A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 161
[7] Mat. 13.19.
[8] I Tim. 6.9, 17.
[9] Mat. 5.15.
[10] Mat. 10.26. Luc. 12.2.
[11] Mat. 11.15. ver. 9.
[12] Mat. 7.2. Luc. 6.38.
[13] Mat. 13.12 e 25.29. Luc. 8.18 e 19.26.
[14] Mat. 13.24.
[15] Apo. 14.15.
[16] Luc. 13.18. Act. 2.41 e 4.4 e 5.14 e 19.20.
[17] Mat. 13.34. João 16.12.
[18] Luc. 8.22.
_O endemoninhado gadareno._
Mat. 8.26-34.
5 E chegaram á outra banda do mar, á provincia dos gadarenos.
2 E, saindo elle do barco, lhe saiu ao seu encontro logo, dos sepulchros, um homem com espirito immundo;
3 O qual tinha a _sua_ morada nos sepulchros, e nem ainda com cadeias o podia alguem prender;
4 Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por elle feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas, e ninguem o podia amansar.
5 E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulchros, e ferindo-se com pedras.
6 E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o.
7 E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu comtigo, Jesus, Filho do Deus Altissimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes.
8 (Porque lhe dizia: Sae d’este homem, espirito immundo.)
9 E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião _é_ o meu nome, porque somos muitos.
10 E rogava-lhe muito que os não enviasse para fóra d’aquella provincia.
11 E andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos.
12 E todos _aquelles_ demonios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aquelles porcos, para que entremos n’elles.
13 E Jesus logo lh’o permittiu. E, saindo aquelles espiritos immundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quasi dois mil), e afogaram-se no mar.
14 E os que apascentavam os porcos fugiram, e o annunciaram na cidade e nos campos; e sairam a vêr o que era aquillo que tinha acontecido.
15 E foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido e em perfeito juizo, e temeram.
16 E os que _aquillo_ tinham visto contaram-lhes o que acontecera ao endemoninhado; e ácerca dos porcos.
17 E começaram [1] a rogar-lhe que se fosse dos seus termos.
18 E, entrando elle no barco, rogara-lhe o que [2] fôra endemoninhado _que o deixasse_ estar com elle.
19 Jesus, porém, não lh’o permittiu, mas disse-lhe: Vae para tua casa, para os teus, e annuncia-lhes quão grandes _coisas_ o Senhor te fez, e _como_ teve misericordia de ti.
20 E foi, e começou a annunciar em Decapolis quão grandes _coisas_ Jesus lhe fizera; e todos se maravilhavam.
_A filha de Jairo. A mulher que tinha um fluxo de sangue._
Mat. 9.18-26. Luc. 8.40-46.
21 E, passando Jesus outra vez n’um barco para a outra banda, ajuntou-se a elle uma grande multidão; e elle estava junto do mar.
22 E, eis que chegou [3] um dos principaes da synagoga, por nome Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos seus pés,
23 E rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está moribunda; _rogo-te_ que venhas e lhe imponhas as mãos para que sare, e viva.
24 E foi com elle, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava.
25 E _uma_ certa mulher, [4] que, havia doze annos tinha um fluxo de sangue,
26 E que havia padecido muito com muitos medicos, e dispendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando, antes indo a peior;
27 Ouvindo _fallar_ de Jesus, veiu por detraz, entre a multidão, e tocou o seu vestido.
28 Porque dizia: Se tão sómente tocar os seus vestidos, sararei.
29 E logo se lhe seccou a fonte do seu sangue; e sentiu no _seu_ corpo estar _já_ curada d’aquelle [AGL] açoite.
30 E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saira, [5] voltando-se para a multidão, disse: Quem tocou os meus vestidos?
31 E disseram-lhe os seus discipulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou?
32 E elle olhava em redor, para vêr a que isto fizera.
33 Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, approximou-se, e prostrou-se diante d’elle, e disse-lhe toda a verdade.
34 E elle lhe disse: [6] Filha, a tua fé te salvou; vae em paz, e sê curada d’este teu açoite.
35 Estando elle ainda [7] fallando, chegaram _alguns_ do principal da synagoga, dizendo: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre?
36 E Jesus, tendo ouvido esta palavra que se dizia, disse ao principal da synagoga: Não temas, crê sómente.
37 E não permittiu que alguem o seguisse, senão Pedro, e Thiago, e João, irmão de Thiago.
38 E, tendo chegado a casa do principal da synagoga, viu o alvoroço, e os que choravam muito e pranteavam.
39 E, entrando, disse-lhes: Porque vos alvoroçaes e choraes? a menina não está morta, [8] mas dorme.
40 E riam-se d’elle; porém elle, tendo-_os_ posto a todos fóra, [9] tomou comsigo o pae e a mãe da menina, e os que com elle estavam, e entrou aonde a menina estava deitada.
41 E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talitha cumi: que, traduzido é: Filhinha, a ti te digo, levanta-te.
42 E logo a menina se levantou, e andava, pois _já_ tinha doze annos: e assombraram-se com grande espanto.
43 E mandou-lhes [10] expressamente que ninguem o soubesse; e disse que lhe dessem de comer.
[1] Mat. 8.34.
[2] Luc. 8.38.
[3] Mat. 9.18. Luc. 8.41.
[4] Lev. 15.25. Mat. 9.20.
[5] Luc. 6.19 e 8.46.
[6] Mat. 9.22. cap. 10.52. Act. 14.9.
[7] Luc. 8.49.
[8] João 11.11.
[9] Act. 9.40.
[10] Mat. 8.4 e 9.30 e 12.16 e 17.9. Luc. 5.14.
_Jesus retira-se para Nazareth._
Mat. 13.53-58, etc.
6 E partiu d’ali, [1] e chegou á sua patria, e os seus discipulos o seguiram.
2 E, chegando o sabbado, começou a ensinar na synagoga; e muitos, ouvindo-_o_, se admiravam, dizendo: [2] D’onde _veem_ a este estas _coisas_? e que sabedoria _é_ esta que lhe foi dada? e taes maravilhas, que por suas mãos se fazem?
3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria, [3] e irmão de Thiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui comnosco suas irmãs? [4] E escandalizavam-se n’elle.
4 E Jesus lhes dizia: [5] Não ha propheta sem honra senão na sua patria, entre os seus parentes, e na sua casa.
5 E não [6] podia fazer maravilha alguma; sómente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.
6 E estava maravilhado [7] da incredulidade d’elles. E percorreu as aldeias visinhas, ensinando.
7 Chamou [8] _a si_ os doze, e começou a envial-os a dois e dois, e deu-lhes poder sobre os espiritos immundos;
8 E ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senão sómente um bordão; nem alforge, nem pão, nem dinheiro no cinto;
9 Mas que [9] calçassem alparcas, e que não vestissem duas tunicas.
10 E dizia-lhes: Aonde [10] quer que entrardes n’alguma casa, ficae n’ella até sairdes de ali.
11 E, quando [11] alguns vos não receberem, nem vos ouvirem, saindo d’ali, sacudi o pó que estiver debaixo dos [12] vossos pés, em testemunho para com elles. Em verdade vos digo que haverá mais tolerancia no dia de juizo para Sodoma e Gomorrah do que para os d’aquella cidade.
12 E, saindo elles, prégavam que se arrependessem.
13 E expulsavam muitos demonios, [13] e ungiam muitos enfermos com azeite, e _os_ curavam.
_A morte de João Baptista._
Mat. 14.1-12, etc.
[Anno Domini 32]
14 E ouviu _isto_ [14] o rei Herodes (porque o seu nome se tornára notorio), e disse: João, o que baptizava, resuscitou dos mortos, e por isso estas maravilhas operam n’elle.
15 Outros [15] diziam: É Elias. E diziam outros: É um propheta, ou como um dos prophetas.
16 Herodes, porém, [16] ouvindo _isto_, disse: Este é João, que mandei degolar, resuscitou dos mortos.
17 Porque o mesmo Herodes mandára prender a João, e encerral-o manietado no carcere, por causa de Herodias, mulher de Philippe, seu irmão, porquanto tinha casado com ella.
18 Porque dizia João a Herodes: Não [17] te é licito possuir a mulher de teu irmão.
19 E Herodias o espiava, e queria matal-o, mas não podia,
20 Porque Herodes temia [18] a João, sabendo que _era_ varão justo e sancto; e [AGM] estimava-o, e fazia muitas _coisas_, attendendo-o, e de boamente o ouvia.
21 E, chegando um dia opportuno em que Herodes, no dia dos [19] seus annos [20] dava _uma_ ceia aos grandes, e tribunos, e principes da Galilea,
22 E, tendo entrado a filha da mesma Herodias, e dançando, e agradando a Herodes e aos que estavam com elle á mesa, o rei disse á menina: Pede-me o que quizeres, e eu t’_o_ darei.
23 E jurou-lhe, dizendo: Tudo o [21] que me pedires te darei, até metade do meu reino.
24 E, saindo ella, disse a sua mãe: Que pedirei? E ella disse: A cabeça de João Baptista.
25 E, entrando logo apressadamente, pediu ao rei, dizendo: Quero que immediatamente me dês n’um prato a cabeça de João Baptista.
26 E o [22] rei entristeceu-se muito; _todavia_, por causa do juramento e dos que estavam com elle á mesa, não lh’a quiz negar.
27 E, enviando logo o rei o executor, mandou que lhe trouxessem ali a cabeça _de João_. E elle foi, e degolou-o na prisão;
28 E trouxe a cabeça n’um prato, e deu-a á menina, e a menina a deu a sua mãe.
29 E os seus discipulos, tendo ouvido _isto_, foram, tomaram o seu corpo, e o pozeram n’um sepulchro.
_A primeira multiplicação dos pães._
Mat. 14.13-21, etc.
30 E os [23] apostolos ajuntaram-se a Jesus, e contaram-lhe tudo, tanto o que tinham feito como o que tinham ensinado.
31 E elle disse-lhes: [24] Vinde vós, aqui áparte, a um logar deserto, e repousae um pouco. Porque havia muitos que iam e vinham, [25] e não tinham tempo para comer.
32 E foram n’um barco para um logar deserto, em particular.
33 E a multidão viu-os partir, e muitos o conheceram; e concorreram lá a pé de todas as cidades, e ali chegaram primeiro do que elles, e approximavam-se d’elle.
34 E Jesus, saindo, [26] viu _uma_ grande multidão, e teve compaixão d’elles, porque eram como ovelhas que não teem pastor; [27] e começou a ensinar-lhes muitas _coisas_.
35 E, como o dia fosse já muito adiantado, [28] os seus discipulos se approximaram d’elle, e lhe disseram: O logar é deserto, e o dia _está_ já muito adiantado;
36 Despede-os, para que vão aos logares e aldeias circumvisinhas, e comprem pão para si; porque não teem que comer.
37 Elle, porém, respondendo, lhes disse: Dae-lhes vós de comer. E elles disseram-lhe: [29] Iremos nós, e compraremos duzentos dinheiros de pão para lhes darmos de comer?
38 E elle disse-lhes: Quantos pães tendes? Ide vêr. E, sabendo-o elles, disseram: Cinco [30] e dois peixes.
39 E ordenou-lhes que fizessem assentar a todos, em ranchos, sobre a herva verde.
40 E assentaram-ce repartidos de cem em cem, e de cincoenta em cincoenta.
41 E, tomando elle os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, [31] abençoou e partiu os pães, e deu-_os_ aos seus discipulos para que os pozessem adiante d’elles. E repartiu os dois peixes por todos;
42 E todos comeram, e ficaram fartos;
43 E levantaram doze cestos cheios de pedaços _de pão_ e de peixes.
44 E os que comeram os pães eram quasi cinco mil homens.
_Jesus anda por cima do mar._
Mat. 14.22-36.
45 E logo [32] obrigou os seus discipulos a subir para o barco, e ir adiante, para a outra banda, _defronte_ de Bethsaida, entretanto que elle despedia a multidão.
46 E, tendo-os despedido, foi ao monte a orar.
47 E, [33] sobrevindo a tarde, estava o barco no meio do mar, e elle sósinho em terra.
48 E viu que se fatigavam remando muito, porque o vento lhes era contrario, e perto da quarta vigilia da noite approximou-se d’elles, andando sobre o mar, [34] e queria passar adiante d’elles.
49 Mas, quando o viram andar sobre o mar, cuidaram que era _um_ phantasma, e deram grandes gritos.
50 Porque todos o viam, e turbaram-se; mas logo fallou com elles, e disse-lhes: Tende bom animo; sou eu, não temaes.
51 E subiu para o barco para _estar_ com elles, e o vento se aquietou; e entre si ficaram muito assombrados e maravilhados;
52 Pois _ainda_ não tinham [35] comprehendido _o milagre_ dos pães; porque o seu coração estava [36] endurecido.
53 E, [37] quando já estavam na outra banda, dirigiram-se á terra de Gennezareth, e ali tomaram porto.
54 E, saindo elles do barco, logo o conheceram;
55 E, correndo toda a terra em redor, começaram a trazer-lhe em leitos, aonde quer que sabiam que estava, os que se achavam enfermos.
56 E, aonde quer que entrava, em cidade, ou aldeias, ou logares, apresentavam os enfermos nas praças, e rogavam-lhe que ao menos [38] tocassem a orla do seu vestido; e todos os que lhe tocavam saravam.
[1] Luc. 4.16.
[2] João 6.42.
[3] Mat. 12.46. Gal. 1.19.
[4] Mat. 11.6.
[5] Mat. 13.57. João 4.44.
[6] Gen. 19.22 e 32.25. Mat. 13.58. cap. 9.22.
[7] Isa. 59.16. Mat. 9.35. Luc. 13.22.
[8] Mat. 10.1. cap. 3.13, 14. Luc. 9.1.
[9] Act. 12.8.
[10] Mat. 10.11. Luc. 9.4 e 10.7, 8.
[11] Mat. 10.14. Luc. 10.10.
[12] Act. 13.51 e 18.6.
[13] Thi. 5.14.
[14] Luc. 9.7.
[15] Mat. 16.14. cap. 8.28.
[16] Mat. 14.2. Luc. 3.19.
[17] Lev. 18.16 e 20.21.
[18] Mat. 14.5 e 21.26.
[19] Mat. 14.6.
[20] Gen. 40.20.
[21] Est. 5.3, 6 e 7.2.
[22] Mat. 14.9.
[23] Luc. 9.10.
[24] Mat. 14.13. cap. 3.20.
[25] Mat. 14.13.
[26] Mat. 9.33 e 14.14.
[27] Luc. 9.11.
[28] Mat. 14.15. Luc. 9.12.
[29] Num. 11.13, 22. II Reis 4.43.
[30] Mat. 14.17 e 15.34. Luc. 9.13. João 6.9. cap. 8.5.
[31] I Sam. 9.13. Mat. 26.26.
[32] João 6.17.
[33] Mat. 14.23. João 6.16, 17.
[34] Luc. 24.28.
[35] cap. 8.17, 18.
[36] cap. 3.5 e 16.14.
[37] Mat. 14.34.
[38] Mat. 9.20. cap. 5.27, 28. Act. 19.12.
_A tradição dos anciãos._
Mat. 15.1-20, etc.
7 E ajuntaram-se a elle os phariseos, e alguns dos escribas que tinham vindo de Jerusalem,
2 E, vendo que alguns dos seus discipulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar, os reprehendiam.
3 Porque os phariseos, e todos os judeos, conservando a tradição dos antigos, não comem sem lavar as mãos muitas vezes;
4 E, _quando voltam_ do mercado, se não se lavarem, não comem. E muitas outras _coisas_ ha que se encarregaram de observar, _como_ lavar os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas.
5 Depois perguntaram-lhe [1] os phariseos e os escribas: Porque não andam os teus discipulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos por lavar?
6 E elle, respondendo, disse-lhes: Bem prophetizou Isaias ácerca de vós, hypocritas, como está escripto: [2] Este povo honra-me com os labios, mas o seu coração está longe de mim;
7 Em vão, porém, [AGN] me honram, ensinando doutrinas, mandamentos de homens.
8 Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; _como_ o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras _coisas_ similhantes a estas.
9 E dizia-lhes: Bem invalidaes o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição.
10 Porque Moysés disse: Honra [3] a teu pae e a tua mãe; e quem maldisser, ou o pae ou a mãe, morrerá de morte.
11 Porém vós dizeis: Se um homem disser ao pae ou á mãe: Aquillo que poderias aproveitar de mim é Corban, [4] isto é, offerta ao Senhor;
12 E nada mais lhe deixaes fazer por seu pae ou por sua mãe,
13 Invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas _coisas_ fazeis similhantes a estas.
14 E, chamando [5] a _si_ toda a multidão, disse-lhes: Ouvi-me vós todos, e comprehendei.
15 Nada ha, fóra do homem, que, entrando n’elle, o possa contaminar; mas o que sae d’elle isso é que contamina o homem.
16 Se alguem [6] tem ouvidos para ouvir, ouça.
17 Depois, [7] quando deixou a multidão, e entrou em casa, os seus discipulos o interrogavam ácerca d’esta parabola.
18 E elle disse-lhes: Assim tambem vós estaes sem entendimento? Não comprehendeis que tudo o que de fóra entra no homem não o pode contaminar;
19 Porque não entra no seu coração, mas no estomago, e vae _depois_ para um logar escuso, purificando todas as comidas?
20 E dizia: O que sae do homem isso contamina o homem.
21 Porque [8] do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adulterios, as fornicações, os homicidios,
22 Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasphemia, a soberba, a loucura.
23 Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem,
_A mulher cananea._
Mat. 15.21-28.
24 E, levantando-se d’ali, foi para os termos de Tyro e de Sidon. E, entrando n’uma casa, não queria que alguem o soubesse: mas não pôde esconder-se,
25 Porque uma mulher, cuja filha tinha um espirito immundo, ouvindo _fallar_ d’elle, foi, e lançou-se aos seus pés;
26 E esta mulher era grega, syro-phenicia de nação, e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demonio.
27 Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convem tomar o pão dos filhos e lançal-_o_ aos cachorrinhos.
28 Ella, porém, respondeu, e disse-lhe: Sim, Senhor; mas tambem os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos.
29 Então elle disse-lhe: Por essa palavra, vae; o demonio _já_ saiu de tua filha.
30 E, indo ella para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, e que o demonio já tinha saido.
_Cura d’um surdo e gago de Decapolis._
31 E elle, [9] tornando a sair dos termos de Tyro e de Sidon, foi para o mar da Galilea, pelos confins de Decapolis.
32 E trouxeram-lhe um surdo, que [10] fallava difficilmente; e rogaram-lhe que pozesse a mão sobre elle.
33 E, tirando-o á parte, de entre a multidão, metteu-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, [11] tocou-lhe a lingua.
34 E, levantando os olhos ao céu, [12] suspirou, [13] e disse: Ephphatha; isto é, Abre-te.
35 E logo [14] se abriram os seus ouvidos, e a prisão da lingua se desfez, e fallava perfeitamente.
36 E ordenou-lhes [15] que a ninguem o dissessem; mas, quanto mais lh’o prohibia, tanto mais o divulgavam.
37 E, admirando-se sobremaneira, diziam: Tudo faz bem: faz ouvir os surdos e fallar os mudos.
[1] Mat. 15.1.
[2] Isa. 29.13. Mat. 15.8.
[3] Exo. 20.12 e 21.17. Deu. 5.16. Mat. 15.4. Lev. 20.9. Pro. 20.20.
[4] Mat. 15.5 e 23.18.
[5] Mat. 15.10.
[6] Mat. 11.15.
[7] Mat. 15.15.
[8] Gen. 6.5.
[9] Mat. 15.29.
[10] Mat. 9.32. Luc. 11.14.
[11] cap. 8.23. João 9.6.
[12] cap. 6.41. João 11.41 e 17.1.
[13] João 11.33, 38.
[14] Isa. 35.5, 6. Mat. 11.5.
[15] cap. 5.43.
_Segunda multiplicação dos pães._
8 N’aquelles dias, havendo mui grande multidão, [1] e não tendo que comer, Jesus chamou a si os seus discipulos, e disse-lhes:
2 Tenho compaixão da multidão, porque ha já tres dias que estão comigo, e não teem que comer.
3 E, se os deixar ir em jejum para suas casas, desfallecerão no caminho, porque alguns d’elles vieram de longe.
4 E os seus discipulos responderam-lhe: D’onde poderá alguem saciar estes de pão aqui no deserto?
5 E [2] perguntou-lhes: Quantos pães tendes? E disseram-lhe: Sete.
6 E ordenou á multidão que se assentasse no chão. E, tomando os sete pães, e tendo dado graças, partiu-_os_, e deu-os aos seus discipulos, para que _lh’os_ pozessem adiante, e pozeram-_n’os_ adiante da multidão.
7 Tinham tambem uns poucos de peixinhos; e, tendo dado graças, [3] ordenou que tambem lh’os pozessem adiante.
8 E comeram, e saciaram-se; e dos pedaços que sobejaram levantaram sete alcofas.
9 E os que comeram eram quasi quatro mil; e despediu-os.
_O fermento dos phariseos._
Mat. 16.1-12.
10 E, entrando logo no barco com os seus discipulos, foi para as partes de Dalmanutha.
11 E sairam [4] os phariseos, e começaram a disputar com elle, pedindo-lhe, para o tentarem, _um_ signal do céu.
12 E, suspirando profundamente em seu espirito, disse: Porque pede esta geração _um_ signal? Em verdade vos digo que a esta geração não se dará signal.
13 E, deixando-os, tornou a entrar no barco, e foi para a outra banda.
14 E _os seus discipulos_ [5] se esqueceram de tomar pão, e no barco não tinham comsigo senão um pão.
15 E ordenou-lhes, [6] dizendo: Olhae, guardae-vos do fermento dos phariseos e _do_ fermento de Herodes.
16 E arrazoavam entre si, dizendo: _É_ porque não temos [7] pão.
17 E Jesus, conhecendo isto, disse-lhes: Para que arrazoaes, que não tendes pão? não considerastes, nem [8] comprehendestes ainda? tendes ainda o vosso coração endurecido?
18 Tendo olhos, não vêdes? e, tendo ouvidos, não ouvis? e não vos lembraes?
19 Quando parti [9] os cinco pães entre os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços levantastes? Disseram-lhe: Doze.
20 E, [10] quando _parti_ os sete entre os quatro mil, quantas alcofas cheias de pedaços levantastes? E disseram-lhe: Sete.
21 E elle lhes disse: [11] Como não entendeis ainda?
_Cura d’um cego de Bethsaida._
22 E chegou a Bethsaida; e trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse.
23 E, tomando o cego pela mão, levou-o para fóra da aldeia; e, cuspindo-lhe nos olhos, [12] e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe se via alguma coisa.
24 E, levantando elle os olhos, disse: Vejo os homens; pois os vejo como arvores que andam.
25 Depois tornou a pôr-lhe as mãos nos olhos, e lh’os fez levantar; e ficou restabelecido, e viu ao longe e distinctamente a todos.
26 E mandou-o para sua casa, dizendo: [13] Não entres na aldeia.
_A confissão de Pedro._
Mat. 16.13-23.
27 E saiu Jesus [14] e os seus discipulos para as as aldeias de Cesarea de Philippo; e no caminho perguntou aos seus discipulos, dizendo: Quem dizem os homens que eu sou?
28 E elles responderam: [15] João Baptista; e outros, Elias; e outros, Um dos prophetas.
29 E elle lhes disse: Porém vós quem dizeis que eu sou? E, respondendo Pedro, lhe disse: [16] Tu és o Christo.
30 E [17] admoestou-os, que a ninguem dissessem _aquillo_ d’elle.
31 E começou [18] a ensinar-lhes que importava que o Filho do homem padecesse muito, e fosse rejeitado pelos anciãos e principes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, e depois de tres dias resuscitasse.
32 E dizia abertamente estas palavras. E Pedro o tomou á parte, e começou a reprehendel-o.
33 Mas elle, virando-se, e olhando para os seus discipulos, reprehendeu a Pedro, dizendo: Retira-te de diante de mim, Satanaz; porque não comprehendes as _coisas_ que _são_ de Deus, mas as que _são_ dos homens.
_Cada um deve levar a sua propria cruz._
Mat. 6.24-28 e refs.
34 E, chamando _a si_ a multidão, com os seus discipulos, disse-lhes: [19] Se alguem quizer vir após mim, negue-se _a si_ mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.
35 Porque [20] qualquer que quizer salvar a sua [AGO] vida perdel-a-ha, mas qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho esse a salvará.
36 Pois que aproveitaria ao homem, se ganhasse todo o mundo e perdesse a sua [AGP] alma?
37 Ou que dará o homem pelo resgate da sua alma?
38 Porque qualquer que, entre esta geração adultera e peccadora, se envergonhar [21] de mim e das minhas palavras, tambem o Filho do homem se envergonhará d’elle, quando vier na gloria de seu Pae, com os sanctos anjos.
[1] Mat. 15.32.
[2] Mat. 15.34. cap. 6.38.
[3] Mat. 14.19. cap. 6.41.
[4] Mat. 12.38. João 6.30.
[5] Mat. 16.5.
[6] Mat. 16.6. Luc. 12.1.
[7] Mat. 16.7.
[8] cap. 6.52.
[9] Mat. 14.20. cap. 6.43. Luc. 9.17. João 6.13.
[10] Mat. 15.37. ver. 8.
[11] cap. 6.52. ver. 17.
[12] cap. 7.33.
[13] Mat. 8.4. cap. 5.43.
[14] Luc. 9.18.
[15] Mat. 14.2.
[16] Mat. 16.16. João 6.59 e 11.27.
[17] Mat. 16.20.
[18] Mat. 16.21, 28. Luc. 9.22, 27.
[19] Mat. 10.38 e 16.24. Luc. 9.23 e 14.27.
[20] João 12.25.
[21] Mat. 10.33. Luc. 9.26 e 12.9. Rom. 1.16. II Tim. 1.8 e 2.12.
9 Dizia-lhes tambem: [1] Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns ha que não provarão a morte até que vejam vir [2] o reino de Deus com poder.
_A transfiguração._
Mat. 17.1-13 e refs.
2 E seis dias [3] depois Jesus tomou _comsigo_ a Pedro, a Thiago, e a João, e os levou sós, em particular, a um alto monte; e transfigurou-se diante d’elles;
3 E os seus vestidos tornaram-se resplandecentes, mui brancos como a neve, [4] taes como nenhum lavadeiro sobre a terra os poderia branquear.
4 E appareceu-lhes Elias com Moysés, e fallavam com Jesus.
5 E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Mestre, bom é que nós estejamos aqui, e façamos tres cabanas, uma para ti, uma para Moysés, e uma para Elias.
6 Pois não sabia o que dizia, porque estavam assombrados.