A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 159

Chapter 1594,291 wordsPublic domain

6 Mas á meia noite ouviu-se um clamor: [4] Ahi vem o esposo, sahi-lhe ao encontro.

7 Então todas aquellas virgens se levantaram, [5] e prepararam as suas lampadas.

8 E as loucas disseram ás prudentes: Dae-nos do vosso azeite, porque as nossas lampadas se apagam.

9 Mas as prudentes responderam, dizendo: _Não_ seja caso que nos falte a nós e a vós; ide antes aos que _o_ vendem, e comprae-_o_ para vós.

10 E, tendo ellas ido compral-o, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com elle para as bodas, [6] e fechou-se a porta.

11 E depois chegaram tambem as outras virgens, dizendo: [7] Senhor, Senhor, abre-nos.

12 E elle, respondendo, disse: Em verdade vos digo [8] que vos não conheço.

13 Vigiae pois, [9] porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem ha de vir.

_O sermão continúa: A parabola dos dez talentos._

Luc. 19.11-27.

14 Porque, _é_ tambem como um homem que, partindo para fóra da _sua_ terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens;

15 E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, [10] e ausentou-se logo para longe.

16 E, tendo elle partido, o que recebera cinco talentos negociou com elles, e grangeou outros cinco talentos.

17 Da mesma sorte, o que _recebera_ dois, grangeou tambem outros dois;

18 Mas o que recebera um foi enterral-o no chão, e escondeu o dinheiro do seu senhor.

19 E muito tempo depois veiu o senhor d’aquelles servos, e fez contas com elles.

20 Então approximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que grangeei com elles.

21 E o seu senhor lhe disse: Bem _está_, servo bom e fiel. [11] Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; [12] entra no gozo do teu senhor.

22 E, chegando tambem o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com elles grangeei outros dois talentos.

23 Disse-lhe o seu senhor: [13] Bem _está_, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

24 Mas, chegando tambem o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste;

25 E, atemorisado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o _que é_ teu.

26 Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabes que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei;

27 Por isso te cumpria dar o meu dinheiro aos banqueiros, e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros.

28 Tirae-lhe pois o talento, e dae-o ao que tem os dez talentos.

29 Porque a qualquer que tiver será dado, [14] e terá em abundancia; mas ao que não tiver até o que tem será tirado.

30 Lançae pois o servo inutil nas trevas exteriores: ali haverá pranto e [15] ranger de dentes.

_O fim do sermão prophetico: A vida eterna e o castigo eterno._

31 E quando o Filho do homem vier em sua gloria, [16] e todos os sanctos anjos com elle, então se assentará no throno da sua gloria;

32 E todas as nações serão reunidas diante d’elle, e apartará uns dos outros, [17] como o pastor aparta dos bodes as ovelhas,

33 E porá as ovelhas á sua direita, mas os bodes á esquerda.

34 Então dirá o Rei aos que _estiverem_ á sua direita: [18] Vinde, bemditos de meu Pae, possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;

35 Porque tive fome, [19] e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;

36 _Estava_ nú, [20] e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.

37 Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e _te_ démos de comer? ou com sede, e _te_ démos de beber?

38 E quando te vimos estrangeiro, e _te_ hospedámos? ou nú, e _te_ vestimos?

39 E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?

40 E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo [21] que, quando _o_ fizestes a um d’estes meus pequeninos irmãos, a mim _o_ fizestes.

41 Então dirá tambem _aos que estiverem_ á sua esquerda: [22] Apartae-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;

42 Porque tive fome, e não me destes de comer: tive sede, e não me destes de beber;

43 Sendo estrangeiro, não me recolhestes; _estando_ nú, não me vestistes; enfermo, e na prisão, não me visitastes.

44 Então elles tambem lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nú, ou enfermo, ou na prisão, e te não servimos?

45 Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando [23] a um d’estes pequeninos _o_ não fizestes, não o fizestes a mim.

46 E estes irão [24] para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.

[1] Eph. 5.29. Apo. 19.7 e 21.2, 9.

[2] cap. 13.47 e 22.10.

[3] I The. 5.6.

[4] cap. 24.31.

[5] Luc. 12.35.

[6] Luc. 13.25.

[7] cap. 7.21, 22, 23.

[8] Psa. 5.6. Hab. 1.13. João 9.31.

[9] cap. 24.42, 46. Mar. 13.33, 35. Luc. 21.36. I Cor. 16.13. I The. 5.6. I Ped. 5.8. Apo. 16.15.

[10] Rom. 12.6. I Cor. 12.7, 11, 29. Eph. 4.11.

[11] cap. 24.47. ver. 34, 46. Luc. 12.44 e 22.29, 30.

[12] II Tim. 2.12. Heb. 12.2. I Ped. 1.8.

[13] ver. 21.

[14] cap. 13.12. Mar. 4.25. Luc. 8.18 e 19.26. João 15.2.

[15] cap. 8.12 e 24.51.

[16] Zac. 14.5. cap. 16.27. Mar. 8.38. Act. 1.11. I The. 4.16. II The. 1.7. Jud. 14. Apo. 1.7.

[17] Rom. 14.10. II Cor. 5.10. Apo. 20.12. Eze. 20.38 e 34.17. cap. 13.49.

[18] Rom. 8.17. I Ped. 1.4. Apo. 21.7. cap. 20.23. Mar. 10.40. I Cor. 2.9. Heb. 11.16.

[19] Isa. 58.7. Eze. 18.7. Thi. 1.27. Heb. 13.2. III João 5.

[20] Thi. 2. II Tim. 1.16.

[21] Pro. 14.31 e 19.17. cap. 10.42. Mar. 9.40. Heb. 6.10.

[22] Psa. 6.8. cap. 7.23 e 13.40. Luc. 13.27. II Ped. 2.4. Jud. 6.

[23] Pro. 14.31 e 17.5. Zac. 2.8. Act. 9.5.

[24] Dan. 12.2. João 5.29. Rom. 2.7.

_A consulta dos sacerdotes e dos escribas._

Mar. 14.1, 2. Luc. 22.1, 2.

26 E aconteceu que, quando Jesus concluiu todos estes discursos, disse aos seus discipulos:

2 Bem sabeis que d’aqui a dois dias é [1] a paschoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado.

3 Então os principes dos sacerdotes, e os escribas, [2] e os anciãos do povo reuniram-se na sala do summo sacerdote, o qual se chamava Caiphás,

4 E consultaram-se juntamente para prenderem Jesus com dolo e o matarem.

5 Porém diziam: Não durante a festa, para que não haja alvoroço entre o povo.

_O jantar em Bethania._

Mar. 14.3-9. João 11.1-8.

6 E, estando Jesus em Bethania, em casa de Simão, o leproso,

7 Approximou-se d’elle uma mulher com um vaso d’alabastro, com unguento de grande valor, e derramou-lh’o sobre a cabeça, estando elle assentado _á mesa_.

8 E os seus discipulos, vendo _isto_, [3] indignaram-se, dizendo: Porque _se faz_ este desperdicio?

9 Pois este unguento podia vender-se por grande preço, e dar-se o dinheiro aos pobres.

10 Jesus, porém, conhecendo _isto_, disse-lhes: Porque affligis esta mulher? pois praticou _uma_ boa acção para comigo.

11 Porquanto [4] sempre tendes comvosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre.

12 Ora, derramando ella este unguento sobre o meu corpo, fel-o preparando-me para o meu enterramento.

13 Em verdade vos digo que, onde quer que este Evangelho fôr prégado, em todo o mundo, tambem será dito o que ella fez, para memoria sua.

_O preço da traição._

Mar. 14.10, 11. Luc. 22.3-6.

14 Então um dos doze chamado Judas Iscariotes, foi ter [5] com os principes dos sacerdotes,

15 E disse: [6] Que me quereis dar, e eu vol-o entregarei? E elles lhe arbitraram trinta [AFW] _moedas_ de prata,

16 E desde então buscava opportunidade para o entregar.

_A ultima paschoa, a sancta ceia._

Mar. 12.14-26. Luc. 22.7-23. I Cor. 11.23-29.

17 E, no [7] primeiro _dia da festa_ dos pães asmos, chegaram os discipulos junto de Jesus, dizendo: Onde queres que te preparemos _o necessario_ para comer a paschoa?

18 E elle disse: Ide á cidade a _um_ certo homem, e dizei-lhe: O Mestre diz: O meu tempo está proximo; em tua casa celebro a paschoa com os meus discipulos.

19 E os discipulos fizeram como Jesus lhes ordenara, e prepararam a paschoa.

20 E, chegada a tarde, [8] assentou-se _á mesa_ com os doze.

21 E, comendo elles, disse: Em verdade vos digo que um de vós me ha de trahir.

22 E elles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe: _Porventura_ sou eu, Senhor?

23 E elle, respondendo, disse: [9] O que mette a mão no prato comigo, esse me ha de trahir.

24 Em verdade o Filho do homem vae, como ácerca [10] d’elle está escripto, mas ai d’aquelle homem por quem o Filho do homem é trahido! bom seria a esse homem se não houvera nascido.

25 E, respondendo Judas, o que o trahia, disse: _Porventura_ sou eu, Rabbi? Elle disse: Tu o disseste.

26 E, quando comiam, [11] Jesus tomou o pão, e, abençoando-_o_, o partiu, e o deu aos discipulos, e disse: Tomae, comei, isto é o meu corpo.

27 E, tomando o calix, e dando graças, deu-lh’_o_, dizendo: [12] Bebei d’elle todos;

28 Porque isto é o meu sangue, [13] o _sangue_ do [AFX] Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos peccados.

29 E digo-vos que, desde agora, não beberei [14] d’este fructo da vide até áquelle dia em que o beber de novo comvosco no reino de meu Pae.

30 E, tendo cantado [15] o hymno, sairam para o monte das Oliveiras.

_Pedro é avisado._

Mar. 14.27-31. Luc. 22.31-34. João 13.36-38.

31 Então Jesus lhes disse: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; [16] porque está escripto: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão.

32 Mas, depois de eu resuscitar, [17] irei adiante de vós para a Galilea.

33 Pedro, porém, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei.

34 Disse-lhe Jesus: [18] Em verdade te digo que, n’esta mesma noite, antes que o gallo cante, tres vezes me negarás.

35 Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja mister morrer comtigo, não te negarei. E o mesmo todos os discipulos disseram.

_Jesus em Gethsemane._

Mar. 14.32-42. Luc. 22.39-46. João 18.1.

36 Então chegou Jesus com elles a um logar chamado Gethsemane, e disse aos discipulos: Assentae-vos aqui, emquanto vou além, a orar.

37 E, levando comsigo Pedro e [19] os dois filhos de Zebedeo, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito.

38 Então lhes disse: [20] A minha alma está cheia de tristeza até á morte; ficae aqui, e velae comigo.

39 E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando [21] e dizendo: Meu Pae, [22] se é possivel, passe de mim este calix; porém, não como eu quero, mas como tu _queres_.

40 E voltou para os seus discipulos, e achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então nem uma hora podeste velar comigo?

41 Vigiae e orae, [23] para que não entreis em tentação: na verdade, o espirito _está_ prompto, mas a carne _é_ fraca.

42 E, indo segunda vez, orou, dizendo: Meu Pae, se este calix não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade.

43 E, voltando, achou-os outra vez adormecidos; porque os seus olhos estavam carregados.

44 E, deixando-os, voltou, e orou terceira vez, dizendo as mesmas palavras.

45 Então chegou junto dos seus discipulos, e disse-lhes: Dormi agora, e repousae; eis que é chegada a hora, e o Filho do homem será entregue nas mãos dos peccadores.

46 Levantae-vos, partamos; eis que é chegado o que me trahe.

_Jesus é preso._

Mar. 14.43-50. Luc. 22.47-53. João 18.2-11.

47 E, estando elle ainda a fallar, eis que chegou Judas, um dos doze, e com elle _uma_ grande multidão com espadas e varapaus, _enviada_ pelos principes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo.

48 E o que o trahia tinha-lhes dado signal, dizendo: O que eu beijar é elle; prendei-o.

49 E logo, approximando-se de Jesus, disse: Eu te saudo Rabbi. E [24] beijou-o.

50 Jesus, porém, lhe disse: [25] Amigo, a que vieste? Então, approximando-se, lançaram mão de Jesus, e prenderam-n’o.

51 E eis que [26] um dos que _estavam_ com Jesus, estendendo a mão, puxou da espada e, ferindo o servo do summo sacerdote, cortou-lhe uma orelha.

52 Então Jesus disse-lhe: Mette no seu logar a tua espada; porque [27] todos os que lançarem mão da espada á espada morrerão.

53 Ou pensas tu que não poderia eu agora orar a meu Pae, e elle não me daria mais de doze legiões [28] d’anjos?

54 Como pois se cumpririam as Escripturas, [29] _que dizem_ que assim convem que aconteça?

55 Então disse Jesus á multidão: Saistes, como a um salteador, com espadas e varapaus para me prender? todos os dias me assentava junto de vós, ensinando no templo, e não me prendestes.

56 Mas tudo isto aconteceu para que se cumpram as escripturas dos prophetas. [30] Então todos os discipulos, deixando-o, fugiram.

_Jesus perante o synhedrio._

Mar. 14.53-65. Luc. 22.63-71. João 18.12-27.

57 E, os que prenderam a Jesus, o conduziram ao summo sacerdote, Caiphás, onde os escribas e os anciãos estavam reunidos.

58 E Pedro o seguiu de longe até ao pateo do summo sacerdote: e, entrando dentro, assentou-se entre os creados, para vêr o fim.

59 E os principes dos sacerdotes, e os anciãos, e todo o conselho, buscavam falso testemunho contra Jesus, para o poderem matar,

60 Mas não o achavam, apezar de se apresentarem [31] muitas testemunhas falsas; [32] mas por fim chegaram duas falsas testemunhas,

61 E disseram: Este disse: Eu posso [33] derribar o templo de Deus, e reedifical-o em tres dias.

62 E, levantando-se o [34] summo sacerdote, disse-lhe: Não respondes coisa alguma ao que estes depõem contra ti?

63 Jesus, porém, [35] guardava silencio. E, insistindo o summo sacerdote, disse-lhe: [36] Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Christo, o Filho de Deus.

64 Disse-lhe Jesus: Tu _o_ disseste; digo-vos, porém, que vereis [37] em breve o Filho do homem assentado á direita da magestade _divina_, e vindo sobre as nuvens do céu.

65 Então [38] o summo sacerdote rasgou os seus vestidos, dizendo: Blasphemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem ouvistes agora a sua blasphemia.

66 Que vos parece? E elles, respondendo, disseram: [39] E réu de morte.

67 Então cuspiram-lhe [40] no rosto; e _uns_ lhe davam punhadas, e outros _o_ esbofeteavam,

68 Dizendo: [41] Prophetiza-nos, Christo, quem é o que te bateu?

_Pedro nega a Jesus._

Mar. 14.66-72. Luc. 22.54-62. João 18.15-18.

69 E Pedro estava assentado fóra, no pateo, e approximou-se d’elle uma creada, dizendo: Tu tambem estavas com Jesus, o galileo.

70 Mas elle negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes.

71 E, saindo para o vestibulo, viu-o outra, e disse aos que ali estavam: Este tambem estava com Jesus, o nazareno.

72 E elle negou outra vez com juramento, dizendo: Não conheço _tal_ homem.

73 E, d’ahi a pouco, approximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente tambem tu és _um_ d’elles, pois a [42] tua falla te denuncia.

74 Então começou elle a [43] imprecar e a jurar, _dizendo_: Não conheço _esse_ homem. E immediatamente o gallo cantou.

75 E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: [44] Antes que o gallo cante, tres vezes me negarás. E, saindo d’ali, chorou amargamente.

[1] João 13.1.

[2] Psa. 2.2. João 11.47. Act. 4.25, etc.

[3] João 12.4.

[4] Deu. 15.11. João 12.8 e 13.33 e 14.19. cap. 18.20.

[5] João 13.2, 30. cap. 10.4.

[6] Zac. 11.12. cap. 27.3.

[7] Exo. 12.6, 18.

[8] Mar. 14.17, 21. Luc. 22.14. João 13.21.

[9] Psa. 41.9. Luc. 22.21. João 13.18.

[10] Isa. 53. Dan. 9.26. Mar. 9.12. Luc. 24.46. Act. 17.2. I Cor. 15.3. João 17.12.

[11] Mar. 14.22. Luc. 22.19. I Cor. 11.23, 24, 25 e 10.16.

[12] Mar. 14.23.

[13] Exo. 24.8. Lev. 17.11. Jer. 31.31. cap. 20.28. Rom. 5.15. Heb. 9.22.

[14] Mar. 14.25. Luc. 22.18. Act. 10.41.

[15] Mar. 14.26.

[16] João 16.32. cap. 11.6. Zac. 13.7.

[17] cap. 28.7, 10, 16. Mar. 14.28 e 16.7.

[18] Mar. 14.30. Luc. 22.34. João 13.38.

[19] cap. 4.21.

[20] João 12.27.

[21] Mar. 14.36. Luc. 22.42. Heb. 5.7.

[22] João 12.27 e 5.30 e 6.38. cap. 20.22. Phi. 2.8.

[23] Mar. 13.33 e 14.38. Luc. 22.40, 46. Eph. 6.18.

[24] II Sam. 20.9.

[25] Psa. 41.9 e 54.3.

[26] João 18.10.

[27] Gen. 9.6. Apo. 13.10.

[28] II Reis 6.17. Dan. 7.10.

[29] Isa. 53.7, etc. ver. 24. Luc. 24.25, 44, 46.

[30] Lam. 4.20. ver. 54. João 18.15.

[31] Psa. 27.12 e 35.11. Mar. 14.55. Act. 6.13.

[32] Deu. 19.15.

[33] cap. 27.40. João 2.19.

[34] Mar. 14.60.

[35] Isa. 53.7. cap. 27.22.

[36] Lev. 5.1. I Sam. 14.24.

[37] Dan. 7.13. Luc. 21.27. João 1.51. Rom. 14.10. I The. 4.15. Apo. 1.7. Psa. 110.1. Act. 7.55.

[38] II Reis 18.37 e 19.1.

[39] Lev. 24.16. João 19.7.

[40] Isa. 50.6 e 53.3. cap. 27.30. Luc. 22.63. João 19.3.

[41] Mar. 14.65. Luc. 22.64.

[42] Luc. 22.59.

[43] Mar. 14.71.

[44] ver. 34. Mar. 14.30. Luc. 22.61, 62. João 13.38.

_O suicidio de Judas._

Act. 1.16-19.

27 E, chegando a manhã, [1] todos os principes dos sacerdotes, e os anciãos do povo, formavam juntamente conselho contra Jesus, para o matarem;

2 E levaram-n’o maniatado, [2] e entregaram-n’o ao [AFY] presidente Poncio Pilatos.

3 Então Judas, [3] o que o trahira, vendo que fôra condemnado, devolveu, arrependido, as trinta [AFZ] _moedas_ de prata aos principes dos sacerdotes e aos anciãos,

4 Dizendo: Pequei, trahindo o sangue innocente. Elles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é comtigo.

5 E elle, atirando para o templo as _moedas_ de prata, [4] retirou-se, e, indo, enforcou-se.

6 E os principes dos sacerdotes, tomando as _moedas_ de prata, disseram: Não é licito mettel-as no cofre das offertas, porque são preço de sangue.

7 E, tendo deliberado juntamente, compraram com ellas o campo do oleiro, para sepultura dos estrangeiros.

8 Por isso foi chamado aquelle campo, [5] até ao _dia d_’hoje, Campo de sangue.

9 Então se realisou o que vaticinara o propheta Jeremias: [6] Tomaram as trinta _moedas_ de prata, preço do avaliado, que os filhos d’Israel avaliaram,

10 E deram-n’as pelo campo do oleiro, segundo o que o Senhor determinou.

_Jesus perante Pilatos._

Mar. 15.1-20. Luc. 23.1-25. João 18.26-28; 19.1-16.

11 E foi Jesus apresentado ao presidente, e o presidente o interrogou, dizendo: És tu o Rei dos judeos? E disse-lhe [7] Jesus: Tu _o_ dizes.

12 E, sendo accusado pelos principes dos sacerdotes e pelos anciãos, [8] nada respondeu.

13 Disse-lhe então Pilatos: [9] Não ouves quanto testificam contra ti?

14 E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o presidente estava muito maravilhado.

15 Ora, [10] _por occasião_ da festa, costumava o presidente soltar um preso, escolhendo o povo aquelle que quizesse.

16 E tinham então um preso bem conhecido, chamado Barrabás.

17 Portanto, reunindo-se elles, disse-lhes Pilatos: Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Christo?

18 Porque sabia que por inveja o haviam entregado.

19 E, estando elle assentado no tribunal, mandou sua mulher dizer-lhe: Não entres na questão d’esse justo, porque n’um sonho muito soffri por causa d’elle.

20 Mas os [11] principes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram á multidão que pedisse Barrabás e matasse Jesus.

21 E, respondendo o presidente, disse-lhes: Qual d’esses dois quereis vós que eu solte? E elles disseram: Barrabás.

22 Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Christo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado.

23 O [AGA] presidente, porém, disse: Pois que mal tem feito? E elles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado.

24 Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto [12] crescia, tomando agua, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou innocente do sangue d’este justo: considerae-o vós.

25 E, respondendo todo o povo, disse: O [13] seu sangue seja sobre nós e sobre nossos filhos.

26 Então soltou-lhes Barrabás, e, tendo _mandado_ [14] açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.

27 E logo os soldados do presidente, conduzindo Jesus [AGB] á audiencia, reuniram junto d’elle toda a cohorte.

28 E, despindo-o, o cobriram com uma capa de [15] escarlata;

29 E, tecendo uma corôa [16] d’espinhos, pozeram-lh’a na cabeça, e em sua _mão_ direita uma canna; e, ajoelhando diante d’elle, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeos.

30 E, cuspindo [17] n’elle, tiraram-lhe a canna, e batiam-lhe _com ella_ na cabeça.

31 E, depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe os seus vestidos e o levaram a crucificar.

_A crucifixão._

Mar. 15.21-24. Luc. 23.26-49. João 19.17-37.

32 E, quando sahiam, [18] encontraram um homem cyreneo, chamado Simão: a este constrangeram a levar a sua cruz.

33 E, chegando ao [19] logar chamado Golgotha, que se diz: Logar da Caveira,

34 Deram-lhe a beber vinagre misturado [20] com fel; mas, provando-o, não quiz beber.

35 E, havendo-o crucificado, repartiram [21] os seus vestidos, lançando sortes: para que se cumprisse o que foi dito pelo propheta: Repartiram [22] entre si os meus vestidos, e sobre a minha tunica lançaram sortes.

36 E, assentados, o [AGC] guardavam ali.

37 E por cima da sua cabeça pozeram [23] escripta a sua accusação: [24] ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEOS.

38 E foram crucificados [25] com elle dois salteadores, um á direita, e outro á esquerda.

39 E os que passavam [26] blasphemavam d’elle, meneando as cabeças,

40 E dizendo: [27] Tu, que destroes o templo, e em tres dias o reedificas, salva-te a ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz.

41 E da mesma maneira tambem os principes dos sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e phariseos, escarnecendo, diziam:

42 Salvou a outros, a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei d’Israel, desça agora da cruz, e creremos n’elle;

43 Confiou em Deus; [28] livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus.

44 E o mesmo lhe lançaram tambem em rosto os salteadores [29] que estavam crucificados com elle.

45 E desde a hora [30] sexta houve trevas sobre toda a terra, até á hora nona.

46 E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, [31] dizendo: Eli, Eli, lama sabachthani; isto é, [32] Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?

47 E alguns dos que ali estavam, ouvindo _isto_, diziam: Este chama por Elias.

48 E logo um d’elles, correndo, tomou uma esponja, [33] e encheu-_a_ de vinagre, e, pondo-_a_ n’uma canna, dava-lhe de beber.

49 Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem livral-o.

50 E Jesus, [34] clamando outra vez com grande voz, rendeu o espirito.

51 E eis que o véu do templo [35] se rasgou em dois, d’alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as [AGD] pedras,

52 E abriram-se os sepulchros, e muitos corpos de sanctos que dormiam foram resuscitados,

53 E, saindo dos sepulchros, depois da resurreição d’elle, entraram na cidade sancta, e appareceram a muitos.

54 E o centurião [36] e os que com elle guardavam a Jesus, vendo o terremoto, e as _coisas_ que haviam succedido, tiveram grande temor, _e_ disseram: Verdadeiramente este era o Filho de Deus.

55 E estavam ali olhando de longe muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galilea, [37] servindo-o,

56 Entre as quaes estavam Maria Magdalena, [38] e Maria, mãe de Thiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeo.

_A sepultura de Jesus._

Mar. 15.42-47. Luc. 23.50-57. João 19.38-42.

57 E, vinda já a tarde, chegou um homem rico de Arimathea, por nome José, que tambem era discipulo de Jesus.

58 Este chegou a Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que o corpo _lhe_ fosse dado.

59 E José, tomando o corpo, envolveu-o n’um fino e limpo lençol,

60 E o poz no seu sepulchro novo, [39] que havia lavrado n’_uma_ rocha, e, revolvendo uma grande pedra para a porta do sepulchro, foi-se.

61 E estavam ali Maria Magdalena e a outra Maria, assentadas defronte do sepulchro.

62 E no dia seguinte, que é depois da preparação, reuniram-se os principes dos sacerdotes e os phariseos em casa de Pilatos,

63 Dizendo: Senhor, lembramo-nos de que aquelle enganador, vivendo ainda, disse: [40] Depois de tres dias resuscitarei.