccadores?
31 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Não necessitam de medico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos;
32 Eu não vim para chamar [15] os justos, mas, sim, os peccadores ao arrependimento.
_Ácerca do jejum._
Mat. 9.14-17 e refs.
33 Disseram-lhe então elles: Porque jejuam os discipulos de João [16] muitas vezes, e fazem orações, como tambem os dos phariseos, porém os teus comem e bebem?
34 Mas elle lhes disse: Podeis vós fazer jejuar os filhos das bodas, emquanto o esposo está com elles?
35 Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, _e_ então, n’aquelles dias, jejuarão.
36 E disse-lhes tambem uma parabola: [17] Ninguem deita remendo de panno novo em vestido velho; d’outra maneira o novo romperá _o velho_, e o remendo novo não condiz com o velho.
37 E ninguem deita vinho novo em odres velhos; d’outra maneira o vinho novo romperá os odres, e entornar-se-ha o vinho, e os odres se estragarão;
38 Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se conservarão.
39 E ninguem que beber o velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho.
[1] Mat. 4.18. Mar. 1.16.
[2] João 21.6.
[3] II Sam. 6.9. I Reis 17.18.
[4] Mat. 4.19. Mar. 1.17.
[5] Mat. 4.20 e 19.27. Mar. 1.18. cap. 18.28.
[6] Mar. 1.40.
[7] Mat. 8.4. Lev. 14.4, 10, 21.
[8] Mat. 4.25. Mar. 3.7. João 6.2.
[9] Mat. 14.23. Mar. 6.46.
[10] Mar. 2.3.
[11] Mat. 9.3. Mar. 2.6.
[12] Psa. 32.5. Isa. 43.25.
[13] Mar. 2.13.
[14] Mat. 9.10. Mar. 2.15. cap. 15.1.
[15] Mat. 9.13. I Tim. 1.15.
[16] Mar. 2.18.
[17] Mat. 9.16, 17. Mar. 2.21.
_Jesus é Senhor do sabbado._
Mat. 12.1-8 e refs.
6 E aconteceu [1] que, no sabbado segundo-primeiro, passou pelas searas, e os seus discipulos iam arrancando espigas, e, esfregando-as com as mãos, _as_ comiam.
2 E alguns dos phariseos lhes disseram: Porque fazeis [2] o que não é licito fazer nos sabbados?
3 E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nunca lêstes o que fez [3] David quando teve fome, elle e os que com elle estavam?
4 Como entrou na casa de Deus, e tomou os pães da proposição, e os comeu, e deu tambem aos que estavam com elle, [4] os quaes não é licito comer senão só aos sacerdotes?
5 E dizia-lhes: O Filho do homem é Senhor até do sabbado.
_Cura d’um homem que tinha uma das mãos mirrada._
Mat. 12.9-14 e refs.
6 E aconteceu [5] tambem n’outro sabbado que entrou na synagoga, e estava ensinando; e estava ali um homem que tinha a mão direita mirrada.
7 E os escribas e phariseos attentavam n’elle, se _o_ curaria no sabbado, para acharem de que o accusar.
8 Mas elle bem conhecia os seus pensamentos; e disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te, e põe-te em pé no meio. E, levantando-se elle, poz-se em pé.
9 Então Jesus lhes disse: Uma _coisa_ vos hei de perguntar: É licito nos sabbados fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar?
10 E, olhando para todos em redor, disse ao homem: Estende a tua mão. E elle assim o fez, e a mão lhe foi restituida sã como a outra.
11 E ficaram cheios de furor, e uns com os outros praticavam sobre o que fariam a Jesus.
_Eleição dos doze._
Mat. 10.1-4 e refs.
12 E aconteceu que [6] n’aquelles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite orando a Deus.
13 E, quando _já_ era dia, chamou a si os seus discipulos, e escolheu doze d’elles, a quem tambem nomeou apostolos: _a saber_,
14 Simão, ao qual tambem chamou [7] Pedro, e André, seu irmão; Thiago e João; Philippe e Bartholomeo;
15 E Mattheus e Thomé; Thiago, _filho_ d’Alfeo, e Simão, chamado o zelador;
16 E Judas, _irmão_ de Thiago; [8] e Judas Iscariotes, que foi o traidor.
_O sermão da montanha._
Mat. caps. 5, 6, 7.
17 E, descendo com elles, parou n’um logar plano, e tambem uma grande turba de seus [9] discipulos, e grande multidão de povo de toda a Judea, e de Jerusalem, e da costa maritima de Tyro e de Sidon,
18 Que tinham vindo para o ouvir, e serem curados das suas enfermidades, como tambem os atormentados dos espiritos immundos: e eram curados.
19 E toda [10] a multidão procurava tocal-o; porque sahia d’elle virtude, e curava a todos.
20 E, levantando elle os olhos para os seus discipulos, dizia: [11] Bemaventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus.
21 Bemaventurados vós, que agora tendes fome, [12] porque sereis fartos. Bemaventurados vós, que agora choraes, porque haveis de rir.
22 Bemaventurados sereis [13] quando os homens vos aborrecerem, e quando vos separarem, e injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem.
23 Folgae n’esse dia, [14] exultae; porque, eis que é grande o vosso galardão no céu, porque assim faziam os seus paes aos prophetas.
24 Mas ai de [15] vós, ricos! porque _já_ tendes a vossa consolação.
25 Ai [16] de vós, que estaes fartos! porque tereis fome. Ai de vós, que agora rides, porque lamentareis e chorareis.
26 Ai de vós [17] quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus paes aos falsos prophetas.
27 Mas a vós, que ouvis _isto_, [18] digo: Amae a vossos inimigos, fazei bem aos que vos aborrecem;
28 Bemdizei os que vos [19] maldizem, e orae pelos que vos calumniam.
29 Ao que te ferir n’uma face, [20] offerece-lhe tambem a outra; e, ao que te houver tirado a capa, nem a tunica recuses;
30 E dá a [21] qualquer que te pedir; e, ao que tomar o _que é_ teu, não lh’o tornes a pedir.
31 E, como vós quereis [22] que os homens vos façam, tambem da mesma maneira lhes fazei vós.
32 E, [23] se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Porque tambem os peccadores amam aos que os amam.
33 E, se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Porque tambem os peccadores fazem o mesmo.
34 E, se emprestardes [24] _áquelles_ de quem esperaes tornar a receber, que recompensa tereis? Porque tambem os peccadores emprestam aos peccadores, para tornarem a receber outro tanto.
35 Amae pois a vossos inimigos, [25] e fazei bem, e emprestae, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altissimo; porque é benigno _até_ para com os ingratos e máus.
36 Sêde pois misericordiosos, [26] como tambem vosso Pae é misericordioso.
37 Não julgueis, [27] e não sereis julgados: não condemneis, e não sereis condemnados: soltae, e soltar-vos-hão.
38 Dae, [28] e ser-vos-ha dado; boa medida, recalcada, sacudida e trasbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes vos tornarão a medir.
39 E dizia-lhes uma parabola: [29] Pode porventura o cego guiar o cego? não cairão ambos na cova?
40 [30] O discipulo não é sobre o seu mestre, mas todo o que fôr perfeito será como o seu mestre.
41 E porque attentas tu [31] no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu proprio olho?
42 Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho; não attentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hypocrita, [32] tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.
43 Porque não [33] ha boa arvore que dê máu fructo, nem má arvore que dê bom fructo.
44 Porque cada [34] arvore se conhece pelo seu proprio fructo; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos.
45 O homem [35] bom do bom thesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau do mau thesouro do seu coração tira o mal, porque da abundancia do seu coração falla a bocca.
46 E porque me chamaes, Senhor, Senhor, [36] e não fazeis o que eu digo?
47 Qualquer que vem para mim [37] e ouve as minhas palavras, e as observa, eu vos mostrarei a quem é similhante:
48 É similhante ao homem que edificou uma casa, e cavou, e abriu bem fundo, e poz os alicerces sobre rocha, e, vindo a enchente, bateu com impeto a corrente n’aquella casa, e não a poude abalar, porque estava fundada sobre rocha.
49 Mas o que ouve e não obra é similhante ao homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com impeto a corrente, e logo caiu; e foi grande a queda d’aquella casa.
[1] Mar. 2.23.
[2] Exo. 20.10.
[3] I Sam. 21.6.
[4] Lev. 24.9.
[5] Mar. 3.1. cap. 13.14 e 14.3. João 9.16.
[6] Mat. 14.23.
[7] João 1.42.
[8] Jud. 1.
[9] Mat. 4.25. Mar. 3.7.
[10] Mat. 14.36. Mar. 5.30. cap. 8.46.
[11] Mat. 5.3 e 11.5. Thi. 2.5.
[12] Isa. 55.1 e 65.13 e 61.3. Mat. 5.6 e 5.4.
[13] Mat. 5.11. I Ped. 2.19 e 3.14. João 16.2.
[14] Mat. 5.12. Act. 5.41. Col. 1.24. Thi. 1.2. Act. 7.51.
[15] Amós 6.1. Thi. 5.1. Mat. 6.2. cap. 16.25.
[16] Isa. 65.13. Pro. 14.13.
[17] João 15.19. I João 4.5.
[18] Exo. 23.4. Pro. 25.21. Mat. 5.44. ver. 35. Rom. 12.20.
[19] cap. 23.34. Act. 7.60.
[20] I Cor. 6.7. Mat. 5.39.
[21] Deu. 15.7, 8, 10. Pro. 21.26. Mat. 5.42.
[22] Mat. 7.12.
[23] Mat. 5.46.
[24] Mat. 5.42.
[25] ver. 27. Psa. 37.26. ver. 30. Mat. 5.45.
[26] Mat. 5.48.
[27] Mat. 7.1.
[28] Pro. 19.17. Psa. 79.12. Mat. 7.2. Mar. 4.24. Thi. 2.13.
[29] Mat. 15.14.
[30] Mat. 10.24.
[31] Mat. 7.3.
[32] Pro. 18.17.
[33] Mat. 7.16, 17.
[34] Mat. 12.33.
[35] Mat. 12.34, 35.
[36] Mal. 1.6. Mat. 7.21 e 25.11. cap. 13.25.
[37] Mat. 7.24.
_O centurião de Capernaum._
Mat. 8.5-13 e refs.
7 E, depois de concluir todos estes discursos perante o povo, entrou em Capernaum.
2 E o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, estava doente, e moribundo.
3 E, quando ouviu _fallar_ de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeos, rogando-lhe que viesse e curasse o seu servo.
4 E, chegando elles junto de Jesus, rogaram-lhe muito, dizendo: É digno de que lhe concedas isto,
5 Porque ama a nossa nação, e elle mesmo nos edificou a synagoga.
6 E foi Jesus com elles; mas, quando já estava perto da casa, enviou-lhe o centurião uns amigos, dizendo-lhe: Senhor, não te incommodes, porque não sou digno de que entres debaixo do meu telhado;
7 Pelo que nem ainda me julguei digno de ir ter comtigo; dize, porém, uma palavra, e o meu creado sarará.
8 Porque tambem eu sou homem sujeito á auctoridade, e tenho soldados sob o meu poder, e digo a este: Vae; e elle vae; e a outro: Vem; e elle vem; e ao meu servo: Faze isto; e elle o faz.
9 E Jesus, ouvindo isto, maravilhou-se d’elle, e, voltando-se, disse á multidão que o seguia: Digo-vos _que_ nem ainda em Israel tenho achado tanta fé.
10 E, voltando para casa os que foram enviados, acharam são o servo enfermo.
_O filho da viuva de Nain._
11 E aconteceu, no _dia_ seguinte, que _Jesus_ ia a _uma_ cidade chamada Nain, e com elle iam muitos dos seus discipulos, e uma grande multidão;
12 E quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho unigenito de sua mãe, que _era_ viuva; e com ella ia uma grande multidão da cidade.
13 E, vendo-a, o Senhor moveu-se de intima compaixão por ella, e disse-lhe: Não chores.
14 E, chegando-se, tocou o esquife (e os que _o_ levavam pararam), e disse: Mancebo, a ti te digo: [1] Levanta-te.
15 E o defunto assentou-se, e começou a fallar; e entregou-o a sua mãe.
16 E de todos se apoderou [2] o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande propheta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo.
17 E correu d’elle esta fama por toda a Judea e por toda a terra circumvisinha.
_João envia dois discipulos seus a Jesus._
Mat. 11.1-19 e refs.
18 E os discipulos de João annunciaram-lhe todas estas _coisas_.
19 E João, chamando dois dos seus discipulos, enviou-_os_ a Jesus, dizendo: És tu aquelle que havia de vir, ou esperamos outro?
20 E, quando aquelles homens chegaram junto d’elle, disseram: João Baptista enviou-nos a dizer-te: És tu aquelle que havia de vir, ou esperamos outro?
21 E, na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e espiritos máus, e deu vista a muitos cegos.
22 Respondendo então Jesus, [3] disse-lhes: Ide, e annunciae a João as _coisas_ que tendes visto e ouvido: [4] que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos resuscitam _e_ o Evangelho annuncia-se [5] aos pobres,
23 E bemaventurado aquelle que em mim se não escandalizar.
24 E, tendo-se retirado [6] os mensageiros de João, começou a dizer á multidão ácerca de João: Que saistes a ver ao deserto? uma canna abalada pelo vento?
25 Mas que saistes a vêr? um homem trajado de vestidos delicados? Eis que os que andam com preciosos vestidos, e em delicias, estão nos paços reaes.
26 Mas que saistes a vêr? um propheta? sim, vos digo, e muito mais do que propheta.
27 Este é aquelle de quem está escripto: [7] Eis que envio o meu anjo adiante da tua face, o qual preparará diante de ti o teu caminho.
28 Porque eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não ha maior propheta do que João Baptista; mas o menor no reino de Deus é maior do que elle.
29 E todo o povo que o ouviu e os publicanos [8] justificaram a Deus, tendo sido baptizados com o baptismo de João.
30 Mas os phariseos e os doutores da lei rejeitaram [9] o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido baptizados por elle.
31 E disse o Senhor: [10] A quem pois compararei os homens d’esta geração, e a quem são similhantes?
32 São similhantes aos meninos que, assentados nas praças, clamam uns aos outros, e dizem: Tocámos-vos flauta, e não dançastes; cantámos-vos lamentações, e não chorastes,
33 Porque [11] veiu João Baptista, que nem comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Tem demonio;
34 Veiu o Filho do homem, que come e bebe, e dizeis: Eis ahi [12] um homem comilão, e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e dos peccadores.
35 Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.
_A peccadora que ungiu os pés de Jesus._
36 E rogou-lhe [13] um dos phariseos que comesse com elle; e, entrando em casa do phariseo, assentou-se á mesa.
37 E eis que uma mulher da cidade, uma peccadora, sabendo que elle estava á mesa em casa do phariseo, levou um vaso de alabastro com unguento;
38 E, estando detraz, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lagrimas, e enxugava-lh’os com os cabellos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lh’os com o unguento.