A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 156
15 Mas, sabendo-o, [9] retirou-se d’ali, e acompanhou-o uma grande multidão de gente, e elle os curou a todos.
16 E [10] recommendava-lhes rigorosamente que o não descobrissem,
17 Para que se cumprisse o que fôra dito pelo propheta Isaias, que diz:
18 Eis aqui o meu servo, [11] que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz: porei sobre elle o meu espirito, e annunciará [AFM] aos gentios o juizo.
19 Não contenderá, nem clamará, nem alguem ouvirá pelas ruas a sua voz;
20 Não esmagará a canna quebrada, e não apagará o murrão que fumega, até que faça triumphar o juizo;
21 E no seu nome os gentios esperarão.
_A blasphemia dos phariseos._
Luc. 11.14-23.
22 Trouxeram-lhe então um endemoninhado cego e mudo; [12] e, de tal modo o curou, que o cego e mudo fallava e via.
23 E toda a multidão se admirava e dizia: Não é este o Filho de David?
24 Mas [13] os phariseos, ouvindo _isto_, diziam: Este não expulsa os demonios senão por Beelzebú, principe dos demonios.
25 Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, [14] disse-lhes: Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.
26 E, se Satanaz expulsa a Satanaz, está dividido contra si mesmo; como subsistirá pois o seu reino?
27 E, se eu expulso os demonios por Beelzebú, por quem os expulsam então os vossos filhos? Portanto elles mesmos serão os vossos juizes.
28 Mas, se eu expulso os demonios pelo Espirito de Deus, [15] é conseguintemente chegado a vós o reino de Deus.
29 Ou, como pode alguem entrar em casa do _homem_ valente, [16] e furtar os seus vasos, se primeiro não manietar o valente, saqueando então a sua casa?
30 Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.
31 Portanto eu vos digo: [17] Todo o peccado e blasphemia se perdoará aos homens; porém a blasphemia contra o Espirito não será perdoada aos homens.
32 E, se qualquer fallar [18] _alguma_ palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-ha perdoado, mas, se alguem fallar contra o Espirito Sancto, não lhe será perdoado, nem n’este seculo nem no futuro.
_Arvores e seus fructos._
Luc. 6.43-45.
33 Ou fazei a arvore boa, e o seu fructo bom, ou fazei a arvore má, e o seu fructo mau; porque pelo fructo se conhece a arvore.
34 Raça de viboras, [19] como podeis vós dizer boas _coisas_, sendo maus? pois do que é em abundancia no coração falla a bocca.
35 O homem bom tira boas _coisas_ do thesouro do _seu_ coração, e o homem mau do mau thesouro tira _coisas_ más.
36 Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juizo.
37 Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condemnado.
_O milagre de Jonas._
Luc. 11.16, 19-32.
38 Então [20] alguns dos escribas e dos phariseos tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quizeramos ver da tua parte _algum_ signal.
39 Mas elle lhes respondeu, e disse: A geração má e adultera pede [21] _um_ signal, porém não se lhe dará senão o signal do propheta Jonas;
40 Pois,[22] como Jonas esteve tres dias e tres noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem tres dias e tres noites no seio da terra.
41 Os ninivitas [23] resurgirão no juizo com esta geração, e a condemnarão, [24] porque se arrependeram com a prégação de Jonas. E eis que _está_ aqui quem é mais do que Jonas.
42 A rainha do meio-dia [25] se levantará no _dia do_ juizo com esta geração, e a condemnará; porque veiu dos confins da terra a ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que _está_ aqui quem é mais do que Salomão.
43 E, quando [26] o espirito immundo tem saido do homem, [27] anda por logares aridos, buscando repouso, e não o encontra.
44 Então diz: Voltarei para a minha casa d’onde sahi. E, voltando, acha-_a_ desoccupada, varrida e adornada.
45 Então vae, e leva comsigo outros sete espiritos peiores do que elle, e, entrando, habitam ali: [28] e são os ultimos _actos_ d’esse homem peiores do que os primeiros. Assim acontecerá tambem a esta má geração.
_A familia de Jesus._
Mar. 3.31-35. Luc. 8.19-21.
46 E, fallando elle ainda á multidão, eis que [29] estavam fóra sua mãe e seus irmãos, pretendendo fallar-lhe.
47 E disse-lhe alguem: Eis que estão ali fóra tua mãe e teus irmãos, que querem fallar-te.
48 Porém elle, respondendo, disse ao que lhe fallára: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos?
49 E, estendendo a sua mão para os seus discipulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos;
50 Porque, [30] qualquer que fizer a vontade de meu Pae que _está_ nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe.
[1] I Sam. 21.6.
[2] Exo. 25.30 e 29.32, 33. Lev. 24.5 e 8.31 e 24.9.
[3] Num. 28.9. João 7.22.
[4] II Chr. 6.18. Mal. 3.1.
[5] Ose. 6.6. Miq. 6.6, 7, 8. cap. 9.13.
[6] Luc. 13.14 e 14.3. João 9.16.
[7] Exo. 23.4, 5. Deu. 22.4.
[8] cap. 27.1. Mar. 3.6. Luc. 6.11. João 5.18 e 10.39.
[9] cap. 10.23. Mar. 3.7.
[10] cap. 9.30.
[11] Isa. 42.1. cap. 3.17 e 17.5.
[12] cap. 9.32. Mar. 3.11.
[13] cap. 9.34. Mar. 3.22. Luc. 11.15.
[14] cap. 9.4. João 2.25. Apo. 2.23.
[15] Dan. 2.44 e 7.14. Luc. 1.33 e 11.20 e 17.20, 21.
[16] Isa. 49.24. Luc. 11.21, 22, 23.
[17] Mar. 3.28. Luc. 12.10. Heb. 6.4, 10. I João 5.16. Act. 7.51.
[18] cap. 11.19. João 7.12, 52. I Tim. 1.13.
[19] cap. 3.7 e 23.33. Luc. 6.45.
[20] Mar. 8.11. João 2.18. I Cor. 1.22.
[21] Isa. 57.3. cap. 16.4. Mar. 8.38. João 4.8.
[22] Jon. 2.1.
[23] Luc. 11.32.
[24] Jer. 3.11. Eze. 16.51. Rom. 2.27. Jon. 3.5.
[25] I Reis 10.1. II Chr. 9.1. Luc. 11.31.
[26] Luc. 11.24.
[27] Job 1.7. I Ped. 5.8.
[28] Heb. 6.4 e 10.26. II Ped. 2.20, 21, 22.
[29] Mar. 6.3. João 2.12.
[30] João 15.14. Gal. 5.6. Col. 3.11. Heb. 2.11.
_A parabola do semeador._
Mar. 4.1-20. Luc. 8.4-15.
13 E Jesus, tendo saido da casa n’aquelle dia, estava assentado junto ao mar;
2 E ajuntou-se muita gente ao pé d’elle, de sorte que, entrando n’um barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia.
3 E fallou-lhe de muitas _coisas_ por parabolas, dizendo: [1] Eis que o semeador saiu a semear.
4 E, quando semeava, _uma_ parte _da semente_ caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-n’a;
5 E outra _parte_ caiu em pedregaes, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda;
6 Mas, vindo o sol, queimou-se, e seccou-se, porque não tinha raiz.
7 E outra caiu em espinhos, e os espinhos cresceram, e suffocaram-n’a.
8 E outra caiu em boa terra, e deu fructo: [2] um _grão produziu_ cem, outro sessenta e outro trinta.
9 Quem tem ouvidos para ouvir, [3] oiça.
10 E, acercando-se d’elle os discipulos, disseram-lhe: Porque lhes fallas por parabolas?
11 Elle, respondendo, disse-lhes: Porque [4] a vós é dado conhecer os mysterios do reino dos céus, mas a elles não é dado;
12 Porque áquelle que tem, [5] se dará, e terá em abundancia; mas áquelle que não tem, até aquillo que tem lhe será tirado.
13 Por isso lhes fallo por parabolas; porque elles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem comprehendem.
14 E n’elles se cumpre a prophecia d’Isaias, que diz: [6] Ouvindo, ouvireis, mas não comprehendereis, e, vendo, vereis, mas não percebereis.
15 Porque o coração d’este povo está endurecido, [7] e ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos; para que não vejam com os olhos, e oiçam com os ouvidos, e comprehendam com o coração, e se convertam, e eu os cure.
16 Mas bemaventurados os vossos olhos, porque vêem, [8] e os vossos ouvidos, porque ouvem.
17 Porque em verdade vos digo [9] que muitos prophetas e justos desejaram vêr o que vós vedes, e não _o_ viram; e ouvir o que vós ouvis e não _o_ ouviram,
18 Escutae [10] vós pois a parabola do semeador.
19 Ouvindo alguem a palavra do reino, [11] e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho;
20 Porém o que foi semeado em pedregaes é o que ouve a palavra, [12] e logo a recebe com alegria;
21 Mas não tem raiz em si mesmo, antes é temporão; e, chegada a angustia e a perseguição por causa da palavra, [13] logo se offende;
22 E o que foi semeado em espinhos [14] é o que ouve a palavra, mas os cuidados d’este mundo, e a seducção das riquezas, suffocam a palavra, e fica infructifera;
23 Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e comprehende a palavra; e dá fructo, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta.
_A parabola do trigo e do joio._
24 Propoz-lhes outra parabola, dizendo: O reino dos céus é similhante ao homem que semeia boa semente no seu campo;
25 Mas, dormindo os homens, veiu o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se.
26 E, quando a herva cresceu e fructificou, appareceu tambem o joio.
27 E os servos do pae de familia, indo ter _com elle_, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Porque tem então joio?
28 E elle lhes disse: Um _homem_ inimigo _é que_ fez isso. E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos colhel-o?
29 Porém elle lhes disse: Não; para que ao colher o joio não arranqueis tambem o trigo com elle.
30 Deixae crescer ambos juntos até á ceifa; e, por occasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atae-o em molhos para o queimar; [15] mas o trigo ajuntae-o no meu celleiro.
_As parabolas, do grão de mostarda e do fermento._
Mar. 4.30-34. Luc. 13.18-21.
31 Outra parabola lhes propoz, dizendo: O reino dos céus é similhante ao grão de mostarda que o homem, pegando d’elle, semeou no seu campo;
32 O qual é realmente a mais pequena de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma arvore, de sorte que veem as aves do céu, e se aninham nos seus ramos.
33 Outra parabola lhes disse: [16] O reino dos céus é similhante ao fermento, que uma mulher, pegando _d’elle_, introduz em tres medidas de farinha, até que tudo esteja levedado.
34 Tudo isto [17] disse Jesus por parabolas á multidão, e não lhes fallava sem parabolas;
35 Para que se cumprisse o que fôra dito pelo propheta, que disse: [18] Abrirei em parabolas a minha bocca; [19] publicarei _coisas_ occultas desde a fundação do mundo.
_Explicação da parabola do joio._
36 Então Jesus, despedindo a multidão, foi para casa. E chegaram ao pé d’elle os seus discipulos, dizendo: Explica-nos a parabola do joio do campo.
37 E elle, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente, é o Filho do homem;
38 O campo é o mundo; [20] e a boa semente são os filhos do reino; [21] e o joio são os filhos do maligno;
39 O inimigo, que o semeou, [22] é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos.
40 Como pois o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consummação d’este mundo.
41 Mandará o Filho do homem os seus anjos, e elles colherão do seu reino todos os escandalos, [23] e os que commettem iniquidade.
42 E lançal-os-hão na fornalha de fogo; [24] ali haverá pranto e ranger de dentes.
43 Então os justos resplandecerão como o sol, [25] no reino de seu Pae. Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.
_Parabolas, do thesouro escondido, da perola, da rede._
44 Tambem o reino dos céus é similhante a um thesouro escondido n’_um_ campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo [26] d’elle, vae, vende tudo quanto tem, e compra aquelle campo.
45 Outrosim o reino dos céus é similhante ao homem, negociante, que busca boas perolas;
46 E, encontrando uma perola de grande valor, [27] foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a.
47 Egualmente o reino dos céus é similhante a uma rede lançada ao mar, [28] e que prende toda a qualidade _de peixes_.
48 E, estando cheia, _os pescadores_ a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fóra.
49 Assim será na consummação dos seculos: [29] virão os anjos, e separarão os maus d’entre os justos.
50 E lançal-os-hão na fornalha de fogo: [30] ali haverá pranto e ranger de dentes.
51 E disse-lhes Jesus: Entendestes todas estas _coisas_? Disseram-lhe elles: Sim, Senhor.
52 E elle disse-lhes: Por isso, todo o escriba instruido ácerca do reino dos céus é similhante a um pae de familia, [31] que tira dos seus thesouros _coisas_ novas e velhas.
53 E aconteceu que Jesus, concluindo estas parabolas, se retirou d’ali.
54 E, chegando á [32] sua patria, ensinava-os na synagoga d’elles, de sorte que se maravilhavam, e diziam: D’onde _veiu_ a este a sabedoria, e estas maravilhas?
55 Não é este [33] o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Thiago, e José, e Simão, e Judas?
56 E não estão entre nós todas as suas irmãs? D’onde lhe _veiu_ pois tudo isto?
57 E escandalizavam-se n’elle. [34] Jesus, porém, lhes disse: Não ha propheta sem honra, senão na sua patria e na sua casa.
58 E não fez ali muitas maravilhas, [35] por causa da incredulidade d’elles.
[1] Luc. 3.5.
[2] Gen. 26.12.
[3] cap. 11.15. Mar. 4.9.
[4] cap. 11.25 e 16.17. Mar. 4.11. I Cor. 2.10. I João 2.27.
[5] cap. 25.29. Mar. 4.25. Luc. 8.18 e 19.26.
[6] Isa. 6.9. Eze. 12.2. Luc. 8.10. João 12.40. Act. 28.26, 27. Rom. 11.8. II Cor. 3.10.
[7] Heb. 5.11.
[8] cap. 16.17. Luc. 10.23. João 20.29.
[9] Heb. 11.13. I Ped. 1.10.
[10] Mar. 4.14. Luc. 8.11.
[11] cap. 4.23.
[12] Isa. 58.2. Eze. 33.31. João 5.35.
[13] cap. 11.6. II Tim. 1.15.
[14] cap. 19.23. Mar. 10.23. Luc. 18.24. I Tim. 6.9. Jer. 4.3.
[15] cap. 3.22.
[16] Luc. 13.20.
[17] Mar. 4.33.
[18] Psa. 78.2.
[19] Rom. 16.25, 26. I Cor. 2.7. Eph. 3.9. Col. 1.6.
[20] cap. 24.14. Mar. 16.15, 20. Luc. 24.47. Rom. 10.18. Col. 1.6.
[21] João 8.44. Act. 13.10. I João 3.8.
[22] Joel 3.13. Apo. 14.15.
[23] cap. 18.7. II Ped. 2.1, 2.
[24] cap. 3.12 e 8.12. Apo. 19.20.
[25] Dan. 12.13. I Cor. 15.42. ver. 9.
[26] Phi. 3.7, 8. Isa. 55.1. Apo. 3.18.
[27] Pro. 2.4 e 3.14, 15 e 8.10, 19.
[28] cap. 22.10.
[29] cap. 25.32.
[30] ver. 42.
[31] Can. 7.13.
[32] cap. 2.23. Mar. 6.1. Luc. 4.16, 23.
[33] Isa. 49.7. Mar. 6.3. Luc. 3.23. João 6.42.
[34] cap. 11.6. Mar. 6.3, 4. Luc. 4.24. João 4.44.
[35] Mar. 6.5, 6.
_A morte de João Baptista._
Mar. 6.14-29. Luc. 3.19-20; 9.7-9.
[Anno Domini 32]
14 N’aquelle tempo ouviu Herodes, o tetrarca, a fama de Jesus,
2 E disse aos seus creados: Este é João Baptista; resuscitou dos mortos, e por isso as maravilhas obram n’elle.
3 Porque Herodes tinha prendido João, [1] e tinha-o manietado e encerrado no carcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Philippe;
4 Porque João lhe dissera: [2] Não te é licito possuil-a.
5 E, querendo matal-o, temia o povo; [3] porque o tinham como propheta.
6 Festejando-se, porém, o dia natalicio de Herodes, dançou a filha de Herodias diante d’elle, e agradou a Herodes.
7 Pelo que prometteu com juramento dar-lhe tudo o que pedisse;
8 E ella, instruida previamente por sua mãe, disse: Dá-me aqui n’um prato a cabeça de João Baptista.
9 E o rei affligiu-se, mas, por causa do juramento, e dos que estavam _com elle_, mandou que se _lhe_ désse.
10 E mandou degolar João no carcere,
11 E a sua cabeça foi trazida n’um prato, e dada á menina, e ella _a_ levou a sua mãe.
12 E chegaram os seus discipulos, e levaram o corpo, e o sepultaram; e foram annuncial-o a Jesus.
_A primeira multiplicação dos pães._
Mar. 6.30-34. Luc. 9.10-17. João 6.1-14.
13 E Jesus, ouvindo _isto_, retirou-se d’ali n’um barco, para um logar deserto, apartado; e, sabendo-_o_ o povo, seguiu-o a pé desde as cidades.
14 E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, [4] e foi possuido de intima compaixão para com ella, e curou os seus enfermos.
15 E, sendo chegada a tarde, os seus discipulos approximaram-se-lhe, dizendo: O logar é deserto, e a hora é já avançada; despede a multidão, para que vão pelas aldeias, e comprem comida para si.
16 Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão: dae-lhes vós de comer.
17 Então elles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.
18 E elle disse: Trazei-m’os aqui.
19 E, mandando que a multidão se assentasse sobre a herva, e tomando os cinco pães e os dois peixes, e erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e, [5] partindo os pães, deu-os aos discipulos, e os discipulos á multidão.
20 E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram dos pedaços, que sobejaram, doze alcofas cheias.
21 E os que comeram foram quasi cinco mil homens, além das mulheres e creanças.
_Jesus anda por cima do mar._
Mar. 6.45-46. João 6.15-21.
22 E logo ordenou Jesus que os seus discipulos entrassem no barco, e fossem adiante d’elle para a outra banda, emquanto despedia a multidão.
23 E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar á parte. E, chegada _já_ a tarde, estava ali só.
24 E o barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrario;
25 Mas, á quarta vigilia da noite, dirigiu-se Jesus para elles, caminhando por cima do mar.
26 E os discipulos, vendo-o caminhar sobre o mar, [6] assustaram-se, dizendo: É _um_ phantasma. [7] E gritaram com medo.
27 Jesus, porém, lhes fallou logo, dizendo: Tende bom animo, sou eu, não tenhaes medo.
28 E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter comtigo por cima das aguas.
29 E elle disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as aguas para ir ter com Jesus.
30 Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a afundar-se, clamou, dizendo: Senhor, salva-me.
31 E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: _Homem_ de pouca fé, porque duvidaste?
32 E, quando subiram para o barco, acalmou o vento.
33 Então approximaram-se os que estavam no barco, e adoraram-o, dizendo: És verdadeiramente o Filho de Deus.
34 E, tendo passado para a outra banda, [8] chegaram á terra de Genezareth.
35 E, quando os homens d’aquelle logar o conheceram, mandaram por todas aquellas terras em redor, e trouxeram-lhe todos os que estavam enfermos.
36 E rogavam-lhe para que ao menos elles tocassem a orla do seu vestido; [9] e todos os que _a_ tocavam ficavam sãos.
[1] Mar. 6.17. Luc. 3.19, 20.
[2] Lev. 18.16 e 20.21.
[3] cap. 21.26. Luc. 20.6.
[4] cap. 9.36.
[5] cap. 15.36.
[6] Job 9.8.
[7] Psa. 2.7. cap. 16.16. Mar. 1.1. Luc. 4.41. João 1.49 e 6.70. Act. 8.37. Rom. 1.4.
[8] Mar. 6.53.
[9] cap. 9.20. Mar. 3.10. Luc. 6.19. Act. 19.12.
_A tradição dos anciãos._
Mar. 7.1-23.
15 Então chegaram ao pé de Jesus uns escribas e phariseos de Jerusalem, dizendo:
2 Porque [1] transgridem os teus discipulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão.
3 Elle, porém, respondendo, disse-lhes: Porque transgredis vós tambem o mandamento de Deus pela vossa tradição?
4 Porque Deus ordenou, [2] dizendo: Honra a teu pae e a _tua_ mãe; e: Quem maldisser ao pae ou á mãe, morra de morte.
5 Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pae ou á mãe: [3] É offerta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim; _desobrigado fica_. Esse não honrará de modo algum nem a seu pae nem a sua mãe,
6 E _assim_ invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.
7 Hypocritas, [4] bem prophetizou Isaias a vosso respeito, dizendo:
8 Este povo honra-me com os seus labios, [5] mas o seu coração está longe de mim.
9 Mas em vão me veneram, [6] ensinando doutrinas _que são_ preceitos dos homens.
10 E, [7] chamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi, e entendei:
11 O que contamina o homem [8] não é o que entra na bocca, mas o que sae da bocca isso é o que contamina o homem.
12 Então, acercando-se d’elle os seus discipulos, disseram-lhe: Sabes que os phariseos, ouvindo essas palavras, se escandalizaram?
13 Elle, porém, respondendo, disse: Toda a planta, [9] que meu Pae celestial não plantou, será arrancada.
14 Deixae-os: [10] são conductores cegos de cegos: ora, se um cego guiar _outro_ cego, ambos cairão na cova.
15 E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: [11] Explica-nos essa parabola.
16 Jesus, porém, disse: [12] Até vós mesmos estaes ainda sem entender?
17 Ainda não comprehendeis que tudo o que entra pela bocca [13] desce para o ventre, e é evacuado?
18 Mas o que sae da bocca, [14] procede do coração, e isso contamina o homem.
19 Porque do coração procedem os maus pensamentos, [15] mortes, adulterios, fornicações, furtos, falsos testemunhos e blasphemias.
20 São estas _coisas_ que contaminam o homem; comer, porém, sem lavar as mãos não contamina o homem.
_A mulher cananea._
Mar. 7.24-30.
21 E, partindo Jesus d’ali, foi para as partes de Tyro e de Sidon.
22 E eis que uma mulher cananea, que saira d’aquellas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de David, tem misericordia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada.
23 Mas elle não lhe respondeu palavra. E os seus discipulos, chegando ao pé d’elle, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando após nós.
24 E elle, respondendo, disse: [16] Eu não sou enviado senão ás ovelhas perdidas da casa d’Israel.
25 Então chegou ella, e adorou-o, dizendo: Senhor, soccorre-me.
26 Elle, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deital-_o_ aos [17] cachorrinhos.
27 E ella disse: Sim, Senhor, mas tambem os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.
28 Então respondeu Jesus, e disse-lhe: O mulher! grande _é_ a tua fé: seja-te feito como tu desejas. E desde aquella _mesma_ hora a sua filha ficou sã.
_A segunda multiplicação dos pães._
Mar. 8.1-10.
29 E Jesus, partindo d’ali, chegou ao pé do mar da Galilea, [18] e, subindo a _um_ monte, [19] assentou-se ali.
30 E veiu ter com elle muito povo, que trazia côxos, cegos, mudos, aleijados, e outros muitos: e os pozeram aos pés de Jesus, e elle os sarou:
31 De tal sorte, que a multidão se maravilhou vendo os mudos a fallar, os aleijados sãos, os côxos a andar, e os cegos a ver; e glorificava o Deus d’Israel.
32 E Jesus, chamando os seus discipulos, [20] disse: Tenho intima compaixão da multidão, porque já está comigo ha tres dias, e não tem que comer; e não quero despedil-a em jejum, para que não desfalleça no caminho.
33 E os seus discipulos disseram-lhe: [21] D’onde nos _viriam_ no deserto tantos pães, para saciar tal multidão?
34 E Jesus disse-lhes: Quantos pães tendes? E elles disseram: Sete, e uns poucos de peixinhos.
35 E mandou á multidão que se assentasse no chão.
36 E, tomando os sete pães e os peixes, [22] e dando graças, partiu-os, [23] e deu-os aos seus discipulos, e os discipulos á multidão.
37 E todos comeram e se saciaram; e levantaram, do que sobejou dos pedaços, sete cestos cheios.
38 Ora os que tinham comido eram quatro mil homens, além de mulheres e creanças.
39 E, [24] tendo despedido a multidão, entrou _no_ barco, e dirigiu-se ao territorio de Magdala.
[1] Col. 2.3.
[2] Exo. 20.12. Lev. 19.3. Deu. 5.16. Pro. 23.22. Eph. 5.2. Exo. 21.17. Lev. 20.9. Deu. 27.16.
[3] Mar. 7.11, 12.
[4] Mar. 7.6.
[5] Isa. 29.13. Eze. 33.31.
[6] Isa. 29.13. Col. 2.18, 22. Tito 1.14.
[7] Mar. 7.14.
[8] Act. 10.15. Rom. 14.14, 17, 20. I Tim. 4.4. Tito 1.15.
[9] João 15.2. I Cor. 3.12, etc.
[10] Isa. 9.16. Mal. 2.8. cap. 23.16. Luc. 6.39.
[11] Mar. 7.17.
[12] cap. 16.9. Mar. 7.18.
[13] I Cor. 6.13.
[14] Thi. 3.6.
[15] Gen. 6.5 e 8.21. Pro. 6.14. Jer. 17.9. Mar. 7.21.
[16] cap. 10.5, 6. Act. 3.25, 26 e 13.46. Rom. 15.8.
[17] cap. 7.6. Phi. 3.2.
[18] cap. 4.18.
[19] Isa. 35.5, 6. cap. 11.5. Luc. 7.22.
[20] Mar. 8.1.
[21] II Reis 4.43.
[22] cap. 14.19.
[23] I Sam. 9.13. Luc. 22.19.
[24] Mar. 8.10.
_O fermento dos phariseos._
Mar. 8.11-12.
16 E, chegando-se [1] os phariseos e os sadduceos, e tentando-o, pediram-lhe que lhes mostrasse algum signal do céu.
2 Mas elle, respondendo, disse-lhes: Quando é chegada a tarde, dizeis: _Haverá_ bom tempo, porque o céu está rubro.
3 E pela manhã: Hoje _haverá_ tempestade, porque o céu está _de_ um vermelho sombrio. Hypocritas, sabeis differençar a face do céu, e não sabeis _differençar_ os signaes dos tempos?
4 Uma geração má e adultera pede um signal, [2] e nenhum signal lhe será dado, senão o signal do propheta Jonas. E, deixando-os, retirou-se.
5 E, [3] passando seus discipulos para a outra banda, tinham-se esquecido de fornecer-se de pão.