A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 162
7 E desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu filho amado; a elle ouvi.
8 E, tendo olhado em roda, ninguem mais viram, senão só Jesus com elles.
9 E, [5] descendo elles do monte, ordenou-lhes que a ninguem contassem o que tinham visto, até que o Filho do homem resuscitasse dos mortos.
10 E elles retiveram o caso entre si, perguntando uns aos outros que seria aquillo: resuscitar dos mortos.
11 E interrogaram-n’o, dizendo: Porque dizem os escribas que é necessario que Elias [6] venha primeiro?
12 E, respondendo elle, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e todas as _coisas_ restaurará: [7] e, como está escripto do Filho do homem, _convem_ que padeça muito e seja aviltado.
13 Digo-vos, porém, [8] que Elias já veiu, e fizeram-lhe tudo o que quizeram, como d’elle está escripto.
_O joven lunatico._
Mat. 17.14-21.
14 E, quando se approximou [9] dos discipulos, viu ao redor d’elles grande multidão, e _alguns_ escribas que disputavam com elles.
15 E logo toda a multidão, vendo-o, ficou espantada, e, correndo para elle, o saudaram.
16 E perguntou aos escribas: Que questionaes com elles?
17 E um da multidão, respondendo, disse: [10] Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espirito mudo;
18 E, onde quer que o apanha, despedaça-o, e elle escuma, e range os dentes, e vae-se seccando; e eu disse aos teus discipulos que o expulsassem, e não poderam.
19 E elle, respondendo-lhes, disse: Ó geração incredula! até quando estarei comvosco? até quando vos soffrerei ainda? Trazei-m’o.
20 E trouxeram-lh’o; e, [11] quando o viu, logo o espirito o agitou com violencia, e, caindo por terra, revolvia-se, escumando.
21 E perguntou ao pae d’elle: Quanto tempo ha que lhe succede isto? E elle disse-lhe: Desde a infancia;
22 E muitas vezes o tem lançado no fogo, e na agua, para o destruir; mas, se tu podes fazer alguma _coisa_, tem compaixão de nós, e ajuda-nos.
23 E Jesus disse-lhe: [12] Se tu podes crêr; tudo _é_ possível ao que crê.
24 E logo o pae do menino, clamando com lagrimas, disse: Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade.
25 E Jesus, vendo que a multidão concorria, reprehendeu o espirito immundo, dizendo-lhe: Espirito mudo e surdo, eu te ordeno: Sae d’elle, e não entres mais n’elle.
26 E elle, clamando, e agitando-o com violencia, saiu; e ficou o _menino_ como morto, de tal maneira que muitos diziam que estava morto.
27 Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e elle se levantou.
28 E, quando [13] entrou em casa, os seus discipulos lhe perguntaram á parte: Porque o não podemos nós expulsar?
29 E disse-lhes: Esta casta não pode sair por coisa alguma, senão pela oração e jejum.
_O maior no reino dos céus._
Mat. 18.1-14 e refs.
30 E, tendo partido d’ali, caminharam pela Galilea, e não queria que alguem _o_ soubesse;
31 Porque ensinava os seus discipulos, e lhes dizia: [14] O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matal-o-hão; e, morto elle, resuscitará ao terceiro dia.
32 Mas elles não entendiam esta palavra, e temiam interrogal-o.
33 E chegou a Capernaum, e, [15] entrando em casa, perguntou-lhes: Que arrazoaveis entre vós pelo caminho?
34 Mas elles calaram-se; porque pelo caminho tinham disputado entre si qual _d’elles havia de ser_ o maior.
35 E elle, assentando-se, chamou os doze, e disse-lhes: [16] Se alguem quizer ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.
36 E, lançando [17] mão de um menino, pôl-o no meio d’elles, e, tomando-o nos seus braços, disse-lhes:
37 Qualquer que receber um d’estes meninos em meu nome [18] a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber recebe, não a mim, mas ao que me enviou.
_Quem não é contra nós é por nós._
Luc. 9.49, 50.
38 E João lhe respondeu, [19] dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demonios, o qual não nos segue; e nós lh’o prohibimos, porque não nos segue.
39 Jesus, porém, disse: Não lh’o prohibaes; porque ninguem ha [20] que faça milagre em meu nome e possa logo fallar mal de mim.
40 Porque quem não é [21] contra nós é por nós.
41 Porque qualquer que vos der [22] a beber um copo d’agua em meu nome, porque sois _discipulos_ de Christo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão.
_Os escandalos._
42 E qualquer que [23] escandalizar um d’_estes_ pequeninos que crêem em mim melhor lhe fôra que lhe pozessem ao pescoço uma mó de atafona, e que fosse lançado no mar.
43 E, se a tua mão te [24] escandalizar, corta-a: melhor te é entrar na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga;
44 Onde o seu bicho [25] não morre, e o fogo nunca se apaga.
45 E, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor te é entrar côxo na vida do que, tendo dois pés, ser lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga;
46 Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.
47 E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fóra; melhor te é entrar no reino de Deus com um olho do que, tendo dois olhos, ser lançado no fogo do inferno;
48 Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.
49 Porque cada um será [26] salgado com fogo, e cada sacrificio será salgado com sal.
50 Bom _é_ o sal; [27] mas, se o sal se tornar insulso, com que o adubareis? tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros.
[1] Mat. 15.28.
[2] Mat. 24.30 e 25.31. Luc. 22.18.
[3] Luc. 9.28.
[4] Dan. 7.9. Mat. 28.3.
[5] Mat. 17.9.
[6] Mat. 17.10.
[7] Psa. 22.6. Isa. 53.2, etc. Dan. 9.26. Luc. 23.11. Phi. 2.7.
[8] Mat. 11.14 e 17.12. Luc. 1.17.
[9] Luc. 9.37.
[10] Mat. 17.14. Luc. 9.38.
[11] cap. 1.26. Luc. 9.42.
[12] Mat. 17.20. cap. 11.23. Luc. 17.6. João 11.40.
[13] Mat. 17.18.
[14] Mat. 17.19. Luc. 9.44.
[15] Mat. 18.1. Luc. 9.46 e 22.24.
[16] Mat. 20.26, 27. cap. 10.43.
[17] Mat. 18.2. cap. 10.16.
[18] Mat. 10.40. Luc. 9.48.
[19] Num. 11.28.
[20] I Cor. 12.3.
[21] Mat. 12.30.
[22] Mat. 10.42.
[23] Mat. 18.6. Luc. 17.1.
[24] Deu. 13.6. Mat. 5.29 e 18.8.
[25] Isa. 66.24.
[26] Lev. 2.13. Eze. 43.24.
[27] Mat. 5.13. Luc. 14.34. Eph. 4.29. Col. 4.6. II Cor. 13.11. Heb. 12.14.
_O divorcio._
Mat. 19.1-12 e refs.
[Anno Domini 33]
10 E, levantando-se d’ali, foi para [1] os termos da Judea, além do Jordão, e a multidão se reuniu em torno d’elle; e tornou a ensinal-os, como tinha por costume.
2 E, approximando-se _d’elle_ os phariseos, [2] perguntaram-lhe, tentando-o: É licito ao homem repudiar _sua_ mulher?
3 Mas elle, respondendo, disse-lhes: Que vos mandou Moysés?
4 E elles disseram: [3] Moysés permittiu escrever-_lhe_ carta de divorcio, e repudial-_a_.
5 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Pela dureza dos vossos corações vos escreveu elle esse mandamento;
6 Porém, desde o principio da creação, Deus os fez [4] macho e femea.
7 Por isso [5] deixará o homem a seu pae e a sua mãe, e unir-se-ha a sua mulher,
8 E serão os dois uma só carne: assim que _já_ não serão dois, mas uma só carne.
9 Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem.
10 E em casa tornaram os discipulos a interrogal-o ácerca d’isto mesmo.
11 E elle lhes disse: [6] Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultéra contra ella.
12 E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultéra.
_Jesus abençoa os meninos._
Mat. 19.13-15 e refs.
13 E [7] traziam-lhe meninos para que os tocasse, mas os discipulos reprehendiam aos que lh’_os_ traziam.
14 Jesus, porém, vendo _isto_, indignou-se, e disse-lhes: Deixae vir os meninos a mim, e não os empeçaes; porque dos [8] taes é o reino de Deus.
15 Em verdade vos digo que qualquer que não receber [9] o reino de Deus como menino de maneira nenhuma entrará n’elle.
16 E, tomando-os nos seus braços, e impondo-lhes as mãos, os abençoou.
_O mancebo rico._
Mat. 19.16-30.
17 E, saindo [10] para o caminho, correu para elle um, e, pondo-se de joelhos diante d’elle, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
18 E Jesus lhe disse: Porque me chamas bom? ninguem _ha_ bom senão um, _que é_ Deus.
19 Tu sabes os mandamentos: Não [11] adulterarás; não matarás; não furtarás; não darás falsos testemunhos; não defraudarás alguem: honra a teu pae e a _tua_ mãe.
20 Elle, porém, respondendo, lhe disse: Mestre, tudo isso guardei desde a minha mocidade.
21 E Jesus, olhando para elle, o amou e lhe disse: Falta-te uma _coisa_: vae, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, [12] e terás _um_ thesouro no céu; e vem, segue-me.
22 Mas elle, pezaroso d’esta palavra, retirou-se triste; porque possuia muitas propriedades.
23 Então Jesus, [13] olhando em redor, disse aos seus discipulos: Quão difficilmente entrarão no reino de Deus os que teem riquezas!
24 E os discipulos se admiraram d’estas suas palavras; mas Jesus, tornando a fallar, [14] disse-lhes: Filhos, quão difficil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no reino de Deus!
25 É mais facil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.
26 E elles se admiravam ainda mais, dizendo entre si: Quem poderá pois salvar-se?
27 Jesus, porém, olhando para elles, disse: Para os homens _é_ impossivel, mas não para Deus, porque para Deus [15] todas _as coisas_ são possiveis.
28 E Pedro [16] começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixámos, e te seguimos.
29 E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguem ha, que tenha deixado casa, _ou_ irmãos, ou irmãs, ou pae, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do Evangelho,
30 Que [17] não receba cem vezes tanto, agora n’este tempo, casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no seculo futuro a vida eterna.
31 Porém [18] muitos primeiros serão derradeiros, e _muitos_ derradeiros serão primeiros.
_O pedido dos filhos de Zebedeo._
Mat. 20.17-28.
32 E iam no caminho, [19] subindo a Jerusalem: e Jesus ia adiante d’elles. E elles maravilhavam-se, e seguiam-n’o atemorisados. E, tornando a tomar _comsigo_ os doze, começou [20] a dizer-lhes as _coisas_ que lhe deviam sobrevir,
33 _Dizendo_: Eis que nós subimos a Jerusalem, e o Filho do homem será entregue aos principes dos sacerdotes, e aos escribas, e o condemnarão á morte, e o entregarão aos gentios.
34 E o escarnecerão, e açoitarão, e cuspirão n’elle, e o matarão; e ao terceiro dia resuscitará.
35 E approximaram-se [21] d’elle Thiago e João, filhos de Zebedeo, dizendo: Mestre, quizeramos que nos fizesses o que pedirmos.
36 E elle lhes disse: Que quereis que vos faça?
37 E elles lhe disseram: Concede-nos que na tua gloria nos assentemos, um á tua direita, e outro á tua esquerda.
38 Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis: podeis vós beber o calix que eu bebo, e ser baptizados com o baptismo com que eu sou baptizado?
39 E elles lhe disseram: Podemos. Jesus, porém, disse-lhes: Em verdade, vós bebereis o calix que eu beber, e sereia baptizados com o baptismo com que eu sou baptizado;
40 Mas o assentar-se á minha direita, ou á minha esquerda, não me pertence a mim concedel-o, senão _áquelles_ para quem está preparado.
41 E [22] os dez, tendo ouvido _isto_, começaram a indignar-se contra Thiago e João.
42 Mas Jesus, chamando-os _a si_, disse-lhes: [23] Sabeis que os que julgam ser principes das gentes d’ellas se assenhoream, e os seus grandes usam de auctoridade sobre ellas;
43 Mas [24] entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quizer ser grande, será vosso [AGQ] _servo_;
44 E qualquer que d’entre vós quizer ser o primeiro será [AGR] servo de todos.
45 Porque o [25] Filho do homem tambem não veiu para ser servido, mas para servir e dar [26] a sua vida em resgate por muitos.
_O cego de Jericó._
Mat. 20.29-34.
46 Depois foram para Jericó. E, saindo [27] elle de Jericó com seus discipulos, e uma grande multidão, Bartimeo, o cego, filho de Timeo, estava assentado junto do caminho, mendigando.
47 E, ouvindo que era Jesus de Nazareth, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de David! tem misericordia de mim.
48 E muitos o reprehendiam, para que se calasse; mas elle clamava cada vez mais: Filho de David! tem misericordia de mim.
49 E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom animo; levanta-te, _que_ elle te chama.
50 E elle, lançando _de si_ a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus.
51 E Jesus, fallando, disse-lhe: Que queres _que_ te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que recupere a vista.
52 E Jesus lhe disse: [28] Vae, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.
[1] João 10.40 e 11.7.
[2] Mat. 19.3.
[3] Deu. 24.1. Mat. 5.31 e 19.7.
[4] Gen. 1.27 e 5.2.
[5] Gen. 2.24. I Cor. 6.16. Eph. 5.31.
[6] Mat. 5.32 e 19.9. Luc. 16.18. Rom. 7.3. I Cor. 7.10, 11.
[7] Luc. 18.15.
[8] I Cor. 14.20. I Ped. 2.2.
[9] Mat. 18.3.
[10] Luc. 18.18.
[11] Exo. 20.14. Rom. 13.9.
[12] Mat. 6.19, 20 e 19.21. Luc. 12.33 e 16.9.
[13] Mat. 19.23. Luc. 18.24.
[14] Job 31.24. Psa. 52.7 e 62.10. I Tim. 6.17.
[15] Jer. 3.2, 17. Mat. 19.26. Luc. 1.37.
[16] Mat. 19.27. Luc. 18.28.
[17] II Chr. 25.9. Luc. 18.30.
[18] Mat. 19.30 e 20.16. Luc. 13.30.
[19] Luc. 18.31.
[20] cap. 8.31 e 9.31. Luc. 9.22 e 18.31.
[21] Mat. 10.20.
[22] Mat. 20.24.
[23] Luc. 22.25.
[24] Mat. 20.26, 28. cap. 3.35. Luc. 9.48.
[25] João 13.14. Phi. 2.7.
[26] Mat. 20.28. I Tim. 2.6. Tito 2.14.
[27] Luc. 18.35.
[28] Mat. 9.22. cap. 5.34.
_A entrada triumphal de Jesus em Jerusalem._
Mat. 21.1-11.
11 E, logo [1] que se approximaram de Jerusalem, de Bethphagé e de Bethania, junto do monte das Oliveiras, enviou dois dos seus discipulos,
2 E disse-lhes: Ide á aldeia que está defronte de vós; e, logo que ali entrardes, encontrareis preso um jumentinho, sobre o qual ainda não montou homem algum; soltae-o, e trazei-_m’o_.
3 E, se alguem vos disser: Porque fazeis isso? dizei-lhe que o Senhor precisa d’elle, e logo o deixará trazer para aqui.
4 E foram, e encontraram o jumentinho preso fóra da porta, entre dois caminhos, e o soltaram.
5 E alguns dos que ali estavam lhes disseram: Que fazeis, soltando o jumentinho?
6 Elles, porém, disseram-lhes como Jesus lhes tinha mandado, e deixaram-n’os ir.
7 E levaram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre elle os seus vestidos, e assentou-se sobre elle:
8 E muitos [2] estendiam os seus vestidos pelo caminho, e outros cortavam ramos das arvores, e _os_ espalhavam pelo caminho.
9 E aquelles que iam adiante, e os que seguiam, clamavam, dizendo: Hosanna, [3] bemdito o que vem em nome do Senhor;
10 Bemdito o reino do nosso pae David, [4] que vem em nome do Senhor; Hosanna nas alturas.
11 E Jesus entrou em [5] Jerusalem, no templo, e, tendo visto tudo em redor, e sendo já tarde, saiu para Bethania com os doze.
_A figueira secca: a purificação do templo._
Mat. 21.12-22.
12 E, no dia seguinte, quando sairam de Bethania, teve fome,
13 E, [6] vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi _vêr_ se n’ella acharia alguma coisa: e, chegando a ella, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos.
14 E Jesus, fallando, disse á figueira: Nunca mais alguem coma fructo de ti, para sempre. E os seus discípulos ouviram _isto_.
15 E vieram a Jerusalem; [7] e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derribou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas.
16 E não consentia que alguem levasse _algum_ vaso pelo templo.
17 E os ensinava, dizendo: Não está escripto: A minha casa será chamada por todas as nações casa de oração? [8] Mas vós a tendes feito covil [9] de ladrões.
18 E os escribas [10] e principes dos sacerdotes, tendo ouvido _isto_, buscavam occasião para o matar; pois elles o temiam, porque [11] toda a multidão estava admirada ácerca da sua doutrina.
19 E, sendo já tarde, saiu fóra da cidade.
20 E elles, passando pela [12] manhã, viram que a figueira se tinha seccado desde as raizes.
21 E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, seccou-se.
22 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus;
23 Porque em verdade vos digo que [13] qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crêr que se fará aquillo que diz, tudo o que disser lhe será feito.
24 Portanto vos digo que tudo o que pedirdes, [14] orando, crêde que _o_ recebereis, e tel-o-heis;
25 E, quando estiverdes orando, perdoae, se tendes alguma coisa contra alguém, [15] para que vosso Pae, que _está_ nos céus, vos perdôe as vossas offensas;
26 Mas, se vós [16] não perdoardes, tambem vosso Pae, que _está_ nos céus, vos não perdoará as vossas offensas.
_Interrogação ácerca do baptismo de João._
27 E tornaram a Jerusalem, e, andando elle pelo [17] templo, os principaes dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos se approximaram d’elle,
28 E lhe disseram: Com que auctoridade fazes tu estas _coisas_? e quem te deu esta auctoridade para fazer estas _coisas_?
29 Más Jesus, respondendo, disse-lhes: Também eu vos perguntarei uma coisa, e respondei-me, e vos direi com que auctoridade faço estas _coisas_:
30 O baptismo de João era do céu ou dos homens? respondei-me.
31 E elles arrazoavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu; elle _nos_ dirá: Pois porque o não crêstes?
32 Se, porém, dissermos: Dos homens; tememos o povo. Porque todos sustentavam que [18] João verdadeiramente era propheta.
33 E, respondendo, disseram a Jesus: Não sabemos. E Jesus, respondendo, lhes disse: Tambem eu vos não direi com que auctoridade faço estas _coisas_.
[1] Luc. 19.29. João 12.14.
[2] Mat. 21.8.
[3] Psa. 118.26.
[4] Psa. 149.1.
[5] Mat. 21.12.
[6] Mat. 21.18.
[7] Mat. 21.19. Luc. 19.46. João 2.14.
[8] Isa. 66.7.
[9] Jer. 7.11.
[10] Mat. 21.45, 46. Luc. 19.47.
[11] Mat. 7.28. cap. 1.22. Luc. 4.32.
[12] Mat. 21.19.
[13] Mat. 17.19 e 21.21. Luc. 17.6.
[14] Mat. 7.7. Luc. 11.9. João 11.13 e 15.7 e 16.24. Thi. 1.5.
[15] Mat. 6.14. Col. 3.13.
[16] Mat. 18.35.
[17] Mat. 21.23. Luc. 20.1.
[18] Mat. 3.6 e 14.5. cap. 6.20.
_Parabola dos lavradores malvados._
Mat. 21.33-46.
12 E começou [1] a fallar-lhes por parabolas: Um homem plantou uma vinha, e cercou-a de _um_ vallado, e fundou _n’ella_ um lagar, e edificou _uma_ torre, e arrendou-a a uns lavradores, e partiu para fóra da terra;
2 E, chegado o tempo, mandou um servo aos lavradores para que recebesse, dos lavradores, do fructo da vinha.
3 Mas elles, apoderando-se d’elle, _o_ feriram e _o_ mandaram embora vasio.
4 E tornou a enviar-lhes outro servo; e elles, apedrejando-o, _o_ feriram na cabeça, e _o_ mandaram embora, tendo-_o_ affrontado.
5 E tornou a enviar-lhes outro, e a este mataram, e outros muitos, e feriram uns, e mataram outros.
6 Tendo elle pois ainda um seu filho amado, enviou-o tambem a estes por derradeiro, dizendo: Ao menos terão respeito ao meu filho.
7 Mas aquelles lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; vamos, matemol-o, e a herança será nossa.
8 E, pegando d’elle, _o_ mataram, e _o_ lançaram fóra da vinha.
9 Que fará pois o Senhor da vinha? Virá, e destruirá os lavradores, e dará a vinha a outros.
10 Ainda não lestes esta Escriptura: [2] A pedra, que os edificadores rejeitaram, esta foi posta por cabeça da esquina:
11 Isto foi feito pelo Senhor, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos?
12 E buscavam [3] prendel-o, mas temiam a multidão, porque entendiam que contra elles dizia esta parabola: e, deixando-o, foram-se.
_Interrogação ácerca do tributo._
Mat. 22.15-22.
13 E enviaram-lhe alguns [4] dos phariseos e dos herodianos, para que o apanhassem n’_alguma_ palavra.
14 E, chegando elles, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és homem de verdade, e de ninguem se te dá, porque não olhas á apparencia dos homens, antes com verdade ensinas o caminho de Deus: é licito dar o tributo a Cesar, ou não? Daremos, ou não daremos?
15 Então ele, conhecendo a sua hypocrisia, disse-lhes: Porque me tentaes? trazei-me _uma_ moeda, para que _a_ veja.
16 E elles _lh’a_ trouxeram. E disse-lhes: De quem é esta imagem e inscripção? E elles lhe disseram: De Cesar.
17 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dae _pois_ a Cesar o _que é_ de Cesar, e a Deus o _que_ é de Deus. E maravilharam-se d’elle.
_Os sadduceos e a resurreição._
Mat. 22.23-33.
18 Então os [5] sadduceos, que dizem que não ha [6] resurreição, approximaram-se d’elle, e perguntaram-lhe, dizendo:
19 Mestre, [7] Moysés nos escreveu que, se morresse o irmão de alguem, e deixasse mulher e não deixasse filhos, seu irmão tomasse a mulher d’elle, e suscitasse semente a seu irmão.
20 Ora havia sete irmãos, e o primeiro tomou mulher, e morreu sem deixar semente;
21 E o segundo tambem a tomou e morreu, e nem este deixou semente; e o terceiro da mesma maneira;
22 E tomaram-n’a _todos_ os sete, sem, comtudo, deixarem semente. Finalmente, depois de todos, morreu tambem a mulher.
23 Na resurreição, pois, quando resuscitarem, de qual d’estes será a mulher? porque os sete a tiveram por mulher.
24 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Porventura não erraes vós, porque não sabeis as Escripturas nem o poder de Deus?
25 Porquanto, quando resuscitarem dos mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como [8] os anjos que _estão_ nos céus.
26 E, ácerca dos mortos que houverem de resuscitar, não tendes lido no livro de Moysés como Deus lhe fallou na sarça, dizendo: Eu _sou_ [9] o Deus de Abrahão, e o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob?
27 Ora Deus não é dos mortos, mas sim Deus dos vivos. Por isso vós erraes muito.
_O primeiro de todos os mandamentos._
Mat. 22.35-40 e refs.
28 E, approximando-se d’elle um dos escribas que os tinha ouvido disputar, sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?
29 E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos _é_: Ouve, [10] Israel, o Senhor nosso Deus é o unico Senhor.
30 Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças: este _é_ o primeiro mandamento.
31 E o segundo, similhante a este, _é_: [11] Amarás o teu proximo como a ti mesmo. Não ha outro mandamento maior do que estes.
32 E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que ha um só [12] Deus, e que não ha outro além d’elle;
33 E que amal-o de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o proximo como a si mesmo, é mais do que todos [13] os holocaustos e sacrificios.
34 E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguem [14] ousava perguntar-lhe mais nada.
_O Christo, Filho de David._
Mat. 22.41-46.
35 E, fallando [15] Jesus, dizia, ensinando no templo: Como dizem os escribas que o Christo é filho de David?
36 Porque o mesmo David disse pelo Espirito Sancto: [16] O Senhor disse ao meu Senhor: Assenta-te á minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabello dos teus pés.
37 Pois, _se_ David mesmo lhe chama Senhor, como é logo seu filho? E a grande multidão o ouvia de boa vontade.
_Jesus censura os escribas._
Mat. 23.6, etc.
38 E, ensinando-os, [17] dizia-lhes: Guardae-vos dos escribas, que gostam de andar com vestidos compridos, e das saudações nas praças,
39 E das primeiras cadeiras nas synagogas, e dos primeiros assentos nas ceias;
40 Que devoram [18] as casas das viuvas, e _isso_ com pretexto de largas orações. Estes receberão mais grave condemnação.
_A oferta da viuva pobre._
Luc. 21.1-4.
41 E, estando Jesus assentado defronte da [19] arca do thesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do thesouro; e muitos ricos deitavam muito.
42 E, chegando uma pobre viuva, deitou duas pequenas moedas, que valiam quatro réis.
43 E, chamando os seus discipulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre [20] viuva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do thesouro,
44 Porque todos _ali_ deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o [21] que tinha, todo o seu sustento.
[1] Luc. 20.9.
[2] Psa. 118.22.