A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 157

Chapter 1574,463 wordsPublic domain

6 E Jesus disse-lhes: [4] Adverti, e acautelae-vos do fermento dos phariseos e sadduceos.

7 E elles arrazoavam entre si, dizendo: É porque não nos fornecemos de pão.

8 E Jesus, conhecendo-_o_, disse: Porque arrazoaes entre vós, _homens_ de pouca fé, sobre o não vos terdes fornecido de pão?

9 Não comprehendeis [5] ainda, nem vos lembraes dos cinco pães para cinco mil _homens_, e de quantas alcofas levantastes?

10 Nem dos sete pães para quatro mil, [6] e de quantos cestos levantastes?

11 Como não entendestes que não vos fallei a respeito do pão, mas que vos guardasseis do fermento dos phariseos e sadduceos?

12 Então comprehenderam que não dissera que se guardassem do fermento do pão, mas da doutrina dos phariseos.

_A confissão de Pedro._

Mar. 8.27-33. Luc. 9.18-22. João 6.66-69.

13 E, chegando Jesus ás partes de Cesarea de Philippo, interrogou os seus discipulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem?

14 E elles disseram: [7] Uns João Baptista, outros Elias, e outros Jeremias ou um dos prophetas.

15 Disse-lhes elle: E vós, quem dizeis que eu sou?

16 E Simão Pedro, respondendo, disse: [8] Tu és o Christo, o Filho de Deus vivo.

17 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bemaventurado és tu, Simão Barjonas, [9] porque t’o não revelou a carne e o sangue, mas meu Pae, que _está_ nos céus.

18 E tambem eu te digo que tu és [AFN] Pedro, [10] e sobre esta pedra edificarei a minha egreja, [11] e as portas do inferno não prevalecerão contra ella:

19 E eu te darei as chaves do reino dos céus; [12] e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

20 Então [13] mandou aos seus discipulos que a ninguem dissessem que elle era Jesus o Christo.

21 Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discipulos [14] que convinha ir a Jerusalem, e padecer muito dos anciãos, e dos principaes dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e resuscitar ao terceiro dia.

22 E Pedro, tomando-o de parte, começou a reprehendel-o, dizendo: Senhor, _tem_ compaixão de ti; de modo nenhum te aconteça isso.

23 Elle, porém, voltando-se, disse a Pedro: Arreda-te de diante de mim, Satanaz, _que_ me serves de escandalo; porque não comprehendes as _coisas_ que _são_ de Deus, [15] mas _só_ as que _são_ dos homens.

_Os discipulos de Jesus devem levar as suas cruzes._

Mat. 8.34-9.1. Luc. 9.23-27.

24 Então disse Jesus aos seus discipulos: [16] Se alguem quizer vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;

25 Porque aquelle que quizer salvar a sua [AFO] vida, [17] perdel-a-ha, e quem perder a sua vida por amor de mim, achal-a-ha.

26 Pois que aproveita ao homem, se ganhar o mundo inteiro, e perder a sua [AFP] alma? [18] ou que dará o homem em recompensa da sua alma?

27 Porque o Filho do homem virá na gloria de seu Pae, [19] com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras.

28 Em verdade vos digo _que_ alguns ha, [20] dos que aqui estão, que não gostarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino.

[1] cap. 12.38. Luc. 11.16 e 12.54, 56. I Cor. 1.22.

[2] cap. 12.39.

[3] Mar. 8.14.

[4] Luc. 12.1.

[5] cap. 14.17. João 6.9.

[6] cap. 15.34.

[7] cap. 14.2. Luc. 9.7, 8, 9.

[8] cap. 14.33. Mar. 8.29. Luc. 9.20. João 6.69. Act. 8.37. Heb. 1.2, 3. I João 4.15.

[9] Eph. 2.8. I Cor. 2.10. Gal. 1.16.

[10] João 1.42. Eph. 2.20. Apo. 21.14.

[11] Job 38.17. Isa. 38.10.

[12] cap. 18.18. João 20.23.

[13] cap. 17.9. Mar. 8.30. Luc. 9.21.

[14] cap. 20.17. Mar. 8.31. Luc. 9.22.

[15] II Sam. 19.22. Rom. 8.7.

[16] cap. 10.38. Act. 14.22. I The. 3.3. II Tim. 3.12.

[17] Luc. 17.33. João 12.25.

[18] Psa. 49.7, 8, 9.

[19] Mar. 8.38. Luc. 9.26. Dan. 7.10. Zac. 14.5. Jud. 14. Job 34.11. Pro. 24.12. Jer. 17.10. Rom. 2.6. I Cor. 3.8. I Ped. 1.17. Apo. 2.23.

[20] Mar. 8.39. Luc. 9.29.

_A transfiguração._

Mar. 9.1-13. Luc. 9.28-36.

17 Seis dias depois, Jesus levou comsigo a Pedro, e a Thiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte,

2 E transfigurou-se diante d’elles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e os seus vestidos se tornaram brancos como a luz.

3 E eis que lhes appareceram Moysés e Elias, fallando com elle.

4 E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui tres tabernaculos, um para ti, um para Moysés, e um para Elias.

5 E, estando elle ainda a fallar, [1] eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E eis que uma voz da nuvem disse: [2] Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo: escutae-o.

6 E os discipulos, ouvindo _isto_, [3] cairam sobre seus rostos, e tiveram grande medo.

7 E Jesus, approximando-se-lhes, tocou-os, e disse: [4] Levantae-vos; e não tenhaes medo.

8 E, erguendo elles os olhos, ninguem viram senão unicamente a Jesus.

9 E, descendo elles do monte, Jesus lhes ordenou, [5] dizendo: A ninguem conteis a visão, até que o Filho do homem seja resuscitado dos mortos.

10 E os seus discipulos o interrogaram, dizendo: [6] Porque dizem então os escribas que é mister que Elias venha primeiro?

11 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, [7] e restaurará todas _as coisas_;

12 Mas digo-vos que Elias já veiu, e não o conheceram, [8] mas fizeram-lhe tudo o que quizeram. Assim padecerá tambem d’elles o Filho do homem.

13 Então [9] entenderam os discipulos que lhes fallara de João Baptista.

_A cura d’um lunatico._

Mar. 9.13-32. Luc. 9.37-45.

14 E, quando chegaram á multidão, approximou-se-lhe um homem, pondo-se de joelhos diante d’elle, e dizendo:

15 Senhor, tem misericordia de meu filho, que é lunatico e soffre muito; pois muitas vezes cae no fogo, e muitas vezes na agua;

16 E trouxe-o aos teus discipulos; e não poderam cural-o.

17 E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incredula e perversa! até quando estarei eu comvosco, e até quando vos soffrerei? Trazei-m’o aqui.

18 E reprehendeu Jesus o demonio, e saiu d’elle, e desde aquella hora o menino sarou.

19 Então os discipulos, approximando-se de Jesus em particular, disseram: Porque não podémos nós expulsal-o?

20 E Jesus lhes disse: Por causa da vossa pouca fé; [10] porque em verdade vos digo que, se tivesseis fé como um grão de mostarda, dirieis a este monte: Passa d’aqui para acolá: e havia de passar; e nada vos seria impossivel.

21 Mas esta casta _de demonios_ não se expulsa senão pela oração e por jejum.

22 Ora, achando-se elles na Galilea, disse-lhes Jesus: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens;

23 E matal-o-hão, [11] e ao terceiro dia resuscitará. E elles se entristeceram muito.

_Jesus paga o tributo._

24 E, [12] chegando elles a Capernaum, approximaram-se de Pedro os que cobravam as didrachmas, e disseram: O vosso mestre não paga as didrachmas?

25 Disse elle: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o censo? Dos seus filhos, ou dos alheios?

26 Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, são livres os filhos:

27 Mas, para que os não escandalizemos, vae ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir, e, abrindo-lhe a bocca, encontrarás um státer; toma-o, e dá-o por mim e por ti.

[1] II Ped. 1.17.

[2] cap. 3.17. Mar. 1.11. Luc. 3.22. Isa. 42.1. Deu. 18.15. Act. 3.22.

[3] II Ped. 1.18.

[4] Dan. 8.18 e 9.21 e 10.10, 18.

[5] cap. 16.20. Mar. 8.30 e 9.9.

[6] Mal. 4.5. cap. 11.14. Mar. 9.11.

[7] Mal. 4.6. Luc. 1.16, 17. Act. 3.21.

[8] cap. 11.14 e 14.3, 10 e 16.21. Mar. 9.11, 12.

[9] cap. 11.14.

[10] cap. 21.21. Mar. 11.23. Luc. 17.6. I Cor. 12.9 e 13.2.

[11] cap. 16.21. Mar. 8.31 e 9.29, 30 e 10.33. Luc. 9.22, 44 e 18.31.

[12] Mar. 9.32. Exo. 30.13 e 38.26.

_O maior no reino dos céus._

Mar. 9.32-37. Luc. 9.46-48.

[Anno Domini 33]

18 N’aquella mesma hora chegaram os discipulos ao pé de Jesus, dizendo: Quem é o maior no reino dos céus?

2 E Jesus, chamando um menino, o poz no meio d’elles,

3 E disse: Em verdade vos digo que, [1] se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.

4 Portanto, [2] aquelle que se humilhar como este menino, este é o maior no reino dos céus.

5 E qualquer que receber em meu nome [3] um menino tal como este a mim me recebe.

6 Mas qualquer que escandalizar um d’estes pequeninos, [4] que crêem em mim, melhor lhe fôra que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de atafona, e se submergisse na profundeza do mar.

7 Ai do mundo, por causa dos escandalos; [5] porque é mister que venham escandalos, [6] mas ai d’aquelle homem por quem o escandalo vem!

8 Portanto, [7] se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti: melhor te é entrar na vida côxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno.

9 E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-_o_ para longe de ti. Melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, ser lançado no fogo do inferno.

10 Olhae, não desprezeis algum d’estes pequeninos, [8] porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pae que _está_ nos céus.

11 Porque [9] o Filho do homem veiu salvar o que se tinha perdido.

12 Que vos parece? [10] Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma d’ellas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou?

13 E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer tem por aquella do que pelas noventa e nove que se não desgarraram.

14 Assim tambem não é vontade de vosso Pae, que _está_ nos céus, que um d’estes pequeninos se perca.

_O perdão do peccado d’um irmão._

15 Ora, [11] se teu irmão peccar contra ti, vae, e reprehende-o entre ti e elle só; se te ouvir, [12] ganhaste a teu irmão;

16 Se _te_ não ouvir, porém, leva ainda comtigo [13] um ou dois, para que pela bocca de duas ou tres testemunhas toda a palavra seja confirmada.

17 E, se os não escutar, dize-_o_ á egreja; e, se tambem não escutar a egreja, [14] considera-o como um gentio e publicano.

18 Em verdade vos digo [15] que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.

19 Tambem vos digo [16] que, se dois de vós concordarem na terra ácerca de qualquer coisa que pedirem, [17] isso lhes será feito por meu Pae, que _está_ nos céus.

20 Porque onde estiverem dois ou tres reunidos em meu nome, ahi estou eu no meio d’elles.

21 Então Pedro, approximando-se d’elle, disse: Senhor, até quantas vezes peccará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? [18] Até sete?

22 Jesus lhe disse: Não te digo: Até sete, [19] mas, até setenta vezes sete.

_A parabola do credor incompassivo._

23 Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quiz fazer contas com os seus servos;

24 E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos;

25 E, não tendo elle com que pagar, o seu senhor mandou vendel-o, [20] e a sua mulher e filhos, com tudo quanto tinha, para que a _divida_ se lhe pagasse.

26 Então aquelle servo, prostrando-se, o adorava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.

27 Então o senhor d’aquelle servo, movido de intima compaixão, soltou-o, e perdoou-lhe a divida.

28 Saindo, porém, aquelle servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem [AFQ] dinheiros, e, lançando mão d’elle, suffocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves.

29 Então o seu conservo, prostrando-se aos seus pés rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.

30 Elle, porém, não quiz, antes foi encerral-o na prisão, até que pagasse a divida.

31 Vendo pois os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passára.

32 Então o seu senhor, chamando-o á sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquella divida, porque me supplicaste:

33 Não devias tu egualmente ter compaixão do teu companheiro, como eu tambem tive misericordia de ti?

34 E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia.

35 Assim vos fará tambem meu Pae celestial, [21] se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas offensas.

[1] Psa. 131.2. Mar. 10.14. Luc. 18.16. I Cor. 14.20. I Ped. 2.2.

[2] cap. 20.27 e 23.11.

[3] cap. 10.42. Luc. 9.48.

[4] Mar. 9.41. Luc. 17.1, 2.

[5] Luc. 17.1. I Cor. 11.19.

[6] cap. 26.24.

[7] cap. 5.29, 30. Mar. 9.42, 44.

[8] Psa. 34.7. Zac. 13.7. Heb. 1.14. Est. 1.14. Luc. 1.19.

[9] Luc. 9.56. João 3.17.

[10] Luc. 15.4.

[11] Lev. 19.17. Luc. 17.3.

[12] Thi. 5.20. I Ped. 3.1.

[13] Deu. 17.6. João 8.17. II Cor. 13.1. Heb. 10.28.

[14] Rom. 16.17. I Cor. 5.9. II The. 3.6, 14. II João 10.

[15] cap. 16.19. João 20.23. I Cor. 5.4.

[16] cap. 5.24.

[17] I João 3.22 e 5.14.

[18] Luc. 17.4.

[19] cap. 6.14. Mar. 11.25. Col. 3.13.

[20] II Reis 4.1. Neh. 5.8.

[21] Pro. 21.13. cap. 6.12. Mar. 11.26. Thi. 2.13.

_Ácerca do divorcio._

Mar. 10.1-12.

19 E aconteceu _que_, [1] concluindo Jesus estes discursos, saiu da Galilea, e dirigiu-se aos confins da Judéa, dalem do Jordão;

2 E seguiram-o muitas gentes, [2] e curou-as ali.

3 Então chegaram ao pé d’elle os phariseos, tentando-o, e dizendo-lhe: É licito ao homem repudiar sua mulher por qualquer coisa?

4 Elle, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquelle que _os_ fez no principio [3] macho e femea os fez?

5 E disse: Portanto deixará o homem pae e mãe, [4] e se unirá a sua mulher, [5] e serão dois n’uma só carne.

6 Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem.

7 Disseram-lhe elles: Então porque mandou Moysés dar-lhe carta de divorcio, [6] e repudial-a?

8 Disse-lhes elle: Moysés por causa da dureza dos vossos corações vos permittiu repudiar vossas mulheres; mas ao principio não foi assim.

9 Eu vos digo, [7] porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, commette adulterio; e o que casar com a repudiada _tambem_ commette adulterio.

10 Disseram-lhe seus discipulos: [8] Se assim é a condição do homem relativamente á mulher, não convem casar.

11 Elle, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas [9] _só aquelles_ a quem foi concedido.

12 Porque ha eunuchos que assim nasceram do ventre da mãe; [10] e ha eunuchos que foram castrados pelos homens; e ha eunuchos que se castraram a si mesmos por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.

_Jesus abençoa os meninos._

Mar. 10.13-16. Luc. 18.15-17.

13 Trouxeram-lhe então _alguns_ meninos, para que lhes impozesse as mãos, e orasse; mas os discipulos os reprehendiam.

14 Jesus, porém, disse: Deixae os meninos, e não os estorveis de vir a mim; [11] porque de taes é o reino dos céus.

15 E, tendo-lhes imposto as mãos, partiu d’ali.

_O mancebo rico._

Mar. 10.17-31. Luc. 18.18-30.

16 E eis que, approximando-se d’elle um mancebo, disse-lhe: [12] Bom Mestre, que bem farei, para conseguir a vida eterna?

17 E elle disse-lhe: Porque me chamas bom? Não _ha_ bom senão um só, _que é_ Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos.

18 Disse-lhe elle: Quaes? E Jesus disse: [13] Não matarás, não commetterás adulterio, não furtarás, não dirás falso testemunho;

19 Honra teu pae e tua mãe, e [14] amarás o teu proximo como a ti mesmo.

20 Disse-lhe o mancebo: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?

21 Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, [15] vae, vende tudo o que tens, dá aos pobres, e terás _um_ thesouro no céu; e vem, _e_ segue-me.

22 E o mancebo, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuia muitas propriedades.

23 Disse então Jesus aos seus discipulos: Em verdade vos digo [16] que difficilmente entrará um rico no reino dos céus.

24 E outra vez vos digo que é mais facil passar um camelo pelo fundo d’uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.

25 Os seus discipulos, ouvindo _isto_, admiraram-se muito, dizendo: Quem poderá pois salvar-se?

26 E Jesus, olhando _para elles_, disse-lhes: Aos homens é isso impossivel, [17] mas a Deus tudo é possivel.

27 Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: [18] Eis que nós deixámos tudo, e te seguimos; qual será então o nosso galardão?

28 E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, na regeneração, quando o Filho do homem se assentar no throno da sua [19] gloria, tambem vos assentareis sobre doze thronos, para julgar as doze tribus d’Israel.

29 E todo aquelle que tiver deixado [20] casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pae, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.

30 Porém [21] muitos primeiros serão os derradeiros, e _muitos_ derradeiros _serão_ os primeiros.

[1] João 10.40.

[2] cap. 12.15.

[3] Gen. 1.27 e 5.2. Mal. 2.15.

[4] Gen. 2.24. Mar. 10.5, 9. Eph. 5.31.

[5] I Cor. 6.16 e 7.2.

[6] Deu. 24.1. cap. 5.31.

[7] cap. 5.32. Mar. 10.11. Luc. 16.18. I Cor. 7.10, 11.

[8] Pro. 21.19.

[9] I Cor. 7.2, 7, 9, 17.

[10] I Cor. 7.32, 34 e 9.5, 15.

[11] cap. 18.3.

[12] Luc. 10.25.

[13] Exo. 20.13. Deu. 5.17.

[14] cap. 15.4. Lev. 19.18. Rom. 13.9. Gal. 5.14. Thi. 2.8.

[15] cap. 6.20. Act. 2.45. I Tim. 6.18, 19.

[16] cap. 13.22. Mar. 10.24. I Cor. 1.26. I Tim. 6.9, 10.

[17] Gen. 18.14. Job 42.2. Jer. 32.17. Zac. 8.6. Luc. 1.37 e 18.27.

[18] Mar. 10.28. Luc. 18.28. Deu. 33.9. cap. 4.20. Luc. 5.11.

[19] cap. 20.21. Luc. 22.28, 29, 30. I Cor. 6.2, 3. Apo. 2.26.

[20] Mar. 10.29, 30. Luc. 18.29, 30.

[21] cap. 20.16 e 21.31, 32. Mar. 10.31. Luc. 13.30.

_A parabola dos trabalhadores e das diversas horas do trabalho._

20 Porque o reino dos céus é similhante a um homem, pae de familia, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha.

2 E, ajustando com os trabalhadores a um [AFR] dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha.

3 E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça,

4 E disse-lhes: Ide vós tambem para a vinha, e dar-vos-hei o que fôr justo. E elles foram.

5 Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo.

6 E, saindo perto da hora undecima, encontrou outros que estavam ociosos, e diz-lhes: Porque estaes ociosos todo o dia?

7 Dizem-lhe elles: Porque ninguem nos assalariou. Diz-lhes elle: Ide vós tambem para a vinha, e recebereis o que fôr justo.

8 E, approximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando desde os derradeiros até aos primeiros.

9 E, chegando os que _tinham ido_ perto da hora undecima, receberam um dinheiro cada um.

10 Chegando, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; e tambem receberam um dinheiro cada um;

11 E, recebendo-_o_, murmuravam contra o pae de familia,

12 Dizendo: Estes derradeiros trabalharam _só_ uma hora, e tu os egualaste comnosco, que supportámos a fadiga e a calma do dia.

13 Elle, porém, respondendo, disse a um d’elles: Amigo, não te faço aggravo; não ajustaste tu comigo por um dinheiro?

14 Toma o _que é_ teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro _tanto_ como a ti.

15 Ou não me é licito fazer o que quizer do _que é_ meu? [1] Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?

16 Assim [2] os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

_O pedido dos filhos de Zebedeo._

Mar. 10.32-45. Luc. 18.31-34.

17 E Jesus, subindo a Jerusalem, [3] chamou de parte os seus doze discipulos, e no caminho disse-lhes:

18 Eis que subimos a Jerusalem, [4] e o Filho do homem será entregue aos principes dos sacerdotes, e aos escribas, e condemnal-o-hão á morte.

19 E o entregarão aos gentios [5] para que _d’elle_ escarneçam, e o açoitem e crucifiquem; e ao terceiro dia resuscitará.

20 Então [6] se approximou d’elle a mãe dos filhos de Zebedeo, com seus filhos, adorando-_o_, e pedindo-lhe alguma _coisa_.

21 E elle diz-lhe: Que queres? Diz-lhe ella: [7] Dize que estes meus dois filhos se assentem, um á tua direita e outro á tua esquerda, no teu reino.

22 Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis; [8] podeis vós beber o calix que eu hei de beber, e ser baptizados com o baptismo com que eu sou baptizado? Dizem-lhe elles: Podemos.

23 E diz-lhes elle: Na verdade bebereis [9] o meu calix e sereis baptizados com o baptismo com que eu sou baptizado, mas assentar-se á minha direita ou á minha esquerda não me pertence concedel-o, mas _será_ para aquelles a quem meu Pae o tem preparado.

24 E, [10] quando os dez ouviram _isto_, indignaram-se contra os dois irmãos.

25 Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que os principes [AFS] dos gentios os dominam, e que os grandes exercem auctoridade sobre elles.

26 Não será assim entre vós; [11] mas todo aquelle que quizer entre vós fazer-se grande seja vosso [AFT] servente;

27 E qualquer que entre vós quizer ser o primeiro [12] seja vosso [AFU] servo;

28 Assim como o Filho do homem não veiu para ser servido, [13] mas a servir, e a dar a sua vida _em_ resgate por muitos.

_Os dois cegos de Jericó._

Mar. 10.46-52. Luc. 18.35-43.

29 E, saindo elles de Jericó, seguiu-o grande multidão,

30 E eis que dois cegos, [14] assentados junto do caminho, ouvindo que Jesus passava, clamaram, dizendo: Senhor, Filho de David, tem misericordia de nós.

31 E a multidão os reprehendia, para que se calassem; elles, porém, cada vez clamavam mais, dizendo: Senhor, Filho de David, tem misericordia de nós.

32 E Jesus, parando, chamou-os, e disse: Que quereis que vos faça?

33 Disseram-lhe elles: Senhor, que os nossos olhos sejam abertos.

34 Então Jesus, movido de intima compaixão, tocou-lhe nos olhos, e logo viram; e o seguiram.

[1] Rom. 9.21. Deu. 15.9. Pro. 23.6. cap. 6.23.

[2] cap. 19.30 e 22.14.

[3] João 12.12.

[4] cap. 16.21.

[5] cap. 27.2. Mar. 15.1, 16. Luc. 23.1. João 18.28. Act. 3.13.

[6] Mar. 10.35. cap. 4.21.

[7] cap. 19.28.

[8] cap. 26.39. Mar. 14.36. Luc. 22.42. João 18.11.

[9] Act. 12.2. Rom. 8.17. II Cor. 1.7. Apo. 1.9.

[10] Mar. 10.41. Luc. 22.24.

[11] I Ped. 5.3. cap. 23.11. Mar. 9.34 e 10.43.

[12] cap. 18.4.

[13] Luc. 22.27. João 13.14 e 11.51. Isa. 53.10. Dan. 9.24. I Tim. 2.6. Tito 2.14. I Ped. 1.19. Rom. 5.15. Heb. 9.28.

[14] cap. 9.27.

_A entrada triumphal de Jesus em Jerusalem._

Mar. 11.1-10. Luc. 19.29-38.

21 E, quando se approximaram de Jerusalem, e chegaram a Bethphage, ao monte das Oliveiras, [1] enviou então Jesus dois discipulos, dizendo-lhes:

2 Ide á aldeia que _está_ defronte de vós, e logo encontrareis uma jumenta presa, e um jumentinho com ella; desprendei-_a_, e trazei-_m’os_.

3 E, se alguem vos disser alguma _coisa_, direis que o Senhor os ha de mister: e logo os enviará.

4 Ora tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo propheta, que diz:

5 Dizei á filha de Sião: [2] Eis que o teu Rei ahi te vem, manso, e assentado sobre uma jumenta, e sobre um jumentinho, filho _de animal sujeito ao_ jugo.

6 E, indo os discipulos, [3] e fazendo como Jesus lhes ordenára,

7 Trouxeram a jumenta e o jumentinho, [4] e sobre elles pozeram os seus vestidos, e fizeram-n’o assentar em cima.

8 E muitissima gente estendia os seus vestidos pelo caminho, [5] e outros cortavam ramos d’arvores, e _os_ espalhavam pelo caminho.

9 E a multidão que ia adeante, e a que seguia, clamava, dizendo: Hosanna ao Filho de David; [6] bemdito o que vem em nome do Senhor: Hosanna nas alturas.

10 E, entrando elle em Jerusalem, [7] toda a cidade se alvoroçou, dizendo: Quem é este?

11 E a multidão dizia: Este é Jesus, [8] o Propheta de Nazareth da Galilea.

_A purificação do templo._

Mar. 11.15-18. Luc. 19.45-48.

12 E entrou Jesus no templo de Deus, [9] e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas:

13 E disse-lhes: Está escripto: [10] A minha casa será chamada casa de oração: mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.